EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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terça-feira, 7 de julho de 2009

Exposição de Pintura


Exposição de Pintura 'Do oceano ao rio lusitano' de Elisabete da'silva.
Patente até ao final da semana numa das lojas mais antigas e tradicionais do Porto - Papelaria Araújo e Sobrinho, Largo de S. Domingos, 50, 1.º andar (zona da Ribeira, atrás do Mercado Ferreira Borges).
"Faço da cidade a minha casa e pinto as paredes com histórias por contar. Os meus pincéis escrevem o horizonte em cada janela aberta para um novo olhar"
Susana Fonseca

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Convite


Pintura de Elisabete da' Silva, Prisioneira de Mim, in www.tonalidadepoetica.blogspot.com
Estendo o chão da imaginação.
Prendo com laços as palavras
onde acordarás
sem medo de adormecer.
Estendo-te as folhas para te cobriresde emoção.
Não me rasgues.
Vê-me.

Exposição 'Tonalidade Poética', pintora Elisabete da' Silva, no Campo de Golfe de Amarante, até 8 de Fevereiro

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

EXÍLIO

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Para o Casimiro Ceivães

Cabeça, Guilherme de Santa-Rita, 1910


De O MEDO DE SATAN PELA NOITE

II

Desce a Noite pelos montes.
Escuto. Sinto-lhe os passos.
Vai beber Saudade às fontes
E anda co’a Morte nos braços.

As minhas mãos arrefecem,
E se as ponho sobre os lírios,
Meus dedos tornam-se círios
Como se os lírios morressem.

E quando num jardim passo,
Brinco co’as rosas e corro
Atrás das sombras que faço.

Sou no Silêncio um recorte.
E por saber que não morro
Eu tenho medo da Morte.

Pedro de Menezes


De VIA SACRA

III
TERCEIRA ESTAÇÃO


Sonham comigo tuas mãos esguias,
As tuas mãos esguias no regaço…
Minhas saudades são as pedrarias
Estrelas dos teus dedos no espaço.

Sonham comigo tuas mãos esguias
Num gesto de abandono e de cansaço,
E o mesmo gesto unge as horas frias
Que a Distância vem pôr no teu regaço.

Teus dedos longos são as naus partidas
Por noites sem luar e sem estrelas
A paragens remotas, esquecidas.

E tua alma fica sempre em vão
Olhando dos teus olhos nas janelas
O mar sem naus e apenas solidão.

Côrtes-Rodrigues


In revista Exílio, nº 1 (e único), Abril de 1916.

sábado, 30 de agosto de 2008

Fragmento (II)



Se Portugal é caminho e antevisão de Império, então a mais alta escolha dos portugueses é permitir à alma ser lugar da realização de Portugal, serviço nocturno do seu Rei Encoberto; mas, desses, nos que se saibam chamados pelo Rei à Gesta e ao Gesto, naqueles a quem não bastem a contemplação do labirinto ou os melancólicos cantos da derrota, o mais alto serviço é o que clandestinamente vise o cumprimento da Estratégia Imperial.

Mistério da Espada, que só é força bruta se não souber elevar-se a Nau.

Em tudo, deixa-te guiar pela Noite: ela sabe que as luzes são a última protecção da Treva. E a tua espada fará o Sol.

[fotografia: "Condestável", de Lima de Freitas]

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Fragmento


Essencial é entender a imensa diferença (a abissal diferença) entre buscar a resposta às questões suscitadas por Portugal – ou, como agora se diz, pela portugalidade – e buscar a Pergunta a que Portugal é a resposta.

Podia também falar da diferença que há entre a espada e a barca, ou da que há entre a Armadura e a Carne; chamar a atenção para a diferença entre o Nada de que tudo brota e o Nada em que tudo se engolfa. Mas antes quero que medites na inimizade que há entre a Noite e a Treva.

Em todas as coisas, mistério da Elevação. A todo o tempo, o Pórtico.


[fotografia: O Encoberto, de Lima de Freitas]

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

UMA TARDE NA LUSITÂNIA, II


Mulher da Água, Henrique Pousão, 1883


As paredes brancas das casas campestres, com as suas saias amarelo sol e os chapéus de telhas, terra e sangue são corpos habitados por criaturas alheias às leis do mundo.
Este espectáculo de verde, amarelo campestre, mãos velhas, fluxos e refluxos de auto-estradas, caminhos percorridos, sangue coagulado de sentir e calos transpirados em lágrimas, imprimem na minha pele a dialéctica do Homem de Barro, o desconforto de se ir sendo, na simplicidade das horas calejadas.
Ao fim do dia, quando o sol morre para o cálice da geada, gargalhadas infantis rebentam do ventre destas casas meninas, cujos olhos quadrangulares, dançam labaredas impermeáveis à humidade de histórias milenares, que vão sobrevivendo pelo quente, doce toque da palavra destilada.
Com um maternal sopro, que é um beijo ensolarado na intempestiva impertinência do breu, de nuvens que são mundos inimagináveis pelas imaginações de quem não sonha, vêm os sonhos com a agitada calmaria do campestre anoitecer.
Adormecem os meninos de galhos entrançados nos cabelos, mãos sujas de terra e terraços por preencher eternamente.
Do outro lado do trigo, a emergência urbana e política de acompanhamento supersónico, as vestes deliberadas de um desejo mórbido de conquista da liberdade multifacetada, da livre liberdade espontânea por trás da persona entusiástica, de um outro caminho para a pureza – num embalo futurista demasiado acelerado em comparação com a aceleração do último modelo cerebral lançado no mercado humano – ainda guarda em si as crianças das bicicletas pelas ruas afuniladas, dos prédios altos enfeitados de lençóis e peúgas.
Estas mesmas crianças correm já com o vento do Norte, num grito que é um explodir de incontáveis repressões, recalcadas no medo de séculos de calçada esmagada em passos apressados.
Amanhã poderão ser guerreiros intemporais, os das infâncias urbanas, prédios altos, juntar-se-ão aos meninos de galhos no cabelo e mãos sujas de terra, mútuos, irmãos, marionetas dançantes no mesmo compasso de vida e morte, vítimas do nojo humano, com o peito transbordante de amor pela terra de onde emergiram, pelos vales que embalaram as correrias utópicas das infâncias eternas, ou pela silenciosa paisagem citadina de estrelas artesanais, com um inquietante desejo de paz, que não cala no cano de uma espingarda, nem na trovoada de mil canhões, nem no horror de um quadro escarlate de corpos carbonizados, porque o que importa é conquistar o palpitante cântico das árvores, do vento, o cheiro da terra molhada, a interminável Lusitânia com os seus incontáveis cheiros e sabores – pórticos de Pedra e Sal –, o eléctrico que passa sempre à mesma hora, as eternas meninas a saltar à corda e os rapazes que lhes levantam as saias, entre o riso quente das gentes.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

SAGRES

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Para Gilberto Freyre

O Sonho do Infante (pormenor, parte esquerda do
mural pintado no tecto do Museu Militar de Lisboa),
José Malhoa, 1907



As primeiras chuvas: uma proa
Que fica na maré – limos mortos, tábuas:
A solidão dos últimos pomos
Madurando ao sol. Nadas.
Do peso da luz. Os príncipes concordaram
Que a vida é insubstante – esta
História é mais antiga que o tempo.

Nada existe ainda; a não ser o terror.
A linha de água, as aves rasas,
Tudo espera ainda o dia
Dos Portugueses. O extremo ou o nada.
O tempo é breve como duas ondas,
Gemebundo entre as rochas, os faróis
Derruídos. Aqui perdura: proa.
Ainda que passe.

Sagres: umbigo do mundo. O barco
Contra a luz. O pescador tira as redes.
É um ermo em forma de cabo,
De breu e sal. A faina de uma pura
Lenda; uma faina de separar abismos.
O homem é maior que a vida. As
Primeiras cinzas do crepúsculo
Rasgam a fraga agónica.

São os mortos que regressam.


Lord of Erewhon

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O PIRATA

No Cais do Tejo (o Aterro em 1881), Alfredo Keil, 1881



Longe, onde o rio encontra o mar,
Sentei-me hoje, sob o sol poente,
Com um sorriso infantil e crente,
A ouvir lendas de um lobo do mar.

Mais do que os quadros emocionantes
Que com as suas palavras descrevia,
Eram outras, mil histórias que eu ouvia
Nas suas rugas e nos olhos cintilantes...

Agora está velho. Os barcos partem sem ele.
Mas mantém dignamente o ar altivo e forte,
Duma proa a desafiar as águas, a sorte.

E quando, alto, as vagas se fizeram ouvir,
Foi entre soluços que conseguiu falar:
«Ouves o mar? Está a chamar-me...»

A ESTAÇÃO DOS RECADOS, DOS MURAIS, DA COLAGEM DE CARTAZES E DAS PAREDES DAS RETRETES


_O Milagre de Ourique, Domingos Sequeira, 1793


Este é o mais curto e despretensioso texto que aqui escrevo: Eu amo Portugal. E vocês? – Isto não é um haiku, nem um escarro, mesmo entre as paredes de um urinol público, a Pátria reconhece os seus.


Klatuu Niktos