1 de Outubro, 18h, última sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA 27 + Colecção “Mestres da Língua Portuguesa”: Encontro de Alternativas (Quinta da Ribafria, Sintra).
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
quarta-feira, 29 de setembro de 2021
Ainda não encomendou a sua Revista? Capa, Editorial e Índice da NOVA ÁGUIA nº 27...
A NOVA ÁGUIA levantou o seu voo já na fase final da vida de António
Telmo, mas ainda a tempo de podermos contar com a sua sempre luminosa
colaboração. Isso aconteceu logo no primeiro número da Revista, com o texto “À
tarde e a boas horas” e com a pré-publicação de um excerto da sua obra A Verdade do Amor (Zéfiro, 2008), um dos
primeiros títulos da Colecção NOVA ÁGUIA.
Nos números seguintes, essa colaboração manteve-se: “Coincidências” (nº 2):
“Comentário a uma Carta de Natália a Leonardo” (nº 3); “O passeio que ficou por
contar” (nº 4); “Acordo e Desacordo na Língua de Portugal” (nº 5). Em Agosto de
2010, António Telmo partiu, mas houve ainda tempo para, no sexto número da
Revista, no segundo semestre desse ano, lhe dedicar uma secção em sua expressa
Homenagem, ainda com um texto do próprio: “O Estilo da Renascença Portuguesa”.
Durante esta década, publicámos
mais escritos seus – “Álvaro Ribeiro: Filósofo da Mediação” (nº 8); “Ao Senhor dos
Mundos” (nº 11); “Natureza de Portugal” (nº 12); “O número 13: página de
autobiografia espiritual” (nº 13); “Nove apontamentos inéditos” (nº 19);
“Apresentação a Oriente de Estremoz de uma revista literária” (nº 20);
“Diálogos do mês de Outubro (excerto)” (nº 22); “Cinco escritos inéditos” (nº
23) e “Doze apontamentos inéditos” (nº 26) –, assim acompanhando a publicação
das suas Obras Completas que a Zéfiro
tem promovido: I) A Terra Prometida: Maçonaria, Kabbalah, Martinismo e Quinto Império
(2014); II) Gramática Secreta da Língua Portuguesa/ Arte
Poética (2014); III) Luís
de Camões e o Segredo d'Os Lusíadas/ Páginas Autobiográficas (2015); IV) Filosofia e Kabbalah/ Álvaro Ribeiro e a Gnose Judaica (2015); V) Contos Secretos/ A Goga (2016); VI) Viagem a Granada/ Poesia (2016); VII) O Horóscopo de Portugal (2017); VIII) História Oculta de Portugal/ No Meio do
Caminho da Vida/ Os Meus Prefácios (2017); IX) A Aventura Maçónica (2018); X) Capelas
Imperfeitas (2019).
Uma década após a sua partida,
pareceu-nos o tempo próprio para darmos, de novo, destaque a António Telmo. Por
isso, inicia-se este número da NOVA ÁGUIA
com mais de uma dezena de ensaios sobre ele – seguidos de outros tantos sobre
outra figura singular da cultura portuguesa que nos deixou muito recentemente:
Eduardo Lourenço. Não tendo colaborado tanto na NOVA ÁGUIA quanto António Telmo, a sua presença não deixou de ser marcante. Assim, no nº 15, em que
assinalámos o centenário da Revista “Orpheu”, foi dele o ensaio de abertura
– “Orfeu ou a Poesia como Realidade” –,
evocação que se estendeu ao número seguinte, com a transcrição da sua
Conferência de Encerramento do “Congresso 100 – Orpheu”, em que a NOVA ÁGUIA esteve igualmente envolvida.
Nos números 18º e 20º, destacamos ainda dois ensaios seus – sobre Agostinho da
Silva e António Vieira. Sendo que o texto mais marcante foi, decerto, uma
extensa entrevista concedida a Luís de Barreiros Tavares (publicada no nº 16),
depois editada em livro (Eduardo Lourenço
em roda livre, Ed. MIL, 2016).
Se este número da NOVA ÁGUIA se ficasse por
esta dupla evocação, isso já seria decerto suficiente. Como sempre, porém, há
“Outros Vultos” da cultura lusófona igualmente aqui evocados, alguns dos quais
também falecidos neste último ano – falamos de Celina Pereira, Cruzeiro Seixas,
Gonçalo Ribeiro Telles, Veríssimo Serrão e Waldemar Bastos. Há “Outros Vultos”
e “Outros Voos” – começando por um ensaio sobre Italo Calvino, da autoria de
Brunello Natale De Cusatis, decerto um dos italianos que mais e melhor conhece
e ama a cultura lusófona. E há ainda – para além de duas séries de “Cartas para
António Telmo”, de Dalila Pereira da Costa e Luís Amaro –, um conjunto de
recensões, no nosso “Bibliáguio”, começando pela obra As Literaturas de Língua Portuguesa (das
origens aos nossos dias), de José Carlos Seabra Pereira (que já havíamos
destacado no número anterior), e prosseguindo com quatro livros editados pelo
MIL em 2020: A Vida Imaginada: Textos
sobre Teatro e Literatura, de António Braz Teixeira, Teoria da Luz e da Palavra, de Luís Furtado, João pela vida
dentro,
de João Reis Gomes, e Lusasalém V, de
Delmar Domingos de Carvalho, outro Amigo da NOVA
ÁGUIA que nos deixou neste fatídico ano.
NOVA ÁGUIA Nº 27:
ÍNDICE
Editorial…5
ANTÓNIO TELMO, UMA DÉCADA APÓS A SUA PARTIDA
UM OLHAR DE ANTÓNIO TELMO NA SIMBÓLICA
DE PRESTES JOÃO | Abel de Lacerda Botelho…8
ANTÓNIO
TELMO: QUEM SOU EU AQUI? | Carlos Aurélio…16
DA PERIFERIA AO CENTRO | Carlos Vargas…23
DIVAGAÇÕES EM TORNO DO SER POÉTICO-FILOSÓFICO SAUDOSO: A
PROPÓSITO DOS RITMOS BERGSONIANOS DE
ANTÓNIO TELMO | César Tomé…24
DE UMA CARTA DE ANTÓNIO TELMO SOBRE A
RAINHA SANTA ISABEL | Eduardo Aroso…30
ANTÓNIO
TELMO E O CICLO DA HERMENÊUTICA | João Luís Ferreira…37
O LETRADO ANTÓNIO TELMO | Joaquim
Domingues…41
ANTÓNIO
TELMO: HUMILDADE ESPIRITUAL E INICIAÇÃO MAÇÓNICA | Pedro Martins…44
DA CONVERSA À CONVERSÃO |
Pedro Sinde…62
A
IDEIA DE PÁTRIA EM ANTÓNIO TELMO | Renato Epifânio…64
ANTÓNIO TELMO: UMA
ARTE POÉTICA PARA UMA POÉTICA DA ARTE | Risoleta C. Pinto Pedro…67
UM SEGREDO DO
ALTO-MAR| Rodrigo Sobral Cunha…75
A
REALIDADE TRANSCENDENTE E ESPIRITUAL DA REDENÇÃO DO MUNDO EM ANTÓNIO TELMO |
Samuel Dimas…78
NA MORTE DE EDUARDO
LOURENÇO
ABERTURA DE “UMA
VIAGEM COM PESSOA, NIETZSCHE E KIERKEGAARD” | Eduardo Lourenço & Luís de Barreiros Tavares…84
EDUARDO LOURENÇO, LEITOR: REVISITAÇÃO | Annabela Rita…89
CINCO PARÁGRAFOS EM CRESCENDO PARA O HOMEM QUE VENCEU
A MORTE EM VIDA | António José Borges…94
A MEMÓRIA E O MAL
SEGUNDO EDUARDO LOURENÇO | Carlos
Nogueira…95
EDUARDO LOURENÇO: O ORTÓNIMO E ALGUNS DOS SEUS
HETERÓNIMOS | Gabriel Magalhães…106
EX NIHILO NIHIL FIT | Isabel
Ponce de Leão…108
NA MORTE DE
EDUARDO LOURENÇO | José Carlos Seabra Pereira…111
DES-CONCERTANTE
EDUARDO: LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE EDUARDO LOURENÇO | José Eduardo
Reis….112
SAUDAÇÃO AO
IRMÃO HUMANO EDUARDO LOURENÇO | Manuel Ferreira Patrício…118
EDUARDO LOURENÇO E O PENSAMENTO DA RELAÇÃO | Maria
Graciete Besse…119
O LABIRINTO DA SAUDADE DE EDUARDO LOURENÇO:
“UMA VIAGEM DENTRO DE NÓS MESMOS” | Maria Luísa de Castro Soares…125
EDUARDO LOURENÇO E A EUROPA | Miguel Real…128
EDUARDO LOURENÇO
COMO MITO CULTURAL | Renato Epifânio…130
OUTROS VULTOS
ABRANCHES
DE SOVERAL | António Braz Teixeira…134
AGOSTINHO
DA SILVA | José Luís Basto…138
ANTÓNIO
SALVADO | Luís G. Soto…140
CELINA
PEREIRA | Elter Manuel Carlos…145
CLARICE
LISPECTOR | Lurdes Mara Oliveira de Albuquerque…147
CRUZEIRO
SEIXAS | José Almeida…150
DELFIM
SANTOS | Artur Manso…151
GONÇALO
RIBEIRO TELLES | Renato Epifânio…156
GUERRA
JUNQUEIRO | Mendo Castro Henriques…157
JOÃO BOAVIDA | Emanuel Oliveira Medeiros…165
MÁRIO
BIGOTTE CHORÃO | Miguel Pedrosa Machado…170
SEBASTIÃO
DA GAMA | Joaquim Pinto…171
TORQUATO
DE SOUSA SOARES | António José Queiroz…175
VERÍSSIMO
SERRÃO | Nuno Sotto Mayor Ferrão…180
WALDEMAR
BASTOS | J. A. Alves Ambrósio…189
OUTROS VOOS
FÁBULA MORAL E INVENÇÃO
NARRATIVA NA OBRA DE ITALO CALVINO | Brunello Natale De Cusatis…194
OCASO CIVILIZACIONAL | Eurico Ribeiro…199
PROLEGÓMENOS SOBRE A ORDEM ANTI-ENTRÓPICA: A VIDA COMO INSURGÊNCIA
FACE OU NADA | Joaquim Pinto…203
EM ESTADO DE EMERGÊNCIA:
ANTES DA PANDEMIA | Maria Leonor Xavier…207
CORONAVÍRUS,
SOCIEDADE E DIREITO: QUESTÕES DE MORTE E DE VIDA | Paulo Ferreira da Cunha…211
SOBRE A ORDEM DO/NO OCIDENTE: LIBERALISMO OU
PÓS-LIBERALISMO? | Pedro Velez…217
DA SIMULAÇÃO DESREFERENCIADORA
COMO TOTALIDADE INTRANSPONÍVEL: UMA SUPOSIÇÃO DISTÓPICA | Pedro Vistas…218
SETE
DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…224
AUTOBIOGRAFIA
8 (CONTINUAÇÃO) | Samuel Dimas…230
EXTRAVOO
CARTAS PARA ANTÓNIO TELMO | Dalila Pereira da Costa e Luís Amaro…244
BIBLIÁGUIO
AS LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA (DAS ORIGENS
AOS NOSSOS DIAS) | Miguel Real…258
A VIDA IMAGINADA: TEXTOS SOBRE TEATRO E
LITERATURA | Miguel Real…261
TEORIA
DA LUZ E DA PALAVRA | Carlos H. do Carmo Silva…265
JOÃO PELA VIDA DENTRO | Renato Epifânio…266
LUSASALÉM V | Renato Epifânio…267
CARA DE CÃO | Renato Epifânio….267
DO MAR: EM EXALTAÇÃO DE
PORTUGAL |
Pedro Furtado Correia…268
SETEAIS EM SINTRA | Maria Leonor Xavier…270
HOMENAGEM A AGUSTINA
BESSA-LUÍS | José Almeida…274
ANTOLOGIA: O PENSAMENTO DE ANTÓNIO SARDINHA | José Almeida…275
LEITÃO DE BARROS, A BIOGRAFIA ROUBADA | José Almeida…276
EDIÇÕES MIL…277
POEMÁGUIO
TELMO | Renato Epifânio…83
NA MORTE DE EDUARDO LOURENÇO | Jaime Otelo…131
SONATA N.º 9 & 10 | Joel Henriques…132
TORMENTA & ROSA; CEREJA
& ROSA; PESSOANA | Jesus Carlos…192
NESTA VIAGEM, UM É TUDO; EPIGRAMA | António José
Borges…193
RECALCAMENTOS; ABANDONO | Samuel Dimas…243
UMA
ORAÇÃO NO TEMP(L)O | Maria Luísa Francisco…246
CONVERSANDO COM SOPHIA |
Constança Alarcão Troni…247
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284
quinta-feira, 2 de setembro de 2021
Setembro: 3 (Lisboa), 4 (Mirandela) e 7 (Vigo) - últimas três sessões de apresentação da NOVA ÁGUIA 27
03.09.21 – 17h30: Feira do Livro de Lisboa (Auditório Poente)
Inclui também Apresentação da Colecção "Mestres da Língua Portuguesa", de Jorge Rodrigues, e da obra "Pneu em chamas", de Jorge Oliveira (Moçambique)
04.09.21 – 16h30: Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes
Inclui também Apresentação da Colecção "Mestres da Língua Portuguesa", de Jorge Rodrigues, e da obra "Mudar o Mundo", de Artur Alonso Novelhe (Galiza)
07.09.21 – 20h00: Associação Casa da Lusofonia (Vigo –
Galiza)
Inclui também Apresentação da obra "Mudar o Mundo", de Artur Alonso Novelhe (Galiza)
segunda-feira, 14 de junho de 2021
19 de Junho: Apresentação da NOVA ÁGUIA 27 em Sintra...
Irá realizar-se no próximo dia 19 de junho, promovido pela Rede Cultural de Sintra – plataforma informal de interligação e diálogo intercultural de Sintra, recentemente criada – o evento Sintra Mostra-se: Palavras Com Som, com vista a promover a divulgação de algumas das atividades culturais dos seus membros, representativas do conjunto realmente abrangente dos diversos artistas, escritores, poetas, diferentes agentes culturais e outros que se juntaram à Rede, enriquecendo-a.
A apresentação desta I Mostra da Rede Cultural de Sintra é de caráter gratuito, e terá lugar no salão da Sociedade União Sintrense, entre as 16h30 e as 19h30 (abertura de portas às 16h00), tratando-se dum evento presencial com acesso limitado aos lugares disponíveis, respeitando as normas recomendadas pela DGS.
Nesta sessão, apresentar-se-á o mais recente número da Revista NOVA ÁGUIA.
Inscrições Obrigatórias até 16 junho inclusive, no link: https://forms.gle/F5Jm2xLxTU43mBvV7
sexta-feira, 4 de junho de 2021
8 de Junho: Apresentação da NOVA ÁGUIA nº 27...
8 de junho de 2021 (18:00 - 19:00)
quinta-feira, 13 de maio de 2021
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Sobre Eduardo Lourenço, na NOVA ÁGUIA nº 27...
ABERTURA
DE “UMA VIAGEM COM PESSOA, NIETZSCHE E KIERKEGAARD” | Eduardo Lourenço & Luís de
Barreiros Tavares
EDUARDO LOURENÇO, LEITOR:
REVISITAÇÃO | Annabela Rita
CINCO PARÁGRAFOS EM CRESCENDO
PARA O HOMEM QUE VENCEU A MORTE EM VIDA | António José Borges
A MEMÓRIA E O MAL SEGUNDO EDUARDO LOURENÇO | Carlos Nogueira
EDUARDO LOURENÇO: O ORTÓNIMO
E ALGUNS DOS SEUS HETERÓNIMOS | Gabriel Magalhães
EX NIHILO NIHIL
FIT |
Isabel Ponce de Leão
NA MORTE DE EDUARDO LOURENÇO | José Carlos Seabra Pereira
DES-CONCERTANTE EDUARDO: LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE EDUARDO
LOURENÇO | José
Eduardo Reis
SAUDAÇÃO
AO IRMÃO HUMANO EDUARDO LOURENÇO | Manuel Ferreira Patrício
EDUARDO LOURENÇO E O
PENSAMENTO DA RELAÇÃO | Maria Graciete Besse
O LABIRINTO DA SAUDADE DE EDUARDO
LOURENÇO: “UMA VIAGEM DENTRO DE NÓS MESMOS” | Maria Luísa de Castro Soares
EDUARDO LOURENÇO E A EUROPA |
Miguel Real
EDUARDO
LOURENÇO COMO MITO CULTURAL | Renato Epifânio
Sobre António Telmo, na NOVA ÁGUIA nº 27...
UM OLHAR DE ANTÓNIO TELMO NA SIMBÓLICA DE PRESTES JOÃO | Abel de Lacerda Botelho
ANTÓNIO
TELMO: QUEM SOU EU AQUI? | Carlos Aurélio
DA PERIFERIA AO CENTRO | Carlos Vargas
DIVAGAÇÕES EM TORNO DO SER POÉTICO-FILOSÓFICO SAUDOSO: A PROPÓSITO DOS RITMOS BERGSONIANOS DE ANTÓNIO TELMO | César Tomé
DE UMA CARTA DE ANTÓNIO TELMO SOBRE A RAINHA SANTA ISABEL | Eduardo Aroso
ANTÓNIO
TELMO E O CICLO DA HERMENÊUTICA | João Luís Ferreira
O LETRADO ANTÓNIO TELMO | Joaquim
Domingues
ANTÓNIO
TELMO: HUMILDADE ESPIRITUAL E INICIAÇÃO MAÇÓNICA | Pedro Martins
DA CONVERSA À CONVERSÃO |
Pedro Sinde
A
IDEIA DE PÁTRIA EM ANTÓNIO TELMO | Renato Epifânio
ANTÓNIO TELMO:
UMA ARTE POÉTICA PARA UMA POÉTICA DA ARTE | Risoleta C. Pinto Pedro
UM SEGREDO DO
ALTO-MAR| Rodrigo Sobral Cunha
A
REALIDADE TRANSCENDENTE E ESPIRITUAL DA REDENÇÃO DO MUNDO EM ANTÓNIO TELMO |
Samuel Dimas
quarta-feira, 31 de março de 2021
De Carlos H. do Carmo Silva, para a NOVA ÁGUIA nº 27...
TEORIA DA LUZ E DA PALAVRA[1]
Um título que, mais do que rótulo genérico,
corresponde na tradição pensante e portuguesa, ao estilo das epígrafes que encontram
na «Teoria do Ser e da Verdade» de José Marinho, ou mesmo na «Teoria do Pão e
da Palavra» de J. Pinharanda Gomes, entre outras, a especificidade de uma
compreensiva visão. Se, na Verdade de
Marinho, há algo de excessivo e platonicamente deslumbrante, e se na reflexão
de Pinharanda se encontra o saber-sabor da manducação encarnacional da Palavra,
na «Teoria da Luz e da Palavra» dir-se-ia descobrir-se uma meridional inclinação do olhar que pelo ‘soletrar’ português e
aristotélico ainda se julga teorese.
(Justifica o Autor: “A luz e a palavra
são um mar oceano universal de todos os mundos possíveis. Deste mar oceano
universal emergem todos os sistemas mais ou menos in-finitos que coabitam em
várias esferas de transcendência, na epifania da realidade do Grande Todo que é
o Universo.” (p. 41)
Donde, não a dialéctica da pura intuição cordial tal a
de Afonso Botelho na «Teoria do Amor e da Morte», nem sequer a do antagonismo
crítico na «Nova Teoria do Mal» de Miguel Real, ou de outras «Teorias»
adjectivas sobre o Mito, a Saudade…; pois, mais que este termo único em pugna
interior, ou que a costumeira díade
que se explicita na epígrafe, está suposta a dialéctica em que o leitor
descubra o sentido da copulativa, entre/ou de ‘isto’ e ‘aquilo’. É, assim, que se explicita a virtual trindade temática, ou hipostática, que no título
permanecerá a segredar como conjugação abreviada do que o Mestre Leonardo
deixou bem claro na sua palavra de «A Alegria, a Dor e a Graça»,
e, no caso, poderia ser Luz, Palavra…, e
Silêncio (?)…, ou Poder (?)…
Aliás, o título «Teoria da Luz e da Palavra» na obra
em questão acaba por ser pleonástico já que a teoria, não como mera síntese epistémica, outrossim enquanto theá-oráo ‘visão divina’, contemplatio…, remete para a lucidez num ver assim iluminado. E, se
se pretendesse ser mais preciso, dir-se-ia, que é uma theoria da claridade – ou
do diorático e do diáfano – e não propriamente da luz, já
que esta em si mesma é invisível,
quer para a ciência física, quer na rica tradição metafísica e mística que a
considera lux tenebrosa (ou treva luminosa…). É certo que também não
remete tão-só ao brilho extrínseco, aos reflexos secundários, pois, como também
dizia Álvaro Ribeiro não se devem valorizar ‘escritores brilhantes’, porém não
luminosos. Está, pois, a nossa leitura do título na media res do que não é fiat
lux, nem desde logo eflúvios de ‘trevas exteriores’, ou na correspondência
com o que na hebraica nomenclatura bíblica não é a aur (luz), nem shamaïm (o
brilho dos céus…), mas yom (o dia), a
pretendida clareza de um meio-dia…
Menos um ver, desde logo sábio em
acabada condição sófica, do que um olhar, ainda que no entreabrir de um ‘regard’, uma atenção curiosa e também no
prazer do desejo de contemplar o
essencial. Trata-se antes da arte filo-sófica
desde o agradável de sentir até um ver inteligente, ligada à acomodação do
olhar àquilo que é, num exercício
similar e inverso ao que Aristóteles refere à inicial cegueira das ‘aves’
nocturnas…
A epígrafe obriga assim a uma visão declinada, nem cega pelo excesso, nem convertida ao quietismo
dos ‘que crêem sem ver’, e também por isso comensura a expressão verbal
correspondente: nem o Verbo, quiçá ‘voz do silêncio’, nem a babélica fala do
que se diz (por dizer). No entanto,
uma teoria da Palavra arrisca ainda o que verdadeiramente não diz, no sentido
etimológico de indicar, fazer signo…,
mas apenas ‘anda à volta’ constituindo a
‘palavra’ (do gr. parabolé) como parábola. De facto, parece tratar-se
desse registo simbólico e sobretudo analógico
em que a palavra, seja como nome (substante), seja como verbo e predicado…,
permite a tradução (ainda um fabulare ou
falar…), o comércio de razões, na
comunicação enfim. Enquanto a sílaba primordial, qual mantra, remete para o inenarrável como ‘gemido do Espírito’, e o
falatório comum declina no sofístico mercado da mera pragmática linguística ‘de
todos e de ninguém’, é na palavra como recolhimento
de sentido e concepção racional que se situa a expressão ali aristotelicamente
entendida como lógos.
Abre, pois, o título da «Teoria da Luz e da Palavra»
para o mero clarear filosófico do lógos
enquanto doador ao pensar humano da sua pertinência lógica. E, nesta nossa ‘pátria linguística’ sopesada da específica
tradição latina e helénica, constitui-se tal lógica como organon de todo um ciclo civilizacional cujo termo histórico se
pode ainda aqui perceber nomeadamente pela poiética
insólita e saudosa de tal, como que derradeira, visão do ex occidente lux… ´
[1] De Luís Furtado (Ed. MIL, 2020). Excerto de um texto
enviado ao autor, com o seguinte “Antelóquio”: Começando por agradecer ao Autor a oferta da sua obra com a dedicatória
que me é dirigida, não deixo de lembrar antigas tertúlias havidas com ele e
Francisco Sotto-Mayor, num contacto com a Filosofia Portuguesa e com seus
mestres, Álvaro Ribeiro e José Marinho. Além disso, no enigmático do
aparentemente fortuito nesta vida –, já que se diz ‘Deus escrever direito por
linhas tortas’ –, recordo como Luís Furtado veio a intermediar um meu interesse
pela Kabbalah, noutro encontro gerador de inflexões fecundas e decisivas, tido
ainda em comum com Marinho e António Telmo.
Saúda-se,
agora, a vinda a lume da «Teoria da Luz e da Palavra», enquanto
cumprimento de promessa a Álvaro Ribeiro, na linha da hermenêutica do
aristotelismo que a seu modo dá
continuidade àquele ensinamento da Escola do pensamento português. Será graça
que, no sem tempo do Espírito, se faça assim oportunidade de um tempo de lectio
que se deseja de clarificação e no trabalho sui generis de um dizer que se pretenda marcante.
terça-feira, 23 de março de 2021
De Paulo Ferreira da Cunha, para a NOVA ÁGUIA nº 27...
CORONAVÍRUS,
SOCIEDADE E DIREITO: QUESTÕES DE MORTE E DE VIDA
Paulo Ferreira da Cunha
Não será, decerto, por conhecermos muitas pessoas, nem
sequer pela virulência específica do Coronavírus, peste do nosso tempo: mas, já
de há alguns anos a esta parte (antes mesmo da eclosão da pandemia), temos a
sensação, muito vívida, e muito amarga e triste, de que o nosso mundo dos vivos
anda a ser ceifado de grandes figuras, de excelentes pessoas, e, para nós,
também de bons amigos.
Não confundamos as coisas, que não queremos que pareça
o que não é: não fomos amigo pessoal de muitos desses grandes nomes, longe
disso. Alguns conhecemos, é verdade. Com mais ou menos frequência de contacto e
maior ou menor empatia. Duns tantos, chegámos a ser amigo, sim. Não sabemos
quantas das grandes figuras que desapareceram nos últimos anos realmente se
recordariam de nós. Mas isso não interessa, nem para nós nem para os milhares
de pessoas que, certamente, mais longe, ou mais perto (em geral, mais longe),
sentem a falta de figuras centrais, importantes, simbólicas, inspiradoras. Não
pelo seu mediatismo (há imensas figuras mediáticas que ninguém lembrará na
semana seguinte ao seu ocaso – seja por que motivo for). Mas pela sua real
importância. Pelo seu valor. Pelo seu brilho próprio, e não emprestado pelas
luzes da ribalta.
Em relação a algumas dessas pessoas, o golpe foi tão
profundo, tão certeiro, que mesmo com a idade que levamos, nos sentimos sem
chão e sem norte...
segunda-feira, 15 de março de 2021
De Mendo Castro Henriques, para a NOVA ÁGUIA nº 27...
GUERRA JUNQUEIRO E A VOZ CÍVICA DO OUTRO
Mendo Castro Henriques
Nascido numa
época em que os poetas tinham ressonância no espaço público, a voz de revolta
de Guerra Junqueiro foi recolhendo louvores em vida, que a tornaram de leitura
quase obrigatória em família, pelo que mesmo analfabetos sabiam de cor os seus
poemas. A sua experiência de homem público, letrado e viajado, conferia
densidade a criações que não se perdiam em mundos interiores acrisolados de
poesia. Os versos poderosos traziam a influência de Victor Hugo – “Em
Hugo adoremos o verbo de esperança/ o Deus-germinal” – das estrofes
de Baudelaire,
da historiografia de Jules Michelet e das visões de Proudhon e de algum
Hegel. As interpelações do último poeta
célebre à pátria desciam da intelectualidade de círculos restritos para a
rua, onde tinha popularidade....
(excerto)
terça-feira, 9 de março de 2021
De Brunello Natale De Cusatis, para a NOVA ÁGUIA nº 27...
FÁBULA MORAL
E INVENÇÃO NARRATIVA NA OBRA DE ITALO CALVINO
Brunello Natale De Cusatis
No seu conjunto, tanto a fábula como o género fantástico são qualquer coisa, simultaneamente, de ancestral e atávico; por outras palavras, são manifestações que se encontram em todas as culturas e em todas as épocas históricas, numa espécie de conúbio que faz com que se possa falar de uma universalidade temática. Esta universalidade torna-se ainda mais evidente quando a figura literária de referência é Italo Calvino (1923-1985), não apenas um dos grandes autores contemporâneos italianos e dos mais famosos e traduzidos no mundo, mas também um escritor que viveu de perto, talvez mais do que qualquer outro, todas as experiências essenciais da história intelectual pós-bélica, tendo acompanhando as transformações da cultura italiana e internacional ao longo de quarenta anos, contribuindo para o nascimento do “experimentalismo” e da procura de novos horizontes linguísticos e temáticos alheios aos do neorrealismo...
(excerto)
sábado, 6 de março de 2021
De António Braz Teixeira, para a NOVA ÁGUIA 27...
APROXIMAÇÃO
DO ACTUALISMO PEDAGÓGICO DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
António Braz
Teixeira
1. Havendo exercido o magistério filosófico, em
Portugal e no Brasil, durante três décadas e meia, natural seria que Eduardo
Abranches de Soveral (1927-2003), como Leonardo Coimbra (1883-1936), Delfim
Santos (1907-1966), José Marinho (1904-1975) ou Agostinho da Silva (1906-1994),
se tivesse detido a considerar, reflexivamente, os problemas fundamentais
suscitados pela formação do homem, a que dedicou os volumes de ensaios Educação e Cultura (Lisboa, INP, 1993) e
Pedagogia para a era tecnológica
(Porto Alegre, EDIDUCRS, 2001), nos quais expôs os lineamentos da sua Filosofia da Educação que denominou actualismo pedagógico.
Em três ideias ou teses se fundava o pensamento
educativo do filósofo portuense:
― a de que, na pedagogia, existem estruturas e objectivos formais prévios aos condicionalismos e às finalidades
próprias de cada época, correspondentes às estruturas essenciais permanentes do
homem e da sua situação existencial;
― a de que todo o processo educativo visa promover a
maturidade pessoal do educando, dotando-o da capacidade para o exercício
permanente de uma liberdade responsável;
― a de que a Filosofia se acha no início e no fim de todo o processo educativo.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Sobre Waldemar Bastos, na NOVA ÁGUIA nº 27...
EM DORIDA HOMENAGEM A WALDEMAR BASTOS
J. A. Alves Ambrósio
Nesses dias, fui gentilmente convidado a assistir a um concerto que Waldemar iria dar no anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian. Pudicamente, o cantor fê-lo apenas uma vez, mas Baguet, revelando a melhor amizade, não se coibiu de insistir na minha presença. Ademais, ver o artista a actuar era o que me faltava, razão por que honrei o convite e levei comigo o herói e Amigo Brandão Ferreira. O que admira que um dia, nas Canárias, ao artista (acompanhado de outros dois, cujos nomes ignoro) tivessem galvanizado os milhares que os ouviam, mas não sabiam uma palavra de Português? A espiritualidade não carece de idioma para mutuamente se exaltar, visto ser da ordem da quinta-essência intuitiva. Frente ao anfiteatro até se dançou e, no final, regressei a casa. Cheguei à Guarda de madrugada, às 3,30 minutos, mas a estima que sentia pelo cantor estava muito para além do atentado ao sono. Agora, farei todas as diligências para conhecer alguém de família a quem apresente fundas condolências. Conseguirei, claro. À sua excessiva grandeza humana, de que a artística era uma ilustração, é equipolente o nosso dever de preservar a sua memória.
(excerto)
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Sobre Joaquim Veríssimo Serrão, na NOVA ÁGUIA nº 27...
O PERCURSO VIVENCIAL E A OBRA HISTORIOGRÁFICA DE
JOAQUIM VERÍSSIMO SERRÃO
Nuno Sotto Mayor Ferrão
Neste artigo,
iremos abordar o percurso de vida académica e pessoal de Joaquim Veríssimo
Serrão, bem como o estilo e as características da sua obra historiográfica.
Procuraremos verificar as influências que recebeu de amigos e de mestres na sua
produção historiográfica, a metodologia epistemológica que seguiu, as múltiplas
obras que produziu, a importância da amizade que manteve com Marcello Caetano no tempo do Estado Novo e durante o exílio deste no
Brasil. Mostraremos a sua colaboração, também,
ao nível da História local em Santarém, na Ericeira e noutras povoações
portuguesas, o seu papel fundamental na revitalização da Academia Portuguesa da
História, ao longo das três décadas da sua
fulgurante direção, voltando a prestigiá-la, e o legado espiritual e
patrimonial que deixou à posteridade na cidade de Santarém, com a criação do Centro de Investigação Professor
Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. Ainda escasseiam os estudos sobre este
eminente historiador, falecido em 2020, que bem merece uma biografia
intelectual, pelo que esperamos que este artigo constitua mais um contributo
neste sentido...
(excerto)
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
Sobre Cruzeiro Seixas, na NOVA ÁGUIA nº 27...
CRUZEIRO SEIXAS:
O ÚLTIMO SURREALISTA PORTUGUÊS
José Almeida
Foi a Fundação
Cupertino de Miranda – instituição que alberga o Centro
Português do Surrealismo, em Vila Nova de Famalicão –, que comunicou a morte de Cruzeiro
Seixas, falecido a 8 de Novembro de 2020, no Hospital Santa Maria, onde se
encontrava internado. Morreu sozinho, como tantos outros portugueses, hoje,
vítimas da “ditadura sanitária”, sem que o “país real”, situado para lá dos
salões, galerias, revistas, círculos culturais e museológicos o conhecessem em
todo o seu génio e grandeza artística.
O homem que
tantas vezes deixou transparecer o seu embaraço perante o Portugal actual e
que, nos últimos tempos, confessou pensar muitas vezes se valeria ainda a pena
viver, finalmente, partiu. Deixou-nos a apenas um mês de comemorar o centenário
do seu aniversário, que seria celebrado a 3 de Dezembro. Para trás ficou um
vasto legado artístico e poético, integrado no capítulo de ouro da arte
portuguesa do século XX, podendo ser apenas igualado, no campo do surrealismo,
por António Pedro que, tal como ele, foi simultaneamente pintor, ilustrador,
escultor e poeta. Criador multímodo, poliédrico e pluridisciplinar, Cruzeiro
Seixas perscrutou à sua maneira a alma portuguesa. Observador activo,
personalidade subversiva, foi um agente crítico e mordaz que soube causar o
espanto e fazer notícia, mais com o talento e uma distinta elegância do que com
o recurso fácil do escândalo. A sua irreverente personalidade deixará,
certamente, muitas saudades à cultura nacional.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Na NOVA ÁGUIA nº 27: sobre Clarice Lispector, nos 100 anos do seu nascimento...
Lurdes Mara Oliveira de Albuquerque
O primeiro romance publicado por Clarice Lispector no
Brasil, Perto do coração selvagem (1943),
representa uma inovação para a nossa Literatura. Neste texto original, Clarice
singulariza uma técnica de composição, qual seja, a adoção de um ponto de vista
do narrador não-omnisciente. Normalmente, a narrativa tradicional coloca como
centro um narrador que tudo conhece acerca do universo narrado, sobrevoa os
acontecimentos, domina e descreve minuciosamente todas as personagens. Tal
narrador, predominante nas formas tradicionais de narrativa, institui-se como
figura dominante de todo o processo, assenhoreando-se, inclusive, do destino de
todos no enredo. A esta estrutura tradicional corresponde uma ênfase total na
lógica interna dos acontecimentos...
(excerto)
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
Na NOVA ÁGUIA nº 27: Cartas de Dalila Pereira da Costa para António Telmo...
CARTAS PARA ANTÓNIO TELMO[1]
Dalila Pereira da Costa
Publicam-se aqui as dezasseis cartas (nelas se incluindo alguns cartões) de Dalila Pereira da Costa para António Telmo que se guardam no espólio deste último. Uma dessas cartas – que ora surge sob o número III – havia já sido dada a lume em Cadernos de Filosofia Extravagante: António Telmo (Zéfiro, Sintra, 2011, Colecção NOVA ÁGUIA); as restantes são inéditas. O arco cronológico do epistolário define-se entre 1977 e 1994. Desconhecemos se outras cartas de Afonso Botelho para António Telmo existiam e se terão perdido.
Complementarmente, por se tratar de um título da bibliografia passiva de António Telmo que, até agora, havia passado despercebido e que, de modo manifesto, se articula com o teor das cartas VIII e IX, reproduz-se em anexo a recensão a Gramática Secreta da Língua Portuguesa, de António Telmo, que Dalila Pereira da Costa publicou na revista portuense Nova Renascença (Volume I, n.º 4, Verão de 1981, pp. 453-455).
Não tendo sido possível, por ora, facultar ao leitor, na sua integralidade, o diálogo epistolar mantido entre os dois autores, será de esperar que, no futuro, o mesmo possa vir a ser reconstituído, com evidente benefício para a compreensão do que agora se publica. Foi, aliás, com semelhante propósito que procedemos, sempre que isso se mostrou necessário e possível, à anotação das cartas, restringindo-a quanto possível, mas sempre de modo a procurar esclarecer o seu teor a quantos se encontrem menos familiarizados com o universo intelectual dos correspondentes ou com alguns aspectos menos evidentes desse mesmo universo. A este respeito, queremos expressar a nossa profunda gratidão ao Dr. Paulo Samuel, amigo de António Telmo e de Dalila Pereira da Costa, estudioso das obras de ambos e ainda editor da escritora portuense, pelo seu valioso contributo na fixação do texto das cartas e pelos esclarecimentos e informações que a respeito do teor das mesmas nos prestou.
A ortografia dos textos epistolares foi actualizada pela norma anterior à do Novo Acordo Ortográfico. As palavras de muito difícil leitura no original manuscrito e, por isso mesmo, de duvidosa compreensão, foram assinaladas com recurso ao sinal “[?]”. Meros lapsos manifestos foram objecto de correcção.
[1] Transcrição, organização, introdução e notas de Pedro Martins e Risoleta C. Pinto Pedro.
terça-feira, 26 de janeiro de 2021
Sobre Celina Pereira, na NOVA ÁGUIA nº 27...
CELINA PEREIRA:
INTÉRPRETE DA CABO-VERDIANIDADE E DA UNIVERSALIDADE
Elter Manuel Carlos
A memória é intemporal (…) Coisas intemporais que são a construção do alicerce da memória de um país que é muito jovem, Cabo Verde, que também tem memórias lusas, porque a nossa mestiçagem vem do português e do escravo africano e de outros povos. (Celina Pereira, Entrevista à RTP).
Celina Pereira (1940, Cabo Verde/ 2020, Portugal) foi
condignamente apelidada, não raras vezes, de embaixadora da cultura
cabo-verdiana na diáspora. Ainda que esta palavra pareça bastante “vulgar” pela
forma como repetidamente é utilizada em diversos contextos, acontece que a
grandeza do empreendimento artístico, estético, social e cultural cunhado pela
nossa homenageada é digno deste nome. O seu elevado esforço de estudo, criação
artística, educação, comunicação e celebração dos horizontes da cultura de Cabo
Verde na identidade e universalidade é indesmentível.
Cantora, escritora, educadora, contadora de histórias,
pesquisadora das tradições orais cabo-verdianas, Celina Pereira, desde muito
jovem, soube serenamente escutar e dar voz a alma cabo-verdiana nas suas mais
diversas e genuínas formas de participação, comunicação e comunhão. Por isso, a
sua voz que, dolorosa e fisicamente silenciou-se nos últimos dias de 2020,
continuará bradando para ser retomada no curso da temporalidade da cultura e
pensamento cabo-verdianos, como voz de infinitas harmonias...
(excerto)
sábado, 26 de dezembro de 2020
Homenagem da NOVA ÁGUIA a Eduardo Lourenço (1923-2020)
A colaboração de Eduardo Lourenço na NOVA ÁGUIA não foi particularmente
extensa, mas foi cirurgicamente marcante. Assim, no nº 15, da nossa Revista, em
que assinalámos o centenário da Revista “Orpheu”, foi de Eduardo Lourenço o ensaio
de abertura: “Orfeu ou a Poesia como Realidade”.
Evocação que se estendeu ao número seguinte, com a transcrição da sua Conferência
de Encerramento do “Congresso 100 –
Orpheu”, em que a NOVA ÁGUIA esteve igualmente envolvida.
Nos números 18º e 20º da Revista, destacamos ainda dois ensaios
seus – sobre Agostinho da Silva e António Vieira, respectivamente. Sendo que o
texto mais marcante foi, decerto, uma extensa entrevista concedida a Luís de
Barreiros Tavares (publicada no nº 16), depois editada em Livro, com a chancela
do MIL: Movimento Internacional Lusófono (“Eduardo Lourenço
em roda livre", MIL/ DG Edições, 2016, 73 páginas).
Na hora da sua partida, anunciamos que no primeiro número de 2021 iremos ter uma secção em sua Homenagem, que não será, de resto, a primeira que a NOVA ÁGUIA lhe presta – Eduardo Lourenço recebeu, como estamos ainda todos lembrados, o Prémio Vida e Obra do 1º Festival Literário TABULA RASA. Caso queira contribuir para esta Homenagem, deverá enviar-nos o seu texto até final do presente mês de Dezembro. Entretanto, publicamos aqui um texto inédito de Manuel Ferreira Patrício, a ser incluído na edição das suas “Obras Escolhidas”, que o MIL lançará ao longo do próximo ano…
SAUDAÇÃO AO IRMÃO HUMANO EDUARDO
LOURENÇO[1]
Portugal, cuja grandeza
frustrada é uma das nossas dores mais dificilmente suportáveis, como se árvore
anémica fosse, dá-nos de quando em vez um fruto de grande dimensão e
envergadura, imponente aspecto, qualidade suma e delicioso sabor, que atenua a
nossa insatisfação histórica. Eduardo Lourenço é um desses frutos, em que até a
modéstia da sua compleição física redunda em benefício do seu esplendor
espiritual. Ele é, sem dúvida, um gigante cultural do século XX português,
mantendo intactas as suas qualidades na segunda década em que já vamos do
século XXI. Pode olhar para trás e sorrir contente pelo que fez. Pode o sorriso
persistir pelo que continua fazendo, com toda a lucidez e sabedoria. Nós também
sorrimos, do mesmo contentamento, onde assoma a consciente gratidão do muito
que nos deu ao longo das décadas em que pudemos beneficiar do seu
companheirismo humano e da sua infatigável operosidade intelectual, de que ia
brotando o ouro que escorria para as nossas consciências e a nossa alma,
enriquecendo dia a dia o nosso património espiritual, aliás crítico de si
mesmo.
Nós os de Évora,
consideramo-lo também nosso. Pela sua amizade e camaradagem com Vergílio
Ferreira, nosso evidentemente, pela nossa própria ligação de amizade e
cumplicidade cívica e cultural com os seus irmãos António e Adriano, que aqui
viveram e trabalharam uns anos, pela ligação à Universidade que estabelecemos
com ele, pelo facto de sermos seus leitores e admiradores desde a longínqua
década de 60, época em que na Livraria Nazareth ― em 67 ― pudemos adquirir (o
Fernando Martinho e eu próprio, professores no Liceu) o livro Heterodoxia-II,
que representou um marco de reforço no nosso itinerário intelectual e
cívico. Mais tarde, nos anos 70 e 80, trabalhando na Universidade, na Divisão
(hoje Departamento) de Pedagogia e Educação, investindo apaixonadamente na
formação de professores para o Portugal democrático, que ansiávamos viesse a
ser lidimamente livre e culto, intentámos apoiar-nos na sua bússola vital
prestando a devida atenção à sua obra Labirinto da Saudade ― Psicanálise
mítica do destino português ― destino que continua a fazer-nos
figas, empurrando-nos, na hora que corre, mais para o psiquiatra que para o
psicanalista. Hoje, a Universidade de Évora trabalha directamente na preparação
da edição das Obras Completas de Eduardo Lourenço, o que é honra para
todos nós.
Li há poucos dias a
extraordinária entrevista que Eduardo Lourenço concedeu à Revista Letras
com(n)Vida, conduzida por José Eduardo Franco, impressionando-me a atenção
minuciosa e de quente inteligência fria (de sabedoria…) prestada ao momento
presente da Europa, do Ocidente, do Oriente, do Mundo, todos nós com o pé no
fio da espada na tentativa de nos mantermos erectos e vivos, de escaparmos. A
hora de A Tentação do Ocidente, de André Malraux, já passou, a
hora de A Decadência do Ocidente, de Oswaldo Spengler, também, a
decadência da Europa é um facto, a decadência dos Estados Unidos da América
anuncia-se por si mesma e na ascensão da antiquíssima China, que julgaríamos
ter morrido e renasce. Um novo mundo vem aí. Com o olhar estóico que me parece
ser o seu, Eduardo Lourenço diz serenamente o que vê, anuncia o que vai vir.
Não diz, como o imperador Septímio Severo, que foi tudo e nada vale a pena. O
seu olhar escatológico é outro e a mim serena-me. É talvez o olhar do seu
cristianismo suave e tingido da liberdade de pensar e ser desde a casca ao
cerne. Não somos nós quem vai para o futuro, é o futuro que vem para um novo
presente.
Eduardo Lourenço, querido
irmão humano da família de François Villon, esteja connosco para festejarmos
juntos essa chegada.
















