EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".

Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.


Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,

Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

EDITORIAL

Sendo a NOVA ÁGUIA uma Revista que, de forma assumida e descomplexada, dá o devido destaque aos autores maiores da nossa tradição filosófica e cultural, inevitavelmente teríamos que dedicar um número a Álvaro Ribeiro – depois de já o termos feito a António Vieira, Agostinho da Silva, Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa. A ocasião chegou, agora que se assinalam os trinta anos da sua morte. Que outra Revista o poderia fazer?
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…

ÍNDICE

Editorial…5
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261

NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS

10.10.11 - 18h30: Livraria FNAC Chiado (Lisboa)
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa


Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

Lançamentos já noticiados em:

RTP

Diário de Notícias

Diário Digital

Expresso

Jornal de Notícias

Jornal Porto Net

Notícias Lusófonas

Público


E em muitas dezenas de blogues...

FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.

À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Estátua de Agostinho da Silva em Figueira de Castelo Rodrigo



Nestas minhas férias de Agosto, curiosamente assisti, desde o bloco de pedra em bruto ao acabamento da estátua de Agostinho da Silva em Figueira de Castelo Rodrigo.
Aqui fica as fotos em que se vê o escultor em pleno trabalho, com um calor abrasador, diga-se.
Resta saber onde irão colocar a estátua, ficaria bem junto á Casa da Cultura.

Manuela

Na Galiza, continua a investida anti-galega...

.
Novas da Galiza excluído novamente das ajudas aos meios escritos em galego

PGL - Segundo informa o último número do jornal soberanista, a Secretaria Geral de Meios rejeitou atribuir à empresa Minho Media SL, editora da publicaçom, ajudas «dirigidas a empresas que realizam publicaçons integramente em galego» com o pretexto de o jornal «nom estar escrito integramente em galego conforme a normativa oficial vigente, segundo informe da Secretaria Geral de Política Lingüística».

Fonte: www.pglingua.org

Uma história exemplar...



Porque a hipocrisia não tem fundo nem a vacuidade limite, lembrou-se a esquerda italiana de procurar derrubar o mafioso do Berlusconi por causa da sua vida privada.

E eis que o Vaticano resolveu ajudar na campanha, através de um dos seus jornais: Avvenire. A resposta, como seria de esperar, veio célere: um dos jornais do grupo de Berlusconi denunciou um escândalo (homo-)sexual que envolve o Director do “jornal dos bispos”. Com o seguinte recado: “Chegou o momento de desmascarar os moralistas”.

De facto, quem espreita pelo buraco da fechadura fica sempre, mais cedo ou mais tarde, com o olho negro. E os moralismos, em política, também nunca dão bom resultado. Ainda alguém se lembra do Manuel Monteiro, que passava a vida a falar em “moral”?

Ainda nos 10 anos do Referendo que legitimou a independência de Timor-Leste...



PALAVRAS DE JOSÉ RAMOS-HORTA:

"Portugal ocupa uma posição única do nosso país. Diria que uma posição central! Partilhamos centenas de anos de uma ligação colonial que, apesar da dimensão óbvia da subjugação, une povos e culturas (...) e forja uma nova identidade, ajudando-nos a progredir de comunidades tribais para um Estado-nação".

Homem "pré-histórico" e homem "civilizado moderno" ou a raiz de todas as separações

"[...] o nosso ser humano amputa-se no que tem de mais profundo e ainda de mais universal e constante ao longo da sua peregrinação terrestre. Dizendo melhor, o homem "moderno civilizado" intenta cometer este antropocídio precedido por um cosmocídio - sem por isso consegui-lo. De facto, o homem moderno ocidental perdeu em grande parte o sentido da sua existência nua e está constantemente agarrado à sua consciência consciente para subsistir; não "vive" senão quando está desperto, nem se crê homem senão quando pensa ou quer mais ou menos conscientemente, isto é, pensando que pensa e observando-se a querer. A vida tem que ser então "propósito", "pro-jecto" e a oração (ponho por acaso) pensamento e volição... Gostaríamos de sublinhar que dissemos "moderno civilizado" e não homem ocidental - que todacia possui raízes muito mais profundas e mais vivas.

O homem primordial está aí, sabe-se homem. Porém, mesmo sabendo-se homem, não cortou ainda assim o cordão umbilical que o une com a terra e com o céu, porque não se sabe homem enquanto separado, coisa que implica a sua segregação do resto do universo. Sabe-se humus, homem que não está desvinculado da terra nem do céu e sabe que não é monarca absoluto da criação. Se por espiritualidade se entende a forma concreta pela qual o homem realiza a sua obra de salvação, a sua plenitude, a espiritualidade pré-histórica identifica-se com a própria vida do homem, toda ela vivida e considerada como um rito, ou seja, como uma acção sagrada na qual o humano e o divino colaboram para fazer chegar o cosmos ao seu destino. A espiritualidade é rito e o rito é a própria vida. Tudo é uma acção ritual e, por este mesmo facto, por nem sequer vislumbrar a possibilidade da existência de uma esfera profana, o próprio rito não se distingue do conjunto de acções comuns da vida corrente. O homem vivendo "faz", trabalha, forja a sua salvação, porque a vida não é outra coisa senão isto: o caminho para a salvação, a oportunidade de chegar plenamente a ser. A questão não é que o homem deva fazer muitas coisas no caminho e entre elas pôr em prática os meios para salvar-se, não é que a religião seja uma de tantas coisas, ainda que porventura a mais importante das que o homem tem que realizar; a questão é que a própria vida é esta realização ou não é nada. A vida religiosa não tem férias nem pausas, como as não tem o coração. Não há períodos de descanso porque não é uma acção justaposta à vida, ao viver, que desgaste e necessite ser reposta, antes é a própria dinamicidade da existência. A adoração, ou seja, a consagração total e rendida à Divindade ou à Realidade, é considerada como evidente e como pressuposto implícito em qualquer acto. Tudo é latria. Lentamente, o céu separa-se da terra na consciência do homem e então começa a subir ao céu o espírito de Deus que flutuava sobre as águas. Aparece o que logo no Ocidente se chamará idolatria e as novas formas religiosas mais ou menos conhecidas. Aparecerão então os Deuses mais ou menos personificados e em conflito entre si e entre os homens.

Mesmo sem o epifenómeno do que chamamos civilização, o homem pré-histórico é plenamente homem e vive toda a profundidade abissal da sua existência"

- Raimon Panikkar, Espiritualidad hindú. Sanatana dharma, Barcelona, Kairos, 2005, pp.64-66.

Guerreiro

Avança, fronte desnuda na imensidão
peito aberto ao vento
passo asa firme e lesto

Atrás um rasto de bandeiras incendiadas
pátrias reduzidas a escombros
nomes e palavras calcinados

Pisando os mundos
como um restolho de Outono
ergue-se acima de si

e das entranhas de tudo
fundo indómito canto
à boca lhe sobe

Ébrio da mais pura alegria
proclama o Invencível:
jamais haver combatido

31.08.2009

Ainda sobre Timor-Leste...



Referindo-se em particular ao Ramos Horta e ao Xanana Gusmão, houve alguém que escreveu neste blogue: “A União Lusófona, se não fosse uma quimera, seria a união das piores gentes do mundo.”

Cito a frase não por causa de quem a escreveu - não vale a pena perder tempo com palermas, que só estão aqui a ver se causam alguma perturbação. Eles que percam o tempo deles, que pelos vistos não tem valor algum…

Também não por causa da manifesta agenda anti-lusófona, que aliás não me espanta: desde que outra palerma infiltrada se indignou por eu ter manifestado a esperança de que Moçambique mantenha e reforce a sua condição lusófona, já nada me espanta…

Apenas pela expressão: “piores gentes do mundo”. Isto para dizer que não sendo eu um admirador incondicional do Ramos Horta e do Xanana Gusmão, não posso deixar de ter por eles um profundo respeito. Ambos dedicaram a sua vida à libertação do seu povo e ambos sofreram por isso – em particular o Xanana (que, recordo, esteve preso vários anos).

É verdade que depois, chegados ao poder, desiludiram, como, de resto, não poderia deixar de acontecer, tal a aura que tinham criado. Em particular o Xanana, que, se tivesse morrido ainda enquanto guerrilheiro, seria hoje, decerto, uma espécie de Che Guevara lusófono…

Tudo isto para concluir que podemos, decerto, concordar menos ou mais com a proposta de amnistia geral que os dois propuseram (ver textos abaixo sobre o assunto). Mas isto sempre respeitando estas duas figuras que, justamente, já entraram para a História Lusófona…

Domingo, 30 de Agosto de 2009

...

O patriotismo visto por um jovem punk lusófono

"O Patriotismo ou mesmo o nacionalismo são sentimentos legítimos de irmandade com sua cultura, seu povo, seu território e símbolos que coesionam tudo isso. Um socialista, por mais internacionalista que seja, não pode deixar de se irmanar com o contexto que é a realidade objectiva que o cerca, a de que nasceu num país com características diversas próprias. Num contexto de ameaça e de intervenção imperialista como o que vivemos no mundo, desde o Neocolonialismo pra cá, a necessidade do patriotismo se faz necessária como antídoto à invasão e à ingerência de interesses externos a uma nação...
Como dizia Mao Tse Tung, é preciso saber combinar com tranquilidade o internacionalismo proletário com o patriotismo. É preciso saber se colocar ao lado da libertação de todos os povos do mundo de suas amarras e opressões, ao mesmo tempo em que se defende o seu próprio povo, território e cultura que te cerca, que te torna comum a seus compatriotas, da perda de soberania, da exploração de uma nação sobre a outra, do domínio externo sobre seu país e povo."



Excerto de entrevista efectuada por mim a Camilo Maia, vocalista dos Subversivos.

EVOLUÇÃO

.
"o estudo da pré-história leva-nos à conclusão de que o homem não surgiu na terra logo senhor de todas as técnicas e mais ou menos como o conhecemos hoje; foi uma evolução lenta e custosa, tanto no tipo físico como nas indústrias, que século a século foi desprendendo o homem da animalidade pri­mitiva; foi o trabalho constante, persistente, cada vez mais inteligente do próprio homem que lhe deu, a cada ano que passava, um domínio mais seguro sobre os animais e as coisas; o esforço das multidões somou-se à iniciativa dos homens de génio desconhecidos para que ao fim de centenas ou de milhares de anos a humanidade se encontrasse num plano de relativa civilização; o pouco que somos, a nós próprios o devemos; e nada melhor do que o estudo desse longo e lento tactear que se chama a pré-história nos pode dar confiança no futuro da nossa raça. Não são só as técnicas que se desenvolvem, é a própria capacidade craniana que aumenta de um modo sensível. Os que afirmam que a humanidade não poderá nunca aumentar em inteligência e trazem como argumento a comparação entre os homens de hoje e os homens do Egipto ou de Atenas ou da primeira China cometem um erro grosseiro; porque os 3.000 ou 5.000 anos que nos separam dessas civilizações nada significam à vista das centenas de séculos das indústrias pré-históricas; a duração da história é ínfima em relação à da pré-história.”[1].

[1] A Arte Pré-Histórica, Lisboa, Edição do Autor, 1940, pp. 3-4.

Domingo de Avé Maria

video

Maravilhosa interpretação de Sumi Jo .

Um Santo Domingo para todos(as) .

Rogério Maciel

ALÉM DA CAVERNA

Física e misticismo, física e misticismo, física e misticismo... Na década passada foram lançadas, literalmente, dúzias de livros de físicos, filósofos, psicólogos e teólogos com o objectivo de descrever ou explicar a extraordinária relação entre a física moderna, a mais dura das ciências, e o misticismo, a mais suave das religiões. A física e o misticismo estão rapidamente a aproximar-se de uma notável visão comum do mundo, dizem alguns. São aproximações complementares para uma mesma realidade, afirmam outros. Não, nada têm em comum, anunciam os cépticos; os seus métodos, objectivos e resultados são diametralmente opostos. Na verdade, a física moderna vem sendo usada para apoiar ou refutar o determinismo, o livre-arbítrio, Deus, Espírito, a imortalidade, a causalidade, a predestinação, o Budismo, o Hinduísmo, o Cristianismo e o Taoísmo.
O facto é que cada geração tem usado a física para provar ou negar o Espírito - o que é significativo. Platão declarou que toda a física era, usando as suas próprias palavras, nada mais do que uma "história plausível", uma vez que ela dependia, em última análise, da evidência de sentidos fugidios e vagos, enquanto que a verdade residia nas Formas transcendentais além da física (daí a "metafísica"). Por outro lado, Demócrito acreditava somente em "átomos e no vazio", desde que, sentia ele, nada mais existia - uma noção tão desprezível para Platão, a ponto de levá-lo a expressar o mais forte desejo de que toda a obra de Demócrito fosse queimada imediatamente.
Quando a física newtoniana passou a reinar, os materialistas agarraram-se a ela para provar que uma vez que o universo era, obviamente, uma máquina determinística, não havia espaço para livre-arbítrio, Deus, graça, intervenção divina, ou qualquer outra coisa que, mesmo vagamente, se assemelhasse ao Espírito. Este argumento, aparentemente impenetrável, não causou o menor impacto nos filósofos espiritualistas ou idealistas. Realmente, estes argumentavam, a segunda lei da termodinâmica - que, inequivocamente, anuncia que o universo está a gastar a corda - significa somente uma coisa: se o universo está a gastar a corda é porque, previamente, algo ou alguém deu corda ao universo. A física newtoniana não refuta Deus; pelo contrário, afirmavam, ela prova a absoluta necessidade de um Divino Criador!
Ao entrar em cena a teoria da relatividade, repetiu-se o mesmo drama. O Cardeal O'Connell de Boston preveniu os bons católicos que a relatividade era "uma confusa especulação produzindo uma dúvida universal sobre Deus e a Sua criação"; a teoria era uma "hedionda aparição do Ateísmo". Por outro lado, o Rabino Goldstein anunciou, solenemente, que Einstein tinha conseguido nada menos do que produzir "uma fórmula científica para o monoteísmo". Similarmente, os trabalhos de James Jeans e Arthur Eddington foram saudados efusivamente nos púlpitos de toda a Inglaterra - a física moderna sustenta a Cristandade em todos os aspectos essenciais! O problema era que tanto Jeans quanto Eddington não concordavam com esse entendimento e muito menos concordavam entre si, o que inspirou o famoso chiste de Bertrand Russel de que "Sir Arthur Eddington infere a religião do facto de que os átomos não obedecem às leis da matemática; Sir James Jeans infere-a do facto de que eles obedecem-lhes".
Hoje ouvimos falar da suposta relação entre a física moderna e o misticismo oriental. A teoria "bootstrap", o teorema de Bell, a ordem implicada, o paradigma holográfico - supõe-se que tudo isto prova (ou refuta?) o misticismo oriental. Em todos os aspectos essenciais, repete-se a mesma história com personagens diferentes. Os prós e os contras apresentam os seus argumentos, mas o que resta de verdadeiro e inalterado é que, simplesmente, o assunto em si é extremamente complexo.
No meio de toda esta confusão, então, parece ser uma boa ideia consultar os fundadores da física moderna sobre o que eles pensavam a respeito de ciência e religião. Qual é a relação, se é que existe alguma, entre a física moderna e o misticismo transcendental? A física dá suporte a temas como livre-arbítrio, criação, Espírito, alma? Quais são os respectivos papéis da ciência e da religião? A física trata mesmo da Realidade (com "R" maiúsculo) ou está necessariamente confinada a estudar as sombras na caverna?
Ken Wilber

CAPITALISMO

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“É característica do sistema económico que tornou possível o avanço da humanidade, até o ponto em que hoje nos encontramos, a concorrência, cujo resultado favorável para o indivíduo se exprime pelo lucro; nenhuma das grandes conquistas do homem no domí­nio da técnica se teria podido fazer sem o sistema de propriedade individual dos meios de produção e de transporte e, portanto, sem a existência do lucro; pelo sacrifício, aos milhões, dos mais fracos de inteligência ou de corpo se salvaram e puderam viver os que ti­nham as qualidades de iniciativa, de audácia, de per­sistência que podiam assegurar o triunfo longínquo; as técnicas da produção eram tão rudimentares que uma propriedade comum, com distribuição equitativa, seria a miséria para todos, o estancar definitivo de todo o impulso de avanço; as exortações de Cristo, seguidas integralmente na época em que as fez — ou até há pouco tempo — teriam significado o desapareci­mento das possibilidades de uma vida mais bela e mais forte, teriam significado que nunca mais o reino divino que Jesus pregava se teria podido estabelecer na terra”[1].

[1] As Cooperativas, Lisboa, Edição do Autor, 1942, p. 6.

Sábado, 29 de Agosto de 2009

A realidade é uma prostituta

DE ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA: A SAIR EM BREVE

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A EXPERIÊNCIA REFLEXIVA: ESTUDOS SOBRE O PENSAMENTO LUSO-BRASILEIRO

ÍNDICE

Profecia e escatologia em António Vieira
D. Francisco Manuel de Melo e Vieira: Saudade e Quinto Império
Iluminismo luso-brasileiro?
Silvestre Pinheiro Ferreira e a filosofia brasileira
Joaquim Maria Rodrigues de Brito: da filosofia do direito à filosofia da religião
O conceito da razão na filosofia luso-brasileira do século XX
A ideia de Deus e a religião em José Régio
Os caminhos cruzados de Delfim Santos e Sant’Anna Dionísio
Agostinho da Silva e o pensamento russo: algumas afinidades e convergências
Portugal como enigma
O diálogo crítico de António José de Brito com Miranda Barbosa e Cabral de Moncada
O sentido e o valor ontológico da linguagem em Vilém Flusser e José Enes
Gnosiologia e ontologia no pensamento de Eduardo Soveral
A onto-antropologia do jovem Fernando Gil
A ética neo-utilitarista de Mário Sottomayor Cardia
A ética no pensamento de António Paim

Ainda sobre Timor-Leste...

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O primeiro-ministro de Timor-Leste, defende o perdão aos autores dos crimes cometidos até 1999, em nome das boas relações com Jacarta, considerando que a liderança também teve responsabilidade nos acontecimentos que levaram à ocupação indonésia.

Em entrevista à agência Lusa em Díli, Xanana Gusmão explicou que a população será "mais forte" se "perdoar, chamar para o seu lado, em vez de punir" os crimes cometidos durante a presença indonésia em Timor-Leste, entre 1975 e 1999.

"Ficamos admirados, com pena, com o grau de ódio que divide comunidades, seitas, tribos em vários países do mundo, que não se perdoam, usam as armas e a violência na sua mais alta expressão, a guerra, para se destruírem", disse Xanana Gusmão.

Timor-Leste celebra no domingo os dez anos da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, que conduziu o país à independência, último acto de uma resistência protagonizado pelo actual chefe de Governo na maior parte dos 24 anos de ocupação e que terminaram com um saldo de 183 mil mortos.

Até hoje nenhuma alta patente indonésia foi acusada pelos crimes em Timor-Leste e a comissão formada pelos dois países para analisar os abusos cometidos durante a consulta popular terminou os trabalhos sem recomendar acusações nem indemnizações individuais.

Na quarta-feira, a Amnistia Internacional classificou de "impunidade" o tratamento dado pela justiça dos dois países aos crimes de 1999.

"Abraçamos os valores universais da Justiça mas há uma certa dificuldade de se perceber que cada terra, cada povo, tem as suas próprias formas ou modelos de resolver os seus problemas e conflitos", disse o primeiro-ministro.

Por outro lado, assinalou Xanana Gusmão, já há resultados na política do perdão.

"Temos milhares de estudantes na Indonésia, as melhores relações com a Indonésia, melhores talvez do que com vários países do mundo", declarou.

Há ainda o comércio, que "pende mais para a Indonésia do que para qualquer lado do mundo".

"Nós, que somos um país essencialmente importador, vemos os benefícios disto: da política de perdoar, deixar para o passado o que foi do passado e construirmos todos, de uma maneira ou outra - ou eles numa forma, nós noutra - um futuro muito mais harmonioso entre os dois povos e entre os filhos desta terra", defendeu o primeiro-ministro.

"Continuo convicto de que é a melhor solução para muitos países, como o nosso", sublinhou o líder histórico da resistência timorense, capturado em 1992 e que esteve preso até 1999 na Indonésia.

Xanana Gusmão disse à Lusa simpatizar com a sugestão de uma amnistia geral, proposta pelo Presidente da República, Ramos-Horta, para os crimes cometidos antes de 1999, lembrando a responsabilidade dos timorenses nos acontecimentos que conduziram à invasão da Indonésia em 1975.

Os partidos timorenses, nascidos após a revolução portuguesa um ano antes, "em vez de aparecerem para sonhar pela liberdade, apareceram para infringir dores uns aos outros", recordou.

"Pessoalmente, não posso negar que fui membro do comité central da Fretilin e tivemos a nossa quota-parte nesse processo todo de 24 anos", reconheceu. "Somos santos e somos pecadores."

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1346881&seccao=CPLP

Somos o universo e não damos por isso

"Na sua ascensão espiritual para o Uno supremo, os yogis e yoginis tântricos intensificam progressivamente a sua consciência, o que assim os capacita para experimentarem domínios cada vez mais subtis de existência. Ao nível material, experimentamos o corpo como separado do seu ambiente. Todavia, nos níveis mais elevados de existência, as fronteiras entre o corpo e o ambiente tornam-se crescentemente indistintas e o corpo primordial é coextenso com o próprio universo. Por outras palavras, no mais alto nível da corporeidade somos literalmente o universo. Nesse nível somos verdadeiramente omnipresentes tal como omniscientes. Quanto mais baixo descemos na escada da evolução psicocósmica, mais pronunciada se torna a cisão entre consciência, corpo e ambiente"

- Georg Feuerstein, Tantra. The Path of Ecstasy, Boston/London, Shambhala, 1998, p.143.

Isto explica a irreflectida crença dominante de haver uma separação entre seres, objectos e mundo, que é a matriz de todos os problemas e conflitos que dilaceram o universo. Nada pode solucionar isto, a não ser uma radical mutação da consciência. Sem ela, de nada servem reformas ou revoluções intelectuais, morais, artísticas, sociais, económicas ou políticas. Sem essa radical mutação da consciência, trans-dualista, o mundo continua e continuará a ser o que sempre foi: um lugar de contínua expectativa da felicidade e do bem e de contínua frustração disso. Sempre o mesmo, desde o Paleolítico até à era tecnológica e para além.

Reflicta-se bem nisto e não percamos tempo com futilidades, por mais sedutoras que sejam.

Pedro Unamet - filho do referendo

Dez anos depois de comover o mundo com o seu nascimento atribulado, Pedro Unamet Rodrigues quer uma PlayStation, emigrar para a Austrália e ser ministro da Saúde. Mas para já deseja dar uma prenda a Ian Martin, o chefe da missão da ONU em Timor na altura do referendo.



Um rapaz faz a continência ao seu pai, um agente da polícia filipina enviado para Timor-Leste, durante uma cerimónia em Manila a 14 de Outubro de 2006. (Reuters, Fotografia de Cheryl Ravelo).


A história de Pedro Unamet Rodrigues teve início antes de o menino nascer. Logo que Ian Martin, chefe da missão da ONU (Unamet) em Timor-Leste, anunciou a vitória da independência, cinco dias depois da consulta popular de 30 de Agosto de 1999, a orgia de violência arrancou. Entre a fúria das milícias timorenses integracionistas, enquadradas pelo exército indonésio, e a fuga do pessoal estrangeiro de Díli, uma mulher no fim da gravidez tentava sobreviver.

No dia em que Timor viu reconhecida a legitimidade de 24 anos de luta, Joana Sousa Freitas, então com 28 anos, assustou-se com duas mortes às mãos da milícia Aitarak (espinho), ocorridas no bairro em que vivia, Santa Cruz, um lugar dado a massacres.

Enquanto dezenas de milhar de conterrâneos eram deportados para várias latitudes do arquipélago indonésio, Joana procurou "o único lugar seguro de Díli". Mas na sede da Unamet não a deixaram entrar. Dormiu numa escola vizinha, com uma banda sonora de tiros, e, no dia seguinte, acometida pelo medo, fez como os outros: "Saltei a vedação de arame farpado, ajudada pelo meu marido."

Nesses dias, a situação de caos em Timor fazia manchetes na imprensa internacional, o conselho de segurança da ONU reunia de emergência, Portugal vestia de branco, Lisboa dava as mãos de ponta à outra da cidade. "Todos os dias, só ouvia tiros. De repente, o rapaz nasceu", lembra Joana.

O parto do menino nascido a 7 do "Setembro negro" correu mundo. Chamaram-lhe Pedro, como queriam os pais, Unamet por sugestão do pessoal médico da ONU. Os seis meses seguintes, passou-os em Darwin, Austrália, num acampamento para refugiados timorenses nos arredores da cidade. Os pais divorciaram-se logo a seguir.

Dez anos depois destes acontecimentos, encontramos Pedro Unamet no mesmo bairro de Santa Cruz de onde saiu na barriga da mãe. A casa antiga foi pilhada, como quase todas em Díli, e ardeu, como tantas. A nova é uma típica habitação indonésia, básica nas paredes levantadas com cimento num azul sumido, e uma cobertura elementar contra a inclemência do sol e estação das chuvas.

Desta criança disse Ian Martin que era "o testemunho do povo de Timor", recorda Joana Freitas Sousa e, agora que o ex-chefe da Unamet volta a Díli para os dez anos do referendo, é bem capaz de celebrar um outro aniversário: "Quero dar uma prenda ao Senhor Martin, um tais (pano tradicional timorense)", diz o rapaz numa das poucas frases que pronuncia.

De resto, a história é quase toda contada pela mãe. Pedro Unamet não é de muitas palavras e quase todas as que sabe são em tétum. Conhecê-lo é aliás uma forma de fazer o raio X de Timor nos últimos dez anos através de um dos seus primeiros filhos. Muitas crianças da sua idade também não conseguem ir além das saudações em português, mas Pedro teve azar.

Pedro estudava na escola portuguesa em Díli até que, em 2006, uma crise institucional generalizada, agravada pelo envolvimento das forças armadas e implosão da polícia, deixou a capital em estado de sítio e 150 mil deslocados.

"Fugimos para junto da minha família em Baucau", recorda Joana Sousa Freitas, e, no regresso, Pedro Unamet teve de ir estudar para outra escola, onda o português não é ensinado com o mesmo empenho.

Não fosse o olho direito, perdido numa pedrada que não era para ele numa brincadeira de crianças, Pedro tem o ar saudável das crianças de dez anos. "Come tudo o que pomos na mesa", diz a mãe.

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1347467&seccao=CPLP

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Não vou aqui tomar posição sobre a actual situação político-institucional em Timor-Leste. É difícil ter uma visão clara sobre essa nebulosa da qual ainda está para sair um Estado verdadeiramente democrático. É preciso não esquecer as convulsões destes últimos 10 anos. A deposição dum Primeiro-Ministro democraticamente eleito, é uma das feridas, mas há mais, e mais profundas. O atentado contra o Presidente Ramos Horta e o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, ocorrido como consequência duma insurreição na qual os alvos dos atentados tiveram uma intervenção, vista à distância, pouco clara. E na sequência destes acontecimentos, os julgamentos revanchistas de figuras como a companheira do major Reynado, acusada de cumplicidade nos atentados. Para não falar do jogo estratégico das duas potências regionais, a Austrália e a Indonésia.

É preciso também não esquecer a intervenção da ONU naquele que é o país lusófono mais recente. Aqui o papel do malogrado Sérgio Vieira de Mello deve ser devidamente reconhecido, porque muita da viabilidade institucional do Timor que se ergueu das cinzas da violência indonésia (e timorense, uma vez que as raízes da violência das milícias estavam bem cravadas no tecido social timorense) se deveu à capacidade de geração de consensos deste administrador brasileiro da ONU.

Por isto é com inquietação pelo futuro imediato de Timor-Leste que tomo conhecimento dos apelos do Presidente Ramos Horta ao fim da exigência da constituição dum tribunal penal internacional para julgar os crimes praticados pelos indonésios e as milícias, no período final da ocupação indonésia. Parece-me que um processo de reconciliação como o da África do Sul não é possível na actual conjuntura timorense. Mas penso que a barbárie não pode ficar impune nem incólume a um julgamento à luz dos valores fundamentais expressos na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Neste sentido a Amnistia Internacional, nascida por causa dos crimes da ditadura em Portugal, nos deve merecer o máximo apoio na sua reivindicação por Justiça.

É compreensível que o Presidente Ramos Horta veja hoje na Indonésia um país muito diferente que busca o desenvolvimento e a democracia. É certo que a sociedade indonésia terá que se confrontar com o seu próprio passado recente e, certamente, irá encontrar formas de fazer Justiça que se coadunem com um futuro democrático e civilizacionalmente viável. O problema é que não é só a independência dos Estados que está aqui em causa: numa escala de valores fundada num integral respeito pelos direitos humanos (que desejavelmente deverá ser integrada numa estala de ordem superior assente na compaixão universal, englobante de todos os seres capazes de sofrer) a independência estará subordinada a uma ordem superior de soberania. Em situações como a timorense (e também a que se vive dentro das fronteiras indonésias) só uma solução internacional (da qual os Estados envolvidos não estarão excluídos) poderá garantir a verdadeira independência dos Estados. Esta deve assentar numa ordem constitucional que obrigue as instituições do Estado a promoverem a integralidade dos direitos e dos deveres dos cidadãos. No caso timorense, o estado democrático ainda está em construção e os ventos que sopram da Austália e da Indonésia têm ainda a força dum tufão. Penso que a lusofonia terá ali um papel que está longe de ser assumido, embora, por exemplo, a presença portuguesa seja ainda um factor de estabilização – convém, também, não esquecer que foram os militares da GNR que socorreram o Presidente Ramos Horta na sequência do atentado e, perante a referida passividade dos militares australianos, garantiram a sua sobrevivência.

Todos os países lusófonos podem ter um papel importante no que respeita ao desenvolvimento de Timor-Leste. E também há que lembrar que a luta pela independência de Timor-Leste foi liderada, desde o início da ocupação indonésia, por Moçambique, ainda mesmo quando meios políticos portugueses, com responsabilidades governativas, assumiam a inevitabilidade da invasão indonésia e o seu carácter irreversível. Coisas explicáveis, talvez, pelo recurso ao guarda-chuva kissingeriano para protecção contra as borrascas internas. O que é verdade é que parte dos quadros timorenses devem a sua formação a esse país lusófono, sendo essa uma das fontes das clivagens existentes dentro da classe dirigente timorense, o que terá levado à diabolização de Mari Alkatiri.

Em relação a esta amálgama de problema, lembro a conferência de Francisco Fadul de 4 de Julho de 2009, sobre a situação da Guiné-Bissau, organizada pelo MIL, e estas sábias palavras:

“O nosso entendimento, reforça-se a concepção da cidadania como o alargamento e aprofundamento dos direitos, garantias e liberdades fundamentais dos cidadãos, enquanto condição do surgimento e da consolidação de um espaço democrático que estimule à iniciativa, à criatividade e à responsabilidade sociopolítica dos cidadãos, logo, à participação social mais ampla e assídua e à correlativa delimitação e limitação dos poderes do Estado face ao indivíduo, que deve ser o centro e o fim de toda a acção política.

Numa outra acepção, cidadania é a salvaguarda ou garantia pelo Estado, desses aprofundados direitos, garantias e liberdades fundamentais dos cidadãos, do que decorre que a cidadania é, assim, o próprio aprofundamento do conceito de nacionalidade donde se torna possível ter nacionalidade e não gozar de cidadania, num Estado nacional, como, igualmente, num espaço multinacional – como, por exemplo, o da União Europeia – dispor de cidadania supranacional, que não ponha em causa a nacionalidade originária: por exemplo, um português, um francês, um alemão, gozam da cidadania europeia, conjunto de direitos fundamentais avançados reconhecidos aos cidadãos de cada um dos países membros da União Europeia, mas mantêm intacta a sua nacionalidade portuguesa, francesa e alemã.

O mesmo é dizer, se quisermos transpor esta noção para o espaço lusófono, que a comunidade de laços históricos, morais, culturais e consanguíneos que determinaram a constituição da CPLP é o substrato que propende para uma cidadania lusófona (uma como que protocidadania lusófona), que não agride nem tem de contender com as nacionalidades geradas em torno dos Estados nacionais que a enformam. Na realidade, não é a CPLP que cria a comunidade lusófona que, nesse caso, não passaria de uma associação de Estados (!), pois o conceito de comunidade é aplicável às realidades sócio-humanas de génese tácita, paulatina, crescente e irreversível, porquanto aculturadas, em oposição ao conceito de associação, cujo surgimento depende de um acto voluntário de criação ou adesão.

Quando os actores políticos não estão sujeitos às exigências dos actores sociais (Touraine, op. c.: 83-84), perdem a sua representatividade. “Eles podem, postos assim em desequilíbrio, oscilar para o lado do Estado e destruir a primeira condição da existência da democracia, a limitação do seu poder”. Mas pode também acontecer que, além de se subtrair às suas ligações e deveres para com a sociedade civil, o façam igualmente para com o Estado, passando a não perseguir outro fim que não seja o do aumento do seu próprio poder”, corrompendo assim o sistema político democrático”.

O caso de Pedro Unamet é, aqui paradigmático. Se se considera a Língua Portuguesa como um elemento identitário com uma importância fundamental na sociedade timorense, há que ter em atenção o percurso deste filho do referendo e da independência, se bem que o texto da notícia mostre que a realidade educacional do país deve ser muito heterogénea. Depois, o desejo de emigrar para a Austrália e de regressar Ministro. Isto pode ser um mero assomo da imaginação infantil, nessa idade pode querer-se ser astronauta, piloto-aviador, jogador de futebol, o que for que pareça fabuloso e mediaticamente eleito como acima da vida comum. Mas parece-me que temos aqui uma representação ingénua, mas límpida, do que se passa em Timor-Leste no que respeita à atitude perante o futuro. É claro que 8 anos (a contar da data da independência) não dão muito espaço para o desenvolvimento, quando se partiu abaixo do zero. E falar da Educação e da Cultura como a chave para um desenvolvimento humanamente sustentável pode parecer descabido perante a enormidade dos problemas ligados à satisfação das necessidades mais básicas da população timorense. Mas talvez por isto seja urgente uma presença lusófona, assídua e empenhada, e a mobilização de todos os meios para garantir que Timor-Leste possa por fim garantir para si um futuro de paz e de consolidação democrática.

Quais as consequências, para esse futuro, da actual relação da geração de Pedro Unamet com a Língua Portuguesa?

Próximos dois volumes da Colecção NOVA ÁGUIA...

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- A EXPERIÊNCIA REFLEXIVA: ESTUDOS SOBRE O PENSAMENTO LUSO-BRASILEIRO
- EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL: O PENSADOR, O FILÓSOFO, O HUMANISTA.

O primeiro é da autoria de António Braz Teixeira e constituiu-se como a base de um ciclo de conferências proferidas na Faculdade da Letras da Universidade do Porto durante este ano. Segundo o próprio autor, os estudos que compõem o presente volume, centrados em temas já presentes em colectâneas anteriores, como a metafísica da saudade, a ideia de Deus e a filosofia da religião ou a problemática ontológica e ética, embora, em primeira linha, busquem surpreender e patentear a individualidade e íntima unidade do pensamento de cada dos filósofos aqui considerados, não deixam de ter, igualmente, em consideração as relações especulativas, expressas ou implícitas, que mantenham com outros pensadores de língua portuguesa, por pensar o autor serem as filosofias portuguesa e brasileira expressões complementares de um mesmo logos, que vem designando por “razão atlântica”.

O segundo colige as Actas do Colóquio que durante dois dias, em Março deste ano, reuniu no Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto cerca de trinta conferencistas para proceder a um estudo sistemático da obra do professor e do filósofo português, integrando-o no contexto do pensamento filosófico português e do pensamento europeu seu contemporâneo, integrando ainda textos de outros especialistas no pensamento de Eduardo Abranches de Soveral, que, não tendo participado no Colóquio, nem por isso deixaram de dar o seu contributo para este volume.

O mundo é uma dança louca, sexo no sexo, boca a boca

Há alguém vivo neste blog?

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

É branca a imaginação da terra
e perante ela curvo-me e poiso a fronte
como um plantador de magnólias



meu blog: teoria dos calhaus

Apelo que nos chegou...

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Amigos da Nova Águia!

Gostaria de saber informações sobre Goa. Sou brasileira, resido em Viena e desenvolvo um projeto do ensino de Português aqui. Envolvida com pesquisas sobre a LUSOFONIA descobri a origem do nome Noronha. Mas tentei já de muitas formas ter um contato em Goa mas infelizmente o silêncio sempre é dado. Fiquei sabendo da existência da família Noronha lá e sempre tive fascínio pela cultura indiana, sem mesmo saber que meus antepassados têm origem em Goa...

Já estou curiosa para saber mais sobre Goa!!!!!

http://www.papagaioat.blogspot.com/

Eis como a democracia pode ser sabiamente adulterada...

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Resultados do referendo foram negociados

O líder da Fretilin e ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, disse em Díli à Agência Lusa que o resultado da consulta popular, que conduziu há dez anos o país à independência, foi negociado para não humilhar a Indonésia.

Fonte: http://noticias.sapo.pt/noticias/videos/#6HU9FztaH6cDQLrrkRu5

Dizer a verdade

"Em tempos de embustes universais, dizer a verdade torna-se um acto revolucionário" - George Orwell

ANJO E BESTA




A neve, o gelo puro, este túmulo vivo
De excelsa brancura: pergaminho virgem
Que um dia gravámos, com o nosso trilho
De violenta alegria, com amor insano
De anjo e besta, com ululos e risos e mil
Correrias, ó meu feroz e bravo amigo!
Minha amante sagaz, minha esposa fiel,
Alma de mim e coração da floresta, ó
Meu nobre e impávido companheiro,
O gelo puro possa ser o nosso túmulo!
Para sempre esquecidos; a neve só
E a liberdade do vento e o azul cruel
Do relâmpago – nos escrevam o epitáfio!


Lord of Erewhon
Fonte: Goth Land & Lucifer's Kingdom

Nem acrescentar alguma coisa...

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"O Bloco [de Esquerda] é um buraco, um vazio, um intervalo. Ou, mais precisamente, é o refúgio de quem não quer votar PC ou já não quer votar PS e por qualquer razão, sentimental ou outra, detesta a direita. Tirando o palavreado e a pretensão de virtude, não existe. O que não impede que a 27 de Setembro seja capaz de acabar com Sócrates. Como ele, aliás, merece."

Vasco Pulido Valente, in "A cabeça de Louçã", Público, 28.08.09

Nem vale a pena comentar…



Se há conflito irresolúvel é o conflito israelo-palestiniano. Que, paradoxalmente, só poderá começar a deixar de o ser quando se começar a reconhecer isto mesmo…

Não trago pois nenhuma solução mágica. Nem é de resto sobre o conflito, em toda a sua infinita complexidade, que pretendo agora falar.

Antes de uma notícia, daquelas pequenas grandes notícias que, muitas vezes, passam despercebidas nos jornais e que nas televisões nem sequer passam (por isso, apesar de tudo, continuo a ler jornais).

A notícia é a seguinte e saiu, em primeiro lugar, no jornal mais lido na Suécia: “na recente incursão pela Faixa de Gaza, o Exército Israelita teria aproveitado para retirar órgãos de palestinianos para futuro tráfico”.

O Estado israelita já protestou energicamente junto do Estado sueco, mas este último recusou intervir, em nome da liberdade de imprensa. Quanto ao jornal em causa, defendeu que cabia ao Exército israelita provar a falsidade da acusação.

Nem vale a pena comentar…

"Pudesse eu"

Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes

- Poesia I (1944).

Dos povos...

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“Os povos, como nascentes e manifestações terrestres do espírito, têm iniludível fisionomia espiritual, embora esta se configure de modo menos apreensível que o expressivo rosto dos homens singulares.”.

José Marinho, in Estudos sobre o pensamento português contemporâneo, Lisboa, Biblioteca Nacional, 1981, p. 19.

Reflexões sobre os princípios e a necessidade de um Partido Pelos Animais - III

A defesa da natureza, do meio ambiente e de todas as formas de vida senciente integra-se hoje num novo e urgente paradigma mental, ético, cultural e civilizacional, que respeita a igualdade e diversidade biocêntrica e aponta um caminho para sair da crise do actual modelo e ciclo de civilização antropocêntrico, economicista e tecnocrático, que gera problemas, insatisfação e conflitos crescentes na própria humanidade, cavando fossos cada vez maiores, em termos culturais, sociais e económicos, no seio das sociedades e entre os povos e as nações. É urgente uma mutação da mentalidade e do comportamento, que torne possível uma outra globalização, a da satisfação das necessidades fundamentais das populações, do desenvolvimento mental e cultural da humanidade, do bem-estar animal e da harmonia ecológica. A produção de riqueza e os recursos materiais e científico-tecnológicos devem ser progressivamente postos ao serviço desses fins, numa alternativa ao círculo vicioso das sociedades de produção e consumo, mental e economicamente dependentes da criação de cada vez mais desejos e necessidades artificiais e fúteis, para cuja impossível satisfação se instrumentalizam e exploram homens, animais e recursos naturais, numa degradação acelerada da qualidade de vida e do meio ambiente e num sacrifício do bem comum à avidez de lucros das grandes empresas e da grande finança mundial.

Para esse efeito, é necessário intervir a todos os níveis: cultural, jurídico, político, social e económico. Destaca-se todavia a necessidade de uma formação integral das gerações mais jovens numa consciência profunda da natureza dos actuais problemas ecológicos, bem como da vida animal e das questões éticas e bioéticas relativas ao homem e à sua relação com a natureza, o meio ambiente e os animais. O PPA defende a inclusão nos programas de ensino, desde o início e em todos os níveis, de uma disciplina obrigatória que contemple estas questões. As crianças e jovens devem ser educados tanto quanto possível no contacto com a natureza e a vida animal, conhecendo as profundas vantagens disso para o seu desenvolvimento mental e afectivo, extensivo ao dos adultos e idosos. As crianças e jovens devem reconhecer tudo o que os animais oferecem voluntária e involuntariamente ao ser humano – afecto incondicional, companhia, divertimento, alimento, vestuário - e todos os abandonos, maus-tratos, opressão e exploração com que este lhes retribui. É fundamental que a natureza e a vida animal se não reduzam, desde início, sobretudo nas crianças nascidas nas grandes cidades, a imagens estereotipadas nos meios áudio-visuais ou à alimentação asséptica disponível nos hipermercados, que oculta as condições dramáticas da sua origem, o modo como o animal foi maltratado, torturado, engordado à pressa e abatido, para satisfazer o prazer do consumidor e sobretudo a avidez de lucro de pessoas ignorantes e insensíveis. É necessário que a sociedade civil desperte para o imperativo ético de um boicote activo a esta situação.

Mós Bele - projecto para Timor-Leste

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A segunda edição de «Os Dias do Desenvolvimento», uma iniciativa organizada pelo Instituto de Apoio ao Desenvolvimento, e que vai decorrer até quarta-feira em Lisboa, fica marcada pela apresentação de um projecto que é considerado um modelo da cooperação portuguesa. Chama-se «Mós Bele», e aposta no desenvolvimento sustentado do distrito de Maubara, em Timor-Leste. O jornalista Manuel Acácio entrevistou o coordenador deste projecto. João Carvalho começa por explicar a coincidência entre o nome «Mós Bele», que em português significa Nós Podemos, com o slogan utilizado pela campanha de Barack Obama.

Fonte: http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1214581&tag=Lusofonia

Quando o único amigo é um cão (texto que me chegou, que ilustra como amor transcende a falsa fronteira das espécies)

Quase todos os dias nos cruzamos com animais abandonados, famintos, de olhar triste, que nos seguem na esperança de serem adoptados.

Foi o que me aconteceu, há tempos, em Lisboa, quando ao longo de vários dias fiz o mesmo percurso. Um cachorro saltava à minha volta e, de início, não percebi se pedia festas, comida ou alguém que tomasse conta dele. Ao terceiro dia convenci-me de que se tratava de um cão desprotegido.

Alimentei-o e decidi entregá-lo numa instituição que recolhe animais abandonados. Tinha conhecimento de que era um local onde seria bem cuidado e onde quase todos os dias apareciam pessoas dispostas a adoptar alguns dos que, diariamente, vão sendo recolhidos pela cidade. O cachorro que encontrara na rua facilmente arranjaria dono: era novo, meigo, e aparentava ser saudável.
À entrada da instituição cruzei-me com uma senhora que vira sair de um Mercedes, conduzido por um motorista fardado. Trazia uma cadela Cocker Spaniel presa a uma trela.


Enquanto aguardávamos atendimento os nossos cães cumprimentaram-se e nós trocámos algumas palavras de circunstância. A cara daquela mulher não me era estranha. Depois de algum esforço consegui identificá-la: era um membro do governo.


Quando a funcionária se aproximou justificou o abandono da sua Ritinha: o marido não gostava de cães e ela não tinha vida para a aturar. Os filhos teriam um grande desgosto, mas haviam de recuperar.

Percorri aquele espaço que ainda não conhecia. Cerca de mil cães e centenas de gatos. Muitos deles velhos, cegos, coxos e doentes. A minha aproximação suscitou alguma agitação. Todos pediam festas, todos queriam uma pequena atenção. Evitei fixar os seus olhos tristes.
Foi durante aquela visita que me cruzei com Maria do Rosário. Sentada num recanto, a senhora de oitenta e nove anos, tinha a seu lado um cão de porte médio, castanho, tão velho como ela. Partia bolachas ao meio e metia-lhas na boca. Entre cada bolacha acariciava-lhe a cabeça, passava-lhe a mão trémula pelo dorso e falava com ele.

Fiquei uns minutos a olhar, discretamente, aquela cena ternurenta. Não queria perturbar a intimidade daquele momento, mas aproximei-me.
- O Bobi é o meu único amigo e tive de me separar dele. Vivo num terceiro andar sem elevador e nem as minhas pernas nem as dele aguentavam andar para baixo e para cima sempre que ele precisava de fazer as necessidades. E também já não podia cuidar dele como devia ser. Somos os dois muito velhos e doentes. Não tenho família e quando se chega aos oitenta e nove anos perde-se tudo até os amigos. Venho visitar o meu Bobi todos os Domingos. A cidade está mais calma. É a altura em que todos ou quase todos os passageiros viajam sentados nos transportes públicos. Já não aguento a confusão dos outros dias. Ninguém imagina o que eu e este animal estamos a sofrer, mas não encontrei outra solução para as nossas vidas que estão a chegar ao fim.
Os seus olhos baços, marejados de lágrimas, olhavam-me em jeito de súplica.
Uma voluntária da instituição, minha conhecida, aproximou-se e ofereceu-se para levar Maria do Rosário a casa. Despedi-me à pressa. Não me sentia com coragem de presenciar a separação daqueles amigos.

O olhar de profunda dor de uma mulher velha, solitária e tão abandonada como aqueles animais, foi uma visão horrível da qual não me consigo libertar.
É porque há tantas Marias do Rosário, tantos Bobis e tantos olhos marejados de lágrimas que fui obrigada a partilhar esta vivência que já não cabia no meu coração.

Maria Leonarda Tavares

À LAS CINCO EN PUNTO DE LA TARDE...




Tinha para aí eu seis ou sete anos, segundo me contavam os meus pais, quando fui a Madrid pela primeira vez. O meu pai fora convidado a expor por lá alguns quadros seus, e, numa tarde quente de verão, fomos aos touros, na principal praça do país. Devereria ser Las Ventas. Casa cheia, isso lembro-me bem. E touros de morte, me disseram depois. Entrado e lidado o primeiro, chegou o momento da verdade, e lá foi o animal tirado da praça já cadáver, arrastado por cavalos. Recordavam os pais que o meu choro foi mais que muito, apiedado da sorte do negro, mas tudo se aquietou com a entrada de um novo animal, preto e reluzente como o anterior. “Vês?, não lhe aconteceu nada de especial, apenas foi até lá fora e já regressou.” Pois, está bem, não fiquei muito convencido mal lá passou, até que, em vez do negro, volta um castanho que nada tem a ver com o anterior. Aí tiveram e contar-me a verdade e eu de a assumir.
A verdade é que as touradas me dividem. Ainda hoje. É um espectáculo bárbaro, é! É um espectáculo fascinante, é! Ver cavalo, cavaleiro e touro a dançarem entre si, na solidão da arena, uma dança que pode ser de morte, nesse agressivo jogo de esconde e descobre que não permite um segundo de distracção; ver o touro investir para o forcado que o cita de cabeça levantada, numa demonstração de coragem perfeitamente gratuita, é certo, que se esgota ali mesmo, no momento da vitória ou do derrube; ver o matador, de simples capa na mão, olhar o animal enfurecido, avançar com a capa docemente, oferecê-la à investida, relancear capa e corpo e rasurarem ambos, touro e toureiro, por segundos, que se prolongam no ar cortante da tarde de calor ou da noite tépida; olhar o colorido dos brocados dos fatos, o branco das calças acetinadas, olhar os cavalos naquela nervosa elegância altiva com que entram na praça e se colocam à espera da saída do touro, frente ao curro negro, quinhentos e tal, seiscentos quilos de carne, músculos, ossos e cornos afiados que se soltam à desfilada ou deslizam suavemente para a claridade da arena…Estes são momentos únicos de um espectáculo bárbaro que nos coloca nos extremos da nossa própria humanidade.

Não vou muito à tourada, é certo, talvez por tentar combater dentro de mim o apelo que não entendo. Uma ou duas vezes por ano o apelo é irresistível, sobretudo se a corrida for promovida pelo Sporting. Ontem lá estive, no Campo Pequeno, bem por detrás do director da dita (por alguma coisa ele tem aquele lugar!), apreciando João Moura Jr., que me pareceu brilhante, assegurando a um nível muito alto o futuro da arte de tourear a cavalo em Portugal, bem assim como outro jovem, João Ribeiro Telles Jr., também ele a dar cartas e a prestigiar a corrida à portuguesa. O terceiro da noite, Joaquim Bastinhas, pareceu-me o cavaleiro em noite mais apagada, mas também optando por um toureio carregado de rodriguinhos que pode agradar a turista mal informado, mas se reconhece algo como mais para inglês ver do que arte de imposição pessoal. Os forcados foram esforçados e nalguns casos brilhante (e, num caso mesmo, calamitosos).

Em jeito de homenagem à tourada, um texto de Luis Fernando Veríssimo, um escritor brasileiro que muito prezo, e que diz das touradas, o que eu não conseguiria dizer. Aqui fica com a devida vénia ao brilhante cronista:

Don Jesús nos leva a visitar Las Ventas, a plaza de toros de Madrid, inaugurada em 1934 e uma das belas construções públicas da cidade. Ela substituiu a Plaza Vieja, inaugurada em 1874, que por sua vez tinha substituído a da Puerra de Alcalá, do século XVIII. Durante muito tempo as touradas de Madrid se realizaram em praças públicas e as mais importantes, feitas em honra à realeza, aconteciam na Plaza Mayor, no centro da cidade. Hoje Las Ventas é considerada a arena mais importante do mundo dos touros. A temporada madrilena começa no segundo domingo de Março e vai até o penúltimo domingo de Outubro, e inclui a famosa Feira de San Isidro, 27 dias consecutivos de corridas durante o mês de Maio e parte de Junho. Como já estamos no final de Outubro, não há actividade em Las Ventas. Caminhamos em volta do imponente edifício deserto, imaginando como seria o movimento de público num dia de grande tourada. O público de Madrid tem fama de ser o mais exigente e crítico da Espanha e tourear na capital é uma prova que todo diestro deseja e teme.

Na praça em frente à arena há uma estátua curiosa: um toureiro reverencia Alexander Fleming, o inventor da penicilina.
Pequena digressão clínica. Viajei para a Espanha literalmente tomado por uma reacção alérgica a um antibiótico receitado para sinusite. O que começara como uma incómoda comichão no glúteo se alastrara por toda a pele, que parecia queimada pelo sol. Comecei a descascar. Passei todo o tempo em Madrid largando pele, o que - além de certamente intrigar as camareiras do hotel, que encontravam pedaços de papiro nos lugares mais estranhos - causou alguns transtornos. Troquei toda a minha pele. Saí da Espanha outro homem, pelo menos na superfície. Tudo porque não notei o que o antibiótico ingerido continha a invenção do dr. Fleming, à qual sou alérgico. Milhares de toureiros devem sua vida a Fleming. Antes da penicilina, a maior causa de morte entre eles não era a chifrada do touro, mas as bactérias introduzidas no organismo pelo chifre. Só o respeito a essas vidas poupadas me impediu de sair correndo e dar um pontapé na estátua.

O Museu do Touro de Las Ventas também aderiu às homenagens a Goya e exibe cópias das suas gravuras sobre touradas, a série Tauromaquia. Entramos juntos no pequeno museu. Goya não espera eu começar a falar. Se adianta. “Já sei o que você vai dizer. Luz e sombra. Festa e crueldade. Os contrastes da alma espanhola resumidos num terno de luzes sujo de sangue. A tourada como a grande metáfora da nossa ambiguidade nacional. Poupe seu fôlego. as gravuras desta minha série são apenas exercícios de estilo. Amostras do meu domínio técnico sobre o material e o efeito. Exibicionismo, se você preferir”. Lembro que Goya declarou certa vez que tinha toureado na sua juventude, embora não exista nenhuma evidência disso. O ponto de vista das suas gravuras de touradas é sempre no chão. O artista está dentro da arena. Goya, o toureiro frustrado, estaria comparando sua arte com a arte dos toureiros, a sua destreza com a deles. Mas era mais do que isso. A série Tauromaquia é o trabalho mais despojado de Goya. As cenas são de acção, e ao mesmo tempo têm uma certa solenidade estática, uma consciência de que significam mais do que mostram. As gravuras são de lugares identificáveis e factos reais - algumas são recriações de momentos famosos na história das touradas - mas nelas touro e toureiro também estão num universo esparso, retirados da realidade reconhecível e de qualquer artifício para serem símbolos sobre um palco nu. Símbolos de quê? O touro representa a natureza bruta, o que não tem regras, o instinto. O toureiro age dentro de rígidas regras e convenções, com movimentos estudados e razão aplicada. Como o fim desse encontro de opostos é a morte - do toureiro implicitamente, do touro certamente -, ele tem um carácter de definição final, uma forma extrema de despojamento. Num rude desporto popular, repudiado pelas pessoas sensíveis do seu tempo e das suas relações, Goya retratava uma reincidente dramatização da peculiar divisão espanhola entre emoção e controle, paixão e forma. Na tourada o controle e a forma vencem o instinto sempre, a não ser quando permitem que um touro especialmente valente saia vivo da arena e se aposente, mas a questão precisa ser redefinida a cada nova corrida. Noto que a análise desagrada Goya e decido não acrescentar a complicação que me ocorre: o touro representa o feminino e o toureiro, mesmo com todas as luzes da sua roupa apertada, representa o masculino, a civilização que se impõe à natureza selvagem ao mesmo tempo que é ameaçado e fascinado por ela. Não quero provocar o escárnio de um fantasma, no entanto, e deixo a tese para lá.

Ernest Hemingway era um apaixonado pela Espanha em geral e pela tourada em particular. Seu livro sobre touradas, “Death in the Afternoon”, foi lançado em 1932, antes da Guerra Civil e da construção de Las Ventas e não muito depois do governo ter decretado que os cavalos usados pelos picadores fossem protegidos das corneadas do touro, para evitar o que a maioria do público não-espanhol considerava a parte mais repugnante do espectáculo: as vísceras do pobre animal despejadas na arena. Os cavalos não morriam mais, mas o sanguinário Hemingway não concordava muito com esses pruridos. No livro ele compara o gosto pela tourada com o gosto pelo vinho. Uma educação na apreciação da tourada se equivale a uma educação em vinhos. Para o iniciante, o que atrai na tourada é o pitoresco e o supérfluo, o que equivale a uma preferência por vinhos doces e suaves. Só com o tempo a pessoa começa a distinguir o essencial da tourada do meramente pictórico, assim como só com tempo se adquire o paladar para um denso e profundo grand cru. O essencial da tourada é a tragédia ritualizada e para que esta fosse completa as vísceras na areia eram necessárias. Hemingway comparava o horror de espectadores com os cavalos eviscerados a uma renitente queda por algum frisante menor. Na Calle Cuchilleros existe um bar que anuncia na frente, com destaque: “Hemingway não comeu aqui”. Não entramos para saber se havia uma mesa específica à qual Hemingway nunca tinha se sentado, quando não ia ao bar. É uma reação ao turismo-lugar-comum, mas duvido que faça muito sentido para os turistas jovens de hoje. Hemingway na Espanha, a Guerra Civil, Por quem os Sinos Dobram, Ingrid Bergman de cabelo cortado no mesmo saco de dormir com Gary Cooper... O que tudo isso significou para uma geração é difícil explicar para outras, quanto mais transmitir. Mas para pessoas de uma certa idade, passear por Madrid é um pouco, passear pelos anseios, os terrores e a literatura de toda uma época. Para uma geração, a Espanha representou o que a plaza de toros representa nas gravuras de Goya, um palco de definições, um lugar onde opostos se engalfinharam e a razão e a barbárie também dançaram o seu balé inconclusivo.
Quando deixamos Las Ventas Goya não está ao meu lado no carro do sr. Jesús. Imagino que tenha ficado no meio da arena, fazendo verónicas para touros imaginários, sob o olhar atento de Manolete, Belmonte, Joselito e outros fantasmas, e ouvindo os olés das arquibancadas vazias. Está certo em não me querer por perto. Essa é uma cerimônia só para espanhóis, por mais que os estrangeiros como Hemingway pensem que a entendem.
A paixão de Hemingway pelas touradas é bem conhecida. Foi tema de “Morte ao entardecer”, de 1932, e voltou a ser fonte de inspiração em 1959, quando retornou à Espanha, contratado pela revista “Life” para escrever um artigo sobre o tema. Claro que toda essa paixão não poderia se resumir a um simples artigo, virou uma grande reportagem sobre a tauromaquia, a arte de tourear. “O verão perigoso”, que está sendo relançado pela Bertrand Brasil, é a crónica de uma temporada excepcional, marcada pela rivalidade de dois mitos: Antonio Ordoñez e Luis Dominguín, na narração vigorosa de um amante da "dança da morte".
Sobre este livro, recentemente lançado no Brasil, e que eu não li, apesar de ser um fervoroso adepto da escrita descarnada e jornalística de Hemingway, e de ter lido quase toda da obra na miha adolecencia, Thaís Tibiriçá escreveu:
“Neste mês, a editora Bertrand Brasil lança um dos seus últimos livros, O verão perigoso, escrito aos 60 anos num momento onde o sentimento da morte estava muito presente em sua vida. Em 1959, Hemingway retorna à Espanha - sua segunda casa - através de um contrato com a revista Life para escrever um artigo sobre touradas. Uma paixão antiga que o fez escrever Morte ao Entardecer, considerado pela crítica uma obra-prima.
O autor relata a temporada de touradas de 1959 de forma semelhante ao que consideramos hoje jornalismo literário. A dança da morte, como denominava, vai destacar os toureiros Antonio Ordónez e Luis Miguel Dominguín, personagens principais desta história que tem como belo pano de fundo as regiões mais famosas da Espanha.
A tauromaquia - arte de tourear - será transcrita com precisão comprovando toda sua experiência jornalística e seu estilo. As descrições causam alguns arrepios, principalmente nos golpes ferozes dos touros, como um na nádega esquerda de Ordónez. O leitor que nada sabe sobre esta arte (aí depende da visão de cada um), conseguirá entender melhor o assunto, que se completa com a introdução do escritor James A. Michener. E com o glossário, que fica no final do livro, com as principais palavras da área - usadas a todo o momento pelo escritor.
O espírito das touradas é a busca constante de Hemingway, que tenta com seus sentimentos aflorados passar um pouco da vida e forma de pensar destes matadores - ou suicidas (como cada um queira).”
Ernest Hemingway: "O sentido da tourada é, para o toureiro, vencer a si mesmo, ao medo da morte. É deixá-la, a morte, se aproximar o mais possível, o mais imaginavelmente possível, e manter os pés fincados no chão, só se desviando no último instante. È portar-se com honra e arte, enquanto aquela potência da natureza, pesando meia tonelada e dotada de chifres capazes de rasgar ao meio uma pessoa e lançá-la nos ares, passa rente a eles".
"Mas o homem não é feito para a derrota. Um homem pode ser destruído mas não derrotado."


Lauro António


Fonte: Touradas.

CARLA SANTOS...

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BELO NOME

Se quer saber porquê, tem que clicar...

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Que se respeite pois, por isso, a independência timorense…



Segundo a edição do Público de hoje, “a Amnistia pede tribunal para Timor-Leste”, apesar do Presidente, Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, serem “contra a ideia de uma instância internacional para julgar os crimes cometidos durante a ocupação indonésia”.

Eis um caso paradigmático de ingerência. Se as legítimas autoridades timorenses consideram que podem e sabem resolver melhor essa questão, não se percebe como alguma entidade internacional, por mais respeitável que seja, como é o caso, se arroga o direito de se sobrepor às mesmas. Isso só seria admissível no caso dessas autoridades não serem legítimas. Ora, não é o caso. Que se respeite pois, por isso, a independência timorense…

No Brasil...


PRÓXIMO VOLUME DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA

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EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
O PENSADOR, O FILÓSOFO, O HUMANISTA


ÍNDICE

Luís A. de Oliveira Ramos
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL E A REFUNDAÇÃO DA FACULDADE DE LETRAS
Joaquim Domingues
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL E AUGUSTO SARAIVA
António José de Brito
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL E MIRANDA BARBOSA
Pedro Alves
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL E A FENOMENOLOGIA
J.M. Costa Macedo
RACIONALIDADE E SUBJECTIVIDADE NO PENSAMENTO DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Maria de Lourdes Sirgado Ganho
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL: DO EU EGOLÁTRICO AO EU PESSOAL, NA OBRA FENOMENOLOGIA E METAFÍSICA
Ricardo Velez Rodríguez
OS FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DO CONHECIMENTO NA FILOSOFIA DE EDUARDO SOVERAL
Maria Celeste Natário
O CONCEITO DE FILOSOFIA EM EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
António Braz Teixeira
GNOSIOLOGIA E ONTOLOGIA EM EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Samuel Dimas
A TEOLOGIA FILOSÓFICA DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Manuel Cândido Pimentel
DEUS E CRIAÇÃO EM EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Constança Marcondes César
AXIOLOGIA E ÉTICA EM EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Pedro Calafate
ÉTICA, ESTÉTICA E POLÍTICA EM EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
António Paim
O PENSAMENTO POLÍTICO DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Ana Paula Loureiro de Sousa
A TEORIA DA JUSTIÇA DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Norberto Ferreira da Cunha
CULTURA E CIVILIZAÇÃO EM EDUARDO ABRANCHES SOVERAL
Adalberto Dias Carvalho
A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO NA OBRA DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
José Maurício de Carvalho
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL: OS PARÂMETROS PARA UMA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO
Júlio Campos
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL: UMA VIA EXISTENCIAL PARA A IGUALDADE
Manuela Brito Martins
REFLEXÃO EM TORNO DE PASCAL, FILÓSOFO CRISTÃO
José Esteves Pereira
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL E O PENSAMENTO LUSO-BRASILEIRO
Renato Epifânio
EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL E A ‘FILOSOFIA PORTUGUESA’
Manuel Ferreira Patrício
ANTÓNIO SÉRGIO VISTO E INTERPRETADO POR EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Maria Leão
METÁFORAS DE REENCONTROS NO PENSAMENTO DE EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Eugénio Andrade
A DIMENSÃO ESTÉTICA EM EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Anna Maria Moog
FILÓSOFO, MESTRE, AMIGO
Diogo Alcoforado
PEQUENA LEMBRANÇA PARA O PROF. DOUTOR EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Paulo Borges
ESTRANHEZA
Januário Torgal Ferreira
EM HOMENAGEM A EDUARDO ABRANCHES DE SOVERAL
Cristiana Abranches de Soveral
BIBLIOGRAFIA

Náo à tourada, sim à cultura! - A caminho das 1000 assinaturas em poucos dias

Car@s Amig@s

Convido-vos a assinarem esta petição contra a transmissão de touradas pela televisão pública – que usa o dinheiro dos contribuintes para divulgar a tortura e não a cultura – , e a favor da sua criminalização.

http://www.petitiononline.com/touradas/petition.html

Pelo bem de todos os seres sencientes, incluindo o de quem, por ignorância, os faz sofrer


Paulo Borges

www.partidopelosanimais.com