A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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domingo, 5 de dezembro de 2010

Texto que nos chegou

Omissões e Mesmices nas Artes Plásticas

A chamada arte contemporânea termo bastante utilizado para legitimar as repetitivas “obras” que invadem o circuito da arte tornou-se um entrave para a avaliação correta da atual produção nas artes plásticas com mais intensidade partir da década de 70. O modismo cultuado pela maioria dos críticos de arte, curadores, instituições e artista nada mais é que mesmices e repetições; um vício cultuado, como o pulo do gato, que impede assimilar e discutir com profundidade o individual do artista; o real período histórico atual, ou seja, basta ver uma obra e todas são semelhantes, clones.
Este vício acumulativo levou vários artistas com propostas e estilo já definidos a optar por novos suportes ou meios materiais para não serem excluídos das galerias, instituições e eventos tais como: as Bienais, Documentas e as “famosas” Feiras de arte. A improvisação substituiu a experiência e segmentos surgiram sem conteúdos, à maioria envolta em um subjetivismo inconsistente digno de um psiquiatra, porém sem solução.
O “concreto” cedeu lugar a um devaneio, o que interessa é tornar herméticas as tarefas artistas e devanearem em cima de situações sem o devido suporte que pudesse anexar a ideia ao pensamento, um discurso estético visual que trouxesse estratégias que possibilitasse um questionamento ativando o senso crítico e propiciasse a ruptura desejada para rumos coerentes.
Fala-se no caos como desculpa para o distanciamento do conhecimento necessário para formatar uma linguagem e o que assistimos é uma inconsequente e falsa “modernidade” repetitiva, uma clonagem que serve a um mercado consumista e imediatista. A questão é mais séria porque atinge a posicionamentos de grupos instalados em universidades, instituições públicas e privadas, é um policiamento pertinente, abusivo à formação educacional e não corresponde ao conceito significativo de cultura.
O resultado pode ser visto com frequência, principalmente nas grandes metrópoles, onde há mais renda e serve para uma discriminação programada onde o “gosto” é duvidosos. Pseudo-s intelectuais optam por esta forma camaleônica em se travestirem de senhores da verdade, estetas, filósofos - em tempo das “celebridades” a tendência é piorar para atormentar ainda mais um raciocínio lógico, comparativo. Não há mudanças estamos em um período caótico de ações indecisas que trazem só dúvidas e o presente não surpreende é uma mascara improvisada e repetitiva.
O desafio do espírito humano foi esquecido, a arte pode ser um contraponto da criação, pode revelar outro ângulo da verdade, porém jamais ser irrelevante e inconsistente como a produção artistica atual.

sábado, 22 de maio de 2010

Curso: A Arte e os Arquétipos

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RODRIGO PETRONIO

O conceito de arquétipo pode ser entendido sob diversas perspectivas, tendo em vista uma ênfase na filosofia, na literatura, na arte, na antropologia, na teologia, na psicologia, na história das religiões ou na sua dimensão estritamente formal. Até na biologia, na física, na matemática e na química há estudiosos que propõem teorias arquetípicas.
Em todos esses contextos é possível compreender a sua estrutura e as suas funções, em uma perspectiva histórica, mas também atual. Basicamente criada por Platão, a noção de arquétipo se revestiu de diversos sentidos e amalgamou em si uma série de conceitos de natureza próxima: mito, símbolo, signo, figura, tipo, protótipo, alegoria, imagem, entre outras.
No século XX, foram criadas algumas novas abordagens para o arquétipo, que têm ganhado cada vez mais o campo de estudos e aberto novas frentes de interpretação. O tema é imenso. A proposta deste curso é apenas abrir algumas janelas e lançar luzes sobre este conceito produtivo, partindo da arte, da literatura, do cinema e de temas contemporâneos em evidência.


Onde: Livraria da Vila – Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista – SP
Quando: 5 encontros: 18/5, 25/5, 1/6, 8/6, 15/6
Dias: Terças-Feiras
Horário: 16h às 18h
Investimento: R$250 (com vale-livro de R$25)
Contato: 38145811/ 3062-1063

INTRODUÇÃO

Arquétipo: conceito e origem. Os arquétipos e as leis não-escritas. A arkhé de Platão e o mundo das Formas: essência, forma, ideia, real, eidos, aparência e simulacro. A era cristã e o sentido figural e revelado da interpretação: entre os arquétipos e a história. Arquétipo, Alegoria, Tipo e Protótipo: a leitura cristã do mundo das Formas. A visão arquetípica da Academia Platônica do século XV. O debate nos séculos XX e XXI. Henry Corbin: a Ciência das Formas e a Filosofia Imaginal. Jung e a Psicologia Analítica: as bases da teoria psicológica arquetípica moderna. O Instituto Aby Warburg e a contribuição de Frances Yates. Dois gênios brasileiros na cena mundial: Mário Ferreira dos Santos e Vicente Ferreira da Silva. Teoria dos arquétipos literários: Frye e Mielietinski. O debate atual: Gilbert Durand, a “teoria geral dos arquétipos” e as “estruturas antropológicas do imaginário”. A nova Antropologia do Imaginário. A teologia e o Real: John Hick e o pluralismo religioso.

OS ARQUÉTIPOS NAS ARTES PLÁSTICAS

Princípios de geometria sagrada. Formas elementares do mundo e da consciência: a Forma das formas. O “naturalismo” grego: uma aberração? Botticelli: magia e arkhé na pintura. Leonardo e a literalização da arte arquetípica. Paolo Uccello e a matematização do espaço. Marcel Duchamp e a crítica da “arte retiniana”: abertura arquetípica ou engodo? Novas formulações sobre a arte arquetípica. Os tratados alquímicos: Fonte incessante do imaginário arquetípico. Farnese de Andrade, Klee, Delvaux, Balthus, Modigliani, Bacon: o deslocamento arquetípico. Alguns contemporâneos.

OS ARQUÉTIPOS NA LITERATURA

O poema sumério Gilgamesh e o fundamento das estruturas imaginárias da ficção. Orfeu e o orfismo. Do Céu e do Inferno: Virgílio e Dante. Dante e a estrutura da Divina Comédia. O Quixote: equivocidade dos signos e loucura − a oficina cansada dos arquétipos. Fausto de Goethe: a oclusão da alma e o pacto com a Sombra. Dostoiévski: as bases arquetípicas do Homem e a consciência do Mal. Alguns poetas arquetípicos do século XX. Guimarães Rosa: entre Deus e o Diabo, a “matéria vertente” do Homem.

OS ARQUÉTIPOS E O MUNDO CONTEMPORÂNEO

Imanência, materialismo e construtivismo: a Santíssima Trindade da modernidade. Modernidade e esvaziamento arquetípico. A cruzada dos chimpanzés contra as religiões. Dos arquétipos ao Estado: a herança hegeliana e a assimilação da religião ao Leviatã. A redução à Ideologia: a técnica da camuflagem e os discursos fascistas contemporâneos. Razão Pública ou Religião Civil? A formação de uma Religião Civil e os princípios de um totalitarismo planetário. O simbólico, o imaginário e o real: as tramas do inconsciente arquetípico. Violência, desejo mimético e o declínio dos modelos mediadores: a obra de René Girard no debate contemporâneo. O sagrado reduzido a ideologia e a “ciência”: do fascismo ao holismo. Cultura de massas e Sombra Coletiva. Uma breve incursão no cinema: alguns filmes e diretores (Lang, Murnau, Bergman, Tarkovski, Von Trier, Sokúrov, Dreyer).

Rodrigo Petronio é editor, escritor e professor. Formado em Letras Clássicas e Vernáculas pela USP. Professor e um dos criadores do curso de Criação Literária da Academia Internacional de Cinema (AIC). Coordenador de grupos de leitura do Instituto Fernand Braudel. Professor-coordenador do Centro de Estudos Cavalo Azul, fundado pela poeta Dora Ferreira da Silva (Conselho de Tradução das Obras Completas de Jung no Brasil). É membro do Nemes (Núcleo de Estudos de Mística e Santidade) da PUC-SP. Recebeu prêmios nacionais e internacionais nas categorias poesia, prosa de ficção e ensaio. É autor dos livros História Natural (poemas, 2000), Transversal do Tempo (ensaios, 2002), Assinatura do Sol (poemas, Lisboa, 2005) e Pedra de Luz (poemas, 2005), finalista do Prêmio Jabuti 2006. Coorganizador do livro Animal Olhar (Escrituras, 2005), antologia do poeta António Ramos Rosa. Atualmente organiza as Obras Completas do filósofo brasileiro Vicente Ferreira da Silva, cujos dois primeiros volumes foram publicados em novembro de 2009 e o terceiro encontra-se em preparo. Foi congratulado com o Prêmio Nacional ALB/Braskem de 2007, com a obra Venho de um País Selvagem, publicada em abril de 2009 pela Topbooks, e que também recebeu o 3° Lugar no Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional 2010. http://rodrigopetronio.blogspot.com/

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma aberração…

A classe política portuguesa é particularmente inculta. E isso vê-se, também, no respeito (leia-se: subserviência) que tem em relação aos “artistas”. Sobretudo no poder local: e daí a multiplicação de aberrações que têm conspurcado a nossa paisagem…

(...)
Texto publicado, na íntegra, no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/uma-aberracao.html

sábado, 17 de outubro de 2009

Primeiro Número da INÚTIL



Caros amigos, sem campanhas de marketing & publicidade, acontece no próximo dia 23, sexta-feira, pelas 22 horas, o esperadíssimo evento que é o lançamento do primeiro número de uma nova revista de artes dedicada à palavra e à imagem: a INÚTIL - http://inutilrevista.blogspot.com/ (eu, pelo menos, que colaboro neste número a convite da sua mentora, a poeta Maria Quintans espero-a ansiosamente).

O evento, que acontece na fantástica livraria Ler Devagar dentro do espaço privilegiado do Lx Factory, R. Rodrigo Faria, 103 em Alcântara – Lisboa, http://www.lerdevagar.com/ tem como tema do primeiro número a Ira. Este primeiro número, de edição limitada, conta com uma excelente apresentação gráfica, um excelente papel e um desperto comportamento intelectual ao nível do que melhor se faz mas fazendo diferente, com outros sabores e novos paladares.

Estarei lá. Esteja também. Não haverá repasto celebratório, mas uns copos, muita música e gente bonita e agradável para conversar, certamente.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos)

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A síntese espiritual de um país é a sua arte. Poderia dizer-se que o espírito territorial é a medula, a religião o cérebro, o espírito guerreiro o coração, o espírito jurídico a musculatura e o espírito artístico como que uma rede nervosa que tudo enlaça e unifica e move. Costuma pensar-se que a religião é superior à arte e que a arte é superior à ciência, considerando somente a elevação do objectivo para o qual tendem; mas, considerados sob o ponto de vista em que me co­loco, como forças constituintes da alma de um país, a superioridade depende do carácter de cada país.

A Arte Espanhola (Ganivet), Lisboa, Edição do Autor, 1941, p. 7.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Concurso de Artes Plásticas do Distrito de Setúbal

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O Concurso de Artes Plásticas da Resarte terá periodicidade anual e visa consagrar o reconhecimento do mérito e talento de artistas que se distingam na área das artes, consideradas nas seguintes vertentes: pintura, escultura, multimédia, design, arquitectura, fotografia, infoarte, joalharia, ilustração, banda desenhada, instalação e street art.

Este concurso tem como objectivo estimular a produção e divulgação dos trabalhos de arte realizados por cidadãos do Distrito de Setúbal, residentes ou estudantes do Distrito Setúbal.

A Resarte apoiará os participantes com insuficiências económicas, em moldes a acordar com o secretariado, de modo a promover os princípios constitucionais de igualdade de oportunidades e de solidariedade entre cidadãos.

Podem participar todos os artistas, amadores, estudantes ou profissionais, até aos 35 anos de idade, inclusive.

A entrega das peças decorrerá de 26 de Maio a 31 de Julho de 2009, data em que encerram as inscrições.
Os trabalhos, fichas e demais documentação devem ser entregues na Fundação INATEL – Agência de Setúbal, sito no Praça da Republica 2900-507 Setúbal, de 2.ª Feira a 6.ª Feira das 9:00h ás 18:00h, encerrando aos Sábados, Domingos e Feriados.

As obras inscritas no concurso, que tenham sido aprovadas de acordo com o artigo 10.º, serão expostas de 5 de Setembro a 3 de Outubro em espaços para isso providenciados pela Resarte, sendo visitáveis nos locais a anunciar.

O Júri é presidido pelo Director do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, Senhor Professor Doutor Fernando Batista Pereira, que convidará elementos das instituições colaboradoras e pessoas de reconhecido mérito para o constituir, sendo que o número deve ser ímpar.

Os Critérios são:
a)A criatividade;
b)A originalidade e inovação;
c)A qualidade;
d)A dificuldade;
e)A relevância cultural;
f)A actualidade e pertinência social.

Serão atribuídos prémios pecuniários às obras apresentadas a concurso.
O primeiro prémio, doravante Prémio Câmara Municipal de Setúbal, tem o valor de 500 €.
O segundo prémio, doravante Prémio Delta Cafés, tem o valor de 250 €.
O prémio revelação, doravante Prémio Herdade do Vale da Rosa, tem o valor de 150 €.
As Menções Honrosas terão um prémio não pecuniário.

Após o Concurso, as obras serão expostas em Setúbal, na Fundação INATEL – Agência de Setúbal, entre Outubro e Dezembro de 2009, e em Almada, na Oficina da Cultura, entre 30 de Janeiro e 12 Fevereiro de 2010.

Para mais informações:
www.resarte.blogspot.com
resarte09@gmail.com
96 388 31 43

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Ceci n'est pas une pipe

René Magritte, 1928-29


Galinha é sáurio de escama erguida
que não aturde o verso do poeta
sem penas. Penas de poeta é
coisa de frango, sarau de celofane,
latex de sexshop, o redondo no
hirto do frouxo sem crista. Poesia
essa caca de galinha, essa vida-
-morte desenterrada na nudez da fome,
com batôn e fanfarra de puteiro?

terça-feira, 21 de abril de 2009

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia da Mãe, 1983

















Maria Keil

O que sou é a mãe, o que sei é meu filho

O Homem só existe verdadeiramente por se saber Homem, porém, quando chega a adulto, tende a inverter-se: em vez de ser o que se sabe Homem, passa a ser o saber que tem de si, esquece-se que é o ser que é o saber, não é o saber que é o ser. O saber toma o lugar do ser, o filho toma o lugar da Mãe.

Eu sou o que sei, mas o que sei, por si, não me é. Ser é a Mãe, que está sempre presente, saber é o filho, que nasce constantemente, e que logo deixa de ser a Mãe assim que o faz. O ser humano apega-se ao filho como se ele continuasse a ser a Mãe, mas ele separa-se dela logo que aparece. A separação entre eles não indica que o filho não fosse verdadeiro, é apenas uma inevitabilidade, tendo em conta a natureza da sua relação.

O cérebro representa o embrião do nosso ser, dele nascem os nossos filhos-conhecimentos, somo-los todos, mas como todos eles estão condicionados ao tempo, nenhum deles preenche o nosso ser inteiro, eterno. O filho que nos poderá preencher todo o ser terá de nascer da síntese de todos eles, de unir tudo, de nascer do sentimento de fusão do amor infinito, do saber que se sabe sem ser preciso saber, porque deixou de ser apenas um saber temporário do ser, tornou-se no próprio ser, na Mãe. O verdadeiro saber que a Mãe-Ser pode ter de si é dado pelo filho de Corpo Real, nascido do seu Cérebro Real: o Útero.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Diário da NOVA ÁGUIA: 2 de Setembro...


Recebo notícias do Amândio (Silva): o lançamento no Recife teve “cerca de cinquenta pessoas”. Estive também hoje com o Paulo (Borges), a fazer o balanço da ida dele ao Brasil, donde continuam a chegar convites para lançamentos…

Do lado de cá, também. No início de Outubro, faremos mais uma ronda pelo Norte: Bragança, Viana, Braga, Guimarães. E a Galiza, não esquecer a Galiza…

O vento sopra, cada vez mais forte: no número de adesões, nos assinantes da revista, no número de visitas diárias no blogue. Com o início de Setembro, voltámos à média de mais de trezentas por dia…

O leme está firme. Por mais que o mar embraveça, nada há a temer. Pelo contrário, é a altura de içar todas as velas. Talvez não todas ainda…

E pensar que, no início de Setembro do ano passado, nada disto existia, nem sequer em projecto. Que caminho já percorrido num ano apenas…



P.S.: A ilustração, escusado seria dizer, é do Ruela. Um grande reforço para o blogue. E para a revista, como depois verão...

domingo, 3 de agosto de 2008

Epistolar para o passado: o fim dos 60's e princípio dos 70's, "lá"...



“(...) Li-te atentamente. E, sem surpresa, vi que me percebeste. Um beijo adicional por isso, igualmente um sorriso rasgado por saber que tu, também, soubeste que aquela foi uma "época diferente" e não lhe esqueceste o travo. Tempo de mudança de conceitos, mentalidades, em que os ecos das revoluções culturais que aconteciam no hemisfério Norte demoravam um pouco a lá chegar, escolhos da distância e não só. Embora, por aí, lá nas colónias até se vivesse mais 'folgadamente' que cá, a "metrópole" exageradamente conservadora e fechada ao além suas fronteiras, as físicas e as psicológicas. É minha convicção.
Não me restrinjo ao celebérrimo Maio de 68 que, então, tanto mudou nas formas de pensar e cujos efeitos mexeram com a sociedade global por décadas, pese o "movimento" em si ter sido "politicamente assassinado" pouco após ter-se iniciado. Não esqueço que, uns 30 dias depois do seu início, Malraux, escolasticamente um guru intelectual da gauche francesa e europeia, foi um dos cabeças da manif' dum milhão que encheu os Campos Elísios... contra as greves dos estudantes universitários e dos pólos industriais que, então, lhe aderiram (usine Renault de Billancourt, etc). E, sessenta dias depois, Charles de Gaulle que no início das manif's fizera uma retirada estratégica para fora do País - 'asilou-se' na então RFA, se bem me lembro - teve a maior maioria de sempre em eleições presidenciais francesas: 80%. Portanto em termos políticos imediatos Maio de 68 foi uma falácia, quase um nado morto após a euforia folclórica. Mas as ondas de choque propagaram-se por todo o mundo Ocidental e deixaram rastos de mudanças, maior espaço à liberdade de pensar e, principalmente aos jovens, uma irreversível conquista do direito a comportamentos com matriz libertária, rotura com o status herdado da geração anterior e que, se já em picos ocasionais era posto em causa, a partir de Maio'68 essa 'revolta' ganhou asas e sedimentou-se. Nós, esta geração, duma forma ou doutra todos sentimos as suas benesses e somos dalguma forma portadores do facho da sua herança.
Simultaneamente, do outro lado do grande charco os movimentos de luta pelos direitos cívicos da minoria de ascendência afro atingia o seu auge (Luther King, Malcolm X), as manif's anti-guerra do Viet deixaram a dimensão residual e tornaram-se um fenómeno social nacional que varreu os USA de Leste a Oeste, a tão falada revolução sexual era logicamente cabeça-de-cartaz nas conversas e nos afagos, o movimento hippie atingia o seu auge orgásmico com o celebérrimo concerto de Woodstock em '69, e de tudo isso, fosse com atraso ou não, lá chegavam a Moçambique ecos e decorrentes influências. Do Woodstock, felizmente, também chegou o filme-documentário que, contas d'agora, terei visto umas três vezes seguidas e vi alguns de gravador em punho para 'apanhar' a banda sonora. Número só batido pelo western spaghetti "Trinitá, o cowboy insolente" que vi sem vergonha alguma umas cinco vezes consecutivas no cinema Dicca, LM. Afinal ser puto é ser puto e há fascínios inerentes ao estatuto que são de aproveitar antes de ficarem fora de prazo. Ah! e igualado pelo "Ivan, O Terrível" de Serguei Eiseinstein, que entre o Cine-Clube e o Estúdio 222 também vi três vezes. Mas essa é outra 'estória' que fica em carteira para não ficar já sem munições epistolares ao tema lol
Da mesma informalmente forçada forma em que chegavam ecos alternativos ao chatérrimo "Assim Vai o Mundo", que os cinemas passavam antes do filme, também acontecia chegarem livros/fotocópias de/ que eram proibidos pois o direito a pensar estava espartilhado; puxo do meu exemplo pessoal, claro que adornado com o irresistível smell do proibido: em 73/74 eu lia textos da Internacional Situacionista mesmo que não percebesse nada do que lia, Marx já me cheirava interiormente a demodée mas não o confessava nem ao meu melhor amigo (pré-revolução; que no vivê-la o charme nos primeiros tempos é outro), nutria um fascínio intelectual de puto por Bakhunine's e sua trupe libertária, e o meu guru privado era obviamente Wilhem Reich. Leituras via empréstimos de amigos que chegavam da 'metrópole', onde estudavam ou iam em férias e, alguns, duma outra Europa que tinha também outra maneira de pensar e agir - melhor: de deixar pensar e tolerante no deixar agir. E a literatura 'subversiva' circulava se, efectivamente, quiséssemos saber mais além dos matizes dourados ou cinzentos (depende de quem olhava...) que enchiam a cúpula do ensolarado dia-a-dia.
Os jovens reivindicavam o direito a sê-lo duma forma mais consentânea com a nova Era que, se lá só emergia, já assentara praça e forma por todo o mundo Ocidental. E nós vivemo-lo, mesmo que com atraso e sem consciência política global que soubesse responder aos tantos "porquês" que se levantavam, pois contestar era vedado ou passado à lupa, assumimo-la, individualmente e até inconscientemente dos porquês por que o fazíamos, pela irreverência de comportamentos e poses sociais 'lutamos' por um novo e mais confortável espaço junto do tradicionalismo das famílias e da sociedade.
Esta também reagia e moldava-se aos novos tempos. Por falar em tempos e aproveitando a deixa, disso é exemplo a lufada de ar fresco à sociedade - toda- que foi o surgimento da revista "Tempo", em princípios de 70. Tirando casos e nomes isolados, poucos, nunca ninguém (talvez o 'A Tribuna' nos seus inícios, mas isso já são memórias doutra geração que não a minha), um órgão de informação de grande circulação e todo o seu colectivo se atrevera como eles a fazer capas e reportagens sobre assuntos que eram tabus, quase vacas sagradas.
Aí na tua terra, a Beira, houve bons exemplos da coragem de remar contra a maré, dando a cara e assinando por baixo. Assim de repente recordo Carneiro Gonçalves e Gouvêa Lemos, ambos já falecidos, aquele até precocemente num estúpido acidente de viação na Manhiça quando estava a horas de embarcar para a "metrópole" e assumir nada menos que a chefia da redacção do explosivo neófito da imprensa portuguesa, o hoje ainda referencial semanário "Expresso", a convite directo do seu proprietário, Francisco Balsemão na altura mais conhecido nos Estoris como "Chiquinho do Porsche" (mangusso; mangusso de primeira água... lol).
Dos excessos? claro, onde não os há quando de repente "tudo" que era assumido como placidamente eterno é posto em causa? e por "fedelhos", ainda por cima? Mas lá não destoamos do resto do Mundo nosso geracional e também CONSEGUIMOS. À nossa escala, pequenas vitórias que se iam conquistando e acumulando no bornal dos Direitos, mas fizemo-lo. Ámen. A nós e aos tempos, que a estes quem os viveu nunca os esquecerá. (...)”
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(foto de cartaz de Arte Psicadélica encontrado aqui. devida vénia)

sábado, 2 de agosto de 2008

TODO O HOMEM QUE TEM CONSCIÊNCIA DA SUA VIDA POSSUI EM SI UM POEMA

O que interessa em arte ou deve interessar é o seu quotidiano humano de modo a que ela seja - voluntária ou involuntariamente um depoimento. Por isso não me surpreende que Pierre-Henri Simon afirme que «todo o homem que tem a consciência da sua vida possui em si um poema que deseja nascer». Isto pode significar que para o criador não há inibições e que estas devem ser, em última análise, a resultante da sua força pessoal criadora que tanto pode exprimir-se através da poesia, da arte e/ou da partilha com o divino.
É sempre difícil dar uma opinião sobre alguns criadores a não ser no seu próprio plano de criação, sob pena de cairmos no erro de julgarmos segundo os nossos reflexos ou reacções pessoais.
Há muito tempo que deixei de opinar sobre certos quadrantes do actual quotidiano. Tudo porque já não há verdadeiros criadores fora do âmbito dos interesses económicos e afins.
Hoje, até os padres e interesseiros do clero são demasiadamente simplistas para compreender o drama dos nossos dias. Até os falsos milagres - como o de Fátima - não são mais do que fontes de rendimento - bem terreno - para o deleite de quem, há muito, esqueceu o verdadeiro (?) Criador ora ancorado nas teias de aranha da nossa memória colectiva.
Não é na leitura dos compêndios e na obediência aos críticos ou aos doutrinadores que se forjam os padrões da cultura da minha geração (anos oitenta do século passado) ou se encontram as respostas a muitas das nossas dúvidas.
O Deus da minha geração não é folclórico. É um labirinto de circuitos fechados e sem rosto, em vez daquele a quem se roga pelas coisas ditas nobres. É um Deus que, em certos dias, não se pode contar com Ele - deve ter os seus dias de folga... Afinal, há aqueles dias em que nos encontramos face a face com os nossos próprios demónios e não se vislumbra tal "divindade", a fim de nos ajudar a irradicar do nosso quotidiano o cerceamento das liberdades individuais, a solidão, o medo do outro, etc...
É por isso que eu não tenho arte nem fé e não me demoro a opinar no "escuro" da noite. Mas... tenho, de facto, um poema:
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Sou,
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Astro caindo que na queda ardeu,
curva de estrada onde acaba alguém,
menino meigo que voou ao Céu,
água da fonte que ninguém bebeu,
grito que é brado e não atrai ninguém...


Paulo

quarta-feira, 30 de julho de 2008

A Arte e o Novo - Ferreira Gullar (artigo)


Fonte: Brasil Cultura

Ferreira Gullar




"Minha posição crítica em face de determinadas manifestações da arte contemporânea pode às vezes levar algumas pessoas a pensar que tenho uma atitude aprioristicamente contrária a qualquer experiência nova em arte. Nada mais distante do que efetivamente penso. Por isso mesmo, aproveito a oportunidade para deixar clara minha visão com respeito a essas questões.

O primeiro ponto a esclarecer é meu juízo acerca das vanguardas estéticas. Trata-se de um fenômeno específico do século XX, que não pode ser confundido com a busca de renovação estética, pois esta está presente em toda a história da arte. Noutras palavras, não é necessário haver movimentos de vanguarda para que os artistas criem obras de alto valor e para que a arte se renove.

A identificação equivocada entre a vanguarda e a criação artística conduz muitas vezes a se perder de vista o fato de que, por exemplo, os quadros cubistas de Braque e Picasso são, muitas vezes, obras de alto valor não por serem cubistas, mas por suas qualidades estéticas intrínsecas. Isto não significa que os movimentos de vanguarda não tiveram importância e, sim, que sua importância deriva das idéias fecundadoras que veicularam e, sobretudo, das obras que produziram. Ao longo do século XX surgiram centenas de movimentos de vanguarda no mundo inteiro, a maioria dos quais manifestações inócuas e pretensiosas, de que sobraram apenas os manifestos, quando sobraram."


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terça-feira, 15 de julho de 2008

BERSERKERGANG




O fogo crepita e fala, para não termos medo, para erguermos bem alto o devorador de crânios*, para gritarmos de júbilo quando o enxame de abelhas** cruzar os céus sedento do nosso sangue, porque o navio virá, entraremos nele e seremos transportados para além dos mares da Escócia, para uma terra verde onde não há dor nem ódio, onde tudo é puro.
O funéreo navio virá, por entre os rolos da névoa, a sulcar indomável a espuma alva, o espelho borbulhante das águas. Dizem que é filho do crepúsculo, que é feito das unhas dos mortos, que nele só entram os que morrem de rosto erguido, que o vento canta junto às suas velas de sangue vivo.
O navio virá, porque um homem não pode ser o urso para sempre, porque o machado pesa, porque só na morte os guerreiros encontram a sua amante eterna.


Klatuu Niktos



* Metáfora viking para «machado».
** Metáfora viking para «grupo de flechas atiradas».