A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A IDEIA DE PÁTRIA EM ANTÓNIO TELMO


É próprio da condição humana perseguir o universal, mas nem todos o perseguem da mesma maneira. Uns há que seguem o caminho mais óbvio – em nome do universal, negam tudo o que lhes parece circunstanciado, assim renegando o espaço e o tempo, a história, a cultura, os povos, as próprias Pátrias. Outros, ao invés, encontram nestas a via aberta da universalidade.

O caminho mais óbvio nem sempre é o mais verdadeiro e, filosoficamente, pode-se até arriscar dizer-se: “Quanto mais óbvio, menos verdadeiro”. Nem sempre é, provavelmente, verdade. Mas é decerto mais verdadeiro do que o princípio oposto, que reduz a verdade ao óbvio. Por isso, arriscamos dizer: errados estão aqueles que, em nome do universal, negam tudo o que lhes parece circunstanciado, assim renegando o espaço e o tempo, a história, a cultura, os povos, as próprias Pátrias. Por isso, dizemos ainda: mais certos estão aqueles que encontram nestas a via aberta da universalidade.

(excerto)

Para o Rodrigo, no dia do seu aniversário.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Até quando, Portugal?

Começou hoje, oficialmente, a campanha eleitoral para as eleições presidenciais mas já se percebeu que não se vai discutir nada de realmente importante.

Enquanto na imprensa estrangeira se dá como certa a vinda do FMI – prova dos nove do falhanço estrutural de Portugal – os candidatos divertem-se em tornos das questões de carácter. Já se sabe: quando não há real diferença nas ideias, restam as questões de carácter…

É verdade que Fernando Nobre não tem ido por esse caminho: recusa-se a discutir questões de carácter, persiste em apresentar as suas ideias. Mas ainda pouca gente parece ouvi-lo. Até quando, Portugal?

Publicado em:

http://mil-hafre.blogspot.com/2011/01/ate-quando-portugal.html

terça-feira, 16 de novembro de 2010

“Da mentalidade colonialista”

A mentalidade colonialista aparece onde, para muitos, menos se espera – e não, na maior parte dos casos, naqueles em que era mais suposto aparecer. Vem isto a propósito da inusitada reacção de alguns dos nossos governantes – e até do actual Presidente da República – à generosa oferta timorense de comprar dívida pública portuguesa. Uns dias depois do nosso Primeiro-Ministro ter definido “a Lusofonia como prioridade absoluta”, eis que o seu Governo, em “cooperação estratégica” com o actual Presidente da República, dá uma vez mais mostras de miopia, mais do que isso, é caso para dizê-lo, de mentalidade colonialista.

Não é difícil adivinhar o “raciocínio” de tão brilhantes cabeças: “Nós, aceitarmos ajuda de um país como Timor-Leste?!”. Como lapidarmente disse o actual Presidente da República: “Nós não estamos de mão estendida”.

Obviamente, os mesmos não tiverem qualquer pejo em fazer todas as vénias ao Presidente chinês quando este insinuou fazer o mesmo: comprar dívida pública portuguesa. Nesse caso, presume-se, a ajuda não seria “desonrosa”, pois que viria da maior potência económica emergente. Mesmo que, para tal, tivéssemos que varrer para debaixo do tapete todos os atentados aos direitos humanos que continuam a ocorrer na China – e não só no Tibete (este é apenas o caso mais mediático). Agora aceitar a “ajuda” de Timor-Leste, isso já seria, subentende-se, “desonroso”.

Ora, nem se trata propriamente de uma “ajuda”. Timor-Leste, dadas as receitas do petróleo, tem fundos de capitalização que aplica em vários mercados. A intenção de aplicar parte deles na compra da dívida pública portuguesa decorre apenas dessa visão estratégica que, pelos vistos, os governantes timorenses têm e os governantes portugueses teimam em não ter. Numa altura em que Portugal precisa de aliviar o peso dessa dívida pública, nada de mais natural que os nossos países mais próximos – histórica e culturalmente –, que têm alguma disponibilidade financeira, dêem esse passo em frente. Portugal já o fez no passado. Poderá e deverá voltar a fazê-lo no futuro. Entretanto, por exemplo, deveria tentar suprir algumas carências não só de Timor como de outros países lusófonos – nomeadamente, a ausência de profissionais qualificados. Há tanta gente em Portugal desempregada e sem perspectivas de emprego…

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http://mil-hafre.blogspot.com/2010/11/da-mentalidade-colonialista.html

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

“Da Lusofonia como prioridade”

Parece ser uma sina dos nossos governantes: só quando estão prestes a sair é que, finalmente, dão mostras de alguma lucidez. O actual Primeiro-Ministro, José Sócrates, é apenas o último exemplo disso. Com toda a gente a apontar-lhe a porta de saída, descobriu agora que “a lusofonia deve ser a prioridade absoluta da política externa portuguesa".

Pelos vistos, foi preciso a Chanceler alemã, Angela Merkel, ter deixado claro que a União Europeia é apenas uma associação de interesses económicos – grande surpresa! – para o Primeiro-Ministro português perceber que as alianças estratégicas devem fundar-se em muito mais do que meros interesses económicos, antes em elos histórico-culturais, pois que são estes que, quando os ventos da economia não sopram de feição, garantem a solidez das alianças estratégicas…

Publicado em:
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Cavaco Silva: nada a não ser avisos…



Cavaco é decerto uma pessoa estimável e, se a Presidência da República fosse uma espécie de “prémio de carreira”, ele seria das pessoas que mereceria mais esse prémio – pela sua dedicação à causa pública, independentemente de todos os erros que cometeu como Primeiro-Ministro.

Simplesmente, a Presidência da República não é, ou não deve ser, vista como um “prémio de carreira”, como de facto tem sido vista. Para mais, numa altura como esta, de profunda crise do país, em que se exige, mais do que nunca, acção e determinação.

A esse respeito, o mandato de Cavaco Silva não pode senão ser visto com profunda decepção. Tal como Jorge Sampaio – outra pessoa decerto estimável –, que assistiu impotente ao descalabro do Governo de António Guterres, também Cavaco Silva nada fez para evitar o descalabro ainda maior do Governo de José Sócrates, que tudo parece fazer para entregar de novo o país ao FMI (Fundo Monetário Internacional).

É certo que foi dando avisos disso – falando de uma situação “explosiva” e “insustentável”. Mas de um Presidente espera-se certamente muito mais do que avisos. Espera-se acção e determinação. Se ele, de facto, sabia que o país caminhava para uma situação “explosiva” e “insustentável”, deveria, em tempo útil, ter demitido este Governo e, caso não houve outra alternativa, assumir o ónus de um Governo de iniciativa presidencial.

Mas não. Cavaco Silva, escudando-se numa interpretação minimalista dos poderes presidenciais, nada fez, tendo-se limitado a assistir.

Hoje, no anúncio da sua recandidatura, disse que os portugueses “sabiam o que podiam esperar dele”. Isso é verdade. Cinco anos depois, sabemos que não podemos esperar nada. A não ser avisos...

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/10/cavaco-silva-nada-nao-ser-avisos.html

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O projecto que urge…

"Há uma ausência de pro­jecto. Portugal está de mãos a abanar por detrás das costas sem saber o que é que há-de fazer, embora precise haver em Portugal um projecto" (Agostinho da Silva)

De facto, há uma ausência de projecto. Não é de agora, mas nota-se cada vez mais. E, quanto mais se nota, cada vez mais urge: sem projecto, Portugal está destinado a afundar-se, ou, na melhor das hipóteses, a ir sobrevivendo, “de mãos a abanar por detrás das costas”. Sobretudo por isso, são estas eleições presidenciais tão importantes. Portugal tem que se reencontrar: reconciliando-se com o seu passado, pensando-se no seu presente e, sobretudo, projectando-se no seu futuro…

É cada vez mais notório que o Doutor Fernando Nobre é o candidato presidencial que melhor poderá cumprir essa hercúlea tarefa. Em primeiro lugar, porque tem, como muito poucos, um conhecimento profundo da nossa História – daí a sua ênfase na dimensão estratégica da Lusofonia enquanto espaço natural de projecção de Portugal no mundo. Em segundo lugar, porque, ao contrário dos outros candidatos, não está refém de alinhamentos partidários ou de sectarismos ideológicos, podendo pois, nessa medida, mobilizar todos os portugueses, sem excepção, para essa projecto que cada vez mais urge…

A cada dia que passa, é cada vez mais notório que o projecto do candidato Manuel Alegre é, sobretudo, partidário: aproximar, senão fundir, o Partido Socialista com o Bloco de Esquerda, assim cumprindo o seu sonho de uma esquerda unida. A cada dia que passa, é também cada vez mais notório que o Professor Cavaco Silva será empurrado para uma recandidatura como garantia de sobrevivência do Partido Social Democrata e do CDS-Partido Popular. Estes projectos são, decerto, legítimos – e, no estrito plano partidário, até podem fazer algum sentido. Mas não são, longe disso, o projecto de que Portugal precisa. O projecto que urge…

Publicado no MILhafre: o Blogue do MIL, o Fórum da Lusofonia
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/09/o-projecto-que-urge.html

domingo, 5 de setembro de 2010

Dos partidos: renovação por dentro ou por fora?

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Foi mais um Debate na Sede da Candidatura Presidencial do Doutor Fernando Nobre. Desta vez, sobre participação política, mais particularmente, partidária – os dois oradores, João Nogueira e Filipe Barroso, defenderam a importância de todos nós aderirmos a partidos, de modo a que este se renovem e, dessa forma, contribuam de forma mais positiva para a vitalidade do nosso sistema democrático.
No debate, particularmente animado, que se seguiu, expressaram-se algumas reservas a este repto. Se, por um lado, todos reconhecemos o quão importante são os partidos para a democracia, por outro, a sensação dominante no debate foi de cepticismo quanto à sua renovação. Há muitos bloqueios no nosso sistema partidário – que dificultam inclusive, se é que não impedem, a emergência de novos partidos (deu-se o exemplo do Movimento Mérito e Sociedade e do Movimento Esperança Portugal, dois novos partidos que não conseguiram singrar). O caminho para essa necessária renovação parece vir mais, paradoxalmente, por fora – é isso que tem acontecido, pelo menos, a nível autárquico, onde a constituição de listas independentes tem tido um efeito positivo nas listas partidárias, promovendo, dada a “concorrência”, uma maior renovação. Quem sabe se a possibilidade de listas independentes para a Assembleia da República, defendida por cada vez mais gente, não teria o mesmo efeito, ainda a uma escala maior?
Por outro lado, a participação em partidos não tem que ser a única opção para uma efectiva participação cívica e política – como foi, por várias vezes, reiterado. Há na sociedade civil diversos movimentos (o exemplo do MIL: Movimento Internacional Lusófono foi expressamente referido por um dos oradores) que podem cumprir, pelo menos em parte, esse desiderato. E, obviamente, a candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre é, nos dias de hoje, o melhor exemplo de uma efectiva participação cívica e política no plano supra-partidário. Ficou até a esperança de que esta candidatura presidencial tenha também esse mérito: de, pelo seu exemplo inspirador, promover a tão necessária renovação partidária. Quanto a essa necessidade, parece ter havido consenso…

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domingo, 29 de agosto de 2010

Por uma “Justiça célere e equitativa”

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Foi o segundo debate sobre os desígnios nacionais da candidatura presidencial de Fernando Nobre. O primeiro, em prol de uma “Lusofonia global e dinâmica”, realizou-se em Julho – ontem, debateu-se em prol de uma “Justiça célere e equitativa”.

Para uma candidatura que promove tão abertamente o valor da cidadania, este é, decerto, um desígnio fundamental. Não sendo condição suficiente, a existência de uma “Justiça célere e equitativa” é, certamente, condição necessária para uma efectiva cidadania.

Começou-se pelo diagnóstico, tão óbvio quanto verdadeiro: não temos, infelizmente, uma Justiça célere e equitativa. A única dúvida está em saber em que plano a Justiça está pior: se no plano da celeridade se no da equidade. Em qualquer caso, porém, isso mina a Justiça que (não) temos. Se uma Justiça não célere acaba por ser uma Justiça injusta, o mesmo acontece, de forma ainda mais óbvia, quando não há equidade no acesso à Justiça. Isso é algo que, de resto, mina a própria cidadania, dado que, ao não haver equidade no acesso à Justiça, se cria a sensação – mais do que a sensação, a realidade – de haver várias classes de cidadãos: os de primeira e os de segunda, os “filhos” e os “enteados”, etc.

Decerto, como foi também reconhecido, não é ao Presidente da República que cabe, por si só, dar a volta à situação. Mas a sua influência pode ser fundamental. A sua influência e o seu exemplo. Daí, também, a força desta candidatura. Só um Presidente supra-partidário pode ser realmente isento. Só um Presidente realmente isento terá a autoridade suficiente para exigir equidade na Justiça…

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Do sectarismo ideológico

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Segundo o que se pode hoje ler nos jornais, a ala mais esquerdista do Bloco de Esquerda denuncia o apoio deste ao candidato Manuel Alegre, dada a sua “demagogia nacionalista” (?), “nostalgia colonial” (??) e “exaltação da disciplina militar” (???), aproveitando ainda para zurzir no Doutor Fernando Nobre, qualificado como um “imitador de Alegre” (???!!!).
Nada de espantar. O sectarismo ideológico dá sempre nisto: numa projecção dos fantasmas interiores. Lêem-se muitas barbaridades nos jornais…

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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

“Mais parte do problema do que da solução”

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“A dicotomia esquerda/ direita para mim já está ultrapassada nos tempos contemporâneos. Essa dicotomia, aliás, é hoje mais parte do problema do que da solução. A minha candidatura vai ultrapassar transversalmente todos os quadrantes da vida política nacional. Vou ter eleitores do CDS ao Bloco de Esquerda. Não estou aqui para dividir, mas para unir todos os portugueses, e a minha candidatura é a única de verdadeira mudança. É a candidatura da cidadania, que tem sido o meu pilar há mais de 30 anos. Eu não evoco a cidadania por um mero objectivo conjuntural” (Fernando Nobre).

Há declarações que roçam a perfeição, se é que não a atingem. Num discurso oral, esta é particularmente difícil de atingir, mas, por vezes, consegue-se em cheio. Foi isso que senti quando li esta declaração do Doutor Fernando Nobre numa entrevista publicada este fim-de-semana num jornal (“Público”, 21.08.2010).

Com efeito, nesta declaração, expressa a meio da entrevista, enuncia-se a razão maior desta candidatura, mais do que isso, a sua irredutível diferença face às demais. Esta é, efectivamente, uma candidatura da cidadania, uma candidatura supra-partidária, ou seja, uma candidatura que está para além dos alinhamentos partidários, mais do que isso, dos sectarismos ideológicos, e que, por isso mesmo, “ultrapassa transversalmente todos os quadrantes da vida política nacional”.

Alguns consideram esta visão algo ingénua, quando, ao contrário, o que ela denota é lucidez. O mundo contemporâneo, na sua poliédrica complexidade, deixou de ser apreensível pelas narrativas globalizantes de outrora. Não significa isto que não continuem a existir perspectivas mais de “esquerda” ou de “direita”, se quisermos insistir nessa terminologia. Simplesmente, essa é uma grelha demasiado redutora, porque dicotómica, para sustentar uma visão que esteja à altura dessa poliédrica complexidade do mundo contemporâneo – nessa medida, essa dicotomia é hoje, de facto, “mais parte do problema do que da solução”.

A reafirmação dessa visão afastará, provavelmente, algumas pessoas mais reféns do seu próprio sectarismo ideológico – daí também a indisfarçável aversão por esta candidatura daqueles que, nos partidos e nos “media”, fazem desse sectarismo ideológico a trave-mestra de todos os seus discursos. Mas, em compensação, atrairá muitas mais. Aquelas – muitas, cada vez mais – que já perceberam que não é com as receitas do passado que se cumprirá o caminho do futuro…

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terça-feira, 17 de agosto de 2010

Dos incêndios: para além do fumo.



Há questões que implicam as mais diversas políticas, os mais diversos desígnios – nomeadamente, alguns dos desígnios nacionais da candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre. Uma dessas questões, como foi também salientado no último debate, é a dos incêndios – questão, infelizmente, muito pertinente, dado o que se tem passado em Portugal nas últimas semanas…
Com efeito, para além das altas temperaturas, estas vagas de incêndios têm razões bem mais profundas – a saber: uma má política no ordenamento do território; uma má política de solos e florestação; uma má política de gestão dos recursos hídricos; e uma má política na gestão de recursos humanos…
Uma palavra final de louvor aos bombeiros que, com o seu esforço heróico, vão disfarçando todas estas graves deficiências na gestão do país.

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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Do Poder e da Responsabilidade

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Ainda no debate que decorreu na Sede Nacional da Candidatura Presidencial de Fernando Nobre, em torno dos Desígnios Nacionais desta Candidatura, alguém se questionou sobre a importância desta eleição, invocando o cada vez menor poder dos Estados Nacionais no âmbito da União Europeia…
Nada de mais certo, nada de mais errado. Não obstante a deriva federalista da União Europeia nalguns aspectos, os Estados Nacionais continuam a ter muito poder. E se, muitas vezes, Portugal não consegue defender suficientemente os seus interesses, isso deriva, tão-só, da inépcia do nosso Governo. Que, por sua vez, para iludir essa inépcia perante nós, se desculpa depois com a União Europeia…
O mesmo se passa com o Presidente da República. Também este tem mais poder do que por vezes alega. Mas, obviamente, é mais cómodo dizer que a responsabilidade é toda do Governo…
Chegou a hora de todos assumirem mais as suas responsabilidades.

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domingo, 15 de agosto de 2010

Para Recomeçar Portugal

“Todas as palavras sobre a salvação do mundo já foram ditas… agora resta salvá-lo!”
(Almada Negreiros)



Foi um debate muito animado, o de ontem, na Sede Nacional da Candidatura Presidencial de Fernando Nobre, em torno dos Desígnios Nacionais desta Candidatura. A partir de uma tão sucinta quanto esclarecedora apresentação do Manuel Gaspar, todos eles foram devidamente referidos e discutidos.

Ainda que, como a certa altura se defendeu, não seja essa a grande mais valia desta Candidatura. Com efeito, com maior ou menor ênfase, todos os candidatos – pelos menos, os principais – estão, decerto, de acordo com uma maior “coesão e paz social”, com uma Educação com maior “rigor e excelência”, com uma justiça “mais célere e equitativa”, com uma melhor “exploração dos nossos recursos marítimos”, com uma maior aposta na pesca e na agricultura, com um melhor aproveitamento dos nossos “recursos naturais”, com uma maior “Dignificação de Portugal”, com um melhor “ordenamento do território”, com o “fortalecimento da Democracia”, com um melhor controle das “contas públicas”, com uma economia que respeite mais a cidadania, com uma “saúde com mais equidade e acessibilidade”, com uma mais ambiciosa “política familiar e demográfica”, com uma mais criteriosa “política da água”, com um turismo de mais “qualidade”, com uma mais rigorosa “política de solos e ambiente” e com uma cultura mais “acessível a todos”. Mesmo o desígnio nacional em prol da “Lusofonia Global e Dinâmica” – um dos traços mais distintivos desta candidatura – não é decerto renegado por inteiro pelos outros principais candidatos, ainda que não lhe reconheçam a mesma importância nem, por isso, lhe dêem a mesma ênfase.

A grande mais valia desta Candidatura, como eu próprio tive a oportunidade de salientar, é o perfil pessoal do Doutor Fernando Nobre. Pelo seu percurso de vida e pela sua condição supra-partidária, é ele, de facto, o candidato que dá mais garantias de isenção relativamente aos vários partidos, podendo pois, por isso, agir apenas na defesa, intransigente, do bem-comum. Sem concessões de qualquer espécie.

Iremos agora entrar numa fase em que os diversos programas serão lidos à lupa. Parafraseando, porém, Almada Negreiros, “todas as palavras sobre a salvação de Portugal já foram ditas… agora resta salvá-lo!”. É cada vez mais óbvio, aos olhos de todos – pelo menos, aos olhos mais isentos, o mesmo é dizer, mais supra-partidários – que o Doutor Fernando Nobre é, dos vários candidatos, o único que poderá cumprir – decerto, com a ajuda de todos nós – a hercúlea tarefa de “Recomeçar Portugal”. Chegou a hora de agir…

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Não podemos ficar indiferentes ao apelo da Guiné-Bissau!

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Só teremos uma “Lusofonia Global e Dinâmica”, como pretende o Doutor Fernando Nobre, quando o Espaço Lusófono for um Espaço de Paz, Justiça e Prosperidade. Como é sabido, isso ainda está muito longe de acontecer. Neste momento, o caso mais grave vive-se na Guiné-Bissau. Neste país lusófono, por múltiplas razões – em particular, pelo facto da Guiné-Bissau se ter tornado um local de eleição para o tráfico internacional de droga –, não têm havido condições mínimas de segurança. Daí os múltiplos assassinatos que têm ocorrido – inclusive de Personalidades de Estado…
A situação tem-se agravado de tal modo que as próprias Autoridades da Guiné-Bissau, a começar pelo seu Presidente da República, Malam Bacai Sanhá, apelaram à constituição de uma Força Internacional de Manutenção de Paz. As Autoridades dos restantes Países Lusófonos, parceiros da Guiné-Bissau na CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, não podem ficar indiferentes a este apelo. Para bem da população-irmã guineense, para a própria preservação da independência da Guiné-Bissau, essa Força de Manutenção de Paz deverá ser, tanto quanto for possível, uma Força Lusófona. Escusado será explicar porquê, por ser por demais óbvio: como aconteceu em Timor-Leste no passado recente, uma Força Lusófona de Manutenção de Paz garante, à partida, uma melhor relação com a população local…

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Escola e Violência

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“Portugal é uma questão que diz respeito a todos os portugueses: ninguém se pode eximir desse dever de cidadania indeclinável” (Fernando Nobre)

É um lugar-comum, não nem por isso deixa de ser verdadeiro: a escola é o espelho da sociedade. Por isso, as recentes notícias que referem o aumento da violência nas escolas não nos devem surpreender: são um reflexo do aumento da fragmentação social que se vive. E que não tem apenas contornos económicos – desemprego, precariedade profissional, etc. –, mas também, senão sobretudo, culturais. Não havendo referências culturais comuns, como cada vez menos há, não há comunidade que resista…
A Escola, em particular a escola pública, deveria ter, a esse respeito, um papel fundamental – mas, como é sabido, cada vez menos o tem. Mesmo no seu papel meramente instrutivo tem vindo a falhar cada vez mais – e não é por culpa dos professores. Cada vez mais, a Escola, em particular a escola pública, serve apenas para “ocupar os jovens”, havendo mesmo casos em que estes apenas vão à escola para terem uma refeição decente. Ou até para se refugiarem da violência ainda maior que vivem cá fora…
O resto são estatísticas. Areia para os olhos. Só não vê quem não quer…

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Democracia e Estado de Direito

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"É urgente reformarmos a nossa justiça como pilar essencial de uma democracia transparente e para que tenhamos um sistema eficaz no qual os portugueses acreditem e confiem" (Fernando Nobre)

Nem todas as Democracias são Estados de Direito. Portugal, sendo decerto uma Democracia, em muitos aspectos está ainda longe de ser um verdadeiro Estado de Direito. Um desses aspectos, porventura o maior, é o da Justiça. Para o atestar, nem sequer é preciso referir os mil e um escândalos que, semana após a semana, são manchetes nos nossos jornais. Basta a nossa vivência quotidiana de cidadão comum para constarmos que muitas leis não são respeitadas – nalguns casos, de forma ostensiva – e que, quando chega (nos casos em que chega) a hora da punição, há cidadãos que são, de facto, mais iguais do que os outros perante a Lei. Mais: em Portugal, há zonas – na Grande Lisboa, por exemplo – que estão em grande medida, para não dizer por inteiro, fora da alçada do Estado. Guetos que, por impotência, para não dizer por conveniência, o próprio Estado tolera, para não dizer que promove…

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quarta-feira, 4 de agosto de 2010

AGOSTINHO DA SILVA: PARA ALÉM DA ESQUERDA E DA DIREITA, UMA VISÃO DE FUTURO

A direita me considera como da esquerda; esta como sendo eu inclinado à direita; o centro me tem por inexistente. Devo estar certo.

Agostinho da Silva, Cortina 1 [inédito]


Se há alguém que, no século XX português, transcendeu a fronteira entre “esquerda” e “direita”, esse alguém foi, mais do que qualquer outro, Agostinho da Silva. Decerto, não foi o único. Muito longe disso. Poderia apontar o exemplo de (quase) todos os outros grandes filósofos portugueses, dado de que todas as mentes minimamente complexas – como são, em geral, as dos filósofos – nunca encaixam nessas etiquetas de “esquerda” e de “direita”.

Só, ao invés, as mentes mais simples, mais incipientes, são apenas de “direita” ou de “esquerda”. As mentes mais simples e aquelas mais complexas que, por razões nalguns casos intangíveis, sucumbem ao complexo de parecerem apenas de “esquerda” ou de “direita”. Poderia dar aqui também, decerto, múltiplos exemplos – de um lado e do outro. Mas é um facto que dada a hegemonia cultural da “esquerda”, ou do que se convencionou chamar de “esquerda”, no século passado – em particular, na segunda metade, – há bastantes mais exemplos de “complexados de esquerda”. Noutros tempos terá acontecido o inverso – a História, como se sabe, tem uma estrutura pendular.

Qualquer pessoa, minimamente isenta, pode atestá-lo: há pessoas que, com o horror de assumir posições identificáveis como de “direita”, assumem, nalguns casos de forma particularmente hilariante, posições mais identificáveis como de “esquerda”, não se coibindo até de denunciar publicamente como de “direita” algumas posições de outros, algumas posições de outros que eles, em privado, reconhecem ser também as suas. Eu, pelo menos, conheço algumas pessoas assim. Só não me peçam para dar exemplos.

Em Agostinho da Silva, pelo contrário, o que encontramos é uma completa ausência de complexos nesse campo. E por isso podemos vê-lo assumir, por vezes em imediata sequência, posições tidas como mais “esquerda” e de “direita”. E isto, saliente-se, sem qualquer incoerência. Agostinho da Silva foi decerto um filósofo paradoxal – fazendo, nalguns casos, gala disso –, mas não foi, de todo, um filósofo incoerente. O que aqui procuraremos será, precisamente, dar exemplos disso.

(excerto)