
"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".
Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.
Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,
Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…
ÍNDICE
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261
NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa
Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
Público
E em muitas dezenas de blogues...
FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.
À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Quinta-feira, 30 de Setembro de 2010
Um livro para a "rentrée"

Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010
Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 25 de Setembro

Foi uma sessão muito estimulante a de Sábado, em Alcochete. Após um agradável almoço, o Presidente da Autarquia, Luís Franco, abriu o Colóquio onde o António Carlos Carvalho e o Pedro Martins se debruçaram sobre o centenário da República. Não ficou pedra sobre pedra, como na capa do próximo número da NOVA ÁGUIA…
Antes do moscatel da praxe, houve ainda tempo para apresentarmos o quinto número da NOVA ÁGUIA e o segundo número dos CADERNOS DE FILOSOFIA EXTRAVAGANTE…
Depois de amanhã, em Bragança, será o último lançamento da NOVA ÁGUIA nº 5. A nº 6 já está mesmo a chegar...
Kantar Goa
Para a concretização deste projecto coreográfico procuro a participação de homens e mulheres de todas as idades que tenham interesse, e algum conhecimento, em experiências relacionadas com a expressão dramática e a dança, o movimento e a interpretação.
Este é um projecto onde a participação é voluntária pelo que os participantes não poderão ser remunerados. No entanto, acredito que associar-se possa trazer benefícios, pois para além da experiência de pesquisa e criação conjunta, oferece a contrapartida de integrar o espectáculo Kantar Goa no Teatro Camões.
A primeira fase de criação com os bailarinos e músicos da Associação Casa de Goa já começou e, a partir do dia 3 de Outubro, vamos integrar outros participantes/figurantes. Como tal, envio, em baixo, alguns detalhes importantes que vão decerto facilitar a decisão.
Paula Pinto
Plano de Trabalhos - Ensaios e Espectáculo
Domingos – Local de ensaios: Casa de Goa - Calçada do Livramento nº 17
em Alcântara - LISBOA
· 3 Out. 14h30 – 18h00
· 10 Out. 14h30 – 18h00
· 17 Out. 14h30 – 18h00
· 24 Out. 14h30 – 18h00
· 31 0ut. 14h30 – 18h00
Sexta - 5 Nov. Ensaio (em horário e local a definir)
Sábado - 6 Nov. Ensaio de palco (1h em horário a definir)
+ 18h Espectáculo no Teatro Camões
Nota: é necessário chegar ao Teatro 1h antes do início do espectáculo
Domingo, 26 de Setembro de 2010
Declaração MIL sobre a política externa portuguesa

O MIL repudia e censura veementemente as recentes declarações do Ministro Português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, segundo as quais “Portugal não vai fazer parte de uma futura força de estabilização caso esta venha a ser criada e enviada para a Guiné-Bissau”. Consideramos incompreensível que Portugal, sempre tão lesto a participar em acções fora do espaço lusófono – ex-Jugoslávia; Iraque; Afeganistão, etc. – recuse à partida o auxílio a um povo irmão como é o guineense.
Por outro lado, o MIL expressa a sua perplexidade por, na mais recente distribuição de pastas no SEAE, Serviço Europeu de Acção Externa, a Portugal ter calhado o Gabão (!), enquanto, por exemplo, Espanha foi presenteada com Pequim (segundo posto), Argentina, Angola, Namíbia e Guiné-Bissau. Sinal bem evidente da importância que nos reconhecem no seio da União Europeia e da falta de empenho e dedicação do Governo e da nossa Diplomacia.
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
www.movimentolusofono.org
Se quiser ler o resto, vai ter que esperar pelo nº6 da NOVA ÁGUIA...

Pinharanda Gomes
Couto Viana
Ou, como ele por vezes gostava de dizer, António Manuel Couto, Poeta de Viana: António Manuel Couto Viana (1923-2010).
Foi actor da renovação da poesia portuguesa pós-pessoana nos meados do século XX, renovação essa operada através das «folhas de poesia» intituladas Távola Redonda, de que foi co-director com David Mourão Ferreira, e, a seguir, da revista Graal, num período situado entre 1950 e 1957.
Representa um veio poético cujas raízes estão embebidas no lirismo da nossa tradição, com referências originais não apenas aos clássicos do século XVI (Camões e, sem dúvida, os quase compatrícios Diogo Bernardes e Agostinho da Cruz), mas também os românticos do neo-garretismo, tanto do popular ao modo de João de Deus como do sentimental introspectivo de Nobre e do hierático estilo de Lopes Vieira. Poesia de sabor aos frescos e aos verdes do Alto Minho, ainda numa certa cumplicidade com os ritmos arcaicos do galego-português.
Poetou e escreveu poesia desde jovem até quase à hora da morte, ficando admirados os que de mais perto dele sabiam, com a energia e a perseverança criativas, não obstante a doença que tanto lhe afectava a qualidade de vida. Poeta a tempo inteiro, as mutações da sua arte patenteiam-se numa obra de considerável número de títulos entre O Avestruz Lírico (1948), o Relatório Secreto (1963), Hospital (2000), o maior número estando compilado em dois volumes: Poesia (de 1948 a 1963) e Uma vez uma Voz (1963-1983), além de uma auto-antologia (Sou quem fui, 2000).
A dimensão do poeta, nascido no seio de uma família de artistas (seu pai, Manuel Couto Viana, desenhador e escritor, e as irmãs poetisas Maria Manuela Couto Viana e Maria Adelaide Couto Viana) não põe no olvido a sua outra obra, a de dramaturgo, de autor de teatro para as crianças e de director e encenador desde os tempos do Teatro do Gerifalto e do Teatro da Universidade de Coimbra.
Leal a um modo de entender Portugal, serviu o País mesmo quando o rumo deste sofreu inusitados desvios. Foi acusado há pouco, pelas bancadas à esquerda no Parlamento, de ter combatido ao lado das forças do Movimento Nacional na guerra civil de Espanha. Bom…nessa altura Couto Viana tinha treze anos e nem toda a gente é precoce como os seus acusadores! É voz puríssima da lusofonia, sem outra sombra que não seja a do primado da poesia, nele, sempre livre e não alienada.
(excerto)
Prémio de Ensaio Filosófico da SPF
Estão abertas as candidaturas para a edição de 2010 do Prémio de Ensaio Filosófico da SPF. Este prémio é uma iniciativa da Sociedade Portuguesa de Filosofia, que conta com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia e que tem como objectivo eleger o melhor ensaio, redigido em língua portuguesa e submetido anonimamente a concurso, sobre uma questão considerada relevante numa determinada área da investigação filosófica. Nesta edição, a área seleccionada é a Filosofia da Percepção e a questão proposta é a seguinte: Pode a percepção justificar as nossas crenças acerca da realidade? O prémio terá um valor de 3.500 euros e o ensaio vencedor será depois publicado na Revista Portuguesa de Filosofia. O regulamento pode ser consultado no sítio da Sociedade Portuguesa de Filosofia, em http://www.spfil.pt. As candidaturas poderão ser apresentadas até ao dia 31 de Dezembro de 2010.
AGRADECE-SE DIVULGAÇÃO
Sábado, 25 de Setembro de 2010
HOJE, ÀS 15:30, NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE ALCOCHETE
Colóquio. O centenário da proclamação da República
Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010
Pesar pelo falecimento do Prof. Vivaldo da Costa Lima
A Associação Mares Navegados presta homenagem a Vivaldo da Costa Lima, uma grande figura do movimento do resgate da profunda influencia africana na vida e obra das gentes da Bahia, tendo doado ao CEAO suas publicações e sua biblioteca, na oportunidade em que se comemorou em Salvador o centenário de Agostinho da Silva, sem dúvida o grande inspirador de todo o seu magnífico trajeto.
Amândio Silva
Presidente
Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010
Da Soberania
O actual Presidente da República, que supostamente deveria ser o primeiro defensor da nossa soberania, aprestou-se a tentar escamotear a situação, alegando que “a medida já estava prevista”. Como se isso fosse argumento para a aceitar…
Sem surpresa, o Doutor Fernando Nobre manifestou-se frontalmente contra, falando mesmo de "um caminho de indignidade, de humilhação e de perda de soberania nacional". Este discurso soberanista, que alguns pensam, erradamente, ser exclusivo da Direita, teve também eco na Esquerda. Os candidatos presidenciais do PS e do Bloco de Esquerda tiveram uma posição muito próxima desta. O que, a nosso ver, importa ser saudado. A nossa soberania terá tanto mais futuro quanto mais for uma causa trans-partidária…
Publicado no MILhafre: o blogue do MIL, o fórum da Lusofonia
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/09/da-soberania.html
Festival Musidanças
O Festival encontra-se neste momento preocupado em se manter como uma realização baseada num conceito que recorre a vários parceiros para tornar possível a sua execução.
Pensamos que assim possa ser uma melhor forma de os artistas acreditarem neste projecto em virtude da total confiança depositada no seu mentor. Passada esta fase estamos abertos a outras formas de formalização para tornar este projecto mais sólido.
Queremos dar a conhecer as nossas culturas aos portugueses, aos estrangeiros e até aos descendentes dos naturais dos países lusófonos.
O Festival Musidanças vai acontecer em Novembro e para estarem sempre actualizados com a informação sobre este evento que reserva algumas surpresas é bom estarem atentos ao novo site www.musidancas.com
Se quiser ler o resto, vai ter que esperar pelo nº6 da NOVA ÁGUIA...
António Braz Teixeira
O ESTADO DA REPÚBLICA
1. O ano em que se celebra o centenário da implantação da República positivista e jacobina, a que a Renascença Portuguesa, a partir de 1912, procurou insuflar um novo sentido espiritual, infelizmente sem sucesso, coincide com um tempo de profunda crise que, sendo também política, económica e social, é, acima de tudo e antes de mais, crise ética e cultural, crise de princípios e de valores, de ausência de um rumo e de um desígnio nacional, de falta de elites ou de um verdadeiro escol, em boa medida fruto da crescente mistificação em que, desde há quatro decénios, se transformou o nosso sistema de ensino, apostado em manter a juventude portuguesa num estado de dócil passividade intelectual e de criminosa ignorância da nossa história, da nossa cultura e do nosso pensamento.
Oportuno será, por isso, tentar identificar as causas políticas imediatas desta crise e avaliar o estado actual da nossa República.
(...)
Homenagem a António Telmo no próximo número da NOVA ÁGUIA
Quarta-feira, 22 de Setembro de 2010
Prisciliano como símbolo do povo galego
Vitorino Pérez Prieto naceu en Hospital de Órbigo (León) .Estudou Bacharelato, Debuxo e Pintura, Filosofía e Teoloxía (1973-79) en Santiago de Compostela, licenciándose en Teoloxía Dogmática na Universidade Pontificia de Salamanca (1981). Realizou cursos de Teoloxía e Sagrada Escritura na Universidade de Comillas en Madrid (1994-95) e fixo o Doutoramento en Teoloxía na UPSA (Salamanca) cunha tese sobre a teoloxía interrelixiosa e intercultural de Raimon Panikkar. Foi ordenado sacerdote en 1981. Durante vintecinco anos (1981-2006) exerceu como párroco. Foi profesor no Instituto "I.B. de Burela" e na "Escola Diocesana de Teoloxía". Actualmente é profesor nas Universidades da Coruña e Santiago. Foi director da revista "Irimia", e pertence ó Consello de Redacción de "Encrucillada".
É escritor prolífico en xornais, revistas e libros. Foi colaborador de “El Progreso” , “Diario de Ferrol”, “La Voz de Galicia”, “La Región”, “El Faro de Vigo”, “Heraldo de Vivero”, “La Comarca del Eo"... Publicou numerosos artigos nas revistas "Irimia" e "Encrucillada". É colaborador de “A Nosa Terra” e de numerosas revistas galegas e estranxeiras.
Publicou: "A Xeración 'Nós'. Galeguismo e relixión" (1988); "Cristiáns e galeguistas",(1994); "Galegos e cristiáns. Deus fratresque Gallaetiae", (1995); "Do teu verdor cinguido. Ecoloxismo e cristianismo", (1997); "A Romaxe de Crentes Galegos. De Irimia Santa Margarida",(1998); "Ecologismo y cristianismo",(1999); "Con cordas de tenrura", SEPT-Galaxia, Vigo (2000); "Con cuerdas de ternura",(2001); "Contra a síndrome N.N.A. (Non hai Ningunha Alternativa). Unha aposta pola esperanza",(2005). "Os ríos pasan cheos de Deus. Poesía religiosa en galego",(2007). "Obras de teatro para o Nadal",(2009) e "Prisciliano na cultura galega. Un símbolo necesario", Galaxia, Vigo (2010). "Más allá de la fragmentación de la teología el saber y la vida: Raimon Panikkar", e "Dios, Hombre Mundo. La Trinidad en Raimon Panikkar", Herder, Barcelona (2008).
Colaborou en moitos máis libros, entre eles: "O idioma da Igrexa en Galicia",1989; "Castelao e a verdade dos pobres"; "Manuel María, poeta relixioso", 2001; “A presenza de Deus na última poesía galega”,2006; “A dimensión teolóxica do camiño”,2007; “A Igreja do futuro”, en "Ser Igreja", Lisboa 2007
É membro da Asociación de Escritores en Lingua Galega e da Asociación de Teólogos Juan XXIII, do Centro Interculturale Raimon Panikkar-Italia e doutras asociacións.
Dia: 28 de setembro 2010 - Hora: 8 do serám
Local: Caixa Galiza
Rúa Médico Rodríguez – Corunha
Terça-feira, 21 de Setembro de 2010
Segunda-feira, 20 de Setembro de 2010
Se quiser ler o resto, vai ter que esperar pelo nº6 da NOVA ÁGUIA...
Manuel Ferreira Patrício, A REPÚBLICA 100 ANOS DEPOIS – RETRATO À
Procuremos descortinar os motivos de desejo e esperança que tínhamos há 100 anos e os que vejo termos hoje.
Há 100 anos acreditávamos no ternário sagrado Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Hoje, não. As utopias falharam todas. Para nós.
Há 100 anos acreditávamos no povo português. O povo português acreditava em si próprio. Pascoaes, Pessoa, Almada, Leonardo, Cortesão, João de Barros, Proença – todos eles acreditavam no povo português e na sua capacidade de construir um futuro pátrio de progresso, de bem-estar, de liberdade, de dignidade, de criatividade, de solidariedade. Hoje, o povo português não acredita em si próprio. Ao longo destes 100 anos de república, faltou a todos os encontros consigo mesmo e com a história.
Hoje, parece que achamos que o melhor para nós é ter a manjedoura bem guarnecida, farta, seja quem for que a abasteça, mas que não sejamos nós mesmos a fazê-lo com os frutos do nosso trabalho.
É duro de ouvir? É duro de dizer. Estamos como o destinatário da increpação de Álvaro de Campos: ‘’Se te queres matar, porque não te queres matar?’’. Eu, que tenho a outra postura, proponho que digamos assim: ‘’ Se queres viver, porque não queres viver?’’. Continuando: ‘’Se te queres matar, mata-te!...’’. E digo eu: ‘’Se queres viver, vive!...’’.
(excerto)
Domingo, 19 de Setembro de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 18 de Setembro
A NOVA ÁGUIA 6 já vem a caminho, mas a NA 5 ainda voa. Esta semana, não saiu de Lisboa, mas nem por isso deixou de voar por todo o espaço lusófono. Na quarta, estivemos na Biblioteca por Timor. Hoje, fomos à Casa de Goa, no âmbito de um Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora. Onde a NOVA ÁGUIA recebeu até um “Diploma de Reconhecimento” por todo o seu trabalho em prol da promoção da Lusofonia…
Os nossos agradecimentos ao Delmar Gonçalves a aos restantes amigos moçambicanos da NOVA ÁGUIA.
Ao almoço, acertou-se um voo para o Sri Lanka…
Sábado, 18 de Setembro de 2010
Este Sábado, 197º lançamento da NOVA ÁGUIA
18.09.10 - 12h00: Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora
Casa de Goa, Calçada do Livramento, 17 (Lisboa)
Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010
Está a chegar...
Algumas fotos do lançamento de ontem na Biblioteca Nacional
Se quiser ler o resto, vai ter que esperar pelo nº6 da NOVA ÁGUIA...
Miguel Real, O LEGADO DA REPÚBLICA
(...)
A contradição entre a nova ordenação política instaurada pela I República, revolucionando o sistema político e o aparelho de funcionamento do Estado, e a ordenação consuetudinária dos hábitos e costumes sociais gerou um caos cultural inédito em Portugal em que nenhuma corrente, tese ou princípio se revelou como dominante, nem mesmo a aceitação consensual do republicanismo entre largas camadas da população rural, que passivamente se subordinavam aos ditames de Lisboa, Porto e Coimbra. Com efeito, se politicamente o século XX começa em 1910 com a instauração da República, alterando de modo radical a estrutura do aparelho de Estado, culturalmente, por efeito retardado desta revolução política, o século condensa-se na antevéspera do Sidonismo, evidenciando o leque de possibilidades culturais que, inscritas no código genético histórico de Portugal, serão desenvolvidas ao longo de todo o século XX.
(...)
ELOGIO DA PEDAGOGIA DE LEONARDO COIMBRA POR AGOSTINHO DA SILVA
DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO
Em Ir à Índia sem Abandonar Portugal (pp.26-27), Agostinho da Silva fala da sua passagem pela Faculdade de Letras do Porto, fundada por vultos como Leonardo Coimbra, Teixeira Rego, Hernâni Cidade e Damião Peres.
Quanto à sua vida académica, Agostinho da Silva define-se como, “manhosamente era um bom estudante”, justificando esta atitude do seguinte modo, “porque é a única maneira da gente não se chatear, é estudar tudo, não é?”, concluindo que, “Então, bom é estudar. Manhosamente, o sujeito deve estudar. A cabulice não dá certo. Eu fazia isso, só tinha vinte (…)”.
Porém, não se julgue que a nota máxima era extensível a todas as matérias, pois havia uma que, paradoxalmente, Agostinho da Silva não gostava de estudar, “praticamente a única cadeira em que eu nem dez tinha era Filosofia”.
É aqui que entra o elogio à pedagogia de Leonardo Coimbra, quando Agostinho da Silva o define como, “um homem muito compreensivo”, afirmando que, da primeira vez que foi seu aluno, “em Psicologia não-sei-quê”, Leonardo terá posto um problema de Geometria.
Servindo-se do seu conhecimento das Geometrias não-euclideanas - ”eu de Filosofia não sabia” – confessa Agostinho da Silva, este, dissertou sobre as Geometrias euclidianas e as não-euclidianas “que é um problema filosófico, e que o Leonardo tomava como problema filosófico (além de o tomar como um problema matemático, porque ele era bom matemático, tinha sido aluno da Escola Naval…), ele deu-me dez para eu passar”.
Da segunda vez que Agostinho da Silva foi discípulo de Leonardo Coimbra, este último terá ainda sido, a meu ver, mais compreensivo, e se Agostinho da Silva louva a atitude pedagógica de Leonardo Coimbra, eu não posso deixar de evocar a honestidade e a coragem de Agostinho, ao tornar público este episódio da sua vida académica, que, lhe poderia valer muitas críticas, dada a inveja que grassa nos meios universitários. Só um Homem, despojado das vaidades humanas, um verdadeiro filósofo!, como ele era, o podia fazer.
Vamos, então, ao episódio em questão. Agostinho da Silva diz que a segunda vez que cruzou a sua vida de discípulo com Leonardo, foi na ‘cadeira’ de Filosofia Medieval, matéria sobre a qual nada sabia nem, na altura, se interessava, o que levou o pedagogo a dizer-lhe: “Eu não lhe posso dar nem dez para você passar! Mas tem tão boas notas que ninguém vai acreditar nisso… e estraga-lhe a média. Vamos fazer uma coisa: vamos ver que nota é que não lhe estraga a média.” E acabei por ter dezassete a Filosofia (…). Sinal de que aquela Faculdade tinha pelo menos um – tinha mais – professor inteligente, o que nem sempre sucede em todas as faculdades (…)”.
Realmente, só um verdadeiro pedagogo podia ter uma atitude como esta. Eu que também fui professor compreendo-a perfeitamente. Que interessava a um professor reprovar um aluno na sua ‘cadeira’, quando ele tinha notas de vinte em todas as outras? Só lhe ia estragar a média final e fazer com que ele ganhasse um azar à Filosofia Medieval, matéria pela qual, o aluno em questão mais tarde veio a gostar.
Estes dois exemplos sobre a prática pedagógica de Leonardo Coimbra fornecidos por Agostinho da Silva, mostram como o primeiro era um verdadeiro Pedagogo e, o segundo, já o dissemos, mas nunca é demais repetir nos tempos actuais, em que a mesquinhez e a inveja grassam aflitivamente, um verdadeiro filósofo. Aliás, note-se a ombridade do ‘amante da sabedoria’ quando na sequência do exposto, afirma: “O primeiro governo da Ditadura, resolveu extinguir a Faculdade. (…)Não sei se o Carmona percebeu o que era a Faculdade de Letras, não sei se julgou que era alguma coisa de tipografia porque falava em letras (…) Fizeram-me (…) um grandessíssimo favor! Porque eu tinha entrado naquela máquina da faculdade, ia ser professor de Grego e Latim, que é uma coisa que se estuda toda a vida e nunca se sabe…”
Quem tinha coragem para declarar que nunca viria a saber a matéria que estudou durante toda a sua existência?
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010
Hoje: Homenagem a António Telmo e à Filosofia Portuguesa na Biblioteca Nacional (Lisboa, Campo Grande)

Nesta sessão, a partir das 18:00, será apresentada a obra “O Portugal de António Telmo”, organizada por Rodrigo Sobral Cunha, Renato Epifânio e Pedro Sinde, “um livro de homenagem, que o autor teve ainda a oportunidade de contemplar”, segundo uma nota do grupo Babel.
Participam na sessão Pedro Sinde, Renato Epifânio, Rodrigo Cunha e ainda o escritor Miguel Real e o filósofo Pinharanda Gomes.
“O Portugal de António Telmo” inclui textos inéditos do filósofo, dois dos quais fac-similados, fotografias, e testemunhos de outros autores como Orlando Vitorino, num total de 356 páginas.
António Telmo Carvalho Vitorino, nascido a 02 de Maio de 1927, em Almeida (Guarda) integrou aos 23 anos o grupo Filosofia Portuguesa depois de ter tido contacto com José Marinho (1904-1975) e Álvaro Ribeiro (1905-1981).
A convite de Agostinho da Silva (1906-1994) e de Eudoro de Sousa (1911-1987), foi professor de Literatura Portuguesa durante três anos, na Universidade de Brasília. Lecionou ainda em Granada e, de regresso a Portugal, foi director da Biblioteca de Sesimbra, onde residira, e posteriormente radicou-se em Estremoz, onde foi professor de Português.
António Telmo foi autor de vários títulos, entre os quais “Arte Poética” (1963), “Gramática secreta da língua portuguesa” (1981), “Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões” (1982), “O Bateleur” (1992), “O Mistério de Portugal na História e n’ Os Lusíadas”, (2004), “Viagem a Granada” (2005) e “Contos Secretos” (2007).
No próximo número da revista Nova Águia, de que era colaborador, será publicado o artigo “O estilo da Renascença Portuguesa”, que escreveu em 1955.
“Um dos mais originais filósofos do nosso tempo e um dos maiores escritores portugueses, conjugou tradições como a filosofia aristotélica e a filosofia hebraica, a língua portuguesa e o pensamento poético, a noção de firmamento e o culto dos heróis”, segundo nota da Babel.
“A sua obra propõe uma nova visão da História de Portugal, ligada à Ordem do Templo e à Ordem de Cristo, aliando a interpretação do Mosteiro dos Jerónimos a uma nova leitura do pensamento de Luís de Camões (em diálogo único com Fiama Hasse Pais Brandão)”, lê-se na mesma nota.
(ES)
Declaração MIL de Homenagem a António Telmo

Membro do MIL desde a primeira hora, António Telmo foi um dos autores maiores da Filosofia Lusófona. Discípulo de Álvaro Ribeiro, José Marinho e Agostinho da Silva, defendeu sempre o princípio de que “sem autonomia cultural não pode haver autonomia política”. Foi, por isso, de forma coerente e consequente, ainda que de modo muito singular, um patriota. Tal como nós, ele sabia que a autonomia política de todos os países de língua portuguesa só se manterá enquanto se mantiver essa autonomia cultural lusófona. Manter-nos-emos fiéis a esse princípio, assim honrando a memória de António Telmo.
MIL: Movimento Internacional Lusófono
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
Homenagem a Jaime Cortesão no próximo número da NOVA ÁGUIA
Em Dezembro
UNIVERSIDADE CATÓLICA PORTUGUESA
FACULDADE DE FILOSOFIA
CENTRO REGIONAL DE BRAGA
Colóquio Internacional
CULTURA PORTUGUESA – INTERCULTURALIDADE E LUSOFONIA
02 e 03 de Dezembro de 2010
Organização
Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Faculdade de Filosofia de Braga da UCP
Apresentação
A pergunta sobre o sentido da cultura, e da cultura portuguesa em particular, faz parte da nossa vida quotidiana e de áreas significativas da nossa investigação. O convívio com outras culturas foi particularmente intenso no processo histórico peninsular, numa relação de profunda simbiose no período medieval, e intensificado com a diversidade de povos e de culturas que os descobrimentos proporcionaram a partir da época renascentista. A criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e o movimento da lusofonia continuam a manter vivo esse espírito da nossa cultura, a partir da partilha de identidade linguística, a língua portuguesa.
A convivência multicultural, que é cada vez mais um elemento integrante da sociedade de hoje, vem reforçar a consciência dessa vocação histórica da cultura portuguesa. Nessa convivência, a presença entre nós de pessoas, grupos e comunidades lusófonas de outras nacionalidades representa também um desafio à compreensão e ao acolhimento de identidades culturais que não têm sido objecto da atenção e da entreajuda de integração que lhes é devida. Os estudos recentes sobre interculturalidade e multiculturalidade oferecem um importante contributo para o aprofundamento dessa dimensão da cultura portuguesa.
É objectivo do Colóquio estimular a reflexão e o debate sobre o sentido e a actualidade da dimensão intercultural da cultura portuguesa, enquanto expressão e vivência de reconhecimento e de compreensão profunda do outro, e, simultaneamente, de afirmação da identidade de cada um dos interlocutores. O confronto com experiências actuais de reflexão, sobre outras situações de raízes culturais múltiplas e de convivência multicultural, contribuirá para aprofundar esse mesmo objectivo, numa dimensão de universalismo e de globalização. Nesse sentido se insere o cariz interdisciplinar do Colóquio, com o convite à participação e intervenção das diversas áreas científicas que convergem para os mesmos centros de interesse e de investigação.
A comemoração de um século de vida nacional, sob a bandeira de uma democracia com propósitos renovadores, e que passou por várias fases, constitui redobrada motivação para uma participação activa e empenhada no debate dos temas que serão apresentados. Será dado particular relevo ao sentido de renovação cultural que a publicação da revista A Águia representou, a partir de Dezembro de 1910, e com o projecto cultural que o movimento da Renascença Portuguesa lhe conferiu.
Para além de cinco conferências plenárias, o Colóquio constará de sessões paralelas com comunicações sobre as seguintes áreas temáticas:
sentido da cultura portuguesa;
lusofonia e memória histórica;
interculturalidade e multiculturalidade;
construção de identidades.
Comissão Organizadora
José Gama (coordenação)
Armanda Gonçalves
Fabrizia Raguso
José António Alves
Manuela Taveira
Maria Helena Palhinha
Comissão Científica
Armanda Gonçalves - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Fabrizia Raguso - Universidade Católica Portuguesa - Braga
João Maria André - Universidade de Coimbra
José Gama - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Maria Celeste Natário - Universidade do Porto
Maria Helena Palhinha - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Miquel Àngel Essonha - Centro UNESCO da Catalunha, Espanha
Onésimo Teotónio Almeida –Brown University, Providence, USA
Rosa Cabecinhas - Universidade do Minho
Pedro Calafate - Universidade de Lisboa
Conferencistas convidados
Adriano Moreira - Academia das Ciências / Universidade Católica Portuguesa
Maria Celeste Natário - Universidade do Porto
Miquel Àngel Essonha - Centro UNESCO da Catalunha, Espanha
Onésimo Teotónio Almeida –Brown University, Providence, USA
Rosa Cabecinhas - Universidade do Minho
Painéis Temáticos
Armanda Gonçalves - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Maria Helena Palhinha - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Diana Vallescar - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Fabrizia Raguso - Universidade Católica Portuguesa - Braga
Luís Cunha - Universidade do Minho
Pedro Calafate - Universidade de Lisboa
Renato Epifânio - Universidade de Lisboa, Centro de Filosofia
Chamada de comunicações
Convidam-se académicos e investigadores de diferentes disciplinas a apresentarem comunicações sobre tópicos relacionados com a “Cultura Portuguesa – Interculturalidade e Lusofonia”, integrados nas seguintes áreas temáticas:
1 - Sentido da cultura portuguesa
2 - Lusofonia e memória histórica
3 - Interculturalidade e multiculturalidade
4 - Construção de identidades.
As comunicações terão a duração de 20 minutos, mais 10 minutos para discussão, e serão apresentadas em sessões paralelas.
Os resumos das comunicações propostas não devem ultrapassar as 500 palavras (excluindo referências) e devem explicitar claramente objectivos e questões, enquadramento teórico e métodos de análise, dados e resultados esperados. Os resumos serão avaliados anonimamente.
O prazo para a submissão dos resumos é 15 de Outubro de 2010. A notificação de aceitação será feita em 25 de Outubro de 2010.
O resumo deverá ser enviado em anexo, preferencialmente em formato Word ou RTF, para o seguinte endereço electrónico:
interculturalidade.lusofonia@gmail.com
O resumo não pode mencionar o(s) autor(es) nem a sua instituição ou o seu endereço. O assunto do e-mail deverá ter a palavra “resumo” e o corpo do e-mail deverá conter a seguinte informação:
1- nome(s) do autor(es)
2- instituição(ções) a que pertence(m)
3- título da comunicação
4- uma (ou mais) das quatro áreas temáticas referidas
5- endereço completo
6- endereço electrónico (e-mail)
7- número de telefone e/ou fax
Está prevista a publicação das actas do Colóquio. Os textos das comunicações não podem exceder as 5000 palavras e devem ser entregues em data e em condições a anunciar, segundo regras de estilo a divulgar também posteriormente. Os textos para publicação serão sujeitos a avaliação pela Comissão Científica.
Inscrições
Geral: 70 Euros
Estudantes graduados e colaboradores institucionais: 25 Euros
Estudantes não graduados: 15 Euros
Jantar-convívio (02.12.2010, 20.00h): 25 Euros
Contactos
E-mail: interculturalidade.lusofonia@gmail.com
Tel. +351 253208075 (José António Alves)
Fax +351 253208073
Colóquio Internacional
Cultura Portuguesa – Interculturalidade e Lusofonia
a/c José Gonçalves Gama
Universidade Católica Portuguesa
Faculdade de Filosofia
Praça da Faculdade de Filosofia, 1
P-4710-297 Braga
Portugal













