Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
PODEMOS NÓS, OS GALEGOS DA GALIZA ESPANHOLA, RECLAMAR O NOME DE GALEGO PARA A LÍNGUA COMUM?
A CENA DO NASCIMENTO DE PORTUGAL
Alexandre Banhos
VIII Colóquio da Lusofonia, Outubro 2009
Nos feitos históricos, há sempre um fator de oportunidade e outro de acaso, mas uns e outros têm uma lei de ferro: O que não se passou quando as circunstâncias eram favoráveis e propícias, é dizer, quando as ondas do momento histórico pareciam impulsionar e acelerar a história, vai tornar-se muito difícil, que alguma vez aconteça. Com certeza que as circunstâncias e o acaso são em grande medida, um construto de pessoas humanas. Porém, passado o momento e mudadas as circunstâncias é muito difícil, por não dizer impossível, reconstrui-las. As circunstâncias nunca poderão voltar a ser as mesmas, pois isso é um impossível, além disso, e como dizia Wilfredo Pareto, -cada novo facto que ocorreu vai pesar sobre nós como uma lousa, a história não é mais do que as lousas que nos esmagam-.
1- A Galiza e e as suas elites “iberistas”.
A Galiza foi de sempre um poderoso elemento da história europeia. Foi o primeiro reino independente dentro do império romano, constituído no ano 411 . O reino é conhecido na historiografia -mais corrente-, como dos Suevos, e na sua própria documentação histórica que nos legou, como Galaeciorum regnum.
O seu centro político foi estabelecido em Braga , por ser esta a capital da província romana da Gallaecia.
É dizer, o centro do reino estava na cidade que já era o centro da província romana da Galaecia –Braga-, e que provavelmente já tinha um rol muito importante no noroeste peninsular antes da chegada dos romanos. Não é por acaso que os castros celtas da sua redondeza, pola sua desmesura, foram denominados citânias.
Foi muito cedo – já na alta idade média- considerada a Galiza, como um dos grandes impérios da cristandade, junto aos impérios Bizantino e o Sacro-império Romano-Germânico.
Depois da invasão muçulmana do ano 711, a Galiza foi o território não ocupado pelos muçulmanos, de aí que grande parte das suas dioceses sejam as únicas da península ibérica com permanente continuidade, e foi ela quem liderou e guiou a luta da reconquista do território da Espanha. Nem no periodo romano , nem no vissigótico, nem no muçulmano, a Galiza se confundiu com o espaço Espanha.
Os galegos da velha Galiza, a dos conventos bracarense, lucense (ártabra) e asturicense (astúrica – estes só ao norte da serra Cantábrica -), os que nunca foram submetidos pelos muçulmanos, ou o seu domínio sobre eles fora muito fraco, -basicamente limitado ao penhor do tributo-, tinham-se pelos primeiros entre todos os peninsulares e não se abaixavam perante ninguém.
A Galiza, era o território peninsular mais densamente povoado, inçado de linhagens nobres que se tinham a si próprias, como iguais ao rei. Era pois, o ator mais poderoso no jogo peninsular.
As numerosas forças galegas resultavam o elemento mais temível da península ibérica e já desde muito cedo as cousas tornaram-se, e senhores muçulmanos acabaram pagando tributo e aceitando a sua prevalência.
Os reis da Galiza não eram simples reis, muito cedo usufruíram o nome de imperadores e como tais eram reconhecidos pelo Papa, pelo império Carolíngio e por Bizâncio. e para quem é tão grande a própria Galiza originária resultava pequena, e assim todos os dias estavam a alargar os seus domínios para o leste e para o sul e com eles avançava o domínio da cruz frente ao da meia-lua. E nas cabeças dos reis da Galiza acabará aparecendo o ensejo de coroarem-se com a península ibérica toda, eis o o projeto iberista galaico .
1.1- A cidade de Braga
A capital histórica da Galiza sempre foi Braga , nela já antes de que começara a era cristã fora colocada a cabeça da governação da primeira província romana -com esse nome-. A cidade de Braga estava por tanto por cima do resto das capitais dos outros conventos que formavam a província.
Ao princípio do avanço muçulmano a cabeça primaz da Galiza é trasladada desde Braga, que era como dizia, a capital da Galiza, desde que a Galiza existia como entidade política , para a cidade ártabra de Lugo (centro do convento lucensis) .
Os bispos de Lugo sempre que agem como cabeça, fazem-no com uma formula -por delegação de Braga- e isso vai-se manter durante toda a alta idade média.
2- O quadro histórico no que se insire o nascimento, muito afortunado , do reino de Afonso Henriques
A Galiza, o império galaico-leonês , desde muito cedo enfrenta a luta constante contra o separatismo castelhano.
Os castelhanos não aceitam muito pacificamente a dominação ocidental, a galega, e sempre estão a fazer levantamentos e resistências.
2.1- Aparecimento do reino de Castela no jogo peninsular
O reino da Galiza, desde muito cedo, teve que confrontar-se com o separatissmo de Castela, é dizer, do velho convento romano de Clúnia, incorporado à província da Galiza na época de Diocleciano. O arredismo dos castelãos informará permanentemente a política da Galiza.
Castela, o condado de Castela, vai conseguir a categoria de reino com o rei Sancho III (982-1035) de Navarra, quem por uma simples boda com a herdeira do Condado de Castela separou o território da Galiza-Leão, e se proclamou rei de Castela, o seu primeiro rei . Isso fala-nos do fraco controlo do território que o separatismo castelhano impusera ao controlo galaico .
Os castelhanos com ele sentiram pola primeira vez, um seu desenvolvimento longe do controlo real galaico. A geopolítica , que os colocou no espaço central peninsular, ajudaria ao seu sucesso, entanto a ação política se mover em coordenadas peninsulares.
À morte do rei Sancho III de Navarra- vai ser o seu filho Fernando, quem herde o recém nado reino de Castela, em realidade um reino, que na Cúria leonesa considera-se só um condado e não se reconhece.
As ondas da história que impulsionam os acontecimentos, farão que Fernando venha a ter a posse também do reino da Galiza –é dizer, do império- (Galiza-Leão). A inércia e superior domínio cultural galaico, o role de língua palaciana que usufrui o galaico ocidental, era na altura um fator muito decisivo para trazer de novo o centro para o ocidente.
Fernando I, o imperador, da Galiza-Leão, segue à sua morte, a doutrina do seu pai, e reparte territórios e posses aos seus cinco filhos.
Três reinos aos filhos: a Sancho, o mais velho da-lhe Castela . A Afonso Leão; e a Garcia o mais novo, a faixa mais ocidental cristã do velho reino da Galiza, a faixa cujo limes oriental eram os Montes de Leão, e que pelo sul tinha chegado muito mais longe que os outros reinos.
A Galiza aparece individualizada , e já sem abranger todo o velho império galaico. Temos aqui um reino, com uma Galiza diminuida com respeito ao alcance histórico anterior, mas que pelo sul avançara muito mais do que qualquer outro território ou reino cristão peninsular.
Para as suas duas filhas: Urraca e Elvira foram respetivamente as cidades de Samora e Toro.
2.2 Que faz Garcia como rei da Galiza
A primeira decisão que adota Garcia é a de que se ponha fim à delegação da condição de primaz de Braga em Lugo. Segundo, à restauração de Braga como cidade principal do reino.
Porem, nessa Galiza de Garcia , estava uma cidade que ainda havia pouco que conseguira ser sede de bispado -Compostela-, para onde deslocara-se a velha sede de Íria Flávia como cabeça do maior bispado da Galiza.
E é essa poderosa Compostela, a quem o Apostolo está a encher de ouro e de ambições, quem, digamo-lo suavemente, não gosta do rei Garcia e a sua política bracarense. Compostela nasceu ambiciosa, e como sé apostólica, e não quer aceitar depender de quem era a cabeça primaz da Galiza, Braga .
O reino da Galiza de Garcia, não era já um pequeno espaço no norte, pelo sul há já tempo que tem incluída a região coninbringensis, e tem já por zonas a sua extrema no rio Tejo. A Galiza de Garcia cobra também tributo das poderosas taifas de Badalhouce (Badajoz naquela altura) e Sevilha.
2.3- Uns irmãos reis muito ambiciosos
Tanto Sancho, como Afonso ambicionam terem todos os territórios do seu pai na sua coroa, e tras uma sorte de guerras e maus feitos entre eles. Afonso vai acabar por juntar de novo os três reinos, Galiza, Leão e Castela.
Sancho, o primeiro dos irmãos, considerava que o reino devia ser todo um e dele todo, por ser o primogénito, com a cumplicidade de Afonso quem herdara Leão e a sua sede curial, e com a colaboração necessária do bispo de Compostela , desfazem-se de Garcia com uma cilada, retendo-o e apoderando-se do seu reino . Sancho proclama-se rei da Galiza, mas as suas contínuas guerras com Aragão e Navarra, faz que na prática seja Afonso desde a sua sede curial quem tem o controlo e tira benefícios da Galiza.
Sancho estabelecida a paz com Aragão e Navarra, lança-se com as suas tropas bem treinadas pelo seu permanente estado de guerra, contra Afonso, ao que pronto derrota e acabou fazendo-se com todos os seus territórios e reino, ainda que a posse deles não chegará nem a um ano. Afonso refugiara-se no território muçulmano, mas ainda tem no seu reino a resistência da sua irmã Urraca desde a sua cidade fortaleza. Assaltando Samora, a fortaleza de Urraca, é assasinado com engenho, falece Sancho, e Afonso acaba sendo o rei único de todos os territórios.
2.4.- O reinado de Afonso VI e os borgonhóis
Afonso VI foi um rei que não só passou a história por ser o conquistador de Toledo, senão pola sua complicada vida familiar. Afonso tem cinco matrimônios , vários concubinatos estáveis e relações com várias mulheres, do que ao final só vão resultar filhas sobreviventes.
Um dos matrimónios de Afonso VI, o segundo e de mais duração , foi com Constança de Borgonha (do que sobreviveu a filha Urraca); este matrimónio levara-o a ter certa estabilidade de relações com Borgonha, e que para a corte viessem desde Borgonha vários cavaleiros, tais como os nobres borgonhóis Raimundo e Henrique.
No ano 1090, o Rei Afonso casou a sua filha e herdeira Urraca, com Raimundo de Borgonha, matrimónio ao que se garante o reino da Galiza à sua morte.
Raimundo muito faz por agradar ao Rei, fortalece a cidade estratégica, por estar na fronteira sul, de Ávila, e dirige continuas guerras contra o domínio muçulmano, especialmente no sul da Galiza.
Outro nobre borgonhão que veu à corte, vai ser Henrique, e a quem o rei casa no ano 1095 com uma outra filha sua, Teresa, uma rapazita de uns 10 ou 11 anos , resultado dumas suas relações com uma moça de nome Jimena Nunes, e de quem não se conhece título nenhum.
Henrique é posto sob o domínio de Raimundo e encarregado de guardar a extrema sul da Galiza. Sob Raimundo a extrema da Galiza estava já no rio Tejo. Raimundo tentou por duas vezes assaltar Santarém, foi numa das suas batalhas pelas extremas do reino na que faleceu.
Urraca viúva com o seu filho Afonso acha apoio protetor no poderoso bispo Gelmires de Compostela e na casa dos Trava, e é reconhecida da Galiza emperatriz à morte do seu pai, porém quando ela casa com Afonso o Batalhador rei de Aragão, pronto Gelmires -apoiando-se na vontade de Afonso VI, faz rei da Galiza o seu filho ainda criança -duns 7 ou 8 anos- no ano de 1111 (Afonso -Raimundes- VII) , que era filho de Raimundo e Urraca . Neste rei acha Gelmires um instrumento das suas ambições políticas.
3- Afonso Henriques
Na Braga restaurada por Garcia não gostam da política imperial e desconsiderada da recém chegada Compostela e começa a dar-se uma conjunção de interesses entre o bispo de Braga, verdadeiro factor do processo que virá, e as classes dominantes locais.
Henrique de Borgonha como conde de Portucale, o condado ao sul da velha Galiza, tem a inteligência política de passar despercebido, e ir construindo ali um governo local tranquilo, no que age, e à vez não discute a autoridade real.
Os bispos de Braga afirmam-se contrários de Compostela desde muito cedo.
A Compostela de Gelmires chegará a fazer uma expedição a Braga para roubar o espólio de santos ali depositado –Pio Latrocínio- e ganhar assim prestígio da vero caput para Compostela, e veneração dos galegos, por serem os santos de Braga os de mais prestígio na Galiza, alguns muito por cima do próprio Sant'Iago.
Henrique de Borgonha com Teresa tem um filho, Afonso Henriques. Aceita-se que desde o ano do seu nascimento, 1109 até ao 1128 viveu fundamentalmente em Guimarães, exceto o período do desterro do bispo de Braga, o seu tutor, que o levou consigo para Tui pelo menos durante algum tempo.
A mãe de Afonso Henriques, ficou viúva estando na casa dos 20 anos.
Todo isto faz que a igreja de Braga - desde o bispo Vistrário um dos mais fortes apoios do rei Garcia, e logo o grande Pedro - com o apoio da nobreza local, se afirmem como contrapostos à ambiciosa sé apostólica. Eles defendem os seus interesses que além de outras cousas eram os legítimos e históricos.
Em 1120, sob a direção do arcebispo de Braga Paio Mendes, o menino Afonso (uns 12 anos) tomou uma posição política oposta à da mãe, a qual apoiava o partido dos Travas (a poderosa família nobre muito ligada a Gelmires nessa altura). Como resultado desse posicionamento, o bispo Paio é forçado a deixar Braga, mas levou consigo o infante pelo menos algum tempo. Em 1122 armou-no cavaleiro em Tui.
Pacificadas as tensões, voltará o bispo a Braga. Entretanto, novos incidentes locais provocaram a ação no Condado Portucalense do rei da Galiza Afonso Raimundes, mas cada dia ele está mais longe, pois somará à Galiza, Leão e Castela.
Em 1127 cerca Guimarais , onde se encontrava Afonso Henriques, mas sendo-lhe prometida a lealdade deste pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade.
Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas de Teresa e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede (batalha na que participaram só uns poucos centos de homens), tendo as tropas do nosso rapaz de 17 ou 18 anos, com a bênção e o guia do bispo de Braga, saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado.
O Bispo Paio, consciente da importância das forças que ameaçavam o poder de Henriques, guiou a este no governo do condado, e fez esforços em negociações junto da Santa Sé, com um duplo objetivo: por um lado, alcançar a plena autonomia da Igreja de Braga , e assim recuperar a sua condição de igreja metropolitana e primaz, e deixar de estar submetida a Compostela, -pois fora submetida a de Compostela-; e pelo outro obter o reconhecimento do condado de Portucale como um reino.
Em 1139, depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro, D. Afonso Henriques recebe a coroa e a consagração de Rei de Portugal pelo bispo de Braga.
Durante o século seguinte o novo reino de Portugal e os seus reis, estabelecem uma firme política matrimonial e de entendimento com os reis da Galiza especialmente Fernando II e Afonso VIII, que parecia ia levar em não muito tempo aos reinos a reunificarem-se, ou pelo menos a reunificarem-se com a Galiza.
4- Afonso VIII da Galiza e Leão
Em 1230 morre em Sárria (perto de Lugo) Afonso VIII com 82 anos e após de mais de sessenta anos de reinado na Galiza -na parte norte da Galiza que não constituiu o reino de Portugal - e em Leão.
Afonso estava velho e canso, vinha de passar os últimos 16 anos da sua vida em guerra com Castela e o seu filho Fernando, pois foi contra o parecer do pai, e em secreto, proclamado rei de Castela, e para o seu pai esse feito equivalia a renúncia de quaisquer direitos sobre as coroas da Galiza e Leão e assim figurou no seu testamento, verdadeira lei a todos os efeitos.
Afonso VIII casara com duas parentes de segundo grau, Teresa de Portugal, prima direta, com quem tem duas filhas Sancha e Dulce (e um filho Fernando que faleceria), matrimónio que a igreja rompe e obriga a novo casamento (por trás está Compostela e a tensa relação com Braga). Rutura a que muito se resistiu o nosso rei pois estava fundamente namorado da sua esposa. Depois de excomunhões e demais, tem um outro matrimónio com Berenguela filha de Afonso de Castela, também prima direta, com quem tem a Fernando, mas este matrimónio a igreja consente e apoia pois estava na linha do programa imperial peninsular da Galiza e Compostela.
O seu testamento é claro, as herdeiras dos seus tronos são as filhas de Teresa: Sancha e Dulce (cada uma o seu); e como garantes, a sua mãe, o Rei de Portugal e a Ordem de Santiago. Qualquer solução incluída a união com Portugal é válida mas em nenhum caso se permitiria a unificação com Castela.
Fernando reclama os reinos e paga muito. A Igreja da Galiza e de Leão está muito dividida e na sua maioria afirma-se contrária a Fernando, pois não o acham legitimado, o testamento do rei é lei e é claro.
Porém a intervenção do bispo de Compostela e os de Castela são decisivos para que o Papa declare ilegítimo o testamento de quem foi conhecido pelos seus súbditos pelo sobrenome do bom rei, e pola historiografia como o malcasado.
Compostela e certas camadas nobres galegas sentem que com Fernando III controlam o centro geoestratégico peninsular, que o seu projeto iberista vai avante.
Porém, o reino de Portugal nunca aceitará esse ilegítimo acordo, e isso vai estar por trás de muitas das ações da política peninsular portuguesa até ao ano de 1479 .
Com Fernando III, rei muito abençoado pola Igreja, que acabou por fazê-lo santo, o projeto central castelhano avança, e a reconquista avança até ao estreito de Gibraltar, em Sevilha e Toledo vai estar a corte sob a capa duma corte de nobres galegos, de língua galaico-portuguesa, com galegos que se enriquecem neste processo, que ganham terras e poderes, que enviam os filhos para se educarem com aios na Galiza, como o filho do rei e futuro rei Afonso X.
Afonso X que brilhou nas nossas letras, porém foi quem impulsionou o primeiro estatuto dominante para a escrita da chancelaria em castelhano.
Sancho IV seu filho, ainda vai continuar ligado à tradição cultural galaica. A chegada ao trono com 9 anos do seu filho Fernando apaga não pouco essa tradição, sob novos tutores e aios, e o predomínio e domínio galaico da corte reduze-se. A nobreza galega e a igreja de Compostela será firme no apoio a este rei como ainda um dos seus e assim com o filho deste Afonso XI e o neto Pedro I.
Os interesses imperiais de Castela e a sua visão peninsular triunfam definitivamente sobre os galaicos com o assassinato de Pedro I pelo mercenário bretom Douglesclin, e com a chegada ao trono de uma dinastia genuinamente castelhana sob o nome galaico dos Trastámaras.
As tropas galegas que se batem duramente em prol de Pedro, assassinado este, saem com a sua nobreza dirigente muito diminuída em influência.
A dinastia castelhana dos Trastámaras é a que vai tentar apoderar-se de Portugal, que renasceu forte e triunfante em Aljubarrota frente a João I de Castela (trastámara).
V.- A fortuna do feito por Afonso Henriques
Que houvesse passado se Afonso Henriques não fosse quem de iniciar um reino, se os bispos de Braga não o houvesse guiado?
Que mudou com respeito à tradicional política da Galiza ao nascer Portugal?
A monarquia portuguesa frente ao modelo imperial do norte, sempre com aspirações iberistas, centrou-se sobre si própria e em consolidar pouco a pouco o seu território, que ficava de costas à península, mas aberto ao mar.
Sancho I, Afonso II, Sancho II, esforçam-se nessa linha de conduta .
Se a criança Afonso Henriques e a sua cabeça pensante, o bispo de Braga, não fossem quem de achar um destino para o sul da Galiza afastado de projetos imperiais peninsulares que estavam no projeto de Compostela, hoje teríamos a Galiza unificada no estado espanhol desde a Estrema do Tejo (estremadura) até o Cantábrico, mas a sua vida cultural e linguística não seria sequer tão pobre como a da Galiza atual. Seria muito semelhante à que se vive no âmbito astur-leonês-mirandês, é dizer, no velho espaço do galaico-oriental .
Essa visão que Portugal tinha de si próprio oposta ao iberismo galaico, é a que o levará a ser um centro dum império com as costas viradas a Península, e ter o grande sucesso que teve, para fortuna da nossa língua portuguesa.
O português da Galiza
O português da Galiza ou galego da Galiza, até para o mais acérrimo isolacionismo, foi muito vivificado pelo português universal da corte de Lisboa, sem o português o galego, os falas da Galiza espanhola, derivam num mau dialeto do castelhano e com um espelho muito claro para ver isso, a deriva e o insucesso do galaico oriental ou astur-leonês.
O português da Galiza -as falas do português da Galiza- tirado o muito que sugou e continua a sugar do português, estaria limitado a uns dialetos rurais bastante fraturados e os seus utentes só teriam para beber e encher os ocos criativos nele com o castelhano, como é o que se passa nos restos que ficam do galaico oriental (com a exceçom do mirandês que bebe no português).
O sucesso da nossa língua e cultura (ao norte e ao sul do Minho) deve-se ao projeto que encetou Afonso Henriques virado de costas ao projeto iberista (imperial) e originário galaico.
Na Galiza não temos direito a reclamarmos nada sobre o nome internacional da língua, já que se não fosse por Portugal, nada seriamos, nem nada teríamos ao norte e ao sul do Minho.
A Galiza medieval, vive em realidade em Portugal. Portugal é o continuador verdadeiro dessa tradição, a que nós, pouco podemos achegar ao além de estar os nossos falares bem marcados pelo ferrete castelhano. Dizer Galiza e a sua língua e a sua tradição, é dizer Portugal e português.
Afonso Henriques (com o seu bom guia), da Galiza do sul fez um Portucale, um reino, e o galaico ou galego desse reino acabou por ter por nome o do próprio reino, o galeguíssimo nome de Portugal –português-.
O português da Galiza está na situação que está, por não sermos quem de assumirmos que os falares galegos só podem viver no português universal , e que falarmos de galego como contraposição ao português universal -o verdadeiro galego- e seguirmos pagando as portagens imperais de Castela-Espanha.
Assumirmos os falares da Galiza como português da Galiza é o melhor jeito galego de chamarmos ao galego da Galiza, para que possa ser ele próprio e duma tradição que arrincou em Braga no 411, e que está no cerne de Portugal, e libertarmo-nos assim do ferrete esmagador castelhano.
O único futuro do galego-castelhano é um só -espanhol-.
APONTAMENTO FINAL
Como galego, a mim serviu-me Portugal para duas cousas, a primeira descobrir que do que não gosto de Portugal é o facto de terem em grande medida os nossos próprios defeitos; e a segunda o muito espanhol que são quando às vezes me afirmo como galego, pois Portugal para fortuna nossa e da nossa língua e cultura universal, não é Espanha com certeza, e ao confrontarmo-nos com não espanhóis, serve, se somos sérios e abertos, para descobrirmo-nos, introspecionarmo-nos os galegos e galegas, e vermos de que jeito tam esmagador estamos inseridos e baliçados no espaço hispano, até para os acérrimos nacionalistas galegos.
Faz bem Portugal em estar sempre à espreita e com receio do que vem do norte do Minho, pois muito contrabando espanhol e espanholista se vende sob capa de presumido galeguismo, e ainda muito projeto imperial galaico (espanhol) paira ainda em cabeças galaicas no avanço para o nada, e para nenhures.
Bibliografia:
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- Mentalidad Justiciera de los Irmandinhos, Siglo XV. SIGLO XXI DE ESPAÑA EDITORES 1990
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- Grandeza e decadência do Reino da Galiza. ED. GALAXIA 1978
- Siempre de negro. ED. GALAXIA 1970
Hermano Saraiva, José.
- História Concisa de Portugal, LIVROS EUROPA-AMERICA 1984
Lopes, Fernão.
- Crónica d’el Rei João I de Boas memória. LIVROS EUROPA-AMERICA 1981
Lopes Suevos, Ramom.
- Portugal no Quadro Peninsular. AGAL 1987
López Carreira, Anselmo.
- Os Reis da Galiza. A NOSA TERRA 2005
López Teixeira, José António.
- Arredor da conformación do Reino da Galiza (711-910). Ed. TOXOSOUTOS 2003
Mattoso, José.
- História de Portugal: a Monarquia feudal (I e II), EDITORIAL ESTAMPA
- A Formação da nacionalidade (internet)
- A Identidade nacional. CADERNOS DEMOCRÁTICOS
Menendez-Valdés Golpe, E.
- Separatismo y Unidad (una mitificación histórica). SEMINARIO Y EDICIONES 1970.
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- História da Civilização Ibérica, LIVROS EUROPA-AMERICA
Ribeiro, Orlando.
- La Formation de Portugal, Bruxelas 1939
Sergio, António.
- Breve Interpretação da História de Portugal CLÁSSICOS SÁ DA COSTA 1981
Zebral Lopes, Manuel.
- Manuel galego Português de História- Edição do autor 1996
Merecem especial menção por terem sido os seus trabalhos muito influentes na perspectiva destas reflexões historicistas, os múltiples artigos e reflexões de Ernesto Vasquez Souza, e alguns trabalhos divulgativos do presidente da Associação Fala Ceive do Berzo, Xavier Lago Mestre.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Somos todos galegos no dia 21?
Língua galega é o nome oficial no Reino da Espanha e na União Europeia do idioma natural da Comunidade Autónoma da Galiza. Esta língua é falada na Galiza, em zonas de fronteira das Astúrias e de Castela-Leão e nas comunidades de galegos emigrantes, como na Argentina, Cuba e no Uruguai (porque mais de três milhões de emigrantes galegos moram naqueles países).
O galego pode ser visto como uma forma evoluída do galego-português, como o português da Galiza (da mesma forma que se fala de 'português de Portugal' ou 'português do Brasil').
O galego-português formou-se a partir do século IX, na antiga província romana da Gallæcia e as famílias, as crianças e os jovens da Galiza pedem a solidariedade dos portugueses, com veemência especial dos minhotos, quando preparam uma greve geral nas escolas para protestar contra uma agressão histórica contra uma das fortes componentes da Lusofonia, o galego.
A greve foi convocada pela plataforma Queremos Galego para o dia 21 deste mês para tentar impedir a mais forte agressão contra o idioma próprio da Galiza em toda a vida democrática de Espanha.
Se para os galegos é tão importante envolver todas as pessoas com sensibilidade pela sua cultura, é importante que saibamos ser solidários com eles contra este decreto que não tem o apoio das famílias, nem dos professores, nem dos alunos.
O decreto ofensivo da Língua galega foi apresentado a meio das férias do Natal pela Junta da Galiza sob a capa da aprendizagem do inglês, prejudicando nitidamente o galego, numa acção que os linguistas da Galiza consideram uma burla tremenda porque se vende um suposto 'trilinguismo' — castelhano, inglês e Galego — que é impossível aplicar em quase toda a Galiza.
Com falácias sobre o inglês o que tentam é confundir a opinião pública e camuflar esta navallada contra o galego — acusam os promotores da greve geral.
O último censo da Galiza assinalava que 20% dos rapazes e raparigas entre 14 e 19 anos são analfabetos funcionais em galego. A Junta, em lugar de ajudar a resolver este gravíssimo problema, aprofunda-o e cria outros novos. Como se pode entender que se proponha como justo reduzir a presença da língua mãe no horário escolar? — perguntam os opositores deste decreto-lei que favorece o inglês e despreza o galego.
Em nome da liberdade de escolha e face à imposição unilateral de Núñez Feijóo, as comunidades educativas reclamam que se escute a sua voz, porque o decreto galegófobo não merece mais que a sua rejeição.
No dia 21 de Janeiro, os minhotos não devem esquecer um abraço de solidariedade aos galegos que lutam por um dos seus emblemas mais vivos da sua identidade como povo e baluarte da sua autonomia face à imposição castelhana sob a capa da liberdade. Não apenas por amizade aos galegos, mas porque a Lusofonia está ameaçada e ficará empobrecida na Galiza com este decreto da Junta de Nuñez Feijóo.
http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=1195
domingo, 22 de novembro de 2009
Pela amostra, o debate de dia 5 de Dezembro promete ser bem animado...
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Mensagem que nos chegou...
Os média galegos são parciais. O jornalistas teem pensamento político virado para o espanholismo castelhanista. Veja-se o acosso ao qual é submetido Carlos Calhom, o lider da Mesa Pola Normalização Linguística, uma das organizadoras junto coom a AGAL da manifestação em favor da língua do passado dia 18 de Outubro à qual acodiram mais de 70:000 pessoas.
http://www.dailymotion.com/video/xav9r7_carlos-callon-entrevistado-por-carl_news
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
'Se ainda somos galegos é por obra e graça do idioma" - 70 mil em defesa do idioma

Domingo, dia 18 de outubro de 2009. A data ficará bastante tempo no imaginário colectivo como o dia em que mais pessoas saírom às ruas em defesa da língua galega. Mais de 70 mil segundo os nossos cálculos, cifra incrementada até 100 mil pola plataforma Queremos Galego e reduzida a 50 mil pola Polícia.
Fora números, triunfa acima de tudo a visom do coraçom de Compostela paralisado desde antes das 12 do meio-dia até perto das três da tarde, a imagem das principais artérias da cidade substituindo os automóveis pola maré cidadã que se manifestou contra a imposiçom do castelhano e contra os constantes anúncios de políticas desgaleguizadoras.
Dá ideia da magnitude da manifestaçom assinalar que polas 14h20, mais de duas horas depois do início oficial da mobilizaçom (convocada para as 12h), e depois de umha hora de intervenções dos porta-vozes de Queremos Galego, centos de pessoas ainda se dirigiam à zona histórica de Compostela, a maior parte integrantes de Galego Sempre Mais.
Alberto Núñez Feijóo, com só seis meses à frente da Junta, já tivo em maio o recorde de ser o presidente em cujo mandato de convocou a maior manifestaçom em defesa do galego, quando 50 mil pessoas saírom às ruas. Agora, em outubro, a cifra incrementou-se notavelmente para vergonha do chefe do Executivo autonómico. Duvidoso honor o de lograr por duas vezes esta marca em só meio ano.
Também houvo boa participaçom no bloco reintegracionista da plataforma Galego Sempre Mais, que igual que no 17 de Maio deixárom uns metros de separaçom com o resto da manifestaçom.
fonte: www.pglingua.org - texto de Maria Espantoso
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Galiza pela dignidade.

Rua: Frederico Tapia 12-1º
15005 A Corunha
A Agrupação Cultural O Facho chama aos bons e generosos a fazer valer os seus direitos cidadãos frente às agressões contra a Cultura e a Língua Galega que está a levar a cabo o P.P. e a atual Junta de Galiza para delir a nossa identidade de Nação na paranóia neo-fascista da FAES.
Ante esta afronta O Facho demanda aos cidadãos galegos a se manifestar às 12 a.m. do dia 18 de Outubro na Alameda de Compostela por:
1) O nosso posicionamento de jeito beligerante e irrenunciável na defesa da Língua Galega e contra a política etnocida que os responsáveis políticos da Junta de Galiza estão a realizar contra a Língua e a Cultura Galega.
2) A Língua constitui um elemento básico de identidade cultural e representa um valor fundamental de coesão. A derrogação do Decreto 124/2007 retrotrai-nos ao mais ranço franquismo com o que o atual Governo da Junta tem múltiples canais manifestos e soterrados de comunicação.
3) Toda a ação política de Feijoo, @“ El Habichuela” , e os seus “mariachis” cara ao nosso País (Educação, Cultura, Deportes, Industria, etc...) supõe um passo mais na política de repressão, empobrecimento e marginação da nossa Nação, e na espoliação das classes populares e cidadania galega.
4) O Estatuto de Autonomia de Galiza, no seu artigo 5, define o galego como Língua própria de Galiza, declara que os idiomas galego e castelám som oficiais em Galiza e que todos têm o direito de conhecê-los e usá-los. Assim mesmo, estabelece que os poderes públicos da Galiza potenciaram o emprego do galego em todos os planos da vida pública, cultural e informativa, e achegarão a dotação dos recursos necessários para facilitar o seu conhecimento. Certamente, toda a política atual de “Habichuela” e os seus “mariachis” violenta o Estatuto de Autonomia.
5) Depois de séculos de persecução e de escárnio dos falantes galegos - à vez que se geravam políticas de extirpação da Língua Galega tanto por parte do Estado, da Igreja, e doutras Instituçons- ; o atual governo da Junta faz sua esta política de violência e etnocidio contra o povo galego para tentar delir a nossa identidade de Nação, mostrando uma vez mais as suas fundas raizames no fascismo e no clericalismo constituintes do Movimento franquista.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Uma declaração...
"Os galegos não estão sós..."
http://lacomunidad.elpais.com/monchofidalgo/2009/9/23/os-galegos-n-o-estamos-sos-mundo-vejam-um-tantos
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Ainda sobre a Galiza: texto que nos chegou...
Espanha, como Nação, com a sua capital no centro da Península Ibérica, carrega ainda duas grandes feridas. Uma de elas é, a do separatismo Basco, que teima persistir ao longo dos séculos, e a outra é, a da incompreensão da emancipação do condado Portucalense.
Espanha quer ser grande, quer ser poderosa, quer tirar partido da configuração geográfica que a Península Ibérica lhe confere, para sua afirmação no Mundo global...
Para se entender a dinâmica destas feridas, temos de penetrar na génese da fundação de Portugal e perceber as razões de D. Afonso Henriques ao libertar-se da alçada de sua mãe. A missão espiritual, ou de Alma, como lhe quisermos chamar, que esteve na motivação de D. Afonso Henriques, terá sido o de permitir a evolução, do cunho de S. Tiago de Compostela, conferido às terras da Galiza. Este cunho que é de Santidade, é por sua natureza masculino, "Yang", e ainda de "terceira visão".
O modo como foi feita a expansão de Portugal uns séculos mais tarde, através dos diversos Continentes, demonstra que fomos o Povo que mais actuou "centrado com o coração". Evolui-se assim, em termos energéticos, de uma consciência de dinâmica masculina, harmónica bipolar, para uma de dinâmica centrada no Amor Universal, mas que integra a anterior dinâmica.
Esta teoria tem de ser consciencializada e comprovada na prática. Julgo que é esta a missão dos povos LUSOFONOS nos dias de hoje. Só depois de bem provado, se compreenderá, se aceitará, e Espanha resolverá o seu problema de separatismo.
Galiza em termos de subconsciente colectivo, está mais próxima de Portugal, do que de consciências colectivas mais próximas da Europa Central, como são algumas provincias de Espanha, onde impera uma consciência energética bipolar, alicerçada no planeamento, aparentemente de grande desenvolvimento e harmónica, mas que o deixa de ser, sempre que se afasta do Amor Universal.
Têm-se de consciencializar as diferenças, e só depois ir unindo....
Maria de Lourdes Teixeira Puga Alvarez
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Especialmente dedicado ao nosso amigo anti-galego Sebastião...
Palestra
O dia 29 de Setembro, terça-feira (martes), A Agrupaçom Cultural O Facho enceta as suas actividades do período 2009-10 com a palestra “O governo Opus/P.P. e a sua política etnocida contra a Língua Galega” dentro do ciclo “Língua, Literatura e Naçom”. A conferencia correrá a cargo do reconhecido escritor Xabier P. Docampo.
Xabier Docampo é mestre, escritor, conta-contos, actor e director de teatro, guionista... mas o que lhe pode definir é de ser um dos bons e generosos que canta o nosso Hino, dado que a sua existência esta marcada pola defesa da nossa Língua e Cultura. O seu livro “Cando petan na porta pola noite” está considerada como umha das cem melhores obras do século XX publicada no Estado espanhol. A sua obra “A casa da luz” foi levada ao cinema. Xabier Docampo fizo-se escritor porque tem memória de si e dos seus, e com esta actividade obtivo inumeráveis prémios, tanto no País como fora do mesmo.
Acto:
Dia: 29 de Setembro - Hora: 8 do serám
Local: Fundaçom Caixa Galicia
Cantom Grande – A Corunha
Identidade I

O mundo lusófono vive nesse princípio de século sob uma constante ameaça: a quebra da identidade lingüística portuguesa patrocinada por um movimento denominado reintegracionismo galego. Estamos a ver passivamente um orquestrado desenrolar de acontecimentos com finalidades não declaradas que procuram de todas as formas subjugar ou trazer ao seu controle 500 anos de lusofonia global. Embora, na última reunião de ministros da CPLP, tenha ficado claro a não aceitação da Galícia, território espanhol, como membro da comunidade da língua, continuamos a ver de forma passiva e até indolente as continuadas tentativas de se forçar uma aproximação cultural que não mais existe, que se perdeu no tempo e espaço. Com relação a identificação e proximidade lingüística do Português e do Galego, percebemos que toda a península ibérica mantém certa coesão, o que nos torna tão distantes da língua galega, quanto a língua galega o é da castelhana. Não vejo como aceitar a participação galega na lusofonia, seria um retrocesso na evolução e identidade dos povos que, com muito orgulho e honra, transformaram a língua de Camões na terceira mais falada, escrita e pensada do mundo ocidental. “O galego para a Galícia, o português para a portugalidade”.
Aurélio Amado de Oliveira - Brasil
aurelioamado@yahoo.com
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Na Galiza, continua a investida anti-galega...
Novas da Galiza excluído novamente das ajudas aos meios escritos em galego
PGL - Segundo informa o último número do jornal soberanista, a Secretaria Geral de Meios rejeitou atribuir à empresa Minho Media SL, editora da publicaçom, ajudas «dirigidas a empresas que realizam publicaçons integramente em galego» com o pretexto de o jornal «nom estar escrito integramente em galego conforme a normativa oficial vigente, segundo informe da Secretaria Geral de Política Lingüística».
Fonte: www.pglingua.org
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Texto que nos chegou...
Há muita fome no mundo
José Manuel Barbosa
Uma rapariga adolescente fijo-me um comentário de sobremesa o outro dia num jantar: “Nom haverá cousas mais importantes nas que empregar esforços e dinheiro do que fazê-lo polo galego? Há gente que passa fame no mundo!![+...]A rapariga, adolescente luzida e inteligente tapou a minha boca com uma manifestaçom rotunda e categórica para além de verídica e real perante a minha paixom galeguizadora acrescentada com uns quantos anos de compromisso linguístico. A sua lógica feita com a visom realista das cousas duma nena de 16 anos que começa a ver o mundo tal qual é trouxo-me à realidade. A sua ideia simples mas impecável levou-me a cavilar toda a tarde e nom pudem mais do que dar-lhe a razom finalmente. Pensei que países como Uganda ou Tanzânia, Zimbabwe ou Namíbia têm prioridades mais importantes do que desterrarem o inglês dos seus territórios para fazerem das suas múltiplas línguas nativas instrumentos de cultura, comunicaçom ou criaçom literária. É assim como neste caso o inglês se fai a língua mais poderosa do planeta; porque os pobres orçamentos desses países nom vam destinados para a normalizaçom do swahili ou o hotentote mas para erradicar a fome, vacinar as populações contra enfermidades que nom conhecemos na Europa polas nossas condições higiénicas e de salubridade ou ensinar a ler às crianças para elas poderem ver um futuro de maior qualidade de vida nos seus países. Já o dizia Jordi Pujol a respeito do catalám: “O catalám custa dinheiro”. Tinha razom o velho dirigente catalám, como razom tem a rapariga, mas evidentemente Catalunha nom é Uganda e a fome como mal social endémico nom existe, como também podemos dizer que o seu sistema de saúde é dos melhores da Europa que é como dizer que está entre os melhores do mundo. Catalunha pode portanto permitir-se o luxo de investir na sua língua milhões de Euros e fazer com que o catalám seja uma língua de cultura, arte, comunicaçom e seja aliás elemento gerador de riqueza material ao existir com isso a possibilidade de que haja um mercado linguístico que crie e agilize o movimento económico e enriqueça os catalães. Por outra parte o Reino da Espanha ingressa aproximadamente um 15% do seu P.I.B. graças ao castelhano por ser esta a língua oficial de 22 países do mundo e um total de mais de 400 milhons de utentes. A política linguística da Espanha a respeito do espanhol é por isso geradora de riqueza material fazendo da língua de Cervantes uma das mais prósperas do mundo do ponto de vista criativo, cultural, artístico e literário mercê a um mercado amplo que lhe dá umas possibilidades importantes a respeito doutras línguas de países com mais poder político e económico. No que diz respeito da Galiza podemos dizer com total tranquilidade que também nom somos Namíbia; também nom passamos fomes, nem andaços embora nom sejamos tam desenvolvidos como a Catalunha pois vivemos numa conjuntura económica europeia que nos fai ricos com referência ao contexto mundial embora pobres dentro do contexto europeu. Para além de todo isto a Galiza tem uma política linguística que polo menos na teoria -e digo na teoria- vai destinada para fazer do galego essa língua de cultura, arte e comunicaçom que sonharam os nossos grandes galeguistas e que nom só fosse usada por razons de voluntarismo patriótico ou fervor nacionalista mas também por gerar riqueza material com o qual a nossa gente se sentisse achegada a ela por algo mais do que por sentimentalismo neo-romântico. Mas também Galiza nom ingressa o 15% do seu P.I.B. pola sua língua, mais bem neste caso tem um índice negativo. A Junta da Galiza perde dinheiro por causa do galego de tal jeito que se as nossas instituições deixassem de investir na língua (ou contra ela) o nosso P.I.B. subiria 2 ou 3 pontos. Essa situaçom dá asas e argumentos a pequenos colectivos que se organizam para atacarem o galego, reivindicarem o direito de ignorarem-no e agirem para que este desapareça do nosso país. Hábil política linguística que nom mata mas dá para que morra. Curiosamente, ou por acaso, o galego é reconhecido por linguistas, filólogos e cientistas como uma das três variantes do sistema linguístico galego-português (galego, português lusitano e brasileiro), falado por quase 320 milhons de pessoas por todo o mundo e os cinco continentes; é oficial em 10 países, co-oficial desde o 2007 na antiga Guiné-Equatorial espanhola, segunda língua de Uruguai; segunda língua latina em número de utentes depois do espanhol, por acima do francês, do alemám e do italiano em extensom territorial e humana; terceira língua europeia depois do inglês e do espanhol, quinta do mundo depois do chinês, hindi, inglês e espanhol; língua oficial da ONU, da EU, Mercosul, Unidade Africana... Com uma política linguística acertada e focada nom só para a sua sobrevivência mas também para o seu florescimento, com um bom tratamento filológico e linguístico, adaptando a norma a esta realidade científica tam favorável quiçá nom chegaríamos a ingressar o 15% do P.I.B., (ou sim?) mas sim o 8% ou o 10% ou o 6% com o qual a nossa língua geraria riqueza material para além de cultural. E digo eu: Nom haverá cousas mais importantes nas que empregar esforços e dinheiro em vez de gerar gastos e perdas por causa dum modelo de normalizaçom que mata e inutiliza fornecendo de argumentos a pequenos grupos muito ideologizados que trabalham para bani-lo da Galiza? Nom estamos para deitarmos a casa pola janela. Há muita fome no mundo!!!
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Mensagem que nos chegou da Galiza...
Na Galiza estamos atormentados polos interesses "amigos" dos castelhanistas que nos querem "salvar" de Portugal e da Lusofonia...e também "salvar" Portugal e a Lusofonia dos galegos. Curioso que essa separação seja exposta como boa para nós. "Divide et Impera" que dizia o imperialista Júlio Cesar. Estão desesperados porque vem que Galiza pega no caminho certo que é o vínculo com Portugal, Brasil e demais países da Lusofonia. Isso é bom porque se "ladran entonces es que cabalgamos"
Abraço.
J.M.
sábado, 8 de agosto de 2009
Sobre o protocolo de cooperação entre os presidentes da Junta da Galiza e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte de Portugal
Foi assinado na cidade do Porto um protocolo de cooperação entre os presidentes da Junta da Galiza e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte de Portugal (CCDR-N). Segundo este protocolo, as duas regiões poderão passar a negociar diretamente a atribuição de fundos comunitários, entre 2014 e 2020, sem que tal processo passe por Lisboa ou Madrid.
O protocolo contêm uma alínea de extrema importância ao definir que a "Comunidade de Trabalho Galiza-Norte de Portugal" a função de se assumir como órgão político com a poderes de interlocução diretos para com a União Europeia.
O protocolo foi celebrado entre o presidente do governo galego, Alberto Nuñes Feijóo e o presidente da CCDR-N, Carlos Lage que no ato referiram a longa história comum entre as duas regiões, assim como os laços linguísticos que unem a Galiza a Portugal. Enfim, Feijóo referiu o "norte de Portugal", porque sendo um centralista do PPdG (Partido Popular da Galiza) não é propriamente um galeguista autonómico e como a todos os Espanholistas (que acreditam que a Galiza só pode existir como parte subalterna de Espanha), nunca poderia digerir a aproximação entre a Galiza e Portugal, mas apenas com uma região de Portugal...
Carlos Lage, pela CCDR-N, sublinhou as vantagens competitivas desta integração regional, no campo cientifico e económico, no que foi coadjuvado pelo representante da Junta galega. Em suma, ambos concordaram em que os agentes económicos, culturais e científicos deviam encarar a Euro-região como "um espaço unificado, com iniciativas e oportunidades conjuntas".
O presidente da Junta da Galiza acrescentou ainda que: "Juntos, o Norte de Portugal e a Galiza representam bem mais que a soma das partes, e isso significa que devemos olhar em conjunto para o que se passa com as mudanças nos mercados internacionais". Acrescentou no final - no Porto, note-se - uma frase que talvez não queira tornar a repetir na Galiza: "a Euro-região tem uma natural vantagem competitiva que ainda não soubemos rentabilizar devidamente". Sublinhe-se neste contexto que Feijóo é o presidente galego mais espanholista e menos favorável a uma política de defesa da língua portuguesa da Galiza (a "língua galega" dos espanholistas que a classificam erradamente como um "dialeto do castelhano"). Assim, é muito irónico ver Feijóo referir as vantagens competitivas da integração da Galiza no espaço lusófono, já que a tese oficial da Junta é que a Galiza não faz parte deste espaço! Ou já faz quando se trata de abrir aos empresários galegos os mercados dos países da CPLP, mas não quanto se trata de admitir a evidência de que português e "galego" são duas faces da mesma língua?
Fonte:
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1390811
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Um apelo da nossa irmã Galiza...
"...a cada pessoa, segundo as suas necessidades". Grande sentença, ainda insuperada. A necessidade comum é a hegemonia da nossa língua.
Antes de mais nada, pedimos desculpas se alguém recebe não recebeu correios anteriores nossos. Havia problemas com os endereços eletrónicos de algumas pessoas.
Escrevemos às pessoas assinantes do Manifesto pola Hegemonia Social do Galego para pedir a sua colaboração segundo as suas capacidades.
Como muit@s sabem, hoje 23 de julho de 2009 foi publicado no Xornal de Galicia o nosso Manifesto, em página e meia (págs. 20-21). O custo inicial da publicação, que não foi pouco, foi assumido inicialmente por algumas pessoas.
Mas o Manifesto é de todos e de todas. Sabemos que há gente quer contribuir economicamente para cobrir a sua publicação.
Exclusivamente com o propósito de financiar o Manifesto, abríu-se uma conta bancária em CaixaGalicia, com o número:
2091-0806-10-3040537001
Quem quiser pode contribuir com uma pequena (ou não tão pequena) quantidade: 5, 10, 20, 50 euros... Não podemos nem devemos indicar quanto, mas qualquer quantidade que consideremos excessiva será devolvida.
Por favor, em "Conceito" indique-se claramente algo semelhante a:
Manifesto pola Hegemonia Social do Galego / Manifesto Hegemonia Social Galego / Manifesto HSG
Se se faz uma transferência por Internet e se escolhe a notificação automática, por favor indique-se o endereço:
hegemoniasocialdogalego@mundo-r.com
Infelizmente, no comprovativo da doação talvez figure o nome próprio da pessoa que criou a conta para isto. Esqueça-se, pois isto é puramente circunstancial. Pensámos que constituir qualquer entidade só para o propósito de financiar o Manifesto seria desnecessário.
Por correio, e no blogue do Manifesto (endereço abaixo) iremos rendendo contas da quantidade que ainda se precise para cobrir a publicação do Manifesto. Em pouco tempo, vamos chegar a 1.000 pessoas reunidas. Este campo da assembleia começa a ficar pequeno.
Muito obrigad@s de antemão pola vossa colaboração,
hegemoniasocialdogalego@mundo-r.com
http://hegemoniasocialdogalego.blogspot.com
terça-feira, 21 de julho de 2009
Apelo que nos chegou...
Prezad@ signatári@ do Manifesto pola Hegemonia Social do Galego,
Informamos que se abriu um singelo lugar web com o texto do Manifesto, a listagem das primeiras pessoas assinantes em ordem alfabética (mais de 670), e duas versões de arquivos em PDF com o Manifesto, que se incluem também anexos a esta mensagem.
Rogamos que colabore para a sua máxima difusão imprimindo algumas cópias e distribuindo-as. Muito obrigad@s!
Blogue do Manifesto: http://hegemoniasocialdogalego.blogspot.com/
Para assinar: http://www.peticao.com.pt/hegemonia-social-do-galego
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Na Galiza...
PGL - À caixa dos correios do Portal Galego da Língua chegou a denúncia de umha mulher que assegura ter sido discriminada em Compostela por razom de língua. Os factos acontecêrom, segundo a sua versom, no sábado dia 11 de Julho.
Esta pessoa explica que apresentou o seu currículo para cobrir umha vaga num conhecido centro comercial compostelano. Segundo explica a mensagem, exprimir-se em galego teria sido o motivo polo qual se lhe rejeitou a solicitude.
Ainda, no correio esta mulher denuncia que o gerente lo local negava a competência desta pessoa em língua castelhana polo simples facto de utilizar galego. «Como veo que no sabes hablar español, no me interesa. Gracias», é a resposta que assegura ter recebido por parte do entrevistador.
Polo seu interesse, reproduzimos parcialmente a mensagem que recebemos:
Atendendo ao anúncio da porta do estabelecimento [...] de Santiago de Compostela: «Se necesita dependienta. Razón aquí», entrei no referido estabelecimento com um currículo e entreguei-o à pessoa ao cargo.
Depois de ler o currículo e perguntar-me sobre a minha experiência laboral prévia, eu respondim em galego. A reacçom desta pessoa foi a seguinte:
«Como veo que no sabes hablar español, no me interesa. Gracias»
Evidentemente eu falo perfeitamente castelhano e galego, assim como algo de inglês, mas ao tentar explicar-lho, este homem nom atendeu a razons e seguiu repetindo:
«Como veo que no sabes hablar español, no me interesa. Gracias».
É isto bilingüismo cordial? Isto é o que pretende Galicia Bilingüe?
P.S.: Esta história acontece em 2009, nom em 1950.
Fonte: http://pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1033%3Agravissimo-novo-caso-de-discriminacom-lingueistica&catid=9%3Acanal-aberto&Itemid=75
terça-feira, 14 de julho de 2009
Petição que nos chegou...
Queridos amigos,
Desde março corrente, o outro povo Lusófono da Europa (o Galego) vem sendo acossado pela fúria impositiva do espanhol, levada a cabo pelo actual governo autonómico do PP, no sentido de fazer do português da Galiza uma memória do passado no período de uma legislaturam, e sem
que ninguém proteste. Um conjunto de personalidades galegas decidiu lançar uma petição para a reposição dos direitos dos Lusófonos na Galiza. Esta petição para além de fazer apelo aos galegos faz também apelo à solidariedade Lusófona.
Acredito que este assunto, tal como já tinha acontecido antes com Timor (noutra escala) é da maior importância para a Lusofonia e para Portugal em particular. As instituições comunitárias que JÁ EXISTEM, como por exemplo o Eixo Atlântico vivem e foram criadas na lógica da existência de uma cultura comum entre o Norte de Portugal e a Galiza.
Ao varrer o Galego do mapa linguístico da Galiza a Espanha aproveitará a existência da Euroregião para dar início à castelhanização progressiva do Norte de Portugal. Ajudar a Galiza impõe-se!
Por favor leiam a petição, assinem-na (se concordarem) e divulguem-na.
Miguel Santos
http://www.peticao.com.pt/hegemonia-social-do-galego

