A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

1 de Outubro, última sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA 27...

 1 de Outubro, 18h, última sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA 27 + Colecção “Mestres da Língua Portuguesa”: Encontro de Alternativas (Quinta da Ribafria, Sintra).

Ainda não encomendou a sua Revista? Capa, Editorial e Índice da NOVA ÁGUIA nº 27...

 


A NOVA ÁGUIA levantou o seu voo já na fase final da vida de António Telmo, mas ainda a tempo de podermos contar com a sua sempre luminosa colaboração. Isso aconteceu logo no primeiro número da Revista, com o texto “À tarde e a boas horas” e com a pré-publicação de um excerto da sua obra A Verdade do Amor (Zéfiro, 2008), um dos primeiros títulos da Colecção NOVA ÁGUIA. Nos números seguintes, essa colaboração manteve-se: “Coincidências” (nº 2): “Comentário a uma Carta de Natália a Leonardo” (nº 3); “O passeio que ficou por contar” (nº 4); “Acordo e Desacordo na Língua de Portugal” (nº 5). Em Agosto de 2010, António Telmo partiu, mas houve ainda tempo para, no sexto número da Revista, no segundo semestre desse ano, lhe dedicar uma secção em sua expressa Homenagem, ainda com um texto do próprio: “O Estilo da Renascença Portuguesa”.

Durante esta década, publicámos mais escritos seus – “Álvaro Ribeiro: Filósofo da Mediação” (nº 8); “Ao Senhor dos Mundos” (nº 11); “Natureza de Portugal” (nº 12); “O número 13: página de autobiografia espiritual” (nº 13); “Nove apontamentos inéditos” (nº 19); “Apresentação a Oriente de Estremoz de uma revista literária” (nº 20); “Diálogos do mês de Outubro (excerto)” (nº 22); “Cinco escritos inéditos” (nº 23) e “Doze apontamentos inéditos” (nº 26) –, assim acompanhando a publicação das suas Obras Completas que a Zéfiro tem promovido: I) A Terra Prometida: Maçonaria, Kabbalah, Martinismo e Quinto Império (2014); II) Gramática Secreta da Língua Portuguesa/ Arte Poética (2014); III) Luís de Camões e o Segredo d'Os Lusíadas/ Páginas Autobiográficas (2015); IV) Filosofia e Kabbalah/ Álvaro Ribeiro e a Gnose Judaica (2015); V) Contos Secretos/ A Goga (2016); VI) Viagem a Granada/ Poesia (2016); VII) O Horóscopo de Portugal (2017); VIII) História Oculta de Portugal/ No Meio do Caminho da Vida/ Os Meus Prefácios (2017); IX) A Aventura Maçónica (2018); X) Capelas Imperfeitas (2019).

Uma década após a sua partida, pareceu-nos o tempo próprio para darmos, de novo, destaque a António Telmo. Por isso, inicia-se este número da NOVA ÁGUIA com mais de uma dezena de ensaios sobre ele – seguidos de outros tantos sobre outra figura singular da cultura portuguesa que nos deixou muito recentemente: Eduardo Lourenço. Não tendo colaborado tanto na NOVA ÁGUIA quanto António Telmo, a sua presença não deixou de ser marcante. Assim, no nº 15, em que assinalámos o centenário da Revista “Orpheu”, foi dele o ensaio de abertura –  “Orfeu ou a Poesia como Realidade” –, evocação que se estendeu ao número seguinte, com a transcrição da sua Conferência de Encerramento do “Congresso 100 – Orpheu”, em que a NOVA ÁGUIA esteve igualmente envolvida. Nos números 18º e 20º, destacamos ainda dois ensaios seus – sobre Agostinho da Silva e António Vieira. Sendo que o texto mais marcante foi, decerto, uma extensa entrevista concedida a Luís de Barreiros Tavares (publicada no nº 16), depois editada em livro (Eduardo Lourenço em roda livre, Ed. MIL, 2016).

Se este número da NOVA ÁGUIA se ficasse por esta dupla evocação, isso já seria decerto suficiente. Como sempre, porém, há “Outros Vultos” da cultura lusófona igualmente aqui evocados, alguns dos quais também falecidos neste último ano – falamos de Celina Pereira, Cruzeiro Seixas, Gonçalo Ribeiro Telles, Veríssimo Serrão e Waldemar Bastos. Há “Outros Vultos” e “Outros Voos” – começando por um ensaio sobre Italo Calvino, da autoria de Brunello Natale De Cusatis, decerto um dos italianos que mais e melhor conhece e ama a cultura lusófona. E há ainda – para além de duas séries de “Cartas para António Telmo”, de Dalila Pereira da Costa e Luís Amaro –, um conjunto de recensões, no nosso “Bibliáguio”, começando pela obra As Literaturas de Língua Portuguesa (das origens aos nossos dias), de José Carlos Seabra Pereira (que já havíamos destacado no número anterior), e prosseguindo com quatro livros editados pelo MIL em 2020: A Vida Imaginada: Textos sobre Teatro e Literatura, de António Braz Teixeira, Teoria da Luz e da Palavra, de Luís Furtado, João pela vida dentro, de João Reis Gomes, e Lusasalém V, de Delmar Domingos de Carvalho, outro Amigo da NOVA ÁGUIA que nos deixou neste fatídico ano.

NOVA ÁGUIA Nº 27: ÍNDICE

Editorial…5

ANTÓNIO TELMO, UMA DÉCADA APÓS A SUA PARTIDA

UM OLHAR DE ANTÓNIO TELMO NA SIMBÓLICA DE PRESTES JOÃO | Abel de Lacerda Botelho…8

ANTÓNIO TELMO: QUEM SOU EU AQUI? | Carlos Aurélio…16

DA PERIFERIA AO CENTRO | Carlos Vargas…23

DIVAGAÇÕES EM TORNO DO SER POÉTICO-FILOSÓFICO SAUDOSO: A PROPÓSITO DOS RITMOS BERGSONIANOS DE ANTÓNIO TELMO | César Tomé…24

DE UMA CARTA DE ANTÓNIO TELMO SOBRE A RAINHA SANTA ISABEL | Eduardo Aroso…30

ANTÓNIO TELMO E O CICLO DA HERMENÊUTICA | João Luís Ferreira…37

O LETRADO ANTÓNIO TELMO | Joaquim Domingues…41

ANTÓNIO TELMO: HUMILDADE ESPIRITUAL E INICIAÇÃO MAÇÓNICA | Pedro Martins…44

DA CONVERSA À CONVERSÃO | Pedro Sinde…62

A IDEIA DE PÁTRIA EM ANTÓNIO TELMO | Renato Epifânio…64

ANTÓNIO TELMO: UMA ARTE POÉTICA PARA UMA POÉTICA DA ARTE | Risoleta C. Pinto Pedro…67

UM SEGREDO DO ALTO-MAR| Rodrigo Sobral Cunha…75

A REALIDADE TRANSCENDENTE E ESPIRITUAL DA REDENÇÃO DO MUNDO EM ANTÓNIO TELMO | Samuel Dimas…78

NA MORTE DE EDUARDO LOURENÇO

ABERTURA DE UMA VIAGEM COM PESSOA, NIETZSCHE E KIERKEGAARD | Eduardo Lourenço & Luís de Barreiros Tavares…84

EDUARDO LOURENÇO, LEITOR: REVISITAÇÃO | Annabela Rita…89

CINCO PARÁGRAFOS EM CRESCENDO PARA O HOMEM QUE VENCEU A MORTE EM VIDA | António José Borges…94

A MEMÓRIA E O MAL SEGUNDO EDUARDO LOURENÇO | Carlos Nogueira…95

EDUARDO LOURENÇO: O ORTÓNIMO E ALGUNS DOS SEUS HETERÓNIMOS | Gabriel Magalhães…106

EX NIHILO NIHIL FIT | Isabel Ponce de Leão…108

NA MORTE DE EDUARDO LOURENÇO | José Carlos Seabra Pereira…111

DES-CONCERTANTE EDUARDO: LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE EDUARDO LOURENÇO | José Eduardo Reis….112

SAUDAÇÃO AO IRMÃO HUMANO EDUARDO LOURENÇO | Manuel Ferreira Patrício…118

EDUARDO LOURENÇO E O PENSAMENTO DA RELAÇÃO | Maria Graciete Besse…119

O LABIRINTO DA SAUDADE DE EDUARDO LOURENÇO: “UMA VIAGEM DENTRO DE NÓS MESMOS” | Maria Luísa de Castro Soares…125

EDUARDO LOURENÇO E A EUROPA | Miguel Real…128

EDUARDO LOURENÇO COMO MITO CULTURAL | Renato Epifânio…130

OUTROS VULTOS

ABRANCHES DE SOVERAL | António Braz Teixeira…134

AGOSTINHO DA SILVA | José Luís Basto…138

ANTÓNIO SALVADO | Luís G. Soto…140

CELINA PEREIRA | Elter Manuel Carlos…145

CLARICE LISPECTOR | Lurdes Mara Oliveira de Albuquerque…147

CRUZEIRO SEIXAS | José Almeida…150

DELFIM SANTOS | Artur Manso…151

GONÇALO RIBEIRO TELLES | Renato Epifânio…156

GUERRA JUNQUEIRO | Mendo Castro Henriques…157

JOÃO BOAVIDA | Emanuel Oliveira Medeiros…165

MÁRIO BIGOTTE CHORÃO | Miguel Pedrosa Machado…170

SEBASTIÃO DA GAMA | Joaquim Pinto…171

TORQUATO DE SOUSA SOARES | António José Queiroz…175

VERÍSSIMO SERRÃO | Nuno Sotto Mayor Ferrão…180

WALDEMAR BASTOS | J. A. Alves Ambrósio…189

OUTROS VOOS

FÁBULA MORAL E INVENÇÃO NARRATIVA NA OBRA DE ITALO CALVINO | Brunello Natale De Cusatis…194

OCASO CIVILIZACIONAL | Eurico Ribeiro…199

PROLEGÓMENOS SOBRE A ORDEM ANTI-ENTRÓPICA: A VIDA COMO INSURGÊNCIA FACE OU NADA | Joaquim Pinto…203

EM ESTADO DE EMERGÊNCIA: ANTES DA PANDEMIA | Maria Leonor Xavier…207

CORONAVÍRUS, SOCIEDADE E DIREITO: QUESTÕES DE MORTE E DE VIDA | Paulo Ferreira da Cunha…211

SOBRE A ORDEM DO/NO OCIDENTE: LIBERALISMO OU PÓS-LIBERALISMO? | Pedro Velez…217

DA SIMULAÇÃO DESREFERENCIADORA COMO TOTALIDADE INTRANSPONÍVEL: UMA SUPOSIÇÃO DISTÓPICA | Pedro Vistas…218

SETE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…224

AUTOBIOGRAFIA 8 (CONTINUAÇÃO) | Samuel Dimas…230

EXTRAVOO

CARTAS PARA ANTÓNIO TELMO | Dalila Pereira da Costa e Luís Amaro…244

BIBLIÁGUIO

AS LITERATURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA (DAS ORIGENS AOS NOSSOS DIAS) | Miguel Real…258

A VIDA IMAGINADA: TEXTOS SOBRE TEATRO E LITERATURA | Miguel Real…261

TEORIA DA LUZ E DA PALAVRA | Carlos H. do Carmo Silva…265

JOÃO PELA VIDA DENTRO | Renato Epifânio…266

LUSASALÉM V | Renato Epifânio…267

CARA DE CÃO | Renato Epifânio….267

DO MAR: EM EXALTAÇÃO DE PORTUGAL | Pedro Furtado Correia…268

SETEAIS EM SINTRA | Maria Leonor Xavier…270

HOMENAGEM A AGUSTINA BESSA-LUÍS | José Almeida…274

ANTOLOGIA: O PENSAMENTO DE ANTÓNIO SARDINHA | José Almeida…275

LEITÃO DE BARROS, A BIOGRAFIA ROUBADA | José Almeida…276

EDIÇÕES MIL…277

POEMÁGUIO

TELMO | Renato Epifânio…83

NA MORTE DE EDUARDO LOURENÇO | Jaime Otelo…131

SONATA N.º 9 & 10 | Joel Henriques…132

TORMENTA & ROSA; CEREJA & ROSA; PESSOANA | Jesus Carlos…192

NESTA VIAGEM, UM É TUDO; EPIGRAMA | António José Borges…193

RECALCAMENTOS; ABANDONO | Samuel Dimas…243

UMA ORAÇÃO NO TEMP(L)O | Maria Luísa Francisco…246

CONVERSANDO COM SOPHIA | Constança Alarcão Troni…247

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284

Para encomendar: info@movimentolusofono.org

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

Setembro: 3 (Lisboa), 4 (Mirandela) e 7 (Vigo) - últimas três sessões de apresentação da NOVA ÁGUIA 27

03.09.21 – 17h30: Feira do Livro de Lisboa (Auditório Poente)

Inclui também Apresentação da Colecção "Mestres da Língua Portuguesa", de Jorge Rodrigues, e da obra "Pneu em chamas", de Jorge Oliveira (Moçambique)

04.09.21 – 16h30: Museu Municipal Armindo Teixeira Lopes

Inclui também Apresentação da Colecção "Mestres da Língua Portuguesa", de Jorge Rodrigues, e da obra "Mudar o Mundo", de Artur Alonso Novelhe (Galiza)

07.09.21 – 20h00: Associação Casa da Lusofonia (Vigo – Galiza)

Inclui também Apresentação da obra "Mudar o Mundo", de Artur Alonso Novelhe (Galiza)

segunda-feira, 14 de junho de 2021

19 de Junho: Apresentação da NOVA ÁGUIA 27 em Sintra...

Irá realizar-se no próximo dia 19 de junho, promovido pela Rede Cultural de Sintra – plataforma informal de interligação e diálogo intercultural de Sintra, recentemente criada – o evento Sintra Mostra-se: Palavras Com Som, com vista a promover a divulgação de algumas das atividades culturais dos seus membros, representativas do conjunto realmente abrangente dos diversos artistas, escritores, poetas, diferentes agentes culturais e outros que se juntaram à Rede, enriquecendo-a.

A apresentação desta I Mostra da Rede Cultural de Sintra é de caráter gratuito, e terá lugar no salão da Sociedade União Sintrense, entre as 16h30 e as 19h30 (abertura de portas às 16h00), tratando-se dum evento presencial com acesso limitado aos lugares disponíveis, respeitando as normas recomendadas pela DGS.

Nesta sessão, apresentar-se-á o mais recente número da Revista NOVA ÁGUIA.

Inscrições Obrigatórias até 16 junho inclusive, no link: https://forms.gle/F5Jm2xLxTU43mBvV7

sexta-feira, 4 de junho de 2021

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Sobre Eduardo Lourenço, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 

ABERTURA DE UMA VIAGEM COM PESSOA, NIETZSCHE E KIERKEGAARD” | Eduardo Lourenço & Luís de Barreiros Tavares

EDUARDO LOURENÇO, LEITOR: REVISITAÇÃO | Annabela Rita

CINCO PARÁGRAFOS EM CRESCENDO PARA O HOMEM QUE VENCEU A MORTE EM VIDA | António José Borges

A MEMÓRIA E O MAL SEGUNDO EDUARDO LOURENÇO | Carlos Nogueira

EDUARDO LOURENÇO: O ORTÓNIMO E ALGUNS DOS SEUS HETERÓNIMOS | Gabriel Magalhães

EX NIHILO NIHIL FIT | Isabel Ponce de Leão

NA MORTE DE EDUARDO LOURENÇO | José Carlos Seabra Pereira

DES-CONCERTANTE EDUARDO: LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE EDUARDO LOURENÇO | José Eduardo Reis

SAUDAÇÃO AO IRMÃO HUMANO EDUARDO LOURENÇO | Manuel Ferreira Patrício

EDUARDO LOURENÇO E O PENSAMENTO DA RELAÇÃO | Maria Graciete Besse

O LABIRINTO DA SAUDADE DE EDUARDO LOURENÇO: “UMA VIAGEM DENTRO DE NÓS MESMOS” | Maria Luísa de Castro Soares

EDUARDO LOURENÇO E A EUROPA | Miguel Real

EDUARDO LOURENÇO COMO MITO CULTURAL | Renato Epifânio


Sobre António Telmo, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 


UM OLHAR DE ANTÓNIO TELMO NA SIMBÓLICA DE PRESTES JOÃO | Abel de Lacerda Botelho

ANTÓNIO TELMO: QUEM SOU EU AQUI? | Carlos Aurélio

DA PERIFERIA AO CENTRO | Carlos Vargas

DIVAGAÇÕES EM TORNO DO SER POÉTICO-FILOSÓFICO SAUDOSO: A PROPÓSITO DOS RITMOS BERGSONIANOS DE ANTÓNIO TELMO | César Tomé

DE UMA CARTA DE ANTÓNIO TELMO SOBRE A RAINHA SANTA ISABEL | Eduardo Aroso

ANTÓNIO TELMO E O CICLO DA HERMENÊUTICA | João Luís Ferreira

O LETRADO ANTÓNIO TELMO | Joaquim Domingues

ANTÓNIO TELMO: HUMILDADE ESPIRITUAL E INICIAÇÃO MAÇÓNICA | Pedro Martins

DA CONVERSA À CONVERSÃO | Pedro Sinde

A IDEIA DE PÁTRIA EM ANTÓNIO TELMO | Renato Epifânio

ANTÓNIO TELMO: UMA ARTE POÉTICA PARA UMA POÉTICA DA ARTE | Risoleta C. Pinto Pedro

UM SEGREDO DO ALTO-MAR| Rodrigo Sobral Cunha

A REALIDADE TRANSCENDENTE E ESPIRITUAL DA REDENÇÃO DO MUNDO EM ANTÓNIO TELMO | Samuel Dimas

quarta-feira, 31 de março de 2021

De Carlos H. do Carmo Silva, para a NOVA ÁGUIA nº 27...

 

TEORIA DA LUZ E DA PALAVRA[1]

Um título que, mais do que rótulo genérico, corresponde na tradição pensante e portuguesa, ao estilo das epígrafes que encontram na «Teoria do Ser e da Verdade» de José Marinho, ou mesmo na «Teoria do Pão e da Palavra» de J. Pinharanda Gomes, entre outras, a especificidade de uma compreensiva visão. Se, na Verdade de Marinho, há algo de excessivo e platonicamente deslumbrante, e se na reflexão de Pinharanda se encontra o saber-sabor da manducação encarnacional da Palavra, na «Teoria da Luz e da Palavra» dir-se-ia descobrir-se uma meridional inclinação do olhar que pelo ‘soletrar’ português e aristotélico ainda se julga teorese. (Justifica o Autor: “A luz e a palavra são um mar oceano universal de todos os mundos possíveis. Deste mar oceano universal emergem todos os sistemas mais ou menos in-finitos que coabitam em várias esferas de transcendência, na epifania da realidade do Grande Todo que é o Universo.” (p. 41)

Donde, não a dialéctica da pura intuição cordial tal a de Afonso Botelho na «Teoria do Amor e da Morte», nem sequer a do antagonismo crítico na «Nova Teoria do Mal» de Miguel Real, ou de outras «Teorias» adjectivas sobre o Mito, a Saudade…; pois, mais que este termo único em pugna interior, ou que a costumeira díade que se explicita na epígrafe, está suposta a dialéctica em que o leitor descubra o sentido da copulativa, entre/ou de ‘isto’ e ‘aquilo’. É, assim, que se explicita a virtual trindade temática, ou hipostática, que no título permanecerá a segredar como conjugação abreviada do que o Mestre Leonardo deixou bem claro na sua palavra de «A Alegria, a Dor e a Graça», e, no caso, poderia ser Luz, Palavra…, e Silêncio (?)…, ou Poder (?)… 

Aliás, o título «Teoria da Luz e da Palavra» na obra em questão acaba por ser pleonástico já que a teoria, não como mera síntese epistémica, outrossim enquanto theá-oráo ‘visão divina’, contemplatio…, remete para a lucidez num ver assim iluminado. E, se se pretendesse ser mais preciso, dir-se-ia, que é uma theoria da claridade – ou do diorático e do diáfano – e não propriamente da luz, já que esta em si mesma é invisível, quer para a ciência física, quer na rica tradição metafísica e mística que a considera lux tenebrosa (ou treva luminosa…). É certo que também não remete tão-só ao brilho extrínseco, aos reflexos secundários, pois, como também dizia Álvaro Ribeiro não se devem valorizar ‘escritores brilhantes’, porém não luminosos. Está, pois, a nossa leitura do título na media res do que não é fiat lux, nem desde logo eflúvios de ‘trevas exteriores’, ou na correspondência com o que na hebraica nomenclatura bíblica não é a aur (luz), nem shamaïm (o brilho dos céus…), mas yom (o dia), a pretendida clareza de um meio-dia… Menos um ver, desde logo sábio em acabada condição sófica, do que um olhar, ainda que no entreabrir de um ‘regard’, uma atenção curiosa e também no prazer do desejo de contemplar o essencial. Trata-se antes da arte filo-sófica desde o agradável de sentir até um ver inteligente, ligada à acomodação do olhar àquilo que é, num exercício similar e inverso ao que Aristóteles refere à inicial cegueira das ‘aves’ nocturnas… 

A epígrafe obriga assim a uma visão declinada, nem cega pelo excesso, nem convertida ao quietismo dos ‘que crêem sem ver’, e também por isso comensura a expressão verbal correspondente: nem o Verbo, quiçá ‘voz do silêncio’, nem a babélica fala do que se diz (por dizer). No entanto, uma teoria da Palavra arrisca ainda o que verdadeiramente não diz, no sentido etimológico de indicar, fazer signo…, mas apenas ‘anda à volta’ constituindo a ‘palavra’ (do gr. parabolé) como parábola. De facto, parece tratar-se desse registo simbólico e sobretudo analógico em que a palavra, seja como nome (substante), seja como verbo e predicado…, permite a tradução (ainda um fabulare ou falar…), o comércio de razões, na comunicação enfim. Enquanto a sílaba primordial, qual mantra, remete para o inenarrável como ‘gemido do Espírito’, e o falatório comum declina no sofístico mercado da mera pragmática linguística ‘de todos e de ninguém’, é na palavra como recolhimento de sentido e concepção racional que se situa a expressão ali aristotelicamente entendida como lógos.

Abre, pois, o título da «Teoria da Luz e da Palavra» para o mero clarear filosófico do lógos enquanto doador ao pensar humano da sua pertinência lógica. E, nesta nossa ‘pátria linguística’ sopesada da específica tradição latina e helénica, constitui-se tal lógica como organon de todo um ciclo civilizacional cujo termo histórico se pode ainda aqui perceber nomeadamente pela poiética insólita e saudosa de tal, como que derradeira, visão do ex occidente lux… ´



[1] De Luís Furtado (Ed. MIL, 2020). Excerto de um texto enviado ao autor, com o seguinte “Antelóquio”: Começando por agradecer ao Autor a oferta da sua obra com a dedicatória que me é dirigida, não deixo de lembrar antigas tertúlias havidas com ele e Francisco Sotto-Mayor, num contacto com a Filosofia Portuguesa e com seus mestres, Álvaro Ribeiro e José Marinho. Além disso, no enigmático do aparentemente fortuito nesta vida –, já que se diz ‘Deus escrever direito por linhas tortas’ –, recordo como Luís Furtado veio a intermediar um meu interesse pela Kabbalah, noutro encontro gerador de inflexões fecundas e decisivas, tido ainda em comum com Marinho e António Telmo.

Saúda-se, agora, a vinda a lume da «Teoria da Luz e da Palavra», enquanto cumprimento de promessa a Álvaro Ribeiro, na linha da hermenêutica do aristotelismo que a seu modo dá continuidade àquele ensinamento da Escola do pensamento português. Será graça que, no sem tempo do Espírito, se faça assim oportunidade de um tempo de lectio que se deseja de clarificação e no trabalho sui generis de um dizer que se pretenda marcante.


terça-feira, 23 de março de 2021

De Paulo Ferreira da Cunha, para a NOVA ÁGUIA nº 27...

 

CORONAVÍRUS, SOCIEDADE E DIREITO: QUESTÕES DE MORTE E DE VIDA

Paulo Ferreira da Cunha

Não será, decerto, por conhecermos muitas pessoas, nem sequer pela virulência específica do Coronavírus, peste do nosso tempo: mas, já de há alguns anos a esta parte (antes mesmo da eclosão da pandemia), temos a sensação, muito vívida, e muito amarga e triste, de que o nosso mundo dos vivos anda a ser ceifado de grandes figuras, de excelentes pessoas, e, para nós, também de bons amigos.

Não confundamos as coisas, que não queremos que pareça o que não é: não fomos amigo pessoal de muitos desses grandes nomes, longe disso. Alguns conhecemos, é verdade. Com mais ou menos frequência de contacto e maior ou menor empatia. Duns tantos, chegámos a ser amigo, sim. Não sabemos quantas das grandes figuras que desapareceram nos últimos anos realmente se recordariam de nós. Mas isso não interessa, nem para nós nem para os milhares de pessoas que, certamente, mais longe, ou mais perto (em geral, mais longe), sentem a falta de figuras centrais, importantes, simbólicas, inspiradoras. Não pelo seu mediatismo (há imensas figuras mediáticas que ninguém lembrará na semana seguinte ao seu ocaso – seja por que motivo for). Mas pela sua real importância. Pelo seu valor. Pelo seu brilho próprio, e não emprestado pelas luzes da ribalta.

Em relação a algumas dessas pessoas, o golpe foi tão profundo, tão certeiro, que mesmo com a idade que levamos, nos sentimos sem chão e sem norte...

(excerto)

segunda-feira, 15 de março de 2021

De Mendo Castro Henriques, para a NOVA ÁGUIA nº 27...

 


GUERRA JUNQUEIRO E A VOZ CÍVICA DO OUTRO

Mendo Castro Henriques

Nascido numa época em que os poetas tinham ressonância no espaço público, a voz de revolta de Guerra Junqueiro foi recolhendo louvores em vida, que a tornaram de leitura quase obrigatória em família, pelo que mesmo analfabetos sabiam de cor os seus poemas. A sua experiência de homem público, letrado e viajado, conferia densidade a criações que não se perdiam em mundos interiores acrisolados de poesia. Os versos poderosos traziam a influência de Victor Hugo – “Em Hugo adoremos o verbo de esperança/ o Deus-germinal” – das estrofes de Baudelaire, da historiografia de Jules Michelet e das visões de Proudhon e de algum Hegel. As interpelações do último poeta célebre à pátria desciam da intelectualidade de círculos restritos para a rua, onde tinha popularidade....

(excerto)


terça-feira, 9 de março de 2021

De Brunello Natale De Cusatis, para a NOVA ÁGUIA nº 27...

 


FÁBULA MORAL E INVENÇÃO NARRATIVA NA OBRA DE ITALO CALVINO

Brunello Natale De Cusatis

No seu conjunto, tanto a fábula como o género fantástico são qualquer coisa, simultaneamente, de ancestral e atávico; por outras palavras, são manifestações que se encontram em todas as culturas e em todas as épocas históricas, numa espécie de conúbio que faz com que se possa falar de uma universalidade temática. Esta universalidade torna-se ainda mais evidente quando a figura literária de referência é Italo Calvino (1923-1985), não apenas um dos grandes autores contemporâneos italianos e dos mais famosos e traduzidos no mundo, mas também um escritor que viveu de perto, talvez mais do que qualquer outro, todas as experiências essenciais da história intelectual pós-bélica, tendo acompanhando as transformações da cultura italiana e internacional ao longo de quarenta anos, contribuindo para o nascimento do “experimentalismo” e da procura de novos horizontes linguísticos e temáticos alheios aos do neorrealismo...

(excerto)

sábado, 6 de março de 2021

De António Braz Teixeira, para a NOVA ÁGUIA 27...

 

APROXIMAÇÃO DO ACTUALISMO PEDAGÓGICO DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL

António Braz Teixeira

 

1. Havendo exercido o magistério filosófico, em Portugal e no Brasil, durante três décadas e meia, natural seria que Eduardo Abranches de Soveral (1927-2003), como Leonardo Coimbra (1883-1936), Delfim Santos (1907-1966), José Marinho (1904-1975) ou Agostinho da Silva (1906-1994), se tivesse detido a considerar, reflexivamente, os problemas fundamentais suscitados pela formação do homem, a que dedicou os volumes de ensaios Educação e Cultura (Lisboa, INP, 1993) e Pedagogia para a era tecnológica (Porto Alegre, EDIDUCRS, 2001), nos quais expôs os lineamentos da sua Filosofia da Educação que denominou actualismo pedagógico.

Em três ideias ou teses se fundava o pensamento educativo do filósofo portuense:

― a de que, na pedagogia, existem estruturas e objectivos formais prévios aos condicionalismos e às finalidades próprias de cada época, correspondentes às estruturas essenciais permanentes do homem e da sua situação existencial;

― a de que todo o processo educativo visa promover a maturidade pessoal do educando, dotando-o da capacidade para o exercício permanente de uma liberdade responsável;

― a de que a Filosofia se acha no início e no fim de todo o processo educativo.


(excerto)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Sobre Waldemar Bastos, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 


EM DORIDA HOMENAGEM A WALDEMAR BASTOS

J. A. Alves Ambrósio

Nesses dias, fui gentilmente convidado a assistir a um concerto que Waldemar iria dar no anfiteatro ao ar livre da Fundação Gulbenkian. Pudicamente, o cantor fê-lo apenas uma vez, mas Baguet, revelando a melhor amizade, não se coibiu de insistir na minha presença. Ademais, ver o artista a actuar era o que me faltava, razão por que honrei o convite e levei comigo o herói e Amigo Brandão Ferreira. O que admira que um dia, nas Canárias, ao artista (acompanhado de outros dois, cujos nomes ignoro) tivessem galvanizado os milhares que os ouviam, mas não sabiam uma palavra de Português? A espiritualidade não carece de idioma para mutuamente se exaltar, visto ser da ordem da quinta-essência intuitiva. Frente ao anfiteatro até se dançou e, no final, regressei a casa. Cheguei à Guarda de madrugada, às 3,30 minutos, mas a estima que sentia pelo cantor estava muito para além do atentado ao sono. Agora, farei todas as diligências para conhecer alguém de família a quem apresente fundas condolências. Conseguirei, claro. À sua excessiva grandeza humana, de que a artística era uma ilustração, é equipolente o nosso dever de preservar a sua memória. 

(excerto)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Sobre Joaquim Veríssimo Serrão, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 


O PERCURSO VIVENCIAL E A OBRA HISTORIOGRÁFICA DE JOAQUIM VERÍSSIMO SERRÃO

Nuno Sotto Mayor Ferrão

Neste artigo, iremos abordar o percurso de vida académica e pessoal de Joaquim Veríssimo Serrão, bem como o estilo e as características da sua obra historiográfica. Procuraremos verificar as influências que recebeu de amigos e de mestres na sua produção historiográfica, a metodologia epistemológica que seguiu, as múltiplas obras que produziu, a importância da amizade que manteve com Marcello Caetano no tempo do Estado Novo e durante o exílio deste no Brasil. Mostraremos a sua colaboração, também, ao nível da História local em Santarém, na Ericeira e noutras povoações portuguesas, o seu papel fundamental na revitalização da Academia Portuguesa da História, ao longo das três décadas da sua fulgurante direção, voltando a prestigiá-la, e o legado espiritual e patrimonial que deixou à posteridade na cidade de Santarém, com a criação do Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão. Ainda escasseiam os estudos sobre este eminente historiador, falecido em 2020, que bem merece uma biografia intelectual, pelo que esperamos que este artigo constitua mais um contributo neste sentido...

(excerto)


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Sobre Cruzeiro Seixas, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 

CRUZEIRO SEIXAS: O ÚLTIMO SURREALISTA PORTUGUÊS

José Almeida

Foi a Fundação Cupertino de Miranda – instituição que alberga o Centro Português do Surrealismo, em Vila Nova de Famalicão –, que comunicou a morte de Cruzeiro Seixas, falecido a 8 de Novembro de 2020, no Hospital Santa Maria, onde se encontrava internado. Morreu sozinho, como tantos outros portugueses, hoje, vítimas da “ditadura sanitária”, sem que o “país real”, situado para lá dos salões, galerias, revistas, círculos culturais e museológicos o conhecessem em todo o seu génio e grandeza artística.

O homem que tantas vezes deixou transparecer o seu embaraço perante o Portugal actual e que, nos últimos tempos, confessou pensar muitas vezes se valeria ainda a pena viver, finalmente, partiu. Deixou-nos a apenas um mês de comemorar o centenário do seu aniversário, que seria celebrado a 3 de Dezembro. Para trás ficou um vasto legado artístico e poético, integrado no capítulo de ouro da arte portuguesa do século XX, podendo ser apenas igualado, no campo do surrealismo, por António Pedro que, tal como ele, foi simultaneamente pintor, ilustrador, escultor e poeta. Criador multímodo, poliédrico e pluridisciplinar, Cruzeiro Seixas perscrutou à sua maneira a alma portuguesa. Observador activo, personalidade subversiva, foi um agente crítico e mordaz que soube causar o espanto e fazer notícia, mais com o talento e uma distinta elegância do que com o recurso fácil do escândalo. A sua irreverente personalidade deixará, certamente, muitas saudades à cultura nacional.

(excerto)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Na NOVA ÁGUIA nº 27: sobre Clarice Lispector, nos 100 anos do seu nascimento...



A SIMBOLOGIA DO FEMININO EM PERTO DO CORAÇÃO SELVAGEM, DE CLARICE LISPECTOR

Lurdes Mara Oliveira de Albuquerque

O primeiro romance publicado por Clarice Lispector no Brasil, Perto do coração selvagem (1943), representa uma inovação para a nossa Literatura. Neste texto original, Clarice singulariza uma técnica de composição, qual seja, a adoção de um ponto de vista do narrador não-omnisciente. Normalmente, a narrativa tradicional coloca como centro um narrador que tudo conhece acerca do universo narrado, sobrevoa os acontecimentos, domina e descreve minuciosamente todas as personagens. Tal narrador, predominante nas formas tradicionais de narrativa, institui-se como figura dominante de todo o processo, assenhoreando-se, inclusive, do destino de todos no enredo. A esta estrutura tradicional corresponde uma ênfase total na lógica interna dos acontecimentos...

(excerto)


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Na NOVA ÁGUIA nº 27: Cartas de Dalila Pereira da Costa para António Telmo...

 

CARTAS PARA ANTÓNIO TELMO[1]

Dalila Pereira da Costa 

Publicam-se aqui as dezasseis cartas (nelas se incluindo alguns cartões) de Dalila Pereira da Costa para António Telmo que se guardam no espólio deste último. Uma dessas cartas – que ora surge sob o número III – havia já sido dada a lume em Cadernos de Filosofia Extravagante: António Telmo (Zéfiro, Sintra, 2011, Colecção NOVA ÁGUIA); as restantes são inéditas. O arco cronológico do epistolário define-se entre 1977 e 1994. Desconhecemos se outras cartas de Afonso Botelho para António Telmo existiam e se terão perdido.

Complementarmente, por se tratar de um título da bibliografia passiva de António Telmo que, até agora, havia passado despercebido e que, de modo manifesto, se articula com o teor das cartas VIII e IX, reproduz-se em anexo a recensão a Gramática Secreta da Língua Portuguesa, de António Telmo, que Dalila Pereira da Costa publicou na revista portuense Nova Renascença (Volume I, n.º 4, Verão de 1981, pp. 453-455).  

Não tendo sido possível, por ora, facultar ao leitor, na sua integralidade, o diálogo epistolar mantido entre os dois autores, será de esperar que, no futuro, o mesmo possa vir a ser reconstituído, com evidente benefício para a compreensão do que agora se publica. Foi, aliás, com semelhante propósito que procedemos, sempre que isso se mostrou necessário e possível, à anotação das cartas, restringindo-a quanto possível, mas sempre de modo a procurar esclarecer o seu teor a quantos se encontrem menos familiarizados com o universo intelectual dos correspondentes ou com alguns aspectos menos evidentes desse mesmo universo. A este respeito, queremos expressar a nossa profunda gratidão ao Dr. Paulo Samuel, amigo de António Telmo e de Dalila Pereira da Costa, estudioso das obras de ambos e ainda editor da escritora portuense, pelo seu valioso contributo na fixação do texto das cartas e pelos esclarecimentos e informações que a respeito do teor das mesmas nos prestou. 

A ortografia dos textos epistolares foi actualizada pela norma anterior à do Novo Acordo Ortográfico. As palavras de muito difícil leitura no original manuscrito e, por isso mesmo, de duvidosa compreensão, foram assinaladas com recurso ao sinal “[?]”. Meros lapsos manifestos foram objecto de correcção.  


[1] Transcrição, organização, introdução e notas de Pedro Martins e Risoleta C. Pinto Pedro.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Sobre Celina Pereira, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 

CELINA PEREIRA: INTÉRPRETE DA CABO-VERDIANIDADE E DA UNIVERSALIDADE

Elter Manuel Carlos

A memória é intemporal (…) Coisas intemporais que são a construção do alicerce da memória de um país que é muito jovem, Cabo Verde, que também tem memórias lusas, porque a nossa mestiçagem vem do português e do escravo africano e de outros povos. (Celina Pereira, Entrevista à RTP).

Celina Pereira (1940, Cabo Verde/ 2020, Portugal) foi condignamente apelidada, não raras vezes, de embaixadora da cultura cabo-verdiana na diáspora. Ainda que esta palavra pareça bastante “vulgar” pela forma como repetidamente é utilizada em diversos contextos, acontece que a grandeza do empreendimento artístico, estético, social e cultural cunhado pela nossa homenageada é digno deste nome. O seu elevado esforço de estudo, criação artística, educação, comunicação e celebração dos horizontes da cultura de Cabo Verde na identidade e universalidade é indesmentível.

Cantora, escritora, educadora, contadora de histórias, pesquisadora das tradições orais cabo-verdianas, Celina Pereira, desde muito jovem, soube serenamente escutar e dar voz a alma cabo-verdiana nas suas mais diversas e genuínas formas de participação, comunicação e comunhão. Por isso, a sua voz que, dolorosa e fisicamente silenciou-se nos últimos dias de 2020, continuará bradando para ser retomada no curso da temporalidade da cultura e pensamento cabo-verdianos, como voz de infinitas harmonias...

(excerto)


sábado, 26 de dezembro de 2020

Homenagem da NOVA ÁGUIA a Eduardo Lourenço (1923-2020)

 




A colaboração de Eduardo Lourenço na NOVA ÁGUIA não foi particularmente extensa, mas foi cirurgicamente marcante. Assim, no nº 15, da nossa Revista, em que assinalámos o centenário da Revista “Orpheu”, foi de Eduardo Lourenço o ensaio de abertura: “Orfeu ou a Poesia como Realidade”. Evocação que se estendeu ao número seguinte, com a transcrição da sua Conferência de Encerramento do “Congresso 100 – Orpheu”, em que a NOVA ÁGUIA esteve igualmente envolvida.

Nos números 18º e 20º da Revista, destacamos ainda dois ensaios seus – sobre Agostinho da Silva e António Vieira, respectivamente. Sendo que o texto mais marcante foi, decerto, uma extensa entrevista concedida a Luís de Barreiros Tavares (publicada no nº 16), depois editada em Livro, com a chancela do MIL: Movimento Internacional Lusófono (“Eduardo Lourenço em roda livre", MIL/ DG Edições, 2016, 73 páginas).

Na hora da sua partida, anunciamos que no primeiro número de 2021 iremos ter uma secção em sua Homenagem, que não será, de resto, a primeira que a NOVA ÁGUIA lhe presta – Eduardo Lourenço recebeu, como estamos ainda todos lembrados, o Prémio Vida e Obra do 1º Festival Literário TABULA RASA. Caso queira contribuir para esta Homenagem, deverá enviar-nos o seu texto até final do presente mês de Dezembro. Entretanto, publicamos aqui um texto inédito de Manuel Ferreira Patrício, a ser incluído na edição das suas “Obras Escolhidas”, que o MIL lançará ao longo do próximo ano…

SAUDAÇÃO AO IRMÃO HUMANO EDUARDO LOURENÇO[1]

 Manuel Ferreira Patrício

Portugal, cuja grandeza frustrada é uma das nossas dores mais dificilmente suportáveis, como se árvore anémica fosse, dá-nos de quando em vez um fruto de grande dimensão e envergadura, imponente aspecto, qualidade suma e delicioso sabor, que atenua a nossa insatisfação histórica. Eduardo Lourenço é um desses frutos, em que até a modéstia da sua compleição física redunda em benefício do seu esplendor espiritual. Ele é, sem dúvida, um gigante cultural do século XX português, mantendo intactas as suas qualidades na segunda década em que já vamos do século XXI. Pode olhar para trás e sorrir contente pelo que fez. Pode o sorriso persistir pelo que continua fazendo, com toda a lucidez e sabedoria. Nós também sorrimos, do mesmo contentamento, onde assoma a consciente gratidão do muito que nos deu ao longo das décadas em que pudemos beneficiar do seu companheirismo humano e da sua infatigável operosidade intelectual, de que ia brotando o ouro que escorria para as nossas consciências e a nossa alma, enriquecendo dia a dia o nosso património espiritual, aliás crítico de si mesmo.

Nós os de Évora, consideramo-lo também nosso. Pela sua amizade e camaradagem com Vergílio Ferreira, nosso evidentemente, pela nossa própria ligação de amizade e cumplicidade cívica e cultural com os seus irmãos António e Adriano, que aqui viveram e trabalharam uns anos, pela ligação à Universidade que estabelecemos com ele, pelo facto de sermos seus leitores e admiradores desde a longínqua década de 60, época em que na Livraria Nazareth ― em 67 ― pudemos adquirir (o Fernando Martinho e eu próprio, professores no Liceu) o livro Heterodoxia-II, que representou um marco de reforço no nosso itinerário intelectual e cívico. Mais tarde, nos anos 70 e 80, trabalhando na Universidade, na Divisão (hoje Departamento) de Pedagogia e Educação, investindo apaixonadamente na formação de professores para o Portugal democrático, que ansiávamos viesse a ser lidimamente livre e culto, intentámos apoiar-nos na sua bússola vital prestando a devida atenção à sua obra Labirinto da Saudade ― Psicanálise mítica do destino português ― destino que continua a fazer-nos figas, empurrando-nos, na hora que corre, mais para o psiquiatra que para o psicanalista. Hoje, a Universidade de Évora trabalha directamente na preparação da edição das Obras Completas de Eduardo Lourenço, o que é honra para todos nós.

Li há poucos dias a extraordinária entrevista que Eduardo Lourenço concedeu à Revista Letras com(n)Vida, conduzida por José Eduardo Franco, impressionando-me a atenção minuciosa e de quente inteligência fria (de sabedoria…) prestada ao momento presente da Europa, do Ocidente, do Oriente, do Mundo, todos nós com o pé no fio da espada na tentativa de nos mantermos erectos e vivos, de escaparmos. A hora de A Tentação do Ocidente, de André Malraux, já passou, a hora de A Decadência do Ocidente, de Oswaldo Spengler, também, a decadência da Europa é um facto, a decadência dos Estados Unidos da América anuncia-se por si mesma e na ascensão da antiquíssima China, que julgaríamos ter morrido e renasce. Um novo mundo vem aí. Com o olhar estóico que me parece ser o seu, Eduardo Lourenço diz serenamente o que vê, anuncia o que vai vir. Não diz, como o imperador Septímio Severo, que foi tudo e nada vale a pena. O seu olhar escatológico é outro e a mim serena-me. É talvez o olhar do seu cristianismo suave e tingido da liberdade de pensar e ser desde a casca ao cerne. Não somos nós quem vai para o futuro, é o futuro que vem para um novo presente.

Eduardo Lourenço, querido irmão humano da família de François Villon, esteja connosco para festejarmos juntos essa chegada.



[1] Maio de 2013.