Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Dois patriotismos
terça-feira, 15 de junho de 2010
Fernando Nobre: do patriotismo
Bom saber que o Doutor Fernando Nobre não se verga ao politicamente correcto – que fez do patriotismo um dos seus mais dilectos alvos –, e que não é daqueles patriotas de sofá: que apenas o são quando joga a selecção. Como hoje, muitos o foram, durante os noventa minutos do primeiro jogo de Portugal no Mundial de Futebol...
Como se o patriotismo estivesse em abanar cachecóis ou em soprar vuvuzelas. E não, desde logo, no respeito pela nossa História e pela nossa Cultura. E não, sobretudo, no serviço à Comunidade. Mas, é claro, dá menos trabalho ser patriota durante os jogos de futebol do que em todo o resto do tempo…
P.S.: Já agora, e pela amostra de hoje, chamar “navegadores” a estes jogadores que estão na África do Sul é uma piada de muito mau gosto…
In MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/06/fernando-nobre-do-patriotismo.html
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Do patriotismo como hábito de preferir o habitual ao estranho

"Sob análise estética verificamos que o habitual é vivenciado como "bonito". esta é a base do patriotismo: a pátria é mais bonita que qualquer outra situação, precisamente porque a sua estrutura fundante passa despercebida. Toda a irrupção que destrua o hábito, toda a "novidade radical", é vivenciada como "feia", horrível. Esta é a base da xenofobia: o estranho é horrível e deve resistir-se a ele"
- Vilém Flusser, in "Da migração dos povos", inédito publicado em Cultura ENTRE Culturas, nº1.
Colóquio Internacional "Do Diabólico ao Simbólico: a filosofia de Vilém Flusser", Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 3 e 4 de Maio.
Um singular pensador checo, que escreveu algumas das suas obras maiores em português do Brasil. Consultem o programa e excertos no blog. A revista Cultura ENTRE Culturas publica um inédito seu e vai ser de novo apresentada no final do Colóquio, no dia 4, pelas 17.30.
vilem-flusser.blogspot.com
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Para o Manuel Alegre

Volta e meia, lá vem o disparo do costume. Esta semana, nas páginas do jornal “Público”, eras de novo acusado de “patrioteiro”, apenas porque insistes em falar de “Pátria”. Nada de espantar. Para os palermas pós-modernos da nossa praça, falar de “Pátria” continua a ser um pecado mortal. Quando alguém o faz, sacam logo da pistola. Bem sei o que isso é…
Agora vê lá se incluis algum deles na tua comissão de candidatura à Presidência da República. Já consigo ouvir os conselhos que te darão: “Senhor Doutor, para ser um candidato moderno, bem de ‘esquerda’, tem, em absoluto, que deixar de falar de Pátria. E, já agora, de caçar…”.
Como se esse fosse, de facto, o teu calcanhar de Aquiles. Este, muito ao contrário, está na forma dúbia como te tens posicionado, em geral, em relação ao Partido Socialista e, em particular, em relação a este Governo…
Mas sobre isso, obviamente, não há disparos de monta. Só os tirinhos da praxe, para disfarçar…
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
"O sentimento de Pátria foi o elo da nossa coesão nacional; enquanto esse sentimento se propagou, fomos fortes e grandes"
“Os portugueses, desde o princípio do século XV até à colonização do Brasil, a mais vasta e mais perfeita colónia de todas as nações da Europa, derramaram-se pelo mundo, mas não se enfraqueceram. É a começar no século XV que se manifesta o sentimento de uma Pátria portuguesa, essa união afectiva dos espíritos através das distâncias, e que tendo por objectivo o território onde se passaram os anos felizes da vida da família, se torna o mais poderoso incentivo da actividade individual heróica e altruísta. O sentimento de Pátria foi o elo da nossa coesão nacional; enquanto esse sentimento se propagou, fomos fortes e grandes. Os homens de Plutarco não excedem os navegadores e guerreiros portugueses; devemos a esse sentimento as mais belas manifestações da Arte e da Literatura com que entrámos a uma altura digna no grande certame estético, científico e filosófico da Renascença. Somente quando esse sentimento de Pátria foi atrofiado pelo regímen intelectual e moral da educação jesuítica, é que Portugal caiu na incorporação da unidade castelhana sob o julgo da Casa de Áustria, e a nobreza se vendeu a Filipe II no intuito de dar força ao poderoso sustentáculo da unidade católica.”Teófilo Braga, in A Pátria Portuguesa, Lello & Irmão, 1894
Publicado em:
http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/01/ao-redor-do-31-de-janeiro-2.html
domingo, 30 de agosto de 2009
O patriotismo visto por um jovem punk lusófono
"O Patriotismo ou mesmo o nacionalismo são sentimentos legítimos de irmandade com sua cultura, seu povo, seu território e símbolos que coesionam tudo isso. Um socialista, por mais internacionalista que seja, não pode deixar de se irmanar com o contexto que é a realidade objectiva que o cerca, a de que nasceu num país com características diversas próprias. Num contexto de ameaça e de intervenção imperialista como o que vivemos no mundo, desde o Neocolonialismo pra cá, a necessidade do patriotismo se faz necessária como antídoto à invasão e à ingerência de interesses externos a uma nação...Excerto de entrevista efectuada por mim a Camilo Maia, vocalista dos Subversivos.
sábado, 25 de abril de 2009
Amanhã 26 de Abril, canonização de D.Nuno Álvares Pereira
Autoria de: João J. Brandão Ferreira
Ten.Cor.PilAv
Com de Linha Aérea
Frei Nuno recebeu o embaixador de Castela, em sua cela, amortalhado no hábito.
-“ Nunca mais despireis essa mortalha?” perguntou-lhe o castelhano.
-“ Só se el-rei de Castela outra vez movesse guerra a Portugal...” E erguendo-se:
-“ Em tal caso enquanto não estiver sepultado, servirei ao mesmo tempo a religião que professo e a terra que me deu o ser ”. Por baixo do escapulário tinha o arnez vestido. O castelhano curvando a cabeça, saiu.
Finalmente, ao fim de uma espera de séculos, a canonização do Beato Nuno de Santa Maria está marcada: será no dia 26 de Abril e terá como companheiros quatro cidadãos da península Itálica.
Este reconhecimento da Igreja deve ser considerado com grande júbilo pela nação dos portugueses. As comemorações devem ter realce idêntico. Não vai ser fácil, todavia, que tal venha a acontecer, mas já lá iremos.
De facto a figura e a acção do Condestável é absolutamente singular na História de Portugal e, a ele, mais do que a qualquer outro, devem os portugueses o facto de continuarem a ser livres e independentes.
Não vamos percorrer a vida do grande vencedor de Aljubarrota – fasto luminoso das nossas glórias militares – nem os seus actos do dia a dia, que são referencias incontornáveis de moralidade pública, virtudes humanas e devoção cristã, que balizaram a vida do herói e santo, mas tão só afirmar dois notabilíssimos factos: ser Nuno Álvares o nosso único chefe militar que nunca perdeu uma batalha ou um simples combate (e pelejou muito!); e sendo já numa altura madura do seu peregrinar pela terra, um dos homens mais ricos do Reino – senão o mais rico – se ter despojado de tudo, distribuindo os seus bens pelos familiares, amigos, companheiros de armas e ordens religiosas. Queria apenas passar a viver de esmolas e foi preciso uma ordem real para impedir que tal viesse a suceder.
Não existe outro exemplo em toda a gesta nacional, desde que Afonso Henriques individualizou o Condado Portucalense, que se lhe possa igualar. Como, possivelmente, não haverá no mundo inteiro.
È, pois, diante desta figura gigantesca de carácter, competência, humildade e Fé, que os portugueses se devem curvar e em cujo exemplo deveriam meditar.
Ora os portugueses deste início do século XXI desconhecem e ignoram, na sua maioria, – com os poderes públicos à cabeça – o ganhador dos Atoleiros, de Trancoso e Valverde, o grande comandante que nunca vacilou nos transes mais dolorosos e incertos.
É este, então, o momento ideal para arrepiarmos caminho e dar graças à Providencia Divina pelo facto do Santo Condestável ser um dos nossos e lembrarmos aos nossos filhos e netos que nunca o deverão esquecer. Porém, não se pode amar o que se desconhece.
Numa época em que os nossos brios patrióticos tão necessitados estão de alimento que os retirem da soturna decadência em que sucessivas opções de estouvado e ignaro mau senso, os colocaram, surge esta luminosa oportunidade de retemperar a alma dos bons portugueses. Será um crime de lesa Pátria, desperdiçá-la!
Deste modo julgamos que se deve actuar rapidamente em três âmbitos: o religioso, o militar e o cívico.
É por demais evidente que a cerimónia de canonização deve ser seguida pelo país inteiro, – não há aqui azo a divisionismos, – e não se deve esgotar na cerimónia em Roma a qual deve ter a presença de muitos portugueses e de bandeiras de Portugal. É preciso mobilizar o maior número de pessoas a deslocarem-se ao Vaticano.
A imagem de Nuno de Santa Maria (o nosso décimo primeiro santo), deve ser transportada em avião da Força Aérea ou da TAP, para Lisboa e ser escoltada por aviões de combate assim que entrar no espaço aéreo nacional – as asas dos aviões da FA ostentam a cruz de Cristo, ela não está lá por acaso.
No aeroporto a imagem deverá receber honras militares e ser levada para o Convento do Carmo – a sua última morada – e ficar à guarda de forças da GNR. O percurso deverá ter alas de militares.
Em data próxima realizar-se-á um “Te Deum”nos Jerónimos em honra do novo santo, com a presença de todas as irmandades e institutos religiosos. No dia seguinte a imagem deverá seguir para S. Margarida, passando pela Escola Prática de Infantaria, – Arma de que D. Nuno é o patrono. Em Santa Margarida, na unidade herdeira das tradições da 3ª Divisão de Infantaria – a Divisão N. Álvares – será feita uma velada de armas à maneira medieval, para seguidamente se prestar as honras militares na Batalha antecedidas pela passagem nos campos de S. Jorge. Em todos os itinerários o povo e todas as autoridades devem sair às ruas para aclamar tão distinto e valoroso antepassado.
Em frente à sua estátua equestre na vila da Batalha serão prestadas honras militares pelo maior contingente de tropas apeadas que se possa reunir a que se seguirá missa solene militar, com a presença dos estandartes de todas as unidades militares, no mosteiro de Santa Maria da Vitória. O corpo diplomático deve ser convidado a assistir.
As cerimónias deslocar-se-ão, então, para o concelho da terra natal de D. Nuno, Cernache do Bonjardim, cujas forças vivas já se preparam para a justa homenagem.
Em simultâneo deverão realizar-se palestras, homilias, conferencias, colóquios, etc. em todas as paróquias, unidades militares (incluindo as destacadas), escolas e instituições de cultura e patrióticas um pouco por todo o país. Tais comemorações deverão inspirar o aparecimento de obras de arte, literatura, medalha, emissão filatélica, etc., alusivas ao evento.
É urgente reaporteguesar Portugal.
Para tudo se levar a bom termo, deverá ser constituído um grupo director e coordenador que não pode dispensar o alto patrocínio do Presidente da República (e deverá até ser liderado pela presidência). Aos eventos devem ser agregadas o maior número de instituições representativas da sociedade.
Infelizmente haverá que contar com a acção de forças antinacionais que tudo farão para menorizar tão importante acontecimento.
Que o grande Fronteiro Mor do Além-Tejo, Condestável de Portugal, alma pura e bela, agora Santo Nuno, continue a interceder pela terra de Santa Maria.
Acreditem que bem precisamos.
Transcrito do blogue "Rosa dos Ventos" http://rosadosventos1.blogspot.com/
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Ainda sobre a Pátria: duas citações...
Uma Pátria é uma escolha ou é um escolho.
Casimiro Ceivães
Para a grande maioria dos homens, se apresenta a pátria apenas como um acidente ou um acaso físico: são de onde nascem, e, a pouco e pouco, a convivência dos pais, de seus conterrâneos, mais tarde a escola e o Estado, os dois grandes organismos encarregados essencialmente de não deixar escapar ninguém das malhas do exército social, os vão gradual e realmente convencendo de que não poderiam ter nascido noutro lugar e de que uma escolha futura que livremente pudessem fazer representaria sempre e de qualquer modo uma diminuição ou uma traição. A outros, no entanto, e porque são amados dos deuses, se apresenta o caso de modo diferente: a vida, mostrando à superfície, como circunstância, o que é meditado e deliberado propósito de quem rege a História, os encaminha à escolha que decidirá de seus destinos: o de resplandecer num véu de glória, que é quase sempre, visto por dentro, um véu de lágrimas, ou o de ser jogado fora como um vaso de oleiro que mentiu, pela má qualidade do bairro, à diligente regularidade da roda e à inventiva agilidade do gesto. Quem pode, em raro jogo, escolher o seu país, por aí mesmo está escolhendo a sua vida: uma vida que dele mesmo se vai alimentar.
Agostinho da Silva
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Aí, a real fronteira...
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Por um “patriotismo lusófono-universalista”
Fazendo uma análise mais fina sobre as duas respostas do “Inquérito aos membros do MIL” relativas à questão da Pátria, parece-me que o conceito que, à luz dos resultados, mais facilmente poderá ser aceite por todos será o de “patriotismo lusófono-universalista”.
Sem o querer impor a ninguém, será esse o conceito que doravante usarei nos meus textos mais relativos ao MIL…
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Aforismos trans-patrióticos
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Ainda sobre a ideia de Pátria, com P maiúsculo: a tentação do “trans-”.
1. Quanto propus como tema para o primeiro número da Revista a ideia de Pátria, já pressentia que era em torno deste conceito que muita coisa se iria jogar, até na adesão ou na rejeição do nosso Manifesto (e no que veio a ser o MIL). No caso das recusas, o argumento tem sido, com todas as variantes possíveis, sempre o mesmo, o velho e estafado argumento de sempre: “não sou ateniense nem grego, mas cidadão do mundo” (não, a frase não é de Sócrates…).
2. Há muita gente que acha que todos os problemas do mundo se resolveriam (em grande parte, pelo menos) se houvesse uma única língua (daí o esperanto) e se (como causa ou consequência disso) houvesse uma única Pátria (ou seja, se não existissem Pátrias). Deixo aqui de lado a questão “religiosa” (por economia do debate).
3. Passemos então, uma vez mais, à ideia de Pátria. Começo por relembrar o “intróito” ao que escrevi no primeiro número da revista, precisamente a respeito dela: «O homem não é, ou não é apenas, uma “pura abstracção”, mas um ser concreto, universalmente concreto, um ser que, de resto, será tanto mais universal quanto mais assumir essa sua concretude, a concretude da sua própria circunstância. Dessa circunstância faz axialmente parte a “pátria”, isso que, segundo José Marinho, configura a nossa “fisionomia espiritual". Nessa medida, importa pois assumi-la, tanto mais porque, como escreveu ainda Marinho, foi “para realizar o universal concreto e real [que] surgiram as pátrias”.»
4. Ou seja, à luz desta visão, o Universal não se realiza por negação da Pátria, mas, ao invés, pela sua afirmação. Não, decerto, porque estas sejam o horizonte último. Mas porque são, para mim, o melhor caminho, o melhor “meio” (é preciso valorizar as mediações…), para cada um de nós, e nós em conjunto, realizarmos esse Universal. Tanto mais porque, à luz desta visão, nenhum desses caminhos exclui qualquer outro: enquanto “universais concretos”, todas as pátrias são verdadeiras e, por isso, todas elas podem e devem ser preservadas. Como sou português, digo: é porque me afirmo por português (e lusófono) que sou, verdadeiramente, cidadão do mundo. Se fosse russo, diria: é porque me afirmo como russo… Tudo isto, decerto, em prol do “bem-comum”. Penso, genuinamente (mas admito que isto seja uma questão de fé…), que se todos os povos preservassem a sua “Pátria”, todos eles ficariam melhor individualmente – donde resultaria que, no seu conjunto, o mundo (enquanto conjunto de Pátrias) também ficaria melhor. Retomando a provocação amiga do Casimiro, “é preciso passar pela Índia (ou seja, pelo universal concreto) para chegarmos à Ilha dos Amores”. Por isso, aliás, nos alertou igualmente Marinho contra o “apressado conceito de cidadão do mundo e de universalidade do pensamento”. Se por aqui estivesse agora, talvez nos alertasse contra a "tentação do trans-".
5. Decerto, sei que o conceito de Pátria desperta as mais abusivas suspeitas. Ainda há pouco tempo, o nosso “amigo” Desidério Murcho nos veio assegurar que, em Portugal, quem fala de Pátria só pode ser salazarista. Ou nacionalista-passadista. Ou qualquer outro palavrão do género…
6. A essa luz, compreendo a tentação do “trans”, começando assim a falar-se de “trans-patriotismo”. Muito comunistas também passaram a auto-designar-se como “pós-comunistas”, resignados que ficaram à identificação entre “comunismo” e “totalitarismo”. O mesmo acontece, hoje, com muitos islâmicos: quando se assumem como tal, salvaguardam logo que não são “fundamentalistas”. Um dia destes auto-designar-se-ão como “trans-islâmicos”, ou algo do género, pensando assim evitar confusões...
7. Esse não me parece, contudo, o melhor caminho, desde logo porque “enterra” ainda mais, senão de vez, o conceito de Pátria, concedendo-o, em exclusivo, aos que o desvirtuam (vocês sabem que quem eu estou a falar…). Ora, o que nós queremos (pelo menos, o que eu quero) é, ao contrário, reabilitar o conceito. Pela minha parte, continuarei pois a falar da Pátria. Com P maiúsculo. E é-me completamente indiferente que o Desidério Murcho, ou qualquer outro, “salazarista” me chame…
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Prémio Idiota da Semana
«Escrever "estado" - ou "pátria" - com maiúscula é usar as máiúsculas não para indicar um nome próprio, como é de lei, mas no seu sentido reverencial. Mas por que raio havemos de ter reverência pelo estado ou pela nação ou pela pátria, se não porque no fundo somos todos ainda salazaristas?»
Desidério Murcho, in "Atavismo Linguístico", Público, 09.09.2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Do "afecto português e imoderado amor e zelo da Pátria" como desvio do "último fim"
O Padre António Vieira fala aqui da sua prática, segundo as instruções dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, do que noutro post, que causou tanta incompreensão, chamei de "introspecção meditativa". Creio que a tensão e o "maior combate" de que esta carta nos dá conta terminou com a vitória sobre o patriotismo imoderado, a julgar pela quase completa ausência do nome de Portugal (ocupa duas ou três páginas, no contexto da referência ao papel evangelizador dos povos ibéricos) no grande tratado que deixou inconcluído, a Clavis Prophetarum, sobre a consumação do Reino de Deus na terra ou Quinto Império. São mais de setecentas páginas em latim, das quais ainda só foi traduzido e publicado o livro III. Vieira considerava este livro a sua "catedral", considerando os Sermões meras "choupanas", que o estavam a desviar do essencial. A edição que utilizei e possuo fotocopiada é a do manuscrito 359 da Biblioteca Gregoriana de Roma.
Sobre este assunto publiquei o livro A Plenificação da História em Padre Vieira. Estudo sobre a ideia de Quinto Império na "Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício", Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1995. Sairá em breve um outro sobre a mesma questão.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Louvo a Pátria... (dedicado ao Paulo Borges)
E aqueles que a louvam
E deles não me envergonho
Os que connosco gozam
Ou os desprezo em silêncio
Ou com a lança lhes respondo
Assim sou
E não me envergonho disso
Disse
P.S.: Último de uma segunda série de dez epigramas aqui publicados sob o título geral de «Educação da Nova Águia: pós-graduação» (ver etiquetas). Uma vez mais, agradecemos todos os comentários entretanto feitos.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
E o «Prémio idiota da semana» vai para...
Nuno Ribeiro:
"La Cancha não é de patriotismos que, como se sabe, são atitudes provincianas."
"La Cancha", in Público, 02.09.08
segunda-feira, 23 de junho de 2008
A ESTAÇÃO DOS RECADOS, DOS MURAIS, DA COLAGEM DE CARTAZES E DAS PAREDES DAS RETRETES
Dezembro
Possa seer esta, meu Duque, a derradeyra
carta a chegar-Vos assy, nocturna e breve:
que nom mais use da penna a mão que a 'screve
ate daar ao Reyno hum Rey, e a Patria inteira.
Possa seer esta, Senhor, a madrugada
que tantas noytes guardaamos a aguardar;
as pennas que a Portugal Deos faz pennar
releve-as Deos amanhan, e a minha espada.
E possa o nome de Rey ser-Vos merecido;
Rey com honra sereis so de um rreyno novo
onde a justiça e o alto fruto appetecido
da sciencia nom caiba aos deoses, mas a hum povo,
por guardardes Portugal n'este Mysterio:
nom seja nosso o proveito, mas o Imperio.
