EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A pátria mais perfeita

"Os homens e as pátrias valem, pois, mais ou menos, conforme o seu grau de religião, quer dizer, o grau de fraternidade, o grau de amor.

A Pátria mais perfeita será a mais local, pelo amor à gleba, e a mais universal, pelo amor ao Mundo"

- Guerra Junqueiro, "Brasil-Portugal", Prosas Dispersas, Porto, Lello & Irmão, 1978, p.105.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"Portugal, porque reaparecesse um vínculo colectivo, voltaria a ser uma Pátria"



“É que decididamente, havia então, há hoje só uma palavra: – República!Hesita ainda, apesar de tudo, uma parte da nossa população letrada. E, inquieta, pergunta a si-mesmo o que seria, se em Portugal se implantasse a República.Há pouco mo perguntaram, para que em público à pergunta respondesse.Respondi começando por advertir que o pedido que me era feito me recordara certo incidente da história anedótica, literária e política, nossa contemporânea.Com efeito, quando aqui há anos exerceu o seu efeito sobre a poesia portuguesa o simbolismo francês, uma das composições que apareceram e mais impressão causaram tinha o título fúnebre Quando a morte vier, e dizia os filosóficos desenganos das vaidades mundanais que no pó das sepulturas liquidam.Logo nas colunas literárias duma folha política lisbonense se leu uma paródia a essa peça de versos, e esta paródia por título tinha: Quando a República vier, e dizia o descalabro dos egoísmos devoristas, que na igualdade democrática finalizam e concluem. Havia um ritornello típico. Era este:

Quando a República vier,
Ireis cavar pés de burro;
Ireis cavar pés de burro,
Quando a República vier.

E não teriam direito de queixumes aqueles que fossem dispensados por haverem gozado até ali do favoritismo que vive, parasitariamente, do trabalho nacional. Pois que só esses é que receio possam nutrir de que de os prejudique o advento da República. Visto como a República não é o governo dum partido nem o monopólio de tal ou tal casta de gente. A República é, pelo contrário, o governo de todos, por todos e para todos. A causa da República compreende todo o país e, no fim e ao cabo, a República é a Nação.Se, pois, a República se implantasse em Portugal, o povo português adquiriria a consciência da soberania e ganharia as virtudes políticas que fundamentam a dignidade cívica. Ele tomar-se-ia a sério. Respeitar-se-ia, e o verdadeiro patriotismo faria pulsar os corações. Se a República se implantasse em Portugal, o progresso da civilização portuguesa seria ininterrupto e logo de início se assinalaria pelo timbre de grandíssimos avances efectuados. Se a República se implantasse em Portugal, o povo português viria novamente a contar na história do mundo, onde hoje, quando não é desprezado, passa despercebido.Se a República se implantasse em Portugal, Portugal deixaria de ser aquele «sítio onde cinco milhões de egoísmos se exploram reciprocamente e se aborrecem em comum», consoante da definição pretérita de Eça de Queiroz. Portugal, porque reaparecesse um vínculo colectivo, voltaria a ser uma Pátria. E essa Pátria novamente se integraria na Civilização.Consequentemente, ontem como hoje, hoje como ontem, ainda e sempre uma só palavra havia, uma só palavra há: - República!
FIM”


Sampaio Bruno, in A Dictadura, Lello & Irmão, 1909

Publicado em:
http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/01/ao-redor-do-31-de-janeiro-5.html

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

"O sentimento de Pátria foi o elo da nossa coesão nacional; enquanto esse sentimento se propagou, fomos fortes e grandes"

“Os portugueses, desde o princípio do século XV até à colonização do Brasil, a mais vasta e mais perfeita colónia de todas as nações da Europa, derramaram-se pelo mundo, mas não se enfraqueceram. É a começar no século XV que se manifesta o sentimento de uma Pátria portuguesa, essa união afectiva dos espíritos através das distâncias, e que tendo por objectivo o território onde se passaram os anos felizes da vida da família, se torna o mais poderoso incentivo da actividade individual heróica e altruísta. O sentimento de Pátria foi o elo da nossa coesão nacional; enquanto esse sentimento se propagou, fomos fortes e grandes. Os homens de Plutarco não excedem os navegadores e guerreiros portugueses; devemos a esse sentimento as mais belas manifestações da Arte e da Literatura com que entrámos a uma altura digna no grande certame estético, científico e filosófico da Renascença. Somente quando esse sentimento de Pátria foi atrofiado pelo regímen intelectual e moral da educação jesuítica, é que Portugal caiu na incorporação da unidade castelhana sob o julgo da Casa de Áustria, e a nobreza se vendeu a Filipe II no intuito de dar força ao poderoso sustentáculo da unidade católica.”

Teófilo Braga, in A Pátria Portuguesa, Lello & Irmão, 1894

Publicado em:
http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/01/ao-redor-do-31-de-janeiro-2.html

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Na ética republicana..."

"na ética republicana a Pátria é a nossa razão de ser mais profunda. Alguns dos grandes lemas da República foram a devoção à causa pública, a paixão pela justiça, a liderança pelo exemplo e a afirmação de deveres morais à altura das convicções"

Artur Santos Silva, Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

“Não posso estar em parte alguma. A minha / Pátria é onde não estou”

- Álvaro de Campos, "Opiário"

Porque será que os grandes pensadores de Portugal - Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, Agostinho da Silva - são todos, cada um a seu modo, pensadores da sua desterritorialização, pensadores do expatriamento? E porque será que muitos dos que deles mais se reclamam tudo fazem para os instrumentalizar no sentido oposto, do nacionalismo e do patrioteirismo?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Os ídolos tombam na própria idolatria que os ergue

Se julgas ou esperas que uma língua, cultura ou pátria revele ou confira sentido à tua existência, laboras numa das mais estranhas e obscuras ilusões. Invertido, não vês ser a tua existência, pela sabedoria e amor que a ilumine, que pode dar sentido a qualquer língua, cultura ou pátria, elevando-as na mesma medida em que as transcenda e transfigure na comunhão do uni-diverso.

O culto de uma língua, cultura ou pátria empobrece-as, escravizando os que delas não fazem vias para as transcenderem. É isso que as mata, pois os ídolos tombam na própria idolatria que os ergue.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Da pátria como o estar bem

"Não estás na tua pátria? Qualquer parte em que estejas bem é pátria tua: porque o passar bem não está no lugar, está no homem" - São Martinho de Braga (Dume), Liber de Moribus (Livro dos Costumes), 3.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

PÁTRIA...



Peculiar Insects (1888), James Ensor

...
In meiner Heimat
where the dead walked
and the living were made of cardboard.

...
In meiner Heimat
onde andavam os mortos
e os vivos eram feitos de cartão.


Ezra Pound, do Canto CXV, tradução de José Lino Grünewald, “Ezra Pound, Os Cantos”, Assírio e Alvim, Lisboa: 2005, p. 719

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ainda sobre a Pátria: duas citações...

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Uma Pátria é uma escolha ou é um escolho.
Casimiro Ceivães

Para a grande maioria dos homens, se apresenta a pátria apenas como um acidente ou um acaso físico: são de onde nascem, e, a pouco e pouco, a convivência dos pais, de seus conterrâneos, mais tarde a escola e o Estado, os dois grandes organismos encarregados essencialmente de não deixar esca­par ninguém das malhas do exército social, os vão gradual e real­mente convencendo de que não poderiam ter nascido noutro lugar e de que uma escolha futura que livremente pudessem fazer represen­taria sempre e de qualquer modo uma diminuição ou uma traição. A outros, no entanto, e porque são amados dos deuses, se apresenta o caso de modo diferente: a vida, mostrando à superfície, como circunstância, o que é meditado e deliberado propósito de quem rege a História, os encaminha à escolha que decidirá de seus destinos: o de resplandecer num véu de glória, que é quase sempre, visto por dentro, um véu de lágrimas, ou o de ser jogado fora como um vaso de oleiro que mentiu, pela má qualidade do bairro, à diligente regulari­dade da roda e à inventiva agilidade do gesto. Quem pode, em raro jogo, escolher o seu país, por aí mesmo está escolhendo a sua vida: uma vida que dele mesmo se vai alimentar.
Agostinho da Silva

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Toda a Pátria é Distância...

Três vezes diz
Trinta vezes repete
Trezentas vezes ecoa

Toda a Pátria é Distância, é Lonjura
Toda a Pátria é Olhar, é Enfoque
Toda a Pátria é Visão

Daí o nosso Ver do Mundo
A partir do Lugar, este, esse Nó que nos Liga
Enfim, numa só palavra, a partir de Nós

para o Casimiro Ceivães

sábado, 25 de outubro de 2008

Ainda sobre a ideia de Pátria: texto que nos chegou...

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AO ENCONTRO DA PÁTRIA

Escrevo este texto no dia 5 de Outubro, dia da República (e não esquecer também, o dia Mundial do Professor) e talvez por isso tudo o meu pensamento se dirija para as questões da “portugalidade” e da República (“coisa pública”). Tudo isto me transporta para o maior bem, quanto a mim o mais elevado de todos – a cultura, em particular, a cultura portuguesa.
Retiro daqui qualquer consideração política (embora tudo seja política, uma vez que tudo diz respeito à nossa vida na “polis”) e também penso que me deva abstrair de acepções eruditas de cultura, que para aqui nada interessam. Refiro-me à cultura como modo de vida, modo de estar e de ser que caracteriza um povo. Também não me interessa o povo no sentido lato, mas a “pessoa colectiva”, consolidada na Língua comum, que os nossos escritores muito bem souberam retratar e que melhor nos caracteriza. Desde Camões a Fernando Pessoa muitos foram os mensageiros dessa Pátria Linguística, comum, não esquecendo a noção de Império transmitida pelo Professor Agostinho da Silva. Interessa-me muito mais pensar na Cultura portuguesa como expressão de Lusofonia, do que como organização política.
Estou convicto de que em cada um de nós existe uma “pessoa” que está para além da nossa individualidade. A essa “pessoa” chamo Pátria. A nossa Pátria a que Fernando Pessoa chamou cultura, que se representa na Língua, a Língua portuguesa. É uma certa “mensagem interior” que nos caracteriza enquanto portugueses. Em vez da geografia, a nossa verdadeira bússola é aquilo que dizemos, a forma como dizemos as coisas. O nosso verdadeiro espaço de globalização não tem espaço físico determinado. Vai da Europa à Ásia passando pelas Américas, ancorando em África e um pouco por todo o lado. Onde se fala português habita a ”pessoa colectiva”, a pessoa comum, a nossa Pátria.
É desse “lugar” supra-geográfico, ou seja, que está para além das determinações geográficas, sem fronteiras e limitações políticas, um certo “lugar português” que tratam os Sites que encontrei e que gostaria de partilhar convosco: o MIL (Movimento Internacional Lusófono) em http://www.novaaguia.blogspot.com/ e o Site da Associação Agostinho da Silva, http://www.agostinhodasilva.pt/

Ambos reflectem o que de mais profundo existe em nós, a Lusofonia, a nossa maneira ancestral de ser e de pensar, o nosso mais profundo Império, o da Língua portuguesa. É essa globalização que nos é sugerida nestes Sites como “caminho” a seguir, como alternativa das alternativas.


Luís Manuel Mourinha
Alhos Vedros, 5 Outubro 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

AGOSTINHO DA SILVA: UM FERNANDO PESSOA , “MENSAGEM UM” (I)

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Àqueles a quem, não querendo mal, também especialmente não amam concedem os deuses uma vida fácil e benigna, que os faz, a eles e aos restantes, acreditar em protecção celeste; aos outros, porém, àqueles cuja carreira se vê essencial aos destinos do mundo, vendem os deuses, e bem caro, todos os dons de que os cumularam; e, porventura, o preço mais alto que reclamam de sua mercadoria é o de, a cada momento realmente importante da vida, nada disporem como que de maneira fatal, deixando que o seu amado possa, em plena liberdade, escolher o que mais é de seu agrado; e aqui a maior parte se perde: porque à chama que os tornaria celestes preferem a temperada medianidade que para sempre os prende à terra.
Começa logo a escolha pela pátria. Para a grande maioria dos homens, se apresenta a pátria apenas como um acidente ou um acaso físico: são de onde nascem, e, a pouco e pouco, a convivência dos pais, de seus conterrâneos, mais tarde a escola e o Estado, os dois grandes organismos encarregados essencialmente de não deixar escapar ninguém das malhas do exército social, os vão gradual e realmente convencendo de que não poderiam ter nascido noutro lugar e de que uma escolha futura que livremente pudessem fazer representaria sempre e de qualquer modo uma diminuição ou uma traição. A outros, no entanto, e porque são amados dos deuses, se apresenta o caso de modo diferente: a vida, mostrando à superfície, como circunstância, o que é meditado e deliberado propósito de quem rege a História, os encaminha à escolha que decidirá de seus destinos: o de resplandecer num véu de glória, que é quase sempre, visto por dentro, um véu de lágrimas, ou o de ser jogado fora como um vaso de oleiro que mentiu, pela má qualidade do bairro, à diligente regularidade da roda e à inventiva agilidade do gesto. Quem pode, em raro jogo, escolher o seu país, por aí mesmo está escolhendo a sua vida: uma vida que dele mesmo se vai alimentar.
Para Fernando Pessoa, cuja existência se iria desenrolar, tanto quanto se poderia prever, no Portugal de seus tempos, isto é, no ponto mais baixo que poderia atingir a descendente curva da austera, apagada e vil tristeza, a alternativa apresentada foi a mais tentadora que se poderia imaginar: a da Inglaterra, e a de uma Inglaterra apreendida na sua história e na sua cultura. Por uma daquelas pequenas resoluções que movem depois as grandes molas, poderia Fernando Pessoa ter passado inteiramente ao domínio inglês e nele se afirmado como um homem de Império, já que o encontro se cumpria na África, ou como um homem de Universidade, já que o encontro era igualmente num ambiente à Walter Pater, com imaginários retratos de Inglaterra elisabetiana mascarando uma outra que apenas procurava colocar seus capitais e manter pela força seus mercados. Numa ou noutra carreira, teria Fernando Pessoa sido célebre: as críticas a seus poemas ingleses seriam apenas o prenúncio do que outros críticos viriam a escrever; um outro Conrad, noutro domínio, se incorporaria à literatura inglesa; apenas isso, porém.
O que, no entanto, acontecia era que iam mais alto as ambições de Pessoa e penetrava a sua inteligência mais longe do que a dos estadistas ingleses. Era o mundo mais nobre, mais humano e mais divino, do que o supunha a Inglaterra e jamais se resignaria a aceitar como permanente, apesar de todas as suas excelências sobre os outros, apesar de não ter constituição escrita, apesar de tender já a uma comunidade de nações livres, um império que, na base de tudo, mantinha as duas noções e invenções diabólicas da força e do lucro. No fim de contas, o melhor que a Inglaterra lançava sobre o universo já Portugal o fizera, muito antes dela; e Portugal, porque não era de nenhuma Igreja reformada, porque se mantivera fiel a Roma e à fraternidade católica, porque nunca fora sequaz de uma ciência que tendia apenas a dominar, de uma economia que tendia apenas a explorar e de uma política que não era outra coisa senão de origem maquiavélica, deixara aberta, apesar de suas falhas, uma esperança para o futuro: a de que o seu império do mar fora apenas o primeiro passo, por isso mesmo ainda físico e político, de uma acção que depois a Europa, incompreensiva como sempre, lhe viria cortar: a de trazer para o mundo aquele reino que milhões de homens quotidia¬namente imploram em vão.
Vai, pois, Fernando Pessoa, deliberadamente, confirmar o acaso físico: vai nascer português porque tem a convicção de que Deus não pode abandonar seu outro povo eleito e de que, passado o domínio da Europa, quando a técnica tiver esgotado todas as suas possibilidades, quando a economia protestante se verificar plenamente anti-humana, quando a centralização estatal se revelar estéril, Portugal virá de novo construir o seu mundo de paz, por maior que tenha de ser o seu sa¬crifico: mundo de uma paz que não surja como a romana ou a inglesa, do exterior para o interior, de um César para seus súbditos, dos tribu¬nais para os corpos; paz que se realize antes de tudo nas almas, lei que seja inteiramente não escrita e, no melhor de si, informulada; reino de Deus que surja pela transformação interior do homem.
É como uma justificação e uma explicação deste seu acto fundamental de vida que Fernando Pessoa, pacientemente, vai durante quase duas dezenas de anos escrevendo Mensagem, sem dúvida a mais importante de suas obras e plenamente emparelhando com Fernão Lopes, Os Lusíadas, D. João de Castro e a História do Futuro na compreensão do que verdadeiramente é Portugal; pela inteligência e entendimento fundamentais que enformam toda a obra e por ter posto mais a claro do que Camões na Ilha dos Amores a concepção de uma verdadeiro Império Português ou Quinto Império, veríamos até Mensagem como de importância superior à dos Lusíadas: no total, o não é, porque inutilmente procuramos na obra de Pessoa traços daquele espantosa e eloquente vitalidade de Camões, daquela ígnea personalidade que em si ardendo destruía todos os círculos limitadores que ele próprio ou os outros tentavam traçar à sua volta; a diferença que há entre Camões e Pessoa é a diferença que há entre um homem e a sua inteligência: mas esta, em Pessoa, mais clara e penetrantemente brilhava; foi mais compreensiva quanto ao Passado estático e ao Passado dinâmico, tão incisiva como a de Camões quanto ao Presente e muito mais aguda na previsão do Futuro.

Ainda sobre a ideia de Pátria: texto que nos chegou...

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À medida que as novas tecnologias avançam por nossas casas, mostrando-nos
todo o mundo em tempo real, o conceito de pátria perde identidade. Vivemos num
mundo global, apregoam os entendidos. Que lição podemos extrair então das
"nobres" guerras pelo território e recursos naturais que, desde que o homem
é Homem, invadem a Terra? Na minha modesta opinião são conflitos
desnecessários, que só servem para inflamar povos e inflacionar produtos,
como o petróleo que sobe a cada tensão no Médio-Oriente ou agora os cereais
que treparam com a ameaça dos biocombustíveis. Ao ponto em que chegamos, os
poderosos dizimam os mais fracos, deixam-nos à beira do abismo, com a roupa
que trazem no corpo e pouco mais. Pátria, neste momento, é todo o nosso
planeta, com todos os recursos nele existentes, e é exactamente por essa
identidade global que o Homem deve lutar. Num mundo regido ao som de tiros,
bombas e conflitos, movidos pela ganância humana, corroendo o globo e leva
ao clima de insegurança global. O ideal seria a distribuição de todos os
produtos do nosso planeta equititivamente por cada um de nós. Em vez disso,
constroem-se mansões para os mais ricos, que andam de jacto privado e
carros de luxo, comendo "caviares" até rebentar pelas costuras, em
contraste com sem abrigo e pés descalços que procuram nos grãos de terra
cereal para tapar o buraco do estômago. Recordo os ideais da revolução
francesa: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" para constatar que eles,
mais de dois séculos apos a sua proclamação, ainda nao se aplicam... Só
seremos livres quando nos livrarmos das amarras da religião e da ganância
e, aí sim, seremos todos iguais e conseguiremos viver em fraternidade
global.O espírito de Pátria nos nossos dias deveria ser o respeito e
igualdade de oportunidades para todos, mas infelizmente a condição
gananciosa do Homem não permite que se realize, porque quanto mais a raça
humana tem mais quer ter, como que numa luta para ver quem tem mais
influência, dinheiro e poder. Por isso destruimos o planeta, arrasamos com
tudo e todos para termos uma vida luxuosa e agarramo-nos ao poder como se
nele estivesse a nossa salvação... até um dia em que a guerrilha nos leve
ao esgotar dos ultimos recursos disponíveis, se tivermos tempo de
descobrir a fórmula magica, deixarmos a selecção natural escolher os mais
fortes para partir para uma nova terra, que acabariamos por destruir tal
qual como fizemos a esta. Pátria é união, solidariedade, é ver um sem
abrigo e partilhar com ele a única sandes de manteiga que tínhamos para
almoçar se necessário. Mais vale dois meios cheios que um empanturrado e um
esfomeado!

Luis Massapina

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Aforismos trans-patrióticos

Uma pátria vive feliz, como uma criança e um adolescente, enquanto espontaneamente aberta ao infinito de possibilidades do jogo do mundo e às suas constantes e imprevistas interacções e metamorfoses. Definha e envelhece, como um adulto, quando ganha demasiada consciência de si, se enquista numa auto-imagem e se reduz a fins particulares, segregando os seus cidadãos do natural movimento da consciência para o universal. Morre de vez quanto se tenta reanimar reforçando a dose disso de que padece. O patriotismo identitário e as loas à sua renascença são a sua certidão de óbito.

domingo, 21 de setembro de 2008

"Liberta que serás também"

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."

Vinícius de Moraes

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Talvez estejamos longe de podermos acercar-nos da Frátria. Cada vez mais se avolumam os indícios das trevas, se recolhem as velas de ir longe, se fazem planos para viver o contentamento possível, num quotidiano cada vez mais desolado e devassado.
Parece que nos exilámos do espaço de patência da História. Projectámo-nos para fora da História e amestrámos os demónios íntimos que obrigam os homens a viverem o dilaceramento e a inquietação. E achamos que o futuro terá que ser.
Ora, o futuro autêntico não tem que ser. Nós, futuráveis projectos em direcção a um passado sempre redivivo, não temos que ser. Há a precisão de navegar. Mas o que embarca não pode ser um constrito. Sabe-se lá que derrotas há no fim?
Espaço de degredo, o futuro antecipado não é da História. É da continuação, do marasmo, da abdicação. Entre paredes de betão, no folguedo em linha recta das auto-estradas, no pousio sem depois a marcar os campos com as ervas assanhadas da desistência. Há um ventre úbere, a Mátria de sempre, que se tornou mendicante e vive o abandono e a impaciência dos homens quererem tudo já, mesmo que o camartelo tenha que nivelar as memórias em nome do progresso e das provas de vida, em alvenaria e bandeiras ao vento, dum país que se quer contente consigo próprio.
Nós somos inúteis, imprevisíveis, indomáveis, insubmissos, ou seremos arregimentados no corinho dos castrati para cantarmos hossanas a todas as alturas, sem que alguma vez do alto nos arrebate o ímpeto para o mais alto.
Por isso há vozes que encantam, sibilantes e auto-gratificantes. É lindo esse espectáculo.
Um coro de rãs. Não deve ser isso o mais profundo. Mas, e depois? Há espaço para tudo.
Importante é que não esqueçamos que a mais alta cultura é mais do que somos. Não podemos, por isso, guiar-nos pelas contas de merceeiro ou pelos descontos ocasionais que dão origem a este ou aquele evento. Governar não é ter medo de gastar dinheiro, é permitir que se desenhem rumos e que os homens se apercebam de que a alvorada não é comandada por umas rodas dentadas ligadas a um computador com banda larga.
O Estado não precisa duma banda gástrica, porque não tem estômago, nem intestinos, não precisará, pois, de parasitas. E de onde virá o dinheiro? Se houver dinheiro, venha ele de onde vier, o que importa é saber para onde é que ele irá. O importante é percebermos que o dinheiro não tem que gerar dinheiro no fim do processo. O dinheiro é um meio. No princípio e no fim estão os homens, as bocas, os corpos e o espírito que os anima e os exalta.



sábado, 20 de setembro de 2008

Ainda sobre o Quinto Império*

A nosso ver, o tão vilipendiado “Quinto Império” de que fala Agostinho da Silva não é senão isso: o espaço-tempo em que todas as comunidades, todos os povos, possam, de forma inteiramente livre, assumir, de modo pleno, a sua cultura. Não, longe disso, um império apenas português – também português, na medida em que nele a cultura portuguesa deve também poder afirmar-se, mas não apenas, ou sequer hegemonicamente, por mais que de forma dissimulada, português. Eis o que, na nossa perspectiva, nunca será demais salientar, dado o facto da valorização agostiniana da “cultura portuguesa” ter sido muitas vezes entendida de forma igualmente errónea. Como aqui defendemos, ela deve ser entendida, sobretudo, como uma via para a plena realização espiritual.

Contestarão, alguns, a possibilidade de a cultura ser uma via para a plena realização espiritual, defendendo que esta se cumpre, ao invés, na superação daquela. Provavelmente, defendem também que a filosofia se cumpre para além de todas as culturas, de qualquer vinculação a uma língua em particular. Na nossa perspectiva, porém, passa-se exactamente o contrário: é no aprofundamento das virtualidades de uma língua que o discurso filosófico pode emergir enquanto tal. De outro modo, ele será sempre apenas um discurso comum: mais facilmente comunicável, mas não muito mais do que isso. Analogamente, a via da plena realização espiritual passa, na nossa perspectiva, pelo aprofundamento do sentido de uma cultura, da mundividência que lhe subjaz. De outro modo, ela será apenas uma via geral: mais facilmente generalizável, mas não muito mais do que isso.

De resto, a valorização da cultura tem também virtualidades materiais ou, mais especificamente, sociais. Só ela pode ser o elo que sustenta uma sociedade. Se uma sociedade se baseia apenas num elo económico, cedo se desagregará. Por muito que isso repugne a alguns, é também através dela, da cultura, que se cimentam as solidariedades internacionais. Se, em geral, os portugueses foram tão solidários com a causa timorense, apenas para dar um exemplo relativamente recente, foi, em grande medida, porque havia, porque há, um elo entre Portugal e Timor: um elo cultural, precisamente. Dir-se-á que o nosso móbil deveria ser sempre o amor pela humanidade em geral e não por nenhuma cultura em particular. É defensável, mas não é isso que, na nossa perspectiva, acontece. Daí que devamos agir em consequência. Só assim poderemos, na Sociedade de Hoje, efectivamente realizar o Homem de Sempre.

* Últimos três parágrafos de: Visões de Agostinho da Silva, Zéfiro, 2006.