Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.
- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.
- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.
- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.
- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.
- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"
- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.
- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.
- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.
- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.
- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).
- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).
- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).
- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.
- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).
- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.
Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24
As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.
Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).
Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!
Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.
A Direcção da NOVA ÁGUIA
Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.
NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274
Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:
https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
terça-feira, 14 de julho de 2009
novo acordo ortográfico: últimas notícias e comentários...
1. Notícias
a) A Academia das Ciências de Lisboa (ACL) acaba de enviar para a imprensa um comunicado no qual anuncia uma nova edição do Vocabulário da Língua Portuguesa, com os neologismos de uso corrente generalizado, incorporados no léxico comum ao longo dos últimos quarenta anos.
Sublinha que este vocabulário será realizado nos termos do Acordo Ortográfico (1990). A publicação será feita pela Imprensa Nacional.
Fala num futuro Vocabulário Comum da lusofonia, com a contribuição de todos os países signatários e da Galiza.
No programa Páginas de Português realizado pela Ciberdúvidas na Antena 2, em 5 do corrente, o Professor Artur Anselmo esclareceu que será um Vocabulário resumido, com cerca de 60 000 a 70 000 entradas, com base no Vocabulário de Rebelo Gonçalves, completando e actualizando a obra da ACL de 1970.
Não será, portanto, exaustivo como o VOLP brasileiro, considerando que este contém muitos lexemas regionais não usados em Portugal. Terá duplas grafias (falou em triplas e em quádruplas…, o que me pareceu excessivo, pois estas serão já muito raras).
O financiamento virá das vendas da editora. O texto será entregue para impressão em princípio de Outubro, e a publicação estará nas bancas no fim do ano corrente.
Quanto ao Vocabulário Comum, disse, como era de esperar, que os diversos países signatários terão depois de se entender.
Concluiu, sensatamente, que é preferível os assuntos serem estudados com profundidade a serem-no com precipitação.
b) Na mesma emissão, o Professor Malaca Casteleiro informou que tem em estudo um Dicionário Ortográfico e de Pronúncia do Português Europeu, com muito mais de 100 000 entradas. Esta obra inclui morfologia, flexões (também verbais) e, além da ortografia, também a fonética, com base no Dicionário da ACL 2001, no Grande Dicionário da Porto Editora e noutros trabalhos. Depreende-se que não é propriamente um dicionário, com acepções.
As bases de estudo serão: o Vocabulário de Rebelo Gonçalves e o de Pedro Machado. O projecto foi iniciado em Novembro de 2008 e estará concluído em Outubro de 2010. Foi financiado com 70 000 euros de dinheiros públicos, instalações e logística. O projecto terá de encontrar ainda uma editora interessada na publicação.
2. Comentários
2.1 ACL
a) O Vocabulário da ACL tem a vantagem de permitir rapidamente pôr o novo AO em vigor, dado que uniformiza as variantes do português europeu no novo AO. Sem esta uniformização legal (ainda não foi retirada à ACL o direito de fazer lei na língua) continua a não ser aceitável que o novo AO entre em vigor. As publicações comerciais já existentes apresentam soluções algumas vezes díspares e o VOLP brasileiro não contempla muitas das nossas variantes (referências várias foram feitas em Ciberdúvidas ). Há pressa em ter um Vocabulário para o novo AO em vigor, para haver acompanhamento nosso no esforço que o Brasil está já a fazer na lusofonia com o seu VOLP, publicado no início deste ano.
Este vocabulário resumido da ACL tem o inconveniente de ser uma solução minimalista em relação ao VOLP brasileiro, de 350 000 entradas. Não ficamos muito prestigiados na lusofonia. Espera-se que possa haver, depois, um VOLP do português europeu mais completo. Fica a dúvida sobre como será a sigla deste vocabulário resumido da ACL. Lembra-se que o Brasil foi buscar a sua sigla ao Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da ACL de 1940, que aliás constituiu a base para o vocabulário brasileiro nessa altura (bons tempos estes da ACL…). O Vocabulário agora em estudo da ACL, na comunicação à imprensa intitulado Vocabulário da Língua Portuguesa, será só VLP? Enquanto não houver sigla oficial designarei o brasileiro por VOLP PB e o da ACL resumido por VOLP PER.
b) O facto de a ACL falar num Vocabulário Comum, com a contribuição de todos os países signatário e da Galiza, significa que a ACL interpretou bem o espírito do Acordo de 1990. Esta reforma ortográfica planetária da língua portuguesa só se concretizará quando houver um Dicionário Comum para toda a lusofonia, no qual se poderão encontrar as diversas variantes legais no universo da língua. Isto implica a necessidade prévia de haver um acordo quanto a um Vocabulário Comum.
c) Independentemente dos encargos com a publicação, há encargos com o estudo. Parte-se do princípio de que a ACL dispõe já de verbas para esse fim, pois que ainda há pouco tempo afirmava que não tinha disponibilidades para elaborar um VOLP PE.
d) Enquanto a ACL continuar a ter sérias responsabilidades oficiais na língua, não pode de novo sujeitar-se a críticas como aquelas que lhe foram feitas no Dicionário 2001, que apadrinhou. Esse dicionário apresentava muitas virtualidades, nomeadamente ser de facto contemporâneo e não uma cópia de outros, trazer a novidade da pronúncia e muitas abonações; mas enfermava de um excesso de abertura a barbarismos, que escandalizou as pessoas extremosas na língua.
Supõe-se que para este projecto a ACL terá reunido uma equipa competente alargada e multidisciplinar. Não basta o apoio dos dois mencionados Professores Maria Helena da Rocha Pereira e Aníbal Pinto de Castro. Já será de louvar se estes catedráticos conseguirem fazer um trabalho completo de coordenação e uniformização científica.
Sublinha-se que a cópia simples do VOLP PB é inaceitável, pois algumas das nossas variantes costumam ter preocupações etimológicas mais exigentes (ex.: húmido e não a única entrada úmido do VOLP PB). Por outro lado, espera-se que algumas soluções brasileiras aceitáveis sejam ponderadas, como, por exemplo, as brasileiras escâner, estresse, toalete, preferíveis a algumas que têm sido publicadas ultimamente em Portugal: a criticável *scaner (sc inicial está abolido da língua desde o princípio do século passado); a inaceitável *stresse (st inicial sempre se converteu do latim em es); a incompreensível *toilete pronunciada tuà (o encontro vocálico oi, nunca foi entre nós o ditongo uà).
Certamente que para a execução pormenorizada e laboriosa dos verbetes (pesquisa, recolha, tratamento informático) terão sido incumbidos colaboradores mais jovens, dada a idade provecta em média dos académicos da ACL. Isto porque, partindo do princípio de que o trabalho não terá começado há muito tempo, digamos um mês, temos cerca de 16 semanas a 5 dias, até Outubro (com Agosto de permeio…), o que dá a necessidade de análise de quase 1000 verbetes por dia, atendendo ao tempo depois disponível para a organização e revisões finais. Esperemos que a data prometida pelo Professor Artur Anselmo se realize. Portugal está cansado de promessas que acabam por não se cumprir ou por serem depois realizadas “em cima do joelho” como diz o povo. Não era nada gratificante para Portugal que a ACL se sujeitasse agora a críticas no seu Vocabulário.
2.2 Obra do Professor Malaca Casteleiro
A língua muito deve ao Professor Malaca Casteleiro, pelo seu espírito de inovação e pelo esforço que tem feito na elaboração dos projectos e acordos ortográficos, em colaboração com os também reputados cientistas do Brasil. O trabalho que agora tem em projecto parece ser muito útil e, pelo menos, é mais ambicioso do que o da ACL. Faz-se votos para que não insista nos termos que escandalizaram a comunidade linguística no seu dicionário da Academia 2001.
Este Vocabulário não resolve o problema da urgência em termos um VOLP do português europeu, nem há a certeza de que tal trabalho faça lei na língua.
3 A dispersão de esforços
Lembra-se, muito vivamente, de que devem ter também uma palavra a dizer no VOLP PE oficial outras entidades muito competentes na língua, como o ILTEC, e que há uma acervo linguístico considerável no Centro de Linguística da Universidade de Lisboa.
No país, parece que os sucessivos poderes fazem gala em voltar tudo à estaca zero, perdendo-se tempo e meios, só para politicamente não aceitarem o que de positivo outros fizeram; …e essa “falta de unidade” trava a comunhão de esforços, que é multiplicativa. Na língua, a “falta de unidade” é também gritante. Temos o Instituto Camões dependente do Ministério dos Negócios Estrangeiros; temos o empenho na língua do Ministério da Cultura; não deixa de ser fundamental na língua o Ministério da Educação; e, finalmente, temos, arvorando-se de autoridade na língua, a ACL, dependente do Ministério da Ciência e Tecnologia… Cada um com a sua capelinha.
Assim, o que legitimamente os portugueses perguntam é para quando Portugal terá uma Academia Portuguesa de Letras, como têm os países que respeitam a sua língua, nomeadamente a Espanha, com a prestigiada Real Academia da Língua Espanhola, ou o Brasil, com a sua ilustre Academia Brasileira de Letras. Uma Academia Portuguesa com um escol de linguistas e escritores respeitados, que verdadeiramente superintendesse na língua, não só por princípio hierárquico estabelecido, mas onde estivesse representada a superior competência linguística ou artística nas letras, do país.
Este desprezo pela importância fundamental do património linguístico é bem uma responsabilidade de todos os governos, que frequentemente parece estarem mais preocupados com os problemas corporativos dos partidos do que com os valores nacionais.
(...)
D’ Silvas Filho
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