EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Governo adopta Acordo Ortográfico nas próximas semanas

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Cultura, Educação e Negócios Estrangeiros reúnem esta semana para “homogeneizar regras”.

O Governo promove esta semana uma reunião interministerial entre os ministérios da Cultura, Educação e Negócios Estrangeiros para "homogeneizar todos os procedimentos" e avançar com o Acordo Ortográfico ao nível da sua estrutura. A informação foi avançada ao Diário Económico pela ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, que garantiu que no seu próprio gabinete, "nas próximas semanas já todos os emails, comunicados e documentos serão escritos ao abrigo das novas regras".

"Será também uma questão de semanas", garante a ministra, para que todo o Governo tenha adoptado o novo Acordo Ortográfico a nível interno. Por escolher continua ainda o vocabulário que será formalmente instituído como única referência oficial. A escolha será entre o novo Vocabulário Resumido da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, com 90 mil palavras, e que tem essa delegação de competências atribuída, ou o vocabulário organizado pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional e que contém 150 mil palavras.

Fonte:
http://economico.sapo.pt/noticias/governo-adopta-acordo-ortografico-nas-proximas-semanas_81656.html

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Agência Lusa começa a aplicar Acordo Ortográfico a partir do dia 30

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Lisboa, 22 Jan (Lusa) - A Agência Lusa começará a aplicar o Acordo Ortográfico em todas as notícias que produzir a partir do dia 30 de Janeiro, seguindo as novas normas da língua portuguesa que entraram em vigor no início do ano, embora com um período de adaptação até 2016.

Aprovado em 1990 por Portugal, Brasil e os cinco países africanos de língua oficial portuguesa, o Acordo Ortográfico foi ratificado pela Assembleia da República a 16 de Maio do ano passado e promulgado pelo Presidente da República a 21 de Julho.
O Brasil foi o primeiro país a aplicar o Acordo, em Janeiro de 2009. Portugal decidiu a sua entrada em vigor em 01 de Janeiro de 2010, com um período de adaptação até 2016. Só Moçambique e Angola ainda não o ratificaram.

Fonte:
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Agencia-Lusa-comeca-a-aplicar-Acordo-Ortografico-a-partir-do-dia-30.rtp&article=312715&visual=3&layout=10&tm=5

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Programas informáticos facilitam adopção de acordo ortográfico

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De forma gratuita e automática, vamos poder converter qualquer documento, usar revisores de texto e consultar a lista do novo vocabulário ortográfico com mais de duas mil entradas.

Os programas informáticos estão a ser ultimados pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional, em Lisboa.

Até hoje, o Executivo não esclareceu quando ou onde adoptar o acordo, apesar das promessas recentes da ministra da Cultura, que dizia que o acordo entraria gradualmente em vigor este ano. Primeiro nos manuais escolares e no Diário da República ainda em Janeiro, mas o resto do Governo fez "orelhas moucas". A ministra da Educação demarcou-se. Os manuais escolares mantém-se e a presidência do Conselho de Ministros afirma que não tem nada previsto ainda para o Diário da República.

Quem não vai esperar pelo Governo para avançar com a nova ortografia é a agência Lusa.

Contactado pela Renascença, o director da agência noticiosa afirma que pretende avançar a muito breve prazo, mal tenha os programas que estão a ser ultimados pelo Instituto de Linguística Computacional.

Fonte: http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=86787

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Acordo Ortográfico: Angola e Moçambique à espera, Cabo Verde já aplicou

Manter a unidade entre os países lusófonos e afirmar e valorizar o Português no mundo são as vantagens mais frequentemente apontadas em defesa do Acordo Ortográfico nos países de expressão portuguesa em África. De Angola a Cabo Verde, o acordo que estabelece as novas regras para a língua portuguesa não é posto em causa oficialmente. Mas o sentimento não é unânime. Há reservas e críticas em quase todos os países. E, na sociedade civil, a discussão está praticamente ausente.

Em Moçambique, por exemplo, o acordo é assunto de uns poucos intelectuais, e a maioria das pessoas que têm falado opõe-se a ele. Angola e Moçambique são os dois únicos países dos oito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), incluindo Timor-Leste, que não o ratificaram e não têm data para o fazer.

Em Luanda, garante-se de forma informal que o dossier está avançado. Em Maputo, o sentimento entre os mais relutantes é de que o texto será ratificado sobretudo por pressão de Lisboa e Brasília e não tanto por convicção. Em Bissau, foi ratificado em Novembro. E em Timor-Leste em Setembro.

São Tomé e Príncipe já havia ratificado em 2006, mas - como a Guiné-Bissau e Timor-Leste - não tem data para a implementação.

Alguns gostariam de condicionar a aplicação nos seus países à aplicação nos restantes, para que o acordo não fosse factor de desunião em vezde união. Dizem que era preferível esperar para ver o que fazem Angola e Moçambique. Outros contrapõem e dizem estar certos de que nenhum país quererá ficar isolado e quetodos, mesmo os mais relutantes, acabarão por aprová-lo quando eletiver entrado em vigor nos restantes.

Neste jogo de apostas, em que os Estados podem esperar ou arriscar sozinhos a aplicação, Cabo Verde arriscou. Depois de em 2006 o ter ratificado, em Outubro tornou-se um dos primeiros países a aprovar em Conselho de Ministros a entrada em execução dando um prazo de seis anos para a sua aplicação, e não tornando obrigatório o uso da nova ortografia. "As pessoas não são obrigadas a escrever conforme o acordo, são aconselhadas", disse ao PÚBLICO o ministro cabo-verdiano da Cultura, e também escritor, José Manuel Veiga, que se desdobra na exposição de argumentos favoráveis ao acordo. "Sendo a língua um elemento de união entre os países e querendo nós valorizar a língua no mundo, tínhamos de fazer cedências."

Além disso, está convicto de que as resistências agora existentes relativamente ao acordo são passageiras, como o foram as existentes aquando da aprovação do acordo ortográfico de 1911. Também o ministro da Educação de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus, defende a aplicação rápida do acordo. "Temos de ter a coragem política de avançar antes que seja tarde. Sem o acordo, a afirmação do Português não se fará."

Ana Dias Cordeiro

Fonte: http://jornal.publico.clix.pt/noticia/30-12-2009/angola-e-mocambique-a-espera-cabo-verde-ja-aplicou-18500310.htm

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Brasil: Congresso poderá autorizar revisão de acordo ortográfico

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O Congresso Nacional poderá autorizar o governo brasileiro a rever o acordo ortográfico firmado com os demais países de língua portuguesa. A sugestão foi apresentada pela senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), após ouvir diversas críticas feitas ao acordo, durante audiência pública sobre o tema, realizada nesta quarta-feira (4) pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE).

A aprovação de uma lei que autorize o governo a sugerir modificações no texto da reforma ortográfica é uma das alternativas a serem analisadas pela comissão, segundo a senadora, que defendeu o aprofundamento do debate sobre a reforma com a sociedade. O Brasil foi o único país que adotou oficialmente o acordo, assinado em 1990. Segundo o texto, implantação das mudanças na língua deverá estar concluída até 2013.

O presidente de honra da Academia Brasileira de Filologia, Leodegário Amarante de Azevedo Filho, observou que existe grande resistência à adoção da reforma ortográfica estabelecida pelo acordo, principalmente entre escritores portugueses. Em sua opinião, o acordo foi feito para as próximas gerações, que já aprenderão a língua segundo a nova ortografia. Mesmo assim, ele apontou a existência de problemas como a extinção do trema, que tem uma função ao indicar a pronúncia das palavras, e a manutenção de consoantes mudas, como o c na palavra 'actor'.

- Os portugueses não abrem mão das consoantes mudas, que não têm função, enquanto o trema, que tem função, foi eliminado - comparou.

A reação dos portugueses à mudança também foi ressaltada pelo representante da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, Walter Esteves Garcia. Na opinião de escritores de Portugal, relatou, o Brasil está querendo impor uma revisão da língua ao país onde a língua foi criada.

O acordo foi duramente criticado pelo professor Ernani Pimentel, que lançou o movimento Acordar Melhor, destinado a aperfeiçoar a reforma ortográfica. Em primeiro lugar, ele lembrou que as mudanças começaram a ser debatidas em 1975, quando ainda nem existia a internet. Além de anacrônica, observou, a reforma também teria fugido a seus objetivos, quando, por exemplo, eliminou o trema. Em sua opinião, a reforma ortográfica deveria eliminar exceções a regras e duplas grafias, além de padronizar os radicais.

- Não houve uma discussão democrática e aberta - afirmou Pimentel.

Após ouvir os expositores, o senador Flávio Arns (PSDB-PR) disse ter ficado "abismado com o nível de dificuldade que o acordo está trazendo para a vida nacional". Se existem tantas objeções à reforma aprovada, ele perguntou quem estaria a favor do acordo. Por sua vez, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defendeu a revisão do acordo, após perceber a existência das falhas mencionadas pelos expositores.

Fonte: http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=97030&codAplicativo=2

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Brasil pressiona Guiné-Bissau a assinar acordo ortográfico

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Bissau, 3 nov (Lusa) - O representante permanente do Brasil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o embaixador Lauro Moreira, realiza entre quinta e sexta-feira uma visita à Guiné-Bissau para discutir a importância do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, ainda não ratificado pelas autoridades guineenses.

Durante a estadia em Bissau, o diplomata se reunirá com vários ministros guineenses, com o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, e com o presidente, Malam Bacai Sanhá.

Na quinta-feira, Lauro Moreira dará uma palestra aos deputados guineenses sobre a "Importância do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa".

Guiné-Bissau ainda não ratificou o acordo ortográfico, mas, no mês passado, o premiê anunciou que o assinaria em breve.

"Guiné-Bissau é um dos países que ainda não o fez. A instabilidade que temos vivido é que não possibilitou essa ratificação e vamos fazê-lo o mais rapidamente possível", afirmou Gomes Júnior.

Em sua estadia em Bissau, o embaixador brasileiro também dará uma conferência, dirigida a estudantes, pesquisadores, agentes do Estado e organizações da sociedade civil, sobre a importância estratégica da CPLP e da língua portuguesa no mundo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O novo acordo ortográfico está vigendo em Portugal?

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(Entrevista concedida por membros da Academia das Ciências de Lisboa ao colunista Albino Freire).

No mês de setembro próximo passado, em Lisboa, tive a honra de ser recebido por membros da Academia das Ciências de Lisboa, em sua secular e belíssima sede. O prédio imenso, onde antes havia um mosteiro, hoje abriga as dependências da Academia, que ainda divide o espaço com um museu e um hospital. O que mais impressiona o visitante é o anfiteatro, luxuosamente decorado, pé direito altíssimo, cujo teto e paredes são recobertos por belíssimos afrescos. Ali funcionava o antigo refeitório do convento.

Por mera fidalguia e generosidade dos Acadêmicos, sob a coordenação do Vice-Presidente, Professor Doutor Adriano Moreira, foi-me permitido sabatiná-los sobre questões referentes ao recente acordo ortográfico entre os países lusófonos, ou melhor, lusógrafos.

O colunista ­ - Após a vigência do acordo, tenho escutado muitas críticas à postura de Portugal, acusado de estar boicotando o cumprimento do acordo. O que têm os senhores a dizer sobre isso?

Acadêmicos ­ - Não estamos, em absoluto, boicotando o acordo. Tanto o Governo, como a Academia, estão cumprindo sua parte.

O colunista - Senhores, não quero contrariá-los, mas estou em Portugal há cerca de quinze dias. Tenho lido jornais e revistas e tenho visto diversos programas de televisão. E eu lhes garanto que não percebi nenhum sinal de que tenha havido qualquer mudança... Continuo tropeçando nos "actos", "projectos", "óptimos", "afectados", "activos", "actor", "actriz"... Tenho visto, também, os nomes de meses grafados com a inicial maiúscula...

Acadêmicos - ­ Mas, acontece, que temos prazo até dezembro de 2012 para finalizar os termos do acordo. Até lá, todas as modificações estarão, com certeza, incorporadas.

O colunista ­ - ... E quanto a essa enorme diferença de sotaques entre o português de Portugal e do Brasil, o que poderia ser feito ­ se é que se poderia fazer alguma coisa? A propósito, estou chegando da Espanha e confesso aos senhores que eu entendia melhor o espanhol deles do que o português dos senhores.

Acadêmicos ­ - Nada a fazer. A língua de vocês é sonora e suave, temperada com açúcar e com aquele dengo oriundo da influência africana, levada para a casa grande pelas mucamas e amas de leite. Já o nosso sotaque é sincopado, irrompendo aos solavancos, semelhante ao galopar do ginete do Rei Afonso Henriques e dos cavalos de seus soldados...

Gratos a todos pela colaboração.

Por hoje, é só. Até o próximo domingo!

Albino de Brito Freire, juiz aposentado, é membro da Academia Paranaense de Letras.

Leopoldo Scherner é membro da Academia Paranaense de Letras e professor universitário aposentado.

Fonte: http://www.parana-online.com.br/colunistas/29/71688/

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O governo cabo-verdiano ratificou o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa...

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Cidade da Praia, 30 Out (Lusa) - O governo cabo-verdiano ratificou o Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, com efeitos retroactivos a 01 deste mês, pondo termo a dúvidas quanto à sua aplicabilidade em Cabo Verde.

A decisão foi aprovada quinta-feira na reunião do Conselho de Ministros cabo-verdiano e permite a entrada plena em vigor das novas regras ortográficas no arquipélago.

Inicialmente prevista para Maio deste ano, a ratificação do Protocolo Modificativo foi adiada pelo ministro da Cultura cabo-verdiano, Manuel Veiga, que defendeu, na altura, ser necessário mais tempo para analisar o processo e dar a conhecer as alterações aos cabo-verdianos.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Lançado hoje, no Padrão dos Descobrimentos...

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Novo “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”

O linguista, em declarações à Lusa apelou ao Governo para implementar “o quanto antes” o Acordo Ortográfico, assinado em 1990, pois já existe um “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa”.
“Com a saída deste Vocabulário não há agora razões para que este Acordo Ortográfico não entre rapidamente em vigor no Ensino, na Comunicação Social, e até no Diário da República, de modo a acompanharmos o esforço que o Brasil está a fazer no sentido de promoção da Língua Portuguesa não apenas no plano interno, mas também internacional, e é importante o nosso Governo conjugar esforços em prol do reforço da Língua Portuguesa no mundo”, disse Casteleiro.
O Vocabulário que inclui 180 000 vocábulos “partiu da base de dados lexicais da Porto Editora” que o edita, e inclui “mais de 5000 vocábulos próprios do português do Brasil, bem como africanismos e asiaticismos, mais de 800 palavras da norma galega do português, mais de 12 500 nomes próprios de pessoas portuguesas e lusófonas e cerca de 8500 topónimos, incluindo termos geográficos relevantes da história mundial”.
“Um trabalho de anos” sublinhou o investigador, “mas que nesta sua fase final levou apenas alguns meses, por existirem já as bases lexicais da Porto Editora de todos os seus dicionários”.
O investigador afirmou que aceitou “este desafio depois de ter sido dispensado pela Academia das Ciências”, instituição a que dedicou “grande parte dos seus 25 anos de vida investigação”.
“Fiquei surpreendido, tinha projectos, dediquei grande parte do meu trabalho aos dicionários da Academia, ao Acordo Ortográfico, fiquei magoado com esse processo”, rematou.
Malaca Casteleiro referiu que a anterior obra de referência era o “Vocabulário” de Rebelo Gonçalves, de 1966, “indispensável ainda hoje a todos os lexicógrafos e linguistas, já há muito esgotadíssimo e que nunca foi reimpresso, mas este novo ‘Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa’ vai muito mais além, é mais abrangente e inclui neologismo, as novas formas que surgiram, ale´m de seguir as normas do Acordo assinado em 1990”.
O “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” inclui um anexo com cerca de 2000 palavras estrangeiras de uso corrente não adaptadas ao português com idicação da língua de origem “e mais de 1500 abreviaturas e símbolos usados na Língua Portuguesa e mais de 2500 elementos de formação de palavras”, acrescentou o linguista.
Este será o primeiro Vocabulário português que visa “satisfazer as necessidades de escrita dos lusófonos que têm seguido a norma gráfica portuguesa”.
O Vocabulário que é “a concretização de um dos primeiros instrumentos, para a implementação do Acordo Ortográfico, é de consulta fácil para o cidadão comum”.
“As palavras estão por ordem alfabética, indicadas a sete colunas, num volume fácil de manusear, pequeno, de 700 páginas”, explicou.
Por fazer está, alertou o académico, o Vocabulário Técnico-Científico da Língua Portuguesa, mas esta “é uma tarefa muito grande que não envolve só Portugal, mas todos os países com vista à unificação da terminologia técnica e científica do Português”.
Relativamente ao Vocabulário de Língua Portuguesa editado pela Academia Brasileira de Letras, Malaca Casteleiro afirmou que “há pequenas divergências”, designadamente de ordem gráfica como a acentuação, “mas muito circunscritas”.
O “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” é apresentado hoje às 19:00 no Padrão dos Descobrimentos, a Belém, por Fernando Cristóvão.
João Malaca Casteleiro é professor catedrático na Faculdade de Letras de Lisboa, tem colaborado em diversos projectos de investigação e de edição, em Portugal e no estrangeiro. É membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1979, foi presidente até ao ano passado do Instituto de Lexicologia e Lexicografia da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa, é conselheiro científico do Instituto Nacional de Investigação Científica, e exerce ainda as funções de director de investigação do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa e professor convidado nas Universidades da Beira Interior e de Macau.
O linguista representou a Academia das Ciências de Lisboa no Encontro de Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa que se realizou no Rio de Janeiro em 1986, e participou no Ante-projecto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa em 1988, e liderou a equipa técnica que assinou o Acordo Ortográfico em 1990.

Fonte: http://hardmusica.pt/noticia_detalhe.php?cd_noticia=3348

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Mais 20 anos...

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Bragança, 30 Set (Lusa) - O linguista Português Malaca Casteleiro lamentou hoje os atrasos de Portugal na aplicação do Acordo Ortográfico e prevê que serão necessários mais 20 anos para a unificação da língua portuguesa no mundo.

Para o académico, que acaba de lançar um vocabulário ortográfico com 180 mil palavras à luz do novo acordo, uma escrita comum em todos os países de língua oficial portuguesa necessitaria tanto ou mais do que os 20 anos que passaram desde a aprovação até à entrada em vigor do novo acordo ortográfico.

"Estou convencido que a realização de um vocabulário ortográfico unificado, se calhar exigia outros 20 anos ou mais, infelizmente", disse hoje, em Bragança, na abertura do oitavo colóquio anual da Lusofonia.

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/acordo-ortografico-linguista-portugues-preve-que-unificacao-ortografica-leve-mais-20-anos=f538795

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Museu do Oriente promove curso sobre Novo Acordo Ortográfico

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Aproximando-se a data da entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, o Museu do Oriente, em colaboração com o professor João Malaca Casteleiro, organiza um curso de formação na nova ortografia, nos dias 10 e 17 de Outubro, entre as 10h00 e as 13h00. O curso repete a 7 e 14 de Novembro.

Durante seis horas lectivas, os formandos têm a oportunidade de desenvolver competências linguísticas, de modo a exercitar a prática da nova ortografia, e explorar a nova grafia das palavras conforme o Acordo Ortográfico, através de exercícios diversificados e análise de documentos e textos.

Dar a conhecer o essencial das reformas ortográficas levadas a cabo a partir de 1911, e durante todo o século XX, e dotar os participantes de conhecimentos que lhes permitam diferenciar a Convenção Ortográfica Luso-Brasileira de 1945, do Novo Acordo de 1990, são também objectivos do curso.

Programa

1. Breve notícia histórica sobre as reformas ortográficas da Língua Portuguesa de 1911 a 1990.

2. Actualidade e pertinência do Novo Acordo Ortográfico de 1990.

3. Características gerais do mesmo Acordo.

4. Novo Alfabeto da Língua Portuguesa.

5. Uso de maiúsculas e minúsculas.

6. Supressão gráfica de consoantes mudas ou não articuladas.

7. Mudanças na acentuação gráfica.

8. Alterações relativas à hifenização.

9. Ocorrência de duplas grafias.

10. Características específicas da Nova Ortografia, segundo a norma culta luso-afro-asiática.

11. Características específicas da Nova Ortografia, segundo a norma culta brasileira.

12. Sinopse final.

Suporte bibliográfico essencial:

Casteleiro, João Malaca, e Correia, Pedro Dinis, Atual - O Novo Acordo Ortográfico (O que vai mudar na grafia do português), 3ª ed., Texto Editores, Lisboa, 2008 (1ª ed. 2007)

GOMES, Francisco Álvaro, O Acordo Ortográfico (Inclui o Texto Integral do Novo Acordo Ortográfico, Exercícios Práticos com Propostas de Soluções), Edições Flumen, Porto Editora, Porto, 2008


Curso de formação no Novo Acordo Ortográfico (1990)

10 e 17 Outubro || 7 e 14 Novembro

Horário: 10h00-13h00

Duração: 6 horas lectivas

Público-alvo: Adultos

Nº de participantes: Mín. 20

Preço: € 40,00

Formadores: João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia


Museu do Oriente, Avenida Brasília | Doca de Alcântara (Norte) | 1350-362 Lisboa

Tel.: 213 585 200 | E-mail: info@foriente.pt

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Acordo Ortográfico: Timor-Leste é o quinto membro da CPLP a ratificar documento

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Lisboa, 03 Set (Lusa) - Timor-Leste tornou-se o quinto Estado membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) a ratificar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, anunciou hoje o Ministério da Cultura português.
De acordo com uma nota do gabinete do ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro, a informação foi transmitida durante uma reunião de trabalho realizada quarta-feira com o ministro da Educação de Timor-Leste, João Câncio Freitas, de visita a Portugal.
Timor-Leste passa a ser o quinto membro da CPLP a ratificar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, juntando-se a Portugal, Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Texto que nos chegou...

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A NOVA ORTOGRAFIA E OS VELHOS DO RESTELO

I – UM DEBATE VITAL E OPORTUNO

1. Há quase vinte meses observo, os debates que se travam nas páginas do blogue da “Nova Águia” e em outros veículos de comunicação, sobre o NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO da Língua Portuguesa.

Considero o debate, sério e esclarecido, sempre saudável. Não é apenas pelo respeito à liberdade de opinião. É que o fato de debater, expondo opiniões, eventualmente antagônicas, contribui para o esclarecimento da questão em pauta, e populariza o assunto que a todos envolve. Participar é compartilhar idéias.

A oposição responsável sempre pode contribuir para que, o legislador aja com mais cuidado, e se evitem atos arbitrários de tirania ou se atenda a interesses escusos. Mas não se esqueça que o tirano pode ser o opositor...

2. A favor ou contra o ACORDO, sempre surgem alguns argumentos emotivos, certamente bem intencionados, mas sem suporte científico. Alguns apenas lutam pela inércia, pelo imobilismo, pelo deixa como está. Rejeitam toda a inovação, por mais benéfica que seja. Temos preguiça de mudar. A mudança nos incomoda...

Os que rejeitam a Novo Acordo, estão mais para velhos do Restelo do que para Novos Descobridores.

Às vezes, ofendendo-se pessoas ou instituições, em atitudes levianas insustentáveis.

Há os que são contra, até políticos, como forma de chamarem a atenção sobre si, com interesses eleitoreiros. Outros são contra, por falta de informações ou por informações viciadas, ou simplesmente são contra, com razões válidas, porque nada é perfeito.

Alguns são contra o Acordo, sem perceberem o prejuízo que podem causar à nação... Estamos na fase de implantação e não de contestação. Contestação hoje é quase uma traição. É uma injúria à Democracia.

São posições insustentáveis, num mundo dinâmico, globalizado, onde a comunicação escrita precisa de mais versatilidade e onde os países irmãos precisam se entender, sem barreiras inúteis, geralmente prejudiciais, como é o caso de dupla norma ortográfica, se prevalecer, como alguns querem.

3. Não queremos polemizar mas apenas esclarecer. Cada um pense como bem entender e ouça quem quiser.

Sou de opinião que não fica bem, alguns intelectuais escreverem frases tão vazias, e argumentos sem objeto. São frases quiméricas; meras fantasias. Dão-se tiro em sombras, ou em tigres de papel. A maioria dos argumentos não procede; são enganosos, falaciosos.

Toda a ação humana é questão de opção: optamos pelas deliberações que consideramos mais adequadas, dentro de certas perspectivas. Muitos são contra por inadmissível preconceito ou por desinformação.

O ACORDO ORTOGRÁFICO é uma questão muito séria. É vital para a expansão da Língua Portuguesa e para intercâmbio Internacional.

II- A LONGA E DURA CAMINHADA DO ACORDO

O Acordo Ortográfico em questão, como qualquer Acordo, supõe que as partes envolvidas acomodem suas posições, em favor de um bem maior para todos. Decide-se quando todos estiverem de acordo. Todos sedem algo, em benefício da harmonia e do resultado.

No caso do ACORDO ORTOGRÁFICO, o espaço específico para assumir posições são as ACADEMIAS NACIONAIS DE CIÊNCIAS E LETRAS.

O presente ACORDO teve um longo percurso de debates, por mais de 15 anos, onde todos puderam se manifestar, até chegar ao texto final. Demorou muitos anos. Resolvida a questão, no nível científico e social, passou pelos Congressos Nacionais/AR, e foi promulgado pelo representante legal da

nação, o Presidente da República. Enfim, um processo demorado mas democrático.

Esta é uma questão supra-partidária. É de interesse geral da nação.

Diz-se que o Acordo ainda tem defeitos! Não há novidade nisto. Nenhum acordo é perfeito. Acredito que este é o Acordo melhor possível a que se pôde chegar, nas circunstâncias de nossa conjuntura histórica.

III- CELEBRANDO O SUCESSO DO ACORDO

1. É tempo de comemorar. É justo. Finalmente a ortografia da Língua Portuguesa chegou ao Século XXI. Vamos celebrar a grande proeza de nossos cientistas da linguagem, pelo resultado a que chegaram, e de nossos políticos por terem reconhecido o valor do texto do Acordo e por terem conseguido reconhecer a importância sócio-política e cultural para os oito (8) povos lusófonos e para os milhões de lusófonos espalhados pelos quatro cantos do mundo. Enfim, alcançamos a unidade ortográfica respeitando a diversidade linguística.

Um objetivo há muitos anos aguardado, foi alcançado. Merece uma solene comemoração.

Efetivamente o Novo Acordo Ortográfico tem dimensões muito mais amplas do que o país de cada um: tem dimensões globais! Não podemos então, ficar massageando o nosso umbigo, desdenhando dos demais e das futuras gerações.

Quem não comemora, bom lusófono não é, diríamos provocativamente (!!)

2. Não esqueçamos nunca que a Língua Portuguesa não é patrimônio pessoal. É um patrimônio de todos os lusodescendentes, um rico patrimônio coletivo da grande e universal Pátria Lusófona, do passado, do presente e do futuro.

Nossas ações e reações precisam se enquadradas nestas dimensões, sob penas de nos perdermos no vazio, sem eco e sem ouvintes.

O Novo Acordo é uma questão de alta relevância para os países lusófonos. Então vamos aplaudi-lo. Com ressalvas, se for o caso, mas aplaudindo.

3. A Língua Portuguesa poderá ter, daqui por 25 anos, aproximadamente 400 milhões de falantes. Precisamos pensar grande, na grande Pátria Lusófona, e não nos perder em questiúnculas doméstica, que amanhã nada significarão. Precisamos, sim, preservar o espírito da lusofonia, o modo de ser, no mundo, da lusofonia. Essa deve ser nossa grande preocupação. Essa é a nossa identidade vital.a este assunto sim devemos dedicar nossas forças.

O Patrimônio que herdamos dos nossos antepassados devemos saber transmiti-lo às gerações futuras. Não podemos deixar a nossa cultura se pasteurizar numa massa amorfo universal de uma sociedade consumista. Precisamos saber nos orgulhar de nossa cultura e do nosso povo.

Quem não é organizado é tutelado. Então vamos nos preparar para os novos tempos, sem deixar o flanco da lusofonia descoberto à entrada dos “saqueadores”, sempre à espreita.

Precisamos saber lutar por nossos valores, em vez de nos perder em questões já superadas.

IV- A FORÇA DA RAZÃO VENCE A FORÇA DA DESINFORMAÇÃO

1. A oposição que vem se articulando em Portugal, contra a implantação do Acordo Ortográfico, é, para mim, causa de alguma apreensão, pois se baseia, claramente, em reiteradas atitudes preconceituosas, insustentáveis e indignas das pessoas que as repetem, por falta de informações adequadas.

Não seria o primeiro Acordo a ser engavetado pelo preconceito... produzindo efeitos contrários aos esperados e danosos à nação.

A oposição, em si, é sempre sadia, se for de base científica, socialmente válida e responsável e oportuna, respeitando as regras democráticas e o bem da nação.

As pessoas sempre reagem contra o desconhecido, que altera sua rotina sem conseguir vislumbrar vantagens reais. Então que procurem se esclarecer. Os gestores de opinião devem se informar bem antes de opinar.

O Novo Acordo Ortográfico não é propriamente uma questão popular mas de nível de estadistas.

2. Permitam-me relatar dois exemplos paradigmáticos conhecidos:

2.1) Em São Paulo foi implantada e entrou em vigor, em Agosto/09, a lei ANTI-FUMO. Houve uma reação estrondosa, em todos os meios de comunicação social. Hoje, as estatísticas demonstram que mais de 80% da sociedade aplaude a nova lei. Logo, serão mais de 90% aprovando.

Democraticamente, 10 a 20% sempre serão contra, sejam quais forem os motivos. Há sempre motivos.

Entretanto a LEI ANTI-FUMO é uma medida de saneamento altamente benéfica para a saúde da população. Diz-se: há outras fontes poluidoras mais graves, como a qualidade da gasolina que queima nos motores de nossos automóveis... Todos sabemos disso. Pois que se resolva mais este problema, sem esquecer a questão em pauta.

2.2) No início do Século XX, o nosso benemérito cientista, Oswaldo Cruz, médico sanitarista, dirigiu a campanha de erradicação da febre amarela e da varíola, no Rio de Janeiro, e decretou a vacinação obrigatória de toda a população, provocando rumorosa rebelião do povo e da Escola Militar, contra o que consideraram uma invasão da vida doméstica e uma vacinação forçada. Ficou conhecida como REVOLTA DA VACINA. Oswaldo Cruz foi constrangido, humilhado...

A campanha não retrocedeu. Prosseguiu. Foi vitoriosa e deu o resultado esperado. Todos festejaram, agradecidos. Oswaldo Cruz, de repressor do povo virou herói nacional, premiado no Congresso Internacional de Higiene e Demografia de Berlim, em 1907.

Oswaldo Cruz teve êxito porque foi competente e persistente e teve o apoio firme de políticos, de porte de Estadistas. Souberam pensar mais na saúde da população do que na próxima eleição.

3. Os exemplos se repetem na história, para demonstrar que os melhores projetos sempre terão a oposição, até daqueles a quem mais vêm beneficiar.

Voltemos à questão da reação contra a implantação do ACORDO ORTOGRÁFICO.

Para implantar leis com forte reação oposta e articulada, é preciso coragem, competência e persistência e o apoio firme de homens que, ao menos nessa questão, assumam porte de estadista, pensando mais no bem das próximas gerações, do que nos bens das próximas eleições. Portugal terá esses homens? Que façam um esforço, ao menos nesta questão candente.

V- POLÊMICA NA “NOVA ÁGUIA”

1. Disse atrás que se nota, em alguns argumentos, reiteradas atitudes de preconceito insustentáveis, e fruto de lastimável desinformação.

Cito apenas um fato, entre inúmeros que já presenciei, inclusive no blogue “Nova Águia”.

No dia 19 deste mês, foi publicado um texto de minha autoria, sob o tema: “Joaquim Nabuco, outro gigante da Lusofonia”. Um leitor aproveitou o gancho para malhar a Academia Brasileira e Letras e o ACORDO ORTOGRÁFICO.

A intervenção do leitor já teve resposta fraternal, nos termos adequados, dos professores Renato Epifânio e Luiz Eurico, com as explicações suficientes do referido leitor.

2. Resta-me dizer algumas palavras sobre os “velhinhos do Restelo” da Academia Brasileira de Letras. Esta agressão genérica à academia, não é justa.

Esta é uma instituição com a qual podemos discordar, como de tudo que é humano, mas não podemos deixar de reconhecer que lá se abrigam pessoas de alto mérito. As pessoas que fizeram parte da comissão de redação do Acordo são pessoas que dedicaram suas vidas à Língua Portuguesa. Entre essas destacamos os profs. Antonio Houaiss e Evanildo Bechara que têm uma gama respeitável de trabalhos sobre nossa língua comum. Só quem não conhece o trabalho destes homens pode atirar-lhes pedras.

Dizer que querem nos impor a forma brasileira de escrever é uma acusação gratuita. A partir da década de 40 a nossa Norma Ortográfica ficou para trás e agora ficamos juntos. O Acordo foi elaborado e aprovado pelas duas Academias: de Lisboa e do Rio. Foram aprovadas nos dois Parlamentos. Foram promulgadas pelos dois presidentes. Que mais queremos? Passaremos a vida chorando como carpideiras e lastimando, chamando de desastre, de desacordo?!

De que lado do Atlântico estão, afinal os velhinhos do Restelo?

Afinal, o desastre é se os portugueses conseguirem rejeitar a implantação do Acordo, o que acho impossível, estratégica e moralmente.

Pronto. Acabei.

3. Senhores, os preconceitos contra o português do Brasil são absurdos.

Dou-lhes meu testemunho de quem vive aqui há 53 anos, é da Área de Linguística e Semiótica pela mais produtiva Universidade do mundo Lusófono, a USP. Minha tese de Doutorado foi sobre a múltipla linguagem de Fernando Pessoa. Sou professor aposentado da mesma USP. Por outro lado, mantenho relações permanentes em Portugal, onde vou uma ou duas vezes por ano. Sou de Aveiro

CONCLUSÃO:

Meu testemunho é leal; Esse Acordo Ortográfico é o melhor possível Não é perfeito, lógico. Nem podia ser, pois teve de contentar gregos e troianos. É sempre assim.

Digo-lhes que considero uma afronta quase infantil, ao menos é preconceituosa, em relação ao Brasil, as acusações mil vezes repetidas.

Não fica bem para os portugueses essa disputa descabida.

O Brasil vai ser sempre BRASIL, ao menos em potencial. Um País de 195 milhões de habitantes, com muita gente boa.

4. Com estes termos esclareço que não concordo com o artigo citado pelo Maciel, de autoria do Sr. Nunes “O Conceito da Língua Portuguesa no Brasil”. Desculpem mas é todo ele alicerçado em preconceitos que não são admissíveis. Muita emoção, sem base científica. É fumaça sem calor. Não podemos fazer isto. Não Fica Bem. Falar genericamente de “presunção de pseudos-intelectuais” é descabido. É presunção. É grave. Desmerece as pessoas sérias.

Prometo voltar ao assunto ampliando o que acabo de dizer sobre o texto do Sr. Nunes.

Não quero entrar em polêmicas, mas em vez da frase citada: “Deus salve a Língua Portuguesa”, eu diria: Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.

Desculpe, mas este é efetivamente um assunto para especialistas. Não quer dizer que outros não possam se manifestar.

Leia mais:

“Acordo Ortográfico – Uma Grande Conquista da Lusofonia” http://tribunatropical.blogspot.com/2009/08/acordo-ortografico-i.html

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Acordo Ortográfico "não vai segurar a língua"

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Nacional 2009-07-07 16:51

O poeta Wilmar Silva, que sexta-feira e sábado apresenta em Famalicão a colectânea de poesia em português, em livro e DVD, "Portuguesia", afirma que o Acordo Ortográfico não irá fixar para sempre a Língua Portuguesa.

"O Acordo Ortográfico não vai segurar a força natural da língua, pois esta está em permanente mudança, o Português que falamos hoje não será o que se falará daqui a 50 ou 100 anos", disse o poeta à Lusa.

Wilmar Silva, que desde 2000 investiga poetas de língua portuguesa, afirmou à Lusa que "é radicalmente a favor do Acordo pois unifica a grafia”.

“Mas neste mesmo raio de pensamento, entendo que o Acordo não vai segurar a força natural da língua", sublinhou.

"As línguas - acrescentou - sejam elas quais forem, estão em permanente metamorfose, em mudança".

Para este investigador, residente em Minas Gerais (Brasil), se "só há um Nobel de Língua Portuguesa é porque esta não ocupa um espaço de maior hegemonia no contexto do mundo".

Em Vila Nova de Famalicão, na Casa-Museu Camilo Castelo Branco, sexta-feira e sábado, será apresentada a colectânea que reúne poemas de 101 poetas e um DVD de duas horas, com o registo feito por Wilmar Silva dos poetas "no seu ambiente", a dizerem os seus poemas.

Relativamente ao DVD explicou que se trata de "um vídeo/poema de duas horas gravado in loco, registando a diversidade das vozes e sotaques".

Wilson Silva considera que "não há uma língua portuguesa", mas sim "várias línguas portuguesas, mesmo em Portugal, e em todo o mundo português e noutros espaços de influência lusófona".

Referindo-se ao seu projecto, Wilson Silva afirmou que pesquisou no Brasil, designadamente no Estado de Minas Gerais, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Portugal, onde se deslocou para encontrar os poetas e conhecê-los.

"É preciso ir, não ficar só nos grandes centros, mas ir para o interior", disse.

Wilson Silva editou, em 2005, a antologia de poetas portugueses e de Minas Gerais, intitulada "O Achamento de Portugal".

O investigador afirmou à Lusa que se interessa "é pelos poetas vivos, pensar a contemporaneidade na produção vasta, híbrida e diferente que há na Língua Portuguesa".

Em Vila Nova de Famalicão, a poesia será pretexto para falar "da literatura, da política editorial e também do Acordo Ortográfico, pois a poesia é o espelho crítico da sociedade e dá para falar de muita coisa".

Nos dois dias no auditório da casa onde Camilo Castelo Branco viveu os seus últimos anos , em S. Miguel de Seide, além da apresentação da antologia em livro e do DVD serão realizadas cinco mesas-redondas com poetas portugueses, brasileiros, guineenses, cabo-verdianos e angolanos, e haverá recitais pelos próprios autores.

O projecto de investigação liderado por Wilson da Silva, também ele poeta, intitula-se "Portuguesia: Minas entre os povos da mesma língua, antropologia de uma poética" e procura, a partir da poesia contemporânea escrita em língua portuguesa, "chegar sempre a territórios de reflexão sobre a cultura portuguesa que se expandiu a todos os continentes".

Wilson Silva, que dirige o projecto "Terças poéticas" no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, conversou em Portugal com 37 poetas, alguns já consagrados, no Brasil com 38, 18 na Guiné-Bissau e sete em Cabo-Verde.

terça-feira, 14 de julho de 2009

novo acordo ortográfico: últimas notícias e comentários...

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1. Notícias
a) A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) acaba de enviar para a imprensa um comunicado no qual anuncia uma nova edição do Vocabulário da Língua Portuguesa, com os neologismos de uso corrente generalizado, incorporados no léxico comum ao longo dos últimos quarenta anos.
Sublinha que este vocabulário será realizado nos termos do Acordo Ortográfico (1990). A publicação será feita pela Imprensa Nacional.
Fala num futuro Vocabulário Comum da lusofonia, com a contribuição de todos os países signatários e da Galiza.
No programa Páginas de Português realizado pela Ciberdúvidas na Antena 2, em 5 do corrente, o Professor Artur Anselmo esclareceu que será um Vocabulário resumido, com cerca de 60 000 a 70 000 entradas, com base no Vocabulário de Rebelo Gonçalves, completando e actualizando a obra da ACL de 1970.
Não será, portanto, exaustivo como o VOLP brasileiro, considerando que este contém muitos lexemas regionais não usados em Portugal. Terá duplas grafias (falou em triplas e em quádruplas…, o que me pareceu excessivo, pois estas serão já muito raras).
O financiamento virá das vendas da editora. O texto será entregue para impressão em princípio de Outubro, e a publicação estará nas bancas no fim do ano corrente.
Quanto ao Vocabulário Comum, disse, como era de esperar, que os diversos países signatários terão depois de se entender.
Concluiu, sensatamente, que é preferível os assuntos serem estudados com profundidade a serem-no com precipitação.
b) Na mesma emissão, o Professor Malaca Casteleiro informou que tem em estudo um Dicionário Ortográfico e de Pronúncia do Português Europeu, com muito mais de 100 000 entradas. Esta obra inclui morfologia, flexões (também verbais) e, além da ortografia, também a fonética, com base no Dicionário da ACL 2001, no Grande Dicionário da Porto Editora e noutros trabalhos. Depreende-se que não é propriamente um dicionário, com acepções.
As bases de estudo serão: o Vocabulário de Rebelo Gonçalves e o de Pedro Machado. O projecto foi iniciado em Novembro de 2008 e estará concluído em Outubro de 2010. Foi financiado com 70 000 euros de dinheiros públicos, instalações e logística. O projecto terá de encontrar ainda uma editora interessada na publicação.

2. Comentários
2.1 ACL
a) O Vocabulário da ACL tem a vantagem de permitir rapidamente pôr o novo AO em vigor, dado que uniformiza as variantes do português europeu no novo AO. Sem esta uniformização legal (ainda não foi retirada à ACL o direito de fazer lei na língua) continua a não ser aceitável que o novo AO entre em vigor. As publicações comerciais já existentes apresentam soluções algumas vezes díspares e o VOLP brasileiro não contempla muitas das nossas variantes (referências várias foram feitas em Ciberdúvidas ). Há pressa em ter um Vocabulário para o novo AO em vigor, para haver acompanhamento nosso no esforço que o Brasil está já a fazer na lusofonia com o seu VOLP, publicado no início deste ano.
Este vocabulário resumido da ACL tem o inconveniente de ser uma solução minimalista em relação ao VOLP brasileiro, de 350 000 entradas. Não ficamos muito prestigiados na lusofonia. Espera-se que possa haver, depois, um VOLP do português europeu mais completo. Fica a dúvida sobre como será a sigla deste vocabulário resumido da ACL. Lembra-se que o Brasil foi buscar a sua sigla ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da ACL de 1940, que aliás constituiu a base para o vocabulário brasileiro nessa altura (bons tempos estes da ACL…). O Vocabulário agora em estudo da ACL, na comunicação à imprensa intitulado Vocabulário da Língua Portuguesa, será só VLP? Enquanto não houver sigla oficial designarei o brasileiro por VOLP PB e o da ACL resumido por VOLP PER.
b) O facto de a ACL falar num Vocabulário Comum, com a contribuição de todos os países signatário e da Galiza, significa que a ACL interpretou bem o espírito do Acordo de 1990. Esta reforma ortográfica planetária da língua portuguesa só se concretizará quando houver um Dicionário Comum para toda a lusofonia, no qual se poderão encontrar as diversas variantes legais no universo da língua. Isto implica a necessidade prévia de haver um acordo quanto a um Vocabulário Comum.
c) Independentemente dos encargos com a publicação, há encargos com o estudo. Parte-se do princípio de que a ACL dispõe já de verbas para esse fim, pois que ainda há pouco tempo afirmava que não tinha disponibilidades para elaborar um VOLP PE.
d) Enquanto a ACL continuar a ter sérias responsabilidades oficiais na língua, não pode de novo sujeitar-se a críticas como aquelas que lhe foram feitas no Dicionário 2001, que apadrinhou. Esse dicionário apresentava muitas virtualidades, nomeadamente ser de facto contemporâneo e não uma cópia de outros, trazer a novidade da pronúncia e muitas abonações; mas enfermava de um excesso de abertura a barbarismos, que escandalizou as pessoas extremosas na língua.
Supõe-se que para este projecto a ACL terá reunido uma equipa competente alargada e multidisciplinar. Não basta o apoio dos dois mencionados Professores Maria Helena da Rocha Pereira e Aníbal Pinto de Castro. Já será de louvar se estes catedráticos conseguirem fazer um trabalho completo de coordenação e uniformização científica.
Sublinha-se que a cópia simples do VOLP PB é inaceitável, pois algumas das nossas variantes costumam ter preocupações etimológicas mais exigentes (ex.: húmido e não a única entrada úmido do VOLP PB). Por outro lado, espera-se que algumas soluções brasileiras aceitáveis sejam ponderadas, como, por exemplo, as brasileiras escâner, estresse, toalete, preferíveis a algumas que têm sido publicadas ultimamente em Portugal: a criticável *scaner (sc inicial está abolido da língua desde o princípio do século passado); a inaceitável *stresse (st inicial sempre se converteu do latim em es); a incompreensível *toilete pronunciada tuà (o encontro vocálico oi, nunca foi entre nós o ditongo uà).
Certamente que para a execução pormenorizada e laboriosa dos verbetes (pesquisa, recolha, tratamento informático) terão sido incumbidos colaboradores mais jovens, dada a idade provecta em média dos académicos da ACL. Isto porque, partindo do princípio de que o trabalho não terá começado há muito tempo, digamos um mês, temos cerca de 16 semanas a 5 dias, até Outubro (com Agosto de permeio…), o que dá a necessidade de análise de quase 1000 verbetes por dia, atendendo ao tempo depois disponível para a organização e revisões finais. Esperemos que a data prometida pelo Professor Artur Anselmo se realize. Portugal está cansado de promessas que acabam por não se cumprir ou por serem depois realizadas “em cima do joelho” como diz o povo. Não era nada gratificante para Portugal que a ACL se sujeitasse agora a críticas no seu Vocabulário.
2.2 Obra do Professor Malaca Casteleiro
A língua muito deve ao Professor Malaca Casteleiro, pelo seu espírito de inovação e pelo esforço que tem feito na elaboração dos projectos e acordos ortográficos, em colaboração com os também reputados cientistas do Brasil. O trabalho que agora tem em projecto parece ser muito útil e, pelo menos, é mais ambicioso do que o da ACL. Faz-se votos para que não insista nos termos que escandalizaram a comunidade linguística no seu dicionário da Academia 2001.
Este Vocabulário não resolve o problema da urgência em termos um VOLP do português europeu, nem há a certeza de que tal trabalho faça lei na língua.

3 A dispersão de esforços
Lembra-se, muito vivamente, de que devem ter também uma palavra a dizer no VOLP PE oficial outras entidades muito competentes na língua, como o ILTEC, e que há uma acervo linguístico considerável no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.
No país, parece que os sucessivos poderes fazem gala em voltar tudo à estaca zero, perdendo-se tempo e meios, só para politicamente não aceitarem o que de positivo outros fizeram; …e essa “falta de unidade” trava a comunhão de esforços, que é multiplicativa. Na língua, a “falta de unidade” é também gritante. Temos o Instituto Camões dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros; temos o empenho na língua do Ministério da Cultura; não deixa de ser fundamental na língua o Ministério da Educação; e, finalmente, temos, arvorando-se de autoridade na língua, a ACL, dependente do Ministério da Ciência e Tecnologia… Cada um com a sua capelinha.
Assim, o que legitimamente os portugueses perguntam é para quando Portugal terá uma Academia Portuguesa de Letras, como têm os países que respeitam a sua língua, nomeadamente a Espanha, com a prestigiada Real Academia da Língua Espanhola, ou o Brasil, com a sua ilustre Academia Brasileira de Letras. Uma Academia Portuguesa com um escol de linguistas e escritores respeitados, que verdadeiramente superintendesse na língua, não só por princípio hierárquico estabelecido, mas onde estivesse representada a superior competência linguística ou artística nas letras, do país.
Este desprezo pela importância fundamental do património linguístico é bem uma responsabilidade de todos os governos, que frequentemente parece estarem mais preocupados com os problemas corporativos dos partidos do que com os valores nacionais.
(...)

D’ Silvas Filho

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A Dança do Acordo Ortográfico de 1990: minuetes, hesitações e recuos sucessivos…

Continuam as hesitações portuguesas quanto à aplicação do Acordo Ortográfico de 1990… Chegou à Assembleia da República uma petição que propõe a renegociação do Acordo Ortográfico. É claro que esta já foi aprovado pelo Governo, pela Assembleia da República, para além de ser um compromisso internacional assumido pelo Estado português em 1990, mas os detratores do Acordo – liderados pelo seu Papa Demagógico, Graça Moura (um dos eurodeputados mais ausentes desse plenário, a propósito) conseguiram por via desta petição levar ao Parlamento esta discussão. É claro que há outras petições que alcançaram o limite legal de cinco mil assinaturas, mas nenhuma mais é apoiada por Graça Moura…

De facto, os amigos de Graça Moura foram determinantes, já que o deputado Barreiras Duarte do PSD elaborou em seu apoio um relatório que foi discutido na Comissão de Ética e Sociedade, tendo sido aprovado por unanimidade.

Este relatório recomenda que o Governo reabra negociações para rever os termos do Acordo porque (palavras de Graça Moura) “o acordo é um acúmulo de disparates“.

O problema está que o Acordo de 1990 já está em vigor e logo, tecnicamente não há nada para “reabrir”. Poder-se-á, eventualmente, abrir novo processo negocial, mas se este for dirigido por alguém como Graça Moura que tanto falou e escreveu contra QUALQUER ACORDO, isso não inquinará fatalmente qualquer negociação? E afinal, não será essa afinal a verdadeira intenção de Graça Moura? Fingir que se começam negociações que sabe estarem fadadas ao fracasso, para depois poder dizer “tentámos e falhámos, porque eles (o Brasil) não quiseram”?

O Brasil já deu inicio oficial ao período de transição para a aplicação do Acordo de 1990 e São Tomé e Príncipe e Cabo Verde também já o aprovaram nos seus parlamentos. Os demais estão expectantes, mas deverão seguir o impulso brasileiro, tal é hoje a sua importância económica e demográfica no mundo lusófono.

Se Portugal procurar renegociar os termos do Acordo de 1990 dará uma imagem de si completamente absurda, já que segundo Rui Peças, assessor de imprensa do ministro da Cultura: “O facto é que o acordo já está em vigor. Foi aprovado pelo governo, aprovado pela Assembleia da República, promulgado pelo presidente e o instrumento de ratificação foi depositado no Ministério de Negócios Estrangeiros no dia 13 de maio“. Ou seja, procurar refazer tudo de raiz daria uma imagem internacional de hesitação e desnorte e serviria apenas para produzir o efeito diretamente oposto ao pretendido pelos detratores do Acordo: dar mais força à posição natural predominante do Brasil na Lusofonia, uma vez que Portugal iria marchar para uma cisão ortográfica comparável aquela que já fez na 1ª República e que – afinal – deu origem à presente distinção ortográfica.

Assim, a discussão na Assembleia da República é muito importante para que Portugal guarde o que lhe resta de face e dignidade nesta questão e seguiremos atentamente o que daqui for aparecendo…

Fonte:

http://groups.google.com/group/observatorio-lp/browse_thread/thread/2afb70cc01688c8f/f3f6393254d00252?show_docid=f3f6393254d00252&pli=1

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Texto que nos chegou...

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Reflexões sobre o acordo ortográfico (I)
Quando me ponho a pensar no mérito ou demérito destas charlas sobre a Língua Portuguesa, chego pelo menos a duas conclusões dis­tintas, con­soante os dias, isto é, conforme o humor (catadura, ourela, como se diz na Ilha: acordou de má ourela!) com que o sol me nasce: umas vezes julgo que estou a prestar um serviço útil à Humani­dade (não o faço por menos…), outras, arrenego das patacoadas que me não canso de escrevi­nhar.
A língua, qual­quer que ela seja, e as enfadonhas regras que a regem e tantas vezes a obscu­recem, são, no fim e ao cabo, um sistema tão frágil e tão conven­cional, que se esboroa à primeira brisa de uma atua­lização ou acordo ortográfico que entre em vigor. E adeus suor e lágri­mas com que se aprendeu uma palavra com esta ou aquela orto­grafia, óptimo, por exemplo (bom, melhor óptimo, como rezava a cantilena, sempre que o mestre-escola perguntava os graus dos adjetivos, agora sem o c), e a súbitas vêm uns senhores gramáti­cos, linguistas ou filólogos que sobem ao púl­pito da aca­demia e antes de atacar, pigarreiam, para aclarar a voz, e sermo­neiam para a assistência de fiéis que não somos nós: “Se o p ou o c, se não pronunciam, para quê mantê-los na palavra? Não seria mais curial escrever ótimo, reação, receção, ator, atriz, e outras pala­vras a que se não empresta voz à con­soante muda da traseira? A reação e os respetivos reacionários perderam o c, e hão de per­der mais, como o hífen de (hão-de, há-de), e o circun­flexo de vêem (veem); a ereção da manhã e a ação de graças; a descon­tração muscular e a contração do desem­prego; a fação partidária a que aderiram e a sua posterior defe­ção, não defeca­ção… Per­dem bastante, mas o pior será perderem a diretriz do aconteci­mento… No entanto, os alarmismos sobre a gripe suína, perdão, mexicana, melhor, do tipo A, vêm aí a cami­nho, e os cães que têm sarna ladram por pura reação ao alarido na capoeira (ver, conter, ter e seus derivados, mantêm o circun­flexo… Se por acaso a tal consoante traseira é sonora, então, que se escreva e pronuncie: facto, impacto, artefacto, hectómetro… Têm razão. Toda. Dou-lha toda e mais alguma que me sobre! O actual acordo, agora atual, isto é, o de mil novecentos e noventa (estarei equivocado?), já entrou em actividade, isto é, está no ativo no Brasil, tendo sido comummente aceite, o que está cor­reto (a con­soante dobrada persiste nas ortografias lusófonas). O nosso país, mais relapso a qualquer mudança, seja ela ortográ­fica, política, religiosa ou social (aqui fica bem um etc., dá sem­pre jeito…) – continua um velho respeitável transbordante de sabedura (tornou-se um grande acionista da bolsa de valores imutáveis), mas a lentura do seu passo faz com que Sócrates ganhe corridas ao fim de semana (agora sem hífenes) … Hei de voltar. Com outros hífe­nes e demais apêndices!

Reflexões sobre o acordo ortográfico (conclusão)
O meu “conflito” inicial com o novo acordo ortográfico devia-se tão-só a uma mera estranheza afetiva. Estava longe de trajar-me de mosqueteiro a terçar armas pelo sim ou pelo não. Ao princípio ver grafado ótimo sem p; ação sem c, veem sem circunflexo no primeiro e; para (sem acento agudo, terceira pessoa de parar e também preposição); pelo sem circunflexo para designar cabelo, pode confundir-se com a preposição); espetáculo e algumas mais palavras do mesmo jaez, como seleção das quinas, arquiteto, teto da casa, atual situação do protecionismo estatal, etc., deixam-nos, no início, um pouco perplexos, e a reação que se tem traduz-se numa quase orfandade consonântica, que passa com um luto bem feito. No entanto, quando a consoante muda se articula, como em faccioso, ficcional, perfeccionista, bactéria, ela mantém-se no seu posto. Sejamos otimistas, o otimismo é salutar, nada está perdido! Outras palavras podem ser baralhantes como o caso de Egito e Egípcio. Basta, porém, recordar a regra de ouro! Assim como adotar e adaptar, optar e opção. Por vezes não temos de adotar padrões europeus, mas, sim, adaptá-los à nossa realidade. Optar por ler um livro de um autor clássico constitui sempre uma boa opção. Os meses do ano e os dias da semana são escritos minúsculas: janeiro, fevereiro, etc. segunda-feira, terça-feira, etc., sábado e domingo…
Lembro-me, como muita outra gente, do grande alarido que fez esganiçar uma parte bem-pensante do País, aquando da construção do Centro Cultural de Belém. Eu também me incluí nas hostes do contra. O respectivo edifício, que lembrava arquitectura árabe (logo, infiel), iria desfear o Mosteiro dos Jerónimos, violentar o ambiente, e mais outras razões que se desejavam ponderáveis, mas que vieram a tornar-se imponderadas. Poucos anos depois, ninguém mais falou contra o CCB. E até se afirma que está bem enquadrado no local onde, mais coisa menos coisa, o Velho do Restelo, pela pena de Luís de Camões, tomou o partido contra os Descobrimentos…
O mesmo quanto ao Acordo Ortográfico a ser posto em prática não se sabe bem quando. Daqui a meia dúzia de anos, ninguém pronunciará uma só sílaba contra o ainda para alguns intelectuais tão malfadado Acordo. Então as crianças de hoje, quando forem adultas, rir-se-ão dos seus antepassados, como eu me ri quando via grafado, em livros antigos, pharmacia, photographo, etc. Não, não vou nem quero vestir-me da voz do Velho do Restelo. A Língua Portuguesa sempre sofreu acordos ortográficos, e não lhe caíram os parentes na lama por causa dessas inovações, embora, em cada desses momentos, houvesse detractores que quase se batiam em duelo com os linguistas e os gramáticos do tempo…
A propósito de duelos, vou transcrever alguns passos de um texto de Eça de Queirós, extraídos dos Echos de Pariz, livro póstumo, publicado em 1924, e transcrito pelo filho segundo as regras do Acordo Ortográfico de 1911. Vou, depois, transcrevê-lo conforme o de 1945 e também segundo o atual:
[…] Os duellos succedem-se tão regularmente como as madrugadas; e o primeiro espectaculo que o sol, o velho e dourado Phebo, avista ao assomar a rósea varanda do Oriente, é um francez em mangas de camisa e de florete na mão, á beira de um arroio ou nas hervas de um prado, procurando varar com arte as visceras essenciaes de outro francez.
[…] Não póde agora um honesto melro gorgear pacificamente as suas reflexões da alvorada, sem que o venha interromper uma velha caleche a trote d’onde emergem, soturnos e de negro vestidos, sujeitos com um mólho de espadões debaixo do paletot […].
Entre o texto segundo o Acordo de 45 e o de 1990, há apenas um c a mais!
[…] Os duelos sucedem-se tão regularmente como as madrugadas; e o primeiro espectáculo (espetáculo, para grafar à Acordo de 1990) que o sol, o velho e dourado Febo, avista, ao assomar a rósea varanda do Oriente, é um francês em mangas de camisa e de florete na mão, à beira de um arroio ou nas ervas de um prado, procurando varar as vísceras essen­ciais de outro fran­cês. […] Não pode agora um honesto melro gorjear as suas reflexões da alvo­rada, sem que o venha interromper a velha caleche de onde emergem, soturnos e de negro vestidos, sujeitos com um molho de espadões debaixo do paletó […].
Segundo o reduzido acordo ortográfico posto em prática em 1973, os advérbios terminados em mente e as palavras com sufixo inho, deixaram de ser acentuados com acento grave. Antes daquela data, escrevia-se necessàriamente, sòzinho, espontâneamente, etc., passando a escrever-se necessariamente, sozinho, espontaneamente, etc. Continua a manter-se no novo acordo. Será que quem nasceu depois de 73 necessita da gravidade desse acento? Mesmo aqueles que já eram homens feitos habituaram-se. Trata-se de uma questão de hábito e, como se sabe, ele é uma segunda natureza…
Eis o bicho-de-sete-cabeças! Afinal, um tigre de papelão. Os leitores coetâneos do primeiro texto com certeza se sentiram “agredidos” com as alterações do acordo que sucedeu ao de 1911. Teriam razão? E os atuais leitores? Apenas com um c de diferença, acham que será o bastante para fazer rodopiar o juízo? Não será tudo isto uma questão de lana-caprina? Uma tempestade num copo-de-água? Façam o favor de dizer ou escrever das suas razões. Obrigado.

Cristóvão de Aguiar

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Cabo Verde: Acordo ortográfico em vigor até Outubro

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O ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga, afirmou hoje que o acordo ortográfico deverá entrar em vigor em Cabo Verde, «o mais tardar» até Outubro próximo.
«Em Cabo Verde, queremos fazer tudo por tudo para que, até Outubro, o acordo entre em vigor», disse Manuel Veiga, adiantando que a indicação de uma data definitiva deverá sair do encontro dos Ministros da Cultura da Comunidade dos Países de Língua portuguesa (CPLP), marcado para Junho, em Lisboa.
Segundo o ministro cabo-verdiano, o encontro de Lisboa será aproveitado para, entre outras questões, fazer o ponto de situação do Acordo Ortográfico.
Sobre as condições existentes no arquipélago para a implementação do novo acordo ortográfico, nomeadamente no que respeita ao seu conhecimento por parte da sociedade, Manuel Veiga reconheceu que os cabo-verdianos poderão «não estar bem informados».
O governante explicou, porém, que quando se decretar a entrada em vigor do Acordo Ortográfico haverá um «tempo de experiência» que poderá ir até seis anos.

Fonte: http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=4&id_news=386306

domingo, 3 de maio de 2009

Acordo ortográfico e léxico galego

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O passado dia 14 de abril, na Sala Nobre da Academia de Ciências de Lisboa, foi apresentado o Léxico autóctono da Galiza. Dentro de uma sessom interacadémica, na que participaram as academias portuguesa, brasileira de letras e a galega de língua portuguesa, representadas polos seus presidentes, respeitivamente, professores Arantes e Oliveira, Cícero Sandroni e Martinho Montero. No mesmo acto o académico brasileiro professor Evanildo Bechara apresentou a ediçom quinta do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa do Brasil. O Léxico autóctono da Galiza, elaborado entre outros polo ourensano da Límia Isaac Estraviz, o maior lexicógrafo que temos na Galiza, e por Álvaro Iriarte Sanromam, Fernando V. Corredoira, Higínio Martins, A. Gil, Ângelo Brea e Carlos Durao, foi apresentado polo professor Montero, que tambem é membro da comissom redactora. No acto esteve presente o actual presidente da AGAL Alexandre Banhos. E o mesmo contou com apoio de entidades oficiais luso-brasileiras e espanholas, ao estar presentes o embaixador do Brasil em Lisboa Celso Vieira de Melo, o assesor do ministério de cultura português Dr. Augusto Joel e o chefe da conselharia cultural da embaixada de Espanha em Lisboa Sr. Gaspar Díaz.

Curiosamente, o Vocabulário português está aínda nestes momentos a ser elaborado. Uma vez terminado será publicado o ‘Vocabulário Comum da Lusofonia’, já adaptado ao acordo ortográfico, que entrou em vigor recentemente em todos os países do mundo lusófono. Com a incorporaçom do léxico brasileiro e do léxico próprio galego apresentado agora na capital portuguesa. Sem dúvida é este um momento histórico muito importante para Galiza e para o nosso idioma internacional. Que, como muito bem e acertadamente vem de sinalar o socialista galego David Balsa, ‘a nossa língua é um plus no exterior e temos que aproveitar-nos da nossa relaçom com Portugal, Brasil, Moçambique, Angola, Cabo Verde, Timor Oriental e Guinê-Bissau, e caminhar juntos’.

Quánto nos gostaria que em tema tam importante para a Nossa Terra nom perdamos o comboio por enéssima vez! Levamos infinidade de tempo perdido, levamos no tema do nosso idioma cometido infinitos e imensos erros, levamos perdidas infinidade de ocasioes históricas, levamos mantido liortas estúpidas artificiais e artificiosas neste tema. Que podemos superar e esquecer se, por fim, nos subimos ao carro ou comboio do acordo ortográfico da lusofonia, escrevendo de uma vez por todas bem a nossa língua, dentro duma ortografia comum com portugueses, brasileiros e lusófonos da África e Ásia. Seguindo o modelo que já tem desde há muito tempo o castelhano. Que mantem infinidade de falares diferentes, mas que sem embargo a norma escrita é comum para todo o mundo de fala castelhana. Quánta vantagem teria Galiza se da o passo, com dous idiomas tam importantes no mundo actual! O castelhano que, tal como prevêm os expertos europeus e doutros continentes, em dez anos vai igualar em utentes ao inglês. Pola sua parte o galego-português vai ser (já o é) o quarto idioma mais importante no planeta. Porque é o idioma de esse grande país tam rico que é Brasil. Igual que dizia Vilar Ponte, nós pensamos que em quanto viva o português o galego nom há morrer. O novo governo galego tem por diante uma ocasiom única : subir-se quanto antes ao carro do acordo ortográfico da lusofonia. E participar em todos os foros internacionais lingüísticos da lusofonia. Em pé de igualdade e com dignidade. Se faz isto, os galegos que desde sempre amamos o nosso idioma, e nom estamos em contra de nenhuma língua, lho agradeceremos de coraçom, para sempre e de por vida.

José Paz Rodríguez
Professor Numerário da Faculdade de Educaçom de Ourense

Fonte: http://www.laregion.es/opinion/4884/