EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas






O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

PODEMOS NÓS, OS GALEGOS DA GALIZA ESPANHOLA, RECLAMAR O NOME DE GALEGO PARA A LÍNGUA COMUM?

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A CENA DO NASCIMENTO DE PORTUGAL

Alexandre Banhos
VIII Colóquio da Lusofonia, Outubro 2009

Nos feitos históricos, há sempre um fator de oportunidade e outro de acaso, mas uns e outros têm uma lei de ferro: O que não se passou quando as circunstâncias eram favoráveis e propícias, é dizer, quando as ondas do momento histórico pareciam impulsionar e acelerar a história, vai tornar-se muito difícil, que alguma vez aconteça. Com certeza que as circunstâncias e o acaso são em grande medida, um construto de pessoas humanas. Porém, passado o momento e mudadas as circunstâncias é muito difícil, por não dizer impossível, reconstrui-las. As circunstâncias nunca poderão voltar a ser as mesmas, pois isso é um impossível, além disso, e como dizia Wilfredo Pareto, -cada novo facto que ocorreu vai pesar sobre nós como uma lousa, a história não é mais do que as lousas que nos esmagam-.

1- A Galiza e e as suas elites “iberistas”.
A Galiza foi de sempre um poderoso elemento da história europeia. Foi o primeiro reino independente dentro do império romano, constituído no ano 411 . O reino é conhecido na historiografia -mais corrente-, como dos Suevos, e na sua própria documentação histórica que nos legou, como Galaeciorum regnum.
O seu centro político foi estabelecido em Braga , por ser esta a capital da província romana da Gallaecia.
É dizer, o centro do reino estava na cidade que já era o centro da província romana da Galaecia –Braga-, e que provavelmente já tinha um rol muito importante no noroeste peninsular antes da chegada dos romanos. Não é por acaso que os castros celtas da sua redondeza, pola sua desmesura, foram denominados citânias.

Foi muito cedo – já na alta idade média- considerada a Galiza, como um dos grandes impérios da cristandade, junto aos impérios Bizantino e o Sacro-império Romano-Germânico.

Depois da invasão muçulmana do ano 711, a Galiza foi o território não ocupado pelos muçulmanos, de aí que grande parte das suas dioceses sejam as únicas da península ibérica com permanente continuidade, e foi ela quem liderou e guiou a luta da reconquista do território da Espanha. Nem no periodo romano , nem no vissigótico, nem no muçulmano, a Galiza se confundiu com o espaço Espanha.

Os galegos da velha Galiza, a dos conventos bracarense, lucense (ártabra) e asturicense (astúrica – estes só ao norte da serra Cantábrica -), os que nunca foram submetidos pelos muçulmanos, ou o seu domínio sobre eles fora muito fraco, -basicamente limitado ao penhor do tributo-, tinham-se pelos primeiros entre todos os peninsulares e não se abaixavam perante ninguém.

A Galiza, era o território peninsular mais densamente povoado, inçado de linhagens nobres que se tinham a si próprias, como iguais ao rei. Era pois, o ator mais poderoso no jogo peninsular.
As numerosas forças galegas resultavam o elemento mais temível da península ibérica e já desde muito cedo as cousas tornaram-se, e senhores muçulmanos acabaram pagando tributo e aceitando a sua prevalência.

Os reis da Galiza não eram simples reis, muito cedo usufruíram o nome de imperadores e como tais eram reconhecidos pelo Papa, pelo império Carolíngio e por Bizâncio. e para quem é tão grande a própria Galiza originária resultava pequena, e assim todos os dias estavam a alargar os seus domínios para o leste e para o sul e com eles avançava o domínio da cruz frente ao da meia-lua. E nas cabeças dos reis da Galiza acabará aparecendo o ensejo de coroarem-se com a península ibérica toda, eis o o projeto iberista galaico .

1.1- A cidade de Braga

A capital histórica da Galiza sempre foi Braga , nela já antes de que começara a era cristã fora colocada a cabeça da governação da primeira província romana -com esse nome-. A cidade de Braga estava por tanto por cima do resto das capitais dos outros conventos que formavam a província.

Ao princípio do avanço muçulmano a cabeça primaz da Galiza é trasladada desde Braga, que era como dizia, a capital da Galiza, desde que a Galiza existia como entidade política , para a cidade ártabra de Lugo (centro do convento lucensis) .
Os bispos de Lugo sempre que agem como cabeça, fazem-no com uma formula -por delegação de Braga- e isso vai-se manter durante toda a alta idade média.

2- O quadro histórico no que se insire o nascimento, muito afortunado , do reino de Afonso Henriques

A Galiza, o império galaico-leonês , desde muito cedo enfrenta a luta constante contra o separatismo castelhano.
Os castelhanos não aceitam muito pacificamente a dominação ocidental, a galega, e sempre estão a fazer levantamentos e resistências.

2.1- Aparecimento do reino de Castela no jogo peninsular

O reino da Galiza, desde muito cedo, teve que confrontar-se com o separatissmo de Castela, é dizer, do velho convento romano de Clúnia, incorporado à província da Galiza na época de Diocleciano. O arredismo dos castelãos informará permanentemente a política da Galiza.

Castela, o condado de Castela, vai conseguir a categoria de reino com o rei Sancho III (982-1035) de Navarra, quem por uma simples boda com a herdeira do Condado de Castela separou o território da Galiza-Leão, e se proclamou rei de Castela, o seu primeiro rei . Isso fala-nos do fraco controlo do território que o separatismo castelhano impusera ao controlo galaico .

Os castelhanos com ele sentiram pola primeira vez, um seu desenvolvimento longe do controlo real galaico. A geopolítica , que os colocou no espaço central peninsular, ajudaria ao seu sucesso, entanto a ação política se mover em coordenadas peninsulares.

À morte do rei Sancho III de Navarra- vai ser o seu filho Fernando, quem herde o recém nado reino de Castela, em realidade um reino, que na Cúria leonesa considera-se só um condado e não se reconhece.

As ondas da história que impulsionam os acontecimentos, farão que Fernando venha a ter a posse também do reino da Galiza –é dizer, do império- (Galiza-Leão). A inércia e superior domínio cultural galaico, o role de língua palaciana que usufrui o galaico ocidental, era na altura um fator muito decisivo para trazer de novo o centro para o ocidente.

Fernando I, o imperador, da Galiza-Leão, segue à sua morte, a doutrina do seu pai, e reparte territórios e posses aos seus cinco filhos.
Três reinos aos filhos: a Sancho, o mais velho da-lhe Castela . A Afonso Leão; e a Garcia o mais novo, a faixa mais ocidental cristã do velho reino da Galiza, a faixa cujo limes oriental eram os Montes de Leão, e que pelo sul tinha chegado muito mais longe que os outros reinos.

A Galiza aparece individualizada , e já sem abranger todo o velho império galaico. Temos aqui um reino, com uma Galiza diminuida com respeito ao alcance histórico anterior, mas que pelo sul avançara muito mais do que qualquer outro território ou reino cristão peninsular.

Para as suas duas filhas: Urraca e Elvira foram respetivamente as cidades de Samora e Toro.

2.2 Que faz Garcia como rei da Galiza

A primeira decisão que adota Garcia é a de que se ponha fim à delegação da condição de primaz de Braga em Lugo. Segundo, à restauração de Braga como cidade principal do reino.

Porem, nessa Galiza de Garcia , estava uma cidade que ainda havia pouco que conseguira ser sede de bispado -Compostela-, para onde deslocara-se a velha sede de Íria Flávia como cabeça do maior bispado da Galiza.

E é essa poderosa Compostela, a quem o Apostolo está a encher de ouro e de ambições, quem, digamo-lo suavemente, não gosta do rei Garcia e a sua política bracarense. Compostela nasceu ambiciosa, e como sé apostólica, e não quer aceitar depender de quem era a cabeça primaz da Galiza, Braga .

O reino da Galiza de Garcia, não era já um pequeno espaço no norte, pelo sul há já tempo que tem incluída a região coninbringensis, e tem já por zonas a sua extrema no rio Tejo. A Galiza de Garcia cobra também tributo das poderosas taifas de Badalhouce (Badajoz naquela altura) e Sevilha.

2.3- Uns irmãos reis muito ambiciosos

Tanto Sancho, como Afonso ambicionam terem todos os territórios do seu pai na sua coroa, e tras uma sorte de guerras e maus feitos entre eles. Afonso vai acabar por juntar de novo os três reinos, Galiza, Leão e Castela.

Sancho, o primeiro dos irmãos, considerava que o reino devia ser todo um e dele todo, por ser o primogénito, com a cumplicidade de Afonso quem herdara Leão e a sua sede curial, e com a colaboração necessária do bispo de Compostela , desfazem-se de Garcia com uma cilada, retendo-o e apoderando-se do seu reino . Sancho proclama-se rei da Galiza, mas as suas contínuas guerras com Aragão e Navarra, faz que na prática seja Afonso desde a sua sede curial quem tem o controlo e tira benefícios da Galiza.
Sancho estabelecida a paz com Aragão e Navarra, lança-se com as suas tropas bem treinadas pelo seu permanente estado de guerra, contra Afonso, ao que pronto derrota e acabou fazendo-se com todos os seus territórios e reino, ainda que a posse deles não chegará nem a um ano. Afonso refugiara-se no território muçulmano, mas ainda tem no seu reino a resistência da sua irmã Urraca desde a sua cidade fortaleza. Assaltando Samora, a fortaleza de Urraca, é assasinado com engenho, falece Sancho, e Afonso acaba sendo o rei único de todos os territórios.

2.4.- O reinado de Afonso VI e os borgonhóis

Afonso VI foi um rei que não só passou a história por ser o conquistador de Toledo, senão pola sua complicada vida familiar. Afonso tem cinco matrimônios , vários concubinatos estáveis e relações com várias mulheres, do que ao final só vão resultar filhas sobreviventes.

Um dos matrimónios de Afonso VI, o segundo e de mais duração , foi com Constança de Borgonha (do que sobreviveu a filha Urraca); este matrimónio levara-o a ter certa estabilidade de relações com Borgonha, e que para a corte viessem desde Borgonha vários cavaleiros, tais como os nobres borgonhóis Raimundo e Henrique.

No ano 1090, o Rei Afonso casou a sua filha e herdeira Urraca, com Raimundo de Borgonha, matrimónio ao que se garante o reino da Galiza à sua morte.
Raimundo muito faz por agradar ao Rei, fortalece a cidade estratégica, por estar na fronteira sul, de Ávila, e dirige continuas guerras contra o domínio muçulmano, especialmente no sul da Galiza.
Outro nobre borgonhão que veu à corte, vai ser Henrique, e a quem o rei casa no ano 1095 com uma outra filha sua, Teresa, uma rapazita de uns 10 ou 11 anos , resultado dumas suas relações com uma moça de nome Jimena Nunes, e de quem não se conhece título nenhum.
Henrique é posto sob o domínio de Raimundo e encarregado de guardar a extrema sul da Galiza. Sob Raimundo a extrema da Galiza estava já no rio Tejo. Raimundo tentou por duas vezes assaltar Santarém, foi numa das suas batalhas pelas extremas do reino na que faleceu.

Urraca viúva com o seu filho Afonso acha apoio protetor no poderoso bispo Gelmires de Compostela e na casa dos Trava, e é reconhecida da Galiza emperatriz à morte do seu pai, porém quando ela casa com Afonso o Batalhador rei de Aragão, pronto Gelmires -apoiando-se na vontade de Afonso VI, faz rei da Galiza o seu filho ainda criança -duns 7 ou 8 anos- no ano de 1111 (Afonso -Raimundes- VII) , que era filho de Raimundo e Urraca . Neste rei acha Gelmires um instrumento das suas ambições políticas.

3- Afonso Henriques

Na Braga restaurada por Garcia não gostam da política imperial e desconsiderada da recém chegada Compostela e começa a dar-se uma conjunção de interesses entre o bispo de Braga, verdadeiro factor do processo que virá, e as classes dominantes locais.

Henrique de Borgonha como conde de Portucale, o condado ao sul da velha Galiza, tem a inteligência política de passar despercebido, e ir construindo ali um governo local tranquilo, no que age, e à vez não discute a autoridade real.

Os bispos de Braga afirmam-se contrários de Compostela desde muito cedo.
A Compostela de Gelmires chegará a fazer uma expedição a Braga para roubar o espólio de santos ali depositado –Pio Latrocínio- e ganhar assim prestígio da vero caput para Compostela, e veneração dos galegos, por serem os santos de Braga os de mais prestígio na Galiza, alguns muito por cima do próprio Sant'Iago.

Henrique de Borgonha com Teresa tem um filho, Afonso Henriques. Aceita-se que desde o ano do seu nascimento, 1109 até ao 1128 viveu fundamentalmente em Guimarães, exceto o período do desterro do bispo de Braga, o seu tutor, que o levou consigo para Tui pelo menos durante algum tempo.
A mãe de Afonso Henriques, ficou viúva estando na casa dos 20 anos.

Todo isto faz que a igreja de Braga - desde o bispo Vistrário um dos mais fortes apoios do rei Garcia, e logo o grande Pedro - com o apoio da nobreza local, se afirmem como contrapostos à ambiciosa sé apostólica. Eles defendem os seus interesses que além de outras cousas eram os legítimos e históricos.

Em 1120, sob a direção do arcebispo de Braga Paio Mendes, o menino Afonso (uns 12 anos) tomou uma posição política oposta à da mãe, a qual apoiava o partido dos Travas (a poderosa família nobre muito ligada a Gelmires nessa altura). Como resultado desse posicionamento, o bispo Paio é forçado a deixar Braga, mas levou consigo o infante pelo menos algum tempo. Em 1122 armou-no cavaleiro em Tui.

Pacificadas as tensões, voltará o bispo a Braga. Entretanto, novos incidentes locais provocaram a ação no Condado Portucalense do rei da Galiza Afonso Raimundes, mas cada dia ele está mais longe, pois somará à Galiza, Leão e Castela.

Em 1127 cerca Guimarais , onde se encontrava Afonso Henriques, mas sendo-lhe prometida a lealdade deste pelo seu aio Egas Moniz, Afonso VII desistiu de conquistar a cidade.

Mas alguns meses depois, em 1128, as tropas de Teresa e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede (batalha na que participaram só uns poucos centos de homens), tendo as tropas do nosso rapaz de 17 ou 18 anos, com a bênção e o guia do bispo de Braga, saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado.

O Bispo Paio, consciente da importância das forças que ameaçavam o poder de Henriques, guiou a este no governo do condado, e fez esforços em negociações junto da Santa Sé, com um duplo objetivo: por um lado, alcançar a plena autonomia da Igreja de Braga , e assim recuperar a sua condição de igreja metropolitana e primaz, e deixar de estar submetida a Compostela, -pois fora submetida a de Compostela-; e pelo outro obter o reconhecimento do condado de Portucale como um reino.

Em 1139, depois de uma estrondosa vitória na batalha de Ourique contra um forte contingente mouro, D. Afonso Henriques recebe a coroa e a consagração de Rei de Portugal pelo bispo de Braga.


Durante o século seguinte o novo reino de Portugal e os seus reis, estabelecem uma firme política matrimonial e de entendimento com os reis da Galiza especialmente Fernando II e Afonso VIII, que parecia ia levar em não muito tempo aos reinos a reunificarem-se, ou pelo menos a reunificarem-se com a Galiza.

4- Afonso VIII da Galiza e Leão

Em 1230 morre em Sárria (perto de Lugo) Afonso VIII com 82 anos e após de mais de sessenta anos de reinado na Galiza -na parte norte da Galiza que não constituiu o reino de Portugal - e em Leão.
Afonso estava velho e canso, vinha de passar os últimos 16 anos da sua vida em guerra com Castela e o seu filho Fernando, pois foi contra o parecer do pai, e em secreto, proclamado rei de Castela, e para o seu pai esse feito equivalia a renúncia de quaisquer direitos sobre as coroas da Galiza e Leão e assim figurou no seu testamento, verdadeira lei a todos os efeitos.

Afonso VIII casara com duas parentes de segundo grau, Teresa de Portugal, prima direta, com quem tem duas filhas Sancha e Dulce (e um filho Fernando que faleceria), matrimónio que a igreja rompe e obriga a novo casamento (por trás está Compostela e a tensa relação com Braga). Rutura a que muito se resistiu o nosso rei pois estava fundamente namorado da sua esposa. Depois de excomunhões e demais, tem um outro matrimónio com Berenguela filha de Afonso de Castela, também prima direta, com quem tem a Fernando, mas este matrimónio a igreja consente e apoia pois estava na linha do programa imperial peninsular da Galiza e Compostela.

O seu testamento é claro, as herdeiras dos seus tronos são as filhas de Teresa: Sancha e Dulce (cada uma o seu); e como garantes, a sua mãe, o Rei de Portugal e a Ordem de Santiago. Qualquer solução incluída a união com Portugal é válida mas em nenhum caso se permitiria a unificação com Castela.

Fernando reclama os reinos e paga muito. A Igreja da Galiza e de Leão está muito dividida e na sua maioria afirma-se contrária a Fernando, pois não o acham legitimado, o testamento do rei é lei e é claro.

Porém a intervenção do bispo de Compostela e os de Castela são decisivos para que o Papa declare ilegítimo o testamento de quem foi conhecido pelos seus súbditos pelo sobrenome do bom rei, e pola historiografia como o malcasado.

Compostela e certas camadas nobres galegas sentem que com Fernando III controlam o centro geoestratégico peninsular, que o seu projeto iberista vai avante.

Porém, o reino de Portugal nunca aceitará esse ilegítimo acordo, e isso vai estar por trás de muitas das ações da política peninsular portuguesa até ao ano de 1479 .

Com Fernando III, rei muito abençoado pola Igreja, que acabou por fazê-lo santo, o projeto central castelhano avança, e a reconquista avança até ao estreito de Gibraltar, em Sevilha e Toledo vai estar a corte sob a capa duma corte de nobres galegos, de língua galaico-portuguesa, com galegos que se enriquecem neste processo, que ganham terras e poderes, que enviam os filhos para se educarem com aios na Galiza, como o filho do rei e futuro rei Afonso X.

Afonso X que brilhou nas nossas letras, porém foi quem impulsionou o primeiro estatuto dominante para a escrita da chancelaria em castelhano.

Sancho IV seu filho, ainda vai continuar ligado à tradição cultural galaica. A chegada ao trono com 9 anos do seu filho Fernando apaga não pouco essa tradição, sob novos tutores e aios, e o predomínio e domínio galaico da corte reduze-se. A nobreza galega e a igreja de Compostela será firme no apoio a este rei como ainda um dos seus e assim com o filho deste Afonso XI e o neto Pedro I.

Os interesses imperiais de Castela e a sua visão peninsular triunfam definitivamente sobre os galaicos com o assassinato de Pedro I pelo mercenário bretom Douglesclin, e com a chegada ao trono de uma dinastia genuinamente castelhana sob o nome galaico dos Trastámaras.

As tropas galegas que se batem duramente em prol de Pedro, assassinado este, saem com a sua nobreza dirigente muito diminuída em influência.

A dinastia castelhana dos Trastámaras é a que vai tentar apoderar-se de Portugal, que renasceu forte e triunfante em Aljubarrota frente a João I de Castela (trastámara).

V.- A fortuna do feito por Afonso Henriques

Que houvesse passado se Afonso Henriques não fosse quem de iniciar um reino, se os bispos de Braga não o houvesse guiado?

Que mudou com respeito à tradicional política da Galiza ao nascer Portugal?

A monarquia portuguesa frente ao modelo imperial do norte, sempre com aspirações iberistas, centrou-se sobre si própria e em consolidar pouco a pouco o seu território, que ficava de costas à península, mas aberto ao mar.
Sancho I, Afonso II, Sancho II, esforçam-se nessa linha de conduta .

Se a criança Afonso Henriques e a sua cabeça pensante, o bispo de Braga, não fossem quem de achar um destino para o sul da Galiza afastado de projetos imperiais peninsulares que estavam no projeto de Compostela, hoje teríamos a Galiza unificada no estado espanhol desde a Estrema do Tejo (estremadura) até o Cantábrico, mas a sua vida cultural e linguística não seria sequer tão pobre como a da Galiza atual. Seria muito semelhante à que se vive no âmbito astur-leonês-mirandês, é dizer, no velho espaço do galaico-oriental .

Essa visão que Portugal tinha de si próprio oposta ao iberismo galaico, é a que o levará a ser um centro dum império com as costas viradas a Península, e ter o grande sucesso que teve, para fortuna da nossa língua portuguesa.

O português da Galiza

O português da Galiza ou galego da Galiza, até para o mais acérrimo isolacionismo, foi muito vivificado pelo português universal da corte de Lisboa, sem o português o galego, os falas da Galiza espanhola, derivam num mau dialeto do castelhano e com um espelho muito claro para ver isso, a deriva e o insucesso do galaico oriental ou astur-leonês.

O português da Galiza -as falas do português da Galiza- tirado o muito que sugou e continua a sugar do português, estaria limitado a uns dialetos rurais bastante fraturados e os seus utentes só teriam para beber e encher os ocos criativos nele com o castelhano, como é o que se passa nos restos que ficam do galaico oriental (com a exceçom do mirandês que bebe no português).

O sucesso da nossa língua e cultura (ao norte e ao sul do Minho) deve-se ao projeto que encetou Afonso Henriques virado de costas ao projeto iberista (imperial) e originário galaico.

Na Galiza não temos direito a reclamarmos nada sobre o nome internacional da língua, já que se não fosse por Portugal, nada seriamos, nem nada teríamos ao norte e ao sul do Minho.
A Galiza medieval, vive em realidade em Portugal. Portugal é o continuador verdadeiro dessa tradição, a que nós, pouco podemos achegar ao além de estar os nossos falares bem marcados pelo ferrete castelhano. Dizer Galiza e a sua língua e a sua tradição, é dizer Portugal e português.

Afonso Henriques (com o seu bom guia), da Galiza do sul fez um Portucale, um reino, e o galaico ou galego desse reino acabou por ter por nome o do próprio reino, o galeguíssimo nome de Portugal –português-.

O português da Galiza está na situação que está, por não sermos quem de assumirmos que os falares galegos só podem viver no português universal , e que falarmos de galego como contraposição ao português universal -o verdadeiro galego- e seguirmos pagando as portagens imperais de Castela-Espanha.

Assumirmos os falares da Galiza como português da Galiza é o melhor jeito galego de chamarmos ao galego da Galiza, para que possa ser ele próprio e duma tradição que arrincou em Braga no 411, e que está no cerne de Portugal, e libertarmo-nos assim do ferrete esmagador castelhano.

O único futuro do galego-castelhano é um só -espanhol-.

APONTAMENTO FINAL

Como galego, a mim serviu-me Portugal para duas cousas, a primeira descobrir que do que não gosto de Portugal é o facto de terem em grande medida os nossos próprios defeitos; e a segunda o muito espanhol que são quando às vezes me afirmo como galego, pois Portugal para fortuna nossa e da nossa língua e cultura universal, não é Espanha com certeza, e ao confrontarmo-nos com não espanhóis, serve, se somos sérios e abertos, para descobrirmo-nos, introspecionarmo-nos os galegos e galegas, e vermos de que jeito tam esmagador estamos inseridos e baliçados no espaço hispano, até para os acérrimos nacionalistas galegos.

Faz bem Portugal em estar sempre à espreita e com receio do que vem do norte do Minho, pois muito contrabando espanhol e espanholista se vende sob capa de presumido galeguismo, e ainda muito projeto imperial galaico (espanhol) paira ainda em cabeças galaicas no avanço para o nada, e para nenhures.

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Merecem especial menção por terem sido os seus trabalhos muito influentes na perspectiva destas reflexões historicistas, os múltiples artigos e reflexões de Ernesto Vasquez Souza, e alguns trabalhos divulgativos do presidente da Associação Fala Ceive do Berzo, Xavier Lago Mestre.