
"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".
Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.
Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,
Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…
ÍNDICE
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261
NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa
Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
Público
E em muitas dezenas de blogues...
FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.
À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Ainda sobre "A Via Lusófona"

Para o Renato Epifânio
Agora, se principiámos por aqui as palavras que correspondem ao convite que nos foi endereçado pelo autor do livro A Via Lusófona, foi porque, logo na abertura deste, Renato Epifânio faz suportar a noção de Pátria no conceito de cultura; e se este ligado está a culto e aquela a patres (decerto os pais heróicos), assim é que do cultivo dos heróis (que dão forma à pátria, ou se preferirdes, verdadeiramente a informam), tal como do culto destes – decorre aquela cultura que dá de beber às nações, tal como penetra nos campos a água dos rios depois de ser onda do mar e nuvem celeste.
____________
* Este texto foi lido pelo autor na sessão de lançamento de A Via Lusófona, de Renato Epifânio, que teve lugar na Biblioteca Municipal de Sesimbra, no dia 29 de maio de 2010.
[2] Bruno, A Questão Religiosa, Porto, Livraria Chardron, de Lello & Irmão, editores, 1907, pp. 152, 373.
[3] Ibid., p. 372.
[4] Ibid., p. 385.
[5] Na Apresentação de Os Heróis, ob. cit., p. 13.
[6] Os Heróis, p. 120. Aí pode ler-se: “Todas as épocas, a que chamamos épocas de fé, são originais; todos os homens, ou quase todos os homens, são nessas épocas sinceros. [...] Eis a verdadeira união, a verdadeira regência, a lealdade, todas as coisas verdadeiras e benditas na medida em que a pobre Terra pode produzir bênçãos para os homens.”
[7] Ibid., p. 164.
"O terceiro homem"
A campanha de Manuel Alegre promete ser um calvário (e um festim para os “media”) – todos os dias, aparecerá pelo menos um socialista a proclamar não se reconhecer nesta candidatura –, mas isso não preocupa Sócrates. No fundo, ele prefere que Cavaco Silva seja reeleito – no que mais importa (leia-se, na economia), não há diferenças de monta entre os dois. O resto é areia para os olhos…
Sócrates já arranjou o seu “Ferreira do Amaral” (leia-se, o seu cordeiro pascal) e, como Pilatos, lavará as mãos do resultado final. Se Alegre perder, como espera, a culpa, bem se vê, será do Louçã. Ele, obviamente, tudo fez para o “seu” candidato ganhar…
Do lado da dita “direita”, após o susto do Cardeal-Patriarca, que, num gesto insólito, advertiu publicamente Cavaco Silva pela sua promulgação dos casamentos gay, ameaçando mesmo com a sua derrota nas urnas, PSD e PP já vieram sossegar os fiéis, assegurando que não há alternativa a Cavaco. Isto por uma simples mas suficiente razão: é ele o único que pode ganhar. O Senhor Cardeal-Patriarca devia saber que, para a dita “direita moderna”, isso chega e sobra. O tempo dos que preferiam morrer de pé, ainda que entre as ruínas, passou há muito…
Claro que todas estas contas podem sair furadas por causa do “terceiro homem”: Fernando Nobre. Não é só no cinema que “o terceiro homem” acaba por ter, no fim da história, o papel principal…
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/05/fernando-nobre-o-terceiro-homem.html
Domingo, 30 de Maio de 2010
Sábado, 29 de Maio de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 29 de Maio...

Foi mais uma semana em cheio, para a NOVA ÁGUIA. Na segunda, regressámos à Galiza – mais exactamente a Ourense, onde estivemos na Livraria Torga, para reencontrar alguns amigos – nomeadamente, o Artur Alonso Novelle e o José Manuel Barbosa – e deixar alguns exemplares do nº 5. Na terça, houve uma sessão na Faculdade de Filosofia da Universidade de Santiago de Compostela, para os alunos do Luís Garcia Soto, e para mais alguns amigos que se juntaram: Andrés Torres Queiruga, António Gil Hernandez, Humberto Busto, Isabel Rei…
Ainda na terça, ao final da tarde, houve mais uma sessão na Faculdade de Letras do Porto – para além da revista, foram ainda apresentados mais dois títulos da Colecção NOVA ÁGUIA: “O movimento fenomenológico em Portugal e no Brasil” e “O Filósofo Fantasma: Lúcio Pinheiro dos Santos”. Para além de duas comunicações sobre o Centenário d’ A Águia e da República – por Afonso Rocha e Ernesto Castro Leal.
Ontem, a NOVA ÁGUIA foi a mais duas Escolas Secundárias: à Escola Matias Aires, no Cacém, e à Escola Pedro Nunes, em Lisboa.
Hoje, regressámos a Sesimbra, um dos locais de eleição do nosso Mapiáguio, para apresentar um outro título da nossa Colecção: “A Via Lusófona”. Numa sessão muito participada, uma vez mais, que se iniciou com um debate entre António Telmo e António Cândido Franco, sobre “Anarquia, Monarquia e República”.
Para a semana, a viagem será mais curta: iremos a Oeiras…
António Telmo, António Cândido Franco e Rodrigo Sobral Cunha - hoje, em Sesimbra.Hoje

No dia 29 de Maio, sábado, pelas 15:00, na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra, decorrerá o Colóquio Anarquia, Monarquia e República, no qual serão oradores António Telmo ("Monarquia e República") e António Cândido Franco ("Anarquia e República").
Na ocasião, serão lançados os novos livros de António Telmo (Luís de Camões, 1.º volume das obras completas, com a chancela da Al-Barzakh e apresentação de António Cândido Franco) e Renato Epifânio (A Via Lusófona, da colecção Nova Águia, com a chancela da Zéfiro e apresentação de Rodrigo Sobral Cunha).
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010
Prêmio LiteraCidade – 2010/1
Poemas, contos e crônicas – tema livre
Os professores Abilio Pacheco e Deurilene Sousa – organizadores da Antologia Literária Cidade – promovem este prêmio literário nacional com o intuito de incentivar novos talentos literários, valorizar produtores literários já existentes e trazer a lume para o público da Região Norte estes nomes, de modo a valorizar, incentivar e promover a leitura.
1. Diretrizes
1.1 - Podem participar autores residentes em todo o território nacional devendo enviar textos inéditos em três vias sob pseudônimo, conforme o gênero:
Poemas: até 03 poemas de, no máximo, duas páginas;
Contos: até 02 contos de, no máximo, quatro páginas;
Crônicas: até 03 crônicas de, no máximo, três páginas;
2. Do Envio
Enviar os textos sob pseudônimo num envelope maior e num envelope menor lacrado a identificação do autor: nome completo, nome literário, pseudônimo empregado, título(s) do(s) texto(s), endereço completo (não esquecer o cep), RG, data de nascimento, telefone para contato (inclusive DDD), email (mesmo que de um amigo) e breves dados biográficos (no máximo 7 linhas). Declaração de concordância com o regulamento e de cessão dos direitos autorais do texto, se premiado, para compor o livro objeto deste concurso.
2.1 – Do lado externo do envelope pequeno escrever pseudônimo e título(s) do(s) texto(s).
3. Das inscrições:
3.1 – A inscrição no concurso é de R$ 20,00 por categoria, o que corresponde à aquisição antecipada de um exemplar da publicação objeto deste concurso (já inclusa a taxa de correio). Para inscrição nas três categorias, o participante efetuará a inscrição no valor de R$ 50,00 equivalente a aquisição de três exemplares da publicação citada.
3.2 – O valor das inscrições poderá ser depositado no Banco do Brasil ag 3702-8 conta corrente 17278-2 Titular: Abilio Pacheco de Souza, ou através de cheque remetido dentro do envelope.
3.3 – Inscrições unicamente via correios até o dia 15 de junho de 2010 (valendo o carimbo dos correios)
Endereço: Caixa Postal 5098 - CEP 66645-972 – Belém-PA.
4. Premiação
A premiação consistirá na publicação dos textos na Antologia Literária Cidade.
No mínimo 10 poemas, 5 contos e 5 crônicas e, no máximo, 30 poemas, 10 contos e 10 crônicas (a critério da comissão julgadora), serão publicados num mesmo volume da Antologia Literária Cidade sozinhos ou junto a outros trabalhos inscritos da modo tradicional.
Os autores dos textos premiados receberão a título de premiação 10 exemplares, sem mais custos.
4.1 – Não haverá prêmio de edição com convite para edição cooperativada nem aceitaremos (por uma questão de coerência) a publicação dos textos não premiados neste certame no volume da antologia objeto deste concurso ou nos volumes seguintes.
4.2 – Não haverá premiação distinguindo classificação ordinária (primeiro, segundo, terceiro...) nem menções.
4.3 – O mesmo autor poderá ter textos premiados em apenas duas das três categorias, de modo a contemplar uma quantidade maior de premiados.
5 – Demais Informações:
5.1 – A comissão julgadora será formada por pessoas com reconhecida competência na área e seus nomes serão divulgados por ocasião do resultado do concurso.
5.2 – O resultado será divulgado no blog: premioliteracidade.wordpress.com
5.3 – Informações pelo email: premioliteracidade@bol.com.br ou antologiacidade@bol.com.br.
5.4 – Os casos omissões serão resolvidos oportunamente pela comissão organizadora ou pela comissão julgadora, ou por ambas, conforme o caso.
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
A marca lusófona
Ao falar tanto de lusofonia, ao tanto insistir na importância geoestratégica de todo o espaço lusófono para Portugal, Fernando Nobre afirma aquela que é porventura a grande marca da sua candidatura – a par da marca da independência, já que, de facto, nenhum dos dois outros candidatos se pode afirmar, sem se rir, como realmente supra-partidário.E dá, sobretudo, mostra de uma fina lucidez – já que é aí, no espaço lusófono, que, em grande medida, está a chave para a resolução da grave crise estrutural em que vivemos…
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/05/fernando-nobre-marca-lusofona.html
Próxima terça, na Galiza
O vindouro dia 1 de Junho, terça-feira (martes), o empresário Rafael Cuinha falará dentro do ciclo, Economia, História e C.C. Sociais. A sua charla intitula-se: “O galeguismo na encruzilhada do século XXI”.
Rafael Cuinha é membro da directiva do Instituto Galego de Estudos Europeus e Autonómicos (IGEA) e igualmente um reconhecido empresário do País. Também esta a colaborar como articulista no jornal electrónico “Vieiros”, assim como no “Xornal de Galicia”. Em ambos os dous médios mostra um nídio posicionamento na defesa da Língua e Cultura Galegas. .
Dia: 1 de Junho 2010 - Hora: 8 do serám
Local: Fundaçom Caixa Galiza
Cantom Grande – Corunha
Amanhã, mais 2 lançamentos da NA 5
28.05.10 - 10h00: Escola Secundária Matias Aires (Cacém)
28.05.10 - 11h30: Escola Secundária Pedro Nunes (Lisboa)
Da lusofonia - emoção e razão
Não é por acaso que, dos três candidatos presidenciais, Fernando Nobre é, de longe, aquele que mais fala de lusofonia. Para ele, a condição lusófona não é uma figura de retórica.Para tal, concorre desde logo o facto de ter nascido em Angola. E, sobretudo, o de ter conhecido, directamente, enquanto Presidente da AMI, muito do mundo lusófono. Por isso, por exemplo, quando o ouvimos falar da comunidade lusófona na Ásia, percebemos de imediato o quão genuína é a sua emoção. Para ele, o mundo lusófono não é um mapa encerrado num livro esquecido numa estante cheia de pó. É algo de vivo, que emocionadamente refere.
Emocionada e racionalmente. Dada a importância geoestratégica de todo esse espaço para Portugal…
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/05/fernando-nobre-da-lusofonia-emocao-e.html
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
O SUL - Jornal Cultural e de Debates n.º4 Mês de Maio de 2010.
O Sul trata-se de um periódico cultural, de periodicidade mensal, que tem distribuição gratuita na região de Setúbal, Azeitão, Sesimbra, Quinta do Conde, Pinhal Novo, Palmela e Almada, tendo uma tiragem de 10 000 exemplares.
Para além de ter como objectivo homenagear este secular jornal, O Sul pretende igualmente espelhar um compromisso, certamente não geográfico, mas assumidamente metafórico. O que pretendemos materializar é O Sul convenientemente perspectivado; o da partida, o da diáspora, o do rasgar de outros mares, na procura de novos pensamentos e paradigmas. Tal é claro no nome das secções estipuladas, que imanam o cheiro da maresia, da ousadia e do compromisso intelectual, empenhado no desenvolvimento dos direitos sociais e culturais dos seres humanos.
Fazemos notar a Vs. Ex.cias que este jornal é promovido por uma ONG sem fins lucrativos, que tem como objectivos o combate ao analfabetismo e à iliteracia, pelo que todas as colaborações estão abrangidas pelo art. 3.º do Estatuto de Mecenato consagrado na lei 74/99 de 16 de Março.
É um jornal de pessoas para outras pessoas, patrocinado ainda por outras pessoas. Colabora!
O lançamento do número 5 em papel está marcado para a primeira quinzena de Junho de 2010 mas, já está online em www.jornalosul.com
Dia 28, Agostinho da Silva e Fernando Pessoa em Paris

No dia 28, às 14.30, estarei no Centro Cultural Calouste Gulbenkian, 51, Avenue d'Iéna, em Paris, para apresentar o livro "Agostinho da Silva. Penseur, écrivain, éducateur", organizado por mim, José Costa Esteves e Idelette Muzart-Fonseca dos Santos. Contém a primeira antologia de textos de Agostinho traduzidos para francês. Às 16.30 falarei sobre Portugal, Brasil, o Atlântico e a Europa em Fernando Pessoa.
Terça-feira, 25 de Maio de 2010
Um dos próximos títulos da Colecção NOVA ÁGUIA

O MOVIMENTO FENOMENOLÓGICO EM PORTUGAL E NO BRASIL
ÍNDICE
António José de Brito
NOTA SOBRE O APARECIMENTO DA FENOMENOLOGIA EM PORTUGUAL
Clara Morando
ALEXANDRE FRADIQUE MORUJÃO - CONSIDERAÇÕES SOBRE OS SEUS "ESTUDOS FILOSÓFICOS"
António Braz Teixeira
O REALISMO FENOMENOLÓGICO DE JÚLIO FRAGATA
Renato Epifânio
ENTRE JOSÉ MARINHO E LEONARDO COIMBRA: DA ONTO-FENOMENOLOGIA À CISÃO EXTREMA
Manuela Brito Martins
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL: ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE A ESCOLA FENOMENOLÓGICA PORTUGUESA
Manuel Cândido Pimentel
GUSTAVO DE FRAGA: ENTRE FENOMENOLOGIA E METAFÍSICA
Nuno Freixo
MARIA MANUELA SARAIVA E A FENOMENOLOGIA: ENTRE HUSSERL E SARTRE
André Barata
EXPERIÊNCIA, COMUNICAÇÃO E ÉTICA. PERSPECTIVAS SOBRE A ETAPA DERRADEIRA DO PENSAMENTO DE JOÃO PAISANA
António Paim
O MOVIMENTO FENOMENOLÓGICO BRASILEIRO
Constança Marcondes César
ARTE E TEMPO EM MARIA DO CARMO TAVARES DE MIRANDA
Paulo Moacir Godoy Pozzebon
A ESCOLA FILOSÓFICA DE LOVAINA E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL
Creusa Capalbo
A FILOSOFIA E A FENOMENOLOGIA NO BRASIL ATUAL
A influência do Budismo e do Daoísmo na Deep Ecology

No próximo dia 27 de Maio, pelas 17h, Ana Cristina Alves, doutorada no pensamento filosófico chinês, dará uma prelecção sobre o tema: "A influência do Daoismo e Budismo na Deep Ecology". A sessão realizar-se-á no Anfiteatro IV da Faculdade de Letras de Lisboa e enquadra-se no curso de Filosofia e Estudos Orientais (entrada livre para esta sessão).
Mais uma iniciativa no espírito ENTRE, o novo paradigma.
arevistaentre.blogspot.com
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
Esta semana, mais 5 lançamento da NA 5
24.05.10 - 19h00: Livraria Torga (Ourense, Galiza)
25.05.10 - 13h00: Faculdade de Filosofia/ USC (Santiago, Galiza)
25.05.10 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
28.05.10 - 10h00: Escola Secundária Matias Aires (Cacém)
28.05.10 - 11h30: Escola Secundária Pedro Nunes (Lisboa)
Domingo, 23 de Maio de 2010
Fernando Nobre: uma visão histórico-cultural do mundo e do país
O apoio à candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre é certamente um acto político. Mas é também, antes disso, um acto cultural.A um Presidente não se pede apenas que tenha uma visão política do país e do mundo. Ele tem que ter, antes disso, uma visão histórico-cultural do mundo e do país. Só, de resto, tendo esta poderá ter aquela. Como já escrevi algures, a política será cultural ou não será…
Ora, dos três candidatos, o Doutor Fernando Nobre é, de longe, aquele que, pelo seu perfil e trajecto de vida, tem uma mais profunda visão histórico-cultural do mundo e do país. Por isso, não sendo ele um político, em sentido estrito, é também ele, dos três candidatos, aquele que tem uma mais alta visão política do país e do mundo.
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/05/fernando-nobre-uma-visao-historico.html
Sábado, 22 de Maio de 2010
Lançamento hoje, às 18h, na Sociedade de Língua Portuguesa (Lisboa, Rua Mouzinho da Silveira, 23; junto ao Marquês de Pombal)

O Renato Epifânio faz parte de uma geração espiritual e filosófica que escapou ao absoluto domínio totalitário da Europa no pensamento português, postulando uma nova alternativa para Portugal. A Europa não satisfaz hoje esta nova geração, ou melhor, não a satisfaz em absoluto, legando à nossa consciência crítica o imenso vazio das civilizações decadentes, aquelas que já não fazem História mas ainda não saíram da História.
Desde a II Guerra Mundial, o aparelho de Estado, privilegiando exclusivamente um sector da sociedade – a economia –, desprezando fundo os valores morais e espirituais próprios da cultura europeia, tem gerado na mente dos europeus uma representação parcial de si próprios, que, incapaz de se elevar à unidade de uma ideologia estruturada e consolidada, se caracteriza pela passividade cívica, compensada por uma hipervalorização do individualismo, assente na fórmula amoral do “salve-se quem puder”. Mistura de complexo de superioridade com um arreigado individualismo americano, o projecto político europeu caracteriza-se hoje, nos começos do século XXI, pela exaltação unidimensional do homem técnico, o homem-eficiente, o homem-contabilista, o homem-robótico, desprovido de consciência histórica global, funcionando exclusivamente segundo o duplo horizonte de raciocínios técnicos quantitativos e consequentes objectivos. Não são políticos os nossos governantes de hoje, mas técnicos, robots substituíveis uns pelos outros, possuindo o mesmo vocabulário, aplicando invariavelmente o argumentário da eficiência de custos e proveitos, totalmente desacompanhados de uma dimensão cultural e espiritual para a sociedade.
É contra esta Europa que o Renato combate, não contra o legado humanista e a herança espiritual europeias. O combate do Renato, que lhe alimenta um pensamento pessoal, bem como a sua acção pública, desdobra-se em quatro vertentes:
1. Exemplo determinante da sua personalidade tem sido a sua acção na Associação Agostinho da Silva, onde, junto com as restantes direcções, tem pugnado para que não desapareçam da sociedade portuguesa os valores privilegiados pelo seu patrono: os valores do sentimento e da comoção, os valores do gregarismo e da generosidade, os valores da partilha e da solidariedade, unidos e vinculados a um sentido transcendente orientador dos povos na busca da justiça, da abastança e do amor. É uma associação onde o Renato se sente bem porque defendem ambos ser a razão menos importante que a paixão, o calculismo na vida menos importante que a fruição lúdica da vida, o interesse económico menos importante que uma vida desinteressada de bens materiais. Não há, em Portugal, outra Associação tão desprendida de interesses políticos e materiais e tão aberta à pluralidade das manifestações da existência.
2. - Numa outra vertente da sua acção cívica, o Renato foi um dos criadores do MIL: Movimento Internacional Lusófono, que começou por ser uma extensão dos valores da AAS aplicados aos países da Lusofonia e hoje possui uma independência própria. Aqui o Renato está em casa, defendendo uma nova forma de organização entre os povos, fundada na absoluta igualdade institucional e vivencial, a contínua partilha de recursos e actividades entre todos, obviando à inexistência de países super-pobres (Guiné-Bissau, São Tomé e Timor), uma diplomacia de paz e de justiça (o passaporte lusófono), todos unidos numa concórdia sem ressentimentos, criando uma zona territorial geográfica de união fraterna (escolas e empregos de um país abertos a todos os cidadãos lusófonos, que entre estes países circulariam livremente) que constituísse uma espécie de “choque cultural” para o mundo.
3. - A terceira vertente da sua acção cívica prende-se com a direcção da Nova Águia, partilhada com o Paulo Borges e a Celeste Natário. Aqui, em conformidade com a sua participação na AAS e no MIL, o Renato estabeleceu como horizonte da sua acção espiritual e filosófica a renovação dos valores permanentes da “Renascença Portuguesa”. O que significa intentar reavivar os valores da “Renascença Portuguesa” no início do século XXI? Significa, obedecendo aos ditames filosóficos de Teixeira de Pascoais, uma única coisa, mas tão imensa que se estabelece como horizonte teórico e prático de vida: que o pensamento é superior à matéria e o espírito ao corpo; ou, ainda, que sem transcendência espiritual de valores ligados à beleza, ao bem e ao sagrado (mesmo à natureza como sagrado) Portugal se transformará numa mera região geográfica da Comunidade Europeia, cheia de sol, de turistas e de euros, mas coarctada do essencial da vida que realiza os povos e os cidadãos. Não seremos já analfabetos e pobres, mas cidadãos culturalmente ignorantes, ileteratos, robôs movidos a dinheiro, tão alegres exteriormente quanto vazios e infelizes interiormente. Significa isto, igualmente, que o homem europeu tem de ser redimido de um capitalismo consumista acéfalo, que produz máquinas económicas e corpos esbeltos, e orientado para um comunitarismo moderno e urbano em que a arte e a cultura tanto se tornem acontecimentos festivos e diários como a compaixão pelo que sofre ou necessita se torne dominante. O presente alimenta-se da mutilação do homem, unidimensionaliza-o numa estreita visão economicista; o futuro consiste na libertação deste homem-máquina e na assumpção de um homem pluridimensional, aberto a todos os valores, vivenciando uma realização quotidiana assente na união entre o corpo e o espírito – pensar, amar, trabalhar serão fundidos num único verbo: viver em plenitude. Esta era a mensagem de T. de Pascoais, esta a mensagem da Nova Águia, esta a compreensão geral da acção do Renato em prol do MIL – a necessária pluridimensionalidade de valores forço-a a resgatar a Europa juntando-lhe o sabor Lusófono, os valores Lusófonos
4. - Finalmente, uma quarta vertente do Renato, porventura a mais descuidada por evidente falta de tempo: a sua acção como investigador do Centro de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa. Ele é autor de um dos melhores estudos sobre José Marinho (Fundamentos e Firmamentos do Pensamento Português Contemporâneo), bem como de dezenas de estudos sobre ao Filosofia em Portugal, dos quais destacamos os dois livros publicados sobre Agostinho da Silva, Visões de Agostinho da Silva (2006) e Perspectivas sobre Agostinho da Silva (2008), bem como o estudo “Repertório da Bibliografia Filosófica Portuguesa”, em parte publicado na revista Philosophica, da Faculdade de Letras de Lisboa.
De qualquer modo, existe um trabalho subterrâneo, enquanto bolseiro de pós-doutoramento da FCT, sobre "as três fases do pensamento de Agostinho da Silva", que dará, talvez já no próximo ano, os seus primeiros frutos -, que esperamos ansiosamente. De referir, igualmente, a obra Via aberta: de Marinho a Pessoa, da Finisterra ao Oriente (2009), onde se encontram alguns dos seus estudos mais significativos sobre Filosofia em Portugal.
Nas suas intervenções filosóficas, o Renato tem dado um particular enfoque à valorização da língua e da cultura como eixos configuradores do pensamento português e, por acrescento civilizacional, da nova ordem política lusófona. Com efeito, se grande luta da geração de 50/60 consistiu na inscrição da Europa no pensamento português, a grande luta da geração do Renato consiste em persuadir os diversos aparelhos de Estado nacionais que, sem atropelo da necessidade da Europa, a Lusofonia deve ser inscrita com urgente prioridade nos programas políticos tanto dos partidos portugueses quanto dos partidos nacionais dos países lusófonos, a começar, evidentemente, pelo Brasil. Neste sentido, no caso da cultura portuguesa e no caminho aberto por Agostinho da Silva, a realização espiritual para que os livros do Renato apontam, e que A Via Lusófona é óptimo exemplo, consistiria na criação de uma comunidade de língua portuguesa onde todos os povos pudessem, de forma inteiramente livre, assumir, de modo pleno, a especificidade da sua cultura.
Obrigado, Renato, pela tua extrema dedicação à causa Lusófona. Com efeito, não tenho dúvida seres tu hoje o mais intrépido defensor militante da Lusofonia. Se eu tivesse algum poder, nomeava-te o “Militante Número Um” da Lusofonia.
Azenhas do Mar, 20 de Maio de 2010,
Miguel Real
A verdadeira República
Num discurso proferido por ocasião do 2.º aniversário do jornal A Tribuna, Diário Republicano da Manhã, parcialmente publicado no número 605 de 20 de Abril de 1922, o filósofo português Leonardo Coimbra exorta a algumas exigências, sem as quais, não é possível a constituição de uma verdadeira república.
Servindo-se do pensamento de Aristóteles, que recorre aos conceitos de forma e matéria para compreender a realidade, Leonardo começa por advertir que de nada serve a forma de um regime político se não tiver um conteúdo ou uma matéria que lhe corresponda. De nada serve uma república democrática se as suas ideias e sentimentos, se as suas vontades e acções, se as suas organizações sociais, políticas e económicas, não constituírem uma efectiva, dinâmica e progressiva harmonia da vida social no respeito pelos valores da igualdade e da liberdade, da justiça e da solidariedade.
Embora, não exactamente pelas mesmas razões, importa perguntar hoje como o fez Leonardo no primeiro quartel do séc. XX: é a nossa República uma simples forma sem conteúdo ou é a forma de uma renovada e autêntica democracia? Não será que vivemos hoje, como naquela época, um «oco e puro formalismo democrático»? .
Também hoje, que vivemos a maior crise financeira e económica depois da segunda guerra mundial, precisamos de uma vida nova. As instituições democráticas necessitam de uma renovação que signifique a recuperação dos seus ideais. A forma do ideal republicano é o acto que realiza a democracia e esse acto é a vontade colectiva de construir uma sociedade promotora do bem comum. Não podemos ficar à espera que alguém o faça por nós.
O exercício da cidadania deve ser fundamentado no esforço do trabalho inventivo e solidário. A ganância do lucro fácil mata a democracia. Sem uma ética económica o mundo não subsistirá. Deve ser garantida uma igual distribuição de todos bens materiais e espirituais.
Para Leonardo Coimbra a Democracia é a organização social de uma Razão que não é formal, abstracta e absolutista, como a que reinava nas monarquias e ditaduras despóticas, mas sim de uma Razão experimental elaborada no dinâmico esforço do trabalho científico. Podemos dizer que a Democracia é o órgão social de uma Razão criacionista que procura a conciliação entre a perfeita unidade da Ideia e a imponderável pluralidade da Experiência.
Consciente de que o reino da perfeita harmonia entre os homens não é deste mundo, a Razão criacionista, fiel aos valores universais da verdade, da beleza e do bem e aberta á novidade do progresso científico e da criação cultural, começa já a preparar na Terra a plena harmonia do Céu, pelo exercício das virtudes éticas e cívicas.
O bem da ordem social realiza-se na conciliação entre a unidade da força da Lei e a pluralidade das liberdades pessoais, através da acção política, económica e familiar, em que estão contemplados os mecanismos de protecção dos desvios egoístas individuais e de classe. A prefiguração da harmonia do Paraíso celestial exige, no entanto, que se faça a transposição do mero nível policial, judicial, diplomático e bélico, para o nível cultural e moral.
O mesmo acontece com a organização económica e financeira dos Estados. Por muitas formas de regulação e controlo que se implementem, está no plano ético a maior eficácia para evitar a corrupção nas instituições políticas, financeiras e económicas.
O Estado democrático republicano deve defender a solidariedade e a igualdade social, aplicando o direito na regulação das relações humanas. Nesse sentido, a cidadania exerce-se tendo em conta a liberdade e a responsabilidade, no cumprimento dos valores éticos do bem comum e dos valores cívicos da organização polítio-social, como por exemplo no cumprimento das obrigações fiscais e na eleição dos representantes pelo voto.
Para o exercício do bem comum, aos direitos individuais, cívicos e políticos, devem juntar-se os direitos de natureza social, económica e cultural e os chamados direitos das gerações futuras ao ambiente, à paz e ao desenvolvimento sustentável, os quais exprimem, assim, uma crescente consciência da unidade da Terra e do género humano, isto é, do nosso destino comum, como bem o expressa a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
A organização da vida pública das sociedades democráticas contemporâneas não se restringe à ordem jurídica representativa, centrada no vínculo estatal entre governantes e governados. Ao cidadão já não é exigido apenas o exercício das competências cívicas, referentes à observância das leis, regulamentos e tratados. É exigida uma activa participação na vida pública, pela livre expressão de opinião, não só através da actividade partidária, mas também pela actuação em organizações não-governamentais e outras instituições da sociedade civil.
A nova República exige a participação de todos na construção de uma sociedade mais justa e solidária e exige uma contínua renovação do programa democrático para que se aplique às novas condições que estes tempos impõem. Hoje no espírito da Nova Águia, como há cem anos no d’ A Águia, há que persistir na procura da sabedoria e na luta contra a injustiça e o desamor. Para que a República não seja um simples formalismo político não podemos desistir de contribuir para uma mais lúcida compreensão e crescimento da consciência intelectual e para um maior respeito pela dignidade humana na promoção do acordo e harmonia das liberdades.
Samuel Dimas
Curso: A Arte e os Arquétipos
RODRIGO PETRONIO
O conceito de arquétipo pode ser entendido sob diversas perspectivas, tendo em vista uma ênfase na filosofia, na literatura, na arte, na antropologia, na teologia, na psicologia, na história das religiões ou na sua dimensão estritamente formal. Até na biologia, na física, na matemática e na química há estudiosos que propõem teorias arquetípicas.
Em todos esses contextos é possível compreender a sua estrutura e as suas funções, em uma perspectiva histórica, mas também atual. Basicamente criada por Platão, a noção de arquétipo se revestiu de diversos sentidos e amalgamou em si uma série de conceitos de natureza próxima: mito, símbolo, signo, figura, tipo, protótipo, alegoria, imagem, entre outras.
No século XX, foram criadas algumas novas abordagens para o arquétipo, que têm ganhado cada vez mais o campo de estudos e aberto novas frentes de interpretação. O tema é imenso. A proposta deste curso é apenas abrir algumas janelas e lançar luzes sobre este conceito produtivo, partindo da arte, da literatura, do cinema e de temas contemporâneos em evidência.
Onde: Livraria da Vila – Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista – SP
Quando: 5 encontros: 18/5, 25/5, 1/6, 8/6, 15/6
Dias: Terças-Feiras
Horário: 16h às 18h
Investimento: R$250 (com vale-livro de R$25)
Contato: 38145811/ 3062-1063
INTRODUÇÃO
Arquétipo: conceito e origem. Os arquétipos e as leis não-escritas. A arkhé de Platão e o mundo das Formas: essência, forma, ideia, real, eidos, aparência e simulacro. A era cristã e o sentido figural e revelado da interpretação: entre os arquétipos e a história. Arquétipo, Alegoria, Tipo e Protótipo: a leitura cristã do mundo das Formas. A visão arquetípica da Academia Platônica do século XV. O debate nos séculos XX e XXI. Henry Corbin: a Ciência das Formas e a Filosofia Imaginal. Jung e a Psicologia Analítica: as bases da teoria psicológica arquetípica moderna. O Instituto Aby Warburg e a contribuição de Frances Yates. Dois gênios brasileiros na cena mundial: Mário Ferreira dos Santos e Vicente Ferreira da Silva. Teoria dos arquétipos literários: Frye e Mielietinski. O debate atual: Gilbert Durand, a “teoria geral dos arquétipos” e as “estruturas antropológicas do imaginário”. A nova Antropologia do Imaginário. A teologia e o Real: John Hick e o pluralismo religioso.
OS ARQUÉTIPOS NAS ARTES PLÁSTICAS
Princípios de geometria sagrada. Formas elementares do mundo e da consciência: a Forma das formas. O “naturalismo” grego: uma aberração? Botticelli: magia e arkhé na pintura. Leonardo e a literalização da arte arquetípica. Paolo Uccello e a matematização do espaço. Marcel Duchamp e a crítica da “arte retiniana”: abertura arquetípica ou engodo? Novas formulações sobre a arte arquetípica. Os tratados alquímicos: Fonte incessante do imaginário arquetípico. Farnese de Andrade, Klee, Delvaux, Balthus, Modigliani, Bacon: o deslocamento arquetípico. Alguns contemporâneos.
OS ARQUÉTIPOS NA LITERATURA
O poema sumério Gilgamesh e o fundamento das estruturas imaginárias da ficção. Orfeu e o orfismo. Do Céu e do Inferno: Virgílio e Dante. Dante e a estrutura da Divina Comédia. O Quixote: equivocidade dos signos e loucura − a oficina cansada dos arquétipos. Fausto de Goethe: a oclusão da alma e o pacto com a Sombra. Dostoiévski: as bases arquetípicas do Homem e a consciência do Mal. Alguns poetas arquetípicos do século XX. Guimarães Rosa: entre Deus e o Diabo, a “matéria vertente” do Homem.
OS ARQUÉTIPOS E O MUNDO CONTEMPORÂNEO
Imanência, materialismo e construtivismo: a Santíssima Trindade da modernidade. Modernidade e esvaziamento arquetípico. A cruzada dos chimpanzés contra as religiões. Dos arquétipos ao Estado: a herança hegeliana e a assimilação da religião ao Leviatã. A redução à Ideologia: a técnica da camuflagem e os discursos fascistas contemporâneos. Razão Pública ou Religião Civil? A formação de uma Religião Civil e os princípios de um totalitarismo planetário. O simbólico, o imaginário e o real: as tramas do inconsciente arquetípico. Violência, desejo mimético e o declínio dos modelos mediadores: a obra de René Girard no debate contemporâneo. O sagrado reduzido a ideologia e a “ciência”: do fascismo ao holismo. Cultura de massas e Sombra Coletiva. Uma breve incursão no cinema: alguns filmes e diretores (Lang, Murnau, Bergman, Tarkovski, Von Trier, Sokúrov, Dreyer).
Rodrigo Petronio é editor, escritor e professor. Formado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP. Professor e um dos criadores do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC). Coordenador de grupos de leitura do Instituto Fernand Braudel. Professor-coordenador do Centro de Estudos Cavalo Azul, fundado pela poeta Dora Ferreira da Silva (Conselho de Tradução das Obras Completas de Jung no Brasil). É membro do Nemes (Núcleo de Estudos de Mística e Santidade) da PUC-SP. Recebeu prêmios nacionais e internacionais nas categorias poesia, prosa de ficção e ensaio. É autor dos livros História Natural (poemas, 2000), Transversal do Tempo (ensaios, 2002), Assinatura do Sol (poemas, Lisboa, 2005) e Pedra de Luz (poemas, 2005), finalista do Prêmio Jabuti 2006. Coorganizador do livro Animal Olhar (Escrituras, 2005), antologia do poeta António Ramos Rosa. Atualmente organiza as Obras Completas do filósofo brasileiro Vicente Ferreira da Silva, cujos dois primeiros volumes foram publicados em novembro de 2009 e o terceiro encontra-se em preparo. Foi congratulado com o Prêmio Nacional ALB/Braskem de 2007, com a obra Venho de um País Selvagem, publicada em abril de 2009 pela Topbooks, e que também recebeu o 3° Lugar no Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional 2010. http://rodrigopetronio.blogspot.com/
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
ENTRE na Feira do Livro, Hoje, 6ª, 18 h

A revista Cultura ENTRE Culturas será hoje apresentada no Pavilhão da APEL, na Feira do Livro de Lisboa, às 18h, por Paulo Borges, Rui Lopo e Dirk Hennrich. Apareçam e divulguem.
A revista publica inéditos de grandes pensadores contemporâneos: Raimon Pannikar, François Jullien, Jean-Yves Leloup, Hans Küng. Além de Vilém Flusser e do eterno Agostinho da Silva.
Tornar-se assinante é ajudar a viabilizar o projecto de uma revista de qualidade internacional em Portugal. Vejam as condições no blogue:
arevistaentre.blogspot.com
"Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!"
E tu, Brazil «republica irmã», blague de Pedro Alvares Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um panno por cima de tudo isso!
Fechem-me isso á chave e deitem a chave fóra!"
- Álvaro de Campos, Ultimatum, 1917.
Quinta-feira, 20 de Maio de 2010
FESTIVAL Internacional da Máscara Ibérica
Já ouviste falar nos misteriosos mascarados que, de alguns séculos para cá, em certas aldeias de Trás-os-Montes, por alturas do Natal, Passagem do Ano ou Carnaval, achincalham as pessoas como se o diabo tivesse saído à rua? Bom, parece que o diabinho vai voltar a tentar-nos, como já tem sido hábito, também aqui em Lisboa. E não vem sozinho! Para além de trazer os amigos espanhóis, este ano o empolgante desfile da “Máscara Ibérica” vai tornar-se num autêntico festival, trazendo também tradições semelhantes de outros pontos da Europa. São centenas de participantes mascarados que achincalham, chocalham, saltam e dançam num alucinante rasgo de cor e som. Para além disso, nos restantes dias do festival, há exposições, grupos de música tradicional, workshops e comes-e-bebes! Vamos lá… eles não prometem portar-se bem, mas quem é que disse que nós também éramos santinhos?Sobre "A VIA LUSÓFONA"

O seu livro foi quase uma revelação, não pela orientação, mas pela forma, de notável clareza e pertinência, para já não falar na continuidade e coerência com que desenvolve o seu pensamento. Mas também – e no caso não é o aspecto menos importante – pela lúcida e contida coragem de que dá mostras, não só enfrentado os problemas, mas também as críticas.
Se é verdade que não subscrevo tudo o que diz (…), julgo que só nos matizes e num ou noutro desenvolvimento prático isso não acontece. Por exemplo, mal conheço o Doutor Fernando Nobre para ter opinião acerca da sua candidatura, embora me agradem os argumentos que apresenta a seu favor. No essencial e no conjunto reconheço-me nas posições que assume e sinceramente me alegro por ver que há quem as defenda em público e com tal determinação; fazendo votos por que, para além do meu Amigo, elas representem o pensamento de boa parte da nova geração (…).
Felicito-o também pelo apreço que mostra pelo Professor Adriano Moreira, pessoa com quem nunca falei, mas que tenho como o único político que realmente pensa a nossa situação e os nossos problemas a partir do sistema de valores a que o Renato Epifânio chama a cultura, a nossa cultura. Acontece porém que essa cultura ou sistema de valores tem sido sujeito a tão persistente e violento desgaste que se tornou cada vez mais algo virtual e portanto uma referência dificílima de usar com proveito. Estou mesmo convencido de que as forças que nos são adversas – e elas existem, patentes ou ocultas, agindo sobretudo no interior da sociedade –, essas forças há muito dirigem a barragem de fogo contra os valores culturais que possam sustentar a nossa identidade.
Por mim, que nem sou da geração do Professor Adriano Moreira nem da do Renato Epifânio e tenho a noção dos meus limites, mas combato na mesma hoste, tenho-me limitado à defesa e promoção desses valores culturais. A passagem pela política activa, para a qual não tive vocação, resultou de circunstâncias imperiosas e não teve condições para dar real expressão a esses valores. Por isso mais aprecio a atitude do Renato Epifânio e daqui o incito a continuar, pois urge que haja quem dê forma concreta a uma “república” tanto mais desacreditada quanto mais se tornou a bandeira de partidos, que aliás mais parecem bandos de malfeitores.
A tarefa é muito difícil e crucial, tanto mais porque se a Espanha, por exemplo, não envia as suas forças armadas para conquistar Portugal, não desiste do intento de o conseguir por via económica, como é notório, esperando algo semelhante ao que sucedeu em 1580. Por outro lado, os ressentimentos, mesmo se não forem espontâneos, serão artificialmente cultivados, como ainda hoje se observa em muitos brasileiros, passados quase dois séculos da independência, por sinal protagonizada pelo herdeiro do trono português. Dificuldades estas (como outras) que o Renato Epifânio não subestima decerto, embora compreensivelmente procure reduzi-las à dimensão que convém. Aliás, parece-me muito feliz a opção por valorizar tanto o caso de Timor, para quem as nossas responsabilidades são enormes.
Deixe-me só acrescentar que se Portugal, felizmente, não nasceu sobre um poço de petróleo, dispõe de excepcionais condições naturais e estratégicas que só não usa porque, como diz, não tem projecto próprio e deixou de acreditar em si mesmo (…)
Joaquim Domingues
Braga, 13 de Maio de 2010
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
Na próxima semana, a NOVA ÁGUIA regressa à Galiza...
24.05.10 - 19h00: Livraria Torga (Ourense, Galiza)
25.05.10 - 13h00: Faculdade de Filosofia/ USC (Santiago, Galiza)
ULTIMATUM
- Álvaro de Campos, Ultimatum, 1917.
Terça-feira, 18 de Maio de 2010
Mensagem que nos chegou
Para quem gosta de fado, bem como para todos os que apoiam esta forma de arte plenamente Portuguesa e com expressão à esfera da lusofonia, deixo-vos o livro que foi lançado ontem no Teatro da Trindade e que está à venda a partir de hoje.
AS ORIGENS DO FADO - José Alberto Sardinha
Com o livro vem um CD com excertos de poemas narrativos cantados pelas mulheres das aldeias em contraponto com as modernas interpretações do fado de Lisboa.
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/210459.html
Questões
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
Lançamento a 22 de Maio, às 18h, na Sociedade de Língua Portuguesa (Lisboa): apresentação de Miguel Real

Reúnem-se aqui parte dos textos que, desde o final de 2007, publicámos no blogue da NOVA ÁGUIA (novaaguia.blogspot.com) e do MIL (mil-hafre.blogspot.com). Iniciamos com o primeiro texto publicado no blogue da NOVA ÁGUIA – depois republicado no primeiro número da revista. Finalizamos com dois textos que marcam, até ao momento, os dois actos mais marcantes do MIL: a entrega do Prémio Personalidade Lusófona (ao Embaixador Lauro Moreira), realizada na Academia das Ciências de Lisboa, numa cerimónia presidida pelo Professor Adriano Moreira; e a declaração de apoio à candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre.
Através desta mais de uma centena de textos – alguns mais longos, outros meras anotações – se narra um percurso em que nos temos particularmente envolvido. Um percurso, uma via: A VIA LUSÓFONA.
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Não requer um entendimento maior perceber-se que vivemos numa época controversa, que os dias em que estamos se arrastam movediçamente, como um pântano por cartografar por baixo de neblina densa. Habituámo-nos a pensar o mundo com preclaros e vastos conceitos, que organizam imemorialmente a relação com o real e neles temos confiado para nos auto-esclarecermos do decurso da Civilização Ocidental – porém esta é uma época em que o efémero tomou conta do tempo, em que contínuos adventos tecnológicos se tornam a lei motriz do formigueiro humano e o filósofo não divisa mais o que é eterno, porque tudo é uma agitação das coisas, um frenesim de realidades culturais, sociais e políticas novas, que já não parecem ser conduzidas pela razão mas por alguma emoção de desespero, a que a analogia com o medo ou o assalto da fome sobre um bando de alimárias não seria, neste contexto, disparate.
O património sapiencial da filosofia ocidental é inseparável do seu serviço à polis e aos homens – política e ética são o ceptro e a coroa da sabedoria, é certo, acima da túnica dos costumes e das sandálias da tecnologia, mas não menosprezemos no filósofo a virtude do combate. Vivemos num limbo, em que a filosofia não reina e, contudo, nenhum outro discurso cultural se eleva à altura bastante para lhe poder roubar a coroa. Comparados à política, enquanto filosofia e pensamento perene, todos os políticos não passam de traficantes de pequeninos mundos e todos os fazedores de artefactos, intermediários a soldo entre a privação e a saciedade, numa roleta de tristes anseios, cuja vertigem priva de uma relação autêntica com a existência.
Do efémero e do combate político, se ergueram estes textos de Renato Epifânio, agora aqui coligidos em papel impresso, sob a forma quase sacral que o livro ainda conserva como ícone mítico da autoria intelectual. A escrita de ideias no invólucro que, desde a invenção da prensa, desafia o pó dos séculos, dilata o âmbito restrito da conversa e contorna o mistério temporal da fala e a biblioteca insondável da memória pessoal. Todavia estes textos são um acto de fala, surgiram na circunstancialidade, quase diarística, quase gritada num debate de multidão, que são as ágoras tecnológicas que a blogosfera tem vindo a proporcionar num novo suporte escrito para a polémica, o panfleto, o jornal, a luta política, a propaganda, como se de um parlamento aberto se tratasse, cada vez mais global, em que o filósofo (ou o político) se expõe à democraticidade da conversa, entre a interpelação e a invectiva, sem nenhuma garantia, que não seja a de um exercício higiénico da censura por uma selecção de comentários, em que se misturam, não com menos peso político, a pertinência e a boçalidade.
O hipertexto não superou a palavra impressa mas contaminou-a, sendo, mais do que qualquer outro suporte, a blogosfera que tem vindo a alterar a lógica discursiva da comunicação social, do pensamento e da criação literária. As implicações sociológicas desta contaminação são ainda difíceis de avaliar – não espanta, no entanto, a afirmação de que o maior sintoma de mudança é o vincado zelo dos políticos, dos partidos e da luta ideológica em apropriarem-se da blogosfera, só igualado pelo afã da comunicação social e dos mentalizadores de ideias, numa sofreguidão de baixa publicidade que, quem sabe, em breve cavará a própria sepultura do jornalismo numa cova de detritos, na equivalência relativista entre a reportagem, a crónica e o boato, em que a verdade e a mentira serão decididas pelo aval de um quantificativo de audiências, num processo acéfalo de crença e eco separado dos factos e da relação das ideias aos factos.
Nada há de intrigante que os filósofos se envolvam na política – e levar a prelo este conjunto de textos é um acto de coragem, porque é no despojamento filosófico de uma abertura ao circunstancial e ao passageiro que se funda a honestidade intelectual. São textos que ganharam a sua tessitura na blogosfera, em resposta a questionações, críticas, dúvidas, perfídias falaciosas, num contexto em que todas as regras de bem pensar sofrem o assalto de uma urgência turbulenta, num tabuleiro de xadrez de casas esbatidas, rombos, declives e precipícios. Ganharam palavra e alma num tear tecido a muitas mãos, nem sempre hábeis, e de que o autor foi desentranhando um sentido, um rumo, uma resposta onde não havia resposta, uma ponte onde ainda não havia caminho.
No contexto contemporâneo do pensamento político português, a lusofonia é um dos conceitos mais interpeladores – uma campânula de cristal equívoco que resiste ainda à iluminação do espírito –, porque é um conceito crisálida ainda em busca do seu ser. Cabe aos filósofos participar igualmente nesta demanda, em que novos desafios se colocam a Portugal como nação de nações – findo o Império, a nova rota e o redobrado desafio dos ventos é a preservação de uma Civilização Lusófona.
Jesus Carlos
Dos “portugueses de segunda”
Curiosamente, foi uma expressão que ouvi duas vezes, neste último fim-de-semana. A primeira numa sessão em Torres Vedras, promovida pela Associação Coração em Malaca: alguém da assistência, que havia nascido em Moçambique, recordava, com pesar, esse estigma que pendia sobre todos aqueles nascidos no então chamado Ultramar. A segunda vez, proferida pelo próprio Fernando Nobre, num breve encontro na Feira do Livro de Lisboa, onde esteve a autografar os seus últimos livros.Como se sabe, Fernando Nobre nasceu em Angola. E contou que muitos dos seus conterrâneos – não só de Angola, mas de todo o Ultramar – seguiam com muito interesse a sua candidatura porque, desde logo, o viam como “um dos seus”. Alguém que, finalmente, poderia superar esse estigma dos “portugueses de segunda”.
Mas “portugueses de segunda” não são apenas aqueles que nasceram no Ultramar. São também aqueles que, tendo nascido no território nacional, não têm as mesmas oportunidades do que “os outros”. Ou porque não têm o apelido certo, ou porque não militam em nenhum partido, etc., etc., etc.
Também desses “portugueses de segunda” Fernando Nobre poderá ser o candidato. Poderá, não – deverá.
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/05/fernando-nobre-o-candidato-dos.html
Domingo, 16 de Maio de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 16 de Maio...

Foi uma sessão muito animada a de ontem, em Torres Vedras, promovida pela Associação Coração em Malaca. A Cátias Candeias fez uma demorada e comovedora exposição do seu trabalho no Bairro Português de Malaca, onde, enquanto bolseira do Instituto Camões, ensina a língua portuguesa, a todos os membros da comunidade, dos mais jovens aos mais idosos. Gerou-se depois um aceso debate sobre se os portugueses de Malaca são de facto portugueses ou, mais exactamente, lusófonos. Houve quem tivesse defendido que não – na premissa que a cultura local era “mista” e não “puramente portuguesa”. Eu defendi que sim – na premissa de que a cultura lusófona em geral e a portuguesa em particular é, toda ela, uma cultura mista, uma cultura da mestiçagem. No final, houve ainda tempo para oferecer um exemplar de todos os números da NOVA ÁGUIA à futura Biblioteca da Comunidade Portuguesa de Malaca…
Hoje, houve mais uma sessão “mista” na Casa das Cenas, em Sintra. Já não houve foi tempo para grandes apresentações. Ficaram, contudo, lá exemplares da revistas. O José Sabugo tratou de fazer a devida apresentação da NOVA ÁGUIA…
Ao final da tarde, houve ainda tempo de passarmos pela Feira do Livro de Lisboa, onde, deste o primeiro número, temos marcado presença…
(stand da Zéfiro na Feira do Livro de Lisboa - ao cimo, do lado direito)Uma Visão Armilar do Mundo - Hoje, Domingo, 18.30, na Feira do Livro

Lá estarei hoje na Feira do Livro, a fingir que sou escritor e dou autógrafos... Um diálogo com Camões, Vieira, Pascoaes, Pessoa e Agostinho da Silva sobre o potencial universalista da cultura portuguesa, simbolizado na esfera armilar: a perfeição, plenitude e totalidade na interconexão de todos os seres e coisas, tradições e culturas, artes e saberes. Uma visão integral do mundo, sem cisões, exclusões ou parcialidades, que promova uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, abraçando a natureza, o homem e todos os seres sencientes. O novo paradigma.
Pavilhões da Babel (A01 - A04), 18.30, na parte de baixo da Feira)
Hoje, mais dois lançamentos da NOVA ÁGUIA 5
16.05.10 - 18h00: Auditório da Feira do Livro de Lisboa
Sábado, 15 de Maio de 2010
Cultura ENTRE Culturas / Uma Visão Armilar do Mundo - Hoje e amanhã
Amanhã, Domingo, autografarei o livro na Feira: 18.30, Pav. A1-A4.
A Cultura ENTRE Culturas está no pav. A68, com os 12 volumes das Obras de Agostinho da Silva, a "Antologia" que fiz do seu pensamento, o meu livro "A espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva" e o volume colectivo "Agostinho da Silva e o Pensamento Luso-Brasileiro".
A Feira do Livro prossegue até dia 23.
Apareçam e divulguem!
A NOVA ÁGUIA estará presente na Feira do Livro
16.05.10 - 18h00: Auditório da Feira do Livro de Lisboa
"Metrópole do Mundo, Portugal criou [...] cidadãos do Mundo"
- Jaime Cortesão, O Humanismo Universalista dos Portugueses.
Hoje! Cultura ENTRE Culturas e Uma Visão Armilar do Mundo na Casa Bocage, Setúbal, 21 h

Car@s amig@s ,
Gostaria de os convidar para participar na Noite dos Museus na Casa Bocage, já no próximo Sábado, 15 de Maio, às 21h00.
Para comemorar a Noite dos Museus, cujo tema deste ano é a «Harmonia Social», organizámos uma programação que dá ênfase à multiculturalidade e ao diálogo entre culturas:
Visitas acompanhadas aos espaços museológicos (Exposição «As Sete Musas de Bocage», Centro de Documentação Bocagiano e Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro);
Apresentação da exposição de desenho e escultura «Conexões», por Rui Oliveira Lopes, com a presença do autor, João Lino;
Lançamento em Setúbal do número 1 da revista «cultura ENTRE culturas», pelo seu Director, Paulo Borges;
Canto livre e improvisado de Poesia de Bocage, por Patrícia Domingues;
Apresentação da obra «Uma Visão Armilar do Mundo - A Vocação Universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva», de Paulo Borges, por Bruno Ferro;
Fado à capela, por Pedro Paz;
Confraternização e partilha;
No Dia Internacional dos Museus, 18 de Maio, entre as 14h30 e as 17h30, João Lino estará presente na Casa Bocage, para conversar com os visitantes sobre o seu processo criativo na realização da exposição «Conexões».
Um abraço cordial,
Bruno Ferro
Casa Bocage | Divisão de Museus | CMS
Casa Bocage
Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro
Rua Edmond Bartissol, 12
Tel.: 265 229 255
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
A antítese Oriente-Ocidente e a síntese ecuménica
- António Sérgio, "Seara Nova", 1927.























