EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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domingo, 10 de junho de 2012

"OS HERÓIS" - reflexão de 10 de Junho, por António Abreu Freire


Os heróis do passado até servem para dar nomes às ruas, praças, avenidas e rotundas dos nossos dias, assim como a edifícios e escolas, barcos e aviões, restaurantes e hotéis, tascas e padarias, botecos e sapatarias, quiçá muita coisa mais. Quem se der ao trabalho de tentar saber o porquê dos muitos nomes que enfeitam a toponímia e o património edificado de um pais, adquire certamente uma invejosa erudição. Eu assisti um dia a uma turma de alunos passeando pelas ruas de um quarteirão da cidade de Amesterdão, próximo do Park Rembrandt, enquanto os professores lhes explicavam a história dos nomes daquelas ruas que eram: Balboa, Colombo, Vasco da Gama, Cabot, Vespucci, Cabral, Baffin, Bartolomeu Dias… A vocação marítima e comercial da maior cidade holandesa, assim como a sua vocação cosmopolita, está escrita nos nomes das ruas.
Um povo que não reconhece os seus heróis não merece o respeito de ninguém. A identidade de um povo passa pelos ícones nacionais que marcaram a sua história, possam eles até ser mitológicos ou criados pela imaginação dos poetas. Vasco da Gama faz parte da história de Portugal, ao mesmo título que Ulisses da de Lisboa e Viriato de Viseu. E o apóstolo São Tiago não combateu ao lado dos mais fracos na reconquista cristã da península? E o próprio Cristo não apareceu ao nosso primeiro rei na véspera de uma certa batalha de Ourique? E não fosse a Virgem Nossa Senhora, os portugueses teriam saído vencedores de Guaxenduba? E Santo António não apareceu a João Fernandes Vieira para lhe sugerir a melhor estratégia contra os hereges calvinistas em Pernambuco? Fatos reais e imaginários forjaram a identidade dos povos através da memória, da tradição popular, da poesia e da crença e pela toponímia eles continuam presentes no fastidioso cotidiano dos mortais.
Há no entanto heróis que foram esquecidos, como os há que nunca o foram senão nas lendas populares e tem ainda aqueles que foram afastados da glória merecida por razões de conveniência e por oportunismo. A história contada nem sempre faz justiça à verdade, aliás as verdades interessam apenas quando vão ao encontro das emoções colectivas, que são provisórias; todas elas têm data e prazo de validade. Na história de Portugal o grande herói é sem dúvida Vasco da Gama e o grande feito da nossa história foi aquele roteiro da Índia que ganhou ainda mais fama e dimensão depois de ter sido contado em verso por um poeta tão sublime quanto irrequieto, a tal ponto que se deixaram no esquecimento muitos outros exemplos de coragem e de sacrifício, porque não tiveram a dimensão nem a sedução das façanhas orientais. O grande poeta da nossa língua nunca pretendeu fazer a narrativa histórica dos feitos dos portugueses, mas sim escrever um poema épico, sedutor e emotivo, sem compromisso com a autenticidade. Quando Camões publicava Os Lusíadas, a grande epopeia da Índia já era coisa do passado e o império sonhado começava a ser demasiado cobiçado e invadido para continuar a satisfazer todos os desejos da grandeza desmedida de um povo pequeno; na realidade estava a desmoronar-se por falta de manutenção. Encontrado logo a seguir ao regresso da primeira viagem à Índia, o Brasil não mereceu mais do que duas rimas no grande poema da nossa vaidade. E todos os pioneiros que até então, ao longo de mais de 70 anos, tinham ajudado a construir a génese de uma das maiores nações do mundo, ficaram esquecidos. Também é verdade que não haveria ninguém em todo o reino para recompensar o poeta por enaltecer gentes e bichos do Brasil, que ficava a menos de meio caminho da Índia e onde ainda não haviam encontrado ouro nem prata nem pedras preciosas, nem pimenta nem especiarias que valessem grandes fortunas. Não tinha reis nem marajás com quem trocar presentes e firmar grandes negócios. Os selvagens eram mansos, viviam nus, não tinham cidades de pedra e cal nem exércitos organizados, não adoravam deuses ferozes, apenas tinha índias bonitas para afagar os desejos clandestinos dos forasteiros – e não havia pecado do lado de baixo do equador.
O Brasil era uma terra imensa e inculta, de pouca e humilde gente, que não inspirava os grandes poetas (aqueles príncipes da poesia… com seu estilo altaneiro, no verbo de Catulo da Paixão Cearense), um espaço que o povo apenas conhecia através dos versos dos bardos populares e que só interessava os inconformados que sonhavam com infinitos espaços de liberdade, com a tenacidade própria dos que acreditavam neles mesmos; a luta pela liberdade da razão não era naqueles tempos uma luta honrosa e os poetas de cordel, trovadores de sangue impuro, não partilhavam a mesa nem os saraus dos nobres. Os heróis do poema de Camões, decalcados sobre figuras reais, são personagens de faz-de-conta, eles são os lusitanos puros que nunca existiram, uma raça de gente que excluía do direito à glória todos os que não eram como eles, todos quantos estavam contaminados com sangue impuro, judeus, muçulmanos, negros, índios, que não pertenciam ao clã do peito ilustre lusitano. Sobravam poucos ou nenhuns. Depois de Camões os portugueses tiveram o mau hábito de contar a história à maneira do poeta, a tal ponto que o nosso bardo oficial da modernidade, Fernando Pessoa, ousou dizer que depois das naus da Índia os portugueses teriam ficado desempregados. Teve um grande momento de lucidez.
O império português do oriente, sonhado por Afonso de Albuquerque, durou pouco mais de meio século. Foram anos de feitos sublimes, mas que se apagaram, deixando na memória o sonho e o deslumbramento das ruínas. O Brasil esquecido por Camões tornou-se uma das maiores e mais promissoras nações do mundo, feita com gente de todas as raças, de todos os sangues, de todas as cores, de todas as paixões – uma poderosa e barroca impureza que não tem igual em todo o planeta. A língua portuguesa, a mesma do poeta, assenta hoje o seu futuro e a sua força na vitalidade deste novo mundo cheio de promessas, uma língua que assimila sem remorsos os fonemas de todas as latitudes. O Brasil, com a sua criatividade imparável, arrasta com ele todos os demais países de língua portuguesa para a concretização do sonho já não de um poeta, mas de um profeta da língua e da virtude – uma feira universal onde se encontram todos os homens de todas as raças, o Quinto Império do grande Vieira, o maior génio da nossa identidade, um mestiço impuro e emigrante.
Foi na primeira metade do século XVII, quando o sonho da Índia já se tinha desfeito, que se consolidou no Brasil a influência da cultura e da língua portuguesa, no nordeste e norte do território, quando se formaram as bases da nação brasileira. Foi obra dos heróis da restauração de Pernambuco, dos do Ceará, do Maranhão, dos da delimitação da Amazónia: os índios de Filipe Camarão, os negros de Henrique Dias, mestiços e cafusos, os soldados açorianos, os missionários, os bandeirantes, os casais de colonos, os degredados, comandados por gente diferente, pelo mameluco André Vidal de Negreiros, pelo mulato João Fernandes Vieira, mais os reinóis que dedicaram vidas inteiras à causa da nação que adotaram como sua: os nobres Albuquerques e Barretos, os valentes Alexandre Moura, Pedro Teixeira, Martim Soares Moreno, Maciel Parente... Estes heróis ainda não tiveram o reconhecimento que merecem na história luso-brasileira. Estamos em dívida para com eles. Um povo que não reconhece os seus heróis não merece o respeito de ninguém.

sábado, 26 de junho de 2010

O Futuro da Cultura Luso-Brasileira

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Caros Amigos,
No meu blogue, em www.antonioabreufreire.bloguepessoal.com vai o texto sobre O Futuro da Cultura Luso-Brasileira, pelos 70 anos do texto com o mesmo título de Gilberto Freyre, apresentado no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco em 1940. Tema originalmente apresentado em São Paulo, na Casa de Portugal, em Dezembro de 2009.
Os Vossos comentários serão preciosos.
A de Abreu Freire