A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

sábado, 31 de outubro de 2009

Notícia do Jornal Público de hoje...

.
"Juve Leo e AAS não protestam amanhã"

Comentário: Quanto à Juve Leo, não sabemos. Quanto à AAS, confirmamos a manutenção do apoio ao P.B. Desde que, obviamente, chegue ao fim da época à frente dos vermelhos. O nosso núcleo de Braga deu hoje uma ajuda para o efeito...
no instante em que morrri o céu era verde e amarelo
e havia pássaros e anões na folia
e havia uma voz a sair da boca de um cavalo
e um cavaleiro de asas a dar boas-vindas

também tinha árvores de frutos reluzentes
onde as crianças enchiam os seus aventais com pedrinhas
tudo era calmo como nascimento de um caroço
talvez mais calmo ainda do que os espelhos de água

os homens não envelheciam com os dias
pois as horas eram esteios de luz sobre a paisagem
e nos campos havia um senhor a construir naus de cartão
para que o vento espalhasse os poemas mais virgens do planalto
e nesse instante acordei absoluto e orfão na casa do silêncio em que me demoro

Atrasos nas nomeações de professores tem afastado alunos do Português

.
Escolas sul-africanas acabam por optar por outras disciplinas e actividades opcionais com prejuízo para a língua portuguesa


Os atrasos nas nomeações de professores de Português têm provocado a redução no número de alunos na rede de ensino da língua portuguesa na África do Sul, alerta, em entrevista à Lusa, o coordenador do ensino.

Armindo Cameira Boto, responsável por uma rede com 41 professores, que leccionam na África do Sul, Namíbia e Suazilândia, garante que "o interesse pela língua portuguesa continua a ser enorme nesta região, mas que os atrasos nas nomeações feitas pelo Ministério da Educação criam grandes problemas à rede e geram o desagrado de encarregados de educação".

Alguns professores chegam aos seus postos de trabalho em Março e até mesmo Abril, em países onde o ano lectivo começa em Janeiro. Em resultado, pais e encarregados de educação de alunos de escolas onde os professores ainda não estão colocados acabam por optar por outras disciplinas e actividades opcionais com prejuízo para a língua portuguesa, refere o coordenador.

Contactado o Ministério da Educação, este informou, através da sua assessoria de imprensa, que não há qualquer sinal de atraso na colocação de professores neste ano lectivo e que tudo está a decorrer dentro da normalidade.

"Apesar dessa contrariedade (atrasos), o interesse pelo Português mantém-se altíssimo, com alunos, instituições governamentais e privadas a telefonarem constantemente para a Coordenação do Ensino, na embaixada de Portugal em Pretória, inquirindo sobre cursos e professores na África do Sul", salienta Armindo Boto.

Em meados deste ano, a tutela do ensino do português no estrangeiro passou do Ministério da Educação para o dos Negócios Estrangeiros, mas o Instituo Camões só assumirá a rede do ensino do português no estrangeiro no ano lectivo 2010/2011.

Em declarações à Lusa em Maio, o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, admitiu, no entanto, que em países como a África do Sul, onde o ano lectivo começa em Janeiro, o Instituto Camões poderá acolher propostas mais cedo para expansão da rede.

Na África do Sul, os mais de três mil alunos dos diferentes graus estão neste momento em exames nas escolas públicas e privadas e os 35 professores destacados leccionam em Joanesburgo (a cidade com maior concentração de alunos e professores), Pretória, Cidade do Cabo, Durban, Pietermaritzburg, Bloemfontein, Nelspruit e Klerksdorp.

Considerado um caso de sucesso no universo da emigração portuguesa, a rede do ensino na África do Sul inclui igualmente uma importante componente de formação.

Situado no consulado-geral de Joanesburgo, o Centro de Recursos da rede do ensino do Português fornece materiais e informação actualizada a mais de três dezenas de professores locais, que leccionam em áreas onde residem milhares de lusófonos e que não são cobertas pela rede oficial. A formação de professores é uma das tarefas fundamentais da Coordenação da rede, refere o seu responsável.

Na Namíbia, onde cinco professores leccionam Português a cerca de 300 alunos, existe um centro de formação com grande dinamismo e resultados apreciáveis, esclarece o coordenador. Na sua maioria, os professores ali formados servem refugiados angolanos do centro de Osire.

Na África do Sul, segundo Armindo Boto, várias instituições governamentais, como a polícia, os serviços de Imigração no aeroporto de Joanesburgo e o parlamento, organizam cursos de Português recorrendo aos serviços da rede do Estado Português.

Lusa

Animais herbívoros têm essencialmente visão lateral (defesa). Animais carnívoros (de caça) têm visão frontal.

Aprendizagem do Nada 3

Pisei um nariz mas antes tarde do que nunca, até os patos mudos dizem quem são. Tenho visto coisas lamentáveis e agora vou almoçar.

ESTRADA NACIONAL 103- A VIAGEM

Tarde e a más horas, mas o escriba cumpriu. Mais um textozinho daqueles de fazer chorar as pedras da calçada ou de soltar os pregos do crucifixo à força de gargalhada. Desta vez, nem uma coisa nem outra... Uma história de crime, suspense, humor negro e... final inesperado! Nas entrelinhas lá vamos tendo as ferroadas do costume à nossa sociedade pôdre e mal frequentada.
Sem mácula de nuvens, o céu apresentava-se estrelado e bem acompanhado por uma bela lua cheia que, generosa, se oferecia para iluminar o sentido do pavimento tosco e esburacado diante do tremeluzir fosco dos mínimos. O casal seguia na sua 4L de cavalagem estafada por duas décadas de uso intensivo esgrimindo, no seu interior, acusações, gestos e gritaria. Decididamente, ela não entendia porque não remendara ele uma desculpa, por mais esfarrapada que fosse, na enorme manta de retalhos em que se tornara a sua vida amarfanhada de dívidas e preocupações nos exíguos metros quadradados hipotecados ao banco, numa obscura e perigosa praceta atafulhada de carros num quarteirão de má morte na Rinchoa. Quem quer que fosse, chamasse os bombeiros ou gritasse “Ó da guarda” que a eles nem a santa da ladeira derramava sangue , lágrima ou piscadela de olho para ajudar. Ele, por seu lado, apesar do adiantado da hora, cismara na urgência do telefonema lá da terra e, só o facto de viverem apertados pela pressão constante das ameaças do gestor de conta, o fizera aventurar-se numa carcaça velha com fortes indícios de fadiga dos metais, pela estrada nacional. O pouco que lhes coubera das partilhas da morte da tia materna dera de sinal para o apartamento, estoirando o resto na renaukt 4L, à época, novinha em folha, mais brilhante que o aço das facas de trinchar do Augusto do talho 24. Não fosse a viagem dura e sinuosa a desoras e o encanto ímpar do percurso faria par com o estampado de estrelas só retratado com mestria igual em postais e guias turísticos. Já não a podia ouvir falar. "Vais depressa demais!... Matamo-nos antes de lá chegar!" Matar-se era coisa que não lhe passava pela cabeça, nem antes nem depois daquela prova de resistência à paciência de santo de que se munira à custa de dois brandys na estação de serviço. Sem dúvida que nem os santinhos do altar, alinhadinhos em sacrossanta disposição milimétrica, ficariam quietos pelo constante matraquear de avisos, ais, uis, sustos e resmungadelas ao longo da jornada. Olhava-a de soslaio e dava-lhe na veneta de pegar no calibre 9 mm entalado entre o tapete e as molas partidas do assento do condutor e desferir-lhe, à má fila, a canhonaça bem no meio da testa. Não fosse a imagem da massa encefálica a escorrer pelos vidros e salpicar os estofos lavados e aspirados na oficina do Carriço e não teria pejo dos trinta euros gastos na mordomia higiénica. Só a tinha trazido para não se deixar adormecer ao volante na frugalidade de conforto da máquina que, carregada com uma vintena de anos, se havia esquecido de aquecimento e leitor de CD’s. Aquele constante matraquear , contudo, era garantia suficiente de nervos em ebulição com visita inadiável ao centro de saúde para medir a tensão . Pior fora ter-se esquecido das cassettes do Dino Meira…No meio da serpentina de asfalto divisava, a custo, as sombras de pinheiros e carvalhos estratégicamente plantados em curvas sibilinas… Já faltava pouco, o único receio era que aparecesse a Brigada de Trânsito, o médio traseiro fundido e o atraso na inspecção eram motivos de receio mais que fundados para coima da grossa. "Que quereria a velha àquela hora? Uma chamada a meio da noite… teria algum dos primos acordado nas partilhas do belo pedaço de terra junto ao Rabaçal? Mas àquela hora? … Sentira-se mal? Teria o velho morrido? A vozinha dela estava estranha… A lua preenchia grossas fatias de asfalto na amarelice quase fundida dos mínimos alimentados a bateria a dar toque a finados. Dos cento e quarenta kilómetros percorridos na companhia de caracóis vermes e outras lesmas, faltava-lhe palmilhar a derradeira légua… Era questão de aguentar com estoicismo a ligeira subida ladeada pelo barranco e no cume, iniciar-se-ia a descida até à casa rural que ainda não tinha ido a sortes pelos irmãos.Olhou então para a rampa de estevas e arbustos que se apresentavam do seu lado direito. Alguns torrões e pedregulhos rebolavam em direcção à estrada. Um gande volume de forma rectangular rebolava com maior velocidade, desamparadamente, estacando no meio da via. Travou bruscamente. A chiadeira dos pneus, recauchutados desde a última folha perdida no calendário em que tinha recebido o décimo terceiro mês silenciara grilos, espantara morcegos e tornara ainda mais lúgubre o silêncio que invadira a zona. Só a tosse rouca dos cilindros se fazia ouvir naquele cenário fantasmagórico. A mulher começou então aos guinchos com avisos e alertas. Ele gritou-lhe meia dúzia de impropérios. Era estranha a forma daquele volume.- Dir-se-ia… hum…nah… - Pegou na pistola entalada entre o tapete e as molas partidas debaixo do seu assento e abriu a porta.- O que vais fazer homem? Contorna isso… o que quer que seja…- Tás parva mulher? Contorno o quê? Contorno e vamos pelo barranco abaixo que o espaço é curto! Estúpida! Fosses tu um fósforo e chegava-te o lume para alumiar a estrada… tá calada e…cala-te!De pistola em punho saiu do carro e avançou, receoso, um par de metros e de repente…- Não acredito!Lá de dentro, estirada sobre o tablier com a fronha colada no vidro a mulher guinchava: -Que é homem? Diz lá! O que é?- É um corpo!... É um homem… E parece morto! - Disse enquanto espreitava para o barranco.De repente… arregalou o olhar… ao fundo, a alta velocidade…
(CONTINUA...)

Moçambique: Líder da RENAMO ameaça


“Vamos tomar o poder pela força”

A chefe da Missão de Observação Eleitoral da União Europeia em Moçambique, Fiona Hall, considerou inaceitáveis as ameaças feitas pelo líder da RENAMO, Afonso Dhlakama, de tomar o poder pela força.

Reagindo aos resultados preliminares das eleições da passada quarta-feira, que dão larga vantagem ao actual presidente – Gebuza contava ontem com 1 239 055 votos (77%) contra 188 613 (12%) de Simango (MDM) – , Dhlakama afirmou: "Este ano não vamos tolerar brincadeiras. Se houver fraude o partido vai tomar o poder à força."
Dhlakama alegou a existência de irregularidades nas assembleias de voto de Angoche e Nacala-Porto, onde muitos eleitores não puderam votar por não constarem dos cadernos eleitorais. Na ilha de Moçambique, afirmou, nenhum militante do partido votou, pelo que é exigível uma segunda volta.
Nas Legislativas, os resultados parciais apontavam ontem, também, para uma vitória esmagadora da FRELIMO, com o recém-formado Movimento Democrático para a Mudança (MDM) em segundo lugar, remetendo a RENAMO para terceira força partidária.
Os observadores europeus consideraram no entanto o acto transparente e rigoroso. O eurodeputado José Manuel Fernandes assegurou ao CM que houve grande profissionalismo e civismo na votação e muita competência e rigor na contagem de votos.
Ainda não há números oficiais dos resultados, mas o MDM reivindica ser a segunda força mais votada na capital do país.

Sabrina Hassanali com agências no Correio da Manhã.

Portugal

Ai portugal portugal
do que é que tu estas à espera?
Tens um pé numa galera
e outro no fundo do mar!

"O homem venceu o mundo para tombar de joelhos perante as armas que outrora forjou"



- Alfred Kubin, Die Dame auf dem Pferd [A Senhora sobre o cavalo], 1900-1901.

"Pergunta - À fatalidade dos primeiros tempos substitui-se uma nova fatalidade?

Resposta - A obra do homem é a sua fatalidade, o homem venceu o mundo para tombar de joelhos perante as armas que outrora forjou. Admirai a sua cegueira e deplorai a sua constância. Ah, como ele é ingrato, ligeiro, pérfido e razoável! Obriga-se a servir, as suas penas e vigílias aliviam-no e quanto mais é infeliz mais se estima.

Pergunta - O Estado, obra do homem, não pende sobre o seu autor? Não suplicia o autor e não o obriga a uma servidão sem exemplo?

Resposta - O homem tem demasiada necessidade do Estado para que o Estado não abuse da sua vantagem e de instrumento não se erija em dominador. Sem o Estado, o homem cessa de ser um homem, o homem criado entre os animais deles em nada se distingue, mas o homem que o Estado deprava é mais atroz que as próprias feras, toca o fundo do horror e perguntamo-nos então se não será necessário conferir a preferência aos brutos"

- Albert Caraco, Huit Essais sur le Mal, Lausanne, L'Âge d'Homme, 1963, pp.25-26.

APELO PÚBLICO DO MIL




Uma vez mais, o MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO apela à solidariedade lusófona para com Timor-Leste. Desta vez, dirigimo-nos em particular aos nossos irmãos lusófonos brasileiros.

Pedimos, em concreto, livros de literatura infantil. Deverão estes ser remetidos para o seguinte endereço:
HCGN 706 Bloco R ap. 302
Asa Norte, Brasília Distrito Federal
CEP: 70.740-718
(ao cuidado de Lúcia Helena Alves de Sá)

Depois, numa cerimónia pública, a realizar-se no Instituto Histórico e Geográfico de Brasília, os livros serão entregues ao Embaixador Domingos de Sousa, de Timor-Leste (data a anunciar).

MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
www.movimentolusofono.org

--
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org)
(facebook:
http://www.facebook.com/group.php?gid=2391543356)

O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de um milhar de adesões, de todos os países da CPLP.

Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail:
adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.

MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:
António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:
Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).

Hoje, em Sesimbra: "Encontro com Pascoaes"

.
A apresentação do quarto número da revista Nova Águia, subordinado ao tema "Pascoaes, Portugal e a Europa", dá o mote ao colóquio "Encontro com Pascoaes", que hoje, pelas 15h00, irá ter lugar na Biblioteca Municipal de Sesimbra.

O evento conta com a presença de António Carlos Carvalho, António Telmo, Luís Paixão, Pedro Martins, Renato Epifânio e Rodrigo Sobral Cunha.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

As pupilas do senhor leitor



Ler torna-se quase um acto espontâneo para o letrado, de imediato as letras se tornam palavras, os signos passam a símbolos e desenham na alma do leitor um mapa semântico de abissal subjectividade. O que eu leio nunca é exactamente o que o outro lê. Estas fracturas no chão textual do entendimento são tanto maiores quanto mais complexa é a polissemia. Um texto religioso aumenta essa divergência; uma notícia do jornal «A Bola», se a gera, é por motivos bem mais prosaicos; numa obra científica, se há controvérsia, não é acerca do seu lógica e necessariamente claro conteúdo. A controvérsia tem mais do que um sustento. Raramente se prende com a verdade. O pergaminho do mundo não é monopólio dos sábios.
O texto é sempre um acto de fala que procura um interlocutor universal, em última instância: Deus. Ao outrar-se à transcendência exerce a sua tirania. É esta ambição da escrita em rivalizar com o eterno, perpetuando-se para além do efémero da palavra dita, da mortalidade da conversa, querendo erguer-se a primado legislativo das civilizações, que nos leva facilmente a desconfiar dos paradoxos, paixões e estratagemas do autor. Não é que a humanidade não aceite um Deus que minta em nome de paixões ou a aflija cruelmente com a verdade, a razão é essa, que somente o aceita de Deus e não de um simulacro com pés de barro.

12º trabalho de Hércules



Trazer o cão Cérbero à superfície, que tinha três cabeças, pescoço de serpente e cauda de dragão. Provação em que o herói venceu Hades, seu tio e deus dos mortos, se tornando imortal.

Aprendizagem do Nada 2

A alcoviteirice das caixas é um ralo sem fundo. A polémica é feita na ágora, à luz e ao vento. Se abanarem um alcoviteiro pelo nariz cai-lhe o que guardava nos bolsos. O homem honesto não se esconde em buracos.

Texto que nos chegou...

.
MUITO BARULHO POR NADA OU A BÍBLIA SEGUNDO SARAMAGO

Cristóvão de Aguiar

Em continuação do santo Evangelho segundo José Saramago, é bom não esquecer que o tema do pecado de Caim, o primeiro assassino da humanidade, a tomar como verídicas as palavras do Génesis, não foi uma novidade trazida pelo nosso Nobel à Literatura. Já antes dele, Byron, Baudelaire, Victor Hugo e Tournier trataram do assunto com outra elevação, adiante-se já a bem da verdade. O que irrita em Saramago, neste seu último romance, é a leviandade, a pobreza de ideias e a falta de argúcia interpretativa com que analisa os textos bíblicos, não raro lançando mão de uma linguagem escabrosa, que pouco dignifica quem a utiliza.

Exemplifique-se: “O lógico, o natural, o simplesmente humano, seria que abraão tivesse mandado o senhor à merda, mas não foi assim...”; ou, na mesma página: “Quer dizer, além de tão filho da puta como o senhor, abraão era um refinado mentiroso...”; mais adiante, na página 106, escreve o Nobel: “Lúcifer sabia o que fazia quando se rebelou contra deus, há quem diga que o fez por inveja e não é certo, o que ele conhecia era a maligna natureza do sujeito”... Linguinha de prata, como se diz na Ilha! Saramago já veio pedir desculpa por ter chamado filho da puta ao senhor. Mas, como bom teólogo que está provando ser, logo acrescentou: “Ele não é filho da puta, porque não pai nem mãe!”

Nada disto me choca no sentido religioso, mas convenhamos que o vazio de ideias e a escrita paupérrima, esses sim, escandalizam quem quer que seja, crente, ateu ou agnóstico, sobretudo quem ama a boa escrita e detesta mentes distorcidas!

Saramago analisa o texto bíblico ao pé da letra. Atente-se nesta invectiva do Nobel a um teólogo, numa entrevista televisiva:

“Que autoridade têm os senhores para pôr na Bíblia o que lá não está escrito?” Que me desculpe o escritor, mas parece que a sua interpretação bíblica pede meças à das Testemunhas de Jeová e à dos Adventistas do Sétimo Dia, que esperam Cristo desde 22 de Outubro de 1844, pelas contas feitas, e bem feitas, pelo seu fundador, William Miller, antes pertencente à igreja Baptista e depois fundador do Adventismo por ter interpretado a Bíblia de modo diferente do dos baptistas. Nas suas contas baseou-se nas profecias de Daniel. Está escrito! E o que está escrito é a palavra de Deus... e a ela não se pode mudar um til! Deu no que deu: em 22 de Outubro de 1844, toda a gente, de olho no céu, à espera e Jesus não desceu... Grande foi a desilusão: ficou para a história como o Dia do Grande Desapontamento. Houve debandada quase geral dos fiéis. Sentiram-se defraudados: foram enfileirar-se noutros credos, fundando outros... Mas, e há sempre uma interpretação à letra que nos pode sair ao caminho: Os poucos que restaram fiéis à igreja, agora dirigida por Helen White, a profetisa pelos adventistas, escreveu: Cristo realmente principiou a viagem, mas ficou a meio, em quarentena, num lugar entre o céu e a terra, esperando por melhor ocasião para aterrar no nosso planeta...

Não abona muito em favor de um romancista da envergadura de Saramago ser tão estrito na interpretação de um livro polissémico. E tanto assim é que há centenas e centenas de igrejas cristãs, todas elas baseadas no mesmo livro, a Bíblia, cujos textos, pelo visto, podem ser interpretados de milhentas de maneiras, ao gosto da imaginação de cada qual. Cada uma religião cristã de per si (e todos os dias nasce uma nova agremiação) são, segundo os seus pastores e teólogos, as únicas verdadeiras, as que melhor interpretam a palavra inspirada de Deus... Vamos agora fazer um exercício com dois romances de José Saramago: Jangada de Pedra e No Ano da Morte de Ricardo Reis. Se os interpretarmos como Saramago o faz em relação à Bíblia, temos que, na Jangada de Pedra, a Península Ibérica se dessarreiga do resto da Europa e vai pelos mares afora em forma de jangada... Assim está escrito, assim se deve interpretar, caso contrário ainda podemos ter Saramago de dedo em riste a ameaçar: “Com que autoridade pões nos meus livros o que lá não está?” O mesmo em relação ao outro romance, em que o seu autor traz Ricardo Reis (heterónimo de Pessoa) do Brasil, onde se encontrava homiziado, para Lisboa, via marítima, ressuscita-o, fá-lo viver na capital durante algum tempo, morrendo-o mais tarde e enterrando-o no cemitério do Alto de São João. Quem poderá acreditar nisso, se tomado à letra? Duas ricas metáforas serão, que como tal devem ser interpretadas, mas Saramago não consente... A avaliar pela sua exegese bíblica, tem a razão do seu lado, como sempre... Até quando discursou, em Lisboa, nas comemorações do 25.º aniversário da Revolução de Abril: Se não tivesse havido revolução, o país estava como está!

Só de um Nobel, na altura ainda a cheirar a novo, poderia sair tal pesporrência. Pôs aquele ovo na sessão comemorativa e logo abandonou a sala, para ir dizer missa em outra freguesia, que a ocasião era de discursatas... Ninguém objectou. Temor reverencial!

Nada há de novo debaixo da rosa do Sol! Nem tão-pouco o tema de Jesus Cristo, que Saramago, no seu Evangelho, apesar de páginas sublimes, não consegue desmistificar o emaranhado que se teceu à volta da figura de Jesus e seus discípulos, sendo por vezes mais fácil acreditar no Novo Testamento do que na versão saramaguiana (coteje-se os dois textos sobre o milagre das Bodas de Caná, o da Bíblia e o do Evangelho), e ficar-se-á elucidado. Essa tarefa desmistificadora coube, porém, entre outros, a Renan, em A Vida de Jesus), a Gèrard Messadié, em Um Homem que se tornou Deus, que o autor transformou em romance (edição esgotadíssima da Difusão Cultural, que esteve ao lado do Evangelho, nas livrarias, et pour cause). Trata-se de um estudo profundo sobre o primeiro século da nossa era, em que o autor é especialista. Lido, como foi o caso, na altura em que saiu, seis meses antes de o Evangelho, de Saramago, fez com que este me tivesse sido uma desilusão, tanto pela celeuma que levantou por causa do então secretário da cultura, que fez o jeito de o proibir de concorrer a um concurso internacional, como pelo consequente exílio dourado de Saramago, em Lanzarote, embezerrado com a pátria e os seus governantes.... Outros dois livros de uma teóloga alemã, Uta Ranke-Heinemann, professora de teologia católica na Universidade de Essen: Eunuchs for the Kingdom of Heaven (Eunucos para o Reino dos Céus) e, sobretudo, Putting Away Childish Things (Deixando de Criancices, tradução livre, minha) ed. HarperSanFrancisco, 1992, que lhe valeu a irradiação da cadeira de Teologia, passando a leccionar História das Religiões. Os assuntos doutrinais-chave de que trata e se desmistifica neste livro são: The divinity of Christ; the Virgin Birth; the empty tomb (o sepulcro vazio), e muitos outros, que a autora considera distorcerem a mensagem do Jesus autêntico e genuíno...

De resto, tem sido o PSD um grande adjuvante na promoção da obra saramaguiana: no século passado, foi o secretário da cultura; neste, o inefável deputado europeu... A juntar às declarações explosivas de Saramago, em Penafiel, que tanta balbúrdia têm causado, fica o ramalhete publicitário bem florido e rematado. Saramago não acredita, mas tem anjos da guarda a zelar pelo êxito comercial de algumas das suas obras mais polémicas... O autor do romance Caim deve ser dos homens mais tementes a Deus do planeta...

Cadernos de Agostinho da Silva (excertos)

.
"Os homens, porém, não desistiam de voar e vários foram os estudos teóricos e as tentativas de prática que se fizeram durante os séculos XVI e XVII. Como era natural, juntavam-se aos que procuravam resolver o problema e se sacrificavam pelas suas ideias os que apenas pretendiam obter dinheiro de maneira fácil; outros ainda eram ho¬nestos, mas deixavam-se arrastar por uma imagi¬nação sem limites; havia gente que prometia voar de tal ponto a tal outro, marcando o dia e a hora, sem ter feito uma experiência e, como não podia deixar de ser falhava completamente; é na história da aviação que se encontram talvez os exemplos mais curiosos desta doença de ima¬ginação que faz tomar como realidades o que não existe; o povo que se juntava para assistir às experiências não era, no entanto, amador de estudos de psicologia e vários precursores da aviação foram maltratados pelas multidões que os não viam desprender-se do solo, conforme fora prometido. De alguns, mesmo, não temos elementos suficientes para saber se fizeram algumas experiências de resul¬tados positivos: parece, no entanto, que reali¬zaram alguns voos um Besnier, dos fins do sé¬culo XVII e um Paschius, também da mesma época. Todos estes voos, se se fizeram, foram voos planados: o aviador munia-se de uma espécie de asas, procurava um lugar elevado, colina ou torre, e lançava-se no espaço; alguns, pelo menos, já sabiam que ainda faltava a força mo¬triz suficiente para que o homem pudesse voar como as aves."

Os primeiros Aviões, Lisboa, Edição do Autor, 1943

Psicologia, Saúde e Doenças

A oralidade é um aspecto fundamental no desenvolvimento humano. Freud desenvolveu uma teoria sobre a organização psicossexual identificando as fases oral, anal, fálica, de latência e genital. A primeira delas, chamada por seu discípulo Karl Abraham de “canibalesca”, tem como base a fantasia de incorporação do outro (protótipo da identificação). Para a psicanalista Melanie Klein, todos temos impulsos destrutivos no começo da vida. A expressão “sádico-oral”, usada por ela, está relacionada ao prazer da sucção, que normalmente é sucedida pelo acto de morder. Se a criança não obtiver gratificação ao sugar, tentará se satisfazer mordendo. O seio (e para ela a imagem da mãe confunde-se com o seio) desperta sentimentos ambíguos: ao mesmo tempo que o ama porque a alimenta e aconchega, também o odeia e inveja porque se afasta e guarda em si todo o leite. Segundo Klein, essas fantasias infantis de destruição e devoração do corpo da mãe são esperadas, mas ao longo do amadurecimento psíquico há oportunidade para elaborá-las, repará-las e sublimá-las (sentimento de culpa).

Adolescentes vegetarianos podem apresentar distúrbios alimentares

Você sabia que pessoas que se dizem vegetarianas, podem apenas sofrer de distúrbios alimentares? Foi o que revelou, recentemente, uma pesquisa realizada na Universidade de Minnesota, EUA, mostrando que o vegetarianismo, declarado por 20% dos jovens norte-americanos, é apenas um problema psicológico.

Durante os estudos, 2.516 jovens com idades entre 15 e 23 anos, tiveram seus hábitos alimentares analisados. Após o acompanhamento, chegou-se a conclusão de que quase um em cada 20 deles, 4,3%, não come carne. Dentre os vegetarianos, dois de cada 10, afirmaram comer verduras e legumes somente para perder peso ou manter o peso atual, sendo que no controle da balança, alguns comem pouco e ainda provocam o vômito. (tirania do super-ego sobre o ego, devido ao sentimento de culpa)

Trazendo para a nossa realidade, no Brasil, também segundo pesquisas, a maioria dos vegetarianos diz ter parado de comer carne por sentir pena dos animais. Aproximadamente 90% desse total são mulheres com menos de 20 anos que, muitas vezes, usam o vegetarianismo para mascarar problemas mais graves.

Essa mistura de "boa" alimentação com debilidade pode ser chamada de ortorexia, porém, ainda não é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OSM).

Para a psicóloga Karolina Pinto, a ortorexia é um possível novo transtorno alimentar e pode ser definida como uma preocupação exagerada com a alimentação saudável. “Ela vem sendo estudada nos últimos tempos e um grupo de pesquisadores, deseja que o problema seja reconhecido oficialmente como transtorno alimentar. Ainda há discussões sobre o tema, já que especialistas defendem não ser um novo distúrbio, mas sim uma variedade da anorexia nervosa, ou até mesmo do espectro obsessivo-compulsivo", explica Karolina Pinto, tutora de psicologia do Portal Educação.

Muitas vezes, a decisão de cortar a carne do prato é tomada sem a opinião de um nutricionista, porque este repreenderia essa atitude. Sendo assim, os jovens têm procurado as informações na internet, o que acaba sendo mais perigoso ainda.


http://www.difundir.com.br/site/c_mostra_release.php?emp=1273&num_release=4531&ori=T




A psicologia utilizada nesta propaganda até pode ser eficaz nas sociedades de supersize. Por exemplo, fiquei surpreendido que possa ser surpresa para o americano médio que "a carne tenha sangue". Mas duvido que por cá, descontando o provincianismo de alguns, conseguisse despertar mais que sorrisos condescendentes.

É certo que a utilização do medo para alterar hábitos de consumo não é novidade. Quando se quer vender antivirais, solta-se uma gripe de aves nos média e o negócio está assegurado. A idéia em transmissão constante é que, para além do nosso sofá, o mundo é um lugar perigoso. Assim, o estilo de vida sedentário, confortável, superalimentado e temente por esta segurança mantém-se receptivo aos pânicos que quisermos engendrar.

A novidade aqui é o uso dessa tática para imposição de um produto (o vegetarianismo) com uma lógica de valores oposta ao sedentarismo. Para o conseguir, foi preciso cuidado onde o medo é aplicado e, sobretudo, balanceá-lo com sentimentos de culpa primários (a proteção das crianças, o conceito de família para os animais, etc.) que não hostilizem o receptor.

Por exemplo, nós sabemos que a gordura de carne e produtos lácteos gordos a mais engordam e aumentam o risco de doenças cardiovasculares. A falta de exercício também. Mas reafirmá-lo seria contraproducente, para além de hostilizar-nos e tornar-nos menos receptivos ao medo. Logo, a mensagem passada é "se não fores vegetariano, ficas gordo e acabas por morrer de enfarte cardíaco". Poder evitar este destino sem sair do sofá é a terra prometida.

Como manipulação brilhante do sentimento de culpa, destaco a razão 4 para ser vegetariano: "porque não deveriamos mentir aos nossos filhos acerca daquilo que comemos". É perfeito: quem mente fica envergonhado; quem não mente descobre-se também mau pai pois é-lhe dito que o normal é esconder esses pormenores traumatizantes. Culpabilizante em dose dupla.

A escolha das imagens também é importante. Como pano de fundo, não se mostra matadouros normais mas uns fragmentos de vídeo descontextualizados e com situações que a lei há muito que já pune. Nada diferente do uso, noutras campanhas, de fotografias de primatas dissecados de há trinta ou quarenta anos atrás.

Claro que nenhum elemento deste spin funciona entre os portugueses, somos demasiado cínicos para cair por tão pouco. Mais difícil ainda seria convencer alguém que em Portugal "peixe também é carne". Aqui, a campanha seria feita pela vergonha, principalmente. Tentando convencer-nos que o modernismo e o progresso são adversos ao arroz de cabidela e que a matança do porco é um acto de bárbaros.

Dorean Paxorales

Massagens para homens de negócios



Massagens para os trabalhadores

«Portugal funciona mal há séculos»

.
Ernâni Lopes

‘A Economia no Futuro de Portugal’, estudo elaborado pela consultora SaeR e editado com o apoio do SOL, lança discussão e traça pistas para o desenvolvimento nacional. Alguns destaques da obra apresentada hoje por Hernâni Lopes

Portugal não é um país do terceiro mundo, mas também não é desenvolvido. É um país semi-desenvolvido. «Um permanente sobrevivente da história». Mas nem tudo está perdido e o futuro ainda pode ser risonho. «Tudo depende dos portugueses», acredita o economista Ernâni Lopes.

A ideia serve de pano de fundo ao estudo A Economia no Futuro de Portugal, que o presidente da consultora SaeR lança, esta sexta-feira, no âmbito de uma conferência em parceria com o SOL.

«Neste estudo fazemos um esforço de sistematização em matéria de leitura dos factos. Não é uma história. É uma leitura, com conhecimento do plano vivencial da realidade e no plano do estudo e da análise, e da proposta de soluções para o futuro», explica o professor.

Sem meias palavras, diz que «temos uma economia que funciona mal há séculos» e salienta que «a nossa industrialização é fraca e insustentada, além de termos um estado despesista e para nada».

Sobretudo nas últimas quatro décadas houve, para o responsável da SaeR, «lacunas de regulação no sistema político, na economia e na sociedade». E as oportunidades de correcção que existiram «não foram aproveitadas, tendo-se perdido activos e vocações, desperdiçado recursos, relevância e poder». Por tudo isto, «o futuro é agora mais incerto e inseguro».

Ainda assim, há luz ao fim do túnel. Ernâni Lopes acredita que o país «pode vir a ter um papel importante e útil, no contexto nacional e internacional, se conseguir articular os quatro pólos fundamentais da sua geopolítica: Portugal, Europa, África e Brasil».

No entanto, Portugal precisa de «uma elite dirigente capaz de produzir e difundir valores, atitudes e padrões dos comportamentos que moldam a sociedade, e que não se limite a fazer política corrente».

Esta é, para o economista, «uma componente fundamental da evolução das economias e das sociedades», sendo que «a economia no futuro de Portugal é a condição de existência do país com autonomia».

http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=152421

O governo cabo-verdiano ratificou o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa...

.
Cidade da Praia, 30 Out (Lusa) - O governo cabo-verdiano ratificou o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com efeitos retroactivos a 01 deste mês, pondo termo a dúvidas quanto à sua aplicabilidade em Cabo Verde.

A decisão foi aprovada quinta-feira na reunião do Conselho de Ministros cabo-verdiano e permite a entrada plena em vigor das novas regras ortográficas no arquipélago.

Inicialmente prevista para Maio deste ano, a ratificação do Protocolo Modificativo foi adiada pelo ministro da Cultura cabo-verdiano, Manuel Veiga, que defendeu, na altura, ser necessário mais tempo para analisar o processo e dar a conhecer as alterações aos cabo-verdianos.

Como escrever textos interessantes

Temos as palavras e temos hífens, experimentem:

Pátr-ia
Por-tu-gal
Comple-tu-de
Ignor-ância
etc...

Aprendizagem do Nada

Puxem o nariz aos mortos e eles ressuscitam. A alma dos inexistentes está no nariz. O futuro do planeta está nos nossos narizes.

#O LIVRO#: UM ESTUDO E UMA HOMENAGEM NO SEU DIA


#O LIVRO#:
“Se em troca de meu amor à leitura me oferecessem as riquezas da Ìndia,ou as coroas de todos os reinos da Europa,eu os recusaria.”
(François de Fénelon)
QUANDO o homem começou a pensar,começou também a escrever.Necessário se fazia registrar seus pensamentos e descobertas.
Os primeiros livros eram feitos de tabuinhas de barro cozido com caracteres gravados, encontrados na Biblioteca de Alexandria,no Egito Antigo.Até chegarmos aos livros impressos e de grandes tiragens,muita areia passou por debaixo dos pés e muita água rolou por debaixo da ponte.
Mas,graças a esse processo mecânico,ficou possível se transmitir fatos,acontecimentos históricos,assinar tratados,registrar descobertas,repassar conhecimento,ou ,simplesmente,diversão.
O livro é uma mercadoria, sim;pode ser comprado,vendido,alugado,trocado,armazenado,difundido.
Porém,é também o maior(e,em alguns séculos atrás,o único)material de difusão de conhecimentos,transmissão de idéias e entretenimento.a palavra escrita venceu o tempo,está vencendo até a tecnologia moderna,pois,um fato curioso vem acontecendo;apesar da Internet e da rapidez da comunicação,hoje,o livro impresso continua imbatível.Quando é lançado um filme,ou séries de TV,o livro ,de onde se originou o tema,passa a ser mais procurado e vendido.
Os escritores são o motor da sociedade e são movidos por ela.
Geralmente escolhem temas e frases, transmitem idéias e conceitos em voga no seu ambiente social,ou seja o que foi mais significativo no momento histórico em que viveram;na verdade,o livro reflete idéias e pensamentos de determinados grupos sociais,permitindo inclusive,o estudo desses grupos no futuro.
Desde Platão até o mais humilde e obscuro escritor de sites,essas pessoas,mudaram de alguma forma,uma pequena(ou grande)coisa na sociedade em que viveram.
Antigamente , o escritor interagia pessoalmente com seu público,composto exclusivamente de letrados(não esquecer a quantidade de analfabetos,da época)e,”primus inter pares”,divulgava as suas idéias e pensamentos “”fazendo o povo pensar”,como queria o poeta.Só uma pequena minoria tinha acesso á cultura.Entre os séculos XVI e XVII a cultura se espalhou,saindo dos conventos para as ruas,atingindo burgueses e comerciantes.
Hoje, o mundo lê muito mais.Ainda é um produto caro apesar dos livros de bolso,mais acessíveis.Na nossa sociedade,o livro ainda é sinônimo de status e cultura,pessoas que querem “crescer” socialmente,entulham a casa de livros comprados” a metro”,só para enfeite e para demonstrar uma erudição que,na realidade,não têm.Mas,o livro é para ser lido.Alguém já disse que,fechado é um amigo que espera,aberto nos leva ao mundo mágico do conhecimento.

"Ver-se a si mesmo como uma coisa estranha, esquecer o que se viu, conservar o olhar"

- Franz Kafka

TARDE INTERCULTURAL " Les Portugaises"

.








http://www.mun-setubal.pt/museutrabalho/


Ostras do Sado – “Rosários” de estórias e memórias

Uma a uma, milhares de cascas de ostras, enfiadas como pérolas em arame, adensam-se nas margens do rio, formando um emaranhado de colares, rosários, onde se aninhavam as novas ostras para fortalecer a casca e, assim, resistir à corrente.

As mulheres (coisas de mulheres, como não poderia deixar de ser …), também lhes chamavam “berços”, embalando na metáfora a ideia de sobrevivência.

A cadeia de operações e actos técnicos, meticulosamente descritos e agilmente ensaiados nos gestos dos homens e mulheres que nas décadas de 50 e 60 trabalharam nas várias concessões de ostras ao longo do Sado, mostram o rigor e a importância deste sector na economia local, que renasceu e ainda hoje conjuga, num pretérito quase perfeito, verbos como: Apanhar, mariscar, destroncar, escolher, pesar, embalar, embarcar.

Estes actos trazem associadas estórias de pessoas e grupos que são verdadeiras pérolas dos patrimónios de Setúbal e do Rio. O filme "Les Portugaises" de Rui Filipe Torres, em antestreia no museu, lança a rede a esta temática, fazendo a ponte entre o passado e o presente da cultura das ostras em Setúbal, advertindo que "há ideias de progresso que não têm futuro", centrando a questão no problema ambiental e nas escolhas que perigaram e perigam o frágil equilíbrio do estuário.

Centro de memórias – enredando “estórias”

Voluntários pelo património, enquadrados por museólogos e cientistas na área do ambiente (caso de Antunes Dias ilustre biólogo, ex-director das reservas do estuário do Sado e do Tejo), têm vindo a disponibilizar parte do seu tempo e muito do seu saber (e sentir) para construir uma rede de recolha e tratamento de testemunhos que constituem hoje, um verdadeiro rosário de memórias sobre os patrimónios do rio.

Tal como na pesca, esta malha feita de pessoas, saberes e “sentires” é complexa, tem o seu preceito, as suas cadências. É um processo moroso mas revela-se de uma importância vital para a sobrevivência da comunidade enquanto viveiro de culturas e locus de inovação. Ao contar e, sobretudo, ao recontarmo-nos atrasamos a morte, re(cria)mo-nos. Estas redes de conversas que o museu lança ao rio das memórias são a forma que encontrámos de resistir às fortes correntes do esquecimento; são a nossa armadilha contra a morte anunciada de um riquíssimo património material e imaterial que tende a ser engolido por “ideias de progresso que não têm futuro”

As histórias de vida recolhidas por voluntários e informantes, entroncam umas nas outras e vão dando corpo ao centro de memórias que constitui hoje um recurso fundamental para o estudo das identidades socioprofissionais ligadas ao trabalho dos marítimos e das conserveiras de Setúbal.

Mas estes trabalhos de Sísifo, precisam de mais pessoas e de muita paciência. É um trabalho de dedicação e paciência que vai entrelaçando “estórias” e trazendo à tona os objectos que as suportam como signos de uma fortíssima cultura de mar. No próximo ano temos em mente realizar, em parceria com o IELT, Universidade Nova de Lisboa, um colóquio designado “Falas do Rio”, reedição de outros que se têm realizado em vilas e cidades costeiras, como é o caso de Ílhavo, mas até lá temos muito que trabalhar e precisamos da sua indispensável participação. Junte-se a nós, temos encontro marcado no Centro de Memórias.

Isabel Victor e Maria Miguel Cardoso

Museu do trabalho Michel Giacometti e Arquivo Fotográfico Américo Ribeiro

Divisão de Museus da Câmara Municipal


7 de Novembro, lançamento de mais um título da Colecção NOVA ÁGUIA...

(para ler, clicar sobre a imagem)

Do Pastorício



I

Queria do neofascismo de Evola, que fosse ruína, e do seu tradicionalismo (do seu, em particular, não de todo), e depois, que tudo o que importasse fosse “estar de pé entre as ruínas”. Também Evola imaginou a civiltà solare, que devolveria a Tradição. Por isso foi sempre um pau de dois gumes (por motivos que penso que escapem às mentes políticas). Na plebe visão, Evola deseja febrilmente salvar o homem de si mesmo (a velha questão do alienígena, embora seja esta igualmente a questão atacada), e a sua má fé no homem e no mundo (moderno) é colossal, do tamanho dos seus cegos soldados. As minhas ruínas são uma Noite, e para a noite (como para se ver a treva) importa o entendimento, é essa a luz. Toda a sabedoria só pode ser mero e acidental (natural) reflexo.


II

Aprendi a olhar para o futuro com a mesma calma com que se olha para a morte. E às vezes imagino um mundo vegetariano, em que a mulher se esqueceu do prazer da carne como se esqueceu do prazer de subir às árvores, e depois de esquecer o prazer de comer carne passou a achar a cópula nojenta e impraticável. Talvez se venha a matar a fome – o problema primordial -, e todos seremos vegetais com um computador ligado às nossas cadeiras de rodas. Mas até morrer, nas datas sagradas, comerei carne crua.

Alfred Kubin

A memória é morte e esquecimento

11 de Novembro


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Empreendimento português em Díli aprovado pelo Governo timorense

.
O Conselho de Ministros de Timor-Leste aprovou o projecto de investimento da empresa portuguesa Ensul Meci - Gestão de Projectos de Engenharia para a construção de um complexo imobiliário em Díli.

O projecto engloba um hotel, edifícios residenciais, escritórios e comércio, num investimento que deverá ultrapassar os 75 milhões de euros e criar um número significativo de postos de trabalho.

O empreendimento vai ser erguido no bairro de Colmera, no centro de Díli, em terreno arrendado ao Estado por 50 anos, estando associado à reabilitação urbana daquela zona da cidade.

O regime de propriedade em Timor-Leste actualmente em vigor é semelhante ao domínio público marítimo português, onde os terrenos das construções correspondem a concessões por períodos longos de tempo, estando em preparação uma nova Lei das Terras.

Na resolução do Conselho de Ministros a aprovação do projecto de investimento português é inserida nas "medidas legislativas que têm vindo a ser aprovadas pelo IV Governo Constitucional, de forma a contribuir para o desenvolvimento económico do País, através do sector privado". A "Lei do Investimento Externo reconhece a necessidade de atrair investidores estrangeiros que possam auxiliar o País no seu desenvolvimento, contribuindo significativamente para o processo económico, nomeadamente através da realização de infra-estruturas (como empreendimentos e acessos, criação de postos de trabalho e oferta de novos serviços)", salienta uma nota do Conselho de Ministros sobre a decisão.

A Ensul Meci, na área das obras de engenharia, obras públicas e construção, desenvolve projectos chave-na-mão, respeitantes a edifícios residenciais e não residenciais e ainda infra-estruturas púbicas e industriais, sendo a construção a actividade de raiz do grupo. No seu portefólio tem um conjunto de obras em Timor-Leste como a Residência Oficial do Presidente da República, o quartel da Polícia Militar, o arsenal do Centro de Treino de Metinaro, e o Hotel Timor.

Fonte: Oje

Imprensa de Moçambique anuncia vitória do partido no poder, a FRELIMO

.
A imprensa de Moçambique informa nesta quinta-feira a vitória do partido do governo, a FRELIMO, e de seu líder, o presidente Armando Guebuza, antes mesmo do anúncio dos resultados preliminares das eleições gerais da véspera.

"Apenas um milagre impediria o da FRELIMO de festejar a vitória", afirma o jornal independente O País. "Guebuza ainda não tem opositor", completa.

O jornal destaca que o Movimento Democrático de Moçambique (MDN), fundado em Março por dissidentes do histórico partido de oposição Resistencia Nacional de Moçambique (RENAMO), ficou em segundo lugar.

"Guebuza lidera, Daviz esmaga Dhlakama", afirma o jornal, em referência a Daviz Simango, líder do MDM, e Afonso Dhlakama, líder da RENAMO.

"O apuramento dos votos começa sem surpresa", informa o jornal estatal Notícias, ao comentar a vitória antecipada da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) do presidente Guebuza.
A FRELIMO, que governa a antiga colónia portuguesa desde a independência em 1975, teve a vida facilitada nas eleições pelas divisões da oposição.

Fonte: http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=24373&catogory=Moçambique

Investimento privado em Angola cresce e 40% é português

.
O investimento privado em Angola até Setembro último foi superior ao realizado em igual período de 2008, com a aprovação de 443 propostas de investimento, anunciou hoje o presidente da Agência de Investimento Privado de Angola.

Aguinaldo Jaime diz que foram aprovados pelo organismo a que preside projectos de investimento no valor global superior a 1,377 mil milhões de dólares (927 milhões de euros), no período de Janeiro até 30 de Setembro, o que representa um aumento face aos pouco mais de mil milhões de dólares atingidos em igual período de 2008.

Quanto à origem geográfica do investimento, 40% do total dos projectos são portugueses, ou seja 179, com uma intenção de investimento a rondar os 209,45 milhões de dólares (141 milhões de euros).

"Os investidores começam a acreditar em Angola como alternativa segura para os seus investimentos", considerou Aguinaldo Jaime que falava num seminário no âmbito da conferência "Portugal Exportador".

Fonte: Diário Digital

Guiné-Bissau: Presidente promete fim da era de guerras e dos distúrbios no país...

.
O Presidente da República Malam Bacai Sanhá disse esta terça-feira que chegou ao fim a era de guerra e distúrbios na Guiné-Bissau.

O chefe do Estado guineense, que falava esta terça-feira em Bissau na tomada de posse do chefe e vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, José Zamora Induta e António Indjai, respectivamente, disse que este acto representa o esforço das instituições da república, com vista a criar um clima de estabilidade e de paz na Guiné-Bissau.

Bacai Sanhá reconheceu que a missão que cabe aos recém-empossados não é fácil, visto assentar na construção de um exército republicano, moderno, disciplinado, obediente e subordinado ao poder político.

A questão da unidade nacional e o fim de divisão no seio da classe castrense são, entre outras, duas preocupações levantadas pelo chefe do Estado guineense, Malam Bacai Sanhá.

«A vossa tarefa não é nada fácil, isto no sentido de unir as Forças Armadas e acabar com a exclusão, porque a vossa missão é defender a integridade territorial, modernizar as nossas Forças Armadas», disse.

Neste sentido, o chefe do Estado assegurou aos empossados que podem contar com seu apoio, enquanto comandante, chefe das Forças Armadas, assim como com o Governo, para que exista verdadeira paz na Guiné-Bissau.

«A paz na Guiné-Bissau depende, em parte, das Forças Armadas», disse Bacai Sanhá, que lançou igualmente um apelo às chefias militares a porem fim à «má fama» que tem.

Na sequência desta cerimónia, José Zamora Induta e Antonio Indjai, foram promovidos para oficiais generais de três e duas estrelas, respectivamente, ou seja, o Capitão de Mar e Guerra José Zamora Induta e General de tres estrelas e o Coronel Antonio Indjai, passa a general de duas estrelas.

Fonte: Jornal Digital

A GRIPE

A GRIPE


talvez os surtos
tenham ciclos
cada vez mais curtos
quem sabe não se limitam
aos passageiros nos Portos
que tomem ou abandonem barcos

ou nos aeroportos

ou a quem mergulhe em charcos
em que se banharam porcos

talvez parcos
os surtos
sejam
cada vez mais curtos
e daí menor
o número de mortos

quem sabe
- Cada livro tem uma cara mas cada cara não tem necessariamente um livro.
- Ó meu, quem vê capa, nao vê miolo!

"Aula"

Há três maneiras de ensinar uma coisa a alguém: dizer-lhe essa coisa, provar-lhe essa coisa, sugerir-lhe essa coisa. O primeiro processo é o processo dogmático; emprega-se legitimamente ao ensinar coisas sabidas e provadas a criaturas incapazes, por infância ou ignorância, de compreender as provas, se se apresentassem. Assim se ensina gramática às crianças ou aos pouco instruídos, sem entrar em explicações, que seriam inúteis e resultariam frustes, sobre os fundamentos lógicos ou filológicos da gramática.
O segundo processo é o processo filosófico; emprega-se legitimamente para transmitir a pessoas com plena formação mental certos ensinamentos, ou cientificamente assentes mas desconhecidos do discípulo, ou puramente teóricos e que portanto ele tem que compreender em seus fundamentos, para os poder criticar.

O terceiro processo é o processo simbólico; emprega-se legitimamente para transmitir a pessoas com plena formação mental ensinamentos que exigem a posse de qualidades mentais superiores ao simples raciocínio, e o símbolo é dado para que essa pessoa, recorrendo ao que nela haja de embrionário dessas qualidades, ao mesmo tempo as desenvolva em si e vá compreendendo, por esse mesmo desenvolvimento, o sentido do símbolo que lhe foi dado.

O primeiro processo dirige-se à memória e chama-se ensino; o segundo à inteligência e chama-se demonstração; o terceiro à intuição. A este terceiro processo chama-se iniciação.

II

Um símbolo é uma coisa exposta em termos de outra coisa, entendendo-se que a segunda (meio de expressão) é por natureza inferior à primeira (coisa expressa).


Fernando Pessoa
Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa, Teresa Rita Lopes, Lisboa: Estampa, 1990, p. 84.

V. MENSAGEM / BRASÃO / O TIMBRE / A CABEÇA DO GRIFO / O INFANTE D. HENRIOUE




Em seu trono entre o brilho das esferas,
Com seu manto de noite e solidão,
Tem aos pés o mar novo e as mortas eras —
O único imperador que tem, deveras,
O globo mundo em sua mão.


Fernando Pessoa

Só conseguiram criar civilizações aqueles...



(Prólogo)
Só conseguiram criar civilizações aqueles elementos «modernos» que
1) criaram um cristianismo nacional;
2) equilibraram, ou combateram, a influência cristã com revivescências do paganismo;
3) aceitando o cristianismo à outrance, aceitaram nele, porém, uma coisa de acordo com o próprio cunho (carácter) nacional —, ainda que, como não era essa fé de origem nacional, nem em todos os seus elementos susceptível de ser uma fé nacional, a decadência entrava depressa com essas nações.

1918?
António Mora (Fernando Pessoa)


Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, textos estabelecidos e prefaciados por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho, Lisboa: Ática, 1996, p. 284.

The King of Gaps

There lived, I know not when, never perhaps -
But the fact is he lived - an unknown king
Whose kingdom was the strange Kingdom of Gaps.
He was lord of what is twist thing and thing,
Of interbeings, of that part of us
That lies between our waking and our sleep,
Between our silence and our speech, between
Us and the consciousness of us; and thus
A strange mute kingdom did that weird king keep
Sequestered from our thought of time and scene.

Those supreme purposes that never reach
The deed - between them and the deed undone
He rules, uncrowned. He is the mistery which
Is between eyes and sight, nor blind nor seeing.
Himself is never ended nor begun,
Above his own void presence empty shelf
All He is but a chasm in his own being,
The lidless box holding not-being's no-pelf.

All think that he is God, except himself.

- Fernando Pessoa, Poesia Inglesa, I, edição e tradução de Luísa Freire, Lisboa, Assírio & Alvim, 2000, p.280.

serpenteemplumada.blogspot.com
arevistaentre.blogspot.com

Texto que nos chegou...

.
DA MEMÓRIA … JOSÉ LANÇA-COELHO

CARLOS QUEIROZ

(28 de OUTUBRO de 1949 – 28 de OUTUBRO de 2009)

60 ANOS APÓS O FALECIMENTO DE UM GRANDE POETA, AMIGO DE FERNANDO PESSOA

De seu nome completo, José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro, nasceu em Lisboa, a 5 de Abril de 1907, tendo falecido com apenas quarenta e dois anos de idade, em Paris, a 28 de Outubro de 1949, vítima de um ataque cardíaco.
Poeta, ensaísta e crítico de arte, integrou-se nos movimentos modernistas.
Em 1925, com dezoito anos, publicou os seus primeiros poemas na revista Contemporânea.
Apesar do seu lirismo e da beleza da forma, a sua poesia era de tendência intelectualista, como se pode constatar nos seus livros, de que o primeiro se intitulou Desaparecidos, reeditado postumamente, considerado uma revelação e que o catapultou para lugar de destaque na poesia portuguesa.
Carlos Queiroz teve por parte da crítica o melhor acolhimento e o Secretariado de Propaganda Nacional concedeu-lhe, em 1935, o Prémio Antero de Quental, prémio este que, no ano anterior, fora dado a Fernando Pessoa pela sua Mensagem.
No ano seguinte, 1936, publicou o inesquecível livro Homenagem a Fernando Pessoa, de quem foi amigo e companheiro de publicação nas revistas literárias da época. Diga-se ainda que a sua irmã, Ofélia Queiroz, foi, por duas vezes, a namorada do poeta dos heterónimos.
Relativamente à relação que Queirós teve com Pessoa, David Mourão-Ferreira ao referir-se à poesia do primeiro, afirmou que ela é: “um privilegiadíssimo elo na cadeia que estabelece a ligação entre os poetas do Orpheu (em particular Fernando Pessoa e, nomeadamente, o Pessoa ortónimo) e algumas das camadas que só na segunda metade do século principiaram a manifestar-se”
Como ensaísta, deixou-nos notáveis estudos literários e trabalhos sobre obras de arte, como são os casos paradigmáticos de Paisagens e Monumentos de Portugal, escrito em colaboração com Reis Santos, Paisagens de Portugal que, além da edição portuguesa, também conheceu a francesa e a inglesa, e organizou a Colecção de Arte Portuguesa Hífen.
Foi também crítico de cinema, com o pseudónimo de Rui Casanova.
O seu último livro, Breve Tratado de Não Versificação, 1948, constituiu uma confirmação do seu grande mérito para a poesia.
Grande parte da sua obra ficou dispersa por jornais e revistas literárias. Na verdade, foi colaborador assíduo de notáveis revistas como, a coimbrã Presença, fundada por José Régio, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca, a Instituto (também de Coimbra), a Variante, a Sudoeste, de Almada Negreiros, e, a Seara Nova, onde publicou um poema dedicado ao escritor e ex-Presidente da República, Manuel Teixeira-Gomes; e director das revistas Litoral (1944/45) e Panorama (esta última editada pelo Secretariado Nacional de Informação, SNI).
Relativamente à Presença, deixou de colaborar nesta revista, quando tomou o partido de Vitorino Nemésio, a que se juntaram Miguel Torga e Paulo Quintela, numa polémica em que os ‘presencistas’ saíram em bloco.
Carlos Queiroz foi, durante muitos anos, funcionário da Emissora Nacional, estação radiofónica onde organizou programas, principalmente consagrados à poesia, à literatura, ao teatro, e à propaganda turística, como a rubrica Conheça a sua Terra.
Opositor à ditadura de Salazar, chegou a ter escondido na sua casa, o antifascista Celestino Soares, que andava fugido à PIDE.
Postumamente, foi publicada a obra Epístola aos Vindouros e Outros Poemas (1990) com um Prefácio do professor e escritor David Mourão- -Ferreira.
Além de escritor, Carlos Queiroz era também um grande leitor, como provam os seus livros todos anotados, sobre os mais diversos assuntos: filosofia, antroposofia e poesia portuguesa, de que preparava uma antologia.
Da sua obra poética, aqui ficam alguns poemas:

DESAPARECIDO

Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar’ceu…»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar’ceu…»
Eu, o feliz desapar’cido!

In Desaparecido

PROFECIA

Poetas: esperemos com paciência!
Que a Humanidade, um dia, (quase morta,
À míngua d’alma, a Civilização),
Vergada ao peso inglório da ciência,
Há-de vir mendigar à nossa porta
A esmola duma canção!

In Desaparecido

CARTA PARA CIMA

Senhores governantes:
Eu queria saber
Se me deixam ver
- Como via dantes –

Na vida a luzir
Tanta coisa linda.
E, também, se ainda
Poderei sorrir.

E se eu encontrar
Meus velhos amores,
Senhores ditadores
Poderei amar?

Se for proibido,
Então, paciência!
- Faço a continência.
Ponho-me em sentido.

Mas que mal faria?!
(Ah! outra pergunta):
Se não está defunta,
Ainda, a poesia.

E me visitar
- Como vinha dantes –
Senhores governantes:
Poderei cantar?

In Epístola aos Vindouros e Outros Poemas


O AMIGO

(A Fernando Pessoa)

Era bom encontrar o amigo
No Café, onde estava a olhar
Com um gesto elegante e ambíguo
Para o fumo a sumir-se no ar.

A poesia era o tema dilecto
Da conversa que o tempo engolia.
O real, o preciso, o concreto
Nem sabiam que a gente existia.

Nada era por nós maculado,
Nem um só sentimento era fosco:
Porque havia outra luz, outro lado,
E o mistério morava connosco.

Tudo isto foi antes de Orfeu
Ter levado o encanto consigo.
Esse amigo está vivo - e morreu.

(E de mim, que dirá esse amigo?)

in Epístola aos Vindouros

Próxima terça, na Corunha...

.
O vindouro dia 3 de Novembro, terça-feira (martes), Miguel Barros Puente intervirá dentro do ciclo, Economia, História, e Realidade Social. A sua palestra versará sobre a figura de Ramón Piñeiro e intitula-se: Umha leitura revisionista do Nacionalismo.
Miguel Barros é professor de educaçom primaria e licenciado em ciéncias políticas. Actualmente é Presidente de Promoçons Culturais Galegas, empresa editora do semanário “A nosa Terra”, e membro do conselho de administraçom do “Xornal de Galícia”. Foi um dos fundadores do Movimento de Mestres de Ponte-Vedra, que espertou a mobilizaçom social do magistério nos anos finais do franquismo. Exerceu como. Foi militante do PSOE até 2006, e um dos líderes do sector galeguista do PSdeG, assim mesmo foi deputado no Parlamento de Galiza(1981-1993), também foi concelheiro na cidade de Vigo. A sua obra “Ramón Piñeiro e a revisión do nacionalismo” é o estudo mais complexo na procura dum retrato ideológico de Ramón Piñeiro e da compreesom da sua acçom política.
Dia: 03 de Novembro do 2009 - Hora: 8 do serám
Local: Fundaçom Caixa Galiza
Cantom Grande – A Corunha

Esta sexta, no Porto...

.
“HISTÓRIA LITERÁRIA DO PORTO
através das suas publicações periódicas”
Em lançamento no Ateneu
Dia 30 Out. – 18.00 horas

“HISTÓRIA LITERÁRIA DO PORTO através das suas publicações periódicas”, da autoria de Alfredo Ribeiro dos Santos e editado pela “Afrontamento”, é o título que estará em lançamento no próximo dia 30 de Outubro, a partir das 18.00 horas, no nosso Salão Nobre do Ateneu. A entrada é livre.

Alfredo Ribeiro dos Santos nasceu no Porto, em 1917 e é sócio do Ateneu Comercial do Porto desde 1945. Conviveu desde muito novo com vultos da cultura portuguesa que muito o influenciaram, como Leonardo Coimbra, Agostinho da Silva, Sant’Anna Dionísio, Abel Salazar, Jaime Cortesão, Veiga Pires e José Augusto Seabra. Formou-se em Medicina em 1943, tendo sido um dos pioneiros da moderna anestesiologia.

De entre uma vasta obra publicada salienta-se: A Renascença Portuguesa – Um Movimento Cultural Portuense (1990); A Tertúlia de José Praça no Ateneu Comercial do Porto (1991); Jaime Cortesão, Um dos Grandes de Portugal (1993); Perfil de Leonardo Coimbra (1998; 1º Prémio Abel Salazar 1999 na categoria de ensaio).
Em 1996 foi agraciado pelo Presidente da República Mário Soares com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante.

18 de Novembro, 18h30, na AAS: ai de quem faltar...


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

As aves voam no ar...

Os vermes afundam-se na terra

Difícil psicanálise...

"O Homem da Tarja Preta", Teatro Leblon, Brasil, psicanalista Contardo Calligaris

CITAÇÃO




"Em tempos, a Quercus levou a RTP2 a emitir, consecutivamente em triplicado, um spot publicitário que mostrava um macaco a enforcar-se, um urso a saltar para um abismo e um canguru a suicidar-se debaixo de um comboio.

Segundo aquela organização, o macaco, o urso e o canguru estariam desesperados com o aquecimento global."


Fonte: http://mitos-climaticos.blogspot.com/2009/10/suicidios-da-quercus-padre-nosso-da.html

A estupidez de certos posts é um motivo superior de riso, além da auto-refutação mais cabal das suas "razões"

AS MAIS BELAS CIDADES DO MUN DO:LISBOA


AS MAIS BELAS CIDADES DO MUNDO: LISBOA
“Ó terras de Portugal
Ó terras onde eu nasci
Por muito que goste delas
Inda gosto mais de ti.”
(Fernando Pessoa)

A capital de Portugal, famosa por seus belíssimos monumentos,conta com 489.562 habitantes e concentra 27% da população do pais.
A cidade está situada à margem direita do Tejo,que forma um vasto estuário e um porto admirável.
Uma das mais importantes capitais da Europa,Lisboa possui muitos monumentos magníficos como os Jerônimos, cujo claustro é considerado um dos mais belos do mundo,herança do período colonial,quando Portugal dominava grande parte do planeta.
Lisboa foi habitada pelos iberos, possivelmente por fenícios e certamente pelos celtas,que através de casamentos inter-raciais acabaram ocupando a região e construindo uma cidade originalmente chamada”Allis Ubbo”,ou porto seguro pelos fenícios ou,segundo outras fontes,seu nome vem de Lisso ou Lucio,que era como os romanos chamavam o Tejo.
Uma lenda afirma que Lisboa foi fundada por Ulisses,por isso os gregos a chamavam “Olissipo”.
Essa cidade,”cheia de encanto e beleza”,é muito rica em monumentos históricos como o Castelo de São Jorge,a Torre de Belém,o Monumento ao Descobrimento,palácios magníficos e cheios de História,estátuas,conventos ,monastérios, museus,aprazíveis jardins,belas avenidas e pontes como a Vasco da Gama e a 25 de Abril.
Os bairros são uma atração à parte: Alfama, Bairro Alto,o Chiado, a Sé, a Baixa ,que se pode conhecer tomando o autocar,o famoso bondinho dourado e lindo,que nos apresenta à Velha Lisboa,cuja beleza antiga nos enche de respeito e contrição.
De repente, o Tejo desponta,com seu cheiro peculiar e o gosto de saudade,aquele rio memorável de onde partia as naus a conquistar o mundo.
Ainda Pessoa:
“O Tejo tem grandes navios
E navega neles ainda,
Para aqueles que vêm em tudo o que lá não está,
A memória das naus.”
Voltarei a falar de Lisboa guiado pelo meu amor por ela: a gastronomia, o fado,os arredores,Cascais,Sintra,onde se comem as deliciosas queijadinhas que Eça tanto amava,Mafra,com seu convento majestoso...
São tantas as atrações,que eu precisaria de um alfarrábio para cantar todas elas.
Paro para respirar e vou ao Largo do Chiado sentar ao pé de Fernando Pessoa e oferecer-lhe um cigarro.E ele me diz:
-Deus quer,o homem sonha,a obra nasce”...
Estará aí o segredo da Literatura?

CITAÇÃO




O império do lixo



O império das ideias é uma velha ideia de intelectuais e filósofos, convicção optimista de que o pensamento regula os processos do mundo e o ordena. Após o concerto metafísico, contudo, coloca-se um tremendo problema de ordem prática. Toda a metafísica teria sido uma charada culta num clube privado de senhores ilustres, não tivessem os filósofos gregos deixado uma herança de fundo comprometimento moral e político: mais do que explicar a natureza e o mundo, sonharam com uma sociedade fundada em leis racionais e tentaram salvar do declínio a civilização de que foram contemporâneos... pequenas cidades-estado, cujo mecanismo de gestão colocaríamos hoje em paralelo com o de uma qualquer câmara municipal.
A democracia serviu bem Atenas, mas tornou-se uma mera utopia referencial (que, quanto muito, mediaria as relações de civilidade entre homens livres) para a Roma expansionista, a caminho de se tornar o império mais importante da história da humanidade. Não basta as ideias serem razoáveis, ou mesmo verdadeiras, quando se passa à sua aplicação prática, é necessário que funcionem.
Um dos maiores mistérios políticos do pós II Grande Guerra é o da durabilidade da democracia. Esta aparente estabilidade de um regime tem sido possível mantendo a crença de que a democracia está realizada se ocorrem eleições, se o cidadão vive na fé de que o Estado lhe concede liberdade e se pode regatear vencimentos. Esta farsa é orquestrada pela manipulação dos media, não a partir de uma directiva porém num dilúvio de informação inútil, em que a propaganda paga a peso de ouro opera num darwinismo social em tudo eugénico, cujo macabro faz sombra a um bom conto de horror. A miragem da «república perfeita», da «Atenas ideal», é de consumo interno. O império foi transferido para um modelo económico expansionista, não só supra nacional mas inimigo dos Estados, que arromba todas as fronteiras, devassa todas as Línguas, deturpa as culturas étnicas e ergue um novo conceito de «cidadão do mundo»: uma espécie de patrício romano vestido à proletário rico, que trocou o Latim e o Grego por mau Inglês, é todos os povos e nenhum e tem por pátria os detritos de linguagem de uma apocalíptica lavagem global, que tudo iguala: homens, bichos, pessegueiros, estrelas e calhaus. O império do lixo.

"Mas o que eu trago em mim é o anúncio do fim do mundo, ou mais longe, e decerto, o da sua recriação"

"Um homem novo recria-se-me na transparência do seu ser. Sinto-o leve e lúcido, instantâneo e incandescente, por entre as cinzas que o fogo deixou. Frente à noite que submergiu os homens e as coisas, frente à anulação da vida transaccionável e plausível, na recuperação deste início do mundo, o homem primordial que em mim sobe tem a face atónita de uma primeira interrogação.
[...]

A invenção de um novo mundo não é uma invenção de ninguém. Não está na nossa mão criá-lo; está só, quando muito, ajudar ao seu parto. E todavia - sabemo-lo bem - é em nós que ele se gera; mas tão longe donde estamos, que só já quando irrevogável o sabemos. Um mundo acontece na escolha indeterminável de nós. Assim pois, testemunhas apenas à superfície desse acto de criação, instrumentos que se ignoram para a grande obra invisível, anterior à obra visível, nós cumprimos sempre as ordens que ninguém deu e não as pudemos pois discutir. [...]

[...] Frente ao grande sono dos homens que o esqueceram, na atenção inexorável ao sem limite de mim, a minha vigília arde como um fogo assassino. É um fogo alto e poderoso. Lume breve na minha intimidade, na brevidade de um pequeno ser, eu, anónimo e avulso, ocasional e frágil - eu. E todavia, esse lume vibra de vigor, brilha único e intenso contra o assalto da noite. Trago em mim a força monstruosa de interrogar, mais força que a força de uma pergunta. Porque a pergunta é uma interrogação segunda ou acidental e a resposta a espera para que a vida continue. Mas o que eu trago em mim é o anúncio do fim do mundo, ou mais longe, e decerto, o da sua recriação"

- Vergílio Ferreira, Invocação ao Meu Corpo, Lisboa, Bertrand, 1994, 3ª edição, pp.13-15.

arevistaentre.blogspot.com
serpenteemplumada.blogspot.com

À Procura de Atlântida

MAPA

The City of the Sun, Tommaso Campanella


MÁtria


Vivien, Gustave Doré


Vem, Noite antiquíssima e idêntica,
Noite Rainha nascida destronada,
Noite igual por dentro ao silêncio, Noite
Com as estrelas lentejoulas rápidas
No teu vestido franjado de Infinito.

Vem, vagamente,
Vem, levemente,
Vem sozinha, solene, com as mãos caídas
Ao teu lado, vem
E traz os montes longínquos para o pé das árvores próximas,
Funde num campo teu todos os campos que vejo,
Faze da montanha um bloco só do teu corpo,
Apaga-lhe todas as diferenças que de longe vejo,
Todas as estradas que a sobem,
Todas as várias árvores que a fazem verde-escuro ao longe.
Todas as casas brancas e com fumo entre as árvores,
E deixa só uma luz e outra luz e mais outra,
Na distância imprecisa e vagamente perturbadora,
Na distância subitamente impossível de percorrer.

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter conosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos.
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.

Vem soleníssima,
Soleníssima e cheia
De uma oculta vontade de soluçar,
Talvez porque a alma é grande e a vida pequena,
E todos os gestos não saem do nosso corpo
E só alcançamos onde o nosso braço chega,
E só vemos até onde chega o nosso olhar.

Álvaro de Campos


PÁtria


Road to Jerusalem, Gustave Doré


Ele escreveu palavras no céu e elas caíram com Ele.

Este Sábado, em Sesimbra: "Encontro com Pascoaes"

.
A apresentação do quarto número da revista Nova Águia, subordinado ao tema "Pascoaes, Portugal e a Europa", dá o mote ao colóquio "Encontro com Pascoaes", que no próximo sábado, dia 31, pelas 15h00, irá ter lugar na Biblioteca Municipal de Sesimbra.

O evento conta com a presença de António Carlos Carvalho, António Telmo, Luís Paixão, Pedro Martins, Renato Epifânio e Rodrigo Sobral Cunha.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Extracto da Comunicação para o Colóquio sobre a Seara Nova (FLUL, 28-30 de Outubro)

.
Entre os movimentos da Renascença Portuguesa e da Seara Nova - da Lusitanidade à Lusofonia: o caso de Agostinho da Silva.

Dentre as cisões que animaram a nossa história cultural, a cisão Renascença Portuguesa-Seara Nova é, decerto, uma das mais fracturantes, senão mesmo a mais fracturante.
Perante ela, parece fácil tomar posição. Tanto mais porque, historicamente, foi a Seara Nova que parece ter vencido, pelo menos nesse plano retórico onde muitas vezes, senão sempre, se joga o destino das histórias culturais.
Segundo essa mesma retórica, temos, de um lado – da Renascença Portuguesa –, um movimento saudosista, logo passadista, logo reaccionário, que, alegadamente, pretendia enclausurar Portugal em si próprio[2]; do outro lado – da Seara Nova –, temos um movimento progressista, modernizador, que, ao invés, pretendia abrir Portugal à Europa, a todo o mundo…
Como quase todas as visões caricaturais, também esta é tão substancialmente falsa quanto acidentalmente verdadeira. É verdade que a Renascença Portuguesa – na perspectiva de Pascoaes, em particular – sobrepunha, como veremos, os paradigmas endógenos aos exógenos. Isso não faz dele, contudo, a priori, menos progressista.
O que aqui há são diversas concepções de progresso, e mesmo de modernidade. Se, para Teixeira de Pascoaes, “o fim da Renascença Lusitana é combater as influências contrárias ao nosso carácter étnico, inimigas da nossa autonomia espiritual e provocar, por todos os meios de que se serve a inteligência humana, o aparecimento de novas forças morais orientadoras e educadoras do povo, que sejam essencialmente lusitanas”[3], para Raul Proença, por exemplo, o paradigma é de facto outro. Ouçamos, para o atestar estas suas palavras:
“O nosso espírito, a nossa maneira de encarar os problemas, o nosso modo de os resolver, as ideias fundamentais que formamos da vida e do mundo, tudo isso que é o que importa numa sociedade, porque é o que nela há de garantias para uma sociedade melhor, são coisas anacrónicas, sem relação nenhuma com o meio europeu em que nos integramos fisicamente. É como se fossemos uma pústula no meio da Europa, onde circula ininterruptamente sangue sempre novo e sempre vivificante. Como estremunhados pensamos ideias que não são para o nosso tempo, continuamos num sonho distante, estranhos à actividade, estranhos ao pensamento moderno”[4].

De facto, estamos aqui perante dois paradigmas: de um lado, pugnava-se por um progresso a partir de dentro, que fosse fiel à nossa alegada singularidade histórico-cultural; do outro, pugnava-se por uma adequação de Portugal ao que aparentava ser o exemplo máximo de modernidade: a Europa.
Esta divergência – de ordem cultural, filosófica e até ideológica – foi, de resto, assumida, de uma forma tanto mais nobre porquanto não envolveu qualquer desqualificação ético-moral da “outra parte”.
Foi esse, por exemplo, o caso de Raul Proença, que se referiu aos seus “oponentes” do movimento da Renascença Portuguesa como “criaturas de alto valor, de nobre senso moral, credoras da nossa admiração e do nosso respeito”[5]. O que é de enaltecer, pois que, entre nós, o mais habitual é as divergências de ordem cultural, filosófica e até ideológica redundarem em desqualificações ético-morais…
Neste caso, isso não aconteceu, até porque a divergência era de facto clara: entre, por exemplo, alguém como António Sérgio, que “não se pensava sob a categoria do nacional”[6], e alguém como Teixeira de Pascoaes, que pensou a Pátria como “um ser vivo superior aos indivíduos que o constituem, marcando, além e acima deles, uma nova Individualidade”[7], era claramente difícil, senão impossível, haver um caminho comum…
*
Não obstante, houve casos que ultrapassaram essa fronteira aparentemente intransponível: prova de que os percursos pessoais são sempre irredutíveis a todos os rótulos, a todas as etiquetas…
Exemplo máximo disso foi, a nosso ver, o caso de Agostinho da Silva. Não tendo sido propriamente um “renascente” – até por questões de ordem etária: Agostinho da Silva nasceu em 1906, apenas 6 anos antes da criação do movimento da Renascença Portuguesa – alguns textos de juventude aproximam-se, bastante, do ideário da Renascença.
Atentemos, por exemplo, no seguinte texto:
AS RESPONSABILIDADES DE EÇA DE QUEIROZ[8]
(...)
Comparemo-lo agora com o seguinte texto, escrito apenas cinco anos após, quando Agostinho da Silva militava já nas fileiras da Seara Nova[9]:
DA IMITAÇÃO DA FRANÇA[10]
(...)
A diferença, de facto, dificilmente poderia ser maior. No primeiro texto, acusa Eça de Queiroz de ter criado “um ambiente de desprezo pela pátria” – eis, de resto, a acusação que Agostinho da Silva imputou a toda a “Geração de 70”, à excepção de Francisco Manuel de Melo Breyner, conde de Ficalho, que, ao contrário dos outros, “não teve pessimismos, não considerou a nação falida, não troçou de ninguém”[11]. No segundo, conclui com seguinte exortação: “Imitemos a França, imitemo-la inteiramente…”.
Cerca de uma década e meia depois, já no Brasil – para onde parte em 1944 –, vai, contudo, Agostinho da Silva reencontrar a nossa singularidade histórico-cultural – para ele, de resto, como ele próprio escreverá, foi a criação do Brasil que terá “definitivamente livrado Portugal das daninhas influências europeias que não o deixaram ter nem regime cultural nem acção nem política verdadeiramente adequadas à sua mentalidade”[12], antes procuraram “fazer de Portugal uma Dinamarca latina”[13].
Esse reencontro não se constituiu todavia como um regresso. Ainda que tenha retornado a este país, em 1969, aqui permanecendo os últimos vinte e cinco anos da sua vida – Agostinho da Silva faleceu no dia 3 de Abril de 1994 –, o autor da Reflexão à margem da literatura portuguesa jamais verdadeiramente regressou. Desde os anos cinquenta o seu horizonte foi sempre já outro: não já a Lusitanidade, não já Portugal, mas a Lusofonia, a Comunidade Lusófona, da qual Portugal era apenas uma extensão, a extensão europeia. No princípio de um novo século, eis o novo horizonte que se depara aos nossos olhos[14].

[2] Partindo desta perspectiva, mais ou menos expressamente enunciada, inevitável é depois falar-se do “esgotado movimento da Renascença Portuguesa e da revista A Águia” (como, por exemplo, in Seara Nova: Razão, Democracia, Europa, Porto, Campo das Letras, 2001, p. 7). Como visão contrapolar a esta, refira-se, nomeadamente, a de José Marinho, para quem “com a ‘Renascença Portuguesa’, e com tudo quanto se lhe segue em afinidade espiritual ou crítico contraste, surge a mais funda transmutação na vida espiritual portuguesa desde o Renascimento.” [cf. Verdade, Condição e Destino no pensamento português contemporâneo, Porto, Lello, 1976, pp. 224-225].
[3] Cf. “Manifesto da Renascença Portuguesa”, in A Vida Portuguesa, ano l, nº 22, 10/2/1914, pp. 10-11.
[4] In A Vida Portuguesa, Ano I, nº 22, 10/ 02/ 1914, p. 12
[5] Idem, ibidem.
[6] Cf. “Prefácio” a O Mundo que o Português criou, de Gilberto Freyre, Lisboa, Livros do Brasil, 1940, p. 10.
[7] In A Arte de Ser Português, Lisboa, Delraux, 1978, p. 33.
[8] In Acção Académica, Porto, 15 de Outubro de 1925, ano I, nº 3, p. 3.
[9] Agostinho da Silva aproximou-se em particular de António Sérgio, a quem inclusivamente chegou a reconhecer como seu “mestre” – isto apesar destas suas considerações: “…Sérgio não ousou afrontar os problemas filosóficos mais profundos, as questões de dúvida. Preferia manter-se na certeza.”; “Mesmo como pedagogo, a sua atitude tendia a ser de grande arrogância intelectual.” [cf. Dispersos, introd. de Fernando Cristóvão, apres. e org. de Paulo A. E. Borges, Lisboa, ICALP, 1988/ 1989 (2ª, revista e aumentada)., p. 55]. Como, contudo, o próprio Agostinho reconhece, o seu discipulato relativamente a Sérgio cumpriu-se, sobretudo, por oposição: “…mas ele [Sérgio] não me ensinou o racionalismo: ensinou-me antes o irracionalismo, por reacção minha.” [cf. Francisco Palma Dias, “Agostinho da Silva, Bandeirante do Espírito”, in AA.VV., Agostinho [da Silva], São Paulo, Green Forest do Brasil Editora, 2000, p. 155]. Nessa medida, ainda que indirectamente, Agostinho terá sido, muito mais do que um “discípulo de Sérgio”, um “discípulo de Leonardo” – António Telmo considerou-o mesmo, de resto, como “o último discípulo de Leonardo Coimbra” [cf. “Testemunho”, in Diário de Notícias, 4/4/1994]. Isto apesar do próprio Agostinho da Silva, na sua expressão algo jocosa, “nunca ter sido leonardesco” [cf. AA.VV., Agostinho [da Silva], ed. cit., p. 155] –, não obstante ter reconhecido a sua “largueza de espírito” [cf. Dispersos, ed. cit., p. 174]. Mais do que discípulo de Leonardo, Agostinho terá permanecido sempre, sobretudo, discípulo da Faculdade de Letras do Porto enquanto “escola de liberdade” [cf. ibid., p. 147].
[10] In Seara Nova, Lisboa, nº 197, 23 de Janeiro de 1930.
[11] Cf. “Desconhecidos, quase”, in Vida Mundial, 12/11/1971, p. 25.
[12] Cf. Reflexão à margem da literatura portuguesa, in Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira, Lisboa, Âncora, 2000, vol. I, p. 66.
[13] Cf. “Desconhecidos, quase”, in Vida Mundial, 12/11/1971, p. 25.
[14] A esse respeito, uma breve referência à NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (www.novaaguia.blogspot.com) e ao MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (www.movimentolusofono.org). Ambos, de diversos modos, procuram, no princípio deste novo século, cumprir esse horizonte.