EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

A geração perdida ou o parque jurássico da política


A geração que está agora com 16-25 anos estará perdida?

Com a recessão, por ser tão difícil encontrar emprego e segurá-lo, uma geração inteira está desesperançada. Se o país não responder, toda ela se perderá, avisam os autores desse estudo encomendado pela organização não governamental Prince"s Trust. Em Portugal, não há qualquer estudo equivalente a este financiado pelo príncipe Carlos - que auscultou 2088 britânicos. Mas há indicadores. A Eurostat acaba de actualizar o fulcral: em Novembro, o desemprego nos jovens até aos 25 anos estava nos 18,8 por cento, abaixo da média da União Europeia (21,4 por cento). Nos extremos, a Holanda (7,5) e a Espanha (43,8).
O fenómeno é bem conhecido, julga Virgínia Ferreira, da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (UC): "Ao lado, em Espanha, chamam-lhes os mileuristas. Aqui, ficamos pela metade, pelos 500 euros." Falar em geração perdida, contudo, parece-lhe um exagero: "Isso é um rótulo, uma máxima usada para simplificar uma ideia complexa".
Há cada vez menos jovens. Em 1999, segundo o Instituto Nacional de Estatística, eram 3,1 milhões - 48 por cento tinham entre 15 e 24 anos (1,5 milhões). Em 2008, eram menos 327 mil. E o grosso da contracção (295 mil) verificou-se naquela faixa etária. É a geração mais escolarizada de sempre. No ano lectivo 2007-2008, estavam inscritos no ensino superior 377 mil alunos - mais 20 por cento do que em 1995-1996. No final, as universidades mandaram para o mercado mais de 83 mil diplomados - mais 16 por cento do que no ano anterior. Apesar disto, "as gerações anteriores entraram mais facilmente no mercado de trabalho", avalia Carlos Gonçalves, que tem estudado a empregabilidade dos universitários. Agora demora mais. E quem fura, amiúde, fá-lo através de contratos a termo certo ou de recibos verdes. O exemplo típico é o do licenciado no call center.

Havia, aponta Elísio Estanque, da Faculdade de Economia da UC, "uma empregabilidade relacionada com a aprendizagem". Os alunos tentavam se-guir o gosto, a vocação. O ensino "democratizou-se, mercantilizou-se". A garantia esfumou-se. A crise agudizou o fosso. Agora, "a grande preocupação é se o curso tem ou não saída. Per-versamente, têm mais dificuldades em obter melhores resultados".

A difícil transição

Nem só os universitários vivem a calamidade. Os menos qualificados também - todos os dias, empresas a falir, fábricas a fechar portas. A transição do mundo juvenil para o mundo adulto alterou-se. Os jovens deixam-se estar em casa dos pais. Adiam compromissos - como comprar casa ou constituir família, precisa Virgínia Ferreira. Por toda a parte se vê desejar um trabalho precário. Não aquele em vez de outro: aquele porque não há outro. "À minha volta está tudo deprimido por não ter expectativas e por ter de conviver com um emprego insatisfatório", desabafa Sara Gamito, do movimento Precários Inflexíveis. "Ficam com os pés e as mãos atados e vão perdendo o alento."

"Apesar de não nos definirmos só pelo que fazemos, o trabalho desempenha um papel fundamental na construção do eu", explica Sofia Marques da Silva, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. "E o salário é um elemento essencial para aceder a bens e organizar a transição. Sem salário, há um recuo ligado até à dignidade."
Recusa o epíteto "perdida", mas está convencida de que "esta geração tem muita dificuldade em ter uma cultura de projecto - em imaginar o que vai fazer num tempo que ainda não existe". Fixa no presente o sentido dos dias e isso parece-lhe "perigoso": "Alguém que não imagina etapas na sua vida, às vezes, só quer usufruir rapidamente momentos, sensações". Não fala em revolta, como se viu noutros países europeus. Fala de ingresso na criminalidade, por exemplo. Elísio Estanque observa alheamento e inquieta-se com a saúde da democracia. Não só por o sistema não funcionar sem uma base de participação eleitoral. Também por ser importante haver associações para o olear. E existir "pouca disponibilidade dos jovens para participar: condiciona-os o medo".

Não se pode homogeneizar. Há focos de protesto, inclusive através de blogues e movimentos, como lembra Cristina Andrade, da Fartos d"Estes Recibos Verdes. Mas impera "uma docilidade que é assustadora", torna Sofia Marques da Silva. "As empresas olham para estes jovens como dóceis. Aceitam tudo." Ao fazer uma etnografia numa casa de juventude de Matosinhos, ouviu um dizer: "Comem a carne e deixam-nos os ossos". O rapaz que pronunciou aquela frase não aceitava tudo. Tinha 20 anos e já fora cortador de carne, já fora estivador no Porto de Leixões e não aceitou um trabalho na construção - era mal pago, era nocturno e em tempo de chuva.

Há estratégias de valorização - de sobrevivência mental. Às vezes, basta-lhes uma centelha. Sofia Marques da Silva viu aquele rapaz explicar, por exemplo, como carregar contentores é exigente em termos físicos. Ou uma rapariga que trabalhava numa fábrica gabar-se de saber fazer de tudo: cortar, coser, limpar.

Factos e números sobre o problema maior de uma geração

- Entre 1999 e 2009 foram criados 273,3 mil postos de trabalho. Mas destruíram-se 221 mil empregos ocupados por jovens.

- Na mesma década, foram criados 117 mil postos de trabalho com contratos permanentes. Mas destruíram-se 175 mil empregos com contratos sem termo ocupados pelos jovens e 77 mil ocupados por empregados com idades entre os 25 e os 34 anos.

- De 1999 a 2009, foram criados 205 mil postos de trabalho com contratos a prazo. Mas destruíram-se nove mil postos de trabalho a prazo ocupados por jovens. Mais de metade dos postos de trabalho criados com contratos a prazo foram ocupados por pessoas com idades entre os 25 e os 34 anos.

- Nesses dez anos, destruíram-se 48 mil empregos com outro tipo de contratos (incluindo recibos verdes). Três em quatro desses postos de trabalho eram ocupados por jovens.

- Em 1999, cerca de 60 por cento dos jovens tinham um contrato permanente. Dez anos depois, esse grupo desceu para 46 por cento do total.

- Em 1999, cerca de 30 por cento dos jovens tinham um contrato a prazo. Dez anos depois, o seu número representava já 47 por cento do total.

- Em 1999, um em cada quatro desempregados era jovem. Em 2009, passou a ser um em cada seis.

- Em 1999, três em cada quatro desempregados jovens tinham o ensino básico. Dez anos depois, o seu número baixou para dois em cada quatro.

- Em 1999, os jovens desempregados licenciados representavam cinco por cento do desemprego juvenil. Dez anos depois, o seu peso era já de 12 por cento.

- Em 1999, havia nove mil jovens licenciados inactivos (não eram empregados nem desempregados). Dez anos depois, passaram a ser 26 mil. Nesse período, subiu também o número de jovens inactivos com o ensino secundário (de 212 mil para 228 mil).

|Ana Cristina Pereira, com Romana Borja-Santos, Jornal Público.

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A situação descrita neste artigo só muito indirectamente tem que ver com a actual crise económica global – que é uma crise de crescimento do sistema capitalista planetário, ligada a um conjunto de mutações estruturais nascidas duma mudança ao nível da polaridade dos mercados a nível mundial: neste momento a China já é mais do que uma potência regional e o desmascarar do sistema financeiro assente na especulação desenraizada, sem um sentido para além do lucro imediato e sem fundamentos ‘reais’, mostra-nos que o futuro imediato está nas mãos do investimento com motivações geoestratégicas e geopolíticas, o que corresponde a uma mudança de paradigma cujo impacto já se está a fazer sentir nas zonas mais deprimidas do globo. Esse investimento depende duma intencionalidade oriunda de fora da esfera do económico e que parece estar a conseguir impor-se aos ‘mercados’, de acordo com linhas estratégicas que pertencem a uma arte da guerra por meios de dominação não letais, embora existam muitos danos colaterais que levam à morte de um número esmagador de seres humanos, privados de meios de subsistência.

Se as sociedades do hemisfério norte continuarem a pensar que a economia está fora do horizonte da soberania democrática, dar-se-á uma implosão das democracias participativas, ou o seu esvaziamento ontológico e antropológico. Há uma linha de pensamento no pensamento ocidental que liga a democracia ao liberalismo económico, no pressuposto de que o ‘mercado’ é o principal esteio da democracia. Isto leva a que a liberdade cívica seja pensada de acordo com a lei da oferta e da procura, como se não pudesse existir uma vontade colectiva capaz de mobilizar os cidadãos no sentido de, individual e colectivamente, ultrapassarem o determinismo económico e, até, de o usarem em função de interesses ligados à criação duma sociedade mais fraterna e, por essa via, mais democrática.

A sociedade é a principal construção cultural da humanidade. Há aqui uma circularidade inultrapassável: a cultura é o resultado da acção social, mas também é um instrumento de reestruturação social. O imaginário social, profundamente estudado por Castoriadis, para só citar este autor, é uma força poderosa de configuração da sociabilidade. As sociedades em cada momento da sua vida acabam por ser aquilo que querem, embora nunca cheguem a ser aquilo que efectivamente podem construir, nem a quererem aquilo que efectivamente podem realizar de positivo. Isto porque há um conjunto de dispositivos de dissuasão que, activamente, impedem a prossecução de metas muito ambiciosas no que se refere ao incremento da justiça social.

E penso que este é o principal problema do nosso tempo. Há demasiados tabus, principalmente ao nível da intervenção política na economia, que acabam por funcionar como formas inclementes de condicionamento social. Primeiro os cidadãos vêem o seu espaço de intervenção política reduzido a uma série de intervenções pontuais, de carácter eleitoral, de acordo com uma lógica de participação assente na representatividade. O problema é que os ‘representantes’ funcionam dentro dum enquadramento institucional que é cada vez mais condicionado por esses tabus, por esses imperativos inquestionáveis que acabam por transformar a sociedade num sistema fechado anómico: já não estamos perante o jogo entre-expressivo da dialéctica nomos/physis, constitutivo do imaginário social grego e ocidental, mas sob o domínio dum regime ontológico assente na dominação sem ‘Dominador’ – acabam por ser os dominados que se auto-impõem uma heteronomia incapaz de se pensar como inautenticidade, porque é vivida de acordo com um regime de consciência incapaz de pensar, imaginar, alternativas emancipadoras.

Daí a docilidade dos jovens apanhados na trama duma sociabilidade de sujeição e de capitulação. É inquietante ver que neste momento toda uma geração se acha incapaz de futuro e sem que isso mereça qualquer intervenção de fundo dos responsáveis políticos. A este título a mensagem de Ano Novo do Presidente da República não pode ser menos sintomática: cuidado com a economia, ou seja, sejam aves implumes de aviário bem comportadas. Enquanto se considerar a ‘despesa’ como algo a combater a todo o custo, sem olhar às consequências do não investimento social (refiro-me do investimento da sociedade em si própria e não à caridadezinha de Estado), e sem chamar a atenção para o que realmente importa, não haverá ‘República’, mas uma ditadura sem ‘Ditador’.

Se o imaginário social dos séculos XIX e XX foi muito marcado pela Esperança, hoje parece que vivemos para lá do desespero ou da possibilidade de o assumir como sintoma duma necessidade de mudança.

E isto entra em contradição com o investimento, ao nível económico e do imaginário social, que é feito na educação. E se olharmos mais de perto, podemos ver que esse investimento, cada vez mais imperativo, não obedece a uma lógica de emancipação dos sujeitos para a criação de futuro, mas a uma tendência cada vez mais irresistível para uma conformação das novas gerações às exigências do ‘mercado’ e das suas cada vez mais restritas ofertas de reconhecimento social, ou seja, a precariedade no emprego e o desemprego estrutural, cada vez mais presente na nossa realidade social.

A situação actual desta geração que cresce fora da cidadania deve merecer uma mobilização política no sentido de restaurar a democracia. Se há um grupo crescente de pessoas que está a ser expulso da cidade, empurrado para uma marginalidade social acabrunhante, torna-se necessário que se tomem medidas, nascidas duma verdadeira tomada de consciência da necessidade de se tomar a sociedade como o principal foco do investimento colectivo.

E aqui não podemos deixar de pensar o papel do Estado e a necessidade de colocar o investimento público ao serviço democracia. E isso não se faz com TGVs e com a megalomania dos guardiões da ‘animal farm’ social.

E não se pense que a ‘docilidade’, a passividade, dos indivíduos apanhados na teia do determinismo social não pode, no fundo, esconder um barril de pólvora. O problema é que o conceito de Revolução foi progressivamente desmantelado ao ponto de hoje não poder servir de centro motivador do imaginário social. Embora o imaginário social mediatizado viva ainda na sombra do Maio de 68. Em 1994, Vicente Jorge Silva, director do Público, denunciou estrondosamente a inadequação sócio-política daquilo a que ele chamou a ‘geração rasca’. E o imaginema colou: hoje já não há ‘geração rasca’, ou geração ‘à rasca’, fala-se em geração ‘perdida’. E aqui ‘perdida’ não significará ‘desorientada’, mas reduzida a nada em termos sociais, obliterada, condenada. E, por mais estranho que pareça, o gesto totalitário dum director de jornal auto-erigido em educador do povo, ‘iluminado’ e nostálgico da revolução como deve ser, do Maio de 98, acabou por ser uma das causas da actual situação sócio-cultural, embora uma causa não estrutural.

Mas talvez estejamos longe de ver Roma a arder. Até a pólvora pode ser desperdiçada, como tudo o que a sociedade pode alcançar e não chega sequer a tornar-se consciente ao nível das possibilidades.

(continua)



Publicado por Paulo Feitais em:

umoutroportugal.blogspot.com

sábado, 26 de setembro de 2009

O regresso do político

O ambiente de instabilidade geral, causado pela afamada crise, tem tido uma curiosa repercussão a nível de reavivamento político, surgem novos partidos mês sim, mês não. Uns mais à esquerda, outros mais à direita, outros ainda difíceis de catalogar, movimentos ainda em recolha de assinaturas… creio que no meu tempo de vida nunca testemunhei uma tamanha abundância de alternativas partidárias (ainda sou do tempo em que toda a gente, lá na escola pelo menos, era do PSD do Cavaco e do Benfica).

Tudo aquilo que pertence ao mundo do político parece animar-se, além dos novos partidos e futuros partidos surgem também associações cívicas de intervenção social e, por consequência, política. Permitam-me nomear algumas, como por exemplo o Instituto da Democracia Portuguesa[1,] a Força Emergente[2] ou ainda o embrionário Movimento Internacional Lusófono[3].

Embora à primeira vista nos pareça estranho que, numa altura em que metade da população prefere ficar em casa em vez de ir votar, o povo pareça divorciar-se do político e, simultaneamente, surjam dezenas de novos partidos e movimentos sociais a verdade é que, olhando para a História, as grandes mudanças e intervenções resultaram sempre de minorias activas, e nunca de grandes movimentos de massas.

Estamos, portanto, em acordo com a fenomenologia típica dos momentos de crise por toda a História da humanidade. Falta-nos, contudo, o desfecho habitual: uma nova guerra em grande escala, talvez até mesmo uma IV Guerra Mundial[4], e a ascensão de regimes totalitários e autoritários que substituam, ou até perpetuem por outros meios mais musculados, os actuais modelos de democracia capitalista ocidental.

Pessoalmente, e como o pude expor num curto discurso que proferi no passado dia 4[5] de Setembro, creio que entramos na era dos Grandes Espaços, profetizados por Carl Schmitt e receados por George Orwell, e que a solução mais pacífica passará pela formação de Grandes Espaços geopolíticos, como o Latino Americano, o Lusófono, o Eurásico, etc.[6] que sirvam de contrapeso ao imperialismo estadunidense.

Embora eu próprio tenha manifestado, inclusive nas páginas deste jornal, a minha esperança nas mudanças auguradas por Obama, a verdade é que com a permanência das tropas no Iraque, a promessa do reforço da presença militar na ocupação do Afeganistão, o envio de efectivos militares para as Honduras e para a Colômbia, Obama parece-me cada vez mais um continuador das políticas de George W. Bush do que o reformista que a todos nos encheu de esperança, a nossa luz ao fundo do túnel parece ter-se fundido…

A verdade, nua e crua, parece-nos evidente: se este ressuscitar do político, do activismo social e do surgimento de novas siglas e rostos nas campanhas eleitorais, não conseguir, pacificamente, elaborar e concretizar novas formas de combate às crises, alternativas ao capitalismo selvagem que a todos afecta, ao modelo único de democracia empresarial burguesa exportado pelos EUA, a construção destes Grandes Espaços alternativos ao Atlantismo não passará pelas estruturas geopolíticas dos Ministério dos Negócios Estrangeiros do mundo mas pelas alianças redutoras de aliado/inimigo de uma nova Guerra Mundial, seja esta de tipo frio ou quente.

Que podemos nós fazer? Não muito, mas a mudança começa por coisas simples. Pode começar já agora: vá votar, e não vote nos do costume! É tão simples como isto!

Notas:

[1] Think Tank com membros oriundos de todo o espectro partidário português: www.democraciaportuguesa.org.
[2] Fundado por apoiantes do, agora polémico, ex-ministro Medina Carreira: www.forcemergente.pt.
[3] Num contexto claramente geopolítico inserido na Lusofonia: www.movimentolusofono.org.
[4] O autor optou por utilizar uma terminologia recorrente, em alguns meios intelectuais da Nova Esquerda, que consideram a III Guerra Mundial como tendo sido a Guerra Fria. Aconselha-se a consulta de A IV Guerra Mundial já Começou do Subcomandante Marcos, impulsionador da 6ª Internacional.
[5] O autor foi um dos dois oradores da Manifestação de Solidariedade para com Hugo Chávez que contou com a presença dos embaixadores de Cuba e da Venezuela, dois deputados do PSUV, os movimentos Círculo de Revolucionários Livres e Tirem as Mãos da Venezuela bem como com diversas bases militantes dos BE e PCP.
[6] Teoria já abordada em “A Lusofonia, o Pan-Latinismo e a Eurásia como Alternativas ao Atlantismo”, Nova Águia, revista de cultura para o século XXI, nº 2, Zéfiro, Sintra 2008.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Reflexões sobre os princípios e a necessidade de um Partido Pelos Animais - III

A defesa da natureza, do meio ambiente e de todas as formas de vida senciente integra-se hoje num novo e urgente paradigma mental, ético, cultural e civilizacional, que respeita a igualdade e diversidade biocêntrica e aponta um caminho para sair da crise do actual modelo e ciclo de civilização antropocêntrico, economicista e tecnocrático, que gera problemas, insatisfação e conflitos crescentes na própria humanidade, cavando fossos cada vez maiores, em termos culturais, sociais e económicos, no seio das sociedades e entre os povos e as nações. É urgente uma mutação da mentalidade e do comportamento, que torne possível uma outra globalização, a da satisfação das necessidades fundamentais das populações, do desenvolvimento mental e cultural da humanidade, do bem-estar animal e da harmonia ecológica. A produção de riqueza e os recursos materiais e científico-tecnológicos devem ser progressivamente postos ao serviço desses fins, numa alternativa ao círculo vicioso das sociedades de produção e consumo, mental e economicamente dependentes da criação de cada vez mais desejos e necessidades artificiais e fúteis, para cuja impossível satisfação se instrumentalizam e exploram homens, animais e recursos naturais, numa degradação acelerada da qualidade de vida e do meio ambiente e num sacrifício do bem comum à avidez de lucros das grandes empresas e da grande finança mundial.

Para esse efeito, é necessário intervir a todos os níveis: cultural, jurídico, político, social e económico. Destaca-se todavia a necessidade de uma formação integral das gerações mais jovens numa consciência profunda da natureza dos actuais problemas ecológicos, bem como da vida animal e das questões éticas e bioéticas relativas ao homem e à sua relação com a natureza, o meio ambiente e os animais. O PPA defende a inclusão nos programas de ensino, desde o início e em todos os níveis, de uma disciplina obrigatória que contemple estas questões. As crianças e jovens devem ser educados tanto quanto possível no contacto com a natureza e a vida animal, conhecendo as profundas vantagens disso para o seu desenvolvimento mental e afectivo, extensivo ao dos adultos e idosos. As crianças e jovens devem reconhecer tudo o que os animais oferecem voluntária e involuntariamente ao ser humano – afecto incondicional, companhia, divertimento, alimento, vestuário - e todos os abandonos, maus-tratos, opressão e exploração com que este lhes retribui. É fundamental que a natureza e a vida animal se não reduzam, desde início, sobretudo nas crianças nascidas nas grandes cidades, a imagens estereotipadas nos meios áudio-visuais ou à alimentação asséptica disponível nos hipermercados, que oculta as condições dramáticas da sua origem, o modo como o animal foi maltratado, torturado, engordado à pressa e abatido, para satisfazer o prazer do consumidor e sobretudo a avidez de lucro de pessoas ignorantes e insensíveis. É necessário que a sociedade civil desperte para o imperativo ético de um boicote activo a esta situação.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Reflexões sobre os princípios e a necessidade de um Partido Pelos Animais - II

O antropocentrismo e especismo dominantes na história da civilização, aliados ao egocentrismo individual e colectivo e acentuados e potenciados no mundo moderno e contemporâneo pelo poder tecnológico, com a exploração desenfreada dos recursos naturais e a instrumentalização dos animais não-humanos para fins alimentares, científicos, de trabalho, vestuário e divertimento, sem qualquer consideração pela sua qualidade de seres vivos e sencientes, têm vindo a causar um grande desequilíbrio ecológico, uma diminuição crescente da biodiversidade e um enorme sofrimento.

Esta situação é inseparável de todas as formas de opressão e exploração do homem pelo homem, mas está longe do reconhecimento, denúncia e combate de que estas felizmente são alvo. Considerar normal infligir sofrimento aos animais é uma situação moral e eticamente inaceitável e que lesa a própria humanidade, a todos os níveis, desde o plano ambiental e económico – os processos implicados na alimentação carnívora são porventura a principal causa do aquecimento global, ao que se juntam os custos da produção intensiva de animais para abate, a poluição e o acelerado esgotamento dos recursos naturais - ao do seu bem-estar e saúde física e mental, pondo mesmo em risco a sua sobrevivência. Perante a interdependência de todas as formas de vida num único ecossistema, as agressões à natureza, ao meio ambiente e aos animais são agressões da humanidade a si mesma.

Por este motivo, e embora não se limite a essa questão, o PPA considera ser central e urgente, por razões éticas e para o bem da própria humanidade, uma mutação profunda da sua relação com a natureza, o meio ambiente e os animais, privilegiando-se a harmonia ecológica, o desenvolvimento sustentado e a diminuição progressiva da exploração, dor, medo e stress a que os animais são hoje sujeitos pelo homem, visando-se a sua total abolição. Defender a natureza, o meio ambiente e os animais não humanos é defender o homem, não fazendo qualquer sentido separar as duas esferas de interesses. A luta contra todas as formas de discriminação, opressão e exploração do homem pelo homem deve ampliar-se à libertação dos animais e à defesa da natureza e do meio ambiente, sem o que perde fundamentação, coerência e valor ético.

A diversidade da inteligência humana, permitindo-lhe uma maior antecipação do futuro e das consequências das suas acções, bem como uma maior distância reflexiva perante as emoções, os impulsos e os instintos vitais de sobrevivência, permite-lhe uma maior liberdade de decidir como agir, uma maior consciência dos resultados dessas decisões e acções para os outros seres sencientes e uma maior sensibilidade e abertura às necessidades e interesses dos membros de outras espécies. Tudo isto torna o ser humano responsável por optar pelo egocentrismo especista, ou por não questionar as suas ideias, comportamentos e hábitos especistas, sacrificando os não-humanos com prazer e indiferença. Ao fazê-lo, aceitando como normal e natural fazer sofrer outros seres sencientes, está a degradar a sua humanidade, reforçando hábitos e tendências que mais facilmente o levarão a agir do mesmo modo em relação aos seres humanos.

O PPA defende uma sociedade onde todos os seres sencientes, humanos e não humanos, possam viver numa harmonia tão ampla quanto possível, com bem-estar e felicidade. Os interesses humanos e animais devem ser igualmente tidos em consideração e procurar-se a solução eticamente mais justa quando pareçam estar em conflito, tendo em conta as suas especificidades. No que respeita às históricas tomadas de consciência moral e ética da humanidade, a recusa do esclavagismo, do racismo e do sexismo deve completar-se com a da discriminação baseada na espécie, pois os preconceitos esclavagistas, racistas, sexistas e especistas têm uma mesma natureza injustificável: presumir-se superior e com direito a maltratar, oprimir e explorar outros seres só por se ter mais poder, um diferente tipo de inteligência ou pertencer a uma raça, sexo ou espécie diferentes.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Reflexões sobre os princípios e a necessidade de um Partido Pelos Animais - I

Urge transformar a mentalidade e a sociedade portuguesa e contribuir para a transformação do mundo de acordo com os fundamentais valores éticos e ambientais, tornados ainda mais imperativos no século XXI, quando o desenvolvimento tecnológico da humanidade permite um impacto sem precedentes na biosfera planetária que compromete a qualidade de vida das gerações futuras e a sobrevivência das várias espécies, incluindo a humana, conforme é cientificamente reconhecido.

Pela sua maior capacidade de intervenção sobre a natureza, o meio ambiente e os seres sencientes, bem como pela sua possibilidade de livre arbítrio, memória, previsão e opção ética, o homem é o responsável pela harmonia ecológica e pelo bem-estar dos seres vivos. Assumindo que todos os seres sencientes, humanos e não-humanos, são interdependentes no seio de um mesmo ecossistema e têm um principal interesse comum, o de satisfazerem as suas necessidades vitais, não sofrerem e experimentarem sensações e sentimentos de prazer, segurança, bem-estar e felicidade, há que criar as condições jurídicas e políticas, na sociedade humana, para que esse direito lhes seja reconhecido e isso aconteça o mais possível.

Há que fazer surgir na medíocre e descredibilizada política nacional um novo paradigma mental, ético, cultural e civilizacional, emergente em todo o mundo. O PPA reger-se-á pelo princípio da não-violência, mental, verbal e física, e lutará firmemente pelos seus princípios contra ideias e práticas e nunca contra pessoas. O PPA assume-se como um partido inteiro, que visa promover o bem de todos os seres sencientes, humanos e não-humanos, e não apenas o de uma sua escassa minoria.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

AS PRIMEIRAS FISSURAS NO REGIME?

Bandeiras/Cascais: ConjuradosXXI apelam aos cidadãos para "não terem medo" de ser monárquicos
Cascais, 21 Ago (Lusa) - Os jovens que colocaram bandeiras da Monarquia na Cidadela de Cascais defendem que um rei pode trazer a Portugal "estabilidade" e "orgulho de pertencer à pátria", apelando aos cidadãos para que "não tenham medo" de ser monárquicos.
Numa entrevista à Lusa, quatro dos cinco autores do blogue ConjuradosXXI que hastearam uma bandeira azul e branca na porta principal da fortaleza e outras quatro em postes junto da estátua de Dom Carlos, na madrugada de quinta-feira, mostraram-se orgulhosos pela acção e comprometeram-se a continuar a dar voz à sua causa.
"Muitas pessoas têm medo e não assumem que são monárquicos, porque acham que não é possível, que não é concretizável. Quisemos mostrar que é possível ter estas ideologias e fazer estas acções. Não estamos sozinhos, há muita gente em Portugal que que também é monárquico, as pessoas nem têm noção", afirmou um dos jovens.
"Há ideias erradas: se somos monárquicos, vamos andar todos de peruca, ter um grande anel no dedo, andar de coche, mas com certeza há monárquicos na Amadora, em Cascais e em Almada" ,acrescentou um colega, que também preferiu o anonimato.
Apesar de o grupo não se importar de ser filmado ou fotografado de costas, nenhum dos elementos quer dar a cara ou o nome, por acreditarem que podem vir a sofrer "represálias".
Para os ConjuradosXXI, o importante não é identificar os defensores da Monarquia, mas colocar a discussão sobre uma reimplantação do regime "na agenda do dia", até porque nas próprias escolas é ensinado que "o rei era o mau da fita".
"Como todos os regimes e ideologias, tem todos os lados da medalha, mas uma Monarquia traz acima de tudo uma estabilidade, uma serenidade, uma paz que uma República, que é por natureza rotativa e que está mais ligada a facções políticas, a interesses políticos e muitas vezes económicos", explicou um terceiro bloguista.
Segundo o jovem, que lembrou que a ditadura mais longa ocorreu em plena República, a formação de um futuro rei é direccionada desde cedo para "governar e representar a nação, uma pátria a que ele pertence: "O Presidente da República promove-se a uma elite, o rei entrega-se de alma e coração porque foi educado para isso".
A ideia foi corroborada pelo quarto elemento do grupo (o único que subiu à muralha da fortaleza de Cascais), para quem a aprendizagem de funções por um primeiro-ministro ou um presidente da República diminui as suas capacidades de governação se comparado a um rei, que consegue fazer alastrar um "orgulho de pertencer à pátria".
"Em Espanha há o orgulho de pertencer àquela nação, aqui não", lamenta.
A iniciativa de quinta-feira dos ConjuradosXXI requereu, segundo os próprios, uma pequena escada e algum "treino ninja".
Durante a acção, o grupo que aguardava pelo elemento que tinha subido ao forte viu passar dois carros da PSP e um da GNR, mas não chegou a ser abordado.
ROC.
Lusa/fim

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Clara Ferreira Alves, artigo demolidor

O MUNDO DE SÓCRATES. Falam assim Pacheco Pereira, António Barreto, Mário Crespo, Medina Carreira, e bastantes mais com credibilidade no que resta deste País.

Para que não nos envergonhemos perante os nossos filhos e netos, temos de fazer muito para virar esta situação (por Clara Ferreira Alves)

Para quem ainda não leu, é desejável que o faça e mais desejável seria se servisse para que algum de nós, incluindo quem escreveu, tivesse a coragem de começar a "partir a loiça" toda.

Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo,
> dizendo ter formação, que nunca adquiriram, que usem dinheiros públicos
> (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público
> acrítico, burro e embrutecido.
>
> Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril
> distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos
> seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de
> gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a
> "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos
> roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais
> honesta que estes bandalhos.
>
> Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO
> PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos
> políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas
> senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os
> ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido. Para garantir que vai
> continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura)
> desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação
> das Novas Oportunidades.
>
> Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país será o pátio de recreio
> dos mafiosos.
>
> A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
>
> Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito
> maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com
> isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do
> encobrimento, do compadrio e da corrupção. Os portugueses, na sua infinita e
> pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros. Por
> uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final,
> assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo
> do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
>
> Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada
> acaba em Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo
> e tudo é improvisado, temporário, desenrascado.
>
> Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi
> crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa
> Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o
> que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes
> houve.
>
> Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de
> enigma, peças do quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a
> verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma
> coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes
> são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.
>
> E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado
> de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores
> e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de
> notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a
> saber com toda a naturalidade.
>
> Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao
> primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da
> Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa e Benfica, da
> corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a
> Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas
> tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém quem
> acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados,
> muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente
> punidos?
>
> Vale e Azevedo pagou por todos?
>
> Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de Leonor
> Beleza com o vírus da sida?
>
> Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num
> parque aquático?
>
> Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes
> imputados ao padre Frederico?
>
> Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre
> Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?
>
> Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi
> roubada do Instituto de Medicina Legal?
>
> Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e
> enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.
>
> No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém
> acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?
>
> As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da
> criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia
> espalha rumores e indícios que não têm substância.
>
> E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças
> desaparecida antes delas, quem as procurou?
>
> E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns
> menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
>
> Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.
>
> E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela
> reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários,
> políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?
>
> E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do
> grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára?
>
> O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por
> causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.
>
> E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado
> doentes por negligência? Exerce medicina?
>
> E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho
> branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda,
> coxa e marreca.
>
> Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são
> arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento.
>
> Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.
>
> Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as
> redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de
> crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre
> meninas ficaram sempre na sombra.
>
> Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças , de
> protecções e lavagens , de corporações e famílias , de eminências e
> reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.
>
> Este é o maior fracasso da democracia portuguesa
>
> Clara Ferreira Alves - "Expresso"