EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Apresentação de "Uma Visão Armilar do Mundo", por Risoleta Pinto Pedro, na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa



Uno e verso
Risoleta C Pinto Pedro
11 de Maio 2010
Escola de Medicina Tradicional Chinesa
Palácio Estefânia


Os livros são, também eles, uma espécie de alimento. E há de tudo, como na mercearia, como na farmácia. A mercearia pode ser uma farmácia. Há alimentos que matam, há alimentos que curam. Do hamburger do Mc Donald ao mais requintado prato.
Se fosse alimento (e é), este livro seria um misto de prato mediterrânico temperado com azeite e coentros, com o requinte de um prato francês, o exotismo de uma sobremesa marroquina, um toque de especiarias: cravinho e canela, e uma pitada das cinzas douradas de um mestre tibetano. Para não ir mais longe.
Para mim, ler estas palavras é como saborear um bombom, algo que delicia, uma guloseima para a alma. Porque aqui concentra e oferece em taça de cristal o que de melhor saboreei na literatura e no pensamento Português, de Camões a Agostinho da Silva, para abreviar.
A minha alma alimenta-se, refresca-se, aprofunda-se e eleva-se nesta leitura, que é pão para o meu espírito.
A criança que sou alegra-se e sente-se resgatada por séculos de injúrias. Encontro aqui todos os ingredientes que curam sem amargar.
Reencontrei aqui os autores que me têm acompanhado como avós de espírito; é sempre reconfortante reencontrar uma família.
Quando digo “este livro”, quero dizer “este pensamento”, porque é uma expressão de um pensamento tão antigo e original quanto novo, um pensamento do autor captado no ar, no álbum de pensamentos de um povo, de uma civilização temperada pela saudade da canela, digo, do perfumado Espírito Universal, de onde a Natureza não pode ser excluída, porque isso já experimentámos, com os resultados que todos conhecemos e ainda resta saber o que para aí virá… ou não. De nós depende.
Não poderei dizer-vos o que diz este livro, mas apenas o que eu li nele. O que pode não ser a mesma coisa.
A esfera armilar, como símbolo de totalidade, como refere o autor, vejo-a como uma espécie de mandala a pelo menos, ou por enquanto, V dimensões, que é a dimensão do Homem de Vitrúvio quando se põe a rodar pelo mundo e se funde em veneração com a natureza.
É muito difícil falar sobre um pensamento que tão bem se diz a si mesmo. Este é um livro amplo e ao mesmo tempo simples.
É matéria complexa de tão simples, por isso tive de escrever, por isso prefiro ler o que escrevi.
Como estrutura, Paulo Borges parte do sentido iniciático da obra de alguns autores, passando por uma reflexão própria e culminando no manifesto Refundar Portugal.
Aqui se fala do real e do símbolo, das viagens e das tantas aventuras do povo português. Não vou explicar o que cada um terá de sentir no seu coração, que é por aí que se lê este livro, mas destacarei alguns aspectos que falaram à leitora que sou. Tal como o Paulo Borges fez em relação aos autores que aqui trouxe.
Assim como traz também a crítica a alguns aspectos da contemporaneidade em contraponto com o Ser que, e assumo a responsabilidade do baptismo, eu designaria como o já referido Homem de Vitrúvio. Pois não é ele a perfeição, plenitude, totalidade e infinidade? Ou, diria eu: Portugal no seu melhor, Portugal armilar. E brincando: arma e lar, depois das armas, o regresso ao lar.
A mensagem ainda algo revolucionária para os que estão presos ás ilusões que nos têm comprimido, é a “interconexão dinâmica de todos os seres e coisas”; mas uma criança percebe isto muito bem, sabe tratar com a mesma dignidade e igualdade, um gato, um sapato, uma pessoa ou uma formiga, um estrangeiro ou um familiar. Antes de ser contaminada. É por isso que é importante refrescar a ideia do V Império, o dos inocentes. Aqueles para quem não é impossível “ser tudo de todas as maneiras” ou transformar-se “o amador na cousa amada”. Esta leitura poética parece ser ao autor, no que concordo com ele, a mais profunda que podemos fazer da história.
Somos inicialmente conduzidos para uma leitura de Camões; e nesta leitura o amor é a chave, não teórica, mas operativa, a nossa leitura é, ela mesma, se sincera, um ritual de iniciação à viagem amorosa pelo interior intemporal do universo, porque o Império é muito mais grandioso que as belas mas limitadas fronteiras territoriais, do tempo e do Ego. O Império globaliza-se através do amor universal. É a aparentemente louca, mas mais realista que qualquer outra, aspiração ao Paraíso.
Daqui se fala de cabala, lírica, platonismo e neo-platonismo e dos inúmeros mitos e representações da tradição simbólica e cultural que me abstenho de referir, portanto vou directamente ao assunto.
Numa viagem pela mitologia revisitada a uma nova luz, partindo de uma ilha de utopia, a de Camões (que passou a ser nossa, ou talvez já o fosse antes de o ser) chega-se à democratização e à globalização do divino, se tal ousadia me é permitido verbalizar. Trazer a utopia ao Lugar, o topos, se aparentemente a nega, porque ela é o não lugar e passa, a esta luz, a ser o topos, faz que a ilusão deixe de ser a utopia, e a utopia tome o lugar dela, isto é, do medo, do ego e de todo o tipo de limitação, enviando-os para o momento da não-existência.
Os mais loucos sonhos assumem possibilidade real, como a união dos opostos, numa leitura para lá da superfície onde se tocam a Terra e o Céu e onde outros antiquíssimos desejos se nos afiguram tremendamente realizáveis no nosso destino.
Ideias que desvelam ou revelam com desvelo os pensamentos dos seres particularmente despertos que foram (são?) Camões, Vieira, Pascoaes, Pessoa, A. da Silva: em síntese, a ideia de um Império de transcendência reconstruído sobre o amor e a abundância.
Aqui se fala de história, mas como metáfora e símbolo; nessa perspectiva, o próprio Antero é citado. Pensamentos proféticos de totalidade e inclusão, Santidade, Graça e Luz, o nada e o tudo, sempre presentes numa ideia comum.
Ideias por enquanto escandalosas para um pensamento ainda a sacudir o pó do positivismo, mas, mesmo sem saber, determinado a abrir novos focos de atenção.
É curioso que em cada um dos ensaios que este livro inclui sobre os autores referidos, todos os outros acabam por ser citados, como membros de uma família ou faces do mesmo poliedro, em que um não existe sem os outros. Para lá do tempo.
É claro que tudo isto assim sistematizado, constitui uma ruptura radical com o pensamento convencional: a vida na morte, o futuro no passado, o eu no outro, o todo no nada… e os seus contrários.
E pela pena de Pascoaes somos lembrados que é na aproximação ao eu no aparente outro que cabe a incontornável reaproximação do oriente, tanto tempo esquecido. É no outro que nos reconhecemos.
Também as religiões aqui são repensadas numa tenda de reunião onde caibam até as não-religiões: crentes, gnósticos, não-crentes. Um novo conceito de religião, um novo conceito de política, onde a Polis se eleva, mas abraça a natureza. Uma nova forma de estar vivo, inclusiva e abrangente, metafísica, política, poética, estética, ética, em expansão, mas não em afastamento, a partir de um mesmo centro.

Nesta leitura, Portugal, na sua forma sentimento, quando interioriza torna-se demasiado grande para ser só ele, ele é ele e é o mundo , e nele cabe o mundo, o todo já está na parte, como nas imagens dos fractais. Como os poetas tão bem souberam, antes dos cientistas.
O cosmopolitismo, assim entendido, será um tributo à essência do próprio conceito: no cosmos a polis, na polis o cosmos.

Este livro é uma oportunidade de aprofundamento do processo de consciência acerca do que significa ser humano, ser vivo, ser adulto ou ser criança. Com o apoio do pensamento de A. da Silva, uma reflexão sobre esta barbárie a que chamamos civilização. Edgar Morin também já o vem dizendo há muito, mas delicia-me recordar a frescura de Agostinho que este livro me vem recordar, e o quanto é doloroso reconhecer o “contributo” que os sistemas escolares têm dado para esta “queda” civilizacional. João dos Santos também o denunciou, muito solitariamente.
Onde estão a alegria, a espontaneidade, a liberdade a abundância para que cada ser, sem excepção, nasceu?
Apenas haverá futuro com a resolução do conflito que cada um vive dentro de si entre a “realidade” dessacralizante e consumista e a não dual natureza profunda de tudo o que existe. Neste novo mapa do mundo, a técnica deverá ser um instrumento de libertação do humano para que este possa ser, finalmente, aquilo para que nasceu: divino.
A minha tentação, mais do que falar-vos da minha leitura, foi, em diversas ocasiões, encher de citações estas minhas notas, ou simplesmente, ler-vos páginas do livro, mas sabendo que ia haver leituras, era preciso que eu falasse. O que faço obscuramente. ´É sempre obscuramente que se consegue falar de um pensamento tão claro. E, como já disse, ao mesmo tempo contemporâneo, e tão do fundo dos tempos. Trazendo novamente o Espírito Santo pela mão. Um Espírito Santo cada vez mais revisitado pela evidência de que ou está nas nossas vidas ou não haverá vidas. A fraternidade, a liberdade e o Amor acima dos estafados vícios das disciplinas e sacrifícios. Que tiveram o seu tempo e função, mas que estão para nós como os dinossauros estiveram para os primeiros homens.
Uma ampla rede de informação se foi criando muito antes da internet; Joaquin de Fiori, Bandarra, D. Dinis e a poesia amorosa medieval, o culto popular do Paráclito e o franciscanismo no seu amor pelos seres não humanos.
Há séculos, há milénios, que sabemos que o futuro ou será a Inocência, o Império da Criança, ou não será. Que será a Liberdade, ou não se sobreviverá. Que será a igualdade na abundância, ou não existirá. Se quiserem, uma religião sem deuses ou onde todos são deuses, numa existência de expansão das potencialidades de totalidade, criatividade e encontro com tudo.

Neste livro se fala, reunindo o melhor e mais requintado dos pensadores e poetas já referidos, (mas não só, refiro por exemplo S. João da Cruz), do tudo e do nada, da dor e do êxtase (a dor não é mais do que a resistência ao êxtase), de como tudo é a mesma coisa e de como o fio da navalha não existe e é infinito e de como a consciência transformada tudo transforma.

Um dos aspectos importantes que me parece ver neste livro é a atenção aos riscos a que pode levar, e tem levado, no seio deste pensamento, um “excesso de paixão lusocêntrica” ou o “patriotismo ensimesmado” que conduziu e conduz aos nacionalismos estéreis em detrimento de uma visão não totalitarista mas total, solidária e realmente cósmica. Ou, como aqui se diz, um “ nacionalismo trans-patriótico e universalista”.

Os últimos quatro capítulos são uma meditação própria, mas não alheia aos estudos anteriores sobre o pensamento português e os caminhos a que este pode conduzir-nos no sentido da profundidade do Ser e a Universalidade desse mesmo novo Ser que é ao mesmo tempo indivíduo, Pátria e Mundo. Do motor visível ao motor oculto de um povo, que é afinal, não um país, mas o próprio mundo, onde a humanidade, para crescer, tem de aprender a abraçar.
Outro importante tópico a reter desta leitura são os conceitos, já não exclusivos da mística, mas também da ciência, de interdependência e impermanência, da transcendência da ilusão da bipolarização do eu e do outro, e do equívoco da crença na transformação do mundo sem a prévia e radical transformação da mente que percepciona esse mesmo mundo.
Finalmente, o Manifesto Refundar Portugal, corolário coerente destas reflexões que de certo modo o fundamentam.
Com um passado de expansão geográfica, Portugal é mostrado como um país privilegiadamente preparado para criar pontes de comunicação entre “povos, culturas e civilizações”. Num momento em que o paradigma é ainda o do consumo e da exploração humana, animal e da natureza em geral, este documento propõe uma profunda reforma das mentes, baseada numa ética global que se estenda aos animais e a todo o planeta, universalista e multicultural, baseada nos valores mais sagrados que vêm sendo perpetuados quer por uma tradição popular, quer por alguns poetas e pensadores que ao longo dos séculos foram dando voz a um sentimento presente, mas nem sempre consciente.
Inclusividade em expansão, pois assim como o Universo está em expansão, assim está a consciência universal deste povo, já não para ocupar e explorar, mas para ligar e reunir no respeito por todas as diversidades.
A forma de o fazer também tem de ser inovadora, já não se trata de uma questão geográfica, mas um processo de interiorização após o qual, apenas, será possível implantar fora o que já se consegue imaginar. Porque tudo é da natureza da luz.
Já singrámos por terra, pela água, pelo ar, e com o fogo das espingardas. Agora, o fogo é outro, é aquele que “arde sem se ver”, e os caminhos são os da cada vez mais incontornável Luz.
À qual estamos inapelavelmente condenados. Apesar de nós. Graças à Luz. Que somos Nós.
Grata ao Paulo Borges por ter proporcionado à minha criança feliz esta leitura que é um bálsamo para os ferimentos dos joelhos das muitas quedas. Grata pela criança inocente que sei que sou, grata por todas as crianças inocentes que sei que somos. Apesar de todas as histórias editadas pela Culpa, uma editora decadente, felizmente em vias de extinção.

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