A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

III Cimeira União Europeia-Brasil

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Brasília, 30 Set (Lusa) - A cooperação com a África marcará a III Cimeira União Europeia-Brasil, a ser realizada no dia 06, em Estocolmo, disse à Lusa o chefe da Delegação da Comissão Europeia no Brasil, embaixador João Pacheco.

Durante a cimeira, será assinado o primeiro memorando de cooperação triangular na área dos biocombustíveis, juntando o 'know how" brasileiro, os programas de ajuda da UE para África e a definição dos africanos dos países e das regiões para a implantação dos projectos.

"Interessa a África, porque é desenvolvimento e terá aberto o mercado europeu para a sua produção; interessa ao Brasil, porque ajuda a criar um mercado mundial de biocombustíveis e interessa aos europeus, porque é uma maneira prática de promover o desenvolvimento em África", afirmou Pacheco.

O embaixador admitiu que, pela facilidade do idioma comum, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) podem ser os primeiros a ser favorecidos.

A parceria na área de biocombustíveis pretende sinalizar também, segundo João Pacheco, a intenção da UE e do Brasil de fazer acordos noutras áreas, como agricultura e saúde, nomeadamente no combate à sida e a doenças tropicais.

Os temas centrais da III Cimeira UE-Brasil, no âmbito da parceria estratégica estabelecida em Lisboa, em Julho de 2007, serão as alterações climáticas e a actual crise económica e financeira mundial.

A reunião será um seguimento de Pittsburgh, onde se encontraram na semana passada os líderes do G-20, grupo dos países mais desenvolvidos e os emergentes.

"Mas gostaríamos de ver a regulação financeira mundial mais concretizada", salientou o chefe da Delegação da Comissão Europeia no Brasil.

A Cimeira UE-Brasil pretende também uma aproximação entre europeus e brasileiros ante a Cimeira do Clima de Copenhaga, promovida pelas Nações Unidas.

Na avaliação de João Pacheco, o Brasil está numa posição "muito confortável" com o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas, que prevê metas voluntárias de redução da desflorestação.

O objectivo do plano é diminuir a desflorestação em 40 por cento de 2006 a 2010 e, depois disso, até 2017, reduzir 30 por cento a cada quatro anos, até que seja atingido o desmatamento ilegal zero, o se traduziria em menos 4,8 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.

"Para nós é importante que o Brasil definisse metas em Copenhaga, como o fez no seu Plano Nacional. Isso ajudaria a pressionar outros países, como Estados Unidos, China e Índia", destacou Pacheco.

Na declaração final da Cimeira, UE e Brasil vão indicar ainda que será assinado em breve um acordo na área de pesquisas em fusão nuclear.

O acordo com a Comunidade Europeia de Energia Atómica (Euratom), cuja assinatura não será possível durante a cimeira por uma questão de formalidades, abre as portas para a entrada do Brasil no projecto ITER - Reactor Termonuclear Experimental Internacional.

No lugar na divisão do átomo, tal como fazem as actuais centrais nucleares, as pesquisas em fusão nuclear visam reproduzir as reacções do Sol, fundindo os núcleos atómicos, para gerar energia limpa e barata.

Outro marco da cimeira poderá ser a assinatura de um acordo que alarga aos cidadãos da Letónia, Estónia, Chipre e Malta a isenção de visto de entrada no Brasil de curta duração.

Esta semana haverá uma intensificação dessas negociações em Brasília para que o acordo possa ser firmado em Estocolmo.

CMC

Lusa/Fim

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

" A Beleza da Mulher Africana "

Os corpos e as caras são de uma beleza indiscutível ; mas os olhos !...
Observem bem os olhos !...

Podem ver este video em "Rosa dos Ventos" « http://rosadosventos1.blogspot.com/



segunda-feira, 21 de setembro de 2009

China dá à Guiné-Bissau mais de 6 milhões de euros para diferentes áreas

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O ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros da China, Xhai Jun, e o ministro da Defesa da Guiné-Bissau, Artur Silva, assinaram documentos de cooperação técnica, assistência alimentar e financeira, orçados em mais de seis milhões de euros.

"Constitui para mim uma satisfação muito particular ter esta oportunidade de assinar em nome do Governo da China o protocolo de cooperação técnica entre a China e a Guiné-Bissau e um documento sobre o fornecimento de assistência em alimentação", afirma o governante chinês.

"Queria salientar que escassos dias depois da tomada de posse do Presidente (Malam Bacai) Sanhá, o Governo chinês enviou-me para efectuar esta visita, que é um símbolo para demonstrar a importância que a China atribuiu à relação bilateral com a Guiné-Bissau", salienta Xhai Jun.

O ministro chinês sublinha ainda a "vontade forte" do Governo da China de continuar a desenvolver as relações de cooperação bilateral.

"Estou convicto de que a visita de trabalho que vossa excelência efectua ao nosso país irá sem dúvida relançar as excelentes relações já existentes entre os nossos países para patamares mais altos", afirmou por seu lado o ministro da Defesa guineense, Artur Silva, em substituição da chefe da diplomacia do país, que está em Nova Iorque para participar na Assembleia-Geral da ONU.

No seu discurso o ministro da Defesa guineense pediu apoio ao Governo chinês para a "construção da cidade judiciária, cujo projecto técnico se encontra em fase de finalização, assim como a recuperação do Palácio Presidencial, destruído durante o conflito político-militar de 1998".

A assistência alimentar dada pelo Governo chinês à Guiné-Bissau está orçada em 998.000 euros e o apoio financeiro em 5,9 milhões de euros.

O ministro-adjunto chinês chegou domingo à Guiné-Bissau para uma viagem de trabalho, que termina segunda-feira com visitas às obras, financiadas por Pequim, do Palácio do Governo e do Hospital Militar.

Xhai Jun reúne-se com o vice-presidente do parlamento guineense e fará uma visita de cortesia ao Presidente Malam Bacai Sanhá.

Zhai Jun iniciou quinta-feira uma deslocação por quatro países africanos que teve início na África do Sul.

Além da África do Sul e Guiné-Bissau, Zhai Jun desloca-se também a Cabo Verde e à Mauritânia para "aprofundar relações bilaterais".

A China tem uma presença cada vez maior em África e em 2008 o comércio com o continente africano atingiu a soma recorde de 72,5 mil milhões de euros.
Na Guiné-Bissau a cooperação chinesa incide principalmente na construção de várias infra-estruturas e nas pescas.

Fonte: http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=23929&catogory=Guiné%20Bissau

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Portugal e Brasil vão ajudar Guiné

18 Setembro 2009 - 00h30 (Correio da Manhã)
África: Aliança estratégica para intervenção no Atlântico Sul
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Uma aliança estratégica entre o Brasil e Portugal, os dois mais expressivos países de língua portuguesa e os que mais desenvolvem acções em África, pode estar para breve e mudar o quotidiano e as perspectivas de futuro de vários países da região. A Guiné-Bissau, um dos mais pobres da área de abrangência dessa aliança, pode ser um dos mais beneficiados por acções conjuntas de ajuda deste grupo de países, que inclui também Angola.

A ideia foi defendida quarta-feira em Brasília pelo ministro brasileiro da Defesa, Nelson Jobim, durante um debate na Comissão de Relações Exteriores do Congresso Nacional. Jobim quer que Brasil e Portugal estabeleçam, juntamente com Angola, uma aliança para desenvolverem acções concertadas na área internacional do Atlântico Sul e Equatorial.
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Jobim e o ministro português da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, já tinham concordado com a necessidade de uma coordenação das acções de cooperação que os dois países promovem no continente africano. "É natural que os dois países que mais responsabilidades têm na comunidade de países de língua portuguesa concertem suas posições" – declarou então Nuno Severiano Teixeira, que citou a Guiné-Bissau como uma das prioridades de programas complementares de cooperação a serem concretizados por essa aliança. Para Jobim, a referida parceria tem uma importância estratégica extraordinária, dadas as imensas riquezas existentes na chamada ‘Área’, um corredor de águas internacionais entre os três continentes. Entre essas riquezas – adiantou o ministro – está uma bactéria capaz de produzir sangue humano e que hoje é pesquisada pelo Japão, além de riquezas minerais.



Domingos Grillo Serrinha, Correspondente Brasil

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Luís Amado diz que visita de Clinton a Angola e Cabo Verde fortalece lusofonia no contexto internacional

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São Tomé e Príncipe, 29 Jul (Lusa) - O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, destacou hoje a importância da visita da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, a Angola e Cabo Verde, em Agosto, considerando que fortalece a lusofonia no contexto internacional.

"É muito significativo que a secretária de Estado norte-americana decida, no âmbito de um périplo a África, visitar dois países da língua oficial portuguesa, o que revela bem a importância geoestratégica destes dois países no contexto do Atlântico e, em particular, para as relações com os Estados Unidos, que fortalece também necessariamente o espaço geopolítico que a CPLP assume no contexto internacional", disse Luís Amado à agência Lusa em São Tomé e Príncipe, onde está em visita de trabalho.

O departamento de Estado norte-americano anunciou segunda-feira que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, vai iniciar um périplo por sete países de África, a 05 de Agosto, participando num fórum sobre a cooperação económica no Quénia.

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/9956375.html

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Edital internacional para empreendimentos culturais de afrodescendentes

Desde o dia 08 de maio de 2009, o Programa Regional de Apoio às Populações de Rurais de Ascendência Africana da América Latina - ACUA, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola - FIDA, apresentou às organizaçoes de afrodescendentes rurais dos sete países da área de cobertura (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Panamá, Peru e Venezuela) o seu Segundo Edital Internacional de empreendimentos culturais, uma iniciativa que pelo segundo ano consecutivo reúne as melhores e mais notáveis experiências de empreendimentos culturais de organizações afrodescendentes em áreas rurais.

Informações e edital: http://www.programaacua.org/novedadesPR.php

terça-feira, 26 de maio de 2009

São Paulo presta homenagem à Africa


Entre os dias 25 e 31 de maio, a capital paulista recebe uma série de eventos que celebram o Dia da África, comemorado no último dia 25. Criada em 1972 pela ONU, a data simboliza a luta dos povos africanos pela liberdade no continente.

Na XIª SEMANA DA ÁFRICA 2009, os paulistanos e todos os brasileiros que passarem pela cidade, poderão optar por diversos programas, tais como: debates, concertos, exposição de fotos, cursos e exibição de filmes como "Hotel Ruanda" (2004 - foto ao lado) e "Diamante de Sangue" (2006).

Para coroar a homenagem, acontecerá no dia 29 no Centro de Ciências Exatas e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica /SP, a apresentação dos trabalhos que concorrem ao prêmio Kabengele Munanga,com projetos que abordam as características políticas, sociais e culturais da África.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Como falamos a democracia?

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Na bela cidade de Durban, falávamos eu e outros escritores africanos da surpresa do modo como, no Zimbabwe, tantos ainda apoiam Robert Mugabe. Havia, no grupo, escritores de vários países de África. Aproveitámos o que melhor há nas conferências literárias: os intervalos. A nossa perplexidade não se limitava ao caso zimbabweano. Como é que povos inteiros, em outras nações, se acomodaram perante dirigentes corruptos e venais. De onde nasce tanta resignação?
Uma das razões dessa aceitação reside na forma como as línguas se relacionam com conceitos políticos da modernidade. Por exemplo, um zimbabweano rural designa os seus líderes nacionais como entidades divinizadas, fora das contingências da História e longe da vontade dos súbditos. O mesmo se passa em quase todas as línguas bantus.
A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra «democracia»? Num idioma em que «Presidente» se diz «Deus»? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é «hossi». Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados, traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa.
Parece uma questão de ordem linguística. Não é. Trata-se do modo como se organizam as percepções e as representações que uma sociedade constrói sobre si mesma. A sacralização do poder não pode casar com regimes em que se supõe que os líderes são escolhidos por livre votação. Numa sociedade em que os súbditos se convertem em cidadãos.
Esse assunto escapa muitas vezes a quem se especializou em organizar seminários sobre cidadania e modernidade em África. A problemática política é vista, quase sempre, na sua dimensão institucional, exterior à intimidade dos cidadãos. Quando o participante do seminário explicar à sua comunidade o conteúdo dos debates usará a sua língua materna. E sempre que se referir ao Presidente ele fará uso do termo «deus». Como pedir uma atitude de mudança nestas circunstâncias?
O que se pode fazer? Será que os falantes destas línguas estão condenados à imobilidade por causa desta inércia linguística? Na realidade, existem tensões entre a lógica interna de algumas destas línguas e a dinâmica social. Estas tensões não são novas e sempre foram resolvidas a favor da adaptação criativa e da criação de futuro.
Já no passado, as culturas africanas (e todas as outras em todos os continentes) tiveram que se moldar e se reajustar perante aquilo que surgia como novidade. Eu mesmo testemunhei o modo veloz como as línguas moçambicanas se municiaram de instrumentos novos, roubando e apropriando-se de termos não próprios.
Com o uso generalizado esses termos acabaram indigenizando-se. Sem drama linguístico, sem apoio de academias nem de acordos ortográficos os falantes dessas línguas «pediram» de empréstimo palavras de outros idiomas. Moçambique é, nesse domínio, um caldeirão dessas mestiçagens.
Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Eles começaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso de termos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais.
Tudo isto nos traz a convicção do seguinte: a capacidade de questionar o presente necessita de língua portadora de futuro. A necessidade de sermos do nosso tempo e do nosso mundo exige línguas abertas ao cosmopolitismo. África – tantas vezes pensada como morando no passado – já está vivendo no futuro no que respeita à condição linguística: quase todos africanos são multilingues.
Essa disponibilidade é uma marca de modernidade vital. O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira.

Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição de Abril da revista África 21

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Lágrima do Sul



«Chorar é arder no lume do Purgatório, - uma purificação deslumbradora! Duas sensações irmãs: o deslumbramento e o alívio. É o alívio da criação, o da mãe ao ver pousar, no berço, o filho que trouxera nas entranhas! E o de Rafael ao ver, numa tela, a Madona que se lhe pintara na fantasia. É a mesma treva que se ilumina, e nos mostra esse jardim do Éden encantado em cada deserto, como se cada areia do deserto escondesse uma gota de orvalho, e a sede ardente a fresca fonte.
(...) O riso, que é luz, brilha nas lágrimas; e adquire, no seio daquelas gotas cristalinas, a força explosiva (...).»
Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

«Uma lágrima é a melhor poesia.
É esse o soberano poema da mulher - a Piedade.»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra



«E há muito sol que nunca amanheceu»
Teixeira de Pascoaes

sábado, 28 de março de 2009

Retornados, O Adeus a África, de António Trabulo

No auditório do Hospital dos Capuchos, a 27 de Março de 2009

CUMPRIU-SE O MAR
E O IMPÉRIO SE DESFEZ

A História magoa. A independência das colónias forçou meio milhão de portugueses a regressar a Lisboa.
Quem vinha, trazia amargura na bagagem e teve de se adaptar a uma terra que, em muitos casos, não conhecia.
Este romance fala de retornados.
Foi escrito a pensar em homens e mulheres que ainda revisitam África nos sonhos



O Autor

António Trabulo nasceu em Almendra (Foz Côa) em 1943.
Fez a instrução primária e secundária em Sá da Bandeira (Angola) estudou Medicina em Coimbra.
É Neurocirurgião.
Publicou:
Mulemba, Contos de África - 2003
No tempo do caparandanda - 2004
O Diário de Salazar - 2004
Eu, Camilo - 2006
Os Colonos - 2007
A Última Profecia - 2007

A mesa que apresentou a obra

O Autor, sua filha Cláudia Trabulo, o Director do Hospital dos Capuchos, Dr. Gomes da Silva e o Engenheiro Segadães Tavares, que apresentou este romance


Dr. Gomes da Silva, no uso da palavra


Engenheiro Segadães Tavares apresentando este romance


Parte da assistência

Nota: editado por "Editorial Cristo Negro", Europress, Lisboa 2009
ISBN: 978-989-96136-0-7
Depósito Legal: 290329/09

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ELEIÇÕES EM ANGOLA


É de salientar a presença de uma Comissão de Observadores da CPLP nas eleições em Angola.É um acto, quanto mais não seja, afirmativo de existência.

De salientar, também, a opinião da chefe da comissão de observadores da UE, que classificou a organizaçao das eleições como "um desastre". Igualmente, a opinião contrária dos membros portugueses dessa comissão ( mas isso entende-se ).

De grande relevância será o parecer que a comissão da CPLP seja capaz de trazer a público.Disso é que estou à espera com certa curiosidade.

sábado, 23 de agosto de 2008

HUKALILILE, II




«Não sou comunista porque o comunismo para nada serve. Nem sou capitalista. O socialismo é a única solução para este país. Os que lideraram este país para a independência não se podem transformar nos exploradores do seu povo. Queremos o socialismo, mas qual? Existem o ortodoxo e o extremista. Nós queremos o democrático, a social democracia.»

«Sou contra a nacionalização; é uma doença que drena o vigor de qualquer economia nacional. A verdadeira questão é renegociar os lucros legítimos. As companhias estrangeiras precisam dos seus lucros, não investirão sem eles. Mas o povo de Angola precisa do seu quinhão. Numa Angola independente os investidores têm que saber que o povo angolano terá um quinhão maior.»

«Suportamos inteiramente o estado de détente. Há a necessidade de viver em paz nesta região, isso é imperativo. Eis porque suportamos inteiramente as iniciativas dos Presidentes Kaunda, Nyerere e Seretse Khama. O Primeiro Ministro Vorster é um líder inteligente e só pode saber que a independência de Angola terá efeitos sobre a África do Sul. Espero que o futuro líder desse país seja realista. Temos uma barragem no Cunene. Investimentos que envolvem a África do Sul. Deveremos ostracizá-los? Espero que a liderança em Angola venha a ser realista o bastante para cooperar com qualquer país, apesar de diferenças nos sistemas políticos.»

«Somente eleições – eleições livres – sob vigilância da Organização da Unidade Africana podem fornecer uma solução definitiva. Mas primeiro haverá que termos um curto período de governo de transição em que ambas as partes estejam representados. Mas, no final, a urna eleitoral deve decidir, não as balas.»


Jonas Savimbi, in Men at War: Angola's Liberation Leaders, Robin Wright, December 12, 1975, Alicia Patterson Foundation

Tradução de Klatuu Niktos


PAULO FLORES – «SAUDADES»


quarta-feira, 20 de agosto de 2008

MEMÓRIA DO ESQUECIMENTO


1ª Parte – Capítulo VIII

– Ai...uuu...é! Ai...uuu...é!

Eu brincava na vala sobre as raízes da tangerineira que lhe serviam de ponte e onde atava moinhos de cana que rodavam com a corrente. A mesma que atravessava o quintal entrando pelo tanque de lavar a roupa, onde o musgo prendia avencas que se espelhavam vaidosas à sombra da roseira de molhos de flores cremes, pequenas e olorosas, passava pela goiabeira ao lado e corria até bem ao fundo da horta, por entre as laranjeiras, esgueirando-se depois sob o muro até à lagoa grande lá em baixo.

A vala continha tesouros sem preço, nas noites ressoando o croá-croá dos sapos de goela inchada, os fios de gelatina pintalgados e esguios, longos, longos, presos nas beiras e ondeando coleantes na correnteza alegre. Os girinos escuros chegados logo depois dando à cauda, escorriam por entre os nossos dedos que em vão os queriam reter, ocupando horas infindas dos nossos dias.

A algazarra era imensa lá fora e eu trepei ao muro de adobe no fundo do quintal para mais depressa saber o que se passava. Corri um pouco ao longo do mesmo, esbarrei entretanto esfolando-me nas pernas e braços, mas segui em frente, sacudindo de mim a terra.

– Patrão matou jacaré. Vem, menino. Anda ver!

– Mentira… – mas continuei a correr.

Era certo que meu pai tinha saído a seguir ao almoço, fora dar uma volta pela fazenda à caça, decerto descera até ao rio e eu nem sequer o tinha ouvido chegar.

– É... é…! Verdade, menino!

Realmente a carrinha estava parada em frente ao portão grande, ajoujada com o peso do animal de que eu só conseguia ver a cauda pendurada. Cheguei arquejante junto ao círculo onde se juntavam todos: cozinheiro, lavadeira, criados, serventes, pastores, mulheres, garotos. Os mais pequenos escondiam-se agarrados aos panos das mães, assustados; as mulheres juntavam as mãos junto ao rosto como quem reza ou tapavam a boca com uma das mãos, segurando no outro braço o filho de colo; os homens comentavam:

– O’ngando inê...ê...êne!

– Haaca!

– Hum...hu. Avôiô...ô...!

Meu pai sorria, satisfeito, a língua a brincar com o capim seco na boca, de botas altas, enlameadas, rosto afogueado, cabelo colado à testa. Tinha chovido muito nos últimos dias e o rio transbordava, via-se de casa. Havia um tipo de veados que meu pai caçava – chissóvio – que habitavam os capinzais da beira-rio e raramente apareciam, saindo apenas durante as cheias, quando o nível das águas os forçava, e por isso meu pai descera. A sua carne era muito macia, de gosto agradável, e a pele de tom castanho-dourado, com leves riscas brancas no dorso, era sempre aproveitada: depois de salgada e seca ao sol, bem esticada, depois raspada com uma pedra para a amaciar, servia então para atapetar os quartos da casa.

Não era todos os dias que aparecia um crocodilo descuidado nas margens das lagoas de águas turvas que ladeavam o rio. Fora um acaso encontrá-lo e acertar-lhe no ponto certo para o imobilizar de imediato para que não pudesse deslizar para a água. Vezes sem conta os vi dentro do rio, boiando como um tronco pequeno onde se distinguiam apenas os olhos, mas atirar-lhes estava fora de questão, nunca poderiam ser retirados. Foi um dia de festa para todos, pois era muito apreciada a carne branca do réptil. Para nós, ficou a recordação de um cheiro pestilento e nauseabundo, que durante três dias empestou tudo em redor. E a pele.

É verdade, tenho de não me esquecer de estender esta ao sol, agora que está calor. É que no Inverno há demasiada humidade e pode encher-se de bolor. Há que preservá-la, afinal veio comigo de Angola num caixote, salgada, para ser curtida numa casa ali à Praça da Figueira, em Lisboa, vai para 40 anos…

Veio, foi, voltou. E aqui está intacta. Desafiando tudo. Enrolando tudo o que sobra das vidas que ficaram, no seu rolo escuro dentro do papel pardo, no armário húmido.

(segue)

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Debate 1: cadê os africanos?


Existe uma separação entre a África lusófona e Brasil-Portugal?

Além de já ter participado de listas africanas, onde eu me sentia um completo estrangeiro, não vejo quase africano nenhum em sites como este, ou o Braganza ou o Minguante.

Queria propor este debate: os africanos se exilam da lusofonia online? Ou os problemas seriam econômicos mesmo, não permitindo que mais africanos adentrem o universo da internet?

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

NOS TERÁ É NHOS TÉRA (our ground is your ground)









Fui ao encontro do meu continente. A terra cresceu para mim, mais seca e mais árida do que a minha anhara do planalto da infância. Qual superfície lunar, areia e pedra solta por toda a ilha, até ao horizonte. E então o mar. As águas límpidas, as ondas mansas, a areia suavíssima a afagar os pés. Logo a seguir o mergulho da entrega à frescura ímpar da água ansiada. Um prazer de deuses.

Na ilha mais árida de Cabo Verde, a Ilha do Sal, o turismo com os melhores hotéis e resorts em construção, as praias magníficas, fazem dela a mais frequentada do arquipélago. E Portugal presente, manifestado no mais banal: na sinalização das estradas, indicações de direcção, nas caixas estandardizadas para encomendas nos correios, na palavra dos guias referindo a Pedra de Lume como o primeiro encontro da terra com os portugueses. No nome dos barcos. Na referência à continuação dos estudos, completado o Ensino Secundário. Coimbra, o destino preferencial dos estudantes para o curso superior. E, claro, o futebol. Sou do Sporting, diz o nosso guia Hércules que tem uma filha a estudar em Faro.

Mas o inglês faz ali o seu trabalho, sem esmorecer. Um casal de ingleses conduz-nos à noite para o local onde as tartarugas fazem habitualmente a desova. Ela, residente no arquipélago desde há cinco anos, fala fluentemente o crioulo. E português? Entende, mas não fala, naturalmente. Não lhe interessa.

Hei-de voltar com mais tempo para conhecer as outras ilhas. No Sal, o turismo inflacionou tudo, a habitação condigna tornou-se incomportável para os autóctones, sem salário mínimo sequer estabelecido. A construção agressiva por parte dos italianos ocupa pedaço considerável das terras à beira-mar, desrespeitando o ambiente, levando o governo a impedir recentemente a ocupação de mais terrenos para construção. Os salários são baixos. A terra nada produz com a falta de chuvas. A Terra Boa, onde todos têm um espaço de cultivo, pujante ainda há duas décadas, está reduzida a algumas acácias tristes, dobradas pela seca e pelo vento quente que sopra de África.

Mas há escola para todos e ali ensina-se a Língua Portuguesa.


segunda-feira, 11 de agosto de 2008

MEMÓRIA DO ESQUECIMENTO


1ª Parte – Capítulo VII


Demorou pouco, porém o suficiente para começar a sentir-se incomodado fisicamente. Logo o assistente, de jeito afável e solícito, o ajudou a levantar para regressar ao cubículo onde tinha deixado a sua roupa. Esperou ainda algum tempo e logo a seguir o outro exame, menos confrangedor.

Já na recepção, foi informado de que os resultados da ecografia e da TAC só estariam prontos na semana seguinte. Teria ainda de vir em jejum retirar sangue para análises diversas. Outra coisa que o constrangia, sem compreender como não tinham ainda inventado uma forma menos mórbida de fazer essa extracção. Claro que é uma questão de somenos, sangue é vida, deveria ser olhado naturalmente, mas não era o único – sabia-o – para quem a visão do líquido pastoso e vermelho fervilha no cérebro mais no sentido da morte. Depois era sempre uma agulha enorme, uma seringa amplíssima, só de pensar naquele instrumento a perfurar a pele provocava-lhe arrepios, quando não lhe dava a volta ao estômago.

Amanhã não podia ser, era dia de reuniões; logo a primeira, reunião geral às nove, nunca se sabe a que horas termina, nem pensar, talvez no dia a seguir. Anotou as datas na sua agenda de trabalho.

Entrou no carro e, distraidamente, ligou o rádio. Pensou aproveitar e passar no supermercado, há sempre alguma coisa a comprar, mas a música que ouvia agradou-lhe e resolveu escolher o caminho mais longo para chegar a casa, conduzindo brandamente. Felizmente havia já boa música portuguesa. Alguns grupos dedicavam-se à pesquisa e recriação de dizeres e cantares de antanho e o resultado era admirável. Não sabia os nomes nem se preocupava em identificá-los; aquela voz feminina era vibrante e de timbre melodioso a sobressair dos sons de cordas e tímbalos bem cadenciados. Era leigo na matéria, mas sabia ouvir com a alma.

Continuou em direcção a casa, deixando as compras para outra altura. Queria mesmo não pensar em nada, ser capaz de parar o rio dos pensamentos que lhe povoavam as entranhas. Tinha trabalho a fazer para a escola, que o Verão chegava ao termo e a preparação do novo ano lectivo já começara. Organizava um guia do professor, tentando colmatar algumas falhas que se repetiam ano após ano com o desconhecimento das normas da instituição pelos novos professores que sempre chegavam; calendarizava as semanas e dias de cada período, reunia materiais e programas para as planificações habituais, preparava já os testes de diagnóstico. Este ano não entrava na comissão de horários, sentia-se demasiado cansado para conseguir a concentração necessária para essa tarefa. Lá ia o tempo em que, com verdadeiro afã, preparava a chegada dos novos elementos vindos de outras escolas. Um piquenique na Serra, na Fonte Mariana, nos Olhos d’Água, almoço num restaurante, raras vezes. A seguir, um passeio pelos lugares à volta, donde provinham as crianças normalmente mais carenciadas, que necessitavam de maior apoio, quer a nível pedagógico, quer económico, e nem sempre bem referenciado. Havia que estar atento e o conhecimento dos locais de origem das crianças pelos professores e, principalmente, pelos directores de turma, era fundamental na detecção de falhas nas crianças. Quantas tinham de levantar-se de madrugada para apanhar o autocarro e estar a horas do primeiro tempo na escola, muitas vezes sem pequeno-almoço tomado, sonolentas de uma noite mal dormida, mal aquecida, sem a higiene devida.

Deu o sinal horário na Antena 1 e o noticiário abriu com uma série de dislates proferidos pelo Senhor da Ilhas. Sem lhe discutir o conteúdo, mas a forma, e apenas a forma, como educador, aquilo pareceu-lhe mentira; não podia ser verdade o que os seus ouvidos escutavam. Num repente sentiu o vazio da sua profissão, ali pôs em causa todo um percurso de vida. Ser professor não era para ele mera profissão, era entregar-se por inteiro, mostrar-se tal como sentia, como o baobá daquele conto africano que gostava de ler aos seus alunos. Era ensiná-los a viver, a colher, a ser, como o lebrão, alegres e irreverentes e curiosos e espantados e sinceros e doces e carinhosos e caridosos e também perspicazes para conhecer as hienas... ser professor era ser exemplo na hombridade e no carácter, era ser rei. E ser rei era ter sangue vermelho nas veias, era lutar na frente de combate, era ser respeitado porque mais experiente, mais sabedor, mais compreensivo e também humilde para ouvir os outros, mas com força para impor a lei.

Hoje as leis não se cumprem porque as há em excesso e a quantidade reduz a qualidade; depois, perde-se demasiado tempo a escrever sobre elas. Pouco se faz por intuição, por vocação, por amor. Tudo é obrigação, tudo é contabilizado para ser pago. Foi-se o tempo da permuta, da troca de bens, tudo se vende por dinheiro. Mesmo os sacerdotes têm ordenado para dizer missa, que não para encaminhar as almas que os não procuram já. Assim se cumpre o segundo milénio de cristianismo que já não tem lugar porque se perdeu na bruma do progresso que tudo altera, qual a humidade que penetra nos ossos e nas máquinas ali criando a ferrugem que mina e destrói.

Circulava em via de tolerância zero, que ele já desrespeitava com o ponteiro a ultrapassar os noventa, e os carros que vinham atrás passavam e zarpavam, desaparecendo a breve espaço. Nas auto-estradas quem respeita o limite? Ninguém, e ninguém é punido por isso. Passam as motos a velocidades estonteantes, ziguezagueando por entre os carros; passa o ministro, passa porque tem pressa, os guardadores da lei abrem caminho. Passa porque é ministro, passa porque tem trabalho, passa porque tem de chegar a tempo, passa e não respeita a lei. Aprova a lei mas para os outros, que ele está acima das que propõe e aprova. Para os outros.

Accionou o pisca-pisca e saiu da estrada principal, virou no meio de pinheiros e mimosas, um eucaliptal a seguir. Extenso, fundo, quase a lembrar os que davam apoio ao CFB na sua terra, relativamente, claro, mas doía-lhe ver tudo cercado de eucalipto, a minar a terra e os lençóis de água deste país ameno, cobrindo os campos outrora território de pinheiros. Os fogos chegam mais facilmente, trepando das ervas pelos troncos secos e folhosos do eucalipto, cedo atingindo os cumes e logo propagados num ápice. Será que ninguém entendia isto? Governos atrás de governos, de centro direita e de centro esquerda, nenhum tocava no óbvio, era difícil prescindir do reverter de milhões das companhias de celulose.

Um pouco mais e estava em casa. Entrou na garagem vazia, sinal de que estaria só por algum tempo. Sentia-se cansado, muito cansado e soube-lhe bem o silêncio. Subiu as escadas e a cada degrau as têmporas doíam mais forte; a respiração longa e compassada deixava sentir o sangue em sobressalto correndo desvairado dentro de si. Precisava parar, não pensar, não sentir, não ouvir-se. Tomou um ansiolítico com um copo de leite quente e estirou-se no sofá.

(segue)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Língua e a Cultura Portuguesa no Senegal

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A língua portuguesa já fala do Senegal desde há vários séculos. Os cronistas que referiram as primeiras escalas dos navegadores na costa ocidental de África falaram de Çanaga. Não era a terra, nem um país, era um rio, o primeiro grande rio que encontraram naquela costa, hoje chamado Rio Senegal.

Mas os descobridores não iam à procura de rios, mas de mares, e por isso continuavam sem se deter. À passagem, ainda no Senegal, encontraram, em 1444, uma ilha a que deram o nome de ilha da Palma (hoje Gorée, património mundial da humanidade) e um outro rio que já não existe, coberto pela urbanização, a que chamaram Rio Fresco, que deu o nome à cidade arrabalde de Dakar, hoje chamada Rufisque.

O objectivo dos navegadores era a Índia, mas a língua portuguesa, antes de falar da Índia, falava de Cabo Verde, ponta da península em forma de cone pela qual a África entra pelo mar oceano, dando a esse miradouro de África sobre o Atlântico o nome de cabo Manuel, do Rei D. Manuel I.

Duarte Pacheco Pereira, no «Esmeraldo de Situ Orbis», Valentim Fernandes, Gomes Eanes de Zurara, Francisco de Lei-nos Coelho, Francisco de Andrade, Álvares de Almada, e vários outros, escreveram sobre as costas e as gentes do que é hoje o Senegal. E outros escritores contemporâneos de língua portuguesa escreveram também sobre o país - Agostinho da Silva, Jorge de Sena, António de Certima (este, dois livros inteiros), José Eduardo Agualusa.

Faltava ainda que a poesia de língua portuguesa falasse do Senegal. E não foram dois poetas quaisquer. Um, o maior da língua, o outro dos maiores, fizeram a língua portuguesa falar de Çanaga, falar do Senegal: Luís de Camoes, n' Os Lusíadas, escreve uma estância no canto V sobre a costa do Senegal e, no século XX, João Cabral de Melo Neto, que foi embaixador do Brasil em Dakar, dedicou alguns poemas ao Senegal.

O ensino da língua portuguesa no Senegal é dos mais significativos em todo o mundo. O português faz parte do currículo liceal, como língua de opção, e é hoje ensinado em cerca de 60 liceus públicos e alguns colégios privados, com 120 professores senegaleses, agrupados numa «Associação de Professores de Português no Senegal», e 12 mil alunos inscritos. Em 8 dessas escolas há mesmo um Clube de Português.

O decreto que instituiu o ensino do português deve-se ao presidente Leopold Sedar Senghor, em 16 de Março de 1972, para o qual contribuiu muito a positiva influência do guineense Benjamim Pinto Bull, nesse tempo professor em Dakar.

Em Outubro de 2006, completou-se o primeiro centenário do nascimento de Senghor que, no discurso de doutoramento honoris causa pela Universidade de Évora, em 17 de Junho de 1980, falou da língua portuguesa:"Le portugais est une des langues vivantes enseignees au Senegal, dams les lycées et a l'Université. Cette langue aux sons fondus et nuances, au vovelles en demi-teintes, airy successions, deconcertantes, de nasales et de chuintantes."

In
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br.