A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

8 de Julho, em Angola

Próximos lançamentos, já confirmados, da NOVA ÁGUIA nº 5

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02.07.10 - 12h30: Faculdade de Filosofia (UCP, Braga)

16.07.10 - 18h00: Biblioteca Municipal de Castro Marim
16.07.10 - 21h30: Biblioteca Municipal de Alcoutim
17.09.10: III Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora
25.09.10 - 15h30: Biblioteca Municipal de Alcochete

No princípio de Outubro, sairá a NOVA ÁGUIA nº 6...

terça-feira, 29 de junho de 2010

DIAMANTINO MARTINS – Colóquio/Jornada de Filosofia


02 de Julho de 2010

Programa:

08.45 – Abertura do Secretariado

09.00 – Sessão de Abertura

09.15 – DM, Jesuíta e “director espiritual”: Dário Pedroso SJ

09.45 – DM e a Escola de Braga: António Braz Teixeira

10.15 – DM e a Metafísica / Neotomismo: Manuel Cândido Pimentel

10.45 – Intervalo / Café

11.00 – Pensar o Homem, Formar o homem: Da antropologia à antropagogia em DM filósofo: Manuel Ferreira Patrício

11.30 – Um conceito de direito existencialista: Maria Clara Calheiros

12.00 – DM e os Existencialismos: Cassiano Reimão

12.30 – Lançamento das obras:

- Actas do Colóquio sobre a Escola de Braga;

- A Filosofia da Escola Bracarense, de António Braz Teixeira;

- Revista Nova Águia, nº 5.

13.15 – Intervalo / Almoço

15.00 – DM e o conhecimento: Manuel Guedes Miranda

15.30 – DM e o pensamento português: José Gama

16.00 – Diamantino Martins e a Filosofia Existencial Francesa: M. Lourdes

Sirgado Ganho

16.30 – Entre Diamantino Martins e José Marinho: “há problemas em relação a Deus, mas Deus não é um problema”: Renato Epifânio

17.00 – Intervalo / Café

17.15 – A Estética no Pensamento de DM - Para uma Estética da Unidade: José Acácio Castro

17.45 – DM e a psicanálise: Cristiana Soveral

18.15 – DM, a Psicologia e a Psicanálise: João Carlos Major

18.45 – Encerramento

Mensagem que recebi agora: novo hino nacional

 NOVA LETRA DO HINO

Heróis do mal

Pobre Povo

Nação doente

E mortal

Expulsai os tubarões

Exploradores de Portugal

Entre as burlas

Sem vergonha

Ó Pátria

Cala-lhe a voz

Dessa corja tão atroz

Que há-de levar-te à miséria

P'ra rua,  p'ra rua

Quem te está a aniquilar

P'ra rua, p'ra rua

Os que só estão a chular

Contra os burlões

Lutar, lutar !

Ó Portugal, hoje és blogues, facebook e publicidade... É o fim!

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Dois patriotismos

Há dois patriotismos. Um é o dos que colocam as coisas nacionais acima das outras só porque são as "suas", ignorando ou desvalorizando os demais povos, nações, línguas e culturas. É um nacionalismo encoberto, uma "xenofobia politicamente correcta", como disse alguém, e um egocentrismo projectado no colectivo, que estreita a inteligência e o coração e só tem trazido violência e dor ao mundo. Outro é o patriotismo daqueles que, desejando o melhor para a sua nação, ou seja, o que torne os seus concidadãos pessoas melhores e mais felizes, valorizam nela o que for bom, mas não se demitem de a criticar e tentar purificá-la dos seus erros e vícios. Para esse efeito, interessam-se pelo que houver de melhor em todas as nações, povos e culturas, procurando promovê-lo e adaptá-lo na sua própria nação. Este é o patriotismo universalista que defendo no meu livro Uma Visão Armilar do Mundo e que encontro, em Portugal, esboçado no Padre António Vieira e florescente em Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

Verdadeiro patriota é o que revela os vícios da sua pátria

sábado, 26 de junho de 2010

O Futuro da Cultura Luso-Brasileira

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Caros Amigos,
No meu blogue, em www.antonioabreufreire.bloguepessoal.com vai o texto sobre O Futuro da Cultura Luso-Brasileira, pelos 70 anos do texto com o mesmo título de Gilberto Freyre, apresentado no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco em 1940. Tema originalmente apresentado em São Paulo, na Casa de Portugal, em Dezembro de 2009.
Os Vossos comentários serão preciosos.
A de Abreu Freire

1º Congresso de Cultura dos Países de Língua Portuguesa

Este ano, acontece no Rio de Janeiro, em novembro, o 1º Congresso de Cultura dos Países de Língua Portuguesa. O evento foi acordado entre os ministros da Cultura do Brasil, Juca Ferreira, e de Portugal, Gabriela Canavilhas, durante reunião realizada em maio último. Do congresso - que terá caráter bianual, com o próximo encontro previsto para 2012, em Portugal - participarão os oito países da CPLP.

Na reunião dos representantes brasileiro e português da pasta de Cultura também ficou definida a realização dos anos do Brasil em Portugal e o de Portugal no Brasil. As ações de intercâmbio de expressões culturais estão previstas para 2012, quando acontecem, nos dois países, as programações de eventos a serem promovidos simultaneamente e em conjunto.

"Porque é amor que quero e não sacrifício, / conhecimento de Deus mais do que holocaustos" - Oséias, 6:6. Porém são sacrifícios e holocausto, de animais, homens e natureza, que por todo o planeta se praticam. O que estamos a fazer? O que nos espera?

Verdadeiro profeta é o que revela as iniquidades do seu povo.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mais fotos do lançamento na Figueira da Foz



Petição Contra Encerramento da Biblioteca Nacional (BNP)

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Como é do conhecimento de alguns, a Biblioteca Nacional de Portugal irá encerrar por um período de dez meses durante o próximo ano, situação que comprometerá profundamente a vida profissional de muita gente.

Pede-se que seguindo este link http://www.peticao.com.pt/encerramento-bnp
leiam a petição contra o encerramento da Biblioteca Nacional de Portugal e a assinem, caso
concordem com ela.

Do fundamentalismo do politicamente correcto

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Conforme foi hoje noticiado por vários “media”, uma criança de cinco anos foi impedida de entrar num jardim-escola em Massy, perto de Paris, França, por vestir uma camisola da selecção portuguesa de futebol.

Não custa adivinhar a motivação da criança: no dia em que Portugal jogava no Mundial de Futebol, a criança vestiu a camisola de Portugal pela mais prosaica das razões: em sinal de apoio. O mesmo aconteceu naturalmente um pouco por todo o mundo, na diáspora portuguesa.

Não custa também adivinhar a razão da proibição: vive-se, em certos meios, um ambiente de tal modo contaminado pelo fundamentalismo do politicamente correcto, que a simples exibição de uma camisola no corpo de uma criança é vista como uma ameaça. Como se não fosse possível apoiar uma selecção de futebol sem que isso seja visto como uma agressão a todas as outras selecções…

Qualquer dia, pelo andar da carruagem, já não se poderá cantar o hino nacional - como gosta de fazer, e bem, o Doutor Fernando Nobre, nas suas sessões públicas. Nem, muito menos, afirmar-se como “patriota”.

Todo o fundamentalismo – qualquer que seja a sua natureza – é pernicioso…

Publicado em:

http://mil-hafre.blogspot.com/2010/06/do-fundamentalismo-do-politicamente.html

EU E SARAMAGO

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DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO



O título deste escrito parece pretensioso, porém, não é essa a minha intenção, mas sim, contar os diversos episódios que constituem a relação estabelecida entre mim e o grande escritor agora desaparecido.
Comecei a ler a obra de Saramago (1922-2010) pelo Memorial do Convento (1982) e, apesar, de não estar habituado àquela escrita sem vírgulas, entrei no tipo inovador da narrativa do escritor. Pouco depois, li Levantado do Chão (1980), livro passado no Alentejo anterior ao 25 de Abril de 1974, e este livro agarrou-me extraordinariamente, uma vez que, muitos dos detalhes descritos acerca da luta dos assalariados rurais por um pouco mais de pão, coincidiam com as verídicas histórias bejenses contadas pelo meu pai, natural da capital do Baixo Alentejo, sobre o sofrimento do povo que, encostado à parede, como escravo medieval, esperava ser escolhido para trabalhar de sol a sol, durante as épocas da sementeira e colheita dos cereais, nas herdades dos poderosos, que o afrontava do alto dos seus possantes garanhões.
Seguiram-se outros livros que li com muito agrado como, Deste Mundo e do Outro (1971) – que contém a inesquecível e, talvez a mais bonita crónica da Literatura sobre o amor maternal, quando um menino na escola explica à professora que, no seu desenho, tanto as nuvens como os flocos de neve eram negros, porque tinham sido desenhados no dia em que lhe morrera a mãe -, O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984) – sempre o imortal génio de Fernando Pessoa, desta vez retratado num dos mais conhecidos dos seus setenta e sete heterónimos-, A Jangada de Pedra (1986) – a Península Ibérica separou-se da Europa e procura um caminho comum para os dois países que a constituem, Portugal e Espanha -, História do Cerco de Lisboa (1989) – onde um revisor tipográfico, ao rever um livro com o mesmo título, troca um sim por um não, concedendo uma dimensão histórica e social completamente diversa ao livro que tratava -, O Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991) – um homem, o próprio Jesus Cristo, que, como todos os seus semelhantes, tinha uma vida sexual com a sua mulher Maria Madalena, e que levará Saramago a exilar-se em Lazarote por, hipocritamente, o Secretário de Estado da Cultura da época não autorizar este livro a concorrer a um prémio internacional, por, na opinião de Sua Excelência, o político, ele ofender a tradição católica do povo português (uma polémica com os mesmos contornos como a que se registou o ano passado quando da saída do derradeiro livro de Saramago, Caim (2009).
Deixem-me agora falar um pouco de mim, para se ver como me relaciono com Saramago. Em 1998, publiquei o meu sétimo livro a que chamei 366 Dias da Vida da Humanidade e que tinha como principal objectivo, comemorar diariamente, na minha aula de Português, (e noutras), uma efeméride relativa a um vulto da História humana, escritor, pintor, músico, etc., o seu nascimento, morte, atribuição dum prémio ou outra circunstância, que aumentasse a débil cultura geral dos alunos. Assim, no dia 8 de Outubro de 1998, ao entrar em casa, depois de uma extenuante manhã de aulas, a minha mulher anunciou-me que, Saramago acabava de ganhar o Prémio Nobel da Literatura atribuído anualmente pela Academia Sueca. Fiquei extremamente satisfeito, tanto como português, como homem de Letras, e fui imediatamente à tipografia, onde o livro citado acima estava em provas, substituir o escritor que homenageava neste dia, por o nome do segundo português que ganhava tão importante prémio (o primeiro fora, como se sabe, Egas Moniz que, em 1949, ganhara o Nobel da Medicina, e que tivera a censura do salazarismo por não ser uma ‘persona grata’ ao Estado Novo, tanto mais que fora embaixador e defensor da Iª República).
Mas, a minha relação com Saramago não fica por aqui. Nos anos seguintes, continuei a ler os seus livros mais importantes como, dois volumes dos cinco diários que constituem os Cadernos de Lazarote (1994), Ensaio sobre a Cegueira (1996), Todos os Nomes (1997), O Conto da Ilha Desconhecida (1997) – livro oferecido por um aluno, a quem consegui transmitir o bichinho da leitura -, A Caverna (2000). Até que, em 2001, escrevi uma biografia de José Saramago, para que os alunos conhecessem a vida do escritor, a que chamei O Caso do Estranho Náufrago, jogando com o facto de Saramago se ter exilado na ilha de Lazarote. Meses depois do livro sair, aconselhado por um amigo, Miguel Real, que, também já escrevera um livro sobre a obra de Saramago, acabei por mandar o meu livro para Lazarote, para a morada do nobelizado, que me foi dada pela colega de escrita e de magistério, Ana Maria Magalhães. Passaram-se quatro meses, e quando eu já pensava que não haveria resposta à minha missiva, ela chegou, dactilografada, e assinada pela mão do escritor. Saramago agradecia-me o livro e, como o meu endereço é Carnaxide, confessava que anos atrás, quando os prédios altos ainda não se tinham expandido, andara muito por aqui, e também em Linda-a-Velha, em bailes populares. Claro que guardo esta carta entre os mais preciosos documentos do meu espólio! À alegria de receber a carta, juntei meses depois, a felicidade de ver o meu livro, via Net, entre os títulos que constituem a biblioteca da Fundação José Saramago no núcleo de Lazarote.
Em 2004, saiu Ensaio sobre a Lucidez, critica política às democracias, onde, todos os eleitores votam em branco, quando chamados às urnas. Saramago lançou este livro na antiga Feira das Indústrias à Junqueira, local onde me desloquei para o ouvir e (veleidade de um idealista) para falar com ele. Compareceram milhares de pessoas e, as minhas intenções goraram-se. Porém, meses depois, Saramago, que fez uma enorme campanha de lançamento do livro, deslocou-se à biblioteca de Beja, que tem o seu nome. Disse para mim mesmo, “na cidade de nascimento do meu pai, é que vou falar com ele!”. Quando o escritor entrou, já eu lá estava, sentado na primeira fila, e como a palestra ainda demorava, levantei-me, dirigi-me a ele de carta na mão e perguntei-lhe, “Conhece isto?”. Saramago agarrou-a, passou-lhe os olhos e, laconicamente, respondeu-me, “Sim”. Como não me disse mais nada, refugiando-se num mutismo com que era costume defender-se, fiquei completamente desarmado e apenas tive voz para dizer: “Sou a pessoa que escrevi o livro. Muito prazer”. Ele respondeu, “Muito prazer.” Não dizendo mais nada. E ficou por aqui, a minha relação com o escritor agora desaparecido.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Uma história exemplar


PUSILANIMIDADE

António Manuel Couto Viana, poeta, contista, dramaturgo, memorialista, fundador (com Alberto de Lacerda e David Mourão-Ferreira) da Távola Redonda, morreu no passado dia 8. No dia 16, o PS agendou um projecto de voto de pesar pela sua morte, subscrito na véspera por doze deputados socialistas. No dia 18, presumo que em reunião dos grupos parlamentares, a intenção de voto foi retirada depois dos protestos apresentados pelo BE e PCP, com o argumento, e vou citar terceiros, de que o Parlamento não podia homenagear quem combatera «ao lado das tropas nacionalistas, na guerra civil de Espanha.» Não imagino qual pudesse ter sido o contributo de um garoto na Falange: Couto Viana tinha 13 anos quando a guerra começou, e 16 quando acabou. Adiante.

O imbróglio surpreende-me a vários títulos. Em primeiro lugar, pela passividade dos doze subscritores, entre os quais se encontra um capitão de Abril (Marques Júnior) e pessoas com responsabilidades na área cultural. Em segundo lugar, pela indiferença da direita, que não foi capaz de pensar pela sua cabeça. Ninguém no PSD e no CDS-PP achou pertinente homenagear Couto Viana. Teria sido preferível um voto chumbado a voto nenhum. Pelos vistos, os gestos solitários, i.e., não conformes ao diktat partidário, estão reservados à aliança policial-parlamentar. A direita, que tanto barafusta com o monopólio literário da esquerda, mostrou-se incapaz de celebrar o mais corajoso dos seus. Têm vergonha de quê? Quanto ao silêncio dos media, estamos conversados. Couto Viana? Quem é esse gajo?

O assunto vem atrasado? Talvez venha. Mas só ontem à noite tive conhecimento dele. E ainda não me refiz do espanto.

Fonte: Da Literatura

Consumo de carne/fome no mundo: Debate com Fernando Nobre, hoje, 18.30, anf.IV Fac. Letras Univ. Lisboa

"Oito por cento do milho e noventa e cinco por cento da aveia colhidos nos Estados Unidos destinam-se a alimentar animais criados por seres humanos para sua alimentação. [...] No mundo inteiro, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, mais do que a população humana total da Terra.

Muita gente está morrendo de fome no mundo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informa que todos os dias morrem 40 000 crianças de subnutrição. Enquanto isso, muita gente come demais no Ocidente. [...] Um economista francês disse-me certa vez que, se os países ocidentais reduzissem pela metade o seu consumo de carne e álcool, resolveríamos o problema da fome no mundo.

Quanto ao impacto ambiental da produção de carne nos Estados Unidos, o Emory College diz o seguinte:

. Terra: do total de terra agricultável nos EUA, 87% são utilizados para a criação de animais para consumo. Isso equivale a 45% do território do país.
. Água: mais da metade do consumo total de água nos EUA destina-se à criação de animais para alimentação. A produção de um quilo de carne demanda 18 000 litros de água. Para se produzir um quilo de trigo são precisos 180 litros de água. Isto é, cem vezes menos. Uma dieta totalmente vegetariana consome 1000 litros de água por dia, ao passo que uma dieta à base de carne requer 14500 litros por dia.

. Poluição: a criação de animais para consumo humano causa mais poluição de água nos Estados Unidos do que qualquer outra atividade industrial. Os animais criados para esse fim produzem uma quantidade de excremento 130 vezes maior que a de toda a população humana, algo como 40 000 quilos por segundo. Grande parte dos detritos de granjas industriais e matadouros é vazada em córregos e rios, contaminando fontes hídricas.

. Desmatamento: cada vegetariano poupa quase meio hectare de árvores por ano. Mais de 100 milhões de hectares de florestas já foram desmatados nos Estados Unidos para dar lugar a pastagens que alimentam gado de corte. A cada vinte segundos desaparece um hectare de árvores. As florestas tropicais estão sendo destruídas para abrir pastagens para gado. Para produzir apenas um hamburguer podem ter sido desmatados quase cinco metros quadrados de floresta tropical.

As florestas são nossos pulmões. Elas nos fornecem oxigênio e protegem nosso meio ambiente. Quando comemos carne, estamos destruindo as florestas e, portanto, estamos comendo a carne da nossa Terra Mãe. Todos nós, inclusive as crianças, podemos perceber o sofrimento dos animais criados para produzir alimento. Podemos optar por comer conscientemente e proteger a felicidade e a vida das espécies que nos acompanham e da própria Terra Mãe"

- Thich Nhat Hanh, Serenando a Mente, Petrópolis, Vozes, 2007, pp.65-67.

Uma organização da revista Cultura ENTRE Culturas, com o apoio do Partido Pelos Animais e do Movimento Outro Portugal.

Pensemos sempre na maior escala

Pensemos sempre na maior escala. Primeiro o que é maior e mais amplo. Primeiro o que é de todos, depois o que é só de alguns. Primeiro o planeta e o universo, depois Portugal e a lusofonia. Assim se beneficia Portugal e a lusofonia, integrando-os e transcendendo-os numa ordem superior e ampliando-nos a consciência ética.

Este Sábado: Segundo número dos Cadernos de Filosofia Extravagante: lançamento a 26 de Junho, às 15h, na Biblioteca Municipal de Sesimbra


Autobiografia espiritual
António Telmo

Verão da alma
Isabel Xavier

Ode em prosa pela Língua Portuguesa
Carlos Aurélio

A Língua Portuguesa: universalidade e regionalismos
Romana Valente Pinto

Babel e a terceira queda
António Carlos Carvalho

Palavra de alma
Cynthia Guimarães Taveira

O som e o dom
Eduardo Aroso

A Língua Portuguesa e o Acordo Ortográfico
Renato Epifânio

O espírito do tempo
Joaquim Domingues

A cavalo nas palavras
António Simões

Linguagem e civilização no pensamento de Silvestre Pinheiro Ferreira
Rodrigo Sobral Cunha

A relação médico – doente
Paula Costa

Dois cantos de O Crocodilo, de Saint-Martin
Inácio Balesteros

O Boosco Deleytoso
Elísio Gala

Uma nota a «O Conto de Amaro»
Pedro Sinde

Para uma poética atlântica da casa
Pedro Martins

Os portais do entendimento
Luís Paixão

O quarto e a quinta
Luís Paixão

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Esta Sexta: Novo Curso na Associação Agostinho da Silva

Em Lourosa

Fernando Nobre: por uma “Lusofonia global e dinâmica”


Um dos desígnios nacionais desta candidatura é o de promover uma “Lusofonia global e dinâmica” – expressão, particularmente feliz, do próprio Doutor Fernando Nobre.

E como se promove isso?

Uma das principais vias para tal será, decerto, o de fomentar, progressivamente, o livre-trânsito no espaço da lusofonia – entre estudantes, entre professores, entre trabalhadores em geral, em suma, entre toda a comunidade lusofalante. Essa era, de resto, a ideia de Agostinho da Silva, ao ter proposto o “passaporte lusófono” (para quem, ridiculamente, contesta isto: há o mais diverso registo – por escrito e em gravações áudio e vídeo – da defesa agostiniana desta proposta).

Temos plena consciência que uma medida como esta não é exequível no imediato. Mas nem por isso deixa de ser pertinente enquanto Horizonte…

P.S.: Já agora, uma (semi)boa-notícia que me acabou de chegar: o anunciado julgamento dos três activistas dos direitos humanos em Cabinda foi adiado. Adiado, não anulado…


A esperteza saloia do ego

"Uma das formas encontradas pelo ego para tentar fugir ao carácter insatisfatório da individualidade é ampliar e reforçar a sua noção de identidade, identificando-se com um grupo - uma nação, um partido político, uma empresa, uma instituição, uma facção, um clube, um gangue, uma equipa de futebol, etc."

- Eckhart Tolle

Consumo de carne/fome no mundo:dados para o debate com Fernando Nobre no Anf. IV da Fac. Letras da Univ. Lisboa, 24, 18.30

"Oito por cento do milho e noventa e cinco por cento da aveia colhidos nos Estados Unidos destinam-se a alimentar animais criados por seres humanos para sua alimentação. [...] No mundo inteiro, o gado consome uma quantidade de alimento equivalente às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, mais do que a população humana total da Terra.

Muita gente está morrendo de fome no mundo. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) informa que todos os dias morrem 40 000 crianças de subnutrição. Enquanto isso, muita gente come demais no Ocidente. [...] Um economista francês disse-me certa vez que, se os países ocidentais reduzissem pela metade o seu consumo de carne e álcool, resolveríamos o problema da fome no mundo.

Quanto ao impacto ambiental da produção de carne nos Estados Unidos, o Emory College diz o seguinte:

. Terra: do total de terra agricultável nos EUA, 87% são utilizados para a criação de animais para consumo. Isso equivale a 45% do território do país.
. Água: mais da metade do consumo total de água nos EUA destina-se à criação de animais para alimentação. A produção de um quilo de carne demanda 18 000 litros de água. Para se produzir um quilo de trigo são precisos 180 litros de água. Isto é, cem vezes menos. Uma dieta totalmente vegetariana consome 1000 litros de água por dia, ao passo que uma dieta à base de carne requer 14500 litros por dia.

. Poluição: a criação de animais para consumo humano causa mais poluição de água nos Estados Unidos do que qualquer outra atividade industrial. Os animais criados para esse fim produzem uma quantidade de excremento 130 vezes maior que a de toda a população humana, algo como 40 000 quilos por segundo. Grande parte dos detritos de granjas industriais e matadouros é vazada em córregos e rios, contaminando fontes hídricas.

. Desmatamento: cada vegetariano poupa quase meio hectare de árvores por ano. Mais de 100 milhões de hectares de florestas já foram desmatados nos Estados Unidos para dar lugar a pastagens que alimentam gado de corte. A cada vinte segundos desaparece um hectare de árvores. As florestas tropicais estão sendo destruídas para abrir pastagens para gado. Para produzir apenas um hamburguer podem ter sido desmatados quase cinco metros quadrados de floresta tropical.

As florestas são nossos pulmões. Elas nos fornecem oxigênio e protegem nosso meio ambiente. Quando comemos carne, estamos destruindo as florestas e, portanto, estamos comendo a carne da nossa Terra Mãe. Todos nós, inclusive as crianças, podemos perceber o sofrimento dos animais criados para produzir alimento. Podemos optar por comer conscientemente e proteger a felicidade e a vida das espécies que nos acompanham e da própria Terra Mãe"

- Thich Nhat Hanh, Serenando a Mente, Petrópolis, Vozes, 2007, pp.65-67.

Uma organização da revista Cultura ENTRE Culturas, com o apoio do Partido Pelos Animais e do Movimento Outro Portugal.

O Oriente e o Budismo em Antero, Sérgio e Agostinho da Silva




No próximo dia 24 de Junho (quinta-feira), pelas 17h, no Anfiteatro II (2) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Romana Valente Pinho e Amon Pinho darão duas prelecções sobre os seguintes temas: "O Oriente e o legado de Antero de Quental no Pensamento de António Sérgio" e "Da interpretação niilista de O Budismo ao Buda-Dharma e ao universalismo, percursos de Agostinho da Silva". Estas prelecções inserem-se no âmbito do curso de Filosofia e Estudos Orientais. A entrada é livre.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ainda sobre Saramago

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Um Labutador ou um Provocador?

J. Jorge Peralta


“Defendeste a pátria? Cumpriste o teu dever.
A Pátria foi ingrata?! Fez o que costuma fazer.”
(P. Antônio Vieira)


1. Um Homem Paradoxal

O aguilhão de Saramago talvez nos faça falta. Poderemos não concordar com ele, em algumas de suas diatribes polêmicas, no entanto, não podemos negar sua coerência de homem livre. Por outro lado, ele carregou consigo um grande mérito: Suas posições políticas, como cidadão, não interferiram em sua obra: não fez literatura partidária.

Politicamente, no entanto, teve atitudes, para muitos, abomináveis. Ninguém é perfeito... Até dos seus erros podemos tirar ensinamento.

Saramago com sua vida e obra, com seus defeitos e virtudes, estará no Panteão da Lusofonia, quer queiramos quer não.

No Panteão da Lusofonia não cabem ódios nem rancores. Saramago não colocou ódios ou rancores na sua obra. O tempo o absolverá de seus erros políticos. Restará sua obra. Esta o elevará.

Acredito que está na hora de Portugal redescobrir Saramago, sem preconceitos, como um de seus filhos amados, apesar dos pesares.


2. Saramago foi um homem e um artista que teve como seu grande mérito, o seu esforço por acordar a sociedade de certa letargia: provocou as pessoas para que refletissem, em busca da consciência do ser. A rejeição que ele teve faz parte dessa tomada de consciência...

A incredulidade que ele tanto propagava, acredito que faz parte de seu processo de provocação à sociedade para que sua fé não seja em decorrência de uma tradição formal, da inércia e de uma vontade de ser igual e de não destoar do meio em que convive.

Talvez uma afronta, subconsciente, ao “pensamento único” e “inquestionável” que move ações e atitudes, mas não move corações, convicções e sentimentos coerentes, e conscientes.

Não move o espírito.

Suas polêmicas acordaram muita gente. Ribombaram como trombetas...

Mas as pessoas não gostam de ser “perturbadas”, como os homens não gostam de ir ao médico.


Mesmo quando acusou Deus e todas as religiões, por todos os males e misérias do mundo, por todas as guerras e maledicências, provocando um grande terremoto de agressões e contestações e constrangimentos, acredito que foi mais um ato provocativo de bom resultado. Fez as pessoas pensarem e reagirem. Despertou consciências.

Acordou os que estavam sonolentos, “estagnados”, no átrio das igrejas.

Ajudou a curar a cegueira de muitos...

Até o seu último romance, “CAIM”, com todas as suas inconsistências, foi uma obra que, socialmente, deixou um saldo positivo. Provocou uma grande corrida à Bíblia, para conferir os textos originais...


3. Sejamos Críticos, mas não Injustos

Podemos e devemos ser críticos, mas não injustos. Não podemos demonizar as pessoas.

Podemos não concordar em tudo o que Saramago agitou, mas não podemos deixar de reconhecer o valor de sua lealdade a princípios, até quando abala alguns dogmas da Igreja. Até quando venerou o “bezerro de ouro” do poder despótico e deletério de seu país, que nos causa repugnância.

Naturalmente podemos discordar de muitas de suas posições, mas não podemos deixar de dar valor à sua bela história humana.

Tanto política como literariamente, Saramago foi um homem coerente. Nunca temeu perder leitores com suas atitudes. Isto ninguém pode negar. Foi um homem de coragem. Ao contrário de muitos que o criticaram...

Saramago foi um homem simples. Um homem dedicado à sua obra.


4. Vai-se o homem, fica a obra. Devemos perdoar-lhe (?!) alguns de seus eventuais desvios, mas não podemos de deixar de apreciar o difícil percurso, seguido por um homem humilde de nascimento, que conseguiu subir todos os degraus da fama e encantar milhões de pessoas, com mérito e qualidade. Saiu do anonimato, para se projetar na história, como um vencedor que, com sua obra literária, deixou o mundo mais belo.

Acredito que não vendeu sua alma ao diabo... Se vendeu, recuperou-a.


Já vi pessoas lendo Saramago nos lugares mais inesperados, como em praias do Brasil, em banco de praça e nos metrôs de Lisboa... etc, etc.

Foi um grande escultor da frase e um genial contador de histórias.

Diz uma grande crítica literária brasileira:

“Com ele, a Língua Portuguesa readquiriu, ao mesmo tempo, a majestade de um Vieira, o humor de um Eça de Queirós e a beleza poética de Pessoa prosador” (Leyla Perrone-Moisés).

Chico Buarque fala de Saramago como “um ser humano admirável, um escritor imenso, um zelador apaixonado da Língua Portuguesa”.


Sei que estas ideias são uma reviravolta naquilo que muitos pensam em Portugal sobre Saramago.

Precisamos repensar sempre nossos conceitos, quando surgem novas luzes. Não nos fechemos à luz, como as ostras.


5. Saramago no Brasil

José Saramago tinha profunda estima pelo Brasil, que muito admirava.

No Brasil tinha e tem muitos milhares, talvez milhões de admiradores. Aqui veio muitas vezes. Sentiu o coração do Brasil palpitar no ritmo e com a força do coração português. Era e é o autor mais vendido da etiqueta literatura estrangeira. Aqui falou sempre bem de Portugal.

Do Brasil dizia:

“Somos gente da mesma família,

de uma mesma língua,

de uma mesma cultura que é, embora diferente, a mesma”.

Para ele, o Brasil e Portugal estavam fadados a viverem unidos.

Saramago sempre se sentiu muito bem, entre os brasileiros, que retribuíam com grande carinho. O Brasil é um novo Mundo.

No Brasil encontrou o céu em vida. Foi muito amado, aqui. Porque ele era muito bom. Mas nem todos souberam ver o que ele nos oferecia...

Em Portugal Saramago foi muito antipático. Isto é questão circunstancial; não diminui o valor de sua obra e de sua vida.

Precisamos apreciá-lo com certa objetividade, desapaixonadamente, para não sermos atropelados pela história. Saibamos que a realidade tem muitos ângulos, e não só um.


6. Saramago vai ao Paraíso

Até Deus Pai, lá do Céu, quando Saramago chegou, foi recepcioná-lo à porta, junto com São Pedro, o homem das chaves.

Deu-lhe as boas vindas, com um grande abraço. E ele encabulado... sem dizer nada...

Tinha aqui na terra, falado muito mal de Deus e do seu Cristo! O Pai logo atalhou: filho, eu ausculto os corações... Quando falavas mal de mim, criticavas o que eu não era e não a mim. Criticavas porque amavas o que eu sou. Eu sou justo e generoso. Sou a Sabedoria.

Muito do que fizeste, às vezes por caminhos tortuosos, fez as pessoas pensarem e acertarem suas vidas. Tiraste muita gente da monotonia e da inércia.

As pessoas te criticavam mordazmente e com razão; mas fizeste-as pensar. Já te deram a pena que mereceste.

Vem comigo. Também aqui terás por missão provocar, em todos, um sorriso largo, com teu humor e teus paradoxos. Precisamos inovar sempre... Precisamos despachar mais sinais de esperança para teus irmãos, lá na terra de onde vens.


7. O Grande Legado de Saramago

A vida e a obra de Saramago, o segundo Prêmio Nobel da Língua Portuguesa, têm algo de monumental que apela à nossa consideração.

[Nosso primeiro Prêmio Nobel foi o Médico, Dr. Egas Moniz, (1949). Um grande homem.]

Quaisquer que sejam as nossas apreciações, Saramago é um imortal, em dimensões de literatura universal.

Saramago saiu da vida e entrou na história.

Na história ele continua vivo, em outra dimensão. Ninguém conseguirá tirar-lhe o que lhe pertence. Os méritos são dele.

Seus críticos vão e ele fica.


Agora cabe a nós fazermos a nossa lição de casa, sem preconceitos e sem simplismos.

Compete a cada um de nós detectar onde está os melhores tesouros que nos legou.

Se soubermos olhar, apesar dos percalços, o saldo é muito positivo. Merece o nosso apreço e a nossa consideração.

A posteridade, apagados os erros de percurso, saberá lhe fazer justiça, enaltecendo a sua imagem.


Não podemos repetir o que o país tradicionalmente fez com as pessoas que mais se destacavam no seu povo. Estas, de praxe, são renegadas por seus contemporâneos. O P. Antônio Vieira, um dos maiores ou talvez o maior sábio do século XVII denunciou este costume execrável, de que ele quase foi vítima.

É de Vieira esta frase constrangedora:

“Defendeste a pátria?

Cumpriste o teu dever.

A Pátria foi ingrata?!

Fez o que costuma fazer.”

Lembremo-nos de que Camões, se não fosse a dedicação de seu escravo, teria morrido de fome. E que Pessoa também foi rejeitado por muitos, no seu tempo. Vieira, se não fosse tão sagaz, teria sido queimado pela Inquisição, e foi uma das maiores inteligências da História de Portugal e do Brasil, de todos os tempos.

Aguardemos o que o futuro dirá de Saramago. Ele ainda está muito vivo. Como estará daqui a 50 anos? Se ele merecer a glória, glória terá.

O desejo de renascença é a fase terminal da doença de haver pátrias

Congresso Internacional do Estudo da Língua e Culturas Portuguesas na América do Norte

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Prazo limite para submissão - 24 de Junho
Data de aceitação - 7 de Julho
Envio da versão final do trabalho para publicação - 28 de Julho
Data do Congresso - 27 de Agosto
Local – Bristol Community College, Fall River, Massachusetts


Objectivos do Congresso

Dar a conhecer o trabalho desenvolvido por docentes e investigadores no campo do ensino da língua e culturas Portuguesas.

Apresentar estratégias/actividades de sucesso de ensino do Português como língua estrangeira nos EUA, Canadá e Bermuda.

Tópicos do Congresso

Este congresso, organizado pela Universidade dos Açores e pelo Portuguese World Language Institute, sedeado na Lesley University, Cambrigde, MA, em parceria com o Bristol Community College, Fall River, MA, pretende congregar docentes e investigadores da Língua e Cultura Portuguesas que pretendam apresentar uma comunicação ou dinamizar uma Oficina de Trabalho sobre os seguintes tópicos:
- Ensino do Português como língua estrangeira na América do Norte
- Ensino das literaturas de língua portuguesa na diáspora
- Os países de língua portuguesa e as suas culturas
- As comunidades de Língua Portuguesa na América do Norte

Os autores devem submeter uma proposta de Oficina de Trabalho ou comunicação à Organização do Congresso através do email gcastanho@uac.pt, nos tópicos acima referidos.

domingo, 20 de junho de 2010

REPÚBLICA: MEETING POINT (EXCERTO)

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Luís G. Soto & Miguel M. Quintanar

Dois séculos, 10 anos

Há na filosofia política internacional contemporânea um debate sobre o republicanismo em termos não desconhecidos na tradição política espanhola —ou quiçá melhor dito hispana— dos dois últimos séculos. Podemos datar —convencionalmente, miticamente— a sua origem nas Cortes de Cádis, reunidas em 1810, e a Constituição —monárquica, mas liberal— fruto do seu trabalho promulgada em 1812.

Desde essas datas a hoje vão duzentos anos, e neles podemos contabilizar, somando-os, apenas —e como máximo— 10 anos de república em Espanha.

Republicanismo, republicanos

Desde há mais de duzentos anos, três ideias do republicanismo, então procedentes da Revolução Francesa de 1789, são discutidas e reelaboradas na teoria e a prática políticas: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. As três conhecem um desenvolvimento profuso espargido em diferentes correntes políticas, que se entrecruzam, nem sempre em harmonia ou em sintonia, senão com frequência divergindo entre elas. E pugnam, desde então e antes, com variados conservadorismos, tradicionalismos, etc.

Liberais, progressistas, anarquistas e socialistas são as formas —entre outras— que vão adoptando essas correntes —partidos, organizações, movimentos— que tomam por eixo a liberdade, a igualdade e a fraternidade (ou solidariedade).

Diferenças entre os republicanos

O que os diferencia, de início e ao longo do séc. XIX, não é tanto uma especialização —a escolha preferente de um desses valores: por exemplo, a liberdade— como a maneira de entender a conjunção desses três valores republicanos. Ainda no primeiro terço do séc. XX, em que o processo de fissão é um facto consumado, as diferenças entre as esquerdas liberais e os socialistas e os anarquistas podem ser formuladas como uma questão de hierarquia e compreensão desses valores, mas não de exclusão de algum deles.

Uma outra diferença, e importante, é que uns —liberais, progressistas— nascem em torno ao poder político —o estado e o governo, do qual por vezes participam— e outros —socialistas, anarquistas— originam-se por fora do poder político, no seio da sociedade, em torno ao trabalho. Estes não só não participam do governo e o estado senão que ficam excluídos deles longo tempo (socialistas) ou de raiz e por sempre (anarquistas), mas constituem um poder social.

Na prática, as forças de matriz republicana rara vez convergem na acção política e/ou social: discorrem por separado e entram em concorrência, desenvolvem-se afastando-se e debilitam-se enfrentando-se. Mesmo quando convergem é rara vez sob a forma da república.

(...)

sábado, 19 de junho de 2010

Sobre Saramago

Lamento muito mas não posso alinhar no coro angélico que pretende canonizar José Saramago, agora que morreu lá em Lanzarote onde se tinha auto-exilado. Sei que é uma coisa típica portuguesa: sempre que alguém morre por cá passa automaticamente a ser uma excelente pessoa, com lugar garantido no Céu.

Já tinha acontecido o mesmo com Álvaro Cunhal (que pretendeu transformar Portugal num satélite do Sol soviético) e agora repete-se com outro camarada.

E se falo de Cunhal agora é também porque Saramago teve -- convém lembrar -- comportamentos estalinistas públicos:

- primeiro em 1975, quando fez parte da direcção do «Diário de Notícias» e«saneou» (expressão característica dessa época sinistra) 24 jornalistas desse mesmo jornal, onde fora colocado para actuar como comissário político -- e nessa altura, eu, que nunca tenho participação política por descrer da mesma, desci à rua e juntei-me à manifestação na Avenida da Liberdade para protestar contra os tais saneamentos;

- depois quando mandou apagar (à boa maneira estalinista) o nome daquela a quem devia tanto -- a escritora Isabel da Nóbrega, uma grande senhora e excelente escritora que lhe ensinara a comer à mesa e lhe abrira portas do mundo literário -- nas dedicatórias dos livros que escrevera no tempo em que viveram juntos e os substituiu, nas reedições, pelo nome da nova mulher, Pilar del Rio, que nem sequer conhecia quando escreveu e publicou «Levantado do Chão», «Memorial do Convento» e outras obras.

Aliás, valia a pena analisar a obra de Saramago tendo em vista os livros que escreveu no tempo de Isabel da Nóbrega e os que escreveu depois, no tempo de Pilar del Rio. Só para perceber as diferenças e tirar as necessárias conclusões…

E já agora convém igualmente lembrar esses livros lamentáveis deste último período, «O Evangelho segundo Jesus Cristo» e «Caim», iniciativas de marketing para chamar a atenção, através do escândalo provocado, sobre a própria obra. Certamente foi Pilar del Rio que lhe forneceu os temas e os materiais para tais iniciativas. Nada melhor do que um escândalo ou uma polémica para «dar vida» às vendas nas livrarias.

E a manobra resultou, como sabemos. O Homem é como uma árvore, e, tal como a árvore, reconhece-se pelos frutos. Não se pode separar o Homem e a obra como se fossem os compartimentos estanques de um submarino.

Na nossa avaliação de um escritor, creio nisso absolutamente, tem sempre de entrar em linha de conta o ser humano que ele é, ou foi, e o que ele fez do dom que recebeu de Deus. E claro que, para além desta poeira dos dias de hoje, o que resta, e permanecerá, é o Juízo Final -- e esse não pertence aos homens, mas a Deus. De quem, aliás, Saramago disse e escreveu tudo o que sabemos. E que nos envergonha.


António Carlos Carvalho

http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/06/anotacoes-pessoais-41.html#comments

Lançamento de "Homens, Espadas e Tomates" de Rainer Daehnhardt


Quinta Wimmer, Belas - 27 Jun às 16h

Os Feitos Heróicos dos Portugueses nos Descobrimentos

Seguido de Palestra e Exposição de Armas Originais dos sécs. XV, XVI e XVII dos Portugueses e dos seus Adversários (Colecção R. D.)

Entrada livre

sexta-feira, 18 de junho de 2010

"Se eu pudesse, fecharia todos os Zoológicos do mundo" - homenagem a José Saramago

Otra vez el genial José Saramago, Premio Nobel de Literatura en 1998, vuelve a golpear en nuestras conciencias, soñando claro y fuerte con un mundo mejor al que se enfrenta tan sólo armado por la razón. Un mundo de respeto, más justo con las personas, pero también con los animales, el paisaje y todo lo que nos rodea.
Su último aldabonazo es en contra de los zoológicos y los espectáculos de circo con animales. Lo hace para defender algo tan aparentemente anecdótico como la vida de Susi, la pobre elefanta deprimida del zoológico de Barcelona de la que ya os hablé la semana pasada.
Os pongo a continuación el principio de su artículo Susi, publicado el paso 19 de febrero en su muy recomendable blog personal El cuaderno de Saramago, una dura crítica a estos centros de reclusión de animales que deberían cerrarse cuanto antes. Gracias maestro.
...

Si yo pudiera, cerraría todos los zoológicos del mundo. Si yo pudiera, prohibiría la utilización de animales en los espectáculos de circo. No debo ser el único que piensa así, pero me arriesgo a recibir la protesta, la indignación, la ira de la mayoría a los que les encanta ver animales detrás de verjas o en espacios donde apenas pueden moverse como les pide su naturaleza. Esto en lo que tiene que ver con los zoológicos. Más deprimentes que esos parques, son los espectáculos de circo que consiguen la proeza de hacer ridículos los patéticos perros vestidos con faldas, las focas aplaudiendo con las aletas, los caballos empenachados, los macacos en bicicleta, los leones saltando arcos, las mulas entrenadas para perseguir figurantes vestidos de negro, los elefantes haciendo equilibrio sobre esferas de metal móviles. Que es divertido, a los niños les encanta, dicen los padres, quienes, para completa educación de sus vástagos, deberían llevarlos también a las sesiones de entrenamiento (¿o de tortura?) suportadas hasta la agonía por los pobres animales, víctimas inermes de la crueldad humana. Los padres también dicen que las visitas al zoológico son altamente instructivas. Tal vez lo hayan sido en el pasado, e incluso así lo dudo, pero hoy, gracias a los innúmeros documentales sobre la vida animal que las televisiones pasan a todas horas, si es educación lo que se pretende, ahí está a la espera.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Fernando Nobre: do patriotismo

No nosso encontro lusófono de 10 de Junho, o Doutor Fernando Nobre voltou a assumir-se como “profundamente patriota” e não foi apenas pelo simbolismo do dia. Em múltiplas ocasiões tem reiterado “que, hoje em dia, no nosso país, quem utiliza a palavra pátria, quem canta o hino nacional, quem se emociona quando o ouve, quase que parece um reaccionário, e para mim não é assim, porque eu fui educado nesses valores intemporais”.

Bom saber que o Doutor Fernando Nobre não se verga ao politicamente correcto – que fez do patriotismo um dos seus mais dilectos alvos –, e que não é daqueles patriotas de sofá: que apenas o são quando joga a selecção. Como hoje, muitos o foram, durante os noventa minutos do primeiro jogo de Portugal no Mundial de Futebol...

Como se o patriotismo estivesse em abanar cachecóis ou em soprar vuvuzelas. E não, desde logo, no respeito pela nossa História e pela nossa Cultura. E não, sobretudo, no serviço à Comunidade. Mas, é claro, dá menos trabalho ser patriota durante os jogos de futebol do que em todo o resto do tempo…

P.S.: Já agora, e pela amostra de hoje, chamar “navegadores” a estes jogadores que estão na África do Sul é uma piada de muito mau gosto…


In MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/06/fernando-nobre-do-patriotismo.html

16 de Junho




Acto da Primavera, de Manoel de Oliveira, ou como os aldeões transmontanos salvaram o Cinema
CONFERÊNCIA de Guillaume Bourgois, dia 16 de Junho, às 18h, Auditório 1 da FCSH (Av. Berna, n. 26)

Licenciado em Filosofia, mestre em Letras Modernas e doutorado em Cinema, Guillaume Bourgois é um estudioso da obra de Manoel de Oliveira. Nos seus artigos e conferências tem analisado o trabalho do cineasta português nos seus cruzamentos com a obra de escritores e pensadores como Dostoievski, Bresson, Fernando Pessoa ou Camilo Castelo Branco.

No dia 16 vem à FCSH falar de Acto de Primavera (1961), obra paradoxal que, através da captação de um espectáculo tradicional (representação anual do mistério da vida de Cristo), reflecte sobre a Modernidade e os seus preconceitos. O filme é analisado também enquanto precursor do Novo Cinema Português, e obra de resistência ao Estado Novo, ao lado de filmes de João César Monteiro ou Paulo Rocha. Explicará ainda porque entende que seja este um "filme sobrenatural".

Agradecemos a vossa presença e divulgação.

Debate público com o Dr. Fernando Nobre sobre ecologia, direitos dos animais, consumo de carne e fome no mundo



O Dr. Fernando Nobre, enquanto candidato à Presidência da República, exporá as suas posições sobre a questão ecológica, os direitos dos animais, o consumo de carne e a fome no mundo, num debate público que terá lugar no dia 24 de Junho, 5ª feira, às 18.30, no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

O moderador será Paulo Borges e a organização é da revista Cultura ENTRE Culturas, com o apoio do Movimento Outro Portugal (Manifesto Refundar Portugal) e do Partido Pelos Animais. Serão dirigidos convites aos demais candidatos para debater as mesmas questões.

A revista Cultura ENTRE Culturas agradece ao Dr. Fernando Nobre haver aceitado o convite para debater publicamente estas questões, de crucial importância no momento actual.

A revista, dedicada ao diálogo intercultural e ao despertar da consciência cívica para as grandes questões mundiais, estará à venda no evento.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

DIA DA LÍNGUA PORTUGUESA



A Língua Forte, Bela, Gentil e Exuberante

J. Jorge Peralta


O grande e complexo mundo da Lusofonia celebrou, no mês de maio deste ano, pela primeira vez, o Dia da Língua Portuguesa, criado pela CPLP.

A data foi comemorada com Semanas de Estudo, sessões solenes e festivas, grandes palestras, com temas de exaltação à nossa língua, bela, versátil, exuberante, altiva e forte.

Enfim, o Dia da Língua Portuguesa é um dia propício para estudá-la melhor, para divulgar suas excelências e mostrar suas belezas.

Mais do que dizer que é uma língua de grande potencial cultural, social e econômico, por ser falada nos cinco continentes, em todos os quatro cantos do mundo, por aproximadamente 260 milhões de lusófonos, devemos mostrar ao mundo, e a nós mesmo, os predicados que a fazem bela, forte e cativante. Os valores e encantos que a destacam entre as três línguas mais faladas no Ocidente.

Falta a CPLP proclamar o Grande Mestre P. Antônio Vieira, a quem Fernando Pessoa proclamou de Imperador da Língua Portuguesa, como Patrono da Lusofonia, e o Dia 18 de julho como Dia da Lusofonia.

No projeto GlobiLíngua (Língua Global) desenvolvemos longamente essa questão nuclear: (Ver link adiante)

Alguns autores estrangeiros teceram loas sinceras à Língua Portuguesa, mais do que nós. Os entendidos falam de nossa língua sempre com muito entusiasmo.

Dois grandes intelectuais espanhóis não tiveram dúvidas em proclamar a superioridade de Língua Portuguesa, sobre o espanhol.

Citamos, por exemplo, o inquestionável Miguel de Cervantes, autor da obra prima da língua castelhana, “Dom Quixote”, e Miguel de Unamuno, um dos maiores intelectuais do século XX.

Estes não estão sós. Quem conhece a alma de nossa língua, fala de sua sedução. Os estrangeiros falam e sentem melhor os encantos de nossa língua, pois têm o parâmetro comparativo e de contraste.

Na Língua Portuguesa, entre uma plêiade imensa de grandes mestres, destaca-se Camões e Vieira.

No final do mês de Maio realizou-se no Itamaraty uma Grande Conferência Internacional sobre a Língua Portuguesa, como Língua Internacional. Aguardamos a publicação das conclusões do magno evento.

Na brevidade desta crônica, cito o Grande Pensador Brasileiro, Gilberto Freire:

“A Língua Portuguesa é uma das mais belas e mais sonoras – Talvez a mais bela e mais sonora – no que se refere à descrição de objetos de luxo e de matérias preciosas, por se ter apercebido da complexidade da cultura ou do passado lusitano. Uma complexidade que torna o edifício verbal do português semelhante ao estilo manuelino de arquitetura. Ambos se apresentam marcados por alguma coisa de exuberante, de mestiço, de contraditório, que vem da aventura ou de experiência ultramarina: Uma experiência que juntou, ao passado europeu dos lusitanos, outros passados – o oriental, o chinês, o indiano, o africano, o americano, o atlântico (...)” (Conf. Gilberto Freyre, Um Brasileiro em Terras Portuguesas, Ed. Livros do Brasil, p.17).

Enfim, esta língua tão forte, tão bela, tão dinâmica e tão universal é a terceira (3ª) língua mais falada no Ocidente, e é a quinta (5ª) língua mais falada no mundo.

Hoje somos aproximadamente, 260 milhões de falantes. Daqui a trinta (30) anos serem 500 milhões de Lusófonos. Se língua é poder. Imagine-se o poder de nossa língua.

Para saber mais, leia:

* O grande despertar da Língua Portuguesa (clique)

em:
http://globilingua.blogspot.com/2010/03/o-grande-despertar-da-lingua-portuguesa.html


* Padre Antônio Vieira, Patrono da Lusofonia (clique)

em:
http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/p-antonio-vieira-patrono-da-lusofonia.html


*Dia Mundial da Lusofonia (clique)

em: http://tribunalusofona.blogspot.com/2009/11/dia-mundial-da-lusofonia.html

16 de Junho


Texto lido no Encontro Lusófono de 10 de Junho



“Ó sórdidos Galegos, duro bando”:

Que sentido deu Camões a este verso d' Os Lusíadas, ele que tem o seu solar originário na freguesia de Camos, Gondomar, na Galiza ao norte do Minho, donde era o seu pai?

Penso que não tem sentido nenhum negativo. Simplesmente denuncia que os galegos ao norte do Minho, por infelicidade deles e também nossa (permiti-me que fale também como português que sou), os galegos do norte não formaram parte do projeto de Portugal do que é um bom resultado a presente multicontinentalidade do nosso verbo.

A Galiza que ficou na Espanha, melhor dito, sob a bota de ferro de Espanha, em verdade que tinha que se ter somado ao projeto de Portugal. Não o fez e em grande medida pelo agir errado e parvo da sua liderança galega. Eis a sordidez galega pela que brada e denuncia Camões, dizendo-nos com esse verso, mas algum dia deixareis de serdes assim e tendes de estar no projeto comum da Lusofonia.

É por isso que hoje eu estou aqui, feliz e emocionado, como galego, reivindicando o nosso Camões, e é que a Lusofonia não pode estar completa sem nós, como não está sem o território roubado e bem português de Olivença.

Poucos dias há melhores para festejar todo o que une aos lusófonos de todos os cantos do mundo que o dia 10 de junho, nenhum outro dia teria sido acaído para reunir em si tanta informação e tanta comunhão lusófona – Venturoso dia que te expandes por toda a Lusofonia por cima do sentido muito português e fechado para o resto que tinha na sua origem esta data quando foi instituída.

Alexandre Banhos Campo

Fonte:
http://pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=2516:participacao-galega-no-jantar-lusofono-do-dia-de-portugal-celebrado-em-lisboa-no-passado-10-de-junho&catid=8:cronicas&Itemid=69

A pátria mais perfeita

"Os homens e as pátrias valem, pois, mais ou menos, conforme o seu grau de religião, quer dizer, o grau de fraternidade, o grau de amor.

A Pátria mais perfeita será a mais local, pelo amor à gleba, e a mais universal, pelo amor ao Mundo"

- Guerra Junqueiro, "Brasil-Portugal", Prosas Dispersas, Porto, Lello & Irmão, 1978, p.105.

Imagina-te sem pele e a vaidade te cairá aos pés

domingo, 13 de junho de 2010

NO 122º ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA




DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

JOAQUIM MOURA COSTA SEMI-HETERÓNIMO DESCONHECIDO

Joaquim Moura Costa é um desconhecido semi-heterónimo e um dos revolucionários criados pelo génio multifacetado do grande criador Fernando Pessoa.
Visou vários alvos, todos manifestações da mesma decadência. As sátiras mais cuidadas visaram os políticos da Monarquia e a Igreja Católica.
Participou em dois jornais feitos por Pessoa: “O Phosphoro” e “O Iconoclasta”.
Muitas das suas poesias são altamente pornográficas, não se podendo publicar neste local, como uma dedicada à homossexualidade de Fialho de Almeida, embora Fernando Pessoa a aceitasse e lhe tivesse dado existência no heterónimo Álvaro de Campos.
Entre os criticados por Joaquim Moura Costa/Fernando Pessoa salienta-se o poeta Augusto Gil, como se pode constatar na poesia que se segue:

“Vejo que rimas sem custo” – 30/3/1909

Vejo que rimas sem custo
E que o verso que te sabe justo
Sem confusão se interpreta.
P’ra seres poeta, Augusto,
Só te falta ser poeta.

Também os plagiadores não escapam à crítica mordaz deste desconhecido semi-heterónimo a que Pessoa atribuiu o nome de Joaquim Moura Costa, como se vê neste poema escrito um ano antes da implantação da República:

“A UM PLAGIARIO” – 7/1/1909

Copiaste? Fizeste bem.
Copia mais, sem canceira,
Copia, pilha, retém.
É a única maneira
De não escreveres asneira.

Já que falámos na República, aqui fica a sátira feita por Joaquim Moura Costa à rainha e mulher de D. Carlos, assassinado no Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, juntamente com o príncipe herdeiro Luís Filipe.

“A RAINHA D. AMELIA” – 20/4/1910

A Rainha D. Amélia
Se não dissesse que arrelia,
Rimava, mal seria
O mais certo é que arrelia.

Também os bajuladores, os situacionistas, os que vergam a cerviz para de qualquer modo conseguirem os seus intentos menos escrupulosos, (como “o Barão/ [que] Beijou ao Ramiro o anel…/”) são ridicularizados até ao extremo, só não se consumando a submissão total (Podia beijar-lhe o rabo/) por ter um nariz grande:


“BEIJA-MÃO” – sem data

Então dizem que o Barão
Que ocupa o lugar cruel
De chefe da situação
Beijou ao Ramiro o anel…
Foi para levar o cabo
Tudo a bem.
Creio que diz.
Foi sinal de submissão
Pois isso fez só que não
Podia beijar-lhe o rabo
Por lho impedir o nariz.

A terminar diga-se que, Joaquim Moura da Costa é um dos setenta e sete heterónimos de Fernando Pessoa até hoje descobertos nos papéis do baú.