EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra e Dalila Pereira da Costa- Razão e Espiritualidade.

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Em Janeiro de 1912, Teixeira de Pascoaes escrevia: “Neste momento genesíaco e caótico da nossa Pátria, é necessário que todas as forças reconstrutivas se organizem e trabalhem, para que ela atinja rapidamente a sonhada e desejada harmonia.”. Segundo Raul Proença, importava “dar uma alma nova à nossa nacionalidade, despertar a acção e vida nesta existência e modorra”.
Decorridos 100 anos sobre a génese da Renascença Portuguesa, que um dia Jaime Cortesão havia sonhado, com o propósito “de fundar uma Associação dos artistas e dos intelectuais portugueses, com o fim principal de exercer a sua acção isenta de facciosismos políticos”, uma “acção social orientadora educativa”, o seu legado está ainda por se cumprir.
Tendo sido criada para dar uma orientação maior, superior, à República, esta, infelizmente, preferiu seguir outros caminhos, mais imediatos, com os resultados que se conhecem. Por isso, ficou a promessa da Renascença Portuguesa parcialmente adiada, não obstante todas as sementes que então se lançaram à terra e alguns frutos que, na época, ainda foi possível colher: falamos, em particular, das Universidades Populares e da ainda hoje impressionante série de edições, que visavam promover uma elevação cultural e cívica de todo o povo português.
Na altura, a Renascença Portuguesa foi, de facto, o mais marcante movimento cultural e cívico, que agregou as mais insignes personalidades da época, sendo, ao mesmo tempo, a voz de uma nova geração que emergia e se afirmava. Se o seu legado não se cumpriu plenamente, o seu exemplo de dedicação à comunidade pátria persiste por inteiro ainda hoje, para que as gerações de hoje cumpram esse legado, essa tarefa.
Por tudo isso, a NOVA ÁGUIA evoca, neste número, os 100 anos da Renascença Portuguesa. Se há 100 anos importava fazer renascer Portugal, quem não dirá o mesmo hoje? Se Portugal há 100 anos parecia morto, quem, hoje, dirá o contrário? Ao evocarmos os 100 anos da Renascença Portuguesa, evocamos pois uma memória viva, de tal modo que quisemos aqui, neste número, olhar sobretudo para a futuro, para a frente. Daí a questão que colocámos: como será Portugal daqui a 100 anos? Decerto, um desafio ousado, mas quisemos sobretudo abrir Horizontes, porque sem Horizontes não há caminho que valha.
*
Constituindo, essa, a secção principal, houve espaço, como sempre tem acontecido, para outras temáticas. Assim, para além de textos ainda sobre Álvaro Ribeiro (autor destacado no número anterior), publicamos, neste número da NOVA ÁGUIA, textos sobre outras figuras, nomeadamente sobre algumas personalidades mais ligadas à Renascença Portuguesa: falamos, entre outros, de Sampaio Bruno, Guerra Junqueiro e Jaime Cortesão.
Como sempre, houve também lugar para outros voos – nomeadamente, até à Galiza (“Ernesto Guerra da Cal, Mestre da Nova Galeguidade. Notas para um Centenário”), ao Brasil (“Sílvio Romero: O Elemento Português no Brasil”), a Timor-Leste (“A Lusofonia em Timor-Leste – Além da mera sobrevivência da Língua Portuguesa”) e a Cabo Verde.
A respeito da Mátria de Cesária Évora – cuja memória aqui sentidamente evocamos –, publicamos, de resto, três textos: de António Braz Teixeira (“A Saudade na Poesia da Claridade”), de Elter Manuel Carlos (“A singularidade da leitura do olhar cabo-verdiano”) e de Adriano Moreira – falamos do Discurso que proferiu, recentemente, ao aceitar o título de Doutoramento Honoris Causa por parte da Universidade do Mindelo: “Uma Meditação sobre a Universidade”.
Depois de já termos publicado três números sobre personalidades ligadas à Renascença Portuguesa – Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (para além do número que dedicámos aos “100 anos d’A Águia”) –, o mesmo acontecerá, de novo, já no próximo número, cujo tema maior será: “Leonardo Coimbra – Razão e Espiritualidade: nos 100 anos d’O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)”. Uma vez mais, um grande número da NOVA ÁGUIA em perspectiva.

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA: COMO SERÁ PORTUGAL DAQUI A 100 ANOS?
Maria Luísa de Castro Soares, NOS 100 ANOS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…8
Manuel Ferreira Patrício, NOS PRÓXIMOS 100 ANOS, A CPLP SERÁ OU PORTUGAL NÃO SERÁ…14
Pedro Cipriano, ENSAIO SOBRE O FUTURO DE PORTUGAL, DO SEU POVO E DA SUA CULTURA…15
Renato Epifânio, DIÁRIO DA NOVA ÁGUIA: 1 DE JANEIRO DE 2112…24
Rui Martins, DAQUI A CEM ANOS…28
Rui Tinoco, PELO MAR E PELA NET…30
António Cândido Franco, DA RENASCENÇA PORTUGUESA AO REGRESSO AO PARAÍSO…32
António Carlos Carvalho, UM RESTO DE PORTUGAL…35
Bruno Gonçalves Bernardes, O FOSSO CONSCIENTE…37
Carlos Aurélio, A CRISE E O ENGENHO…39
Clara Tavares, PORTUGAL: PONTE ENTRE O PASSADO E O FUTURO…47
Elisabete Correia Campos Francisco, COMO PENSAR O PORTUGAL DE AMANHÃ?...49
Gabriela Lança, A EDUCAÇÃO EM PORTUGAL NO ANO 2112…53
João Franco, PORTUGAL AINDA EXISTIRÁ NO SÉCULO XXII?...55
Joaquim Domingues, PREVISÃO E PROFECIA…58
Lúcia Helena Alves de Sá, A HISTORIAR O PORVIR DE PORTUGAL…60
Manuel Abranches de Soveral, OH MAR SALGADO…62
Miguel Real, FEIRA DO LIVRO DE 2112…65
Sérgio Luís de Carvalho, PORTUGAL, 2112…67
J. Pinharanda Gomes, ANTEVISÃO…70
AINDA SOBRE ÁLVARO RIBEIRO
António Quadros Ferro, “O QUE O 57 NÃO DISSE”…72
Renato Epifânio, HORIZONTE E CAMINHO(S) DA FILOSOFIA…74
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…77
OUTROS AUTORES: DE JOÃO DE DEUS A MARIA ZAMBRANO
Manuel Ferreira Patrício, APONTAMENTOS SOBRE JOÃO DE DEUS PEDAGOGO…98
Joaquim Domingues, JUNQUEIRO E BRUNO: AS DUAS COLUNAS DA RENASCENÇA PORTUGUESA…100
Rodrigo Sobral Cunha, SAUDAÇÃO RÍTMICA NA OBRA DE CARLOS QUEIROZ (INCLUI “EPÍSTOLA AOS VINDOUROS” E “PAISAGEM”)…109
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A RENASCENÇA PORTUGUESA E O PERCURSO POLÍTICO E HISTORIOGRÁFICO DE JAIME CORTESÃO…138
José Lança-Coelho, TRÊS CENTENÁRIOS DA LITERATURA PORTUGUESA: FONSECA, REDOL E FIALHO (1911-2011)…145
Maria Seoane Dovigo, ERNESTO GUERRA DA CAL, MESTRE DA NOVA GALEGUIDADE. NOTAS PARA UM CENTENÁRIO…149
José Maurício de Carvalho, A PROBLEMÁTICA ÉTICA EM EL ESPECTADOR DE ORTEGA Y GASSET…152
Mª Aránzazu Serantes, JOSÉ ORTEGA Y GASSET Y MARÍA ZAMBRANO: A CONFESIÓN NA SAUDADE COMO EXPRESIÓN DA IDENTIDADE…160
OUTROS VOOS
António Braz Teixeira, A SAUDADE NA POESIA DA “CLARIDADE”…164
António José Borges, A LUSOFONIA EM TIMOR-LESTE – ALÉM DA MERA SOBREVIVÊNCIA DA LÍNGUA PORTUGUESA…168
Carlos Carreira, A ALMA PORTUGUESA E O CHEIRO DA CASA DOS MEUS AVÓS…173
Elter Manuel Carlos, A SINGULARIDADE DA LEITURA DO OLHAR CABO-VERDIANO…183
Joaquim Miguel Patrício, SÍLVIO ROMERO: O ELEMENTO PORTUGUÊS NO BRASIL…190
Maria Seoane Dovigo, DE UTOPIAS E UCRONIAS: A DEMANDA DA GALIZA E A PROFECIA DO HOMEM LIVRE…193
Maria João Coutinho, ONDE A PALAVRA É MÚSICA E DANÇA…196
Maria Leonor L. O. Xavier, A FILOSOFIA ENTRE AS HUMANIDADES…201
Paulo Santos, REFLEXÃO INVOCATIVA DO LEGADO DE ANTÓNIO TELMO…206
J. Pinharanda Gomes, APOLOGIA DA GRAMÁTICA ELEMENTAR…208
Adriano Moreira, DISCURSO DE DOUTORAMENTO HONORIS CAUSA NA UNIVERSIDADE DO MINDELO – CABO VERDE…215
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…220
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…222
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…223
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…227
CARTAS SEM RESPOSTA, de João Bigotte Chorão…230
BIBLIÁGUIO
ENTRE FILOSOFIA E LITERATURA, por Maria Luísa Malato Borralho…232
O SEGREDO DE GRÃO VASCO, por António Carlos Carvalho…239
A FILOSOFIA JURÍDICA BRASILEIRA DO SÉCULO XIX, por José Esteves Pereira…240
MIGUEL REALE: ÉTICA E FILOSOFIA DO DIREITO, por Antônio Paim…242
MENSAIGE, por Fernando de Castro Branco…243
A MINHA SALA DE AULA É UMA TRINCHEIRA, por Sérgio Quaresma…244
EXTREVOO
Rémi Boyer, METAFÍSICA & INICIAÇÃO…248
POEMÁGUIO
Samuel Dimas, SAUDADE DO PARAÍSO CELESTIAL…6
João Carlos Raposo Nunes, NA GUARIDA DE SEBASTIÃO DA GAMA…6
Renato Epifânio, PASCOAES…7
Catarina Inverno, PORTUGAL…66
Eduardo Aroso, AQUI ME TENHO, ASSIM ME QUERO…71
Manuel Neto dos Santos, LUÍS DE GÔNGORA, NACIONAL…96
Teresa Dugos, CHUVA; DA ESPERA; AURORA…151
Joaquim Carvalho, PORTUGALICIA…161
Henrique Madeira, RENASCENÇA…182
Maria Leonor Xavier, A FACE MAIS TERNA...189
Delmar Maia Gonçalves, VIDA E MORTE…189
António José Borges, BARBAROSSA INDELÉVEL SUCUMBIRÁ…192
Marco Aurélio, SUPRA-CAMÕES…195
Carlos Carranca, AGORA…200
Maria Filomena Xavier, À PROCURA DA CORDA FINAL…200
Carlos Gonçalves, DESPOSAMENTO…219
Giancarlo de Aguiar, CARAVELAS DE NUVENS…219
Jesus Carlos, GUINÉ…229
António Simões, DITOSO SEJA; QUANDO O SOL…231
Maurícia Teles da Silva, O RIO DA SAUDADE...258
Sam Cyrous, SE O FÊNIX TIVESSE UM LAR…259
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 9: LANÇAMENTOS

22.02.12 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
24.02.12 - 17h00: Sociedade de Geografia (Lisboa)
24.03.12 - 18h00: Sede do MIL: Movimento Internacional Lusófono
30.03.12 - 14h30: Espaço Ideias (Bairro da Madre de Deus, Lisboa)
31.03.12 - 14h30: Biblioteca Municipal de Sesimbra
03.04.12 - 21h00: Universidade Sénior de Rotary (Chaves)
04.04.12 - 18h00: Biblioteca Municipal da Régua
14.04.12 - 17h00: Caixa de Crédito Agrícola (Messines)
17.04.12 - 11h45: Escola Secundária José Gomes Ferreira (Lisboa)
17.04.12 - 16h00: Universidade Jean Piaget de Cabo Verde
19.04.12 - 16h00: Universidade de Santiago (Cabo Verde)
25.04.12 - 14h30: Casa Luso-Angolana (Porto)
25.04.12 - 18h00: Feira do Livro de Marco de Canaveses
28.04.12 - 20h30: Fundação Vicente Risco (Allariz, Galiza)
29.04.12 - 17h00: Pátio da ex-Escola Grande (Praia, Cabo Verde)
07.05.12 - 15h30: Delegação de Turim da SHIP
12.05.12 - 17h30: Centro Cultural de Moscavide
12.05.12 - 20h00: Feira do Livro de Lisboa (Auditório)
18.05.12 - 17h30: Universidade dos Açores
20.05.12 - 21h30: Doris Bar (Ponta Delgada)
22.05.12 - 17h30: Teatro Café (Ponta Delgada)
23.05.12 - 18h30: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
25.05.12 - 21h30: Restaurante Isabel’s (Lisboa)
02.06.12 - 18h30: Feira do Livro de Coimbra

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Allariz (Galiza), Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Chaves, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

RTP África

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas

À venda nas melhores livrarias do país.

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Domingo, 11 de Julho de 2010

Prefácio a "Bússola", de Flávio Lopes da Silva, que terei a honra de apresentar na Feira do Livro de Barcelos, 15 de Julho, às 21 h

Um livro que nos convoca ao indomável

Tive a felicidade de conhecer a magnífica poesia de Flávio Lopes da Silva no blogue da revista Nova Águia, onde foi a grande revelação, e de o ver depois honrar o meu blogue pessoal, Serpente Emplumada, bem como o blogue da revista que dirijo, Cultura Entre Culturas, da qual será também colaborador.

Flávio Lopes da Silva é um poeta em todo o sentido da palavra e um dos grandes poetas vivos da língua portuguesa, com quatro obras: Nós vezes Nós, Líquida Obsessão, Sétimo Vão e Sou Um Louco Que Sabe Tocar Acordeão. Poeta na forma, no conteúdo e, sobretudo, na vida selvagem que lhe inflama e move a escrita, indomável por escolas, maneirismos ou desejo de reconhecimento fácil. Tudo o que Flávio escreve vem directamente da inspiração, inquietação e sinceridade – “Diz o que tens a dizer. Nem que tenhas de cuspir a tua própria língua” - de uma consciência nua e sensível aos cumes e abismos da existência e da vida, que os explora intensamente, não se furtando às suas luzes e sombras, ao seu absurdo, drama e tragédia, mas também às suas redenções, mormente por via do amor, da antecipação da morte e da própria poesia, vias instantâneas de fecunda libertação: “Poesia: quando te bebo, descubro um filho dentro de mim”.

O poeta oferece-nos aqui um livro de aforismos / euforismos, não menos admiráveis que os seus poemas. Um aforismo é uma sentença extremamente concisa, que condensa em poucas palavras um sentido ou sentidos amplos e profundos, nascidos de uma intuição fulgurante e súbita. No aforismo a expressão é o mais íntima possível à fonte originária de onde brota, numa espontaneidade não sacrificada à distância e intervalo da reflexão, que frequentemente faz com que a forma e o conteúdo da escrita nasçam do arrefecimento do vislumbre nos moldes dos conceitos transaccionáveis no comércio da vida e da linguagem. No aforismo, que etimologicamente remete para uma delimitação, um dizer extremamente conciso demarca-se do fluxo corrente do palavreado mental e verbal para deixar ver o que mais importa, como que num refluxo do discurso para a quinta-essência de uma visão que o transcende e suspende. No aforismo, o pensamento e a palavra despem-se de todo o acessório para repousarem na nudez essencial.

Mas estes aforismos são euforismos, notável neologismo que remete para a experiência de um bom transporte, de um feliz arrebatamento, de uma euforia. O que é bem apropriado a um exercício em que o autor escreve tendencialmente na bem-aventurança de um sair de si e/ou dos limites comuns do pensamento e da linguagem dos homens. Este livro apresenta-se assim como um exercício de alegria, pela qual triunfa desses fundos mais dolorosos ou opressivos da vida que ironicamente explora e dos quais afinal se nutre, numa subtil alquimia que converte o mais denso chumbo em ouro e asas. Exercício de cada instante, onde escrever é sem antes nem depois: “Não tenho nem passado nem futuro / Represento o instante em que escrevo”.

Filho da nobre linhagem das grandes palavras (vac) sapienciais indianas, das sentenças pré-socráticas e do seu eco no pensamento ocidental (Pascal, Novalis, Nietzsche, Pascoaes, José Marinho, entre tantos outros), estes aforismos euforísticos e eufóricos são afinal a Bússola que sempre indica a direcção por mais errante, extraviado e transviado que pareça o caminho. Na verdade, se numa primeira leitura tudo aparenta apontar neste livro em direcções diversas e até opostas, o seu lento madurar revela uma direcção de conjunto, que milagrosamente emerge da própria dispersão em que as palavras e os sentidos se entretecem. E que direcção? A da edificação do homem que é o verdadeiro livro a ler, escrever e ser, pelo qual se podem e devem sacrificar todas as bibliotecas: “Não tenhas receio de sacrificar uma biblioteca inteira para seres um bom livro”.

Esse homem, por ser autêntico, sabe a morte e o delito de que é feito, sabe que nascer é cisão e morte que nos destina a morrer, sabe que a ex-istência é ferida aberta no corpo do real que só sara desaparecendo: “Respira: ergue as paredes do teu túmulo”; “Há na morte uma verdade: a delinquência de havermos existido”.

Mas esse mesmo homem é o que se aniquila e morre anulando a morte na plena intensidade da experiência de estar aí: “Aquele que escuta a terra no ponto alto da sua gravidez é o mesmo homem que por amor se fez cadáver”. Isso acontece no instante, a cada instante: “Nunca te esqueças que és fruto de um instante e que nesse instante todas as sementes se calaram para te ouvir chegar”. Instante em que o eterno de nós em nós explode, se, plenamente receptivos, o não buscarmos: “Não procures a eternidade. A qualquer momento ela explodirá dentro de ti”. Aí nos libertamos da estreiteza de nos presumirmos: “Ninguém é estúpido; Estúpido é: pensarmos que somos Alguém”.

Homem autêntico e livre, sobretudo de si, assume toda a autoridade para desmascarar o ridículo de uma história humana que oculta uma verdade chamada amor: “A História dos homens é ridícula, pois na escola nunca ouvi contarem casos de amor”. Se ao nascer não soube ao que vinha – “Quando nasci não me avisaram deste mundo” - , agora sabe que o mundo dos homens só vale se nele a soberania for outra: “Quando o amor for uma política, eu votarei”. Então haverá a cura e ressurreição que a medicina desconhece, pois confunde a saúde com a normalidade do homem rastejante: “A medicina está longe de me dizer qual o melhor remédio para ressuscitar as asas”.

Muito mais se poderia e deveria dizer sobre um livro que nos convoca ao melhor de nós mesmos, ao indomável, mas a leitura destas palavras luminosas urge. Escutemos apenas, como preâmbulo, a nobre e bela exortação que nos dirige:

“Que os teus abraços abertos sugiram o voo e que na brandura do sono a tua cabeça seja o ceptro onde nenhum servo põe a mão, pois só tu és águia na raiz do firmamento”.


E recolhamo-nos, pois “A cada instante o silêncio liga a sua ignição”.


Boa viagem!

0 comentários: