EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

Para o 12º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

A ligação com o mar começa por ser um factor geográfico comum a todos os países de língua portuguesa, mas, como acontece com alguns “factores geográficos”, está muito para além disso. Com efeito, a forma como estamos no mundo, a forma como somos, sentimos e pensamos, não é apenas afectada pelo factor tempo – apesar deste ser o mais óbvio –, mas, igualmente, pelo factor espaço. Já foi muitas vezes referida, por exemplo, a influência da experiência espacial do deserto no pensamento árabe, em particular no que este tem de mais espiritual.

Partindo desse factor geográfico – de a ligação ao mar ser comum a todos os países de língua portuguesa –, procurámos, pois, neste número da NOVA ÁGUIA, pensar a ligação entre o mar e a Lusofonia, sugestivamente já referida por Vergílio Ferreira, quando escreveu: “Da minha língua vê-se o mar”. Em que medida o mar emerge na nossa língua, na forma como estamos no mundo, na forma como somos, sentimos e pensamos, eis, pois, em suma, o repto que lançámos aos nossos colaboradores, também eles unidos pelo mar por esse mundo fora.

Uma vez mais, como sempre tem acontecido, teve esse repto ampla resposta. Publicamos aqui cerca de duas dezenas de textos que, por diversas vias, têm em vista esse horizonte. De resto, já em números anteriores o havíamos assinalado, ainda que de forma subliminar. O nosso pensamento parece-nos ter, com efeito, essa marca “marítima” – daí o seu anti-cousismo, o seu anti-substancialismo, nalguns autores particularmente evidente (apenas para dar um exemplo, refira-se o conceito de “insubstancial substante”, de José Marinho), em contraponto com os pensamentos mais “continentais”, mais ligados à terra, ou seja, à fixidez e às fronteiras – e, por isso, menos propensos à mistura e à mestiçagem, marca maior da Lusofonia.

Como sempre tem acontecido, não se esgota este número na abordagem da temática central. Assim, publicamos ainda alguns textos sobre Leonardo Coimbra, esse pensador anti-cousista por excelência, por nós homenageado no número anterior, por ocasião dos 100 anos da publicação da sua obra O Criacionismo. A par de Leonardo Coimbra, evocamos uma série de outros autores: de Agostinho da Silva, o grande pensador, entre nós, da Lusofonia, até Teixeira de Pascoaes, o poeta maior da “Renascença Portuguesa” (cujo centenário celebrámos em 2012), passando, entre outros, por Fernando Pessoa, Jaime Cortesão e João de Deus.

Isto para além das secções já clássicas: “Outros Voos”, com a habitual colaboração de Adriano Moreira; “Rubricas”, desde o nº 9 da NOVA ÁGUIA reforçadas com as “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão; “Bibliáguio”, onde destacamos, a fechar, a justa homenagem que é feita, por António Cândido Franco, ao poeta Couto Viana; “Noticiáguio”, onde, desde logo, evocamos os recém-falecidos Manuel Luciano da Silva e Elsa Rodrigues dos Santos, para além de publicitarmos o Programa do I Congresso da Cidadania Lusófona, onde estaremos presentes; sem esquecer o “Poemáguio”, onde, como sempre tem acontecido desde o primeiro número da Revista, publicamos uma série de poemas – destaque-se, neste número, a publicação de um poema de António Telmo, bem como um poema de homenagem a Manuel António Pina.

Como também tem sempre acontecido, ficaram muitos textos por publicar – desde logo, o já aqui anunciado dossiê sobre o poeta Ramos Rosa. Procuraremos publicá-lo no próximo número da revista, onde a figura em destaque será António Quadros, por ocasião dos 20 anos da sua morte, a par de outros autores que evocaremos, nomeadamente: Orlando Vitorino e Eduardo Abranches de Soveral (ambos falecidos há 10 anos), Heraldo Barbuy (nos 100 anos do seu nascimento, em São Paulo) e Silvestre Pinheiro Ferreira (nos 200 anos do início das suas famosas Prelecções Filosóficas no Real Colégio de S. Joaquim, no Rio de Janeiro). Em 2013, a NOVA ÁGUIA manterá, assim, o seu voo cada vez mais ascendente e “marítimo”, não fosse o mar, precisamente, nas lapidares palavras de António Quadros, “a imagem eterna do caminho”.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

ÍNDICE

Editorial…5
O MAR E A LUSOFONIA: “DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR”
Maria Luísa de Castro Soares, A OMNIPRESENÇA DO MAR NA CULTURA PORTUGUESA: SUA EXPRESSÂO NA LITERATURA…8
Miguel Real, O MAR PORTUGUÊS…17
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A POESIA PORTUGUESA: O MAR E A LUSOFONIA…23
Rodrigo Sobral Cunha, A EUROPA CULTA E O MAR PORTUGUÊS…25
Samuel Dimas, EPIFANIA: DA MINHA SERRA VEJO O MAR DO MUNDO, ILUMINADO PELA ESTRELA DA REDENÇÃO UNIVERSAL…31
Rui Martins, O MAR COMO DESÍGNIO NACIONAL…35
Pedro Cipriano, O MAR E O SER PORTUGUÊS…38
Luís G. Soto, A MULHER E O MAR…39
Lúcia Helena Alves de Sá, AO MAR LARGO, LONGO... QUE A VIDA É CURTA…43
José Manuel Malhão Pereira, A LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO…45
José Leitão, DEAMBULAÇÃO…47
Joaquim Miguel Patrício, NÃO CULPEM NEM SACRALIZEM O MAR…49
Joaquim Domingues, E NÃO SE OUVE O MAR?!...53
Isaque de Carvalho, ORFEU TRANSATLÂNTICO…54
Delmar Domingos de Carvalho, O MAR NO UNIVERSALISMO LUSÓFONO…60
Carminda H. Proença, A BAÍA DE SESIMBRA E A ALMA LUSA…64
Carlos Vargas e Luísa Janeirinho, O MAR, O AMOR E A LUSOFONIA…65
António Carlos Carvalho, AQUI À ESCUTA COM O MAR AO FUNDO…66
Almerinda Pereira, ARAR O MAR…68
AINDA SOBRE LEONARDO COIMBRA
Ângelo Alves, O CRIACIONISMO DE LEONARDO COIMBRA NA CONJUGAÇÃO DE IDEALISMO E REALISMO…74
António Braz Teixeira, O DIÁLOGO CRÍTICO DE LEONARDO COIMBRA COM BRUNO, JUNQUEIRO E PASCOAES…82
Manuel Ferreira Patrício, APROXIMANDO LEONARDO COIMBRA E VIKTOR FRANKL…92
Luís Tavares, HOMENAGEM A LUÍS DO ESPÍRITO SANTO, LEITOR DE LEONARDO COIMBRA…98
Joaquim Domingues, A TEORIA E A PRÁTICA DA EDUCAÇÃO EM LEONARDO COIMBRA…99
Carlos Aurélio, CRIACIONISMO: OCIDENTE, ARTE E VIDA POÉTICA…103
EVOCAÇÕES
A HONESTIDADE DE AGOSTINHO DA SILVA, por José Lança-Coelho…110
MEMÓRIAS AÇORIANAS DE AGOSTINHO DA SILVA,VITORINO NEMÉSIO E ALBERTO MACHADO DA ROSA, por Eduardo Ferraz da Rosa…112
NOTAS SOBRE A PRESENÇA ARABICO-ISLAMICA NA IBERIA DE FERNANDO PESSOA, por Fabrizio Boscaglia…123
AS LINHAS DE FORÇA DO PENSAMENTO HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO, por Nuno Sotto Mayor Ferrão…130
SERIA DEUS UM ARTISTA? UM BREVE OLHAR SOBRE O MISTICISMO NA POESIA DE JOÃO DE DEUS, por Elisabete Francisco…136
LEONIDAS HELMUTH BAEBLER HEGENBERG (1925-2012), por José Maurício de Carvalho…139
MANUEL ANTÓNIO, O POETA DO MAR DA GALIZA, por Maria Seoane Dovigo…142
A UNIVERSALIDADE DE NUN’ALVARES PEREIRA, por José Eduardo Franco…144
O MAR E O MARÃO: A NATUREZA POETICA DE SOPHIA E DE PASCOAES, por Nuno Freixo…146
VEIGA PIRES: UM HOMEM, MUITAS VIDAS, por Alfredo Ribeiro dos Santos e Rui M. Gil da Costa…148
OUTROS VOOS
Adriano Moreira, ENTRE O PODER DA PALAVRA E A PALAVRA DO PODER…162
Constança Marcondes César, VULNERABILIDADE E FINITUDE…166
Elter Manuel Carlos, ENSAIO SOBRE O SENTIDO ÉTICO-ESTÉTICO DA LITERATURA E DA EDUCAÇÃO LITERÁRIA EM CABO VERDE…169
João Pereira de Matos, ÀS PORTAS DE ISHTAR…176
Manuel Ferreira Patrício, FILOSOFIA PARA CRIANÇAS NO ESPÍRITO DA FILOSOFIA SITUADA…178
Maria Leonor Xavier, O VALOR DA HISTÓRIA DA FILOSOFIA…181
J. Pinharanda Gomes, GLOSAS DE CULTO E CULTURA…187
Rui Tinoco, A CITAÇÃO CIENTIFICA COMO ARMA SIMBOLICA: CONSEQUENCIAS CULTURAIS…194
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…200
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…202
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…213
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…214
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…215
BIBLIÁGUIO
O QUE É O OCIDENTE?, por Renato Epifânio…220
SOBRE A SAUDADE, por José Almeida…221
AMORIM DE CARVALHO E DELFIM SANTOS, por Mourão Jorge…222
TIAGO VEIGA. UMA BIOGRAFIA, por João Rasteiro…223
DE CABINDA AO NAMIBE, por J.P.A. Alves Ambrósio…228
O ETERNO RETORNO DO FASCISMO, por Eugénio Montoito…238
PODER E MORALIDADE, por Luiz Paulo Rouanet…240
FÁRMACO, por Joel Henriques…244
TERRA PROMETIDA, por António José Borges…246
AUTOS DO FOGO ANALOGICO, por Pedro Martins…248
ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA: MEMORIAL DO CORAÇÃO, por António Cândido Franco…250
NOTICIÁGUIO
ELSA RODRIGUES DOS SANTOS (1939-2012)…256
MANUEL LUCIANO DA SILVA (1926-2012)…256
XIX PRÉMIO CARVALHO CALERO…258
I CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA : PROGRAMA…258
POEMÁGUIO
Joaquim Carvalho, VIDA DE LUZ E DE SOMBRA (A CAMILO CASTELO BRANCO)…7
António José Borges, ESCOL…64
Delmar Maia Gonçalves, EM DECLÍNIO…65
Carlos José Maria Gonçalves, COMO CÉU NO MAR…68
Gabriela Correia, PORTUGAL…68
Maurícia Teles da Silva, DE FINISTERRA A MAR…69
Henrique Madeira, AS VOZES DO MAR…69
Sofia Varino, MAR NOVO…70
Helena Sanchez, LÁGRIMAS NO SAL…71
Maria Luísa Francisco, DA TUA CASA VÊ-SE O RIO…71
Marco Aurélio, ALENTEJO…71
Renato Epifânio, DO NOSSO MARRITÓRIO…72
Jesus Carlos, BRASIL DE PÊRO VAZ DE CAMINHA…73
Maria Leonor Xavier, TEMPO SUSPENSO...109
Eduardo Aroso, D. SEBASTIÃO EM MIM/ E, NO ENTANTO, ELA FALA-SE!/ DAS EUROPAS…161
Jaime Otelo, SONETO III/ SONETO IV…195
Samuel Dimas, NO SAUDOSO VOO…/ METÁFORA/ CONVERSÃO/ METAFÍSICA/ POETAS DO MAR E DO DESERTO…196
Catarina Inverno, FRUTOS EM FLOR…198
António Simões, QUANDO SE VIU…198
Abé Barreto Soares, CRIANÇAS PALESTINIANAS…199
João Canha Hespanhol, PARTO A MEIO A ROMÃ E...218
António Salvado, ANOS SE LEVA…219
António Manuel Couto Viana, ESTERTOR…254
António Telmo, AO SENHOR DOS MUNDOS…254
João Rasteiro, ESPERA UM POUCO (AO MANUEL ANTÓNIO PINA)…255
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

Apresentação da NOVA ÁGUIA 11

Apresentação da NOVA ÁGUIA 11
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NOVA ÁGUIA: SESSÕES DE APRESENTAÇÃO

19.03.13 - 17h00: Palácio da Independência (Salão Nobre)
02.04.13 - 11h00: Sociedade de Geografia de Lisboa
05.04.13 - 18h00: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
06.04.13 - 17h00: Biblioteca Municipal de Elvas
08.04.13 - 20h30: Casas das Campas (Pontevedra, Galiza)
09.04.13 - 19h00: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
13.04.13 - 18h30: Livraria Adrião (Mangualde)
14.04.13 - 19h00: Casa do Fauno (Sintra)
20.04.13 - 17h00: Faculdade de Direito da Universidade do Porto
27.04.13 - 15h00: Casa do Bispo (Sesimbra)
04.05.13 - 21h30: Associação Nova Cultura (Montargil)
08.05.13 - 18h30: Livraria Bertrand Chiado
10.05.13 - 18h00: Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António
10.05.13 - 19h30: Chalé Bela Mandil (Olhão)
13.05.13 - 14h30: Auditório da Escola Básica e Secundária de Carcavelos
18.05.13 - 23h00: Museu do Trabalho (Setúbal)
22.05.13 - 18h00: Universidade Católica Portuguesa
26.05.13 - 17h00: Casa Mantero (Sintra)
04.06.13 - 17h00: Palácio da Independência (Sala Antão de Almada)
10.06.13 - 12h00: Hotel Real Palácio
16.06.13 - 15h30: Casa do Fauno (Sintra)
26.06.13 - 16h30: Casa dos Bicos (Fundação José Saramago)
09.07.13 - 18h30: Casa Fernando Pessoa

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas

À venda nas melhores livrarias do país.

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Segunda-feira, 17 de Junho de 2013

De Adriano Moreira, para a NOVA ÁGUIA 12: "O Futuro de Portugal"


Para abordar esta questão complexa que se enuncia, no encontro em curso, com a fórmula de simples leitura – O futuro de Portugal – tem de lembrar-se que a pergunta, – sempre angustiante e não tranquilizadora – foi mais de uma vez colocada na história, longa de séculos, de um país que frequentemente teve de avaliar a relação de capacidade com a efetivação de um Projeto Estratégico Nacional.
(excerto)

Tema da Nova Águia 12: 2º Semestre de 2013

O pensamento de António Quadros: nos 20 anos do seu falecimento

Plataforma de Associações Lusófonas

Para mais informações:

De António Braz Teixeira, para a NOVA ÁGUIA 12



A FILOSOFIA DO “SENSO COMUM” DE HERALDO BARBUY (1913-1979)
nos 100 anos do seu nascimento

O LIBERALISMO DE ORLANDO VITORINO
nos 10 anos da sua morte

Sobre a "A Saudade dos Heróis", de Rodrigo Sobral Cunha

"O Diabo", 28.05.2013

"No Labirinto Messiânico de Fernando Pessoa", de Manuel Ferreira Patrício. Lançamento: 9 de Julho - 18h30: Casa Fernando Pessoa.


Em breve, na Colecção NOVA ÁGUIA: "A Obra e o Pensamento de Pinharanda Gomes"



Sobre Orlando Vitorino, nos 10 anos da sua morte, para a NOVA ÁGUIA 12: "António Braz Teixeira, O LIBERALISMO DE ORLANDO VITORINO"



Primeira manifestação significativa de um pensamento político-económico decididamente liberal, numa época em que tal forma de pensamento era tida, entre nós, por definitivamente superada, o livro de Orlando Vitorino postumamente editado, dado o plano em que se situa, o da exigente reflexão filosófica, conserva plena actualidade e merece que nos detenhamos sobre as análises e propostas teóricas que nele se contêm, constituindo, com os Diálogos de doutrina anti-democrática (1975), de António José de Brito, O fascismo nunca existiu (1976) e O complexo de Marx (1979), de Eduardo Lourenço, Socialismo sem dogma (1982), de M. Sottomayor Cardia, O poder real (1990), de Afonso Botelho e Sobre os valores e os pressupostos da vida política contemporânea (2005), de Eduardo Abranches de Soveral, umas das poucas obras relevantes de filosofia política publicadas, entre nós, no período subsequente a 1974.

(excerto)

"A voz e a obra de Agostinho da Silva"

"O Diabo", 30.04.2013

Vídeos sobre a Lusofonia

Sábado, 15 de Junho de 2013

UM INÉDITO DE ANTÓNIO TELMO PARA O PRÓXIMO NÚMERO DA «NOVA ÁGUIA»

Natureza de Portugal
Portugal é uma criação de São Bernardo sobre um fundo que aparece caracterizado por uns como atlante, por outros como céltico, no quadro remoto da primeira civilização megalítica, que se terá expandido posteriormente pelo Sul de França e pela Bretanha.
Aquilo que se deve, porém, sobretudo frisar é a sua criação pelo supremo adorador medieval de Nossa Senhora, São Bernardo. Neste sentido, Portugal é uma criação espiritual. Os factores geográficos, históricos, económicos ou outros, pelos quais se tem procurado explicar a sua origem, se os considerarmos independentemente do que tal criação significa, pertencem a um passado morto, sem acção no presente, visível ou invisível.
O abade santo veio dar direcção política, isto é, de organização social, à obra de São Bento, transformando o monacato por este fundado, numa vasta rede de Ordens, a partir da de Cister, das quais devemos salientar, a de Cluny, a dos Templários, a de Santiago e a de Calatrava (em Portugal, de Avis).
Nele se reuniam espiritualmente os dois poderes, – o religioso e o militar. Por isso mesmo, sem armas ou qualquer força material, punha e dispunha de papas e de reis. Era o verdadeiro representante de Deus, de que dependiam Império e Papado.
Dante é, desta ideia de uma Terra governada por um só Imperador e iluminada por uma só religião, o poeta e o teorizador supremo. Na Monarquia propugna a separação dos dois poderes e a sua união por cima. Na sua viagem pelo Inferno, pelo Purgatório e pelo Paraíso é sucessivamente conduzido por Virgílio, por Beatriz e, por fim, por São Bernardo que o leva até à plenitude da revelação e do conhecimento de Deus pelo Amor.
O lugar irradiante do pensamento activo do Santo era a Borgonha. Daí propagou-se por vastas regiões da Europa, mas, como se vê pela Monarquia de Dante, o fim de tão vasto movimento era o QUINTO IMPÉRIO universal. Ver-se-á adiante que, comparativamente com a orientação dada por São Bernardo ao movimento destinado a instaurar um só Imperador para todas as nações do mundo, o que se está a fazer hoje nesse sentido a partir da unificação da Europa corre o risco de se inverter no Império do Anticristo. A unidade das diferenças aparecerá como uniformidade pela anulação dos distintos (nos dois sentidos da palavra), pela redução do superior ao inferior, pelo que se chama hoje “nivelamento por baixo”.
Como se sabe, as nossas duas primeiras dinastias eram borgonhesas. Entre uma e outra insere-se a casa de Lencastre, aliada dos Franceses senhores da Borgonha, vindo por isso reforçar o movimento inicial dado por D. Afonso Henriques. Os portugueses eram para Ibn Arabi, contemporâneo dos nossos primeiros reis, os borgonheses. No tempo de D. Afonso V, a ideia era a de que Portugal se apoderasse da Península Ibérica ao mesmo tempo que Carlos o Temerário, primo direito do nosso rei, e duque da Borgonha, se apoderaria da França e da Alemanha. A batalha de Cluny pôs fim ao sonho imperial da nobreza borgonhesa. D. João II e D. Manuel I procuram realizá-lo pelo mar.
Os Painéis de Nuno Gonçalves, mandados pintar por D. Afonso Quinto, parecem significar a tristeza e a persistência do sonho, embora adiado na sua realização, reflectindo-se no olhar das 60 personagens que os compõem. Ali, no Evangelho de São João, a página mostrada anuncia a vinda do Paracleto num futuro adiado, pois ao mesmo tempo indica um período dominado pelo príncipe deste mundo. Todavia, embora numa oitava inferior, emergiram ao longo do período tenebroso sucessivas tentativas de restaurar o que estava perdido. Neste sentido, é impossível dissociar o movimento político da Restauração pelos quarenta da acção da Companhia de Jesus. A ideia de realização do Império Universal, tal como a sonhou São Bernardo, é retomada, depois de Alcácer Quibir, através do jesuíta Padre António Vieira na sua História do Futuro. A Companhia de Jesus foi, durante a República, vítima de uma campanha cujas senrazões deveriam ser melhor estudadas, sem qualquer reserva mental. Como se depreende dos estudos de Sampaio Bruno, insuspeito porque republicano, os jesuítas foram, em Portugal e na Espanha, os grandes adversários da Inquisição; no entanto, há hoje ainda quem julgue que os dominicanos eram jesuítas, tal a ignorância que campeia por insidiosos processos de natureza histórica.
Fernando Pessoa escreveu que o Padre António Vieira é o Imperador da Língua Portuguesa, da língua portuguesa que é a Pátria imperial do poeta e de todos os que, neste como noutros pontos o seguem. Ele figura na Mensagem como um dos nossos profetas. Depois dele, na Mensagem, é como se mais ninguém existisse. Só o próprio Fernando Pessoa, o último profeta, surgido no fim para anunciar um Portugal novo.

Com os nossos Agradecimentos ao Círculo António Telmo

De D. Manuel Clemente, para a NOVA ÁGUIA 12




Intervenção na apresentação de Grandes Chefes da História de Portugal. Coordenação de Ernesto Castro Leal e José Pedro Zúquete. Alfragide: Texto Editores, 2012
Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 17 de abril de 2013

Saúdo vivamente os coordenadores e autores do livro agora apresentado, tanto pela ideia que lhe presidiu como pela oportunidade do assunto. A ideia é comunicada na introdução, nos seguintes termos: «… este livro representa uma viragem para o estudo do papel do indivíduo nessa mesma história, não no sentido da apologia do heroísmo individual, mas no reconhecimento da importância de determinadas figuras históricas e da capacidade que tiveram em marcar as épocas em que viveram» (Introdução, p. 9).
Estamos portanto longe da diluição do indivíduo em grandes movimentos sociais, assim como do esquecimento das contribuições pessoais que – aos mais diversos níveis – também podem ganhar relevância. Também estaremos longe da sobrevalorização desta ou daquela figura, que esquecesse a inegável importância do conjunto espácio-temporal para a justa avaliação do que cada um quis ou pôde.
Equilíbrio difícil de definir exatamente, mas nem por isso menos indispensável para qualquer historiografia que queira realmente compreender e sopesar o contributo de cada personagem – tanto quanto tal se consiga e sem demasiada pretensão. Julgo bastante feliz o verbo que o citado passo introdutório usou para as figuras selecionadas no livro. Foi o verbo “marcar”, reconhecendo a respetiva capacidade de “marcar as épocas em que viveram”-
É imagem antiga, esta da “marca” que alguém deixa no mundo. Tão impressiva, aliás, que quase define a aventura humana, desde os primeiros sinais com que homens e mulheres nos transmitiram que já aí estavam no planeta e enquanto tais. E o mesmo em relação às sociedades que integraram, ou eles próprios (re)constituíram, bem como às criações culturais que acabaram por “dar o tom ou o som” a uma época. Não é por acaso que, mesmo integradas e até alegadamente diluídas em grandes coletivos, certas figuras acabaram por lhes emprestar o seu nome próprio.
Daí que saúde a obra agora apresentada, porque nem ilude a particularidade nem escamoteia as ligações epocais das personagens evocadas. Mesmo que essas ligações epocais sejam póstumas, porque reclamadas muito posteriormente às suas vidas, mas não sem que estas mesmas ou a memória que deixaram percam inteiramente o cunho original do que foram ou fizeram.
Assim aconteceu com o primeiro dos “chefes” elencados, porventura o mais mítico de todos. «… Viriato incorpora ainda hoje a importante função de restabelecer o contacto dos portugueses com os seus ascendentes e antepassados, religando-os ao tempo histórico e a um tempo mítico anistórico» (José de Almeida, O chefe lusitano, p. 29).
Dos historiadores romanos ficou a notícia da resistência que o antigo chefe lusitano opôs à expansão imperial. Memória que foi depois “nacionalizada” por portugueses que nele se reviam, quase como profecia antiga do que queriam ser, independentes e livres. Entrou assim na categoria dos “mitos de origem”, embora com a ressalva de ter existido mesmo, combatendo e morrendo na resistência a Roma. Manifesta emblematicamente que contextos coletivos – póstumos no caso – e protagonismo pessoal marcante podem de facto conjugar-se.
O caso seguinte ainda é mais polivalente, pois reuniu em si a armadura militar e a envergadura religiosa de modo excecional e imediatamente reconhecido. Próximo duma outra figura tardomedieval, Joana d’Arc, a sua militância verificou-se antes de mais na entrega intemerata à causa que abraçou e onde as fronteiras terrenas e celestes se dissolviam. Mas com idêntica veemência dumas para outras, como bem se ilustra: «[O condestável] com 55 anos, lutou nas ruas de Ceuta! Na hora da vitória, porém, declinou o convite para ficar como capitão da praça. Os seus planos já não passavam por aí. A sua “guerra” era outra» (João Gouveia Monteiro, O chefe militar, p. 52).
É particularmente de saudar a inclusão nesta obra da figura de Isaac Abravanel, judeu português de grande presença no tempo de D. Afonso V e forçosa ausência no de D. João II, por razões políticas aliás. O que aconteceu em Castela e depois em Portugal nos finais do século XV, em termos de exclusão da minoria judaica, encontrou nele o melhor intérprete do drama de todos os seus, a quem não desistiu de dar o conforto espiritual possível. Mais do que um homem “de nação”, na terminologia da época, ele foi quase um homem-nação enquanto intérprete essencial do seu conjunto. Como também podemos ler na obra em apreço:   «[Abravanel] não somente teve a intenção de fortificar e consolar os exilados ibéricos de que o Deus de Israel não os havia abandonado, assim como, ao mesmo tempo, procurou contestar os argumentos presentes na literatura polémica judaico-cristã medieval» (Nachman Falbel, O chefe judaico, p. 79).
Entretanto, uns ficavam, outros fugiam e ainda outros partiam, naquele fim de Idade que era já começo de outra. De aventura se tratava em qualquer caso, muito especialmente quando era mandada ou demandada, para divisar rumos novos, geográficos ou outros. Julgo especialmente certeira a escolha da figura de Pero da Covilhã para ilustrar um “chefe aventureiro”. Foi sua missão conhecer por terra o que outros procuravam por mar, no mesmo objetivo da expansão portuguesa. Assim o fez, acabando por se dissolver naquela Etiópia em que transmutou a Serra da Estrela donde vinha, dando um forte recorte pessoal ao que foi talvez o nosso maior esforço desbravador e coletivo: «A súmula da sua vida [de Pero da Covilhã] mostra-nos, no entanto, um homem perspicaz, que soube que o seu mundo quebrava as rotinas seculares, de forma inusitada» (António dos Santos Pereira, O chefe aventureiro, p. 85).
Português “de coração” se considerava Francisco Xavier, figura cimeira da vertente missionária da expansão quinhentista. Não sendo único, nem se compreendendo só por si, destaca-se pela quantidade e qualidade do que percorreu e fez, em relativamente poucos anos, de Portugal à Índia, da Índia ao Japão e até à costa da China, para aí levar o seu credo. Mas foi especialmente “chefe”, porque se adiantou onde outros não tinham ido, esboçou respostas para questões novas no confronto inter-religioso e se preocupou em que outros o seguissem pelos caminhos que abria: «[Francisco Xavier] teve que adaptar-se inúmeras vezes e recrutar missionários/líderes de acordo com as necessidades específicas das diferentes culturas» (António Júlio Trigueiros, O chefe jesuíta, p. 122).
O caso que se segue é particularmente curioso, por se tratar dum chefe que talvez nunca o tenha querido ser, no sentido corrente do termo. Cientista e pensador, entre o Brasil e Portugal e depois brasileiro independente, José Bonifácio de Andrade e Silva foi levado pelas circunstâncias a ter um papel predominante no arranque da grande país sul-americano, graças à reputação intelectual e cívica que justamente granjeara. Mas tal predominância foi sobretudo moral. Mais até do que política, ao menos na “política” imediata da primeira década brasileira, onde o que propunha não venceu nem convenceu os muitos opositores que teve. A grande referência que lhe fizeram – “patriarca da independência” – foi já póstuma e a uma “chefia” que aliás não procurara. Como muito bem se lembra, a propósito dum momento decisivo da sua vida: «Bonifácio instalou-se em Santos, onde pretendia viver e dedicar-se aos estudos. […] Com a Revolução do Porto em 1820, aos 58 anos, o cientista transformar-se-ia em político» (Miriam Dolhnikoff, O chefe luso-brasileiro, p. 133).
Como também foi grande – e grandíssima – a influência de José Luciano de Castro na política portuguesa do último quartel de oitocentos e da primeira década de novecentos. Mas tal “chefia” teve certamente a ver com as suas características pessoais, que doseavam bem a convicção com a oportunidade, o conhecimento dos homens e a atenção às circunstâncias. Conseguiu por isso o que mais difícil era então: perdurar. Com momentos decisivos, como o que esta obra ilustra: «Com o “Ultimato Inglês” [1890], José Luciano viu-se diante do dilema – resistir ou ceder? -, debatendo-se entre as éticas da convicção e da responsabilidade […]. Cedeu e pediu a exoneração ao novo rei D. Carlos» (Manuel M. Cardoso Leal, O chefe liberal, p. 159). Perdeu na altura, voltou a ganhar mais adiante - do pouco que se podia ganhar em Portugal naqueles tempos…
Para captarmos o que se passou no Portugal de antes e depois do “5 de outubro”, importava realmente destacar alguém que corporizasse as ideias e as práticas maçónicas, determinantes então. A escolha recairia necessariamente no grão-mestre Sebastião Magalhães Lima, claro representante e incansável militante de tais ideia e prática. Um simples trecho do capítulo que lhe é dedicado dá-nos a noção: «[Sebastião de Magalhães Lima] partiu depois para Lausanne, onde chegou a 27 de outubro [de 1911], proferindo um discurso na Sociedade Esperança. No mesmo dia fez na Casa do Povo uma conferência intitulada “Da monarquia clerical à República laica”. A 28 realizou outra conferência em Genebra…» (António Ventura, O chefe maçónico, p. 175). Em pouco tempo iria aonde fosse preciso e deixaria a mensagem constante: seria tempo de substituir um regime religiosamente escudado por outro verdadeiramente popular e positivo, na legitimação e na pedagogia social. Ninguém o terá feito com tal convicção e persistência, cabendo-lhe por isso a seleção no conjunto das lideranças elencadas neste livro.
Desse mesmo pensamento participavam algumas mulheres que arduamente o apropriaram no sentido mais feminino, sufragista e emancipatório. Bem escolhidas foram as quatro, ainda que tal causa não se esgotasse então – nem antes, nem depois – no seu segmento ideológico e prático. No capítulo que lhes é dedicado, refere-se justamente a resistência que a sua pretensão encontrou no próprio âmbito republicano, de composição predominantemente masculina e ainda muito “patriarcal”, que preferentemente as retinha no espaço doméstico: «Com influências maçónicas, republicanas e feministas elas [Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete e Maria Veleda] ousaram concordar e discordar. Não esconderam as divergências entre elas e os republicanos no poder. Por isso associaram-se e dissociaram-se. […] Apesar de tudo isto, mesmo nos momentos mais difíceis, as mulheres republicanas não abdicaram dos seus ideais» (Manuela Tavares, A chefe feminista, p. 201-203).
O ideário republicano não dispensava figuras que o encarnassem, sobretudo se inteiramente devotadas à “coisa pública”, com grande coerência de ideias e práticas. Na vertente laicizante que incluía, quase olhava tais figuras, quando aparecessem, com devoção similar à que os espíritos religiosos dedicavam aos seus santos. Por isso mesmo, ninguém terá gozado e por tanto tempo a aura de António José de Almeida, o único a completar a respetiva presidência na República de 1910-1926. A combinação pessoal das suas características e atitudes garantiu-lhe tal resultado: «De entre as suas “marcas identitárias”, são ressaltadas as que se prendem com o romantismo político, a oratória lírica e mobilizadora, o ídolo popular ou a honestidade moral e cívica» (Ernesto Castro Leal, O chefe republicano, p. 232).
Outros já preferiam maior destaque individual do “chefe”, que valesse, só por si, o que todos poderiam valer depois com ele. Quase uma concentração individual e anímica, que originasse um conjunto de total sintonia e sinergia. Como um feixe inquebrável de varas que imediatamente se lhe atassem, como uma nação que lhe apropriasse o ânimo e o nome. Como se refere a propósito do ideário de um autor da época: «João de Castro Osório, ideólogo e ativista do fascismo português, transpôs em diversas obras, nomeadamente a peça A Horda, o anseio por um chefe que, à semelhança de Sidónio Pais, galvanizasse a multidão para a tomada do poder» (Eduardo Cintra Torres, O chefe fascista, p. 237).
Não muito longe, mas distinta, vem a referência seguinte, a propósito da extrema-direita. Simplificando demasiadamente as coisas, ainda assim diremos que ela herdou no século XX algo do que o legitimismo oitocentista opusera ao liberalismo constitucionalista. Enquanto este último propunha reconstruir a sociedade a partir da base, por eleição e contrato, aquele insistia na conformação dos governos temporais com uma inalterável ordem (sobre)natural das coisas, essencialmente intocável.   Assim transpareceria no baixo-relevo “Imagem do Estado Novo”, apresentado por Henrique de Bettencourt na Exposição Universal de Paris, em 1937, no qual «corporiza algumas das dimensões mais relevantes para a identificação do Chefe na cosmovisão da extrema-direita: […] a colocação do Chefe como vértice supremo, que representa a ponte com a realidade transcendente legitimadora e a garantia da conformidade à ordem natural. […] Esta clareza de visão nos Chefes naturais faz com que os demais se sintam fatalmente atraídos e aceitam a subordinação, não como rendição a uma força exterior, mas como tensão vertical para um nível mais perfeito do ser [cf. Julius Evola]» (Ricardo Marchi, O chefe na extrema-direita, p. 265-266).
Contra tal individualização simbólica e de exercício se ergueram as propostas coletivistas que faziam da sociedade o verdadeiro “sujeito” da respetiva autotransformação. Encontravam também aí o único antídoto para o aproveitamento particular das legítimas aspirações do todo, sobretudo dos pobres e explorados. “Chefe” que aparecesse, só o podia ser como expressão circunstancial dum amplo movimento que o chefiava a ele. Como se refere no capítulo seguinte: «O dirigente comunista, independentemente do local ou do tempo dos quais foi emergindo, reuniu em si duas dimensões únicas […]. A primeira impô-lo como o primeiro intérprete de um sentido histórico tendente a materializar o ideal do socialismo e a consumar o projeto igualitário mundial do comunismo. A segunda definiu-o como porta-voz, como expressão visível, como celebrante desse indeclinável e esperançoso destino» (Rui Bebiano e Miguel Cardina,O chefe comunista, p. 307).
O Estado Novo preferiu autolegitimar-se numa “nação” quase intemporal e por isso não resumida em qualquer sufrágio, antes verificada – por quem se achava capaz de o fazer – em termos de destino histórico. O “chefe” estaria por isso mais do lado dessa “nação” latente do que de alguns particulares mais cosmopolitas e descolados do percurso historio autóctone. Foi bem escolhido aqui o condutor da diplomacia portuguesa nos últimos anos do salazarismo, tentando convencer gente de fora ou de dentro desta típica visão das coisas: «Neles [As crises e os homens, 1971, e Juízo final, 1992], Franco Nogueira primeiro elabora e depois atualiza e reafirma uma tese […], que é a da importância fundamental da vontade firme e da visão clara de um chefe incontestável em fazer triunfar os interesses nacionais inquestionáveis. Isso seria sobretudo importante em Portugal, dada a fraqueza de elites alegadamente excessivamente estrangeiradas…» (Bruno Cardoso Reis, O chefe diplomático, p. 330).
A presente situação funda-se noutra base teórica e prática, que se quer constitucional e democrática. E, estabelecendo a Constituição a normatividade essencial dos direitos e deveres que nos incumbem, será ela mesma a indicar o rumo e a responsabilidade de todos e de cada um. Neste sentido se entenderá a afirmação que se segue, no elenco de lideranças agora apresentado: «… o projeto político do presidente da República tem de ser a própria Constituição […]. E assim se fecha o círculo virtuoso da República: o verdadeiro chefe constitucional é… a Constituição» (Paulo Ferreira da Cunha, O chefe constitucional, p. 353).
Elenco de lideranças que – mesmo tão competente e sugestivo como nos é oferecido nesta obra – nunca poderia esgotar o assunto, ainda que só em recorte “português”. Também por isso, creio eu, o último capítulo é dedicado a uma chefia imaginária, mas verificável e recorrente no nosso percurso coletivo, que da consistência do passado tira garantias para o futuro, sobretudo quando é posto em causa por fracassos próprios ou ameaças alheias. Tal chefia, quase como predeterminação anímica, não se opõe necessariamente à análise positiva ou ao compromisso concreto, podendo até reforçar a capacidade de resistir e recomeçar, nacionalmente no caso: «A sua sobrevivência [do sebastianismo] explica-se com a sua ligação à consciência nacional, não apenas letrada (como produção cultural das elites), mas sobretudo como uma ideologia de resistência […]. Por isso é que o sebastianismo ressurgirá, adaptando-se a diferentes contextos históricos, mas sempre em relação com uma identidade nacional que se sente ameaçada» (José Pedro Zúquete, O chefe imaginário, p. 375-376). Terá possivelmente a virtualidade “democrática” de colocar a “chefia” na determinação coletiva de persistir e ser maior, acabando por relativizar as lideranças episódicas que apetece, suscita e acaba sempre por ultrapassar.
Agradeçamos finalmente aos coordenadores, aos autores e à editora este trabalho de grande competência e oportunidade. Competência advinda do facto de cada autor ser estudioso da época e da personagem que versou, dando-nos por isso uma contribuição muito sólida e prestante. Oportunidade, porque os tempos que correm, em plena mudança epocal, requerem contributos assim, quase revisões gerais do percurso andado, quase decantações do essencial que sobra, para avançar ainda.
D. Manuel Clemente

Revistas políticas e literárias...

Ciclo de Conferências: das revistas políticas e literárias do Estado Novo
Ter (quinzenalmente): 18h
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A Hemeroteca Municipal de Lisboa e a biblioteca-Museu República e Resistência organizam este ciclo de conferências com o objetivo de revisitar historicamente e de discutir o papel que revistas como a Seara Nova, Integralismo Lusitano, Vértice, A Ocidente, Revista de Economia, A Tempo Presente, O Tempo e o Modo e Política tiveram na crítica, ou na defesa, do regime político da época. Programa: 12 mar
A revista Seara Nova nos anos 60 e 70...
por António Reis 26 mar
A revista Integralismo Lusitano (Lisboa: 1932-1934)
por António Costa Pinto 9 abr
Vértice: revista de cultura e arte (Coimbra: 1942-1974)
por Daniel Pires 7 mai
A Ocidente: revista portuguesa (Lisboa: 1938-1973)
por Luís Bigotte Chorão 21 mai
Revista de Economia (Lisboa: 1948-1964)
por Carlos Bastien 4 jun
A Tempo Presente: revista portuguesa de cultura (Lisboa: 1959-1961)
por Álvaro Costa de Matos 18 jun
O Tempo e o Modo: revista de pensamento e acção (1963-1977)
por Guilherme de Oliveira Martins 2 jul
A revista Política (Lisboa 1969-1974) perante a Primavera Marcelista
por Luís Aguiar Santos

26 Junho: Homenagem a António Banha de Andrade

Dia 26 de Junho, pelas 18h, no Centro Científico e Cultural de Macau, na Rua da Junqueira, em Lisboa.
Intervenções de familiares, do Prof. Artur Anselmo, sobre a Vida Profissional, do Dr. Pinharanda Gomes, sobre o Filósofo, do Prof. Luís Filipe Barreto, sobre o Historiador, e de um representante da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo,donde era natural.
Haverá ainda uma Exposição sobre os Livros publicados e será lançado um projecto para a reedição da sua Obra Completa.

Em Setembro: X Colóquio Antero de Quental

Ver Programa:

Notícia da Obra "Sobre a Saudade" (Colecção NOVA ÁGUIA)


"O Diabo", 26.12.2012

MILhafre: o grande fórum da Lusofonia



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Sexta-feira, 14 de Junho de 2013

Novo Curso do IFLB: sobre a "Renascença Portuguesa".



ENCERRAMENTO:
18 Junho| 17h | Palácio Foz, Lisboa
Música da Renascença Portuguesa | Obras de Luiz Costa, Cláudio Carneyro, Óscar da Silva, Ruy Coelho
Anna Thomaz, soprano
Carlos Monteiro, tenor
Nuno Cardoso, violoncelo
Duarte Pereira Martins, piano
Edward Luiz Ayres d'Abreu, piano