EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

Para o 24º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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sábado, 18 de julho de 2015

De Abel de Lacerda Botelho, para a NOVA ÁGUIA 16...

OS LUSÍADAS, BÍBLIA LUSITANA

Realmente, o conceito Camoniano do Amor constitui aquela “energia luminosa”, a Luz da Glória. É a “aurora ou aura”, é a “cousa amada”. É a Energia Universal que nos próprios termos de Camões é a “flama viva”, “o nunca morto lume, do desejo que queima e não se consome, é a potência de que se investe o Feminino, sem o qual nada é, nada existe”. É o fascínio que envolve deuses e humanos, e que preside ao “solve et coagula” das almas. Então o nauta (que é o viajante ou peregrino que todos nós somos) senta-se no mesmo banco da sua Ninfa – ou Nereida, e formando um só casal, comungam do mesmo amor, e… tudo isto, tendo por cenário, a “Ilha Angélica Pintada”. É nessa visão (do fim da viagem) e após ela, que o Nauta tem a “apreensão” e “compreensão” do Puro Amor. E a partir daí já não há “retorno terrestre” para a alma insuflada à nascença no Ser, pois ela tendo-se “unido” ao “seu gémeo” ou “dídimo” de Luz (ou aura) eterna, ela já é matéria subtil, e sublimada, e não mais pó ou argila. E assim, a “Ilha alegre namorada” e já sublimada, faz “logo movimento” e nela “levam a companhia desejada das Ninfas”.
(excerto)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Dia 17 de Julho, no Porto

Concerto do Anima Mea evocando Camões
Dia 17 de Julho (21.30 horas) no Ateneu
«Os olhos, instrumentos felizes da realidade mais real. Porque ver sempre foi tocar. Tocar uma a uma cada coisa com os olhos, antes da mão se aproximar para recolher os últimos brilhos de Setembro» (Eugénio de Andrade)

O Ateneu Comercial do Porto tem a honra de apresentar, no próximo dia 17 de Julho de 2010, às 21.30 horas, no Salão Nobre do Ateneu, o concerto do Coro Anima Mea, com direcção musical de Francisco Melo, que terá por tema “Aquela cativa que me tem cativo: Camões, Poesia e Música”. O programa do concerto inclui músicas do tempo de Camões, que reflectem os contextos que influenciaram o nosso Poeta Maior, e músicas contemporâneas sobre temas camonianos.
A musicalidade da poesia de Camões está expressa na variedade de composições musicais feitas sobre os motes e as glosas camonianas ao longo destes quatrocentos anos.
Serão interpretadas obras, entre outros autores, de Palestrina, Orlando di Lasso, D. Pedro de Cristo, Luís de Freitas Branco, José Afonso e Fernando Lapa. Destaca-se a 1ª audição da obra “Alma minha da minh’alma”, do compositor Fernando Lapa, com poema de Camões, dedicada ao coro Anima Mea.
A execução musical será acompanhada pela leitura de alguns textos que dialogam com a poesia musicada.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

1.ª Edição de “Os Lusíadas” de 1572

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O Ateneu Comercial do Porto encomendou à Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS) a produção de 500 exemplares fac-simile (numerados) da 1.ª Edição de “Os Lusíadas” de 1572, cujo original é propriedade do Ateneu, entretanto também restaurado naquela Fundação.
Constituindo a produção deste fac-simile um processo lento, nomeadamente quanto aos acabamentos (manuais), a Fundação tem vindo a efectuar entregas parcelares da edição ao Ateneu, à medida que vai ficando pronta. Os primeiros exemplares entregues esgotaram rapidamente, pelo que vai crescendo diariamente a lista de reservas para satisfazer futuras entregas, prevendo-se que a edição fique esgotada nos dois meses mais próximos.
De referir também que os 50 desses 500 exemplares foram comercializados pela Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, tendo também esgotado rapidamente.
Assim, apelamos a todos quantos têm interesse na aquisição deste magnífico exemplar que façam a sua reserva através do mail geral@ateneucomercialporto.pt., ou preenchendo o Formulário Encomenda on-line existente na nossa página na net www.ateneucomercialporto.pt.
O preço é de 600 Euros (+IVA 20%), podendo os sócios do Ateneu requerer até dois exemplares com desconto de 20%.
“Os Lusíadas”: Poema épico de inspiração clássica, constituído por dez cantos compostos por décimas em decassílabos heróicos, vive de uma contradição esteticamente harmonizada entre a acção das divindades pagãs e a tutela do sentimento cristão e da expansão da fé, que anima um ardor de conquista e de possessão do mundo. Esta Primeira edição de "Os Lusíadas" é geralmente identificada por edição A, ou edição Ee, hoje conhecida por edição Princeps.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Anfitriões por Luís de Camões

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Anfitriões

Autoria: Luís de Camões
Data de publicação: 1587

Personagens: Anfitrião, Alcmena (sua mulher), Sósia (seu servo), Brómia (criada de Alcmena), Belferrão (patrão), Aurélio (primo de Alcmena), o servo de Aurélio, Júpiter e Mercúrio (deuses).

Da autoria de Luís de Camões, publicada em 1587, juntamente com Filodemo, Anfitriões é composta à semelhança da comédia de Plauto Amphitruo, embora numa adaptação livre, na qual a introdução de novas personagens atrasa o desenrolar da intriga principal e acrescenta momentos de farsa, mais ao estilo vicentino.
Desejando Alcmena, mulher de Anfitrião e aproveitando a ausência do marido, que se encontrava na guerra, Júpiter disfarça-se de Anfitrião, a conselho do mensageiro Mercúrio, seu servo, que por sua vez se disfarça de Sósia, servo de Anfitrião. Com este disfarce, Júpiter faz crer a Alcmena que tinha regressado da batalha. Deste encontro vai nascer um filho "Hércules", acontecimento que vai constituir o final da comédia.
É evidente que o regresso do verdadeiro Anfitrião vai criar uma série de equívocos que o autor transforma em alguns episódios dramáticos, protagonizados por Alcmena, mas principalmente em cenas cómicas.
O clímax da peça regista-se no momento em que Anfitrião descobre o embuste, mas é obrigado a calar o seu "ciúme conjugal", na medida em que não se atreve e enfrentar um ser divino (Júpiter).




Como referenciar este artigo:
Anfitriões. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-11-10].
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Fonte: http://www.infopedia.pt/$anfitrioes

sábado, 8 de agosto de 2009

Luís de Camões: Sonnets and other poems

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Luís de Camões: Sonnets and other poems, primeira tradução para inglês (assinada por Richard Zentith) da poesia lírica de Camões, resultado de uma iniciativa conjunta do Consulado de Portugal e do Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Massachusetts - Dartmouth, será em breve apresentada na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Dias 18,19 e de 21 a 26 de Julho, no Teatro da Vilarinha

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O Primeiro Mistério da Luz

Autor a apresentar: Camões.
21.30h
O ciclo Mistérios da Luz pretende mergulhar a alma do Mundo que fala a lingua portuguesa nas suas multiplas possibilidades e pontes culturais. Uma dessas possibilidades são os autores que, pela sua universalidade, possam ter marcado ou marquem a Terra de Luz, esta terra de Luz tão falada como sendo sinónimo ancestral de Portugal e da Andaluzia. O primeiro autor desta “busca” é Luis Vaz de Camões. Centraremos a performance na lírica de Camões mas também, a partir dela, na derivação para paisagens oníricas dos performers que expandem a sua propria escrita (hipertexto) até à contemporaniedade focada na reflexão do misterio da luz, através das suas reflexões- acções interiores, partilhas-danças, musicas-concerto -instalações, e imagens quer sejam presenciais ou filmadas.
Direcção atistica: Antonio M. Rodrigues
Elenco performativo: Ana Raquel Almeida, Antonio M. Rodrigues, Giancarlo de Aguiar, Jonas de Andrade, Rita Neves.
Videoplastia: Jonas de Andrade

domingo, 12 de julho de 2009

Outro texto que nos chegou...

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Um Camões amargurado...

Em vales penados pelo sofrimento, aqui estou eu, apagado por um calor derrotado, onde a chama acesa, reivindica uma centelha, o reencontro até sem palavras, para que a imagem viva se não desvaneça, cruelmente, no mundo das memórias desencontradas. Dou por mim a segurá-la, como se da minha própria vida se tratasse, consciente que o sonho me preenche e que o voo para a transcendência deste Universo figurado, pode radicalizar o fim de uma guerra, onde a única batalha ganha é a do sentimento mútuo e a entrega do coração ao seu desejo. Afastados por quem, ilegitimamente, atribuiu força ao grande poder mundano, para destroçar a emoção e a felicidade de quem protegia, continuo a seguir o caminho, cujo passo para o abismo, será o culminar do meu comportamento, nobre é certo, mas que preferia ter renunciado a essa fidalguia, não agora, mas logo que nasci, pois permitir-me-ia nunca ter sonhado e sobretudo, renunciado à Ilusão de transformar a pequena perdiz que sou, num perdigão por todas as cortes aclamado.

José Carlos Pereira Mendes

terça-feira, 16 de junho de 2009

Homenagem a Camões, em Angola...

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O Movimento Lev´Arte Angola vai esta Quinta-Feira Realizar um Evento em Homenagem a Luís Vaz de Camões.


Mais informações: 927 00 17 80


Local: Instituto Camões/Auditório Pepetela - Luanda

Hora: 19:00

Data: 18/06/2009

Ver: http://fazemosacontecer.blogspot.com/2009/06/vamos-homenagear-camoes.html

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Humanidade é Humildade

«Ouço-os de todo o lado.
Eu é que sou assim,
Eu é que sou assado,
Eu é que sou o anjo revoltado,
Eu é que não tenho santidade...

Quando, afinal, ninguém
Põe nos ombros a capa da humildade,
E vem.»
Miguel Torga, Diário I

Humano - aceitação das fraquezas, amor ao próximo
Húmido - que tem a natureza da água
Humilde (de humus, filhos da terra) - virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza

«A musa da indignação arrasta Camões pelos cabelos, e, vendo o mundo inteiro perdido, apela para a sua pátria, pedindo-lhe o esforço heróico da redenção de Cristo:

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida Eterna dilatais:
Assim do Céu deitadas são as sortes,
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade,
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade
!

À geração dos lusos «que tão pequena parte sois no mundo», é a ela que cumpre remir o Santo Sepulcro e terminar a epopeia das Cruzadas, enjeitada pelo «Galo indigno» [Francisco I] e esquecida pela Itália: a ela e por isso mesmo que se mostrou capaz do maior feito da época - a descoberta da Índia, que grande golpe de montante descarregado em cheio na força da Turquia.
Eis aí o pensamento político dos Lusíadas, expresso claramente nos mesmos termos da boca do velho do Restelo. O pensamento religioso é o catecismo de Trento. A ideia de governo é o imperialismo, em cujo berço nascera o sol da Renascença e em cujo regaço poluído ele se afundava agora. O império fazia-se tirania; o racionalismo piedoso transformava-se em lamismo papista. Assim as ideias se corrompem em contacto com a realidade.
O imperialismo camoneano é, porém, tão lídimo ainda como a sua religião. Se nas turbas não vê mais do que «o soberbo povo duro», isto é, um elemento ou um material para a construção artística do Estado; se a vontade dos reis, que são a chave da abóbada social, há-de ser absoluta, nem «pode ser por outrem derrogada»; se eles são supremos senhores dos seus súbditos; se os vassalos são membros de um corpo de que o rei é cabeça: a verdade, porém, é que tudo isso pressupõe no rei qualidades eminentes.
É que ao poeta diz a história pátria, porque em Portugal

o Reino, de altivo e costumado
A senhores em tudo soberanos,
A Rei não obedece nem consente
Que não for mais que todos excelente
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Monarquia e religião, pois, tudo se depura no cadinho da poesia à chama intensa de Camões, em que a luz do heroísmo nacional vem reflectir-se, fundindo-se como numa lente, despede o raio e incendeia Portugal na ambição última da sua existência. Felizes são os povos que morrem como o sol, despedindo clarões!»
Oliveira Martins, Camões

Poema que nos chegou...


LUÍS DE CAMÕES

Camões, alone, of all the lyric race,
Born in the black aurora of disaster,
Can look a common soldier in the face:
I find a comrade where I sought a master:
For daily, while the stinking crocodiles
Glide from the mangroves on the swampy shore,
He shares my awning on the dhow, he smiles,
And tells me that he lived it all before.
Through fire and shipwreck, pestilence and loss,
Led by the ignis fatuus of duty
To a dog’s death – yet of his sorrows king –
He shouldered high his voluntary Cross,
Wrestled his hardships into forms of beauty,
And taught his gorgon destinies to sing.


LUÍS DE CAMÕES

Camões, somente, de toda a raça lírica,
Nascido em escura alba de desastre,
Pode olhar um soldado raso face a face:
Encontro um camarada onde supus um mestre:
Dia a dia, enquanto fedorentos crocodilos
Deslizam dos manguezais na margem pantanosa,
Ele partilha o toldo do meu dhow, e sorri,
E diz-me que viveu tudo isto muito antes.
Por fogo e naufrágio, pestilência e perda,
Arrastado pelo fogo-fátuo do dever
A uma morte de cão – porém de seus males rei –
Ergueu altaneira a sua voluntária Cruz,
Amassou os seus penares em formas de beleza,
E a sua Górgona domou para cantar destinos.


Roy Campbell (Durban, 1901 - Setúbal, 1957)
Tradução de Lord of Erewhon

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pátria, o Céu

«Na era gloriosa que se abre a Portugal com a dinastia de Avis, idade da nossa grandeza, período áureo da nossa força e glória, não há pátria mais aberta, nem sociedade mais cosmopolita do que esta. Quando o infante D. Henrique institui a escola de Sagres, ninho de onde partem, no seu voo através dos mares, as armadas portuguesas, as praias desse promontório que outra vez merece o nome de sagrado, porque outra vez é sacrário da nossa alma céltica, abrem-se todas as nações (...)
É que o foro português, à semelhança do romano, não era o atestado de uma ascendência consanguínea, mas sim o baptismo em uma fé que não distinguia nacionalidades, nem origens naturais de raça, ou de religião. Português era todo aquele que ardia na chama crepitante do entusiasmo descobridor (...)
Tão permanente, tão íntimo, tão constante aparece em Portugal, como em Roma, consideradas as diferenças dos tempos. Porque, para o romano, o seu foro era uma lei seca, feita só de direito, inspirada apenas pelo civismo; ao passo que para o português, homem moderno que atravessara as fornalhas esbraseadas da transcendência medieval, o seu foro, se era uma lei e um patriotismo cívico, era também uma fé, em que, sob uma inspiração profética, as almas não distinguiam, nos voos da sua ambição ideal, entre a Pátria e o Céu.

Tal é a pátria ideal de Camões, que se distingue da outra como uma flor se distingue de um astro (...) essa pátria existe debaixo de todos os meridianos, em todas as latitudes e partes do mundo, tanto na Europa, como na África e na Ásia, como na América e nos confins remotos do mundo perdido para além das Molucas. Essa pátria está onde estiver um peito português: está em terra e está nos mares flutuante à sombra da bandeira das quinas, dentro das naus que de asas abertas a levam de um extremo a outro do mundo.
Tanta é a diferença que distingue o amor pátrio natural da abstracção ideal sobre que os portugueses construíram o templo sagrado do seu império. Dos laços de coesão capazes de agremiar os homens, dando-lhes uma vontade colectiva, o mais alto e sublime que até hoje a história descobre é este, por ser o que realiza de um modo mais completo essa liberdade para que nós aspiramos, como as aves quando tentam as asas nos ensaios de voo à borda dos ninhos.
Todos os amores que florescem enraizados na terra têm o travo próprio das coisas que vêm do solo: um egoísmo exclusivo inerente à sua afirmação. Esta aldeia, esta província, este povo, tem a sua excelência que provoca o nosso amor, fundada em quê? Na superioridade suposta ou verdadeira, sobre todos os outros. O sentimento dessa superioridade sanciona o egoísmo, que é sem dúvida uma expressão rudimentar de liberdade.»
Oliveira Martins, Camões

«De Babel sobre os rios nos sentámos,
De nossa pátria desterrados,
As mãos na face, os olhos derribados,
Com saudades de ti, Sião, chorámos.

Não é logo a saudade
Das terras onde nasceu
A carne, mas é do Céu
Daquela santa Cidade
Donde est'alma descendeu.»
Camões

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Da Epopeia do Mar à de Amar

«Mas a Ideia quem é? quem foi que a viu,
Jamais, a essa encoberta peregrina?
(...)
Outra amante não há! não há na vida
Sombra a cobrir melhor nossa cabeça,
Nem bálsamo mais doce, que adormeça
Em nós a cantiga, a secular ferida!
(...)
Será sempre ela a esposa prometida
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra

«Pois aquilo que cada navegante e seu capitão [coração] realizam nesta ilha [vida] será o acto supremo de conhecer seu anjo e com ele se unir, para sua imortalidade. A alma só tomando consciência de si mesma, como Anima, poderá conhecer o seu anjo, ou duplo celeste.

É uma morte iniciática o que provoca a sua contemplação: poderoso choque que levará o amante a outro nível espiritual de vida (...). Dirá Dante: «transformar-se-á em nobre coisa ou morrerá» (Vita Nova). E Camões dirá desse choque, tal o dum relâmpago: «Amor, que o gesto humano na alma escreve, / Vivas faiscas me mostrou um dia (...).

Dante dirá: «assim sou Ella» (Vita Nova) e Camões, «Olhai-me a mim, que sou feitura vossa».

Em todos os relatos do sulismo, de fonte gnóstica o Anjo do Conhecimento é identificado ao Espírito Santo; Natureza perfeita, ou Inteligência agente, como o Dador. A angelologia sendo aqui inseparável do processo de individuação, ou libertação perfeita da alma, como face a face última do homem com seu eu verdadeiro, supra-pessoal (...) Havendo ainda nesta tradição, uma referência a partir do Espírito Santo e Anjo Gabriel, à «Virgem da Luz» do maniqueísmo, como figura de Sophia divina, que na gnose, é identificada ao Espírito Santo.
Vemos assim, que fundas implicações de sabedoria e de tradição religiosa portuguesa, estarão implicadas na figura divinizada da mulher, na poesia lírica de Camões, como «figura angélica» e na sua poesia épica, como «ninfa mor»: a figura feminina surgindo como doadora da sabedoria suprema, iniciadora dos mistérios invisíveis do céu.»
Dalila Pereira da Costa, Raízes Arcaicas da Epopeia Portuguesa e Camoniana



«Deixa-me ouvir o que não ouço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo
(...)
Vejo-me, somos dois...»
Fernando Pessoa

domingo, 29 de junho de 2008

Da Ilha dos Amores como alternativa às câmaras de gás da alma

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Nunca se escutou Camões, o que cantou não a Fé nem o Império, não o encontro de culturas, mas a “expedição” de Eros “Contra o mundo rebelde, por que emende / Erros grandes que há dias nele estão, / Amando cousas que nos foram dadas, / Não para ser amadas, mas usadas” (Os Lusíadas, IX, 25). O que cantou a redenção do mundo pela conformidade do masculino e do feminino na Ilha dos Amores, a plenitude do amor sensual e sexual pela qual se abre a divina visão, o messianismo erótico de uma nova raça andrógina de deuses humanos e homens divinos. Ninguém o escuta. Crucifica-se Eros na pornografia e nessas outras obscenidades que são o intelecto, o poder e as honras, o sucesso, a fama e a riqueza. O que faz avançar a civilização, a ciência e a miséria. As câmaras de gás da alma. Mas Eros ri e voa. E quem na cruz fica, exangue e triste, és tu !

in A Cada Instante Estamos A Tempo de Nunca Haver Nascido, Corroios, Zéfiro, 2008, p.9.