A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

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Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

"Que não os olhava de cima para baixo"

"Os senegaleses estão dizendo que, pela documentação portuguesa da época, quando eles podem ver como se comportavam os homens que ficavam lá a comerciar e que até ali constituíam família africana entrando na mestiçagem, eles acham que essa gente compreendeu muito bem o africano, que não os olhava de cima para baixo, mas que os achava uma gente, decerto diferente, mas com muita coisa que consistia uma plataforma em que eles se podiam perfeitamente entender uns aos outros e entrar em empreendimentos comuns. Mas quando vem a intervenção armada e organizada de Portugal a coisa muda completamente no Senegal."
Agostinho da Silva, inédito.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Língua e a Cultura Portuguesa no Senegal

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A língua portuguesa já fala do Senegal desde há vários séculos. Os cronistas que referiram as primeiras escalas dos navegadores na costa ocidental de África falaram de Çanaga. Não era a terra, nem um país, era um rio, o primeiro grande rio que encontraram naquela costa, hoje chamado Rio Senegal.

Mas os descobridores não iam à procura de rios, mas de mares, e por isso continuavam sem se deter. À passagem, ainda no Senegal, encontraram, em 1444, uma ilha a que deram o nome de ilha da Palma (hoje Gorée, património mundial da humanidade) e um outro rio que já não existe, coberto pela urbanização, a que chamaram Rio Fresco, que deu o nome à cidade arrabalde de Dakar, hoje chamada Rufisque.

O objectivo dos navegadores era a Índia, mas a língua portuguesa, antes de falar da Índia, falava de Cabo Verde, ponta da península em forma de cone pela qual a África entra pelo mar oceano, dando a esse miradouro de África sobre o Atlântico o nome de cabo Manuel, do Rei D. Manuel I.

Duarte Pacheco Pereira, no «Esmeraldo de Situ Orbis», Valentim Fernandes, Gomes Eanes de Zurara, Francisco de Lei-nos Coelho, Francisco de Andrade, Álvares de Almada, e vários outros, escreveram sobre as costas e as gentes do que é hoje o Senegal. E outros escritores contemporâneos de língua portuguesa escreveram também sobre o país - Agostinho da Silva, Jorge de Sena, António de Certima (este, dois livros inteiros), José Eduardo Agualusa.

Faltava ainda que a poesia de língua portuguesa falasse do Senegal. E não foram dois poetas quaisquer. Um, o maior da língua, o outro dos maiores, fizeram a língua portuguesa falar de Çanaga, falar do Senegal: Luís de Camoes, n' Os Lusíadas, escreve uma estância no canto V sobre a costa do Senegal e, no século XX, João Cabral de Melo Neto, que foi embaixador do Brasil em Dakar, dedicou alguns poemas ao Senegal.

O ensino da língua portuguesa no Senegal é dos mais significativos em todo o mundo. O português faz parte do currículo liceal, como língua de opção, e é hoje ensinado em cerca de 60 liceus públicos e alguns colégios privados, com 120 professores senegaleses, agrupados numa «Associação de Professores de Português no Senegal», e 12 mil alunos inscritos. Em 8 dessas escolas há mesmo um Clube de Português.

O decreto que instituiu o ensino do português deve-se ao presidente Leopold Sedar Senghor, em 16 de Março de 1972, para o qual contribuiu muito a positiva influência do guineense Benjamim Pinto Bull, nesse tempo professor em Dakar.

Em Outubro de 2006, completou-se o primeiro centenário do nascimento de Senghor que, no discurso de doutoramento honoris causa pela Universidade de Évora, em 17 de Junho de 1980, falou da língua portuguesa:"Le portugais est une des langues vivantes enseignees au Senegal, dams les lycées et a l'Université. Cette langue aux sons fondus et nuances, au vovelles en demi-teintes, airy successions, deconcertantes, de nasales et de chuintantes."

In
dialogos_lusofonos@yahoogrupos.com.br.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Português pode ser língua oficial na Guiné Equatorial


O Senegal vai tornar-se este mês o terceiro país adquirir o estatuto de observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas a lista de espera é longa e inclui nações de geografias tão improváveis como o Leste europeu.
Ucrânia, Croácia e Venezuela já fizeram chegar o seu interesse ao 32 da Rua de São Caetano, à Lapa, em Lisboa , onde a CPLP está instalada num palacete novecentista cedido pelo Governo português.Constituída há 12 anos, com sete países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe), a CPLP alargou-se a oito, em 2002, com a adesão de Timor-Leste.
Em 2006, na Cimeira de Bissau, a comunidade aceitou os seus dois primeiros países associados: Maurício e Guiné Equatorial.Maurício (país do Índico usualmente designado como Maurícias) é habitado por duas comunidades, uma de origem indiana e outra africana, originária de Moçambique, daí o interesse em participar na CPLP, com o actual estatuto de associado.
A Guiné Equatorial não descarta a hipótese de passar a ser o 9.º membro efectivo, depois de acrescentar o português às suas duas línguas oficiais; castelhano e francês. Antiga colónia portuguesa, foi objecto, no século XVII, de um negócio com a Espanha, que. em privado, o Presidente da Guiné Equatorial faz questão de lamentar. Em troca, Portugal recebeu da Coroa espanhola um território na América do Sul que foi integrado no Brasil.
Na Cimeira de Lisboa, que terá lugar no Centro Cultural de Belém, nos próximos dias 25 e 26, será a vez da formalização da adesão do Senegal.Mas na próxima cimeira de chefes de Estado, a realizar em Luanda em 2010, já deverá ser necessário pôr mais lugares à mesa. "Temos sido abordados por diversos países que exprimiram informalmente o seu interesse em aproximarem-se e solicitar o estatuto de associados", reconheceu o embaixador Luís Fonseca, o diplomata de Cabo Verde que é secretário executivo da CPLP desde há quatro anos.
O embaixador escusou-se a nomear os país interessados, que são essencialmente de duas origens geográficas: Leste da Europa e América do Sul.No continente sul-americano, a CPLP é atraente aos olhos de todos os países que fazem fronteira com o Brasil: Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa, Guyana, Paraguai, Suriname, Peru, Uruguai e Venezuela, em particular deste último onde existe uma forte comunidade portuguesa e o presidente Chávez se encontra em rota de colisão com o Governo de Madrid. Ucrânia e Roménia são dois candidatos óbvios, devido aos laços que estreitaram com Portugal através de fluxos migratórios. Menos óbvio é o interesse croata.
O forte crescimento do Brasil e Angola ajuda a perceber esta explosão de interesse que a CPLP está a despertar em diversos cantos do Mundo.Com o preço do barril do brent a roçar os 150 dólares, há muita gente a querer ser amiga de uma comunidade em que metade dos seus membros têm petróleo (Brasil, Angola, Timor e São Tomé).

http://dn.sapo.pt/2008/07/16/nacional/venezuela_ucrania_e_croacia_querem_d.html