In Agália: publicaçom internacional da Associaçom Galega da Língua, Ourense, nºs 99-100, 2º semestre de 2009, 317-319.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
sábado, 31 de julho de 2010
"A Via Lusófona" em destaque no nº 100 da Agália
In Agália: publicaçom internacional da Associaçom Galega da Língua, Ourense, nºs 99-100, 2º semestre de 2009, 317-319.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Lula da Silva a Secretário-Geral da ONU

Petição MIL: Lula da Silva a Secretário-Geral da ONU
A todas as Autoridades Políticas da Comunidade Lusófona
Reconhecendo o grande prestígio internacional justamente granjeado pelo Presidente do Brasil, Lula da Silva, o MIL: Movimento Internacional Lusófono defende que ele seja proposto, pelos Estados e regiões de expressão e tradição lusófona, para próximo Secretário-Geral da ONU: Organização das Nações Unidas.
Não se podendo recandidatar ao cargo que ocupa, uma pessoa com o seu grande prestígio internacional não deverá ficar, pura e simplesmente, desaproveitada. A sua eleição como Secretário-Geral da ONU seria, também, o reconhecimento da cada vez maior importância da Comunidade Lusófona – e, em particular, do Brasil – à escala global. E seria, sobretudo, uma boa notícia para o mundo.
Primeiro subscritor: Fernando Nobre
Para subscrever a Petição
http://luladasilva.movimentolusofono.org/
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
http://www.movimentolusofono.org/
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Hoje, em Avanca
Caros Amigos,
Começa hoje em Avanca um evento de grande relevo internacional, a seguir em www.avanca.org.
Mais detalhes no meu blogue www.antonioabreufreire.bloguepessoal.com
Nos dias seguintes darei conta no blogue dos assuntos mais mediáticos deste festival que ao longo dos anos tem vindo a crescer em qualidade e em número de participantes de maneira surpreendente.
Abraço
A de Abreu Freire
terça-feira, 27 de julho de 2010
O SUL - Jornal Cultural e de Debates n.º 6 Mês de Maio de 2010.
A edição deste jornal foi possível, graças à generosidade das gentes de Setúbal - Fonte Nova e Zona Ribeirinha. A solidariedade Constrói-se. Obrigado!
O SUL trata-se de um periódico cultural, de periodicidade mensal, que tem distribuição gratuita na região de Setúbal, Azeitão, Sesimbra, Quinta do Conde, Pinhal Novo e Palmela tendo uma tiragem de 10 000 exemplares.
Fazemos notar a Vs. Ex.cias que este jornal é promovido por uma ONG sem fins lucrativos, que tem como objectivos o combate ao analfabetismo e à iliteracia, pelo que todas as colaborações estão abrangidas pelo art. 3.º do Estatuto de Mecenato consagrado na lei 74/99 de 16 de Março.
É um jornal de pessoas para outras pessoas, patrocinado ainda por outras pessoas. Colabora!
O lançamento do número 7 em papel está marcado para a primeira quinzena de Agosto de 2010.
Com os nossos melhores cumprimentos,
Patrícia Trindade Coelho
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Declaração MIL sobre a VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa
O MIL saúda a realização da VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreu em Luanda, na passada sexta-feira, 23 de Julho, fazendo votos para que Angola, que sucedeu a Portugal na Presidência da CPLP, dinamize esta instituição tão vital para a difusão e consolidação da Lusofonia no mundo. Um bom sinal foi já a nomeação do diplomata Júlio Hélder Moura Lucas como embaixador extraordinário angolano junto da CPLP. A esse respeito, recordamos o papel do embaixador extraordinário brasileiro junto da CPLP, Lauro Moreira, por nós homenageado como a Personalidade Lusófona de 2009.
Sabemos que a aposta CPLP não tem sido, até hoje, uma prioridade estratégica da maior parte dos países da comunidade lusófona, mas há sinais de que essa situação está, finalmente, a mudar. A própria CPLP, apesar dos poucos meios operacionais de que continua a dispor, tem-se tornado cada vez mais atractiva: prova disso é o interesse manifestado por diversos países em se vincularem a esta Comunidade. Sintoma inequívoco da cada vez maior importância da Lusofonia à escala global – no plano cultural, mas também económico, social e político.
Quanto às conclusões desta Cimeira, saudamos a prioridade dada à lusofonia e à expansão do português como língua, no seguimento do Plano de Acção de Brasília, que prevê a introdução do português nas Nações Unidas e respectivas agências, bem como parcerias com as organizações regionais e sub-regionais integrados pelos Estados-membros. Saudamos também o tanto se ter falado de “cidadania lusófona”, esperando, contudo, que este conceito, por nós tão reiteradamente defendido, tenha alguma concretização substantiva – nomeadamente, através da criação do Passaporte Lusófono, prefigurado em vida por Agostinho da Silva, em prol da livre circulação no Espaço da Lusofonia. Saudamos ainda a decisão, tomada por consenso, de não aceitar, de imediato, a adesão da Guiné Equatorial, dado o seu défice em dois requisitos fundamentais: ser um País Lusófono e um Estado de Direito.
Por outro lado, lamentamos que, uma vez mais, a CPLP não tenha dado uma resposta efectiva à dramática situação que se vive na Guiné-Bissau. A esse respeito, apesar do MIL apoiar a candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre, não podemos deixar de registar positivamente a Declaração do também candidato presidencial português Manuel Alegre, que defendeu “a necessidade de uma componente militar para a CPLP, que permitiria até resolver alguns problemas que têm surgido na Guiné-Bissau sem que sejam forças fora da comunidade a terem interferência nisso”. Recordamos que o MIL tem defendido, de forma reiterada, a criação de uma “Força Lusófona de Manutenção de Paz”, tendo já, inclusive, lançado uma Petição a esse respeito:
http://www.petitiononline.com/mil1001/petition.html
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
Domingo, 15 de Agosto, vamos a Fátima protestar contra os maus tratos aos animais

Dia 15 de Agosto (Domingo), irá realizar-se em Fátima uma manifestação silenciosa entre as 08:00 e as 13:00, contra os maus tratos aos animais em Fátima. O local será na Rotunda Norte, chamada Rotunda do Peregrino, saída lado esquerdo da Auto Estrada. A quem quiser participar, pedimos que venham vestidos de branco ou de preto. Partilhem, por favor.
Comunicado sobre os bárbaros maus-tratos aos animais no Santuário de Fátima
...“Chamava irmãos a todos os animais […]”
- Tomás de Celano, Vida Segunda (de São Francisco de Assis), CXXIV, 165.
Tem sido tornado público e documentado fotograficamente o modo cruel como
são tratados os animais no Santuário de Fátima, o que já deu azo a uma reportagem
televisiva. Por ordem da Reitoria do Santuário, seguranças capturam regularmente
todos os cães que encontram, com ou sem dono, e amontoam-nos numa gaiola nas
traseiras do Santuário, onde são deixados durante dias, ao sol e à chuva, sem comer nem beber, até que a Câmara Municipal de Ourém os venha buscar para abate, dado não ter condições para os acolher e não cumprir a já antiga promessa de construir um canil/gatil municipal.
Ao serem apanhados, há cães vítimas de dolorosas agressões com foices e alguns
são envenenados e abatidos no próprio local. Por outro lado, os que são recolhidos pela Câmara vivem em condições miseráveis até à morte.
Estes actos constituem uma intolerável violação dos direitos dos animais
e dos nossos deveres para com eles, que, além de ser inaceitável numa nação que
se pretende civilizada, é tanto mais absurda e grave por ser levada a cabo por uma
instituição religiosa num lugar sagrado, destinado à elevação moral e espiritual do ser humano. Além de chocarem todo o cidadão minimamente consciente e sensível, estas
acções contradizem e ofendem a fé e o sentimento cristãos, profanando com violência,
sofrimento e morte um dos principais santuários católicos do mundo.
A Bíblia apresenta os animais como criaturas de Deus (Génesis, 1, 24), o que
se confirma no Catecismo Católico, onde se lê que os homens devem ser bondosos
para com eles, recordando o amor que lhes dedicaram São Francisco de Assis e São
Filipe Néri. No mesmo Catecismo acrescenta-se ser “contrário à dignidade humana
fazer com que os animais sofram ou morram desnecessariamente”. O Papa João Paulo
II declarou que os animais têm alma, estão “tão próximos de Deus como os homens” e
que devemos “amar e sentir solidariedade com os nossos irmãos mais pequenos”. Bento
XVI afirmou serem “criaturas que devemos respeitar como companheiros na criação”.
Perguntamos à Reitoria do Santuário de Fátima se teve acesso a outra revelação
ou autoridade divina que anule estas e, se não é o caso, como justifica a sua actuação perante os crentes e a opinião pública.
Sendo improvável uma qualquer justificação, além de exigirmos o fim imediato
de toda e qualquer forma de maltratar os animais no Santuário de Fátima, deixamos
uma proposta que nos parece uma justa e salutar forma da actual Reitoria contribuir
para se redimir das ofensas contra os animais e a consciência moral dos homens:
sendo públicos os crescentes e elevados lucros do Santuário, que em média excedem
mais de 8 milhões de euros anuais, uma pequeníssima parte desta quantia basta para
construir um canil/gatil onde os animais possam viver condignamente. Será uma forma
de estender a caridade cristã e franciscana aos nossos companheiros não-humanos, da
Reitoria corrigir o actual caminho de transgressão dos preceitos do amor evangélico e
de recuperar alguma credibilidade pública, não prejudicando mais a imagem da religião
que professa.
Caso isso lamentavelmente não aconteça, solicitamos à Câmara Municipal de
Ourém que cumpra a sua promessa aos munícipes e construa urgentemente um canil/
gatil condigno. E exortamos todos os cidadãos, em particular os crentes católicos, para que denunciem e exijam o fim imediato desta situação escandalosa.
“O que tu és, eu sou ! / E tu, tu és o que eu sou ! / Eu sou o Céu, tu és a Terra ! / Tu és a Estrofe, eu sou a Melodia !”

Qual o sentido espiritual da união sexual? Duas dicas da Índia:
“Neste mundo, o resultado do amor é não haver mais que um só pensamento. Quando o amor deixa diferentes os pensamentos (de cada um), é como se houvesse a união de dois cadáveres” - "Centúria da Paixão Amorosa" (tratado erótico indiano);
“Quando o pensamento não é reabsorvido no acto amoroso e na concentração yógica (samadhi), de que serve o recolhimento (dhyana) ? De que serve o acto amoroso ?” - "Sarngadharapaddhati".
domingo, 25 de julho de 2010
"A união da quietude e do movimento" - Uma profunda instrução meditativa
- Panchen Lozang Chökyi Gyaltsen (1570-1662, Tibete).
sábado, 24 de julho de 2010
Quem somos quando nada fazemos mas estamos presentes?
- B. Alan Wallace, Mind in the Balance. Meditation in Science, Buddhism and Christianity, Columbia University Press, 2009.
sexta-feira, 23 de julho de 2010
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Este Sábado, nos Açores
XVIII GRANDE FESTIVAL DE FOLCLORE DA RELVA
MOSTRA FOLCLÓRICA DO ATLÂNTICO
FOLCLORE INTERNACIONAL NA RELVA
Este Sábado tem lugar o maior Festival de Folclore realizado em S. Miguel, um dos maiores dos Açores, e já bem conceituado a nível nacional e internacional.
Trata-se do Grande Festival de Folclore da Relva – Mostra Folclórica do Atlântico, que este ano vai na décima oitava edição.
Já há cerca de dezassete anos, que o 1º Sábado de Agosto é considerado na Ilha de S. Miguel, como o dia do Folclore por excelência, devido à realização deste grande evento da cultura popular, onde as nossas raízes, causa da existência e identidade dos povos estão em evidência e em destaque.
Logo nos primeiros anos da sua realização, afirmou-se como um espectáculo de alto nível cultural, um retalho de tradições, mereceu o grande empenho da Junta de Freguesia da Relva e do Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva, e que lhe valeu o reconhecimento da Federação do Folclore Português.
Sempre integrado nas seculares Festas de Nossa Senhora das Neves, que neste fim-de-semana decorrem nessa muito antiga freguesia micaelense, é sem dúvida o maior cartaz turístico do programa cívico e cultural das mesmas e da própria Relva em geral.
Assim neste Sábado 7 de Agosto, poderá assistir às 20:00 horas; Concentração dos Grupos participantes no Centro Cívico e Cultural da Relva, 20:30 horas; desfile folclórico e etnográfico pela Rua da Guiné (lado norte) e Rua de Cima, onde os trajos dos grupos e suas danças a desfilar, far-nos-á recuar alguns séculos atrás. A partir das 21:00 horas; abertura oficial do XVIII Grande Festival de Folclore da Relva – Mostra Folclórica do Atlântico, para às 21:15 horas se dar inicia à actuação dos grupos convidados no Jardim 5 de Agosto, espaço festivamente decorado, e em palco que nos reporta à Fonte da Rocha, local aprazível com uma nascente de água doce e pias do século XV, existente junto ao mar na Freguesia da Relva.
Participam este ano no Festival, três grupos em representação de 2 concelhos da Ilha de S. Miguel, dois do Continente Português; um da Eslováquia e um de França. Sendo estes; Rancho Folclórico da Casa do Povo do Livramento; Grupo de Danças e Cantares da Beira Baixa – Castelo Branco – Continente Português, Groupe La Jouvènço de Mountfavet – França, Grupo Folclórico Nossa Senhora da Graça - Porto Formoso, Rancho Folclórico Sampaense – S. Paio de Gramaços – Oliveira do Hospital – Beira Alta – Continente Português, Folk Dance Group MAJ – Piestany – Eslováquia e Grupo Folclórico de Cantares e Balhados da Relva.
Por volta das 24:00 horas terá lugar o encerramento do Festival seguindo-se no Salão Cultural e Recreativo de Nossa Senhora das Neves a troca de lembranças e convívio beberete entre os grupos participantes e as entidades convidadas.
Como sempre, de um lado a fachada da igreja artisticamente iluminada, do outro o palco num cenário de vivência dos nossos antepassados, num cenário que nos transporta a vivências de um ou mais séculos atrás, encenando a “Fonte da Rocha”, local aprazível com uma nascente de água doce e pias do século XV, existente junto ao mar na Freguesia da Relva, com os grupos em actuação e o público entusiasmado ao centro, o ambiente será multi cultural, pelo que a organização espera à semelhança dos anos anteriores um banho de multidão.
Mais informação em www.grupobalhadosrelva.com
Contacto: 917686538 grupobalhadosrelva@gmail.com ou medeiros.jo@gmail.com
Carta aberta a Paulo Portas sobre a Corrida de Touros CDS
É lamentável ver o CDS-PP associado a uma estratégia recente de retomar hábitos claramente em declínio. De facto, assiste-se nos últimos tempos a um recrudescimento e reabilitação deste tipo de eventos, o que, desde logo, configura uma ignorância de uma nova sensibilidade existente na sociedade portuguesa e não só no que concerne aos direitos dos animais e ao respeito que lhes é devido enquanto seres sencientes, seres capazes de sentir não apenas prazer, mas também dor e sofrimento, seja mental, seja físico.
A justificação de que “o fenómeno tauromáquico é também importante do ponto de vista económico, turístico e ambiental”, conforme se pode ler no anúncio constante do sítio electrónico do CDS-PP, não pode ser invocado sem a apresentação de uma argumentação válida. De facto, os dados oficiais mais recentes mostram claramente que a assistência a eventos desta natureza se traduz em números residuais. No mesmo sentido, a justificação de cariz ambiental carece de argumentação sólida, sendo também irresponsável a sua invocação para o evento.
Sendo o aumento da violência no país uma clara preocupação do CDS-PP, o Partido Pelos Animais gostaria de perceber como articula V. Ex.a e o partido que dirige essa preocupação com a violência com a promoção de um espectáculo e de uma cultura violentas e que incitam à violência.
O actual papa Bento XVI, baseando-se no catecismo católico, considerou que os animais são criaturas de Deus. O próprio catecismo expressa ainda a ideia de que é contrário à dignidade humana causar a morte ou o sofrimento desnecessário de animais. Tendo em conta a matriz cristã de que o partido que V. Ex.a dirige se reclama, o Partido Pelos Animais gostaria ainda de perceber de que forma o CDS-PP conjuga esta linha de pensamento com a promoção de um evento tauromáquico.
Com os melhores cumprimentos
Grupo de Trabalho sobre Entretenimento com Animais
Partido Pelos Animais
quarta-feira, 21 de julho de 2010
terça-feira, 20 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de julho de 2010
“O Presidente de todos os Portugueses”
A expressão foi consagrada por Mário Soares mas já antes era a aspiração de todos os Presidentes da República: ser “o Presidente de todos os Portugueses”. Essa aspiração é, decerto, de muito difícil concretização – mas não é impossível. Depende, desde logo, do perfil do candidato vencedor, do seu programa, bem como da ...base de apoio da sua candidatura.Nestas eleições, dos três candidatos com reais hipóteses de vencer – Manuel Alegre, Cavaco Silva e Fernando Nobre –, só Fernando Nobre pode realmente vir a ser “o Presidente de todos os Portugueses”. Ao contrário de Manuel Alegre – que apostou, de forma expressa, na constituição de uma “frente de esquerda” – e de Cavaco Silva – que apostará, ainda que de forma meramente tácita, na constituição de uma “frente de direita” – Fernando Nobre mantém-se firme na sua posição: supra-partidária, desde logo – nunca é demais repetir que ele é o único candidato realmente supra-partidário –, e, mais do que isso, para além dos sectarismos ideológicos que tudo pretendem reduzir à clivagem esquerda(s)-direita(s). Não que essa clivagem não exista – ela existe, apesar de ser, pela sua complexidade, irredutível a essa visão dicotómica-maniqueísta. No entanto, quem quer ser realmente “o Presidente de todos os Portugueses” não pode fazer dela o fulcro da sua candidatura. Sob pena de nunca poder vir a sê-lo…
Publicado em:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/07/o-
sábado, 17 de julho de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 16 de Julho
Foi mais uma sessão dupla. Primeiro,
P.S.: Os nossos agradecimentos, em particular, à Luísa Francisco, como sempre inexcedível na sua capacidade de organização.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
O que é Portugal? - 21 de Julho, 18.30, FNAC Chiado
- Françoise Bonardel, "Des Héritiers Sans Passé. Essai sur la crise de l'identité culturelle européenne", Chatou, Éditions de La Transparence, 2010.
A autora, professora na Sorbonne, esteve recentemente no Porto e colabora no n.2 da Cultura ENTRE Culturas.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Dia 17 de Julho, no Porto
Dia 17 de Julho (21.30 horas) no Ateneu
«Os olhos, instrumentos felizes da realidade mais real. Porque ver sempre foi tocar. Tocar uma a uma cada coisa com os olhos, antes da mão se aproximar para recolher os últimos brilhos de Setembro» (Eugénio de Andrade)
O Ateneu Comercial do Porto tem a honra de apresentar, no próximo dia 17 de Julho de 2010, às 21.30 horas, no Salão Nobre do Ateneu, o concerto do Coro Anima Mea, com direcção musical de Francisco Melo, que terá por tema “Aquela cativa que me tem cativo: Camões, Poesia e Música”. O programa do concerto inclui músicas do tempo de Camões, que reflectem os contextos que influenciaram o nosso Poeta Maior, e músicas contemporâneas sobre temas camonianos.
A musicalidade da poesia de Camões está expressa na variedade de composições musicais feitas sobre os motes e as glosas camonianas ao longo destes quatrocentos anos.
Serão interpretadas obras, entre outros autores, de Palestrina, Orlando di Lasso, D. Pedro de Cristo, Luís de Freitas Branco, José Afonso e Fernando Lapa. Destaca-se a 1ª audição da obra “Alma minha da minh’alma”, do compositor Fernando Lapa, com poema de Camões, dedicada ao coro Anima Mea.
A execução musical será acompanhada pela leitura de alguns textos que dialogam com a poesia musicada.
17 de Julho, em Lisboa
Caras amigas e caros amigosTomo a liberdade de comunicar o lançamento do romance intitulado "A Corda de Judas Iscariotes - O Quinto Império do Mundo".
Tive o atrevimento de enviar este email, servindo-me destes contactos, pelo facto deste romance envolver personagens históricas do tempo de Vieira, incluindo o Jesuíta. Trata-se unicamente de ficção, que pretende ter algum rigor histórico nos locais e nas datas, sem qualquer outra pretensão que não seja a de criar um cenário que transporta para o espaço europeu actual a ideia de unidade da Europa de Vieira.
Esta obra estava pronta em 2008, concorreu ao prémio Leya e foi uma das oito finalistas. Lamentavelmente, e apesar da minha insistência, a publicação não foi possível no ano Vieirino. Felizmente, foram criadas todas as condições para que esteja disponível nas principais livrarias.
Grato pela atenção
Carlos Alberto de Seixas Maduro
Santa Maria da Feira
Hoje, dia 15, na Feira do Livro de barcelos, às 18 e às 21h

Hoje, dia 15, 5ª feira, estarei na Feira do Livro de Barcelos, às 18h, para apresentar a revista Cultura ENTRE Culturas e o meu livro Uma Visão Armilar do Mundo.
No mesmo lugar, às 21h, apresentarei o livro de aforismos/euforismos de Flávio Lopes da Silva, Bússola, cujo prefácio escrevi e que vivamente recomendo.
Uma oportunidade para encontrar os amigos do Norte.
Hoje, no Porto
Na Livraria do Porto da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (à Praça dos Leões), pelas 18.00: sessão de apresentação da "Teoria do Ser e da Verdade", Tomo I do Volume IX das "Obras de José Marinho", em curso de publicação pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
A apresentação do livro está cargo do Professor Doutor José Costa Macedo, do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, e na ocasião intervirá igualmente o Prof. Doutor Jorge Croce Rivera, editor literário das "Obras".
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Por um Portugal lusofonamente multicolor

Ainda no rescaldo do Mundial de Futebol, é justo reconhecer que venceu a melhor selecção, a Espanha, e que Portugal não mereceu ter ido mais longe. Mas não, de modo algum, pelas razões que alguns têm aduzido – a saber: a de que esta não era uma verdadeira selecção nacional, dada a presença de alguns jogadores oriundos de outros países.
É, aliás, bizarro que, se até em países como a Alemanha se têm esbatido esse tipo de preconceitos*, alguns por cá insistam em argumentos objectivamente racistas. E logo em Portugal – como costumamos dizer, em Portugal, dada a nossa História, ser racista não é apenas estúpido como também, senão sobretudo, anti-patriota…
Ao invés, qualquer selecção nacional portuguesa será tanto mais representativa quanto mais incluir atletas oriundos de outros países, desde logo, de outros países lusófonos – como era o caso. Portugal, no seu todo, será tanto mais Portugal quanto mais assim for: lusofonamente multicolor…
* Na Alemanha, de resto, segundo o que fui lendo na imprensa, deu-se uma curiosa, mas não surpreendente, aproximação dos contrários: enquanto a extrema-direita renegou a selecção alemã por incluir jogadores de origem turca e africana, a extrema-esquerda, sempre avessa a todos os símbolos nacionais, passou o Mundial a queimar bandeiras…
Publicado em:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/07/por-um-portugal-lusofonamente.html
"[...] até pelos vermes tinha afeição"
- Tomás de Celano, Vida Primeira, XXIX, 80 (falando de São Francisco de Assis).
domingo, 11 de julho de 2010
Prefácio a "Bússola", de Flávio Lopes da Silva, que terei a honra de apresentar na Feira do Livro de Barcelos, 15 de Julho, às 21 h
Tive a felicidade de conhecer a magnífica poesia de Flávio Lopes da Silva no blogue da revista Nova Águia, onde foi a grande revelação, e de o ver depois honrar o meu blogue pessoal, Serpente Emplumada, bem como o blogue da revista que dirijo, Cultura Entre Culturas, da qual será também colaborador.
Flávio Lopes da Silva é um poeta em todo o sentido da palavra e um dos grandes poetas vivos da língua portuguesa, com quatro obras: Nós vezes Nós, Líquida Obsessão, Sétimo Vão e Sou Um Louco Que Sabe Tocar Acordeão. Poeta na forma, no conteúdo e, sobretudo, na vida selvagem que lhe inflama e move a escrita, indomável por escolas, maneirismos ou desejo de reconhecimento fácil. Tudo o que Flávio escreve vem directamente da inspiração, inquietação e sinceridade – “Diz o que tens a dizer. Nem que tenhas de cuspir a tua própria língua” - de uma consciência nua e sensível aos cumes e abismos da existência e da vida, que os explora intensamente, não se furtando às suas luzes e sombras, ao seu absurdo, drama e tragédia, mas também às suas redenções, mormente por via do amor, da antecipação da morte e da própria poesia, vias instantâneas de fecunda libertação: “Poesia: quando te bebo, descubro um filho dentro de mim”.
O poeta oferece-nos aqui um livro de aforismos / euforismos, não menos admiráveis que os seus poemas. Um aforismo é uma sentença extremamente concisa, que condensa em poucas palavras um sentido ou sentidos amplos e profundos, nascidos de uma intuição fulgurante e súbita. No aforismo a expressão é o mais íntima possível à fonte originária de onde brota, numa espontaneidade não sacrificada à distância e intervalo da reflexão, que frequentemente faz com que a forma e o conteúdo da escrita nasçam do arrefecimento do vislumbre nos moldes dos conceitos transaccionáveis no comércio da vida e da linguagem. No aforismo, que etimologicamente remete para uma delimitação, um dizer extremamente conciso demarca-se do fluxo corrente do palavreado mental e verbal para deixar ver o que mais importa, como que num refluxo do discurso para a quinta-essência de uma visão que o transcende e suspende. No aforismo, o pensamento e a palavra despem-se de todo o acessório para repousarem na nudez essencial.
Mas estes aforismos são euforismos, notável neologismo que remete para a experiência de um bom transporte, de um feliz arrebatamento, de uma euforia. O que é bem apropriado a um exercício em que o autor escreve tendencialmente na bem-aventurança de um sair de si e/ou dos limites comuns do pensamento e da linguagem dos homens. Este livro apresenta-se assim como um exercício de alegria, pela qual triunfa desses fundos mais dolorosos ou opressivos da vida que ironicamente explora e dos quais afinal se nutre, numa subtil alquimia que converte o mais denso chumbo em ouro e asas. Exercício de cada instante, onde escrever é sem antes nem depois: “Não tenho nem passado nem futuro / Represento o instante em que escrevo”.
Filho da nobre linhagem das grandes palavras (vac) sapienciais indianas, das sentenças pré-socráticas e do seu eco no pensamento ocidental (Pascal, Novalis, Nietzsche, Pascoaes, José Marinho, entre tantos outros), estes aforismos euforísticos e eufóricos são afinal a Bússola que sempre indica a direcção por mais errante, extraviado e transviado que pareça o caminho. Na verdade, se numa primeira leitura tudo aparenta apontar neste livro em direcções diversas e até opostas, o seu lento madurar revela uma direcção de conjunto, que milagrosamente emerge da própria dispersão em que as palavras e os sentidos se entretecem. E que direcção? A da edificação do homem que é o verdadeiro livro a ler, escrever e ser, pelo qual se podem e devem sacrificar todas as bibliotecas: “Não tenhas receio de sacrificar uma biblioteca inteira para seres um bom livro”.
Esse homem, por ser autêntico, sabe a morte e o delito de que é feito, sabe que nascer é cisão e morte que nos destina a morrer, sabe que a ex-istência é ferida aberta no corpo do real que só sara desaparecendo: “Respira: ergue as paredes do teu túmulo”; “Há na morte uma verdade: a delinquência de havermos existido”.
Mas esse mesmo homem é o que se aniquila e morre anulando a morte na plena intensidade da experiência de estar aí: “Aquele que escuta a terra no ponto alto da sua gravidez é o mesmo homem que por amor se fez cadáver”. Isso acontece no instante, a cada instante: “Nunca te esqueças que és fruto de um instante e que nesse instante todas as sementes se calaram para te ouvir chegar”. Instante em que o eterno de nós em nós explode, se, plenamente receptivos, o não buscarmos: “Não procures a eternidade. A qualquer momento ela explodirá dentro de ti”. Aí nos libertamos da estreiteza de nos presumirmos: “Ninguém é estúpido; Estúpido é: pensarmos que somos Alguém”.
Homem autêntico e livre, sobretudo de si, assume toda a autoridade para desmascarar o ridículo de uma história humana que oculta uma verdade chamada amor: “A História dos homens é ridícula, pois na escola nunca ouvi contarem casos de amor”. Se ao nascer não soube ao que vinha – “Quando nasci não me avisaram deste mundo” - , agora sabe que o mundo dos homens só vale se nele a soberania for outra: “Quando o amor for uma política, eu votarei”. Então haverá a cura e ressurreição que a medicina desconhece, pois confunde a saúde com a normalidade do homem rastejante: “A medicina está longe de me dizer qual o melhor remédio para ressuscitar as asas”.
Muito mais se poderia e deveria dizer sobre um livro que nos convoca ao melhor de nós mesmos, ao indomável, mas a leitura destas palavras luminosas urge. Escutemos apenas, como preâmbulo, a nobre e bela exortação que nos dirige:
“Que os teus abraços abertos sugiram o voo e que na brandura do sono a tua cabeça seja o ceptro onde nenhum servo põe a mão, pois só tu és águia na raiz do firmamento”.
E recolhamo-nos, pois “A cada instante o silêncio liga a sua ignição”.
Boa viagem!
sábado, 10 de julho de 2010
MATILDE ROSA ARAÚJO
DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO
Conheci pessoalmente Matilde Rosa Araújo em 1979, quando fazia o estágio pedagógico na Escola Luísa Todi, em Setúbal.
A escritora foi então convidada para ir falar aos alunos, e quem a levou lá, foi o meu colega Eduardo, cuja mãe, licenciada em Românicas, era também metodóloga, e amiga pessoal da escritora.
Lembra-me que Matilde Rosa Araújo falou sobre a sua actividade de professora com uma extrema simplicidade, e do seu amor às crianças, que, como Fernando Pessoa dizia, são a melhor coisa do mundo.
Falou, também, e em especial, de um rapaz que conhecera nas suas aulas, e que seguira com toda a sua ternura, ao longo dos anos, até ele se ter tornado um homem.
Lembra-me, perfeitamente, de me ter impressionado, a bondade expressa pela professora/escritora do modo como falou daquele adolescente, que não lhe era nada familiarmente, mas cuja vida ela seguia como se fosse seu filho.
Foi uma verdadeira aula de Pedagogia, a palestra que Matilde Rosa Araújo fez naquele dia para seis professores que, naquele ano lectivo de 1978/79, estavam a fazer o estágio pedagógico para se tornarem professores profissionalizados, e não andarem todos os anos com a casa às costas, e isso quando eram colocados, porque muitas vezes, por falta de vaga, isso não acontecia, e ficavam irremediavelmente desempregados.
Desde esse dia nunca mais vi a escritora, embora continuasse a acompanhar a sua obra literária, uma vez que, poemas e textos da sua autoria, da cerca de vintena de livros que publicou durante a sua vida, continuavam a ser publicados nos diversos manuais que saíam todos os anos.
Por aquelas ironias da vida, em 1989, realizei um dos grandes sonhos da minha vida – publiquei um livro. Chamava-se O Enigma da Gruta, e contava a história do concelho de Oeiras, com particular enfoque no tempo do Marquês de Pombal, que foi o primeiro conde de Oeiras e também o primeiro-ministro do rei D. José I. Curioso foi o facto da concretização desse sonho, derivar da obtenção do primeiro lugar num concurso literário da Associação Portuguesa de Escritores, cujo júri era formado por Maria Alberta Meneres, José Jorge Letria e, Matilde Rosa Araújo.
É verdade, dez anos depois, os nossos caminhos voltavam a cruzar- -se, embora Matilde Rosa Araújo não me identificasse com aquele jovem professor que, uma dezena de anos atrás, a ouvira embevecido falar das crianças.
Anos depois, ouvi Matilde Rosa Araújo na televisão, falar sobre a honra que era terem dado o seu nome a uma Escola.
Mais anos se passaram até ao dia seis de Julho de 2010, quando soube do seu falecimento, numa reunião de leitores da Biblioteca de Carnaxide.
Os livros, sempre os livros! Eles marcaram a minha vida, bem como os escritores que os escreveram como, a inesquecível Matilde Rosa Araújo!
Na NET visite o meu blog de Poesia e Prosa http://cempalavras.blogs.sapo.pt
sexta-feira, 9 de julho de 2010
As ideias alternativas de Manfred Max-Neef, economista e ecologista chileno
O economista e ecologista chileno Manfred Max-Neef é considerado uma personalidade polêmica por andar na contramão da economia ortodoxa, por acreditar que o modelo atual de globalização é desastroso para o meio ambiente e, principalmente, por considerar que o crescimento econômico, depois de um determinado ponto, pode gerar queda na qualidade de vida das pessoas. Defensor do desenvolvimento local, ele sugere a criação de um sistema fiscal que tribute os gastos de energia e que fortaleça os pequenos negócios.
Max-Neef também ficou conhecido por suas idéias sobre as necessidades humanas, com base no ser, no ter, no estar e no fazer, e em necessidades como: subsistência, afeto, proteção, entendimento, participação, ócio, criação, identificação e liberdade. Para ele, as necessidades das pessoas são sempre as mesmas, independentemente de época e costumes. A diferença está no fator "satisfação". "As necessidades de um monge e de uma pessoa consumista são as mesmas. A diferença é a forma como eles satisfazem suas necessidades", afirma. Esse seu pensamento inspirou a exposição de artes sobre o tema "All We Need", que vai acontecer este ano em Luxemburgo, apontada como capital cultural da União Européia, em 2007.
Max-Neef deu aulas na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e atuou como professor convidado em diversos locais dos Estados Unidos e da América Latina. Dedicou sua carreira aos problemas dos países em desenvolvimento da América Latina e registrou as principais experiências no livro From the Outside Looking In: Experiences in Barefoot Economics, ainda não publicado no Brasil. Por seus trabalhos, recebeu diversos prêmios, entre os quais o Right Livelihood Award, conhecido como "Prêmio Nobel alternativo", em 1983, o Premio Nacional por la Promoción y Defensa de los Derechos Humanos, do Chile, em 1987, e o University Award of Highest Honour, pela Soka University, do Japão, em 1997.
Durante o 15º. Seminário Internacional em Busca da Excelência, da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que ocorreu entre os dias 11 e 13 de abril de 2007, Max-Neef esteve no Brasil. Em entrevista coletiva, falou aos jornalistas sobre suas principais teorias. A seguir, leia os trechos mais importantes.
Instituto Ethos: O senhor acredita que o crescimento econômico, após atingir um determinado ponto, tem efeito negativo para a sociedade?
Manfred Max-Neef: Segundo a Teoria do Umbral, que criei com meus colegas há 15 anos, o crescimento econômico está alinhado à qualidade de vida de uma sociedade somente até certo ponto. Depois disso, a tendência é que ele se torne maligno ao bem-estar das pessoas. Essa teoria foi comprovada em todos os países onde realizamos o estudo, como Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Suécia, Áustria, Dinamarca, Chile e Tailândia. Todos eles tiveram um grande período de crescimento econômico e desenvolvimento até o ano de 1970. Após essa data, o nível de qualidade de vida da população começou a cair. Para obter esse resultado, comparamos a curva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com a de outro índice, o Genuine Progress Indicator (GPI), que mede a qualidade de vida. Por meio de gráficos, percebemos que o crescimento econômico continuou aumentando, enquanto o GPI apresentou queda. Para mim, o PIB é um indicador muito curioso, no qual tudo pode ser somado sem levar em conta o que é bom ou o que é ruim. Por exemplo, os acidentes de carro, o aumento do consumo de serviços médicos e as epidemias são fantásticos para o PIB. No GPI o método é outro. Soma-se tudo aquilo que tem impacto positivo para a sociedade e deixam-se de lado os aspectos negativos, como os custos de poluição e de degradação do solo. O GPI também soma exterioridades que não são consideradas pelo PIB, como o trabalho doméstico e o trabalho voluntário. O PIB é um índice machista, pois para ele a parcela de mulheres no mundo que trabalha em casa (80%) não é considerada. O trabalho de uma pessoa que caminha quilômetros a fim de buscar água para sua família também não é acatado. Ou seja, o PIB não reflete o desenvolvimento da sociedade. Se o PIB de São Paulo for examinado durante 20 anos, vamos perceber que grande parte do investimento é destinado a corrigir problemas gerais decorrentes do crescimento excessivo da cidade. Essa verba poderia ter sido aplicada em outro projeto de maior utilidade para a sociedade. O crescimento após determinado momento se torna antropofágico.
Instituto Ethos: O senhor costuma dizer que as empresas estão amarradas num modelo do século passado. Como seria a empresa ideal para o momento em que estamos?
MM-N: Eu fiquei muito impressionado com uma indústria brasileira que visitei num desses dias, que é a Natura. Tive a percepção de que lá tudo está concentrado nas pessoas. A água consumida é reciclada. O que a empresa produz não afeta a natureza. Ela consegue explorar os recursos do próprio país. Todos os aspectos são coerentes com os princípios sustentáveis e com uma economia humanizada. Para muitas outras empresas, o mais importante é o lucro. A custo de quê? De explorar o trabalhador e destruir a natureza. Para mim, a empresa deste momento é aquela que coloca a economia a serviço das pessoas, e não o contrário.
Agência Sebrae: O senhor comentou sobre uma grande empresa. Mas como os pequenos negócios podem se adequar a esses padrões sustentáveis?
MM-N: Sozinhos não podem fazer grandes mudanças. É preciso uma política de Estado que estimule as boas práticas. A grande empresa pode fazer muitas coisas sem a permissão de ninguém, mas o pequeno precisa ser visto dentro de um contexto global. Uma das condições fundamentais para se ter uma boa economia e uma sociedade sustentável é modificar drasticamente o sistema tributário. Defendo que os impostos devam ser tributados de acordo com a energia que a empresa consome e não com o que ela ganha. Por que querem castigar alguém por trabalhar? Esse castigo deveria ser para quem consome muita energia ou para quem tem muitos automóveis. Se isso fosse feito, todas as empresas iriam descobrir formas de consumir menos energia. Já com o sistema tributário corrente não há nenhum estímulo nesse sentido. As empresas procuram o contador apenas para descobrir o que podem fazer para pagar menos impostos. Se as empresas fossem tributadas a partir do que elas gastam com energia, haveria uma grande mudança no sistema de comércio atual, que eu considero absurdo em termos ambientais. Qual o sentido de o Brasil exportar e importar sabão ao mesmo tempo para um mesmo país? A região em que vivo, no Chile, é uma grande produtora de leite, e mesmo assim você encontra no mercado local manteiga fabricada na Nova Zelândia. É um absurdo a quantidade de CO2 gerado sem necessidade para trazer esse produto de tão longe. Acredito que os processos econômicos devam ser analisados a partir da perspectiva dos gastos energéticos. A globalização acontece porque gera crescimento para o PIB, mas é um agressão à biosfera.
Instituto Ethos: É por isso que o senhor é contra o Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca)?
MM-N: Não é só por isso. Os tratados de livre comércio não são livres. Os grandes sócios acabam tendo direitos com os quais os pequenos não são contemplados. Os Estados Unidos, por exemplo, não enfrentam problemas por subsidiar seus produtos agrícolas, enquanto os governos mexicano e chileno sofreriam retaliações se o fizessem. As conseqüências dessa forma de comércio são devastadoras. O milho no México, por exemplo, não é apenas um produto econômico. Esse grão faz parte da cultura mexicana, de seus mitos e de seus deuses. Mas, hoje, 40% do milho consumido no México é importado dos Estados Unidos, onde foi subsidiado. Muito desse milho é transgênico e já está contaminando as plantações nativas mexicanas, por meio da polinização. Isso é um tratado que se pode chamar de livre comércio?
Instituto Ethos: Para que a sustentabilidade seja vista como um bom negócio, é preciso alterar o modo de pensar da sociedade. Como conseguir essa mudança de paradigma?
MM-N: Isso se faz por meio de um grande contrato social entre empresários, governo e trabalhadores, os quais decidem aquilo que querem para o país. Isso aconteceu na Suécia. O país se preparou durante dez anos para uma mudança no sistema tributário. Embora pague o imposto mais alto do mundo, cada cidadão está garantido por toda a vida. E o salário do presidente de uma empresa é apenas cinco vezes maior do que o do faxineiro. No Chile, essa diferença é de pelo menos 200 vezes. O maior crime que o homem pode cometer na Suécia é ser machista e não pagar impostos. Esse é o grau de consciência deles.
FNQ: O controle populacional é um aspecto importante da sustentabilidade?
MM-N: Há um erro muito grande nesse pensamento, porque para a demografia toda pessoa é igual. E isso não é verdade. Não estou falando em relação a raça ou gênero. Eu me refiro ao peso de cada pessoa para a biosfera. Um bebê que nasce nos EUA equivale a 20 bebês nascidos em Serra Leoa. Os EUA têm um grande peso mesmo em relação a países mais populosos. Os 300 milhões de cidadãos americanos consomem três vezes mais do que a China, com seu 1,3 bilhão de habitantes, e nove vezes mais do que a Índia, que tem 1 bilhão.
Instituto Ethos: Qual é o papel das universidades nesse contexto, que exige mudanças de comportamento da sociedade?
MM-N: A universidade não está cumprindo o papel que deveria. Ela deixou de ser uma instituição orientadora, que fazia críticas à sociedade, para se converter numa máquina a serviço do mercado. A universidade é cúmplice de um mundo que ela não aprova. Considero um escândalo o modo como a economia vem sendo ensinada dentro das escolas e como ela é aplicada na prática. Estou profundamente decepcionado com o que aconteceu com essa disciplina. Como é possível educar um economista hoje com livros clássicos que não contêm palavras como ecossistema e natureza? Como é possível aceitar que a economia se considere um sistema fechado, sem nenhuma relação com outros sistemas? Um economista não pode ignorar o funcionamento do ecossistema. Se isso ocorre, a responsabilidade é da universidade. Para ensinar aos alunos temas relacionados ao meio ambiente, o professor precisa fazê-lo por fora, como subversivo.
FNQ: O senhor se considera um otimista ou um pessimista?
MM-N: O pessimista acredita que já não há mais nada a fazer, enquanto o otimista não faz nada porque acha que o mundo está ótimo. Eu me considero um pessimista ativo. Creio que as coisas não estão bem e que precisamos nos adaptar a isso da melhor forma possível. É preciso surgir neste século a filosofia da solidariedade. Estamos todos na mesma situação. Se não formos solidários, não estaremos preparados para as condições desse novo planeta. Não ser solidário é estúpido e um mau negócio.
Instituto Ethos: Na opinião do senhor, de que forma as mudanças climáticas afetarão os povos da América Latina?
MM-N: Calcula-se que pelo menos 2 milhões de pessoas terão grave carência de água, porque o aquecimento global vai afetar as neves eternas dos Andes e a grande maioria das cidades localizadas nessa região é abastecida por águas de degelo. Isso vai provocar uma migração sem precedentes. E para onde irão essas pessoas? Quem vai abrir as portas para tanta gente? Enfrentaremos um problema de solidariedade muito forte. Mas a tendência é que se levantem muros. É muito brutal que essa filosofia de cobiça e acumulação continue existindo.
Instituto Ethos: Por que o senhor costuma dizer que acredita mais nos empresários do que nos políticos?
MM-N: Há 30 anos eu fiz parte de um setor que acreditava que os empresários eram os maus da história e nós é que éramos os bons. Somente quando comecei a me abrir para o diálogo com as empresas é que percebi que estava completamente equivocado. Descobri que a grande maioria dos empresários quer dialogar e está sempre aberto a mudanças. Usando argumentos concretos, é possível convencê-los do melhor caminho a seguir. Já com os políticos é diferente. Eles estão sempre pensando no próximo ano e nos números que lhes interessam.
FNQ: E por que, mesmo sabendo disso, o senhor foi candidato à presidência do Chile, em 1993?
MM-N: A primeira coisa que eu disse quando me candidatei à presidência de meu país foi que eu não tinha nenhum interesse em assumir o cargo. Minha candidatura foi uma desculpa para colocar em pauta assuntos que não faziam parte das discussões políticas. Apenas quis ser o candidato dos temas ausentes.
Instituto Ethos: O senhor acredita que os governos na América Latina estejam incluindo a sustentabilidade em suas pautas?
MM-N: Acredito que poucos têm consciência do que está acontecendo. A Costa Rica, por exemplo, é um lugar que já despertou para o problema. O país tem muitas iniciativas que visam a sustentabilidade e melhor uso dos recursos ambientais. Mas ainda é muito pouco. Deveria haver muito mais. O Brasil é um caso extraordinário. Vocês têm uma responsabilidade histórica descomunal, porque são donos da maior biodiversidade do planeta. E o que estão fazendo? A Amazônia continua sendo destruída, porque a obsessão pelo crescimento econômico é muito maior.
Fonte: www.ethos.org.br - Notícias da Semana
Giselle Paulino - Edição: Benjamin S. Gonçalves
17/04/2007
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Dia 9 de Julho na Academia Problemática e Obscura
Dia 9 de Julho
Sexta - feira às 21h30
A palestra sobre Psicologia evolutiva: o funcionamento humano na visão de Darwin, pelo Doutor João Moreira, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa.
Inauguração de Exposição de Pinturas intitulada Evocações de Chona.
Entrada Livre!
Mais informações:
Telemóvel: 96 388 31 43
E-mail: primafolia@gmail.com
Site: www.primafolia.blogspot.com
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Tema do sétimo número da NOVA ÁGUIA (1º semestre de 2011)
Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
Recepção de textos até ao final de Dezembro.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Matilde Rosa Araújo vai a enterrar esta quarta-feira

A escritora Matilde Rosa Araújo faleceu, aos 89 anos, após doença prolongada, na sua residência, em Lisboa. Deixa mais de 20 livros para a infância, entre os “O Livro da Tila”, nome pelo qual era conhecida entre os amigos. No próximo mês de Outubro será editado o conto “Florinda e o Pai Natal”. O corpo da autora está em câmara ardente na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). O funeral da escritora é quarta-feira, às 15h, no Cemitério dos Prazeres.
Swami Suddhananda em Lisboa. Mais uma iniciativa no espírito ENTRE

No âmbito do curso de Filosofia e Estudos Orientais, o Swami Suddhananda (Suddhananda Foundation for Self-knowledge) dará uma prelecção no dia 21 de Julho (quarta-feira), pelas 18h, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras de Lisboa. Suddhananda é mestre do Vedānta e falará sobre o tema: "Happiness: here and now".
Resumo (em português) da conferência:
No âmbito dos princípios expressos na Bhagavad Gita, Upanishads, entre outros textos, serão abordados os seguintes temas fundamentais: a natureza e os mecanismos da mente e do corpo e suas ligações intrínsecas; o eu e sua relação com os seres e mundo à sua volta; a consciência que tudo “testemunha”.
A "política" da meditação
Se podemos alcançar estado desperto não-dual e não-conceitual na meditação, estamos engajados em uma profunda atividade “política”, mesmo que possamos perder essa consciência nos períodos em que não estamos formalmente meditando (o estado desperto de Buda na pós-meditação é o mesmo durante a meditação).
Meditar em estado desperto não-dual e não-conceitual, que é meditar no dharmadatu, imediatamente começa a destruir de modo sistemático em nós a estrutura da consciência dualista com todos os obscurecimentos cognitivos e emoções aflitivas auxiliares. Do ponto de vista da dualidade, já que essa consciência dualista também envolve outros seres sencientes, que são o outro pólo da nossa dualidade, nossa atividade em dissolver essa consciência tem um impacto profundo neles também.
Enquanto nossa meditação não-dualista e não-conceitual está purificando nossos próprios obscurecimentos e aflições, e assim transformando nossa vivência pessoal dos outros, ela também se torna uma faísca da atividade de Buda para esses outros. Assim que nossa meditação se torna eficaz, a atitude dos outros em relação a nós começa a mudar, e eles mesmos começam a se voltar para dentro para procurar com mais consciência entre as coisas de suas mentes e vidas por soluções espirituais para os problemas.
E assim que o poder de nossa meditação aumenta, esse efeito alcança círculos concêntricos cada vez maiores de seres sencientes com quem temos interdependência cármica, que hoje nesta era incluem não apenas nossos mais próximos amigos, parentes, colegas de trabalho e da comunidade, mas também qualquer ser a quem estejamos conectados através de toda a interface de nossas vidas.
Khenchen Thrangu Rinpoche (Tibete, 1933 ~)
“The Ninth Karmapa’s Ocean of Definitive Meaning”
(Dharma Quote of The Week – Snow Lion, 24/06/2010)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 2 de Julho
Foi mais uma sessão na Faculdade de Filosofia, em Braga, que já tornou um dos locais de eleição do nosso Mapiáguio. Desta vez (no âmbito de um Colóquio sobre o pensamento de Diamantino Martins), não apenas para apresentar o último número da Revista, mas também, e sobretudo, o último título da nossa Colecção de Livros, que levámos no próprio dia da gráfica, em Mafra, pois só então ficou pronto: “A Escola de Braga e a Formação Humanística: Tradição e Inovação” – as Actas de um Colóquio que decorreu no final do passado ano, onde igualmente havíamos estado, não só para participar no mesmo, como também para apresentar o quinto número, então acabado de sair…
Dada a presença de alguns colaboradores regulares da NOVA ÁGUIA – nomeadamente, António Braz Teixeira, Joaquim Domingues e Manuel Ferreira Patrício –, aproveitámos também para anunciar o tema do sétimo número, o primeiro de 2011: «Fernando Pessoa: “Minha pátria é a língua portuguesa” (nos 15 anos da CPLP)”.
O sexto (2º semestre de 2010), já se sabe, terá como tema “A República, 100 anos depois”, e já está devidamente recheado com os textos que entretanto nos chegaram. Sairá
domingo, 4 de julho de 2010
8 de Julho, em Cabo Verde
Convite
APRESENTAÇÃO DE “A SEGUNDA VIDA DE DJON DE NHA BIA”, ROMANCE DE NUNO REBOCHO
· Dia 8 de Julho, 16h30, no espaço “Nos Orige”, Cidade Velha Património Mundial
“A Segunda Vida de Djon de Nha Bia” é o primeiro romance da autoria de Nuno Rebocho, escritor português radicado em Cabo Verde. Trata-se de estória salgada de crioulidade, onde o mágico e as driabruras se entrecruzam em artimanhas que envolvem mortos ressuscitados em revolta e o derrube de poderes vivos, santos sem vocação, fundamentalistas irredentos e muita tropelia que fez a vivência de um país chamado Arquipélago, igual a tantos arquipélagos que são países e a países que são, por isso mesmo, arquipélagos.
Com humor e ironia, o autor traduz o insólito como realidade, mas onde quaisquer semelhanças com realidades conhecidas são mal-deliberadas coincidências, numa escrita colorida e cáustica para o novo acordo ortográfico adoptado pelos países lusófonos.
Editado por uma pequena editora portuguesa, a Associação Chili Com Carne (uma organização de jovens artistas sem fins lucrativos cujo funcionamento assenta na cooperação livre e espontânea dos seus associados), “A Segunda Vida de Djon de Nha Bia” é apresentado, com o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, no dia 8 de Julho, quinta-feira, às 16h30, no espaço Nos Orige, à Rua Banana, Cidade Velha, pelo Dr. Luis Filipe Tavares, professor da Universidade Piaget.
O autor convida e agradece eventuais comparências, como agradece o apoio da Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago. Obrigado















