A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Mostrar mensagens com a etiqueta Música Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Música Portuguesa. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Petição que nos chegou...

.
Petição pública: por uma ANTENA 1 mais divulgadora da música portuguesa

«Decerto já se aperceberam que a nossa ANTENA 1 não está a fazer um verdadeiro serviço público, no que concerne à divulgação da nossa música portuguesa, nomeadamente, de uma forma desinteressada, com a difusão de grupos e/ou intérpretes individuais de todo o país. Como Editor Fonográfico há treze anos (http://www.emilianotoste.pt/) e, actualmente, com um catálogo considerável na área da música portuguesa, com alguns intérpretes nomeados para os principais prémios deste país, tenho verificado que os meus editados não têm sido contemplados com uma divulgação efectiva, tendo-o sido, apenas, de uma forma pontual (por exemplo, através de ARMANDO CARVALHÊDA e ANA SOFIA CARVALHÊDA, a nível nacional e MÁRIO JORGE PACHECO e SIDÓNIO BETTENCOURT, a nível regional). O mesmo sentem outros editores que, também, têm prestado um serviço sério e contributivo para a dignificação da arte musical portuguesa.
É de salientar que esta posição não é isolada, porque reflecte o sentir de muitos cidadãos, com os quais tenho dialogado sobre este assunto.
Para não irmos mais longe, basta-nos percorrer a nossa vizinha Espanha e verificarmos a sorte que têm os seus cidadãos músicos. São muito bem divulgados!
É por este motivo que me dirijo a vós, no sentido de contar com o vosso contributo, através da vossa assinatura (no caso da vossa concordância), a qual chegará às Entidades responsáveis por este serviço público, alertando-as para esta pobre realidade que, em nada dignifica a nossa cultura, a nível nacional e internacional.
Desde já, muito obrigado pelo vosso contributo.

Subscreve,
Emiliano Toste - Editor Fonográfico e Professor - BI: 5012748» (in http://www.peticaopublica.com/?pi=P2009N490)


Esta é uma petição muitíssimo pertinente e só peca por tardia porque efectivamente a atitude das direcções da RDP-Antena 1, depois da saída de João Coelho e de António Cardoso Pinto (director interino durante algum tempo), face à música portuguesa de qualidade tem sido absolutamente indigna e indecorosa. Atente-se em qual a música que entra na 'playlist' e na que é deliberada e criminosamente excluída. É facilmente constatável (e já tive oportunidade de o fundamentar no texto 'Playlist' da Antena 1: uma vergonha nacional) que a rádio do Estado, longe de prestar um serviço cabal e conveniente no que à música portuguesa diz respeito, se tornou numa espécie de extensão dos departamentos comerciais das editoras mais poderosas e influentes. Resultado: tudo o que não tem a chancela daquele 'lobby' de interesses é implacavelmente posto à margem e deixado na sombra.
De facto, são muitos os discos de música portuguesa de qualidade que a Antena 1 ignora e/ou marginaliza (cf. Grandes discos da música portuguesa: editados em 2008). E tal acontece não só na afunilada 'playlist' como em programas de autor (por exemplo, no "Vozes da Lusofonia" que deixa de fora álbuns distinguidos com o Prémio José Afonso e contempla – pasme-se! – discos cantados em inglês). Ora, sabendo-se que não é das 'majors' que actualmente sai a melhor música portuguesa, a situação vigente na estação do Estado assume ainda maior gravidade. Esta tem sido uma temática que tenho recorrentemente tratado no blogue "A Nossa Rádio" (http://nossaradio.blogspot.com/), tendo o cuidado de enviar os textos a quem de direito, mas parece que ninguém está interessado em atacar o cancro. Insensibilidade do poder político e das entidades competentes para o problema (que tantos prejuízos tem causado e continua a causar à música portuguesa mais qualificada) ou medo de bulir com interesses instalados? Talvez a resposta seja um misto das duas coisas. Em França e Espanha, como se sabe, estas coisas são tratadas muito seriamente. Por cá, é o deixa andar: "não te rales que eu também não". Esquecem-se as entidades responsáveis que o problema tem uma repercussão cultural (e não só) bem mais nefasta do que à partida possa parecer.
Para a Antena 1, creio que existe uma quota obrigatória de 60 % de música portuguesa. Eu pergunto: de que forma é que tal quota está a ser preenchida? Já alguém se deu ao cuidado de o averiguar? Embora tenha sérias dúvidas quanto ao cumprimento da percentagem em si mesma, dada a profusão de música anglo-americana (ainda por cima de baixíssima qualidade), há outra coisa ainda mais preocupante e inaceitável. Refiro-me obviamente ao facto da 'playlist' estar monopolizada por um único género musical: a pop (a anglo-americana e a nacional, em geral esteticamente tributária daquela). Os géneros musicais de menor potencial económico (portanto, sem interesse para as 'majors', as quais têm de atingir determinados resultados em termos de lucros, porque assim o exigem os accionistas) são implacavelmente marginalizados, sendo relegados para minúsculos apontamentos (durante a semana) ou para programas de autor (ao fim-de-semana), sendo que no último caso nem isso acontece para a música tradicional/folk portuguesa, o que não pode deixar de se considerar uma lacuna muito grave do serviço público de rádio.
Por tudo isto, Emiliano Toste e todos os outros editores que vêem as suas edições serem marginalizadas pela rádio do Estado têm muitíssima razão em se queixarem. Mas os prejudicados não são apenas os pequenos editores: são também os numerosos artistas de mérito silenciados ou deficientemente divulgados, designadamente os que têm vínculo contratual com uma pequena editora ou que lançam os seus trabalhos em edição de autor, e, como não podia deixar de ser, também os ouvintes/contribuintes que assim vêem ser-lhes sonegada, pela rádio que financiam, a oportunidade de tomarem conhecimento de uma parte significativa da boa música portuguesa que se vai produzindo entre nós.
Por um acaso do Destino ou por determinação da Providência ou do Grande Arquitecto do Espaço-Tempo, não me foi dado viver no tempo em que Oliveira Salazar e Marcelo Caetano governaram Portugal, e nessa medida não posso testemunhar com conhecimento de causa qual a música que predominava na Emissora Nacional, a antepassada da Antena 1. Mas baseando-me nos relatos escritos e falados de quem viveu na época, não andarei longe da verdade se disser que o género de música que tinha honras de privilégio era o chamado nacional-cançonetismo (julgo que a expressão é da autoria do jornalista João Paulo Guerra, que actualmente faz a revista de imprensa nas manhãs da Antena 1). E se assim acontecia era porque o regime totalitário o ditava: havia, portanto, uma razão ideológica subjacente. O Estado Novo terminou em 25 de Abril de 1974, e se é certo que o nacional-cançonetismo praticamente desapareceu do éter nacional, inclusive da rádio do Estado, não deixa de ser igualmente verdade que na mesmíssima rádio do Estado, o seu lugar está neste momento a ser ocupado pelo seu equivalente hodierno – a música pop. Com explicar tal situação num regime constitucionalmente democrático e pluralista? A democracia pressupõe o pluralismo de expressão/comunicação e a garantia do exercício de livre escolha por parte dos cidadãos. Mas a livre escolha só é possível se as pessoas tomarem conhecimento do que existe, porque só se deseja e se ama o que se conhece (como diria Fernando Pessoa). Ora é precisamente neste ponto que a rádio pública tem o seu papel a desempenhar, divulgando as obras de qualidade, e sem olhar a quem: se o editor/artista é X ou Y ou se está radicado em Lisboa, no Minho ou no Algarve. Uma rádio pública generalista de âmbito nacional deve reger-se pelo princípio da equidade e dar igualdade de oportunidades a todos os nacionais que apresentem trabalhos de mérito. Não pode favorecer escandalosamente uma parte dos editores/artistas (seja por conluio verbal ou tácito, seja através das famigeradas avenças de promoção), nem tomar partido por uma determinada estética ou linguagem musical como se essa fosse a música oficial do regime. O condicionamento/dirigismo do gosto é uma coisa própria de regimes totalitários (de direita ou de esquerda, para o caso vale o mesmo) e julgo que ninguém defende isso em democracia. Mas é precisamente isso o que a actual direcção de programas da Antena 1 vem fazendo na prática, ignorando por completo as disposições consignadas na legislação que enquadra o serviço público de radiodifusão!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Mar de Atlas e o Céu de Tártaro




Barro cinzento esculpido
A imagem da mãe e do menino
Em máscaras de gás
Nuvens de poeira.

Sozinha em frente ao mar
Devagar assobio ao vento
Quente do Verão que passa…
A Nostalgia fere-me os sentidos docemente

E apaga-me aos poucos, deixando apenas
No horizonte uma antiga fotografia do pôr-do-sol
E uma melodia sem graça, mas triste.
A saudade caminha comigo ao longo das dunas cinzentas.

Vale deserto onde a luz vai e vem
Nas mãos das nuvens de fumo.
E as gotas da chuva de Verão batem vermelhas contra a janela
Incendeiam-me por dentro como se fossem fogo,

Choro com elas e caio por terra
Todo o meu coração é uma brasa acesa na chuva de Verão
Um lago imenso, com ilhas-rochedo, no fogo-aceso do pôr-do-sol
Espelho de mil cores, azuis violetas vermelhos, fénix
Contra a cinza-memória da rocha e seus esconderijos
De caranguejo. E os cavaleiros de fogo que ainda acreditam num Novo Mundo…
No amor…

Eu já não… e eu sou tudo isto.

Uma memória que fecha os olhos lentamente
E que se prepara com amor para um longo Inverno.

Oh que paixão delicada, por gelo, azul e branco
Estalagmites, montanhas geladas! Vales cobertos de neve…

Vem Outono, vem Inverno,

Leva-me.

Babalith




Atlantic, Moonspell, 2006

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Guerra Sem Quartel



Vamos Fugir

tenho os passos vigiados no labirinto das notícias. das
estatísticas não consigo escapar. quimeras mercantis e
mexericos mediáticos invadem-me a solidão. a realidade
não existe. a fuga é para lado nenhum. tive uma ideia,
tive uma ideia, vamos fugir! tive uma ideia, tive uma
ideia, foge comigo! tive uma ideia, tive uma ideia,
vamos fugir! tive uma ideia, tive uma ideia, foge
comigo! a informação está em toda a parte. mil olhos
nos vigiam. ninguém sabe quem dá as ordens. mas elas
cumprem-se. a televisão transmite-nos a realidade,
transmite-nos as ordens. eu cumpro. a única fuga é a
loucura. tive uma ideia, tive uma ideia, vamos fugir!
tive uma ideia, tive uma ideia, foge comigo! tive uma
ideia, tive uma ideia, vamos fugir! tive uma ideia,
tive uma ideia, foge comigo! tenho um grilo falante um
grilo falante um pateta desastrado desastrado um
cavaleiro andante cavaleiro andante um pardal
alucinado pardal alucinado tenho uma top-model uma
top-model um vingador implacável implacável tenho um
prémio Nobel tenho um prémio Nobel uma amante
insaciável insaciável tenho um serial killer tenho um
serial killer tenho Deus disfarçado Deus disfarçado
sou o maior dealer sou o maior dealer que se encontra
no mercado

Adolfo Luxúria Canibal

domingo, 13 de setembro de 2009

VAGA



Vaga no azul, Ana Moura com Paxti Andión

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando.

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma.

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem.
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem.

Fernando Pessoa, 29-3-1931

sábado, 9 de maio de 2009

Queda do Império - Vitorino



Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja Luanda
Sempre em flor

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Humanidade é Humildade II : Lusotopia

Exigir não chega. Criticar, talvez, menos ainda: já a crise é mais que muita.
Precisamos de iniciar, a partir de nós, uma nova fase, de criar uma nova face, renovada, de Portugal.
Somos ricos. Ricos da maior riqueza que pode haver no mundo, a eterna: invisível. Somos ricos emocional e intelectualmente. Tesouro guardado, amadurecido e à espera de ser revelado.

Precisamos de agir. Mas de agir de acordo com a Terra, com a Vida, como no Passado.

Chega de cortar o cortado. De quebrar o quebrado. De matar o morto.
É preciso dar à Luz a nossa Alma. Levantarmo-nos do chão, da cadeira.
Elevar Portugal ao Seu Último e Único Lugar: o desmedido Céu.

Para isso há que lavar os ouvidos e os olhos, e voltar a ouvir e a ver em simultâneo: a viver inteiro. Uno com a Terra, tal como Ela é una com o Mar: unir corpo e palavra, ser e pensar, coração e cabeça: Povo e Rei.

Saravá!



«Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.»
Fernando Pessoa, Mensagem

... da Terra do Mar: Eterna, cujo Som é Luz - Criadora: Lusofonia.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Aos Filhos Do Sol



«Mais de 100 anos passaram
eu ainda recordo
os tambores que ao longe
um dia me chamaram.
Trouxe a águia a mensagem
que o corvo leu
liberada pelo vento
aos filhos do sol.

Vós podeis matar-me o corpo
e condenar-me a alma.
Devo eu pintar a face
ou fumar a paz.
Eu já dei a minha pena
à semente da terra
que os céus hão-de chorar
no ciclo da vida.»
João Portela

«Sou a voz do Futuro, essa voz que há-de ouvir
Tudo o que sonha e vive, o que estremece e sente!...»
Teixeira de Pascoaes, Jesus e Pã

domingo, 26 de abril de 2009

«Pátria é onde o pensamento cavalga»

«Não nasci num relâmpago
nasci quando as palavras caminhavam

A alma está no ar
e aquém o corpo andando

O visível é o invisível
que adormece.

Não é este teu dia;
irás remá-lo
junto ao farol,
inflá-lo com tuas velas
ao mar.

Fica a sul, fica a leste
Teu dia não nasceu quando nasceste.»
Carlos Nejar, A Idade da Aurora, A Idade da Eternidade, Canga, Vozes do Brasil



«A palavra luzia nos sentidos.»
Carlos Nejar

«De repente, os olhos são palavras.»
Pablo Neruda

Vemos o invisível através das palavras.

Emigrantes da Quarta Dimensão

sábado, 25 de abril de 2009

Li-berdade é a Verdade da Luz: a Vera Lei

(Vieira da Silva )

«Uma mesma alma em todos os peitos! um mesmo amor em todos os corações! Consoladora intuição, luz crepuscular do mundo antigo, que é hoje a nossa força, a nossa certeza pela revelação do pensamento, pela Ciência.

A Ciência é a alma do mundo, porque o seu nome diz-se Liberdade.

A Arte é - a Verdade feita Vida.

Poesia! mas poesia que console,
E a alma acalente em berço d'harmonias!...
Dessa que, quando dói, tanto consola,
E às sombras do viver dá seu crepúsculo...
Desta poesia, sim! que nos eleva,
Sem se ver com que mão...
Poética de vida e sangue e tudo!
Que só tomou por lei o livre Amor...

Andam ali os mundos encobertos,
Que um só olhar amante patenteia...

Vós, que ledes na noite... vós, profetas...
Que sois os loucos... porque andais na frente...
Que sabeis o segredo da fremente
Palavra que dá fé - ó vós, poetas!

Estendei vossas almas, como mantos
Sobre a cabeça deles... e do peito
Fazei-lhe um degrau, onde com jeito
Possam subir a ver os astros santos...

Levai-os vós à Pátria-misteriosa

(...) os a[u]stros (...)
não querem mais lei que o infinito.»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra, Odes Modernas, Primaveras Românticas



O Homem é Filho do Amor Maior!
O Seu de Todos.




«Mas nele é que espelhou o Céu.»
[Portugal em] Pessoa, Mar Português

quinta-feira, 23 de abril de 2009

As Asas da Saudade


Da Epopeia do Mar à de Amar

«Mas a Ideia quem é? quem foi que a viu,
Jamais, a essa encoberta peregrina?
(...)
Outra amante não há! não há na vida
Sombra a cobrir melhor nossa cabeça,
Nem bálsamo mais doce, que adormeça
Em nós a cantiga, a secular ferida!
(...)
Será sempre ela a esposa prometida!»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra

«Pois aquilo que cada navegante e seu capitão [coração] realizam nesta ilha [vida] será o acto supremo de conhecer seu anjo e com ele se unir, para sua imortalidade. A alma só tomando consciência de si mesma, como Anima, poderá conhecer o seu anjo, ou duplo celeste.

É uma morte iniciática o que provoca a sua contemplação: poderoso choque que levará o amante a outro nível espiritual de vida (...). Dirá Dante: «transformar-se-á em nobre coisa ou morrerá» (Vita Nova). E Camões dirá desse choque, tal o dum relâmpago: «Amor, que o gesto humano na alma escreve, / Vivas faiscas me mostrou um dia (...).

Dante dirá: «assim sou Ella» (Vita Nova) e Camões, «Olhai-me a mim, que sou feitura vossa».

Em todos os relatos do sulismo, de fonte gnóstica o Anjo do Conhecimento é identificado ao Espírito Santo; Natureza perfeita, ou Inteligência agente, como o Dador. A angelologia sendo aqui inseparável do processo de individuação, ou libertação perfeita da alma, como face a face última do homem com seu eu verdadeiro, supra-pessoal (...) Havendo ainda nesta tradição, uma referência a partir do Espírito Santo e Anjo Gabriel, à «Virgem da Luz» do maniqueísmo, como figura de Sophia divina, que na gnose, é identificada ao Espírito Santo.
Vemos assim, que fundas implicações de sabedoria e de tradição religiosa portuguesa, estarão implicadas na figura divinizada da mulher, na poesia lírica de Camões, como «figura angélica» e na sua poesia épica, como «ninfa mor»: a figura feminina surgindo como doadora da sabedoria suprema, iniciadora dos mistérios invisíveis do céu.»
Dalila Pereira da Costa, Raízes Arcaicas da Epopeia Portuguesa e Camoniana



«Deixa-me ouvir o que não ouço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo
(...)
Vejo-me, somos dois...»
Fernando Pessoa

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A Música do Dia do Mar

Seguindo a onda da nova música d'Os Golpes que canta a morte morre inteira pela força das nossas mãos...

Eis o Regresso ao Passado, nunca igual: mas para sempre igual ao diferente.


quinta-feira, 16 de abril de 2009

Nau Nossa Senhora da Vida II

«Porque nesse tempo antigo da Grécia, se teria jugulado lentamente o mito, - até à sua exaustão, pelos romanos. E aqui [em Portugal], ele renasceria de novo, vivo, noutra vida, então agora unido à razão.

Aqui na Península [Ibérica], o Oriente e o Ocidente, a pré-história e a história, o mito e a razão, como coincidência de coordenadas de espaço, tempo e pensamento, no homem e na terra, se unirão no exacto ponto e momento de 1500. No ano de Pedro Álvares Cabral: esse será o sentido dessa falha ou união entre dois séculos; a descoberta do Brasil foi o fechar do círculo, conclusão do novo mar.

E só unindo saber e terra se pode compreender a forma de conhecimento que nasceu nesta civilização e por ela foi ofertada ao mundo e com ele partilhada. Porque tudo se fez, pelos homens, em união com a Terra.
E agora, um meio milénio passado, num mar agora ultrapassado, transfigurado, o do espírito, ou pelo espírito, ou mar interior, novo feito de novos argonautas, se avizinhará, urgirá avizinhar-se: como penetração e desvendamento e desenho nesse outro mar de suas costas e limites e baías as mais profundas e vaus e linhas de orientação: como repetição do primeiro passo de toda a iniciação, e retomar do apelo de Sócrates, ou de mais atrás, do deus da luz, o que estava escrito ao alto no seu templo de Delfos: «Conhece-te a ti mesmo.» De novo trazendo para as costas atlânticas o princípio regenerador do humanismo mediterrâneo.
Será este o feito futuro, renovado, da nova descoberta. Para novo ciclo histórico da pátria lusíada e do Ocidente.

Vês agora a união da saudade com a água? Com a água e com a morte. Bernardim Ribeiro sabia. Era esse o segredo cantado no canto do rouxinol sobre a corrente.

(...) baptismo na água.

Mas agora outra vinda dos Descobrimentos se fará para os homens e para a Terra num homem e numa terra transcendentes, transfigurados, porque na vinda, baptismo no fogo, do Espírito Santo.
O espaço agora a conquistar será o transcendente interior, seu.
E agora pelo homem pelo Cristo novo, na sua Segunda Vinda, tudo passará de terrestre ao cósmico, transcendente.
Para a nova eleição e serviço duma nação, urge pela primeira vez atentar na sua posição no espaço da terra, por uma geografia sagrada. E na sua vinda no tempo, por uma história que nela também se veja de sentido sagrado. Ver aí a sua eleição e serviço, na intercepção do tempo e do espaço. Porque tudo se fará por uma nova visão de tudo que está dada mostrada já.
Seis séculos após, a verdade dos Descobrimentos se abrirá, se libertará. Como seis décadas após, Portugal se libertou do jugo castelhano. E após outras seis décadas, o anúncio da verdade pela Renascença Portuguesa, virá por fim à luz. Como germinações e eclosões de sementes escondidas.
E também então se revelará a verdade da saudade.

Saudade é a polpa do eu eterno.

Porque a saudade não é conclusa em si, mas seu sentido está no seu ultrapassar. Saudade é tempo de gestação.

E a terra finalmente como Virgem, subirá em Assunção ao céu.

E ver que união, como fusão final de fogo e água, se teria dado aqui nestas margens peninsulares: pelo afundamento do disco rubro do Sol, nas águas de Posídon, como fusão do deus dos povos da velha Atlântida e de Apolo o deus dos povos da Grécia (...).

A terra finalmente unida ao céu, ou Apolo a Gaia, ou a Serpente ao Sol, em enlace último, como promessa dum novo mundo, a nascer.

O ser saudoso é o ser livre na necessidade, o ser da eternidade no tempo. O que traz para a lei da terra a lei do céu. Ou a eternidade para o devir.

Porque a poesia terá a mesma origem que a profecia: as Musas são filhas da Memória.

E assim ao discurso se substituirá essa supra-razão e a unidade do paraíso de novo será atingida.

(...) só, aí, na brancura cintilante e doce (a tal inefável), do seu seio último. Semente do fruto. Trono do mundo. Coração do homem.

A saudade é o segredo de Apolo.»
Dalila Pereira da Costa, A Nova Atlântida

«(...) a força da Saudade, criando vida e afogando o sol nas suas lágrimas (...)»
Teixeira de Pascoaes



(Maria Bethânia e Gal Costa)



«Roubam-me Deus
Outros o diabo
Quem cantarei

Roubam-me a Pátria
e a humanidade
outros ma roubam
Quem cantarei

(...)
E de mim mesmo
Todos me roubam


Quem cantarei
Quem cantarei

Roubam-me a voz
quando me calo
ou o silêncio
mesmo se falo

Aqui d'El Rei»

D'El Rei... Amor!