EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" - 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

Para o 15º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).

Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.


EDITORIAL NOVA ÁGUIA 14

Precisamente oitenta anos após a sua publicação, a Mensagem de Fernando Pessoa continua a ser um texto interpelante para quem insiste em preocupar-se com a destinação histórica de Portugal. Eis o que neste número da NOVA ÁGUIA se comprova. Sob as mais plurais perspectivas – desde as mais esotéricas e espiritualistas até às mais culturalistas e geopolíticas –, a Mensagem foi, sobretudo, um excelso pretexto para repensarmos o futuro de Portugal, mais amplamente, de toda a Comunidade Lusófona, mesmo sabendo que nunca chegará “a hora”. Ainda bem – diremos. Sinal de que, ainda e sempre, haverá futuro a construir.

Porque não há futuro sem passado, articulámos essa plural reflexão em torno da Mensagem com a celebração da própria língua portuguesa – na data, esta menos precisa, dos seus oito séculos. Também aqui, o testamento de D. Afonso II, datado de 27 de Junho de 1214, tido como o primeiro documento redigido em língua portuguesa, foi sobretudo um pretexto para reforçarmos essa consciência histórica – não só dessa nossa língua comum a todos os lusófonos, como, mais ampla e profundamente, do que lhe subjaz: uma singular forma, por mais que plural e polifónica, de ver e viver o mundo.

Por isso, coligimos também neste número da NOVA ÁGUIA as intervenções dos representantes das várias associações lusófonas da sociedade civil que participaram no II Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela Sphaera Mundi: Museu do Mundo, no âmbito da Plataforma de Associações da Sociedade Civil (PASC), decorrido na Sociedade de Geografia de Lisboa, a 16 de Abril deste ano[1] – onde, justamente, se procurou defender e difundir essa consciência histórica e, partir daí, prefigurar as “prioridades na cooperação lusófona”. Nesta secção, destacamos o Discurso de aceitação do Prémio MIL Personalidade Lusófona 2013, entregue, na mesma sessão, a Ângelo Cristóvão, mais um sinal de que, para nós, a Comunidade Lusófona abarca e abraça a Galiza.

Como sempre, também neste número da NOVA ÁGUIA houve espaço para outras “Evo(o)cações”: de Frei Manuel do Cenáculo, nos duzentos anos da sua morte, até personalidades da nossa cultura que nos deixaram mais recentemente, como Maria Helena Varela (2004) e, já neste ano, Vasco Graça Moura, passando por outras figuras lusófonas, como a do poeta moçambicano Rui de Noronha, aqui evocado por António Braz Teixeira. Em “Outros Voos”, destacamos, entre outros, os textos de Adriano Moreira e Manuel Ferreira Patrício, a par das contribuições vindas de Cabo-Verde e do Brasil – de Elter Manuel Carlos e de José Maurício de Carvalho.

Por fim, para além da “Rubricas” habituais – de Pinharanda Gomes, Eduardo Aroso, Jorge Telles de Menezes, Manuel Gandra e João Bigotte Chorão –, destacamos as já clássicas secções “Bibliáguio” e “Poemáguio”, e, de modo particular, em “Extravoo”, a Partitura Musical de um Poema da Mensagem (“Mar Portuguez”) que nos foi oferecida por Manuel Ferreira Patrício, tudo isto sem esquecer a referência à Colecção NOVA ÁGUIA, onde, até ao final do presente ano, se publicarão mais alguns títulos. Na calha está já igualmente o décimo quinto número da revista, que terá como tema maior “Os 100 anos do Orpheu” e onde, entre muitos outros textos, publicaremos as comunicações proferidas na I Conferência Cabo-Verdiana “Filosofia, Literatura e Educação”, promovida pelo MIL na Universidade de Cabo Verde, a 18 e 19 de Outubro de 2013, em parceria com esta Universidade e com o Instituto Camões.

Post Scriptum: Nascido a 16 de Junho de 1927 na cidade da Paraíba (hoje João Pessoa) e falecido a 23 de Julho de 2014, no Real Hospital Português do Recife, por paragem cardíaca, Ariano Suassuna foi um dos mais notáveis romancistas brasileiros e um dos fundadores e principais mentores do Movimento Armorial, lançado no início da década de 70, que pretendia desenvolver o conhecimento das diversas formas de expressão popular nordestina e criar as bases de uma arte erudita ancorada nessas raízes. Deu-nos a honra de colaborar no primeiro número da NOVA ÁGUIA (1º Semestre de 2008), com um depoimento sobre Agostinho da Silva, a quem se refere como “um irmão mais velho”. Neste número, já em fase de paginação no dia da sua morte, foi ainda possível incluir um texto que o evoca.



[1] Todo o Congresso foi gravado em registo vídeo e pode ser visto no portal do MIL: www.movimentolusofono.org

NOVA ÁGUIA Nº 14: ÍNDICE

Editorial…5
NOS 80 ANOS DA MENSAGEM NOS 8 SÉCULOS DA LÍNGUA PORTUGUESA
Abel de Lacerda Botelho, COMO CAMÕES APRESENTA THÉTYS A EL-REI D. SEBASTIÃO…8
António Cândido Franco, A MENSAGEM EM LIVRO DE BOLSO…11
Carlos Aurélio, LUSITANOS, PORTUGUESES E LUSÍADAS…13
Delmar Domingos de Carvalho, MENSAGEM, QUINTO IMPÉRIO, PORTUGAL E LUSOFONIA…23
Duarte Ivo Cruz, REFLEXÕES SOBRE A MENSAGEM E O MARINHEIRO DE FERNANDO PESSOA…28
Elisabete Correia Campos Francisco, PESSOA E A “HORA” DE PORTUGAL…36
Erivelto da Rocha Carvalho, A IMAGEM DE PORTUGAL EM PESSOA E UNAMUNO…38
José Almeida, O COMBATE CULTURAL NO SÉCULO XXI: FERNANDO PESSOA E A NOVA KULTURKAMPF…42
José Leitão, EXALTAÇÃO E CRÍTICA DA MENSAGEM…49
Maria Luísa de Castro Soares, O PODER DA LÍNGUA E DA LITERATURA…51
Miguel Real, UMA VISÃO MÍTICA DA HISTÓRIA DE Portugal…60
Pedro Teixeira da Mota, DO GRAAL DA MENSAGEM…63
Rui Martins, PARA UMA LEITURA ADEQUADA DA MENSAGEM E DOS POEMAS SIMBOLISTAS DE FERNANDO PESSOA…65
Renato Epifânio, A MENSAGEM: ENTRE FERNANDO PESSOA E AGOSTINHO DA SILVA…66
Octávio dos Santos, A MINHA PÁTRIA JÁ NÃO É A LÍNGUA PORTUGUESA…71
Marisa das Neves Henriques, FRANQUEAR O SILÊNCIO OU DA NATURALIDADE DE FILOSOFAR EM PORTUGUÊS…75
Maria Leonor L.O. Xavier, QUEM TEM MEDO DA LUSOFONIA?...78
Maria José Maya, COMEMORAÇÕES DOS 8 SÉCULOS DA LÍNGUA PORTUGUESA…82
Joaquim Miguel Patrício, DIZER NÃO AO COMPLEXO DE INFERIORIDADE LINGUÍSTICO…88
J. A. Alves Ambrósio, E VIVA ANGOLA…94
Fernando Dacosta, RUMOR DE FLORESTAS E MARES…103
II CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA: QUE PRIORIDADES NA COOPERAÇÃO LUSÓFONA?
INTERVENÇÕES DOS REPRESENTANTES DAS VÁRIAS ASSOCIAÇÕES LUSÓFONAS DA
SOCIEDADE CIVIL
ANGOLA Liga Africana: Victor Fortes…108
BRASIL Casa Agostinho da Silva e Instituto Mukharajj Brasilan: Lúcia Helena Alves de Sá e Loryel Rocha…109
CABO VERDE Organização de Técnicos e Quadros Cabo-Verdianos: Alberto Rui Machado…117
GALIZA Associação Pró-Academia Galega de Língua Portuguesa e Fundação Meendinho: Maria Dovigo e Alexandre Banhos Campo…122
GUINÉ-BISSAU Associação Balodiren: Djarga Seidi…127
MACAU Instituto Internacional de Macau: Jorge Rangel…128
MALACA Associação Coração de Malaca: Luísa Timóteo…133
MOÇAMBIQUE Círculo de Escritores Moçambicanos na Diáspora: Delmar Maia Gonçalves…134
PORTUGAL Associação Mares Navegados: Amândio Silva…136
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE União Nacional de Escritores e Artistas São-Tomenses: Mário Lopes…139
TIMOR-LESTE Associação Timorense: Sebastião Guterres…140
DISCURSO DE ACEITAÇÃO DO PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA 2013, por Ângelo Cristóvão…142
BALANÇO DO II CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA & MENSAGEM FINAL, por Garcia Leandro…147
EVO(O)CAÇÕES
ÁLVARO DE CAMPOS, por Luís Tavares…152
DELFIM SANTOS E SANT’ANNA
DIONÍSIO, por António Aresta…159
FREI MANUEL DO CENÁCULO, por Maria de Lourdes Sirgado Ganho…167
GLÓRIA DE SANT’ANNA, por Victor Oliveira Mateus…169
JOSÉ MEDEIROS FERREIRA, por Cristóvão de Aguiar…172
MARIA HELENA VARELA, por Samuel Dimas…179
PAULINO ANTÓNIO CABRAL, por António José Queiroz…184
RUI DE NORONHA, por António Braz Teixeira…186
SPÍNOLA E VASCO GRAÇA MOURA, por Renato Epifânio…188
SUASSUNA, por José Almeida…190
OUTROS VOOS
Adriano Moreira, DESAFIOS DE PORTUGAL: A IDENTIDADE NACIONAL…194
André Estrela Rodrigues de Soure Dores, REDE MUSEOLÓGICA DE CASAS HISTÓRICAS DA CPLP…198
Elter Manuel Carlos, NA FORMAÇÃO DA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA DO CABO-VERDIANO…201
João Pereira de Matos, CRÓNICA DE UM VAGABUNDO…207
José Lança-Coelho, A ALEMANHA E AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS…209
José Maurício de Carvalho, POLÍTICA E TOLERÂNCIA…212
Luís Lóia, FERNANDO PESSOA E A EPISTEMOLOGIA…219
Manuel Ferreira Patrício, TESTEMUNHO…224
Maria João Carvalho, POEMA VIII D´O GUARDADOR DE REBANHOS…226
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A I GUERRA MUNDIAL NA IMPRENSA PORTUGUESA E NA REVISTA ‘A ÁGUIA’…231
Rodrigo Sobral Cunha, LUSOTROPIA…238
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de Pinharanda Gomes…240
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…242
REGISTOS, de Eduardo Aroso…243
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…244
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…253
BIBLIÁGUIO
MISIÓN DE LA UNIVERSIDAD, por Mauro Sérgio de Carvalho Tomaz e José Maurício de Carvalho…256
PORTUGAL NA QUEDA DA EUROPA, por Maria Leonor Xavier…258
O PENSAMENTO PORTUGUÊS EM MACAU, por Carlos Morais José…259
OS FILHOS ESQUECIDOS DO IMPÉRIO, por Maria de Deus Manso…261
JOSÉ CAMPOS E SOUSA CANTA RODRIGO EMÍLIO, por José Almeida…262
IDEIAS E PERCURSOS DAS DIREITAS PORTUGUESAS, por Renato Epifânio…263
EXTRAVOO
MAR PORTUGUEZ: CERTIDÃO DE NASCIMENTO MUSICAL, EM EVOCAÇÃO ÉPICA, por Manuel Ferreira Patrício…266
POEMÁGUIO
Joaquim Carvalho, SONHO/ REALIDADE…6
Maria Luísa Francisco, PÁTRIA LÍNGUA…7
João Rasteiro, BICARBONATO DE SODA…7
Irene Galanou, ASTIANAX…106
António José Borges, NOITE NA TERRA NESTE PAÍS…106
Arthur Grupillo, O HOMEM SOL,,,107
Jaime Otelo, DEPOIS DO ÉDEN SONETO 508…193
Jesus Carlos, BARCELONA…239
Delmar Maia Gonçalves, MÃE…239
Lázaro Kondjasili, A INFÂNCIA QUE FOI MINHA…254
Maria Dovigo, NATUREZA DO TRÂNSITO…255
Susana Bravo, ESCREVENDO…255
Manuel Madeira, ENSAIO SOBRE A LINGUAGEM…264
Sônia Azevedo, VAIVÉM DA VIDA…265
Manoel Tavares Rodrigues-Leal, PENÉLOPE…265
MAPIÁGUIO…271
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…271
ASSINATURAS…272


Apresentação da NOVA ÁGUIA 14

Apresentação da NOVA ÁGUIA 14
Para ver o vídeo, clique sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela, São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público

E em muitas dezenas de blogues...

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas

À venda nas melhores livrarias do país.


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

De Brunello Natale De Cusatis, para a NOVA ÁGUIA 15...

O desassossego religioso de Fernando Pessoa
por Brunello Natale De Cusatis
(Università degli Studi di Perugia)

Não digo nada de novo ao afirmar que dos termos “inquietude” e “inquietação”, como também do termo “desassossego” – sinónimo dos primeiros dois, não obstante se trate, como refere Richard Zenith no seu Prefácio ao Livro do Desassossego, «de uma palavra simultaneamente comum e misteriosa, rica em matizes significativos e sem um bom equivalente noutras línguas» [Zenith, 2013: 13] descende destes três termos, qualquer que seja entre eles o termo utilizado em português, um importante e particular estado de ânimo que é uma presença constante na vivência de Fernando Pessoa e, consequentemente, no interior de toda a sua obra.
De facto, tal tipo de emoção, que não representa senão que o tema existencial em veste problemática, desde sempre – dos alvores da própria Humanidade – acompanhou o homem, “animal inquieto” por natureza.
Como é sabido, etimologicamente, o termo “inquieto” provém do latim inquiètus, ou seja, o ser “perturbado”, “insatisfeito”, “descontente”, o viver em “agitação constante”. O inquieto, consequentemente, é ou será quem, através da razão, procura a verdade, ou seja procura um sentido total da vida e não o encontra – isto é, aquela pacificação que para Santo Agostinho só em Deus pode ser encontrada. Por isso, no seu significado, senão propriamente “mais verdadeiro”, decerto naquele “mais profundo” e “mais elevado”, a inquietude é “energia pura”, a qual, quando se acumula para além do limite da suportação humana, acaba por explodir, determinando profundas mudanças na nossa vida. No entanto, se a conseguimos “contentar” e “dosar”, ao mesmo tempo, pode-nos conceder a possibilidade de uma maior compreensão de nós próprios, das nossas emoções mais profundas e mais verdadeiras. Dito doutro modo, a inquietude torna-se qualquer coisa de simultaneamente positiva e necessária se tivermos a capacidade de a “domar”, de a “ter sob controlo”, de a “escutar,” nas doses correctas; caso contrário, está destinada a tornar-se em qualquer coisa de inconcludente que decai, mais tarde ou mais cedo, em depressão; com todas as graves consequências que um estado depressivo comporta, incluindo o anulamento “material”, a morte, noutras palavras, a que a pessoa aflita de tal estado emotivo alcança através do suicídio nas suas várias formas – recordando apenas alguns exemplos de “ilustres” suicidas portugueses, vem de imediato à mente Antero (que se suicida de modo “lúcido” e “directo” com dois tiros de pistola), Herculano (que se suicida, à maneira de alguns monges, com o auto-isolamento na sua quinta em Vale de Lobos) e vem de imediato pensar ao próprio Pessoa (que se suicida gradualmente, como sempre acontece a todos os alcoólicos crónicos).
Isso explica a necessidade de tomar consciência sob qual ponto de vista a inquietude deve ser analisada. Se se opta por considerá-la num contexto psicanalítico – decerto aquele que prevalece actualmente – a inquietude não é senão um sintoma ou presságio de outras manifestações, as quais minam a harmonia pública ou familiar e, portanto, nestas circunstâncias, a inquietude deve ser considerada, a todos os efeitos, uma condição patológica, uma doença. Se, pelo contrário, depuramos o termo de qualquer tipo de resíduos ligados quer ao stress (no sentido de uma condição psíquica que, ao exercitar estímulos danosos ao organismo, provoca reacção), quer a ânsias opressivas, a expectativas frustradas, a desejos desiludidos, eis que o ponto de vista através do qual observar a inquietude se torna filosófico: o ponto de vista correcto, num certo modo, já que – a meu ver – toca à filosofia abrir caminho à verdadeira essência da inquietude que, neste caso, se pode definir como uma constante tensão do pensar e do agir ético, objecto desde sempre da filosofia.
A própria cultura, em geral, é manifestação de inquietude. Esta afirmação é tão verdadeira que, em qualquer época, todos os grandes artífices quer da filosofia, quer da literatura e das artes foram “homens inquietos”. Isto porque a inquietude é um estado de ânimo formado por várias “categorias” ou, dito doutro modo, fazendo minhas as palavras de Duccio Demetrio – conhecido académico e escritor italiano, professor catedrático de Filosofia da Educação e de Teoria e Prática da Narração – é um estado de ânimo caracterizado por
uma oscilação contínua entre o significado da vida, a percepção da morte, a consciência da perda e do passar inexorável do tempo. Nietzsche representa a posição filosófica por excelência, aquela aproximação extrema à inquietude por ele conseguida no momento em que decreta a morte de Deus [Demetrio, 2009].
É óbvio que uma cultura que “escape” à inquietude e, por consequência, não se confronte com o negativo, com o mal, não só se fecha em si mesma, afastando-se do conhecimento, mas acaba igualmente por anular os “caminhos da ética”.
O grande filósofo e psicólogo, bem como enciclopedista e economista, Étienne Bonnot de Condillac (1715-1780) – aliás citado por Pessoa no Livro do Desassossego [Pessoa, 2010: 296-298 (297)] e que, lembro, particularmente no seu Tratado sobre as sensações, de 1754, defendia a conjunção entre sensismo gnosiológico e espiritualismo, uma conjunção através da qual pôde teorizar a existência de Deus e a imortalidade da alma – pois bem, Condillac fala de inquietude ou de tormento em presença da privação de qualquer coisa que se deseja intensamente. Partindo da formulação do conhecido filósofo francês, podemos, portanto, afirmar que a inquietude é, por excelência, a que tem origem na tentativa de conhecer o que não é passível de ser conhecido, de sondar a vida para além do espaço humano, do nosso tempo finito e que, por isso, nos conduz à sua essência mais profunda, àquela religiosa.
Ora, tendo bem presente e claro um tal quadro e se nos quisermos servir dele para encetar um estudo sobre o desassossego, sobre a inquietude de Fernando Pessoa, quer em termos gerais, quer, e sobretudo, em termos religiosos, surge imediatamente a questão de qual seja ou possa ser o melhor ponto de vista para observar este seu estado de ânimo: de um ponto de vista psicanalítico ou filosófico? À primeira vista, a perspectiva psicanalítica parece preferível, e isto tendo em consideração o presumível desequilíbrio mental que o próprio Pessoa se atribuía e que lhe proporcionava não poucos tormentos, mas também, graças sobretudo à sua heteronímia (não importa se em parte deliberada ou se totalmente espontânea e sincera), uma excepcional e singular fecundidade literária. Ao mesmo tempo, ocorre, todavia, sublinhar como o ponto de vista psicanalítico comporte uma “visão” parcial ou, pelo menos, não completa da “condição inquieta” de Pessoa. Concretamente, isto vale quanto à sua inquietude religiosa, ao seu desassossego religioso, para o qual o ponto de vista filosófico pareceria o mais adequado, se pensarmos que a religião, por ser sinónimo de crença e de culto, de sentimento e de ligação, conduz à reflexão e ao agir ético, sem que tal implique, pelo menos no caso de Pessoa, “soluções definitivas”, já que – como bem sabemos – em Pessoa quase nada é “definitivo”, por ser a sua “pesquisa” um longo caminho feito de perguntas, de postulações e de dúvidas, e não certamente de respostas.
Uma outra questão importante – a prescindir do ponto de vista ou do contexto escolhido para proceder à observação e ao estudo do desassossego pessoano, o religioso especificamente – é a que se liga com as tipologias de “categoria” que caracterizam ou poderão caracterizar o “estado de ânimo inquieto” em Fernando Pessoa. Por exemplo, a sua inquietude conduz somente à consciencialização da incompletude e da falácia do homem, bem como da perda e do passar inexorável do tempo? Se assim fosse, será possível medir a intensidade de tal consciência, cujo limite extremo, numa sociedade técnica e materialista incapaz de revelar a verdade, conduz à perda de objectivos e de sentidos, àquele niilismo que tudo absorve, consuma, engole? Quer os conceitos de individuo, identidade e liberdade, de história e política, quer os conceitos de religião e ética? E ainda, dando como certo que, se não a vontade, pelo menos a tentativa de “vencer” tal niilismo está presente em Pessoa, onde consegue ele obter motivações e forças para tal?
Sem dúvida, são questões complexas que por si só implicariam, para quem as quisesse enfrentar na sua plenitude num ensaio, uma dificuldade e um esforço notável. Resulta, por conseguinte, absolutamente impensável fazê-lo durante um breve artigo. Por isso, limitar-me-ei a referir algumas das principais argumentações em que basearei a minha análise relativamente a tais questões, deixando a exposição detalhada para outra ocasião.
Estou perfeitamente de acordo com Jerónimo Pizarro quando num seu artigo, publicado há dez anos em «Leituras», ao enfrentar o tema do génio e da loucura em Fernando Pessoa e, contextualmente, da oportunidade de «não separar o “literário” do “científico”», afirma:
O caso Pessoa também é um caso de incompreensão, que é tratado como um espécimen e posto de parte. Ou então, é tratado com tanto respeito, que só nos resta consagrá-lo [Pizarro, 2004-2005: 4 e 10].
Ora bem, já que não é minha intenção percorrer nem um nem outro “caminho”, circunscreverei as minhas interpretações, e de modo a não invadir campos – como o da psiquiatria principalmente – os quais, para além de não entrar nas minhas competências específicas, são desviantes do objectivo e, em particular, dos princípios norteadores do meu artigo.
A minha intenção é a de conseguir compreender o desassossego religioso pessoano indagando não o que “não aparece”, o subjacente – ou seja, o iniciático e o oculto de modo particular – mas indagando o que “aparece”, o sobrestante, o que pode ser considerado imanente. Assim, para poder proceder segundo tal pressuposto, ocorre seguir Pessoa examinando partes da sua obra. Todavia, da sua obra, sou da opinião que aquela poética se adapte menos a este objectivo, mais não seja porque uma coisa é o que ele como poeta pensa, outra coisa é o que ele sempre como poeta sente: característica típica de Pessoa, na veste de grandíssimo poeta, mas que – no meu entender, pelo menos – às vezes pode criar confusão, dúvidas, dificuldades interpretativas. Portanto, querendo analisar em profundidade o seu desassossego religioso, a minha convicção é que ocorre prestar particular atenção às suas páginas diarísticas, ao seu epistolário, a alguns seus artigos e apontamentos e escritos fragmentários que – como bem sabemos – quase sempre se relacionam com projectos de estudos iniciados e nunca terminados, incluindo, também, vários trechos de O Regresso dos Deuses de António Mora e do Livro do Desassossego de Bernardo Soares.
Mesmo na parte inicial de um trecho – aliás muito conhecido e citado – do Livro podemos ler:
Pertenço a uma geração que herdou a descrença no facto cristão e que criou em si uma descrença em todas as outras fés. Os nossos paes tinham ainda o impulso credor, que transferiam do christianismo para outras formas da ilusão. […]
Tudo isso nós perdemos. […] Cada civilização segue a linha intima de uma religião que a representa: passar para outras religiões é perder essa, e por fim perdel-as a todas.
Nós perdemos essa, e às outras também.
Ficámos, pois, cada um entregue a si-proprio, na desolação de se sentir viver. Um barco parece ser um objecto cujo fim é navegar; mas o seu fim não é navegar, senão chegar a um porto. Nós encontrámo-nos navegando, sem a idéa do porto a que nos deveriamos acolher. Reproduzimos assim, na especie dolorosa, a formula aventureira dos argonautas: navegar é preciso, viver não é preciso. […] [Pessoa, 2010: 142-143 (142)].
São afirmações, tal como outras do mesmo teor dispersas nos seus numerosos escritos fragmentários, que não deixam detectar nenhuma prospectiva positiva em relação ao conceito de Deus em Pessoa.
É notório como ele sempre se expressou negativamente contra a Igreja Católica e, por consequência, contra o Papado de Roma, por ele considerado usurpador de um conhecimento que oprime em vez de libertar. Apesar disso, já que herdeiro do Ocidente Cristão (bem sabemos, aliás, que no decurso de vários momentos da sua vida – até no ano da sua morte, como explicitado na Nota Biográfica de 30 de Março de 1935 – se definia como «cristão gnóstico»), Fernando Pessoa, nas palavras do filósofo e teólogo Samuel Dimas,
não é alheio à posição do Cristianismo, segundo a qual não se pode fazer do saber humano, do saber finito das ciências, algo de absoluto, capaz de todas as respostas. As verdadeiras virtudes do homem baseiam-se no emocional, isto é, na dimensão daquele que acredita, daquele que ama e espera. Algo que não é irracional mas supra-racional [Dimas, 1998: 20].
Absolutamente convincentes – a meu ver – estas palavras de Samuel Dimas, das quais encontramos confirmação em várias notas ou textos fragmentários filosóficos pessoanos. Num deles, manuscrito e datado de 1914, podemos ler:
Deus é o sentido para onde tendem todas as inteligências que governam este mundo contra a vontade satânica da sua matéria inerte. Como o ponto para onde tendem existe já, porque o tempo é uma ilusão, Deus é; como tendem para a absoluta Perfeição, Deus é a Perfeição absoluta; como tendem para a Suprema Beleza, Deus é a Beleza Suprema. O Universo está já onde estará, e já isso, é Deus [Pessoa, 1994: 110].
Confrontando este fragmento com o citado anteriormente deparamo-nos, como é óbvio, com duas posições divergentes em relação ao conceito de Deus, o que, conhecendo o “sujeito Pessoa”, não deve e não pode, todavia, maravilhar. De facto, como teve oportunidade de salientar Jacinto do Prado Coelho, toda a obra de Fernando Pessoa contém indícios de um drama que tem origem na convergência, no mesmo homem, de um irredutível cepticismo e de um intenso e angustiante desejo de Absoluto [Coelho, 1990: 12].
Portanto, não se pode duvidar de que a inquietude religiosa, o desassossego religioso seja o verdadeiro motor da obra de Fernando Pessoa, como demonstra, aliás, uma sua prece manuscrita, provavelmente de 1912, isto é, do ano em que se daria a conhecer como escritor. Nela pede ao Senhor, «que [é] o céu e a terra, que [é] a vida e a morte», que lhe conceda «alma para [o] servir e alma para [o] amar. […] vista para [o] ver sempre no céu e na terra, ouvidos para [o] ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em [seu] nome»; e que o torne «puro como a água e alto como o céu». Para acabar depois, no fim da prece, com um angustiante «Senhor, livra-me de mim!» [Pessoa, 1966: 61-62 (61)], que lembra muito de perto a fórmula descendente da antiga liturgia católica moçárabe – fórmula que se encontra, também, em Santo Agostinho (Confissões I, 5.6) – Ab occultis meis munda me, Domine, ou seja, «Dos meus pecados escondidos purifica-me, ó Senhor».

Referências
Coelho, Jacinto do Prado, 1990. Diversidade e Unidade em Fernando Pessoa. Lisboa. Verbo, 10.ª edição.
Demetrio, Duccio, 2009. [Entrevista por Graziella Arazzi] Filosofia inquieta o inquietudine dei filosofi, in http://www.circoloinquieti.it/la-civetta-online/interviste/filosofia-inquieta-o-inquietudine-dei-filosofi-intervista-a-duccio-demetrio/.
Dimas, Samuel, 1998. A Intuição de Deus em Fernando Pessoa. 25 Poemas Inéditos. Lisboa. Edições Didaskalia.
Pessoa, Fernando, 1966. Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação. Textos estabelecidos e prefaciados por Jacinto Prado Coelho e Georg Rudolf Lind. Lisboa, Edições Ática.     
Pessoa, Fernando, 1994. Obras Completas de Fernando Pessoa. Textos Filosóficos. Estabelecidos e prefaciados por António de Pina Coelho. Lisboa. Edições Ática: Volume II.
Pessoa, Fernando, 2010. Edição Crítica de Fernando Pessoa. Volume XII. Livro do Desasocego. Edição de Jerónimo Pizarro. Lisboa. Imprensa Nacional – Casa da Moeda: Tomo I.
Pizarro, Jerônimo, 2004-2005. Fernando Pessoa: o gênio e a loucura, in «Leituras. Revista da Biblioteca Nacional» [Lisboa], S. 3, n.os 14-15: 1-10.
Zenith, Richard, 2013. Prefácio, in Obra Essencial de Fernando Pessoa. Livro do Desassossego. Composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. Edição [de] Richard Zenith. Porto. Assírio & Alvim [chancela da Porto Editora, Lda.], 6.ª edição: 9-26.

Repertório da bibliografia filosófica portuguesa

Plataforma de Associações Lusófonas



No rescaldo dos dois Congressos da Cidadania Lusófona, que decorreram em Abril de 2013 e 2014, na Sociedade de Geografia de Lisboa, foi lançada a PALUS: Plataforma de Associações Lusófonas, visando agregar as Associações da Sociedade Civil (independentes nos planos governativo, partidário e religioso) de todo o Espaço da Lusofonia. Como já foi mil vezes reiterado, todos teremos a ganhar com a afirmação da Sociedade Civil. A nosso ver, essa afirmação será tanto mais forte quanto mais se realizar em rede, à escala de todo o Espaço da Lusofonia. Assim se afirmará, em última instância, a Sociedade Civil Lusófona, grande desígnio estratégico do Século XXI.   
Para mais informações:

Entrevista a Pinharanda Gomes, na NOVA ÁGUIA 15...

Luís de Barreiros Tavares - O que é a filosofia em sentido lato?

Pinharanda Gomes - A ideia de uma “filosofia em sentido lato” causa alguma perplexidade, salvo se a entendermos como paráfrase do termo septivio, caro à Escolástica medieval e constituído pelo organon de toda as ciências ou saberes, o saber enciclopédico ou universal arrumado nos cursos do trivio e do quadrívio. Todavia, o saber enciclopédico é muito mais um fruto da filosofia do que a filosofia propriamente dita. Enquanto aquele abrange a prática das ciências ao modo iluminista, pelo que da respectiva prática melhor se predica o adjectivo sábio (o francês “savant” parece ter gozado de prestigiada aura no ciclo do iluminismo), a filosofia mostra o carismático pudor de ainda não saber o todo de tudo, mesmo que aceda, ou vá acedendo, a algum grau de saber. Como se diz no adágio paradoxal, se sabe demais já não é filosofia. Pode sair da via ignorantiae e requerer o lugar na sedes illustrata, que ilustra, ou luz.

Em contraste, a filosofia é mendicante ou, por andar à procura, ou do saber, ou da sabedoria. Mendiga descalça, isto é, sem defesa, na ascese do que procura. Por isso, e sendo claro e universalmente aceite que a palavra todos a recebemos da língua grega, preferimos a definição considerada banal ou trivial, que se faz mediante a figura do truísmo ou da tautologia, definindo o sujeito, pondo o seu nome no lugar do predicado: filosofia é filosofia.

Entendemos que a definição pura e casta é a iniciática grega, que podemos transliterar no prolóquio que se lê: “Filosofia é o amor da sabedoria”. O princípio da filosofia é o amor, a causa final desse amor é a Sabedoria. E que é a Sabedoria? Se soubéssemos objectivamente e sem equívoco, a Filosofia já não seria necessária. Com efeito, o saber ainda não é sabedoria. No saber cabe o conhecimento de todas as disciplinas triviais e quadriviais ou facultativas, abrangendo-as num sistema dos saberes ou ciências, mas a sabedoria transcende o saber, imerge no conhecimento do que não vemos, nem ouvimos, nem palpamos, mas se nos propõe como o fim dos fins, a causa final absoluta, de onde ela não depender unicamente do conhecer as coisas ou saber delas, o que são, como são, e para que são, no âmbito da positividade ou da realidade física, mas anelar pelo que designaremos por apetência espiritual, vértice da dialogia pensamento / movimento, a Sapiência ou Sabedoria, que já subiu da especulação para a contemplação.

O que o aristotelismo, secular magistério da Escolástica, denominou de protê philosphia (filosofia primeira) constitui a dinâmica movente do itinerário que, de um ponto de vista existencial  e imediato, viaja em exercícios de discernimento que levam, não apenas ao conhecimento dos particulares, e dos relativos, mas movem o espírito para além disso, para o absoluto. A esta luz, a filosofia interroga os enigmas e a Sabedoria ou Sapiência ilumina-os, protegendo-a da queda em doutrinas incertas. O princípio da filosofia é o amor, e no que à Sapiência se refere, o princípio é o temor (seja lá o que isto for) do divino (Prov., 1, 7), por excelência a altíssima causa.

Continua válida a primacial definição segundo qual, em resumo, a filosofia é a procura das primeiras causas e dos primeiros princípios, ou, no latim escolástico, a “scientia rerum omnium per altíssimas causas”, conhecer toda a realidade pelas causas mais elevadas.

Considera-se evidente o gnoma de Álvaro Ribeiro: “sofia é o conhecimento especulativo absoluto”, e “a filosofia é o esforço para esse conhecimento”. A causa última da filosofia é a Sofia, que envolve a coerência ética do viver e do filosofar em simultâneo.

Ora, a filosofia está para além de ser apenas mais uma espécie de literatura. Ela não obriga o filósofo a ser escritor, nem editor, pois a reflexão filosófica constitui um mistério pessoal, questionado e vivido mesmo na solidão, por qualquer filósofo solitário e oculto, que elabore a sua via sapiencial, que pode exprimir segundo um ético modo de vida, sem qualquer outra explicação.

O nome completo de Sapiência é Sophia protê , primeira sabedoria, a da visão unívoca (conceito de José Marinho), a visão da verdade como se estivesse dentro desta, e não fora, num ser de embebência do amador no amado, cujo nome não se profere por inefável. Ao saber das ciências apraz a certeza, ao da filosofia apraz a verdade, que é também caminho e vida.

(excerto)

Até final de Dezembro | Exposição "Biografias de Pascoaes"


Vídeos sobre a Lusofonia

domingo, 21 de dezembro de 2014

De Adriano Moreira, para a NOVA ÁGUIA 15



Finalmente, pensando na outra janela de liberdade que possuímos, que é a CPLP, imagino que na gestão da sua consistência, que deve ser cuidado nosso, por exemplo na área do ensino e da investigação, também pudesse ser incluída a ambição de uma frota com bandeira da CPLP, superando pela cooperação a falta de recursos financeiros, mas por enquanto guardando ainda o capital do saber fazer. Todos os países da CPLP são marítimos, todos são pobres, com a exceção crescente do Brasil, e a pertença à União Europeia não é impedimento português para assumir outras obrigações. Tendo presente que, nesta data, ao mesmo tempo que cresce a importância do tráfego marítimo, cresce a insegurança, incluindo o Atlântico Sul, a organização, segurança, e fortalecimento da maritimidade da CPLP, é um serviço à reorganização da ordem mundial. (excerto)

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA: JÁ COM MAIS DE 40 TÍTULOS


Para ver:

Novo Curso do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira


CICLO “CONVERSAS VADIAS” COM AGOSTINHO DA SILVA (2014-2015)

Para ler, clicar sobre a imagem

Mais recente título da Colecção NOVA ÁGUIA | De António Braz Teixeira: "A Teoria do Mito na Filosofia Luso-Brasileira Contemporânea"

21 Autores para a Filosofia Portuguesa do Século XXI



“21 Autores para a Filosofia Portuguesa do Século XXI”, in Letras ComVida: Literatura, Cultura e Arte, nº 4, 2º Semestre de 2011, pp. 18-66. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

"Há uma solução geopolítica para Portugal, sem vergonhas e sem preconceitos"

"O Diabo", 13.11.12

Edição revista e actualizada - para encomendar:
info@movimentolusofono.org
 

É mesmo verdade: 1 de Abril de 2015: III Congresso da Cidadania Lusófona

Para mais informações:


25 Março 2015 | A Obra e o Pensamento de Ariano Suassuna


De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 15

ANTÓNIO ALBERTO BANHA DE ANDRADE (1915-1982): UMA OBRA A FAVOR DA FILOSOFIA PORTUGUESA

António Alberto Banha de Andrade (Montemor-o-Novo, 1915 – Lx.ª, 1982) é o autor de uma obra de investigação e de interpretação da cultura portuguesa dos séculos XVI-XVIII, com tónica na história do pensamento filosófico e pedagógico, cujo conhecimento é de absoluta recorrência, sobretudo no que concerne às ideias da Renascença, da Segunda Escolástica e do Iluminismo, até ao autocrático consulado do Marquês de Pombal, em resumo, no que abarca toda a época do que designou por “Vernei e a Cultura do seu Tempo”. (excerto)

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Evocação de Almada Negreiros, para a NOVA ÁGUIA 15...


O Menino D’Olhos de Gigante

“Entram nesta história
o menino d’olhos de Gigante
as Meninas dos olhos do Menino d’olhos de Gigante
e o Gigante tão grande que só se vê o que fica mais perto de nós,
pois mais para diante já a vista não alcança.”

Entra nesta história um Almada feito criança a olhar o largo mundo com largos olhos que, sendo de Gigante, são seus. Há nesta história um Gigante de rapina a impedir a mundividência de Almada, uma mundividência clara de olhos de Menino que firma e inscreve. Uma inscrição no mundo feita fuga para a frente de um Gigante incansável e Almada a promover a identificação através da alteridade, alteridade perante o Gigante que, no seu frémito de rapina, devolve os olhos ao poeta, devolve ao poeta os seus olhos de Menino.
Recordemos Almada feito Gigante enquanto lanterna de Diógenes, feito lanterna de si mesmo. Recordemos o Menino a tomar nota dos ingleses são e fumam cachimbo. Em Almada não há o tédio da ausência de alteridade que faz de Sá Carneiro qualquer coisa de intermédio. Almada é Menino e nos meninos não há tédio, há jogo e intempérie. O poeta é Orfeu e como Orfeu calcorreia incansável o amplo mundo. Desce o Aqueronte, dispensa o timoneiro, vislumbra o Tártaro lá, na grande Mansão, Mansão que não o retém e devolve ao mundo daquela que cedo desponta, a aurora de róseos dedos.
Eurídice ficou para trás e o poeta enfrenta agora a dura condição de ser no mundo, de ser com os outros, de ser homem com olhos de Menino, olhos irrequietos que não resistem olhar para trás, à procura da Eurídice que lhe escapa, à procura do Gigante que o persegue de Lisboa à imensa ponte de São Gonçalo na lonjura.
As meninas dos olhos do Menino são clareiras abertas no ser, clareiras que permitem a Maternidade, clareiras que dão ao poeta um Nome de Guerra, que permitem que se reconheça enquanto ente em abertura ao ser – a existência desvelada em iniciação pela matemática que o artista esconde no seu derradeiro trabalho.
Começar marca a tautologia da desocultação do oculto, redução do ruído, desvelamento. Começar representa o percurso do ente que se reconhece ente, que se liberta das amarras da mera potência e descobre ser neste mundo imenso. Começar é a abertura que só os olhos de Gigante permitem. Entre as tangentes de Começar há um Menino de olhos de Gigante, que se desvela no mundo, com um Gigante de rapina no seu encalço.

Pedro Jacob Morais

Tema do 15º número da NOVA ÁGUIA (1º semestre de 2015)


- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” .

Para o 15º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Em 2015, exaltação de Sampaio Bruno, no Ateneu Comercial do Porto


Congresso "100 Orpheu" (Lisboa/São Paulo - 2015)

CONGRESSO INTERNACIONAL 100Orpheu