A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

NOVA ÁGUIA nº 37: Capa, Editorial e Índice...

 


No trigésimo sétimo número da NOVA ÁGUIA, o destaque maior vai para José Marinho, por muitos considerado como, provavelmente, o maior filósofo português do século XX, não apenas pelo “conteúdo” da sua obra – por muito que este tenha decorrido do seu fino e fundo diálogo com, entre outros, Sampaio Bruno, Teixeira de Pascoaes e Leonardo Coimbra –, como também, senão sobretudo, pela “forma” com que se expressou, em particular na sua Teoria do Ser e da Verdade, a sua obra de maior estatura metafísica, publicada em 1961, qual “montanha inacessível na planície acidentada do pensamento português”, nas lapidares palavras de António Telmo. Nascido, no Porto, em 1904, José Marinho veio a falecer, em Lisboa, em 1975 – por ocasião dos 50 anos do seu falecimento, o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com o Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, realizou, no Porto e em Lisboa, um Colóquio sobre a sua Obra e Pensamento, em que se apresentaram os textos que aqui publicamos.

Como sempre, destacamos “outros vultos” da cultura lusófona, começando, neste caso, por António Ferro, provavelmente o melhor Ministro da Cultura que Portugal teve nos últimos 100 anos – como, também de forma lapidar, escreve António Braz Teixeira neste número da NOVA ÁGUIA: “Afigura-se culturalmente incompreensível que, decorridos mais de oitenta anos sobre a morte prematura e trágica de Duarte Pacheco (1899-1943) e setenta sobre o desaparecimento de António Ferro (1895-1956), não haja ainda sido reconhecido o papel decisivo que, como Ministro das Obras Públicas (1932-1943), o primeiro teve na introdução da arquitectura moderna entre nós e não tenha sido possível, até hoje, proceder a uma avaliação serena, séria, objectiva e justa da importância da acção cultural que o segundo desenvolveu, de 1933 a 1949, à frente do Secretariado de Propaganda Nacional/ Secretariado Nacional de Informação e, de 1941 a 1949, como presidente da Emissora Nacional (cargo que acumulou com aquele), e o que essa acção teve de inovador e de antecipador ou precursor de iniciativas e realizações que, com meios incomparavelmente superiores, a Fundação Calouste Gulbenkian e outras instituições vieram a levar a cabo décadas mais tarde.”.

Após evocarmos ainda António José de Brito, António Telmo, Francisco da Cunha Leão, Gilberto de Mello Kujawski, José Carlos Craveiro Lopes, José Maria Amorim de Carvalho e Silvestre Pinheiro Ferreira, temos mais de uma dezena de “outros voos” e, em “extravoo”, o (duplo) regresso, que aqui saudamos, de Paulo Borges às páginas da nossa Revista, com o ensaio “O infinito no espírito do lugar: para uma fenomenologia mítico-simbólica e profética da cultura galaico-portuguesa”. Finalmente, depois da rubrica “Periódicos Eternos”, destacamos ainda uma dúzia de publicações recentes, começando por seis obras com a chancela do MIL (Movimento Internacional Lusófono) publicadas nos últimos seis meses, sem esquecer mais uma edição do nosso Caderno Poético e Visual – desta vez com poemas de Manuel Cândido Pimentel e ilustrações de Cláudia Guerreiro –, bem como todos os demais poemas que aqui publicamos. Na poesia e, sobretudo, no ensaio, número após número (e estamos já a caminho dos quarenta), a NOVA ÁGUIA confirma-se assim, nas palavras também lapidares de Miguel Real, como, provavelmente, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 

NOVA ÁGUIA Nº 37: ÍNDICE

Editorial…5

Entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona de 2025…6

Regulamento do Prémio Adriano Moreira…11

JOSÉ MARINHO, 50 ANOS DEPOIS

APROXIMAÇÃO DA REFLEXÃO ESTÉTICA DE JOSÉ MARINHO | António Braz Teixeira…12

O SIGNIFICADO DA ARCANA SAPIENZA EM JOSÉ MARINHO | Alexandre Teixeira Mendes …17

JOSÉ MARINHO: EM TORNO DA EDUCAÇÃO, CULTURA E FILOSOFIA | Artur Manso…30

LENDO JOSÉ MARINHO, OU DA FILOSOFIA | João Luís Ferreira…40

JOSÉ MARINHO E ÁLVARO RIBEIRO: A VIRTUDE FILOSÓFICA DA AMIZADE | Joaquim Domingues…44

JOSÉ MARINHO E MICHEL HENRY: A “DOCTA IGNORANTIA” E A “SOBRIA EBRIETAS” | Jorge Teixeira da Cunha…52

A INSUBSTANCIALIDADE SUBSTANTE MARINHIANA DO SUJEITO METAFÍSICO WITTGENSTEINIANO | Marco António Dias…55

SUPRA-INDIVIDUAL INDIVIDUADO E INSUBSTANCIAL SUBSTANTE: ENCOBRIMENTO E DESENCOBRIMENTO NA PNEUMATOLOGIA DE ANTERO DE QUENTAL E JOSÉ MARINHO | Paulo Borges…59

A FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE JOSÉ MARINHO | Renato Epifânio…66

A NOÇÃO MONISTA E PANTITEÍSTA DA CISÃO EM DEUS NA METAFÍSICA DE JOSÉ MARINHO | Samuel Dimas…73

CORRESPONDÊNCIA ENTRE JOSÉ MARINHO E JOSÉ RÉGIO: UM ASPECTO RELEVANTE | Teresa Líbano Monteiro…87

OUTROS VULTOS

ANTÓNIO FERRO | António Braz Teixeira…94

ANTÓNIO JOSÉ DE BRITO | Jóni Coelho…96

ANTÓNIO TELMO | Alexandre Teixeira Mendes…111

FRANCISCO DA CUNHA LEÃO | Artur Manso…122

GILBERTO DE MELLO KUJAWSKI | António Braz Teixeira…130

JOSÉ CARLOS CRAVEIRO LOPES | José Almeida e Jorge Camanho…133

JOSÉ MARIA AMORIM DE CARVALHO | Júlio Amorim de Carvalho…134

SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA | Joaquim Domingues…148

OUTROS VOOS

O FUTURO DAS CULTURAS DE LÍNGUA PORTUGUESA | António de Abreu Freire…158

13 %, CASUS BELLI | J.A. Alves Ambrósio…169

ENTRE CINEMA, ENSINO DA FILOSOFIA E FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO | Elter Manuel Carlos…171

REFLEXÃO SOBRE O DIA DE REIS | João Luís Ferreira…176

A ESCOLHA DAS PALAVRAS | João Seabra Botelho…177

A PALAVRA PERDIDA E A MÚSICA QUE RESTAURA | Jorge Chaminé…179

A LÍNGUA DEVE SER UM PALCO DE PAZ, NÃO DE GUERRA | Jorge Chichorro Rodrigues…181

APONTAMENTOS SOBRE A LETRA MINÚSCULA: DEUS – POESIA – FILOSOFIA | Luís de Barreiros Tavares…185

REVISITAR PENSAMENTOS SOMBRIOS | Manuel Curado…188

DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…194

AUTOBRIOGRAFIA 17 | Samuel Dimas…199

EXTRAVOO

O INFINITO NO ESPÍRITO DO LUGAR: PARA UMA FENOMENOLOGIA MÍTICO-SIMBÓLICA E PROFÉTICA DA CULTURA GALAICO-PORTUGUESA | Paulo Borges…212

PERIÓDICOS ETERNOS

MOTIM LITERÁRIO EM FORMA DE SOLILÓQUIOS & EXAME CRÍTICO AO MOTIM LITERÁRIO | Pedro Vistas…224

BIBLIÁGUIO

TEÓFILO BRAGA, HOJE: NO CENTENÁRIO DA SUA MORTE | Manuel Cândido Pimentel…232

QUESTÕES DE ANTROPOLOGIA FILOSÓFICA | António Braz Teixeira…233

O ADVENTO DO QUINTO IMPÉRIO | Paulo Rola…234

DA SAUDADE – DE ENDOVÉLICO POR ATÉGINA: MITOS & MISTÉRIOS DA PORTUGALIDADE | Renato Epifânio…235

O SENTIDO DAS FORMAS: PÁGINAS DE ESTÉTICA LUSO-BRASILEIRA | Alexandre Teixeira Mendes…236

COMPREENDER, VERDADE E POLÍTICA EM HANNAH ARENDT | Giovanni Damele…239

PERCURSOS DE HISTÓRIA DAS IDEIAS II | António Braz Teixeira…240

PORTUGAL E A INVENÇÃO DE UM MUNDO NOVO | Maria Leonor Xavier…242

GEOPOLÍTICA E GEOESTRATÉGIA: OS DESTINOS MANIFESTOS, AS REALIDADES E O RESTO | Jóni Coelho…247

SABER O REAL | Luís G. Soto…249

DIAS MENORES | Pedro Arrifano…251

AUTOBIOGRAFIA DE JESUS | António José Borges…252

POEMÁGUIO

O PORTUGUÊS DE SERVIÇO | Renato Epifânio…11

TÚNEL | Fernando de Moraes Gebra…92

O SONHO DE ULISSES | Alexandra Barreiros…92

NYNEVE OU A DAMA DO LAGO | Manuel Dugos Pimentel…93

SENHOR, VOSSOS RIOS | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…156

UTOPIA; LAR; INQUIETO | João Franco…157

VOZ PASSIVA | Jaime Otelo…230

DO AMOR CELESTE | Paulo Jorge Brito e Abreu…230

ENQUANTO A NOITE FOR A NOITE | Joel Henriques…231

GANZFELD | António José Borges…254

GRANITO & MÁRMORE; TORGA | Jesus Carlos…257

MORADAS: CADERNO POÉTICO E VISUAL

Poemas de Manuel Cândido Pimentel; ilustrações de Cláudia Guerreiro…258

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284

Para encomendar: info@movimentolusofono.org

Colecção Nova Águia: https://www.zefiro.pt/category/filosofia-nova-aguia

Outras obras promovidas pelo MIL: https://millivros.webnode.com/

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre José Marinho...

 

APROXIMAÇÃO DA REFLEXÃO ESTÉTICA DE JOSÉ MARINHO | António Braz Teixeira

O SIGNIFICADO DA ARCANA SAPIENZA EM JOSÉ MARINHO | Alexandre Teixeira Mendes

JOSÉ MARINHO: EM TORNO DA EDUCAÇÃO, CULTURA E FILOSOFIA | Artur Manso

LENDO JOSÉ MARINHO, OU DA FILOSOFIA | João Luís Ferreira

JOSÉ MARINHO E ÁLVARO RIBEIRO: A VIRTUDE FILOSÓFICA DA AMIZADE | Joaquim Domingues

JOSÉ MARINHO E MICHEL HENRY: A “DOCTA IGNORANTIA” E A “SOBRIA EBRIETAS” | Jorge Teixeira da Cunha

A INSUBSTANCIALIDADE SUBSTANTE MARINHIANA DO SUJEITO METAFÍSICO WITTGENSTEINIANO | Marco António Dias

SUPRA-INDIVIDUAL INDIVIDUADO E INSUBSTANCIAL SUBSTANTE: ENCOBRIMENTO E DESENCOBRIMENTO NA PNEUMATOLOGIA DE ANTERO DE QUENTAL E JOSÉ MARINHO | Paulo Borges

A FILOSOFIA DA HISTÓRIA DE JOSÉ MARINHO | Renato Epifânio

A NOÇÃO MONISTA E PANTITEÍSTA DA CISÃO EM DEUS NA METAFÍSICA DE JOSÉ MARINHO | Samuel Dimas

CORRESPONDÊNCIA ENTRE JOSÉ MARINHO E JOSÉ RÉGIO: UM ASPECTO RELEVANTE | Teresa Líbano Monteiro


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: de Paulo Borges, "O INFINITO NO ESPÍRITO DO LUGAR: PARA UMA FENOMENOLOGIA MÍTICO-SIMBÓLICA E PROFÉTICA DA CULTURA GALAICO-PORTUGUESA"

 

O INFINITO NO ESPÍRITO DO LUGAR: PARA UMA FENOMENOLOGIA MÍTICO-SIMBÓLICA E PROFÉTICA DA CULTURA GALAICO-PORTUGUESA

Paulo Borges

Apresentamos aqui os prolegómenos de uma teoria geral do mistério a que chamamos realidade como o processo de manifestação do infinito nas ilimitadas possibilidades da sua experiência pelas metamórficas potências de consciência, vida e existência, humanas e não-humanas, desdobrada numa cosmologia e numa teoria e axiologia do modo de constituição das culturas, povos e civilizações no seu devir histórico e supra-histórico. Esta teoria, de matriz fenomenológica e não metafísica, fundada na experiência contemplativa, articula-se com uma fenomenologia mítico-simbólica e profética da cultura galaico-portuguesa, que desenvolvemos num livro em preparação, a partir das sugestões mitopoéticas das mais antigas designações da faixa atlântica do extremo-ocidente ibérico e europeu e dos temas profético-messiânicos emergentes na cultura portuguesa.

(excerto)

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre Francisco da Cunha Leão...

 


FRANCISCO DA CUNHA LEÃO (1907-1974): TRAÇOS DISTINTIVOS DE PORTUGAL E DOS PORTUGUESES

Artur Manso

Cunha Leão entende que a nação portuguesa vive como nenhum outro povo essa angústia do inacabado e, consciente da sua tarefa resgatadora, coloca na variedade múltipla a asserção do Uno:

A História de Portugal, para que continue a ser de Portugal, só pode prosseguir fiel às determinativas que a informaram, pelas quais, numa processão do futuro, logrou a sua originalidade e em interesse do Mundo inteiro por ser de toda a Ecúmena. […]. Realizando-nos conformes, construiremos Filosofia e redenção...

(excerto)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre António Telmo...

 

O SEGREDO DO (GRANDE) ORIENTE EM ANTÓNIO TELMO: O FULCRO MEDITATIVO-VISIONÁRIO E A “TRADIÇÃO” DA KABBALAH

Alexandre Teixeira Mendes

É sobretudo a kabbalah a referência subterrânea aos noemas do (grande) Oriente, a cidade santa de Jerusalém e o cenáculo de Safed, que se encontram previamente na filosofia de António Telmo. O rememorar como o (re)percorrer, no sentido decisivo, dos grandes momentos da história da metafísica judaico-oriental, tal como se exprime na teoria da palavra poética ou, de modo recorrente, nas figuras do homem-em-exílio e do Deus-em-exílio. O nosso mestre ousou, durante uma vida consagrada à reflexão, infundir um tipo particular de ensinamento e de dialéctica escrita, como Platão, dominado pelo daimon literário e por um instinto dramático, onde está presente a perfeição formal de uma obra, como nenhuma outra, tendo em conta, por exemplo, as potencialidades da linguagem e os modelos não igualados de ensino filosófico? Como situar a relação de António Telmo com a fé cabalística do repensar a questão da linguagem, remontando à dimensão dativa ou vocativa, o entrelaçamento da voz e da letras da Thora? Mas sobre este poder de eclosão que se revela na desdobragem do texto de um ensinamento esotérico, ao nível dos assentimentos prévios, a fixação de um método de decifração do texto, nas suas subestruturas de mapeamento, como, por exemplo, o imperativo do registro da realidade que é conduzida pela palavra e portanto o fluxo mais vasto das coisas que existem na medida em que são nomeadas? Essa noção de “arcaísmo” é crucial para o nosso argumento. Prende-se com a sua relação com os procedimentos de caráter filosófico ou literário, de uma religiosidade heterodoxa e mística da busca abrangente do «verdadeiro oriente»? E onde a ideia abrangente de exílio e de redenção, concebida como desterro, continua num outro momento o seu hebraísmo, uma escrita interrogante centrada no enigma do mal e uma filosofia que se mantém na área fronteiriça da poesia, no (trans)curso então da magia salvadora e da reminiscência do paraíso, (in) apreensível)? O segredo da ars (arte) de António Telmo, a partir da qual se poderia discernir o primado délfico, que fez notavelmente de omphalos o centro do mundo, onde assinalamos a crucial importância atribuída ao ciclo da terra e da serpente, é a reivindicação do hermetismo e do conhecimento secreto?

(excerto)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre Amorim de Carvalho...

 

NO 50.° ANO DA MORTE DE AMORIM DE CARVALHO

Júlio Amorim de Carvalho

Desviando-me dos habituais assuntos a que me tenho dedicado[1], abordarei aqui o caso duma entidade que, pelas prόprias características da sua fundação, do seu funcionamento e da sua organização interna, se apresenta como facto muito original, único, nesta faixa litorânia de Entre-Minho-e-Guadiana e suas adjacências: refiro-me à Casa Amorim de Carvalho, sediada na cidade do Porto. O objectivo da presente exposição é o de levar melhor e mais vasta informação, a seu respeito, a uma elite, aos espíritos cultos e inteligentes, aos que se sentem naturalmente interessados pela temática que nestas linhas será desenvolvidamente tratada.


[1] Em estudos relacionados com o significado da criação poética, da teorização estética, do pensamento filosόfico amorinianos, e em trabalhos de investigação genealógica, publicados ora uns, ora outros em Espanha, no Brasil e por cá. 

(excerto)

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre Silvestre Pinheiro Ferreira...

 

A TRANSIÇÃO FRUSTRADA OU O DISCURSO INTERROMPIDO: A PROPÓSITO DA TEODICEIA DE SILVESTRE PINHEIRO FERREIRA

Joaquim Domingues

Filósofo de transição foi como António Braz Teixeira qualificou quem é considerado uma das personalidades mais representativas do pensamento luso-brasileiro da primeira metade do século XIX. A seu juízo, a “figura singular e complexa de filósofo e homem público, cujo saber enciclopédico abarcou todo o conhecimento do seu tempo, da matemática à pedagogia, do direito à economia, da mineralogia à botânica, representa, de forma particularmente expressiva, no pensamento português, o trânsito da fácil e serena confiança do século XVIII para a austera e dramática inquietação do século XIX.”[1]. Na verdade, se todas as épocas são de transição, aquela terá sido uma das mais profundas de toda a nossa história, como ruptura na continuidade dos princípios, dos valores e das instituições, que lhe davam feição própria e distinta.

Entre a expulsão dos jesuítas por D. José e a extinção de todas as ordens religiosas por D. Pedro, ocorreu uma radical mudança da ordem vigente em Portugal. Num contexto marcado pelas invasões francesas, com as doutrinas revolucionárias a precederem os exércitos napoleónicos, pelo “protectorado” britânico, assim como pela independência do Brasil, onde, afinal, vingaram as mesmas ideias e se impuseram os mesmos estratos sociais. Processo assaz complexo, onde se cruzaram dinamismos vários, cujos efeitos por vezes só nas gerações posteriores se patentearam, em luta com a normal inércia social, assente em muitos séculos de fidelidade a outros valores.

Aliás, não faltara quem, prevendo a tormenta, que se avizinhava, de um modo ou de outro tivesse procurado identificar os problemas em causa e antecipar as soluções adequadas. Quer em termos críticos e divergentes da tradição, como António Ribeiro Sanches (1699-1783), Luís António Vernei (1716-1792) e os reformadores dos estudos, mormente os universitários; quer procurando integrar no essencial e permanente as novas aquisições, transitórias ou não, como os franciscanos Frei José Mayne (1723-1792) e Dom Frei Manuel do Cenáculo (1724-1814), o jesuíta Padre Inácio Monteiro (1724-1812) ou os oratoristas Padres Teodoro de Almeida (1722-1804) e António Pereira de Figueiredo (1725-1797). Bastaria, aliás, atentar na acção e na obra de Teodoro de Almeida, a quem a Academia das Ciências de Lisboa concedeu a honra de proferir a sua Oração de abertura, a 4 de Julho de 1780, para constatar não só a viabilidade teórica como a larga aceitação dessa perspectiva de transição fecunda e harmónica, apurada precisamente na fase da formação de Silvestre Pinheiro Ferreira.



[1] História do Pensamento Filosófico Português, dir. Pedro Calafate, vol. IV, t. 1, Lisboa, 2004, p. 28.

(excerto)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre António Ferro...

 

APONTAMENTO SOBRE O VALOR E SIGNIFICADO DA ACÇÃO CULTURAL DE ANTÓNIO FERRO

António Braz Teixeira

Afigura-se culturalmente incompreensível que, decorridos mais de oitenta anos sobre a morte prematura e trágica de Duarte Pacheco (1899-1943) e setenta sobre o desaparecimento de António Ferro (1895-1956), não haja ainda sido reconhecido o papel decisivo que, como Ministro das Obras Públicas (1932-1943), o primeiro teve na introdução da arquitectura moderna entre nós e não tenha sido possível, até hoje, proceder a uma avaliação serena, séria, objectiva e justa da importância da acção cultural que o segundo desenvolveu, de 1933 a 1949, à frente do Secretariado de Propaganda Nacional/ Secretariado Nacional de Informação e, de 1941 a 1949, como presidente da Emissora Nacional (cargo que acumulou com aquele) e o que essa acção teve de inovador e de antecipador ou precursor de iniciativas e realizações que, com meios incomparavelmente superiores, a Fundação Calouste Gulbenkian e outras instituições vieram a levar a cabo décadas mais tarde.

Com efeito, quando, no início da década de 30 do século passado, Duarte Pacheco iniciou a sua dinâmica política de obras públicas, em vez de, como pareceria natural, recorrer aos arquitectos ainda activos, que tinham dominado o panorama arquitectónico português desde o final de Oitocentos (José Luís Monteiro, Adães Bermudes, Marques da Silva, Norte Júnior, Álvaro Machado, Raul Lino, Tertuliano Marques), preferiu entregar os projectos das novas obras a jovens arquitectos modernos da sua geração, como Pardal Monteiro, Jorge Segurado, Carlos Ramos, Cassiano Branco, Cristino da Silva, Cottinelli Telmo ou F. Keil do Amaral, inaugurando, deste modo, o ciclo moderno na história da nossa arquitectura.

Por sua vez, durante os dezassete anos em que esteve à frente do SPN/SNI e dos oito em que presidiu à Emissora Nacional, António Ferro promoveu um amplo, diversificado e coerente conjunto de realizações culturais, no domínio da literatura e da promoção da leitura, das artes plásticas, do teatro, da música, do bailado e do cinema, visando apoiar, tornar conhecida e divulgar a arte moderna portuguesa e a nossa arte popular e a permitir o acesso à leitura, ao teatro e ao cinema do maior número de pessoas, com especial atenção às que viviam fora ou distantes dos grandes centros culturais de Lisboa e do Porto, fazendo dele, embora sem esse título, o maior e mais activo ministro da cultura que Portugal algum dia conheceu, levando a cabo uma ampla, inovadora e diversificada acção de verdadeira “democratização cultural” sem paralelo antes e depois de 1974.

(excerto)