
Ainda no rescaldo do Mundial de Futebol, é justo reconhecer que venceu a melhor selecção, a Espanha, e que Portugal não mereceu ter ido mais longe. Mas não, de modo algum, pelas razões que alguns têm aduzido – a saber: a de que esta não era uma verdadeira selecção nacional, dada a presença de alguns jogadores oriundos de outros países.
É, aliás, bizarro que, se até em países como a Alemanha se têm esbatido esse tipo de preconceitos*, alguns por cá insistam em argumentos objectivamente racistas. E logo em Portugal – como costumamos dizer, em Portugal, dada a nossa História, ser racista não é apenas estúpido como também, senão sobretudo, anti-patriota…
Ao invés, qualquer selecção nacional portuguesa será tanto mais representativa quanto mais incluir atletas oriundos de outros países, desde logo, de outros países lusófonos – como era o caso. Portugal, no seu todo, será tanto mais Portugal quanto mais assim for: lusofonamente multicolor…
* Na Alemanha, de resto, segundo o que fui lendo na imprensa, deu-se uma curiosa, mas não surpreendente, aproximação dos contrários: enquanto a extrema-direita renegou a selecção alemã por incluir jogadores de origem turca e africana, a extrema-esquerda, sempre avessa a todos os símbolos nacionais, passou o Mundial a queimar bandeiras…
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http://mil-hafre.blogspot.com/2010/07/por-um-portugal-lusofonamente.html