"Muitos Estados falhados de África são o resultado das políticas de dominação que lhes foram impostas pelo imperialismo colonial e o seu sucedâneo actual, o tráfico de droga e os outros tráficos nojentos em que assenta muito da economia especulativa mundial que, no seu amplexo de anaconda, constitui um dos esteios da actual configuração do mundo globalizado. E os conflitos étnicos são alimentados por essas políticas de dominação conduzidas por pessoas desenraizadas e corrompidas pelo poder do dinheiro e pelo dinheiro do poder.
Que a morte, a fome, a miséria, o sofrimento, o sem-futuro, das crianças de Angola, por exemplo, venha aos mercados lusófonos comprar acções de empresas-chave da economia globalizada é apenas um reflexo natural deste estado de coisas. Confundir a lusofonia com isto não é só um logro histórico, é participar de forma activa na sua manutenção e legitimação.
Vistas as coisas deste prisma, a CPLP acaba por ser uma estrutura de legitimação do terrorismo de Estado e da cleptocracia que o olhar hipócrita da diplomacia vê como emergência da democracia. Isto consuma a destruição da Cultura como elevação de todos os homens à condição de senhores do mundo e como comunhão universal do fluxo da Vida que a tudo engloba. E é nisto que em verdade consiste a Cultura: a exaltação de cada um, a elevação de todos, a resistência à opressão e à criação de desigualdades acéfalas"
- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010).
arevistaentre.blogspot.com
A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Colóquio Internacional "Do diabólico ao simbólico: a filosofia de Vilém Flusser" - 3 e 4 de Maio
Colóquio Internacional "Do Diabólico ao Simbólico: A Filosofia de Vilém Flusser"
Anfiteatro IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Organização: Paulo Borges / Dirk Hennrich; Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Segunda-Feira, 3 de Maio
14:30 ABERTURA
15:00 - 15:30 Gustavo Bernardo Krause. - “MEU BEM, VOCÊ NÃO ENTENDEU NADA.” A DÚVIDA DE VILÉM FLUSSER.
15:30 – 16:00 Joaquim Domingues. - O MUNDO NOVO DA LÍNGUA - HOMENAGEM A VILÉM FLUSSER
16: 00 – 16:30 Jorge Leandro Rosa. - A RELAÇÃO COM O INARTICULÁVEL. LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E ONTOLOGIA EM VILÉM FLUSSER.
16:30 – 17:00 – Debate
17:00 – 17: 15 - Intervalo
17:15 – 17:45 José Bragança de Miranda. - A NOÇÃO DE APARATO EM VILÉM FLUSSER
17:45 – 18:15 Jorge Rivera. - SUPERFÍCIES, LINHAS, NÓS: AS OPERAÇÕES DA IMAGINAÇÃO E O PENSAMENTO DE VILÉM FLUSSER.
18:15 – 18:45 Louis Bec. - LE VAMPYROTEUTHIS INFERNALIS: UNE PREUVE D’AMITIÉ (PROJECTION, IMAGES ET VIDÉOS)
18:45 – 19:15 – Debate e encerramento.
Terça-Feira, 4 de Maio
Abertura
11:00 – 11:30 Rui Lopo. - A FILOSOFIA DA LINGUAGEM DE VILÉM FLUSSER
11:30 - 12:00 Dirk-Michael Hennrich. - A “COISA”, EM VILÉM FLUSSER E EUDORO DE SOUZA
12:00 - 12:30 Rodrigo Cunha - O DESIGN SEGUNDO VILÉM FLUSSER.
12:30 - 13:00 Rainer Guldin. - ACHERONTA MOVEBO: DO MEFISTOTÉLICO NA OBRA DE VILÉM FLUSSER
13:00 - 13:30 – Debate e Intervalo para almoço
15:00 – 15:30 – Jacinto Godinho. - O ESPECTADOR DE FLUSSER
15:30 – 16:00 - Paulo Borges. - O DIABÓLICO EM VILÉM FLUSSER
16:00 – 16:30 António Braz Teixeira. - O SAGRADO E A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM VILÉM FLUSSER
16:30 – 17:00 - Debate
17:00 – 17:15 – Intervalo
17:15 – 17:45 - Apresentação da revista Cultura ENTRE Culturas, com um inédito de Vilém Flusser. Encerramento.
18:30 Louis Bec – ARTAXONOMIQUE ET HYPOZOOLOGIE (na Livraria do Instituto Franco-Português)
Anfiteatro IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Organização: Paulo Borges / Dirk Hennrich; Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa
Segunda-Feira, 3 de Maio
14:30 ABERTURA
15:00 - 15:30 Gustavo Bernardo Krause. - “MEU BEM, VOCÊ NÃO ENTENDEU NADA.” A DÚVIDA DE VILÉM FLUSSER.
15:30 – 16:00 Joaquim Domingues. - O MUNDO NOVO DA LÍNGUA - HOMENAGEM A VILÉM FLUSSER
16: 00 – 16:30 Jorge Leandro Rosa. - A RELAÇÃO COM O INARTICULÁVEL. LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E ONTOLOGIA EM VILÉM FLUSSER.
16:30 – 17:00 – Debate
17:00 – 17: 15 - Intervalo
17:15 – 17:45 José Bragança de Miranda. - A NOÇÃO DE APARATO EM VILÉM FLUSSER
17:45 – 18:15 Jorge Rivera. - SUPERFÍCIES, LINHAS, NÓS: AS OPERAÇÕES DA IMAGINAÇÃO E O PENSAMENTO DE VILÉM FLUSSER.
18:15 – 18:45 Louis Bec. - LE VAMPYROTEUTHIS INFERNALIS: UNE PREUVE D’AMITIÉ (PROJECTION, IMAGES ET VIDÉOS)
18:45 – 19:15 – Debate e encerramento.
Terça-Feira, 4 de Maio
Abertura
11:00 – 11:30 Rui Lopo. - A FILOSOFIA DA LINGUAGEM DE VILÉM FLUSSER
11:30 - 12:00 Dirk-Michael Hennrich. - A “COISA”, EM VILÉM FLUSSER E EUDORO DE SOUZA
12:00 - 12:30 Rodrigo Cunha - O DESIGN SEGUNDO VILÉM FLUSSER.
12:30 - 13:00 Rainer Guldin. - ACHERONTA MOVEBO: DO MEFISTOTÉLICO NA OBRA DE VILÉM FLUSSER
13:00 - 13:30 – Debate e Intervalo para almoço
15:00 – 15:30 – Jacinto Godinho. - O ESPECTADOR DE FLUSSER
15:30 – 16:00 - Paulo Borges. - O DIABÓLICO EM VILÉM FLUSSER
16:00 – 16:30 António Braz Teixeira. - O SAGRADO E A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM VILÉM FLUSSER
16:30 – 17:00 - Debate
17:00 – 17:15 – Intervalo
17:15 – 17:45 - Apresentação da revista Cultura ENTRE Culturas, com um inédito de Vilém Flusser. Encerramento.
18:30 Louis Bec – ARTAXONOMIQUE ET HYPOZOOLOGIE (na Livraria do Instituto Franco-Português)
Ressurreição e Reincarnação-Renascimento
XXII Jornadas Teológicas
Faculdade de Teologia – Braga
4 a 6 de Maio de 2010
[Entrada Livre]
Tema
«Ressurreição e Reincarnação-Renascimento»
Programa
Dia 4 de Maio (Terça-feira)
21h00
– Introdução
«Diferenciação do universo crencial dos que acreditam na ressurreição e na reencarnação»
Doutor Eduardo Jorge Duque;
Professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa
– Conferência
«A Ressurreição na perspectiva Bíblica»
D. António José da Rocha Couto, Bispo Auxiliar da Diocese de Braga
Dia 5 de Maio (Quarta-feira)
21h00
–Mesa Redonda:
«E depois da morte? Diálogo entre Budismo e Cristianismo»
Prof. Doutor Paulo Alexandre Esteves Borges – Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Presidente da União Budista Portuguesa.
Título: Nem nascimento, nem morte, nem renascimento: vacuidade e bardo (entre-dois) na experiência budista
Prof. Dr. Carlos Henrique do Carmo Silva – Professor de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
Título: «Anástasis – Ressurrectio, nem reincarnação mítica, nem renascimento espiritual»
Moderador: Prof. Doutor João Duque – Director-Adjunto da Faculdade de Teologia – Braga, da Universidade Católica Portuguesa
Dia 6 de Maio (Quinta-feira)
21h00
– Momento musical
– Coro Académico do Centro Regional de Braga da UCP
– Conferência –
«Abordagem contemporânea da Ressurreição em registo teológico»
Prof. Doutor Andrès Torres Queiruga – Professor da Universidade de Santiago de Compostela
Faculdade de Teologia – Braga
4 a 6 de Maio de 2010
[Entrada Livre]
Tema
«Ressurreição e Reincarnação-Renascimento»
Programa
Dia 4 de Maio (Terça-feira)
21h00
– Introdução
«Diferenciação do universo crencial dos que acreditam na ressurreição e na reencarnação»
Doutor Eduardo Jorge Duque;
Professor na Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa
– Conferência
«A Ressurreição na perspectiva Bíblica»
D. António José da Rocha Couto, Bispo Auxiliar da Diocese de Braga
Dia 5 de Maio (Quarta-feira)
21h00
–Mesa Redonda:
«E depois da morte? Diálogo entre Budismo e Cristianismo»
Prof. Doutor Paulo Alexandre Esteves Borges – Professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Presidente da União Budista Portuguesa.
Título: Nem nascimento, nem morte, nem renascimento: vacuidade e bardo (entre-dois) na experiência budista
Prof. Dr. Carlos Henrique do Carmo Silva – Professor de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa.
Título: «Anástasis – Ressurrectio, nem reincarnação mítica, nem renascimento espiritual»
Moderador: Prof. Doutor João Duque – Director-Adjunto da Faculdade de Teologia – Braga, da Universidade Católica Portuguesa
Dia 6 de Maio (Quinta-feira)
21h00
– Momento musical
– Coro Académico do Centro Regional de Braga da UCP
– Conferência –
«Abordagem contemporânea da Ressurreição em registo teológico»
Prof. Doutor Andrès Torres Queiruga – Professor da Universidade de Santiago de Compostela
Porque devem todos levar um exemplar da NOVA ÁGUIA para o jogo do próximo Domingo...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Jaime Salazar Sampaio
Caros amigos,
Morreu, há dias, um dos mais prolíferos dramaturgos portugueses: Jaime Salazar Sampaio.
O TUT - Grupo de Teatro da Universidade Técnica de Lisboa, dedicou-se, durante este ano lectivo, a fazer uma abordagem de alguns textos deste autor, ele também licenciado pela Universidade Técnica de Lisboa, da qual resultou um espectáciulo que será levado à cena durante o próximo mês de Maio.
Nuno Cortez
Informação:
O TUT - Teatro da Universidade Técnica apresenta:
Venenos Indispensáveis
segundo Jaime Salazar Sampaio
encenação e dramaturgia de Júlio Martín da Fonseca
no Teatro da Malaposta
integrado no Festival "Escolas no Teatro da Malaposta"
1 de Maio de 2010, às 21.30
bilhetes no Teatro da Malaposta a 1€
no Palácio Burnay
Rua da Junqueira, 86
13 a 16 e 20 a 23 de Maio de 2010, às 21.30
entrada gratuita, mas limitada aos lugares disponíveis
Duração de 1 hora sem intervalo
Fotos de ensaio:
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-01-162350159
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-02-162350519
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-03-162350984
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-04-162351082
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-friso-TUTiano-162351360
Cartaz do espectáculo:
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-Indispensaveis-poster-162349462
Blog:
http://blogdotut.blogspot.com/
Morreu, há dias, um dos mais prolíferos dramaturgos portugueses: Jaime Salazar Sampaio.
O TUT - Grupo de Teatro da Universidade Técnica de Lisboa, dedicou-se, durante este ano lectivo, a fazer uma abordagem de alguns textos deste autor, ele também licenciado pela Universidade Técnica de Lisboa, da qual resultou um espectáciulo que será levado à cena durante o próximo mês de Maio.
Nuno Cortez
Informação:
O TUT - Teatro da Universidade Técnica apresenta:
Venenos Indispensáveis
segundo Jaime Salazar Sampaio
encenação e dramaturgia de Júlio Martín da Fonseca
no Teatro da Malaposta
integrado no Festival "Escolas no Teatro da Malaposta"
1 de Maio de 2010, às 21.30
bilhetes no Teatro da Malaposta a 1€
no Palácio Burnay
Rua da Junqueira, 86
13 a 16 e 20 a 23 de Maio de 2010, às 21.30
entrada gratuita, mas limitada aos lugares disponíveis
Duração de 1 hora sem intervalo
Fotos de ensaio:
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-01-162350159
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-02-162350519
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-03-162350984
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-04-162351082
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-friso-TUTiano-162351360
Cartaz do espectáculo:
http://nuresico.deviantart.com/art/Venenos-Indispensaveis-poster-162349462
Blog:
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Em Angola, "português é a língua da nacionalidade”, diz Pepetela

Nasceu em Benguela Artur Pestana, como escritor ficou Pepetela, tradução do seu apelido na língua umbundu. Diz que a língua “molda a expressão do pensamento” e quanto ao novo acordo ortográfico, “está mais contra os que estão contra”.
“Eu escrevo em português, mas se o fizesse em francês seria outra coisa, outra cabeça, e à expressão própia dentro da língua, alguns chamam estilo", afirma logo no início da conversa com o Observatório do Algarve.
Conversa que se travou sob o pretexto do doutoramento "Honoris Causa" recebido na Universidade do Algarve e que o escritor dedicou “ao povo angolano”, considerando que "muito dificilmente se separará a obra e a vida de um escritor da história e cultura do seu povo" .
Uma dedicatória que estende à sua mãe e à sua mulher. A primeira por uma "estória de matemática, uma equação" que o empurrou para a escrita e a outra “por ser responsável por, pelo menos, metade daquilo que tenho produzido".
Para Pepetela, os ambientes entram nas escritas, as palavras, seus instrumentos de trabalho, são também a ligação com o exterior e portanto “é diferente estar em Portugal, no Brasil ou, por exemplo, nos Estados Unidos”.
Isso vê-se em qualquer conferência internacional, ilustra o escritor angolano, "quando procuramos sempre moçambicanos, cabo-verdianos, portugueses, antes de tudo".
O português é a língua da nacionalidade
E como vai o português, enquanto língua oficial em Angola? “Como língua materna, já ultrapassou todas as outras”, disso não tem dúvidas Artur Pestana que garante ser o português dominado por mais de 90 por cento dos angolanos, embora uns se expressem melhor que outros. Não é só, portanto, a língua oficial, mas sim “a língua da nacionalidade”.
Uma nação para cuja classe dirigente lança um olhar crítico, perante “o processo lento que será necessário percorrer, até ter uma elite capaz e séria. E a oposição ainda não tem força”, remata.
Ainda assim, Pepetela fala do irromper de “espaços de liberdade, órgãos de informação com mais pluralidade”, de lugares “onde se pode fazer cultura”.
A “falta de imaginação” do novo acordo ortográfico
É um tema quase incontornável, quando se fala de lusofonia, mas Pepetela confessa-se “um bocado farto” do acordo.
“Eu sou contra este acordo, mas sou ainda mais contra os que estão contra, que me parece terem uma reacção parecida com a que existiu no século dezanove, relativamente ao francês”. É uma reacção reaccionária, diz num jogo de palavras significativo.
Reacções à parte, Pepetela diz que o acordo sofre de “falta de imaginação”. E dá um exemplo: Diz-se António em português e Antônio em brasileiro. “Não seria altura de se inventar um novo acento, para definir as sílabas tónicas, uniformizar grafia e sotaques?, questiona.
Um outro livro na calha
“Este ano não sai nada ”, não há novo livro, comenta de imediato quando o Observatório do Algarve o questiona sobre novos trabalhos.
Pepetela está antes envolvido num projecto que implica “muita pesquisa e investigação. Tento sempre ser diferente, evitar o perigo da repetição”, justifica.
Mas não é possível, por enquanto, saber mais sobre o seu novo trabalho. “Sou supersticioso e ainda não é o tempo de falar nisso”, atalha.
Pepetela retomaria este escrúpulo de falar de si próprio e da sua obra no discurso que proferiu, após receber as insígnias de doutor "Honoris Causa onde disse que, no seu "fraco entender, um ficcionista deve contar preferentemente estórias, com 'es', e não falar ou escrever sobre aquilo que é o seu trabalho íntimo, talvez o mais íntimo dos trabalhos humanos".
"Chamemos-lhe discrição ou suma vaidade a este cuidado de não revelar intimidades. Há porém escritores, também especialistas em teoria literária, e que sem caírem em esquizofrenias, conseguem analisar, ponderar e divulgar aquilo que vão descobrindo nos textos ditados pela sua própria imaginação. O que alguns denominam subconsciente", afirmou.
Uma obra que é a busca de encontros, desencontros, às vezes encontrões
"Tocou-me vivamente o gesto da UAlg ao lembrar-se de me outorgar o título de Doutor Honoris Causa. Compreendo o gesto como vontade de homenagem que ultrapassa o próprio homenageado, mas também, e principalmente, visa uma literatura e uma nação, a angolana", afirmou ainda.
Para ele, "muito dificilmente se separará a obra e a vida de um escritor da história e cultura do seu povo", uma perspectiva que está plasmada na sua obra, intimamente ligada à luta de libertação, mas também à história e aos universos míticos de Angola, à crítica ideológica e social de um período mais recente.
O sociólogo António Correia e Silva, reitor da Universidade de Cabo Verde, foi o padrinho do doutoramento e para ele “não há como desligar a escrita de Pepetela de um projecto político que permitiu aos povos da periferia colonizadora tornarem-se em autores da sua própria história. Uma escrita assumidamente política, mas não panfletária. Uma escrita que resgata a vida que ficava fora da moldura. Uma busca de encontros, desencontros, às vezes encontrões”.
"Suspeito por isso que esteja um pouco desarmado perante uma obra literária complexa, que fala do branco e do negro, da paz e da guerra, da realidade e da utopia, do passado e do presente, da África e da Europa, do planalto e da estepe", acrescentou.
O reitor da UAlg, João Guerreiro, mencionou por sua vez quatro paralelos entre a obra do novo doutor e a instituição que dirige: "a interculturalidade, a valorização da língua portuguesa, a adopção de um intransigente compromisso social e a liberdade".
Igualmente presente na cerimónia, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, disse que as suas palavras tinham como objectivo "saudar o escritor e através dele, não apenas a literatura, mas o homem nas suas metamorfoses, que revelam a história".
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/04/em-angola-portugues-e-lingua-da.html
A lusofonia não é lusófona, mas universal
A lusofonia não é lusófona, mas universal
(excerto)
A lusofonia não cobre um fundo cultural comum, mas é um espaço de eclosão cultural aberto. Não há uma cultura lusófona, nem as culturas que se encontram no espaço da lusofonia estão marcadas, de forma indelével, por uma mesma intencionalidade destinal. O que se pode dizer é que o espaço lusófono se apresenta ao mundo como a possibilidade de se romper com o regime logocêntrico que marca a vigência da metafísica ocidental enquanto configuração civilizacional criadora de uniformidade e instauradora dum fechamento onto-fenomenológico da experiência humana do mundo em relação ao horizonte grácil da emergência da vida espiritual veiculadora duma cultura eco-eudemoníaca, sem a anomalia sapiensial que separa o humano do animal, a sociedade da natureza, o terrestre do celeste.
A uniformização eurocêntrica leva à destruição das culturas ancestrais que eclodiram para lá dos constrangimentos do totalitarismo da mesmidade sem um avesso de si que a interpelasse à dissolução transmutadora. E aqui cabe uma chamada de atenção para algo que tem que ser atendido com seriedade: a instrumentalização da cultura portuguesa e do pensamento português, nascido à margem da metafísica sem um impulso interno para o outro de si, para os colocar ao serviço dum gesto totalitário análogo à totalitária imposição da mundividência eurocêntrica ao resto do mundo, não só se apresenta como um erro grotesco, como atraiçoa o sentido espiritual da expansividade da vida ética e do pensamento seminal para o ainda não pensado, para o preterido pela tradição metafísica ocidental, próprio do pensamento português e assumido por autores tão importantes quanto, por exemplo, Antero de Quental, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José Marinho, Eudoro de Souza, ou Agostinho da Silva, para só referir estes e para não referir os que hoje seguem na sua senda .
E a Língua Portuguesa não é constringente em termos espirituais e existenciais, ou seja, não aparece como um obstáculo até mesmo à sua ultrapassagem – tem sido um útero aberto à emergência de outras vias de apropriação linguística do mundo, coisa própria de uma língua viva, capaz de dar à luz outras línguas.
Por isso, qualquer tentativa de domesticar a língua, de a contratualizar em nome de imperativos económicos e políticos, é um passo na destruição da lusofonia, do que ela tem de mais original e imperioso para o mundo, a sua não constringência em termos espirituais.
A Língua Portuguesa não conhece fronteiras, não se institui como um território mental instaurador de barbarismos. Desse centro de divergência coalescente, não se vê nem estrangeiros nem bárbaros. Ter a Língua Portuguesa como Pátria, indo para além do lugar comum pessoano que tem sido usado para tudo e para nada, é não ser mais do que cidadão do Universo, encarado como o que, a cada instante, em cada um dos existentes e a cada um engloba numa corrente de transcensão transmutadora e re-criadora. É no diverso que se dá a patência da conversão plenificante ao que a tudo excede e, nesse excesso, tudo abraça num amplexo oceânico, sem fundo e sem margens.
- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), pp.20-21.
arevistaentre.blogspot.com
(excerto)
A lusofonia não cobre um fundo cultural comum, mas é um espaço de eclosão cultural aberto. Não há uma cultura lusófona, nem as culturas que se encontram no espaço da lusofonia estão marcadas, de forma indelével, por uma mesma intencionalidade destinal. O que se pode dizer é que o espaço lusófono se apresenta ao mundo como a possibilidade de se romper com o regime logocêntrico que marca a vigência da metafísica ocidental enquanto configuração civilizacional criadora de uniformidade e instauradora dum fechamento onto-fenomenológico da experiência humana do mundo em relação ao horizonte grácil da emergência da vida espiritual veiculadora duma cultura eco-eudemoníaca, sem a anomalia sapiensial que separa o humano do animal, a sociedade da natureza, o terrestre do celeste.
A uniformização eurocêntrica leva à destruição das culturas ancestrais que eclodiram para lá dos constrangimentos do totalitarismo da mesmidade sem um avesso de si que a interpelasse à dissolução transmutadora. E aqui cabe uma chamada de atenção para algo que tem que ser atendido com seriedade: a instrumentalização da cultura portuguesa e do pensamento português, nascido à margem da metafísica sem um impulso interno para o outro de si, para os colocar ao serviço dum gesto totalitário análogo à totalitária imposição da mundividência eurocêntrica ao resto do mundo, não só se apresenta como um erro grotesco, como atraiçoa o sentido espiritual da expansividade da vida ética e do pensamento seminal para o ainda não pensado, para o preterido pela tradição metafísica ocidental, próprio do pensamento português e assumido por autores tão importantes quanto, por exemplo, Antero de Quental, Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa, José Marinho, Eudoro de Souza, ou Agostinho da Silva, para só referir estes e para não referir os que hoje seguem na sua senda .
E a Língua Portuguesa não é constringente em termos espirituais e existenciais, ou seja, não aparece como um obstáculo até mesmo à sua ultrapassagem – tem sido um útero aberto à emergência de outras vias de apropriação linguística do mundo, coisa própria de uma língua viva, capaz de dar à luz outras línguas.
Por isso, qualquer tentativa de domesticar a língua, de a contratualizar em nome de imperativos económicos e políticos, é um passo na destruição da lusofonia, do que ela tem de mais original e imperioso para o mundo, a sua não constringência em termos espirituais.
A Língua Portuguesa não conhece fronteiras, não se institui como um território mental instaurador de barbarismos. Desse centro de divergência coalescente, não se vê nem estrangeiros nem bárbaros. Ter a Língua Portuguesa como Pátria, indo para além do lugar comum pessoano que tem sido usado para tudo e para nada, é não ser mais do que cidadão do Universo, encarado como o que, a cada instante, em cada um dos existentes e a cada um engloba numa corrente de transcensão transmutadora e re-criadora. É no diverso que se dá a patência da conversão plenificante ao que a tudo excede e, nesse excesso, tudo abraça num amplexo oceânico, sem fundo e sem margens.
- Paulo Feitais, "A lusofonia não é lusófona, mas universal", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), pp.20-21.
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Para um dos próximos volumes da Colecção NOVA ÁGUIA...
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A ESCOLA FILOSÓFICA DE LOVAINA E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL
Paulo Moacir Godoy Pozzebon - Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Busca-se compreender, neste trabalho, as diferentes etapas de desenvolvimento da Filosofia praticada na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e, principalmente de que maneiras e em que medida esta Filosofia influenciou os filósofos brasileiros, bem como quanto desta influência ainda perdura.
1- A primeira etapa da Escola de Lovaina – o predomínio tomista – e sua importância para o Brasil
Desde sua fundação, o Institut Supérieur de Philosophie da Université Catholique de Louvain tem manifestado vocação de centro filosófico de importância mundial. Fundado a partir de um curso de filosofia tomista que surgira em 1882, aos poucos, sob a liderança de Désiré Joseph Mercier (1851-1926), nele formou-se o grupo que seria conhecido como Escola de Lovaina. A trajetória desta conheceu duas etapas distintas.
A primeira etapa vai da fundação até os anos quarenta do século XX, período em que Lovaina afirmou-se como a principal escola filosófica neo-escolástica de linha tomista. Sua importância histórica reside no fato de ter sido o primeiro movimento organizado importante e influente no chamado Renascimento Tomista. Produziu uma revista que há décadas tem importância mundial, a Révue Philosophique de Louvain (anteriormente denominada Révue Néoscolastique de Philosphie), à qual se anexou o não menos importante Répertoire Bibliographique de la Philosophie. Dentre as publicações da escola, destacam-se os doze volumes do Cours de Philosophie, várias vezes reeditados, obra de Mercier, De Wulf, e De Nys, bem como, nos anos quarenta, o moderno curso de Filosofia escrito por De Rayemaeker, Van Steenberghen, F. Renoirte e I. Dopp.
A importância filosófica da Escola de Lovaina reside em seu programa (traçado já por Mercier), de valorização e defesa do pensamento filosófico da Escolástica, vivificado e completado pelas contribuições da ciência moderna. Para tanto, a Escola intentou formar pesquisadores que desenvolvessem a Filosofia e as ciências sem preocupações apologéticas, e confrontassem as teses neo-escolásticas com as aquisições das ciências modernas. Apesar da nítida preferência por S. Tomás de Aquino, o Instituto não se fechou a outras correntes de pesquisa. A produção dos filósofos de Lovaina apresentou muitas contribuições originais e alcançou grande repercussão nos meios filosóficos, especialmente os católicos.
Esta primeira etapa da Escola de Lovaina repercute no Brasil de modo pouco extenso, mas bastante intenso e de resultados duradouros. Inicia-se com D. Miguel Kruse (1864-1929), monge beneditino nascido na Alemanha, que chegou a São Paulo no ano de 1900. Já em 1901 desponta no cenário cultural brasileiro ao polemizar, através de jornais, com o pensador positivista Luís Pereira Barreto, a propósito da alegada inferioridade dos povos católicos.
Em 1907, D. Miguel Kruse torna-se abade do mosteiro paulista e, em 1908, visando combater o positivismo e o utilitarismo então disseminados , e após contatos com o Cardeal Mercier, funda a primeira faculdade de Filosofia do Brasil, então chamada Faculdade Livre de Filosofia e Letras de São Paulo, que foi mais tarde conhecida como “Faculdade de S. Bento”. Esta Faculdade, que foi reconhecida pelo governo brasileiro somente em 1940, agregou-se em 1911 à Universidade Católica de Lovaina, cuja orientação tomista seguia.
De Lovaina veio o primeiro professor de Filosofia desta Faculdade, Monsenhor Charles M. Hubert Sentroul (1876-1933), que nela lecionou de 1908 a 1917. Em São Paulo, Sentroul introduziu o tomismo renovado de Lovaina, marcado pela tentativa de desenvolver a filosofia de S. Tomás em harmonia com a ciência moderna, sem admitir deformação da Filosofia por interesses apologéticos. Exemplos desta postura estão presentes na aula inaugural de Sentroul em São Paulo:
No momento em que uma descoberta científica nova e segura pusesse em cheque uma tese filosófica partilhada por S. Tomás ou Aristóteles, nós abandonaríamos uma tal tese, sem sobra de pena. Na verdade uma só coisa importa, a verdade: “amicus Aristoteles, amicus Thomas, magis amica veritas... sola amica veritas” .
Adverte ainda, noutra passagem do mesmo texto:
Com que espírito devemos estudar, e quando for preciso, refutar os filósofos cuja doutrina não admitirmos? Com uma justiça serena e imparcial! Nada de servilismos para com nossos amigos, nada preconceitos com nossos adversários... Sim, encontram-se muitas vezes autores que têm sempre a palavra absurdo na boca ou no bico das penas, e aos quais se deve ensinar que Platão, Duns Scoto, Descartes, Hume, Kant, Comte, Lammenais, Darwin e tantos outros filósofos cujo sistema refutamos em bloco, têm no entretanto, de tempos em tempos, dito a verdade, e que estes pensadores, apesar de seus erros, não eram inteiramente ignorantes... Aplicar-nos-emos, portanto, estudando e refutando o erro, a ver de que lado está a verdade antes de demonstrar que é efetivamente absurdo .
Estudioso e crítico de Kant, sobre quem publicou uma tese premiada na Alemanha, Sentroul permanece na perspectiva metafísica, concebendo a Filosofia como “a ciência que completa a unidade do saber”, seja estabelecendo o valor do conhecimento, seja constituindo através da metafísica uma síntese superior do saber, seja ainda auxiliando com a metafísica às ciências particulares .
O mérito e a importância de Sentroul foram introduzir, no âmbito do pensamento católico brasileiro, os estudos sistemáticos de Filosofia pura, o que, sem dúvida, representava progresso num ambiente em que a Filosofia era em geral estudada como auxiliar de outras disciplinas e freqüentemente brandida como argumento político.
Entretanto, foi breve a permanência de Sentroul no Brasil. A propósito da guerra de 1914, em que a Alemanha violou a neutralidade da Bélgica e incendiou a biblioteca secular da Universidade de Lovaina, desentenderam-se crescentemente Monsenhor Sentroul e os monges de origem alemã do Mosteiro de S. Bento, até que, em 1917, retornou o filósofo à Bélgica e fechou-se a Faculdade .
Cinco anos depois, esta foi reaberta com a chegada do professor belga Leonardo van Acker (1896-1986), doutor em Filosofia e Letras por Lovaina, portador do que aqui se chamou “espírito de Lovaina”, isto é, um neotomismo que pretende renovar-se crescendo a partir de seus princípios interiores, dialogando com o pensamento moderno e contemporâneo e enriquecendo-se com o que ele tem de valioso e original. Nas palavras do próprio van Acker, o seu “tomismo aberto” pretende “repensar a Filosofia Aristotélico-tomista em contato com a Filosofia e a Ciência vigentes no ambiente” . O tomismo é concebido como uma corrente filosófica entre outras, mas detentor de “uma parte valiosa e resistente da ‘philosophia perennis’”, dotado de “um poder de síntese e de adaptação muito peculiares, que lhe possibilitam um reconhecimento e, até certo ponto, uma transposição, para sua própria perspectiva, dessas verdades [trazidas por outras correntes] [...]” . Por isso, afirma que “[...] longe de estar definitivamente ‘superado’ ou desvalorizado, o Tomismo encontra, atualmente, as mais inesperadas confirmações, que lhe fornecem as melhores garantias de que ele pode colaborar, positivamente, para o progresso da Filosofia Contemporânea” . O professor van Acker lecionou mais tarde na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e exerceu longa atividade filosófica nessa cidade, até falecer em 1986.
Um terceiro nome em cuja obra precisa ser avaliada a influência da filosofia de Lovaina é o professor Alexandre Correia (1891-1984), de menção obrigatória no que toca ao tomismo e às universidades paulistas. Alexandre Correia integrou a primeira turma da Faculdade de São Bento, nesta formando-se em Filosofia. Posteriormente doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina e em Direito pela Universidade de São Paulo, onde lecionou. Dentre suas obras destaca-se a tradução da Suma Teológica de São Tomás. Em seus trabalhos combatia o positivismo e o kantismo, procurando defender a possibilidade de um discurso metafísico de valor objetivo, fundamento necessário para o discurso ético-político de bases sólidas .
Carlos Lopes de Mattos (1910-1993) deve também ser lembrado como neotomista influenciado pela filosofia de Lovaina. Tendo pertencido por algum tempo à ordem beneditina, estudou Filosofia no Mosteiro de São Bento em São Paulo, doutorando-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina, no ano de 1940. Lecionou na Faculdade de São Bento, cuja revista dirigiu. Publicou numerosos trabalhos, dentre os quais se destacam os que abordam o pensamento de Farias Brito.
Em 1945, a Faculdade de São Bento foi agregada à Universidade Católica que se organizava em São Paulo. Na PUC-São Paulo marcaram importante presença os já mencionados Leonardo van Acker, Alexandre Correia (primeiro diretor da Faculdade Paulista de Direito) e os também lovainianos: a religiosa Laura Fraga de Almeida Sampaio (1926-), que doutorou-se em Lovaina com uma tese sobre Jacques Maritain, e o padre secular belga Michel Schooyans (1930-).
Doutor em Filosofia e Letras e bacharel em Letras Românicas pela Universidade de Lovaina, Michel Schooyans lecionou na PUC-São Paulo e publicou diversas obras de relevo – deve-se destacar especialmente seu famoso artigo Tarefas e vocação da Filosofia no Brasil, publicado pela Revista Brasileira de Filosofia em 1961. Schooyans repensa o tomismo numa linha historicista, procurando valorizar o contexto histórico e cultural em que é praticado e do qual chega mesmo a depender. Nos anos sessenta, Schooyans encaminhou numerosos estudantes brasileiros à Universidade de Lovaina.
2 A segunda etapa da Escola de Lovaina – predomínio fenomenológico – e sua influência no Brasil
Deve-se considerar também uma segunda etapa de desenvolvimento da Escola de Lovaina, cujos desdobramentos também se fizeram sentir no Brasil. Esta etapa, a partir dos anos cinqüenta, é marcada pelo florescimento e predomínio da corrente fenomenológica, em substituição ao anterior predomínio do neotomismo. A principal razão desta mudança foi a constituição do Arquivo Husserl na Universidade de Lovaina, obra do padre belga Hermann van Breda que, durante a Segunda Guerra Mundial, com grande esforço, retirara da Alemanha cerca de 45 mil páginas estenografadas de escritos inéditos do filósofo alemão Edmund Husserl. Deste material extraíram-se vários livros inéditos, como o conhecido A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental, publicado em 1950, mas escrito em 1935-1936 .
Lovaina tornou-se assim um dos principais centros mundial de filosofia fenomenológica; lá trabalharam filósofos importantes como Jean Ladrière; estudantes de todas as partes do mundo obtiveram lá sua formação filosófica. Outrora centro difusor do neotomismo, Lovaina tornou-se, apesar da constante abertura a outras correntes, centro difusor do pensamento fenomenológico e sua influência crescente se espalhou por muitos países.
Esta segunda etapa da Escola de Lovaina influenciou o pensamento brasileiro, nos anos sessenta, por meio de estudantes brasileiros que para lá se dirigiram a fim de realizar parte ou mesmo a totalidade de sua formação filosófica. Retornando ao Brasil, estes neofilósofos passaram a atuar em diversas universidades, tanto no magistério quanto na pesquisa, difundindo o pensamento fenomenológico nas diferentes áreas filosóficas e mesmo fora da Filosofia. Representaram também importante influência no envio de novos estudantes a Lovaina. Paralelamente ao prestígio de Lovaina e da fenomenologia, não devem ser descartadas, como razões para o envio de estudantes brasileiros a Lovaina, a formação de quadros para a Ação Católica e mesmo o resguardo da repressão política do regime militar brasileiro.
Foi este o impulso mais extenso que teve no Brasil a corrente fenomenológica, mesmo se comparado ao dos brasileiros que estudaram na França ou na Alemanha. Note-se que esta influência teve o efeito de contrabalançar a presença, tanto do decadente neotomismo, quanto do marxismo, então amplamente difundidos nas universidades brasileiras. Nas áreas científicas, este impulso da fenomenologia ajudou a atenuar a preponderância de um positivismo tecnocrático, então incentivado pelas políticas governamentais.
Os nomes mais destacados dentre os brasileiros que estudaram em Lovaina são: Alvino Moser, Antonio Joaquim Severino, Antonio Muniz de Rezende, Carmen Da Poian, Creusa Capalbo, Geraldo Tonaco, João Carlos Nogueira, José de Anchieta Correia, Newton Aquiles Von Zuben, Olinto Pegoraro, Salma Tannus Muchail, Tema Donzelle, Teresa Aulus Pompéia Cavalcante, Tiago Adão Lara, Ubiratan Borges de Macedo e Zeljko Loparic.
Com o passar de uma ou duas décadas, diminuiu sensivelmente o número de estudantes brasileiros que se dirigiam a Lovaina para completar seus estudos filosóficos. Mesmo alguns dos pensadores lá formados já se distanciaram da fenomenologia e das temáticas que haviam assumido por influência de Lovaina. Alguns deles direcionaram-se para o campo da Psicanálise. Resta ainda investigar sistematicamente em que medida perdura hoje a influência fenomenológica entusiasticamente trazida ao Brasil e, principalmente, quais foram os resultados dessa influência na construção do pensamento filosófico brasileiro.
3 Conclusões
O que aqui se pode fazer é apenas esboçar algumas conclusões, ressalvando seu caráter ainda hipotético.
Os filósofos brasileiros que estudaram em Lovaina foram, em geral, influenciados pela filosofia fenomenológica então lá predominante. Da fenomenologia lá praticada, trouxeram ao Brasil o método, temáticas, o espírito do pluralismo filosófico, interesses e preferências por certos autores então pouco conhecidos no Brasil, e mesmo obras, que mais tarde aqui seriam traduzidas e publicadas.
As influências trazidas perduram nítidas e intensas nas obras e temáticas destes filósofos durante cerca de uma década, após o que cedem lugar a novas temáticas e autores. Entretanto, após todo esse período de influência mais direta, os novos interesses certamente são conseqüência, senão mesmo seqüência, das pesquisas e atividades anteriores e dificilmente decorreriam de uma conversão filosófica. Este fenômeno pode ser observado em pensadores de diversas correntes: a mudança de temáticas e interesses é uma forma sutil de continuar o mesmo projeto filosófico-existencial. Estas hipóteses poderiam ser verificadas através de entrevistas com os brasileiros que estudaram em Lovaina, bem como através do exame de suas publicações.
A influência da Escola de Lovaina perdura ainda hoje de modo mais difuso, na medida em que a repercussão provocada pela publicação das obras dos pensadores de Lovaina (Ladrière, Dopp e outros) e dos brasileiros por eles influenciados, bem como o ensino desenvolvido por estes, influenciou, em grau muito variado, um número muito grande de estudantes brasileiros que não tiveram contato direto com a Universidade de Lovaina.
Em sua primeira etapa, a influência da Escola de Lovaina permitiu estruturar no Brasil um neotomismo rigoroso, atualizado e mais estritamente filosófico, diferindo significativamente do neotomismo de conotações políticas e apologéticas desenvolvido pelos pensadores do Centro Dom Vital ou ainda do tomismo do século XIX, que se limitava a repetir S. Tomás.
O pensamento fenomenológico trazido pela Escola de Lovaina trouxe a muitos filósofos brasileiros a via que permitiu a ruptura com correntes tradicionalmente fortes no Brasil, como um positivismo difuso e persistente, um neotomismo que então parecia esgotar-se, bem como o cientificismo marxista, de enorme presença nas universidades brasileiras. Se por um lado estas influências de Lovaina reforçam a tradição predominantemente francófona dos filósofos brasileiros, por outro lado o rigor da meditação lovainiana ajuda-os a superar algumas características da meditação brasileira, herdadas da maneira como historicamente foram assimiladas as correntes anteriores: traços de diletantismo filoneísta, certa despreocupação com o rigor da meditação e destinação apologética ou política dos esforços filosóficos.
Por tais razões, a Escola de Lovaina representou, para o pensamento brasileiro do século XX, uma de suas mais marcantes influências.
A ESCOLA FILOSÓFICA DE LOVAINA E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL
Paulo Moacir Godoy Pozzebon - Pontifícia Universidade Católica de Campinas
Busca-se compreender, neste trabalho, as diferentes etapas de desenvolvimento da Filosofia praticada na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e, principalmente de que maneiras e em que medida esta Filosofia influenciou os filósofos brasileiros, bem como quanto desta influência ainda perdura.
1- A primeira etapa da Escola de Lovaina – o predomínio tomista – e sua importância para o Brasil
Desde sua fundação, o Institut Supérieur de Philosophie da Université Catholique de Louvain tem manifestado vocação de centro filosófico de importância mundial. Fundado a partir de um curso de filosofia tomista que surgira em 1882, aos poucos, sob a liderança de Désiré Joseph Mercier (1851-1926), nele formou-se o grupo que seria conhecido como Escola de Lovaina. A trajetória desta conheceu duas etapas distintas.
A primeira etapa vai da fundação até os anos quarenta do século XX, período em que Lovaina afirmou-se como a principal escola filosófica neo-escolástica de linha tomista. Sua importância histórica reside no fato de ter sido o primeiro movimento organizado importante e influente no chamado Renascimento Tomista. Produziu uma revista que há décadas tem importância mundial, a Révue Philosophique de Louvain (anteriormente denominada Révue Néoscolastique de Philosphie), à qual se anexou o não menos importante Répertoire Bibliographique de la Philosophie. Dentre as publicações da escola, destacam-se os doze volumes do Cours de Philosophie, várias vezes reeditados, obra de Mercier, De Wulf, e De Nys, bem como, nos anos quarenta, o moderno curso de Filosofia escrito por De Rayemaeker, Van Steenberghen, F. Renoirte e I. Dopp.
A importância filosófica da Escola de Lovaina reside em seu programa (traçado já por Mercier), de valorização e defesa do pensamento filosófico da Escolástica, vivificado e completado pelas contribuições da ciência moderna. Para tanto, a Escola intentou formar pesquisadores que desenvolvessem a Filosofia e as ciências sem preocupações apologéticas, e confrontassem as teses neo-escolásticas com as aquisições das ciências modernas. Apesar da nítida preferência por S. Tomás de Aquino, o Instituto não se fechou a outras correntes de pesquisa. A produção dos filósofos de Lovaina apresentou muitas contribuições originais e alcançou grande repercussão nos meios filosóficos, especialmente os católicos.
Esta primeira etapa da Escola de Lovaina repercute no Brasil de modo pouco extenso, mas bastante intenso e de resultados duradouros. Inicia-se com D. Miguel Kruse (1864-1929), monge beneditino nascido na Alemanha, que chegou a São Paulo no ano de 1900. Já em 1901 desponta no cenário cultural brasileiro ao polemizar, através de jornais, com o pensador positivista Luís Pereira Barreto, a propósito da alegada inferioridade dos povos católicos.
Em 1907, D. Miguel Kruse torna-se abade do mosteiro paulista e, em 1908, visando combater o positivismo e o utilitarismo então disseminados , e após contatos com o Cardeal Mercier, funda a primeira faculdade de Filosofia do Brasil, então chamada Faculdade Livre de Filosofia e Letras de São Paulo, que foi mais tarde conhecida como “Faculdade de S. Bento”. Esta Faculdade, que foi reconhecida pelo governo brasileiro somente em 1940, agregou-se em 1911 à Universidade Católica de Lovaina, cuja orientação tomista seguia.
De Lovaina veio o primeiro professor de Filosofia desta Faculdade, Monsenhor Charles M. Hubert Sentroul (1876-1933), que nela lecionou de 1908 a 1917. Em São Paulo, Sentroul introduziu o tomismo renovado de Lovaina, marcado pela tentativa de desenvolver a filosofia de S. Tomás em harmonia com a ciência moderna, sem admitir deformação da Filosofia por interesses apologéticos. Exemplos desta postura estão presentes na aula inaugural de Sentroul em São Paulo:
No momento em que uma descoberta científica nova e segura pusesse em cheque uma tese filosófica partilhada por S. Tomás ou Aristóteles, nós abandonaríamos uma tal tese, sem sobra de pena. Na verdade uma só coisa importa, a verdade: “amicus Aristoteles, amicus Thomas, magis amica veritas... sola amica veritas” .
Adverte ainda, noutra passagem do mesmo texto:
Com que espírito devemos estudar, e quando for preciso, refutar os filósofos cuja doutrina não admitirmos? Com uma justiça serena e imparcial! Nada de servilismos para com nossos amigos, nada preconceitos com nossos adversários... Sim, encontram-se muitas vezes autores que têm sempre a palavra absurdo na boca ou no bico das penas, e aos quais se deve ensinar que Platão, Duns Scoto, Descartes, Hume, Kant, Comte, Lammenais, Darwin e tantos outros filósofos cujo sistema refutamos em bloco, têm no entretanto, de tempos em tempos, dito a verdade, e que estes pensadores, apesar de seus erros, não eram inteiramente ignorantes... Aplicar-nos-emos, portanto, estudando e refutando o erro, a ver de que lado está a verdade antes de demonstrar que é efetivamente absurdo .
Estudioso e crítico de Kant, sobre quem publicou uma tese premiada na Alemanha, Sentroul permanece na perspectiva metafísica, concebendo a Filosofia como “a ciência que completa a unidade do saber”, seja estabelecendo o valor do conhecimento, seja constituindo através da metafísica uma síntese superior do saber, seja ainda auxiliando com a metafísica às ciências particulares .
O mérito e a importância de Sentroul foram introduzir, no âmbito do pensamento católico brasileiro, os estudos sistemáticos de Filosofia pura, o que, sem dúvida, representava progresso num ambiente em que a Filosofia era em geral estudada como auxiliar de outras disciplinas e freqüentemente brandida como argumento político.
Entretanto, foi breve a permanência de Sentroul no Brasil. A propósito da guerra de 1914, em que a Alemanha violou a neutralidade da Bélgica e incendiou a biblioteca secular da Universidade de Lovaina, desentenderam-se crescentemente Monsenhor Sentroul e os monges de origem alemã do Mosteiro de S. Bento, até que, em 1917, retornou o filósofo à Bélgica e fechou-se a Faculdade .
Cinco anos depois, esta foi reaberta com a chegada do professor belga Leonardo van Acker (1896-1986), doutor em Filosofia e Letras por Lovaina, portador do que aqui se chamou “espírito de Lovaina”, isto é, um neotomismo que pretende renovar-se crescendo a partir de seus princípios interiores, dialogando com o pensamento moderno e contemporâneo e enriquecendo-se com o que ele tem de valioso e original. Nas palavras do próprio van Acker, o seu “tomismo aberto” pretende “repensar a Filosofia Aristotélico-tomista em contato com a Filosofia e a Ciência vigentes no ambiente” . O tomismo é concebido como uma corrente filosófica entre outras, mas detentor de “uma parte valiosa e resistente da ‘philosophia perennis’”, dotado de “um poder de síntese e de adaptação muito peculiares, que lhe possibilitam um reconhecimento e, até certo ponto, uma transposição, para sua própria perspectiva, dessas verdades [trazidas por outras correntes] [...]” . Por isso, afirma que “[...] longe de estar definitivamente ‘superado’ ou desvalorizado, o Tomismo encontra, atualmente, as mais inesperadas confirmações, que lhe fornecem as melhores garantias de que ele pode colaborar, positivamente, para o progresso da Filosofia Contemporânea” . O professor van Acker lecionou mais tarde na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e exerceu longa atividade filosófica nessa cidade, até falecer em 1986.
Um terceiro nome em cuja obra precisa ser avaliada a influência da filosofia de Lovaina é o professor Alexandre Correia (1891-1984), de menção obrigatória no que toca ao tomismo e às universidades paulistas. Alexandre Correia integrou a primeira turma da Faculdade de São Bento, nesta formando-se em Filosofia. Posteriormente doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina e em Direito pela Universidade de São Paulo, onde lecionou. Dentre suas obras destaca-se a tradução da Suma Teológica de São Tomás. Em seus trabalhos combatia o positivismo e o kantismo, procurando defender a possibilidade de um discurso metafísico de valor objetivo, fundamento necessário para o discurso ético-político de bases sólidas .
Carlos Lopes de Mattos (1910-1993) deve também ser lembrado como neotomista influenciado pela filosofia de Lovaina. Tendo pertencido por algum tempo à ordem beneditina, estudou Filosofia no Mosteiro de São Bento em São Paulo, doutorando-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina, no ano de 1940. Lecionou na Faculdade de São Bento, cuja revista dirigiu. Publicou numerosos trabalhos, dentre os quais se destacam os que abordam o pensamento de Farias Brito.
Em 1945, a Faculdade de São Bento foi agregada à Universidade Católica que se organizava em São Paulo. Na PUC-São Paulo marcaram importante presença os já mencionados Leonardo van Acker, Alexandre Correia (primeiro diretor da Faculdade Paulista de Direito) e os também lovainianos: a religiosa Laura Fraga de Almeida Sampaio (1926-), que doutorou-se em Lovaina com uma tese sobre Jacques Maritain, e o padre secular belga Michel Schooyans (1930-).
Doutor em Filosofia e Letras e bacharel em Letras Românicas pela Universidade de Lovaina, Michel Schooyans lecionou na PUC-São Paulo e publicou diversas obras de relevo – deve-se destacar especialmente seu famoso artigo Tarefas e vocação da Filosofia no Brasil, publicado pela Revista Brasileira de Filosofia em 1961. Schooyans repensa o tomismo numa linha historicista, procurando valorizar o contexto histórico e cultural em que é praticado e do qual chega mesmo a depender. Nos anos sessenta, Schooyans encaminhou numerosos estudantes brasileiros à Universidade de Lovaina.
2 A segunda etapa da Escola de Lovaina – predomínio fenomenológico – e sua influência no Brasil
Deve-se considerar também uma segunda etapa de desenvolvimento da Escola de Lovaina, cujos desdobramentos também se fizeram sentir no Brasil. Esta etapa, a partir dos anos cinqüenta, é marcada pelo florescimento e predomínio da corrente fenomenológica, em substituição ao anterior predomínio do neotomismo. A principal razão desta mudança foi a constituição do Arquivo Husserl na Universidade de Lovaina, obra do padre belga Hermann van Breda que, durante a Segunda Guerra Mundial, com grande esforço, retirara da Alemanha cerca de 45 mil páginas estenografadas de escritos inéditos do filósofo alemão Edmund Husserl. Deste material extraíram-se vários livros inéditos, como o conhecido A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental, publicado em 1950, mas escrito em 1935-1936 .
Lovaina tornou-se assim um dos principais centros mundial de filosofia fenomenológica; lá trabalharam filósofos importantes como Jean Ladrière; estudantes de todas as partes do mundo obtiveram lá sua formação filosófica. Outrora centro difusor do neotomismo, Lovaina tornou-se, apesar da constante abertura a outras correntes, centro difusor do pensamento fenomenológico e sua influência crescente se espalhou por muitos países.
Esta segunda etapa da Escola de Lovaina influenciou o pensamento brasileiro, nos anos sessenta, por meio de estudantes brasileiros que para lá se dirigiram a fim de realizar parte ou mesmo a totalidade de sua formação filosófica. Retornando ao Brasil, estes neofilósofos passaram a atuar em diversas universidades, tanto no magistério quanto na pesquisa, difundindo o pensamento fenomenológico nas diferentes áreas filosóficas e mesmo fora da Filosofia. Representaram também importante influência no envio de novos estudantes a Lovaina. Paralelamente ao prestígio de Lovaina e da fenomenologia, não devem ser descartadas, como razões para o envio de estudantes brasileiros a Lovaina, a formação de quadros para a Ação Católica e mesmo o resguardo da repressão política do regime militar brasileiro.
Foi este o impulso mais extenso que teve no Brasil a corrente fenomenológica, mesmo se comparado ao dos brasileiros que estudaram na França ou na Alemanha. Note-se que esta influência teve o efeito de contrabalançar a presença, tanto do decadente neotomismo, quanto do marxismo, então amplamente difundidos nas universidades brasileiras. Nas áreas científicas, este impulso da fenomenologia ajudou a atenuar a preponderância de um positivismo tecnocrático, então incentivado pelas políticas governamentais.
Os nomes mais destacados dentre os brasileiros que estudaram em Lovaina são: Alvino Moser, Antonio Joaquim Severino, Antonio Muniz de Rezende, Carmen Da Poian, Creusa Capalbo, Geraldo Tonaco, João Carlos Nogueira, José de Anchieta Correia, Newton Aquiles Von Zuben, Olinto Pegoraro, Salma Tannus Muchail, Tema Donzelle, Teresa Aulus Pompéia Cavalcante, Tiago Adão Lara, Ubiratan Borges de Macedo e Zeljko Loparic.
Com o passar de uma ou duas décadas, diminuiu sensivelmente o número de estudantes brasileiros que se dirigiam a Lovaina para completar seus estudos filosóficos. Mesmo alguns dos pensadores lá formados já se distanciaram da fenomenologia e das temáticas que haviam assumido por influência de Lovaina. Alguns deles direcionaram-se para o campo da Psicanálise. Resta ainda investigar sistematicamente em que medida perdura hoje a influência fenomenológica entusiasticamente trazida ao Brasil e, principalmente, quais foram os resultados dessa influência na construção do pensamento filosófico brasileiro.
3 Conclusões
O que aqui se pode fazer é apenas esboçar algumas conclusões, ressalvando seu caráter ainda hipotético.
Os filósofos brasileiros que estudaram em Lovaina foram, em geral, influenciados pela filosofia fenomenológica então lá predominante. Da fenomenologia lá praticada, trouxeram ao Brasil o método, temáticas, o espírito do pluralismo filosófico, interesses e preferências por certos autores então pouco conhecidos no Brasil, e mesmo obras, que mais tarde aqui seriam traduzidas e publicadas.
As influências trazidas perduram nítidas e intensas nas obras e temáticas destes filósofos durante cerca de uma década, após o que cedem lugar a novas temáticas e autores. Entretanto, após todo esse período de influência mais direta, os novos interesses certamente são conseqüência, senão mesmo seqüência, das pesquisas e atividades anteriores e dificilmente decorreriam de uma conversão filosófica. Este fenômeno pode ser observado em pensadores de diversas correntes: a mudança de temáticas e interesses é uma forma sutil de continuar o mesmo projeto filosófico-existencial. Estas hipóteses poderiam ser verificadas através de entrevistas com os brasileiros que estudaram em Lovaina, bem como através do exame de suas publicações.
A influência da Escola de Lovaina perdura ainda hoje de modo mais difuso, na medida em que a repercussão provocada pela publicação das obras dos pensadores de Lovaina (Ladrière, Dopp e outros) e dos brasileiros por eles influenciados, bem como o ensino desenvolvido por estes, influenciou, em grau muito variado, um número muito grande de estudantes brasileiros que não tiveram contato direto com a Universidade de Lovaina.
Em sua primeira etapa, a influência da Escola de Lovaina permitiu estruturar no Brasil um neotomismo rigoroso, atualizado e mais estritamente filosófico, diferindo significativamente do neotomismo de conotações políticas e apologéticas desenvolvido pelos pensadores do Centro Dom Vital ou ainda do tomismo do século XIX, que se limitava a repetir S. Tomás.
O pensamento fenomenológico trazido pela Escola de Lovaina trouxe a muitos filósofos brasileiros a via que permitiu a ruptura com correntes tradicionalmente fortes no Brasil, como um positivismo difuso e persistente, um neotomismo que então parecia esgotar-se, bem como o cientificismo marxista, de enorme presença nas universidades brasileiras. Se por um lado estas influências de Lovaina reforçam a tradição predominantemente francófona dos filósofos brasileiros, por outro lado o rigor da meditação lovainiana ajuda-os a superar algumas características da meditação brasileira, herdadas da maneira como historicamente foram assimiladas as correntes anteriores: traços de diletantismo filoneísta, certa despreocupação com o rigor da meditação e destinação apologética ou política dos esforços filosóficos.
Por tais razões, a Escola de Lovaina representou, para o pensamento brasileiro do século XX, uma de suas mais marcantes influências.
O negócio das culturas e o ócio do essencial: o olhar do eremita
"O olhar do eremita tolda-se, recolhe-se mais ainda, a evitar todo este ruído que por fala é tomado. Sim, que a arte hoje vende bem, por isso se pode ser tolerante; a filosofia, nem tanto, donde estar em declínio de valor; as religiões constituem um grande investimento, qual nova expressão do capitalismo do século XXI; e a "exploração do homem pelo homem" é cientificamente desenvolvida em utilidades técnicas e robóticas que quase escravizam o homem com tanta cedência ao bem-estar... Culturas, pois, de interesses e de negócios bem periféricos àquele único ócio do essencial que converte o olhar do eremita ao lugar humilde de um silencioso e transfigurante acolhimento"
- Carlos Silva, "Vocação eremítica e diálogo intercultural - do único e sua diferenciação", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), p.47.
arevistaentre.blogspot.com
- Carlos Silva, "Vocação eremítica e diálogo intercultural - do único e sua diferenciação", Cultura ENTRE Culturas, nº1 (Lisboa, 2010), p.47.
arevistaentre.blogspot.com
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Do patriotismo como hábito de preferir o habitual ao estranho

"Sob análise estética verificamos que o habitual é vivenciado como "bonito". esta é a base do patriotismo: a pátria é mais bonita que qualquer outra situação, precisamente porque a sua estrutura fundante passa despercebida. Toda a irrupção que destrua o hábito, toda a "novidade radical", é vivenciada como "feia", horrível. Esta é a base da xenofobia: o estranho é horrível e deve resistir-se a ele"
- Vilém Flusser, in "Da migração dos povos", inédito publicado em Cultura ENTRE Culturas, nº1.
Colóquio Internacional "Do Diabólico ao Simbólico: a filosofia de Vilém Flusser", Anfiteatro IV da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 3 e 4 de Maio.
Um singular pensador checo, que escreveu algumas das suas obras maiores em português do Brasil. Consultem o programa e excertos no blog. A revista Cultura ENTRE Culturas publica um inédito seu e vai ser de novo apresentada no final do Colóquio, no dia 4, pelas 17.30.
vilem-flusser.blogspot.com
terça-feira, 27 de abril de 2010
O SUL - Jornal Cultural e de Debates n.º3 Mês de Abril.
O Sul trata-se de um periódico cultural, de periodicidade mensal, que tem distribuição gratuita na região de Setúbal, Azeitão, Sesimbra, Quinta do Conde, Pinhal Novo, Palmela e Almada, tendo uma tiragem de 10 000 exemplares.
Para além de ter como objectivo homenagear este secular jornal, O Sul pretende igualmente espelhar um compromisso, certamente não geográfico, mas assumidamente metafórico. O que pretendemos materializar é O Sul convenientemente perspectivado; o da partida, o da diáspora, o do rasgar de outros mares, na procura de novos pensamentos e paradigmas. Tal é claro no nome das secções estipuladas, que imanam o cheiro da maresia, da ousadia e do compromisso intelectual, empenhado no desenvolvimento dos direitos sociais e culturais dos seres humanos.
Fazemos notar a Vs. Ex.cias que este jornal é promovido por uma ONG sem fins lucrativos, que tem como objectivos o combate ao analfabetismo e à iliteracia, pelo que todas as colaborações estão abrangidas pelo art. 3.º do Estatuto de Mecenato consagrado na lei 74/99 de 16 de Março.
O SUL começa a enraizar-se junto das populações da península de Setúbal tem sido um fenómeno social.
É um jornal de pessoas para outras pessoas, patrocinado ainda por outras pessoas. Colabora!
O lançamento do número 4 em papel está marcado para a primeira quinzena de Maio de 2010 mas, já está online em www.jornalosul.com.
Para além de ter como objectivo homenagear este secular jornal, O Sul pretende igualmente espelhar um compromisso, certamente não geográfico, mas assumidamente metafórico. O que pretendemos materializar é O Sul convenientemente perspectivado; o da partida, o da diáspora, o do rasgar de outros mares, na procura de novos pensamentos e paradigmas. Tal é claro no nome das secções estipuladas, que imanam o cheiro da maresia, da ousadia e do compromisso intelectual, empenhado no desenvolvimento dos direitos sociais e culturais dos seres humanos.
Fazemos notar a Vs. Ex.cias que este jornal é promovido por uma ONG sem fins lucrativos, que tem como objectivos o combate ao analfabetismo e à iliteracia, pelo que todas as colaborações estão abrangidas pelo art. 3.º do Estatuto de Mecenato consagrado na lei 74/99 de 16 de Março.
O SUL começa a enraizar-se junto das populações da península de Setúbal tem sido um fenómeno social.
É um jornal de pessoas para outras pessoas, patrocinado ainda por outras pessoas. Colabora!
O lançamento do número 4 em papel está marcado para a primeira quinzena de Maio de 2010 mas, já está online em www.jornalosul.com.
30 de Maio
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Amanhã, no ISCTE (Lisboa)
.
Seminário Preparatório do IV Festlatino -
Lisboa – Portugal.
“A Língua Portuguesa no século XXI: Desafios e Oportunidades”
Data: - Terça-feira -27 de Abril de 2010
Local: Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE
Auditório B - 203
Av.ª das Forças Armadas - Cidade Universitária de
Lisboa. Telefone: +351 21-79-03-000 /- 3034
Programação:
27/abril - Manhã:
9:30. – Mesa da Cerimônia de Abertura
Dra. Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas –
Ministra da Cultura de Portugal
Engº. Domingos Simões Pereira - Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP. (*)
José Marcos Barrica, embaixador de Angola em Portugal
Celso Marcos Vieira de Souza, embaixador do Brasil em Portugal
Luís Reto, Reitor do Instituto Universitário de Lisboa ISCTE (*)
Eliane Zugaib, Diretora do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil
Simonetta Luz Afonso, Presidente Assembléia Legislativa de Lisboa
Ana Paula Laborinho - Presidente do Instituto Camões (*)
Silvana Lumachi Meirelles – Secretária de Articulação
Institucional Ministério da Cultura do Brasil. (*)
Humberto França, coordenador-geral do Movimento Festlatino
10h - Conferência de Abertura:
Eng° Domingos Simões Pereira - Secretário- executivo da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa – CPLP (*)
10h30 - Palestra: “Diplomacia Cultural”
Ministra Eliane Zugaib, Diretora do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil
11h “O Movimento Festlatino”, Humberto França, Coordenador-geral Movimento Festlatino.
11h30 Mesa Redonda - 1
Presidente:
Antonio Russo Dias - embaixador de Portugal na CPLP (*)
“O papel de Portugal e dos demais países membros da CPLP no esforço para ampliar a projeção internacional da Língua Portuguesa”
Dra. Joana Cardoso, diretora do GPEARI do Ministério da Cultura de Portugal. (*)
Debatedores:
Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados. (*)
Dra. Maria de Deus Manso, Investigadora do Núcleo de Investigação em Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidade de Évora (*)
12h15 Mesa-Redonda - 2
Presidente:
Dra. Alexandra Fernandes, (*)
Professora do Instituto Superior de Lisboa -ISCTE
“As co-produções no circuito dos países da CPLP. A Convenção da UNESCO relativa à Diversidade Cultural e a mobilidade internacional dos criadores no interior do espaço de língua portuguesa: desafios e oportunidades”
Patrícia Salvação Barreto, Profª. de Direito Internacional Cultural do ISCTE. (*)
Debatedores:
Paulo Teixeira Pinto, Presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL)
Silvestre Lacerda - Diretor dos Arquivos Nacionais – Torre do Tombo.
13h Intervalo / Almoço
Tarde:
14h30 “As estratégias de política cultural e o diálogo Brasil – países CPLP e do MERCOSUL”
Dra. Silvava Lumachi Meirelles (*)
Secretaria de Articulação de Institucional Ministério da Cultura do Brasil
15h Mesa Redonda - 3
Presidente: Arnaldo Andrade Ramos, embaixador de Cabo Verde em Portugal
“A produção literária em Língua Portuguesa África, Brasil, Portugal Circulação e na Rede Internet”
Dra. Fabíola de Abreu Afonso, (*) Diretora-geral da Direcção-geral do Livro e da Biblioteca
Debatedores:
Prof. Fernando Pinto do Amaral , poeta, escritor, Comissário Nacional do Plano Nacional de Leitura.(*)
José Eduardo Agualusa, escritor angolano (*)
15h45 Mesa Redonda - 4
Presidente: Miguel da Costa Mkaima, embaixador de Moçambique em Portugal
“A Língua Portuguesa: entre mar e amar – um passaporte para o futuro”
Jose José Manuel Esteves, professor da Cátedra Lindley Cintra do Instituto Camões / Universidade Paris Ouest Nanterre La Défense- Paris. (*)
Debatedores:
Luis Carlos Patraquim, escritor moçambicano (*)
Maria José Grosso, Departamento de cultura e Língua Portuguesa da Universidade de Lisboa (*)
Jacinto Rego de Almeida, escritor (*)
16h30 Mesa redonda - 5
Presidente: Alda Santos de Melo Santos, Assessora Político e Diplomático da CPLP (*)
“Língua e Literatura (Portuguesas): esplendor, fraquezas e forças”.
Isabel Pires de Lima – Professora Catedrática da Universidade do Porto, ex-ministra da Cultura da República Portuguesa. (*)
Debatedores: Prof. Dr.Vasco Graça Moura
Paula Morão Profª. Catedrática da Universidade de Lisboa
17h15 Presidente:
Luis Cláudio Villafañe
Missão do Brasil junto à CPLP
“A Galiza e o espaço lingüístico-cultural de expressão portuguesa”
Henrique Monteagudo, (*) Diretor do Consello da Cultura Galega, Galícia, Espanha
João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa (*)
Rui Rasquilho, do Instituto Histórico-Geográfico do Distrito Federal – Brasília. (*)
Seminário Preparatório do IV Festlatino -
Lisboa – Portugal.
“A Língua Portuguesa no século XXI: Desafios e Oportunidades”
Data: - Terça-feira -27 de Abril de 2010
Local: Instituto Universitário de Lisboa – ISCTE
Auditório B - 203
Av.ª das Forças Armadas - Cidade Universitária de
Lisboa. Telefone: +351 21-79-03-000 /- 3034
Programação:
27/abril - Manhã:
9:30. – Mesa da Cerimônia de Abertura
Dra. Maria Gabriela da Silveira Ferreira Canavilhas –
Ministra da Cultura de Portugal
Engº. Domingos Simões Pereira - Secretário Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - CPLP. (*)
José Marcos Barrica, embaixador de Angola em Portugal
Celso Marcos Vieira de Souza, embaixador do Brasil em Portugal
Luís Reto, Reitor do Instituto Universitário de Lisboa ISCTE (*)
Eliane Zugaib, Diretora do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil
Simonetta Luz Afonso, Presidente Assembléia Legislativa de Lisboa
Ana Paula Laborinho - Presidente do Instituto Camões (*)
Silvana Lumachi Meirelles – Secretária de Articulação
Institucional Ministério da Cultura do Brasil. (*)
Humberto França, coordenador-geral do Movimento Festlatino
10h - Conferência de Abertura:
Eng° Domingos Simões Pereira - Secretário- executivo da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa – CPLP (*)
10h30 - Palestra: “Diplomacia Cultural”
Ministra Eliane Zugaib, Diretora do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores do Brasil
11h “O Movimento Festlatino”, Humberto França, Coordenador-geral Movimento Festlatino.
11h30 Mesa Redonda - 1
Presidente:
Antonio Russo Dias - embaixador de Portugal na CPLP (*)
“O papel de Portugal e dos demais países membros da CPLP no esforço para ampliar a projeção internacional da Língua Portuguesa”
Dra. Joana Cardoso, diretora do GPEARI do Ministério da Cultura de Portugal. (*)
Debatedores:
Amândio Silva, Presidente da Associação Mares Navegados. (*)
Dra. Maria de Deus Manso, Investigadora do Núcleo de Investigação em Ciências Políticas e Relações Internacionais da Universidade de Évora (*)
12h15 Mesa-Redonda - 2
Presidente:
Dra. Alexandra Fernandes, (*)
Professora do Instituto Superior de Lisboa -ISCTE
“As co-produções no circuito dos países da CPLP. A Convenção da UNESCO relativa à Diversidade Cultural e a mobilidade internacional dos criadores no interior do espaço de língua portuguesa: desafios e oportunidades”
Patrícia Salvação Barreto, Profª. de Direito Internacional Cultural do ISCTE. (*)
Debatedores:
Paulo Teixeira Pinto, Presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL)
Silvestre Lacerda - Diretor dos Arquivos Nacionais – Torre do Tombo.
13h Intervalo / Almoço
Tarde:
14h30 “As estratégias de política cultural e o diálogo Brasil – países CPLP e do MERCOSUL”
Dra. Silvava Lumachi Meirelles (*)
Secretaria de Articulação de Institucional Ministério da Cultura do Brasil
15h Mesa Redonda - 3
Presidente: Arnaldo Andrade Ramos, embaixador de Cabo Verde em Portugal
“A produção literária em Língua Portuguesa África, Brasil, Portugal Circulação e na Rede Internet”
Dra. Fabíola de Abreu Afonso, (*) Diretora-geral da Direcção-geral do Livro e da Biblioteca
Debatedores:
Prof. Fernando Pinto do Amaral , poeta, escritor, Comissário Nacional do Plano Nacional de Leitura.(*)
José Eduardo Agualusa, escritor angolano (*)
15h45 Mesa Redonda - 4
Presidente: Miguel da Costa Mkaima, embaixador de Moçambique em Portugal
“A Língua Portuguesa: entre mar e amar – um passaporte para o futuro”
Jose José Manuel Esteves, professor da Cátedra Lindley Cintra do Instituto Camões / Universidade Paris Ouest Nanterre La Défense- Paris. (*)
Debatedores:
Luis Carlos Patraquim, escritor moçambicano (*)
Maria José Grosso, Departamento de cultura e Língua Portuguesa da Universidade de Lisboa (*)
Jacinto Rego de Almeida, escritor (*)
16h30 Mesa redonda - 5
Presidente: Alda Santos de Melo Santos, Assessora Político e Diplomático da CPLP (*)
“Língua e Literatura (Portuguesas): esplendor, fraquezas e forças”.
Isabel Pires de Lima – Professora Catedrática da Universidade do Porto, ex-ministra da Cultura da República Portuguesa. (*)
Debatedores: Prof. Dr.Vasco Graça Moura
Paula Morão Profª. Catedrática da Universidade de Lisboa
17h15 Presidente:
Luis Cláudio Villafañe
Missão do Brasil junto à CPLP
“A Galiza e o espaço lingüístico-cultural de expressão portuguesa”
Henrique Monteagudo, (*) Diretor do Consello da Cultura Galega, Galícia, Espanha
João Malaca Casteleiro, da Academia das Ciências de Lisboa (*)
Rui Rasquilho, do Instituto Histórico-Geográfico do Distrito Federal – Brasília. (*)
Lançamento do número 1 da revista Cultura ENTRE Culturas e de Uma Visão Armilar do Mundo - 3ª, 27, Largo do Alecrim, 70


Car@s Amig@s
Convido-vos para o lançamento do número 1 da revista Cultura ENTRE Culturas, por Frei Bento Domingues e Miguel Real, em conjunto com a apresentação do meu último livro Uma Visão Armilar do Mundo, por Paulo Teixeira Pinto. O Dr. Fernando Nobre associa-se ao evento, falando sobre o diálogo intercultural.
O acontecimento tem lugar no IADE Chiado Center - Rua do Alecrim, 70, na 3ª feira, 27, pelas 18.30
A revista Cultura ENTRE Culturas é uma revista internacional e intercultural por mim dirigida que publica ensaio, poesia e fotografia. A direcção artística é de Luiz Reys e a edição da Âncora Editora.
Comissão de Honra: François Jullien, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, Raimon Pannikar, Matthieu Ricard e Agostinho da Silva (In Memoriam).
Publica neste número inéditos de Vilém Flusser, François Jullien, Hans Küng, Jean-Yves Leloup, Raimon Pannikar e Agostinho da Silva.
Ensaios e textos de Paulo Borges, Maria Sarmento, Paulo Feitais, Rui Lopo, Ricardo Ventura, Carlos Silva, Isabel Santiago, Amon Pinho, Miguel Real, Romana Valente Pinho e Inês Borges.
Poesia de Francisco Soares, Duarte Braga, Rui Fernandes, Luiza Dunas, Dirk Hennrich (aforismos), Francisco Soares e Donis de Frol Guilhade.
Fotografia de Beat Presser, Ilda Castro, Rui Fernandes, Francisco Soares e Adama.
O próximo número (Outubro de 2010) será dedicado a Fernando Pessoa e ao Diálogo Ocidente-Oriente, por ocasião dos 500 anos da chegada dos portugueses a Goa.
Propósitos:
1. Contribuir para o desenvolvimento de uma consciência-experiência integrais, multidimensionais, inter e trans-disciplinares do real e do que possa haver além-aquém do que como tal se designa, enriquecendo criativamente a vida e a existência mediante a compreensiva realização das suas supremas possibilidades.
2. Explorar antigas e novas possibilidades espirituais, mentais, éticas, artísticas, científicas, educativas, ecológicas, comunicacionais, sociais, políticas e económicas, alternativas à crise e declínio do paradigma civilizacional ainda dominante e que obedeçam ao soberano critério do melhor possível para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos.
3. Promover o conhecimento e diálogo entre culturas, civilizações, religiões e espiritualidades, bem como entre estas, o ateísmo e o agnosticismo, no espírito da mais ampla imparcialidade e
universalismo.
4. Contribuir para a harmonia e a não-violência na relação do homem consigo, com a natureza e com todos os seres sencientes, capazes de sentir dor, prazer e emoções.
5. Despertar e orientar para estes fins a cultura e a sociedade portuguesas, bem como a comunidade lusófona, valorizando e promovendo as tendências que nelas mais apontem neste sentido
....
Será para mim uma honra a vossa presença.
Saudações
Paulo Borges
domingo, 25 de abril de 2010
sábado, 24 de abril de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 24 de Abril...

Ontem, a NOVA ÁGUIA foi a mais uma escola – desta vez, à Escola Damião de Góis, em Lisboa (mais exactamente, em Marvila). Perante uma plateia constituída sobretudo por jovens, com mais alguns professores da casa – entre os quais, Nuno Ferrão, colaborador neste último número da Revista, com o texto “LEONARDO COIMBRA, A REVISTA A ÁGUIA E O PANORAMA CULTURAL CONTEMPORÂNEO” – apresentámos, uma vez mais, este projecto, num ambiente festivo, já que se celebrava o Dia da Escola…
(Nuno Ferrão, abrindo o 179º lançamento da NOVA ÁGUIA)
"PARE, ESCUTE, OLHE"
.
O documentário estreou nos cinemas a 8 de Abril e cerca de três mil espectadores viram o filme nos cinemas Lusomundo Amoreiras, Parque Nascente, Cinema City Alvalade, e nas exibições descentralizadas em Torres Novas, Vila Real, Mirandela, Guarda, Faro, Tavira, Castelo Branco e Redondo.
Após visionarem o documentário, são muitos os e-mails a questionar o que podem fazer, como podem intervir para a defesa do património do vale do Tua. Por esse motivo, em conjunto com a QUERCUS, MOVIMENTO CÍVICO PELA LINHA DO TUA, GEOTAS, COAGRET, e outros movimentos sociais, foi lançado um manifesto online pela preservação do vale do Tua (http://www.peticao.com.pt/vale-do-tua) e um “Apelo aos deputados”. Já foram enviadas mais de duzentas cartas.
Assim, todos aqueles que vêm o documentário e se sentem indignados ou revoltados podem escrever aos deputados – representantes do povo – e manifestar o seu sentimento através do site:
www.pareescuteolhe.com
ou http://www.earth-condominium.com/cartabarragens/
TRAILER SITE TEASER AMANHECER TEASER BARRAGENS www.pareescuteolhe.com
SINOPSE
Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.
Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhas ferroviárias da Europa.
PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.
FICHA TÉCNICA
Direcção Fotografia, Edição e Realização Jorge Pelicano Assistente Realização Rosa Teixeira Da Silva Pesquisa e Desenvolvimento Jorge Pelicano Rosa Teixeira Da Silva Música Original Manuel Faria, Frankie Chavez, Francisco Faria Produção Costa do Castelo Filmes Produtor Paulo Trancoso Captação de Ambientes Filipe Tavares, Joaquim Pinto Mistura e Edição de Som João Ganho Arquivo Ferroviário Joaquim Mendes, Bob Docherty, Fernando Nunes, Marco Prata
Co-Produção Sic Televisão Apoio Financeiro Fica
O documentário estreou nos cinemas a 8 de Abril e cerca de três mil espectadores viram o filme nos cinemas Lusomundo Amoreiras, Parque Nascente, Cinema City Alvalade, e nas exibições descentralizadas em Torres Novas, Vila Real, Mirandela, Guarda, Faro, Tavira, Castelo Branco e Redondo.
Após visionarem o documentário, são muitos os e-mails a questionar o que podem fazer, como podem intervir para a defesa do património do vale do Tua. Por esse motivo, em conjunto com a QUERCUS, MOVIMENTO CÍVICO PELA LINHA DO TUA, GEOTAS, COAGRET, e outros movimentos sociais, foi lançado um manifesto online pela preservação do vale do Tua (http://www.peticao.com.pt/vale-do-tua) e um “Apelo aos deputados”. Já foram enviadas mais de duzentas cartas.
Assim, todos aqueles que vêm o documentário e se sentem indignados ou revoltados podem escrever aos deputados – representantes do povo – e manifestar o seu sentimento através do site:
www.pareescuteolhe.com
ou http://www.earth-condominium.com/cartabarragens/
TRAILER SITE TEASER AMANHECER TEASER BARRAGENS www.pareescuteolhe.com
SINOPSE
Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.
Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhas ferroviárias da Europa.
PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.
FICHA TÉCNICA
Direcção Fotografia, Edição e Realização Jorge Pelicano Assistente Realização Rosa Teixeira Da Silva Pesquisa e Desenvolvimento Jorge Pelicano Rosa Teixeira Da Silva Música Original Manuel Faria, Frankie Chavez, Francisco Faria Produção Costa do Castelo Filmes Produtor Paulo Trancoso Captação de Ambientes Filipe Tavares, Joaquim Pinto Mistura e Edição de Som João Ganho Arquivo Ferroviário Joaquim Mendes, Bob Docherty, Fernando Nunes, Marco Prata
Co-Produção Sic Televisão Apoio Financeiro Fica
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Marcha contra a criação do Biotério da Azambuja - Hoje, 24 de Abril, 14.30 - Saldanha
A Fundação Champalimaud pretende construir um BIOTÉRIO COM 25 MIL JAULAS PARA PRODUÇÃO DE ANIMAIS, CUJA ÚNICA FINALIDADE É A EXPERIMENTAÇÃO (em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian e a Universidade de Lisboa e em terrenos cedidos pelo município da Azambuja, Portugal).
A concretizar-se, esta “fábrica” de produção de animais será uma das maiores da Europa, cujos fins comerciais envolvem dinheiros públicos e cujo objectivo é a exportação de animais para todo o mundo, inclusive para países onde não existe qualquer legislação de protecção animal.
Vai realizar-se a 2ª Marcha contra a construção do Biotério da Azambuja, organizada pela Plataforma de Objecção ao Biotério - http://www.pob.pt.vu/
A concentração inicia-se pelas 14h30 do próximo Sábado, dia 24 de Abril, no Saldanha, em frente à Fundação Champalimaud (Atrium Saldanha) de onde sairá a marcha até à Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa.
A tua presença é fundamental e INSUBSTITUÍVEL!
VAMOS FAZER DE PORTUGAL UM MODELO DE CIÊNCIA SÉRIA E RESPONSÁVEL!
A concretizar-se, esta “fábrica” de produção de animais será uma das maiores da Europa, cujos fins comerciais envolvem dinheiros públicos e cujo objectivo é a exportação de animais para todo o mundo, inclusive para países onde não existe qualquer legislação de protecção animal.
Vai realizar-se a 2ª Marcha contra a construção do Biotério da Azambuja, organizada pela Plataforma de Objecção ao Biotério - http://www.pob.pt.vu/
A concentração inicia-se pelas 14h30 do próximo Sábado, dia 24 de Abril, no Saldanha, em frente à Fundação Champalimaud (Atrium Saldanha) de onde sairá a marcha até à Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa.
A tua presença é fundamental e INSUBSTITUÍVEL!
VAMOS FAZER DE PORTUGAL UM MODELO DE CIÊNCIA SÉRIA E RESPONSÁVEL!
A Missão de Portugal no Mundo
"A Missão de Portugal no Mundo"
PROGRAMA PROVISÓRIO DO DIA 10 DE JUNHO
AUDITÓRIO DO MUSEU DA MÚSICA Alto dos Moinhos 10H :: 20H
CAMPANHA ATÉ DIA 20 DE MAIO - INSCRIÇÃO 35 EUROS!!!
9H – ACREDITAÇÃO
10H – ABERTURA E BOAS VINDAS AOS COLÓQUIOS 2010 – LUIS RESINA
10H30 – 11h20 - PAULO BORGES – “Uma visão armilar do mundo: a vocação universal de Portugal e da Lusofonia “
11h20 - 12h10 - FERNANDO ALBUQUERQUE - “A Fundação do Reino” “suas implicações no Ciclo 1917 – 2012”
12h10 – 13h00 – MARIA FLÁVIA DE MONSARAZ- “ Portugal Astrológico-O Mito e o Destino “
13H30 – 15H – ALMOÇO
15H – 15H50 - JOSÉ MANUEL ANES – “ Portugal e o Império do Espírito Santo “
15H50 – 16H40 – MIGUEL REAL - Europa de Hoje e o Portugal de Amanhã “
16H40 – 17H20 – LUIS RESINA – “ Os Grandes Ciclos da Alma Portuguesa “
17H20 – 17H50 – COFFEE BREAK
17H50 – 18H40 – MARCO RODRIGUES – “ Movimento Evolucionário, Frente Evolucionária, Aglutinação dos potenciais evolucionistas e revolucionários da Alma Portuguesa”
18H50 – 19H20 – QUESTÕES EM PLENÁRIO (resposta a perguntas postas por escrito ao longo do dia e sorteadas )
19H20 FECHO COM CONCERTO DO CORO RICERCARE EM HOMENAGEM A PORTUGAL
Este programa é provisório, poderá sofrer alterações.
CAMPANHA ATÉ DIA 20 DE MAIO - INCRIÇÃO 35 EUROS!!!
a enviar para o nib: 003601069910004607297 Ana Proença 962972776
mcunmani@gmail.com
O evento tem lugares limitados, agradecemos que façam a sua inscrição quanto antes.
Inscrições para o Colóquio do dia 10 de Junho com Ana Proença 962972776
Valor da inscrição: após 20 de Maio 45 euros
Agradeçemos que divulguem o evento pelos vossos amigos
Mais informações em Jornal Milénio e no facebook
PROGRAMA PROVISÓRIO DO DIA 10 DE JUNHO
AUDITÓRIO DO MUSEU DA MÚSICA Alto dos Moinhos 10H :: 20H
CAMPANHA ATÉ DIA 20 DE MAIO - INSCRIÇÃO 35 EUROS!!!
9H – ACREDITAÇÃO
10H – ABERTURA E BOAS VINDAS AOS COLÓQUIOS 2010 – LUIS RESINA
10H30 – 11h20 - PAULO BORGES – “Uma visão armilar do mundo: a vocação universal de Portugal e da Lusofonia “
11h20 - 12h10 - FERNANDO ALBUQUERQUE - “A Fundação do Reino” “suas implicações no Ciclo 1917 – 2012”
12h10 – 13h00 – MARIA FLÁVIA DE MONSARAZ- “ Portugal Astrológico-O Mito e o Destino “
13H30 – 15H – ALMOÇO
15H – 15H50 - JOSÉ MANUEL ANES – “ Portugal e o Império do Espírito Santo “
15H50 – 16H40 – MIGUEL REAL - Europa de Hoje e o Portugal de Amanhã “
16H40 – 17H20 – LUIS RESINA – “ Os Grandes Ciclos da Alma Portuguesa “
17H20 – 17H50 – COFFEE BREAK
17H50 – 18H40 – MARCO RODRIGUES – “ Movimento Evolucionário, Frente Evolucionária, Aglutinação dos potenciais evolucionistas e revolucionários da Alma Portuguesa”
18H50 – 19H20 – QUESTÕES EM PLENÁRIO (resposta a perguntas postas por escrito ao longo do dia e sorteadas )
19H20 FECHO COM CONCERTO DO CORO RICERCARE EM HOMENAGEM A PORTUGAL
Este programa é provisório, poderá sofrer alterações.
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mcunmani@gmail.com
O evento tem lugares limitados, agradecemos que façam a sua inscrição quanto antes.
Inscrições para o Colóquio do dia 10 de Junho com Ana Proença 962972776
Valor da inscrição: após 20 de Maio 45 euros
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Hoje, 179º lançamento da NOVA ÁGUIA
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23.04.10 - 10h00: Agrupamento de Escolas Damião de Góis (Marvila)
23.04.10 - 10h00: Agrupamento de Escolas Damião de Góis (Marvila)
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Governo discute medidas de combate à destruição de livros
.
Um projecto de iniciativa legislativa que terá como objectivo criar condições para o mercado editorial alterar a prática de destruição de livros que são retirados do mercado por terem esgotado o seu interesse comercial foi discutido hoje em Conselho de Ministros.
“Esta iniciativa reforçará o enquadramento legal de isenção de IVA para efeitos de doação de livros em excesso no mercado, permitindo uma utilização proveitosa desses livros, através do alargamento do universo de entidades que podem receber livros isentos de IVA, nomeadamente entidades culturais sem fins lucrativos, sem colocar em causa a dimensão económica de um sector em franco crescimento”, lê-se no comunicado do Ministério da Cultura.
Este ministério e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) acordaram a celebração de um protocolo, cujos termos estão a ser trabalhados entre as duas entidades, visando desonerar dos encargos inerentes aos direitos de autor as doações de livros em excesso que seriam destruídos.
Desta forma o ministério da Cultura “reafirma a convicção de que o Livro se assume como um instrumento essencial de integração cultural e de reforço no imprescindível combate à iliteracia, devendo ser visto como um motor de desenvolvimento pessoal e de desenvolvimento económico no quadro estratégico nacional”.
Se um editor, em vez de destruir, quiser oferecer livros poderá estar sujeito a pagar IVA por essas ofertas, tem explicado Miguel Freitas da Costa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). Isso é influenciado pelo preço de capa (se o valor for inferior a 50 euros está isento) e também em função do que representam as ofertas em relação à permilagem do volume de negócios da editora. Há também outra nuance, se essa oferta for feita ao Estado, por causa do Estatuto do Mecenato, também está isenta de IVA.
Além disso, existem ainda encargos com o armazenamento dos livros. O grupo Leya já fez saber que o custo de armazenamento de um exemplar é de aproximadamente 15 cêntimos por ano.
Quando foi divulgada a dimensão da destruição de livros, a ministra da Cultura considerou a prática como um “massacre” embora saiba que esta é “regular e generalizada”. E adiantou, na altura, que o seu ministério iria “fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a destruição de livros”, nomeadamente estabelecendo parcerias com transportadoras para fazer doações sem que isso represente um custo adicional para as editoras.
Fonte: Público
Para apoiar esta ideia, assine esta Petição:
http://www.gopetition.com/online/28707.html
Um projecto de iniciativa legislativa que terá como objectivo criar condições para o mercado editorial alterar a prática de destruição de livros que são retirados do mercado por terem esgotado o seu interesse comercial foi discutido hoje em Conselho de Ministros.
“Esta iniciativa reforçará o enquadramento legal de isenção de IVA para efeitos de doação de livros em excesso no mercado, permitindo uma utilização proveitosa desses livros, através do alargamento do universo de entidades que podem receber livros isentos de IVA, nomeadamente entidades culturais sem fins lucrativos, sem colocar em causa a dimensão económica de um sector em franco crescimento”, lê-se no comunicado do Ministério da Cultura.
Este ministério e a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) acordaram a celebração de um protocolo, cujos termos estão a ser trabalhados entre as duas entidades, visando desonerar dos encargos inerentes aos direitos de autor as doações de livros em excesso que seriam destruídos.
Desta forma o ministério da Cultura “reafirma a convicção de que o Livro se assume como um instrumento essencial de integração cultural e de reforço no imprescindível combate à iliteracia, devendo ser visto como um motor de desenvolvimento pessoal e de desenvolvimento económico no quadro estratégico nacional”.
Se um editor, em vez de destruir, quiser oferecer livros poderá estar sujeito a pagar IVA por essas ofertas, tem explicado Miguel Freitas da Costa, secretário-geral da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL). Isso é influenciado pelo preço de capa (se o valor for inferior a 50 euros está isento) e também em função do que representam as ofertas em relação à permilagem do volume de negócios da editora. Há também outra nuance, se essa oferta for feita ao Estado, por causa do Estatuto do Mecenato, também está isenta de IVA.
Além disso, existem ainda encargos com o armazenamento dos livros. O grupo Leya já fez saber que o custo de armazenamento de um exemplar é de aproximadamente 15 cêntimos por ano.
Quando foi divulgada a dimensão da destruição de livros, a ministra da Cultura considerou a prática como um “massacre” embora saiba que esta é “regular e generalizada”. E adiantou, na altura, que o seu ministério iria “fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar a destruição de livros”, nomeadamente estabelecendo parcerias com transportadoras para fazer doações sem que isso represente um custo adicional para as editoras.
Fonte: Público
Para apoiar esta ideia, assine esta Petição:
http://www.gopetition.com/online/28707.html
"Perda histórica de confiança" - Carta aberta de Han Küng aos bispos (H. Küng é membro da Comissão de Honra da revista Cultura ENTRE Culturas)
Perda histórica de confiança
Uma carta aberta de Hans Küng
Igrejas vazias – e agora ainda por cima um escândalo: Cinco anos após Bento XVI ter sido eleito Papa, a Igreja Católica vê-se a braços com a maior crise de confiança desde a Reforma.
Venerados bispos,
Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, e eu éramos em 1962-1965 os teólogos mais jovens do concílio. Agora somos os mais velhos e os únicos ainda em actividade. Entendi sempre o meu trabalho teológico como sendo também um serviço para a igreja. Assim, no quinto aniversário do pontificado do papa Bento XVI, escrevo-vos uma carta aberta, pois estou preocupado com a nossa igreja, que se debate com a crise de confiança mais profunda desde a Reforma. Não tenho outra maneira de chegar a vós.
Prezei muito o facto de Bento XVI me ter convidado para uma conversa de quatro horas, pouco depois da sua eleição, apesar de eu ser um crítico seu. A conversa foi amigável e deu-me esperança de que o meu antigo colega da Universidade de Tubinga encontrasse o caminho para o prosseguimento da renovação da igreja e do entendimento ecuménico, no espírito do Concílio Vaticano II.
Oportunidades perdidas
Infelizmente, as minhas esperanças, assim como as de tantos católicos e católicas empenhados, foram vãs e eu comuniquei isso ao papa Bento XVI em diversas cartas. Ele cumpriu sem dúvida conscienciosamente os seus deveres papais e até já nos deu três proveitosas encíclicas sobre a fé, a esperança e o amor.
Mas no que respeita aos grandes desafios do nosso tempo, o seu pontificado é cada vez mais caracterizado pelas oportunidades perdidas e não pelas ocasiões aproveitadas:
- Perdeu-se a oportunidade de aproximação com as igrejas evangélicas: não são entendidas como igrejas em toda a acepção da palavra, pelo que não é possível reconhecer os seus ministros e realizar celebrações conjuntas da eucaristia.
- Perdeu-se a oportunidade de diálogo com os judeus: o papa reintroduziu uma oração pré-conciliar pela iluminação dos judeus e abre as portas da igreja a bispos cismáticos notoriamente anti-semitas, beatificou Pio XII e entende o judaísmo somente como raiz histórica do cristianismo, e não como comunidade de fé existente com um caminho próprio de salvação. Irritação dos judeus em todo o mundo por causa da homília de 6ª Feira Santa do pregador da Casa Pontifícia, que comparou as críticas ao papa com ódio anti-semita.
- Perdeu-se a oportunidade de diálogo confiante com os muçulmanos: sintomático foi o discurso de Bento em Regensburgo, no qual, mal aconselhado, falou do Islão como uma religião da violência e da desumanidade, tendo provocado uma desconfiança duradoura entre os muçulmanos.
- Perdeu-se a oportunidade de reconciliação com os povos nativos colonizados da América Latina: o papa tem afirmado seriamente que eles “ansiavam” pela religião dos seus conquistadores.
Luta contra a SIDA
- Perdeu-se a oportunidade de ajudar os povos africanos: na luta contra a sobrepopulação através da aprovação de medidas de contracepção e na luta contra a SIDA através da autorização do uso do preservativo.
- Perdeu-se a oportunidade de selar a paz com a ciência moderna: através de um reconhecimento sem reservas da teoria da evolução e da aprovação diferenciada de novos campos da investigação, como a investigação sobre células estaminais.
- Perdeu-se a oportunidade de transformar finalmente o espírito do Concílio Vaticano II na bússola da Igreja Católica dentro do próprio Vaticano e de levar por diante as reformas nele preconizadas.
O último ponto, venerados bispos, é especialmente importante. Este papa tem vindo sempre a relativizar os textos do concílio e a interpretá-los contra o espírito dos pais do concílio, recuando em vez de avançar. Toma até uma posição expressa contra o concílio ecuménico que, segundo o direito canónico católico, constitui a autoridade máxima da igreja católica:
- Admitiu incondicionalmente na igreja bispos da tradicionalista Fraternidade Pio X, ilegalmente ordenados,à margem da igreja católica, que rejeitam o concílio nos seus pontos centrais.
- Promove com todos os meios a missa medieval segundo o rito tridentino e celebra ocasionalmente a eucaristia em latim de costas voltadas para o povo.
- Não cumpre o acordo delineado em documentos ecuménicos oficiais com a Igreja Anglicana (ARCIC), mas tenta atrair para a Igreja Católica Apostólica Romana religiosos anglicanos casados, libertando-os da obrigação do celibato.
- Fortaleceu globalmente as forças anticonciliares no interior da Igreja, através da nomeação para cargos de chefia (secretários de estado, congregação da liturgia, etc.) de pessoas com posições anticonciliares e bispos reaccionários.
Política de restauração falhada
O papa Bento XVI parece distanciar-se cada vez mais da grande maioria do povo católico, que se preocupa cada vez menos com Roma e, na melhor das hipóteses, se identifica apenas com a comunidade e o bispo local. Sei que muitos de vós também sofrem com isso: a política anticonciliar d o papa é inteiramente apoiada pela cúria romana. Esta procura sufocar as críticas no episcopado e na igreja, e desacreditar os críticos por todos os meios.
Através de uma renovada sumptuosidade barroca e de manifestações com impacto nos meios de comunicação social, Roma procura apresentar uma Igreja forte, com um “Vigário de Cristo” absolutista, que reúne nas suas mãos todo o poder legislativo, executivo e judicial.
No entanto, a política de restauração de Bento XVI fracassou. Todas as suas aparições, viagens e documentos não conseguiram alterar, no sentido da doutrina romana, as opiniões da maioria dos católicos acerca de questões controversas, principalmente em termos de moral sexual. E mesmo os encontros de juventude, frequentados sobretudo por agrupamentos carismáticos conservadores, não conseguiram travar o abandono da Igreja por parte de fiéis, nem despertar mais vocações para o sacerdócio.
Abandonados
Serão justamente os bispos quem mais profundamente lamentará este facto: desde o Concílio, dezenas de milhares de sacerdotes abandonaram o sacerdócio, sobretudo devido à lei do celibato obrigatório. A renovação não só de sacerdotes, mas também de congregações religiosas, freiras e irmãos laicos decaiu, tanto em quantidade como em qualidade. A resignação e a frustração alastram no seio do clero e entre os membros mais activos da igreja.
Muitos sentem-se abandonados nas suas necessidades e sofrem na Igreja. Em muitas das vossas dioceses deve acontecer isto: cada vez mais igrejas vazias, seminários vazios, residências paroquiais vazias. Nalguns países as comunidades católicas são fundidas, por falta de padres e frequentemente contra a sua vontade, em “unidades de assistência espiritual” gigantescas, nas quais os poucos padres disponíveis estão completamente sobrecarregados e que apenas servem para simular uma reforma da Igreja.
E eis que aos muitos factores de crise vêm ainda juntar-se escândalos que bradam aos céus: acima de tudo, o abuso de milhares de crianças e jovens por clérigos, nos Estados Unidos, na Irlanda, na Alemanha e noutros países - tudo isto ligado a uma crise de liderança e confiança sem precedentes.
Não ao silêncio
Não se pode calar o facto de que o sistema de encobrimento global de delitos sexuais de clérigos foi dirigido pela Congregação para a Doutrina da Fé do Cardeal Ratzinger (1981-2005), na qual, ainda no pontificado de João Paulo II, os casos foram compilados sob o mais estrito sigilo.
Ainda em Maio de 2001, Ratzinger enviou uma carta solene acerca dos delitos graves („Epistula de delictis gravioribus“) a todos os bispos. Nesse documento os casos de abuso eram colocados sob „Secretum Pontificium“, cuja violação pode implicar severas penas canónicas. É, pois, com justiça que muitos exigem do então prefeito e agora papa um „Mea culpa“ pessoal. Contudo, infelizmente este deixou passar a oportunidade de o fazer na Semana Santa. Em vez disso, fez atestar „urbi et orbi“ a sua inocência através do cardeal decano, no Domingo de Páscoa.
As consequências de todos estes escãndalos para o prestígio da Igreja Católica são devastadoras. Isto é confirmado também por titulares de altos cargos da Igreja. Inúmeros pastores e educadores irrepreensíveis e altamente empenhados são agora vítimas de uma suspeita generalizada.
É a vós, venerados bispos, que cabe perguntar como deve ser o futuro na nossa Igreja e nas vossas dioceses. Contudo, gostaria de vos esboçar um programa de reformas; é algo que fiz por várias vezes, antes e depois do Concílio.
Dêem uma perspectiva à nossa Igreja
Gostaria de fazer apenas seis sugestões, que é minha convicção serem comuns a milhões de católicos que não têm voz:
1. Não calar: O silêncio torna-vos cúmplices de tantos males graves. Muito pelo contrário, nos casos onde considerem determinadas leis, disposições e medidas como contraproducentes, devem dizê-lo publicamente. Não enviem declarações de submissão a Roma, mas sim reivindicações de reforma!
2. Ajudar as reformas: São muitos os que se queixam de Roma, na Igreja e no Episcopado, mas nada fazem. No entanto, quando, numa diocese ou paróquia, os serviços religiosos não são frequentados, a assistência espiritual é pobre, a abertura às necessidades do mundo é limitada, a colaboração ecuménica é mínima, então a culpa não pode ser assacada simplesmente a roma. Bispo, sacerdote ou leigo – cada um faça algo pela renovação da Igreja no âmbito maior ou menor da sua vida. Muitas coisas extraordinárias, tanto a nível paroquial como na totalidade da Igreja, começaram por iniciativas solitárias ou de pequenos grupos. Na vossa qualidade de bispos, há que apoiar e estimular essas iniciativas, e ir ao encontro das queixas fundamentadas dos fiéis, sobretudo agora.
3. Agir em colegialidade: O Concílio decretou, após um debate intenso e contra a oposição persistente da cúria, a colegialidade do papa e dos bispos , no sentido da história dos apóstolos, na qual Pedro não agia sem o colégio dos apóstolos. Mas, no período pós-conciliar, os papas e a cúria têm vindo a ignorar esta decisão conciliar central. Desde que o papa Paulo VI, apenas dois anos depois do Concílio, publicou uma encíclica em defesa da controversa lei do celibato, sem ter consultado o episcopado, o magistério e a política papais regressaram ao velho estilo não colegial. Até na liturgia o papa se apresenta como autocrata, perante o qual os bispos, de que ele gosta de se rodear, surgem como meros comparsas, sem direitos nem voz. Por isso, venerados bispos, há que agir não apenas individualmente, mas em comunidade com os outros bispos, os sacerdotes e o povo da Igreja, homens e mulheres.
A obediência é devida apenas a Deus
4. A obediência incondicional é devida apenas a Deus: Na sagração solene como bispos, todos fizeram um voto de obediência incondicional ao papa. Mas também todos sabem que a obediência incondicional nunca é devida a uma autoridade humana, mas apenas a Deus. Assim, o vosso voto não deve impedir-vos de dizer a verdade acerca da actual crise da Igreja, da vossa diocese ou do vosso país. Em absoluta conformidade com o exemplo do apóstolo Paulo, que „resistiu [a Pedro] frente a frente, porque merecia censura“ (Gal 2, 11)! Pressionar as autoridades romanas no espírito da fraternidade cristã pode ser legítimo, quando estas não correspondem ao espírito do Evagelho e à sua missão. A utilização das línguas nacionais na liturgia, a alteração das disposições relativas aos casamentos mistos, a aceitação da tolerância, da democracia, dos direitos humanos, do entendimento ecuménico e tantas outras coisas, apenas foram conseguidas graças a uma perseverante pressão vinda de baixo.
5. Procurar soluções regionais: O Vaticano mostra-se frequentemente surdo às reivindicações do episcopado, dos sacerdotes e dos leigos. Tanto mais necessária é, pois, a procura inteligente de soluções regionais. Um problema particularmente delicado, bem o sabeis, é a lei do celibato, oriunda da Idade Média, que está a ser justificadamente posta em causa no contexto dos escândalos de abusos sexuais. Uma alteração contra a vontade de roma parece quase impossível. No entanto, isso não significa que se esteja condenado à passividade: um sacerdote, que após madura reflexão pensa em casar, não teria de renunciar automaticamente ao seu cargo, se o bispo e a comunidade o apoiassem. As várias conferências episcopais poderiam avançar com soluções regionais. Mas o melhor seria procurar uma solução para toda a Igreja. Portanto:
6. Exigir um concílio: Tal como foi necessário um concílio ecuménico para alcançar a reforma litúrgica, a liberdade religiosa, o diálogo ecuménico e interreligioso, o mesmo acontece para a resolução dos problemas que agora eclodem de modo tão dramático. O Concílio de Constança, no século anterior à Reforma, determinou a convocação de um concílio a cada cinco anos, mas essa decisão tem sido ignorada pela cúria romana. Sem dúvida que esta também agora fará tudo para evitar um concílio do qual tem a recear uma limitação do seu poder. É responsabilidade de todos vós levar a cabo a realização de um concílio ou, pelo menos, de uma assembleia representativa do episcopado.
Enfrentar os problemas com sinceridade
É este, venerados bispos, o apelo que vos faço perante uma igreja em crise, pôr na balança o peso da vossa autoridade episcopal, revalorizada pelo Concílio. Nesta difícil situação, os olhos do mundo estão postos em vós. Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja Católica. Só uma abordagem aberta e séria dos problemas e a adopção das reformas indispensáveis pode ajudar a recuperar essa confiança. Peço-vos com todo o respeito, que cumpram a vossa parte, sempre que possível em colaboração com os outros bispos, mas em caso de necessidade também sozinhos, com „desassombro“ apostólico (Act 4, 29.31). Dêem sinais de esperança e coragem aos vossos fiéis e uma perspectiva à nossa Igreja.
Saúdo-vos na comunhão da fé cristã
Vosso
Hans Küng
Uma carta aberta de Hans Küng
Igrejas vazias – e agora ainda por cima um escândalo: Cinco anos após Bento XVI ter sido eleito Papa, a Igreja Católica vê-se a braços com a maior crise de confiança desde a Reforma.
Venerados bispos,
Joseph Ratzinger, agora Bento XVI, e eu éramos em 1962-1965 os teólogos mais jovens do concílio. Agora somos os mais velhos e os únicos ainda em actividade. Entendi sempre o meu trabalho teológico como sendo também um serviço para a igreja. Assim, no quinto aniversário do pontificado do papa Bento XVI, escrevo-vos uma carta aberta, pois estou preocupado com a nossa igreja, que se debate com a crise de confiança mais profunda desde a Reforma. Não tenho outra maneira de chegar a vós.
Prezei muito o facto de Bento XVI me ter convidado para uma conversa de quatro horas, pouco depois da sua eleição, apesar de eu ser um crítico seu. A conversa foi amigável e deu-me esperança de que o meu antigo colega da Universidade de Tubinga encontrasse o caminho para o prosseguimento da renovação da igreja e do entendimento ecuménico, no espírito do Concílio Vaticano II.
Oportunidades perdidas
Infelizmente, as minhas esperanças, assim como as de tantos católicos e católicas empenhados, foram vãs e eu comuniquei isso ao papa Bento XVI em diversas cartas. Ele cumpriu sem dúvida conscienciosamente os seus deveres papais e até já nos deu três proveitosas encíclicas sobre a fé, a esperança e o amor.
Mas no que respeita aos grandes desafios do nosso tempo, o seu pontificado é cada vez mais caracterizado pelas oportunidades perdidas e não pelas ocasiões aproveitadas:
- Perdeu-se a oportunidade de aproximação com as igrejas evangélicas: não são entendidas como igrejas em toda a acepção da palavra, pelo que não é possível reconhecer os seus ministros e realizar celebrações conjuntas da eucaristia.
- Perdeu-se a oportunidade de diálogo com os judeus: o papa reintroduziu uma oração pré-conciliar pela iluminação dos judeus e abre as portas da igreja a bispos cismáticos notoriamente anti-semitas, beatificou Pio XII e entende o judaísmo somente como raiz histórica do cristianismo, e não como comunidade de fé existente com um caminho próprio de salvação. Irritação dos judeus em todo o mundo por causa da homília de 6ª Feira Santa do pregador da Casa Pontifícia, que comparou as críticas ao papa com ódio anti-semita.
- Perdeu-se a oportunidade de diálogo confiante com os muçulmanos: sintomático foi o discurso de Bento em Regensburgo, no qual, mal aconselhado, falou do Islão como uma religião da violência e da desumanidade, tendo provocado uma desconfiança duradoura entre os muçulmanos.
- Perdeu-se a oportunidade de reconciliação com os povos nativos colonizados da América Latina: o papa tem afirmado seriamente que eles “ansiavam” pela religião dos seus conquistadores.
Luta contra a SIDA
- Perdeu-se a oportunidade de ajudar os povos africanos: na luta contra a sobrepopulação através da aprovação de medidas de contracepção e na luta contra a SIDA através da autorização do uso do preservativo.
- Perdeu-se a oportunidade de selar a paz com a ciência moderna: através de um reconhecimento sem reservas da teoria da evolução e da aprovação diferenciada de novos campos da investigação, como a investigação sobre células estaminais.
- Perdeu-se a oportunidade de transformar finalmente o espírito do Concílio Vaticano II na bússola da Igreja Católica dentro do próprio Vaticano e de levar por diante as reformas nele preconizadas.
O último ponto, venerados bispos, é especialmente importante. Este papa tem vindo sempre a relativizar os textos do concílio e a interpretá-los contra o espírito dos pais do concílio, recuando em vez de avançar. Toma até uma posição expressa contra o concílio ecuménico que, segundo o direito canónico católico, constitui a autoridade máxima da igreja católica:
- Admitiu incondicionalmente na igreja bispos da tradicionalista Fraternidade Pio X, ilegalmente ordenados,à margem da igreja católica, que rejeitam o concílio nos seus pontos centrais.
- Promove com todos os meios a missa medieval segundo o rito tridentino e celebra ocasionalmente a eucaristia em latim de costas voltadas para o povo.
- Não cumpre o acordo delineado em documentos ecuménicos oficiais com a Igreja Anglicana (ARCIC), mas tenta atrair para a Igreja Católica Apostólica Romana religiosos anglicanos casados, libertando-os da obrigação do celibato.
- Fortaleceu globalmente as forças anticonciliares no interior da Igreja, através da nomeação para cargos de chefia (secretários de estado, congregação da liturgia, etc.) de pessoas com posições anticonciliares e bispos reaccionários.
Política de restauração falhada
O papa Bento XVI parece distanciar-se cada vez mais da grande maioria do povo católico, que se preocupa cada vez menos com Roma e, na melhor das hipóteses, se identifica apenas com a comunidade e o bispo local. Sei que muitos de vós também sofrem com isso: a política anticonciliar d o papa é inteiramente apoiada pela cúria romana. Esta procura sufocar as críticas no episcopado e na igreja, e desacreditar os críticos por todos os meios.
Através de uma renovada sumptuosidade barroca e de manifestações com impacto nos meios de comunicação social, Roma procura apresentar uma Igreja forte, com um “Vigário de Cristo” absolutista, que reúne nas suas mãos todo o poder legislativo, executivo e judicial.
No entanto, a política de restauração de Bento XVI fracassou. Todas as suas aparições, viagens e documentos não conseguiram alterar, no sentido da doutrina romana, as opiniões da maioria dos católicos acerca de questões controversas, principalmente em termos de moral sexual. E mesmo os encontros de juventude, frequentados sobretudo por agrupamentos carismáticos conservadores, não conseguiram travar o abandono da Igreja por parte de fiéis, nem despertar mais vocações para o sacerdócio.
Abandonados
Serão justamente os bispos quem mais profundamente lamentará este facto: desde o Concílio, dezenas de milhares de sacerdotes abandonaram o sacerdócio, sobretudo devido à lei do celibato obrigatório. A renovação não só de sacerdotes, mas também de congregações religiosas, freiras e irmãos laicos decaiu, tanto em quantidade como em qualidade. A resignação e a frustração alastram no seio do clero e entre os membros mais activos da igreja.
Muitos sentem-se abandonados nas suas necessidades e sofrem na Igreja. Em muitas das vossas dioceses deve acontecer isto: cada vez mais igrejas vazias, seminários vazios, residências paroquiais vazias. Nalguns países as comunidades católicas são fundidas, por falta de padres e frequentemente contra a sua vontade, em “unidades de assistência espiritual” gigantescas, nas quais os poucos padres disponíveis estão completamente sobrecarregados e que apenas servem para simular uma reforma da Igreja.
E eis que aos muitos factores de crise vêm ainda juntar-se escândalos que bradam aos céus: acima de tudo, o abuso de milhares de crianças e jovens por clérigos, nos Estados Unidos, na Irlanda, na Alemanha e noutros países - tudo isto ligado a uma crise de liderança e confiança sem precedentes.
Não ao silêncio
Não se pode calar o facto de que o sistema de encobrimento global de delitos sexuais de clérigos foi dirigido pela Congregação para a Doutrina da Fé do Cardeal Ratzinger (1981-2005), na qual, ainda no pontificado de João Paulo II, os casos foram compilados sob o mais estrito sigilo.
Ainda em Maio de 2001, Ratzinger enviou uma carta solene acerca dos delitos graves („Epistula de delictis gravioribus“) a todos os bispos. Nesse documento os casos de abuso eram colocados sob „Secretum Pontificium“, cuja violação pode implicar severas penas canónicas. É, pois, com justiça que muitos exigem do então prefeito e agora papa um „Mea culpa“ pessoal. Contudo, infelizmente este deixou passar a oportunidade de o fazer na Semana Santa. Em vez disso, fez atestar „urbi et orbi“ a sua inocência através do cardeal decano, no Domingo de Páscoa.
As consequências de todos estes escãndalos para o prestígio da Igreja Católica são devastadoras. Isto é confirmado também por titulares de altos cargos da Igreja. Inúmeros pastores e educadores irrepreensíveis e altamente empenhados são agora vítimas de uma suspeita generalizada.
É a vós, venerados bispos, que cabe perguntar como deve ser o futuro na nossa Igreja e nas vossas dioceses. Contudo, gostaria de vos esboçar um programa de reformas; é algo que fiz por várias vezes, antes e depois do Concílio.
Dêem uma perspectiva à nossa Igreja
Gostaria de fazer apenas seis sugestões, que é minha convicção serem comuns a milhões de católicos que não têm voz:
1. Não calar: O silêncio torna-vos cúmplices de tantos males graves. Muito pelo contrário, nos casos onde considerem determinadas leis, disposições e medidas como contraproducentes, devem dizê-lo publicamente. Não enviem declarações de submissão a Roma, mas sim reivindicações de reforma!
2. Ajudar as reformas: São muitos os que se queixam de Roma, na Igreja e no Episcopado, mas nada fazem. No entanto, quando, numa diocese ou paróquia, os serviços religiosos não são frequentados, a assistência espiritual é pobre, a abertura às necessidades do mundo é limitada, a colaboração ecuménica é mínima, então a culpa não pode ser assacada simplesmente a roma. Bispo, sacerdote ou leigo – cada um faça algo pela renovação da Igreja no âmbito maior ou menor da sua vida. Muitas coisas extraordinárias, tanto a nível paroquial como na totalidade da Igreja, começaram por iniciativas solitárias ou de pequenos grupos. Na vossa qualidade de bispos, há que apoiar e estimular essas iniciativas, e ir ao encontro das queixas fundamentadas dos fiéis, sobretudo agora.
3. Agir em colegialidade: O Concílio decretou, após um debate intenso e contra a oposição persistente da cúria, a colegialidade do papa e dos bispos , no sentido da história dos apóstolos, na qual Pedro não agia sem o colégio dos apóstolos. Mas, no período pós-conciliar, os papas e a cúria têm vindo a ignorar esta decisão conciliar central. Desde que o papa Paulo VI, apenas dois anos depois do Concílio, publicou uma encíclica em defesa da controversa lei do celibato, sem ter consultado o episcopado, o magistério e a política papais regressaram ao velho estilo não colegial. Até na liturgia o papa se apresenta como autocrata, perante o qual os bispos, de que ele gosta de se rodear, surgem como meros comparsas, sem direitos nem voz. Por isso, venerados bispos, há que agir não apenas individualmente, mas em comunidade com os outros bispos, os sacerdotes e o povo da Igreja, homens e mulheres.
A obediência é devida apenas a Deus
4. A obediência incondicional é devida apenas a Deus: Na sagração solene como bispos, todos fizeram um voto de obediência incondicional ao papa. Mas também todos sabem que a obediência incondicional nunca é devida a uma autoridade humana, mas apenas a Deus. Assim, o vosso voto não deve impedir-vos de dizer a verdade acerca da actual crise da Igreja, da vossa diocese ou do vosso país. Em absoluta conformidade com o exemplo do apóstolo Paulo, que „resistiu [a Pedro] frente a frente, porque merecia censura“ (Gal 2, 11)! Pressionar as autoridades romanas no espírito da fraternidade cristã pode ser legítimo, quando estas não correspondem ao espírito do Evagelho e à sua missão. A utilização das línguas nacionais na liturgia, a alteração das disposições relativas aos casamentos mistos, a aceitação da tolerância, da democracia, dos direitos humanos, do entendimento ecuménico e tantas outras coisas, apenas foram conseguidas graças a uma perseverante pressão vinda de baixo.
5. Procurar soluções regionais: O Vaticano mostra-se frequentemente surdo às reivindicações do episcopado, dos sacerdotes e dos leigos. Tanto mais necessária é, pois, a procura inteligente de soluções regionais. Um problema particularmente delicado, bem o sabeis, é a lei do celibato, oriunda da Idade Média, que está a ser justificadamente posta em causa no contexto dos escândalos de abusos sexuais. Uma alteração contra a vontade de roma parece quase impossível. No entanto, isso não significa que se esteja condenado à passividade: um sacerdote, que após madura reflexão pensa em casar, não teria de renunciar automaticamente ao seu cargo, se o bispo e a comunidade o apoiassem. As várias conferências episcopais poderiam avançar com soluções regionais. Mas o melhor seria procurar uma solução para toda a Igreja. Portanto:
6. Exigir um concílio: Tal como foi necessário um concílio ecuménico para alcançar a reforma litúrgica, a liberdade religiosa, o diálogo ecuménico e interreligioso, o mesmo acontece para a resolução dos problemas que agora eclodem de modo tão dramático. O Concílio de Constança, no século anterior à Reforma, determinou a convocação de um concílio a cada cinco anos, mas essa decisão tem sido ignorada pela cúria romana. Sem dúvida que esta também agora fará tudo para evitar um concílio do qual tem a recear uma limitação do seu poder. É responsabilidade de todos vós levar a cabo a realização de um concílio ou, pelo menos, de uma assembleia representativa do episcopado.
Enfrentar os problemas com sinceridade
É este, venerados bispos, o apelo que vos faço perante uma igreja em crise, pôr na balança o peso da vossa autoridade episcopal, revalorizada pelo Concílio. Nesta difícil situação, os olhos do mundo estão postos em vós. Inúmeras pessoas perderam a confiança na Igreja Católica. Só uma abordagem aberta e séria dos problemas e a adopção das reformas indispensáveis pode ajudar a recuperar essa confiança. Peço-vos com todo o respeito, que cumpram a vossa parte, sempre que possível em colaboração com os outros bispos, mas em caso de necessidade também sozinhos, com „desassombro“ apostólico (Act 4, 29.31). Dêem sinais de esperança e coragem aos vossos fiéis e uma perspectiva à nossa Igreja.
Saúdo-vos na comunhão da fé cristã
Vosso
Hans Küng
quarta-feira, 21 de abril de 2010
24 de Abril, sábado, pelas 15:00, na Sala Polivalente da Biblioteca Municipal de Sesimbra
Prémio Fernão Mendes Pinto
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O Prémio Fernão Mendes Pinto, instituído pelo Conselho da Administração da AULP - Associação das Universidades de Língua Portuguesa (sessão de 29 de Janeiro de 2007), resulta de um protocolo de cooperação entre a AULP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Instituto Camões (IC) e visa galardoar anualmente uma tese de mestrado ou doutoramento que contribua para a aproximação das comunidades de língua portuguesa.
As propostas deverão ser apresentadas por Universidades ou Institutos de Investigação Científica de países de língua portuguesa e deverão dar entrada na AULP até ao dia 30 de Maio de 2010.
O valor do Prémio Fernão Mendes Pinto é de 10.000 (Dez mil euros)Para qualquer dúvida, consulte o site http://www.aulp.org/
O Prémio Fernão Mendes Pinto, instituído pelo Conselho da Administração da AULP - Associação das Universidades de Língua Portuguesa (sessão de 29 de Janeiro de 2007), resulta de um protocolo de cooperação entre a AULP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Instituto Camões (IC) e visa galardoar anualmente uma tese de mestrado ou doutoramento que contribua para a aproximação das comunidades de língua portuguesa.
As propostas deverão ser apresentadas por Universidades ou Institutos de Investigação Científica de países de língua portuguesa e deverão dar entrada na AULP até ao dia 30 de Maio de 2010.
O valor do Prémio Fernão Mendes Pinto é de 10.000 (Dez mil euros)Para qualquer dúvida, consulte o site http://www.aulp.org/
Lançamento da revista Cultura ENTRE Culturas e do livro Uma Visão Armilar do Mundo, 27, 18.30

O IADE CHIADO CENTER convida para o lançamento da revista Cultura ENTRE Culturas, apresentada por Frei Bento Domingues e Miguel Real, e do livro Uma Visão Armilar do Mundo, de Paulo Borges, apresentado por Paulo Teixeira Pinto, no próximo dia 27 de Abril, 3ª feira, pelas 18.30, na Rua do Alecrim, nº 70, em Lisboa.

Para mais lançamentos:
arevistaentre.blogspot.com
terça-feira, 20 de abril de 2010
Dia 22, em Braga
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Car@s amig@s,
É com grande satisfação que anunciamos a próxima sessão da Comunidade de Leitores de Filosofia. Recordamos que as sessões têm lugar no Museu Nogueira da Silva (Braga), às 21h 30m. A entrada é livre.
A próxima sessão acontecerá já esta quinta-feira, dia 22 de Abril. Será debatida a obra de Pierre Manent, A Razão das Nações – Reflexões sobre a Democracia na Europa (2008, Edições 70). A actualidade dos problemas discutidos nesta obra é manifesta: o que está em causa é o futuro de uma Europa federal, tendo em conta uma sólida experiência de teoria e prática da democracia associada, na Europa, aos tradicionais Estados-nação
Contamos com a vossa presença e com a vossa participação!
Com os melhores cumprimentos,
Eugénio Peixoto
Pedro Martins
Os dinamizadores
Car@s amig@s,
É com grande satisfação que anunciamos a próxima sessão da Comunidade de Leitores de Filosofia. Recordamos que as sessões têm lugar no Museu Nogueira da Silva (Braga), às 21h 30m. A entrada é livre.
A próxima sessão acontecerá já esta quinta-feira, dia 22 de Abril. Será debatida a obra de Pierre Manent, A Razão das Nações – Reflexões sobre a Democracia na Europa (2008, Edições 70). A actualidade dos problemas discutidos nesta obra é manifesta: o que está em causa é o futuro de uma Europa federal, tendo em conta uma sólida experiência de teoria e prática da democracia associada, na Europa, aos tradicionais Estados-nação
Contamos com a vossa presença e com a vossa participação!
Com os melhores cumprimentos,
Eugénio Peixoto
Pedro Martins
Os dinamizadores
Dia 23, em Lisboa
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Estimados amigos e amigas,
Na próxima sexta-feira, dia 23 de Abril, pelas 19:00 horas, realiza-se na livraria Almedina do Atrium Saldanha a última sessão do semestre do ciclo de MATEMÁTICA, subordinada ao tema «A Etnomatemática existe?»
Será que a Matemática depende da cultura em que surge? Haverá mais do que uma Matemática ou será esta ciência universal, independente do contexto cultural? Estas e outras questões são o tema central de um debate de palavras com especialistas em números, com a presença dos Profs. Jorge Buescu (UL) e Cecília Costa (UTAD), sendo a moderação do Prof. Jorge Nuno Silva.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
Livraria Almedina
Atrium Saldanha
Praça Duque de Saldanha, 1
Loja 71, 2º Piso
Estimados amigos e amigas,
Na próxima sexta-feira, dia 23 de Abril, pelas 19:00 horas, realiza-se na livraria Almedina do Atrium Saldanha a última sessão do semestre do ciclo de MATEMÁTICA, subordinada ao tema «A Etnomatemática existe?»
Será que a Matemática depende da cultura em que surge? Haverá mais do que uma Matemática ou será esta ciência universal, independente do contexto cultural? Estas e outras questões são o tema central de um debate de palavras com especialistas em números, com a presença dos Profs. Jorge Buescu (UL) e Cecília Costa (UTAD), sendo a moderação do Prof. Jorge Nuno Silva.
Com os melhores cumprimentos.
Pedro Almeida Vieira
Livraria Almedina
Atrium Saldanha
Praça Duque de Saldanha, 1
Loja 71, 2º Piso
Dia 22, no Porto
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Por ocasião do Centenário de Joaquim Nabuco, Humberto França proferirá no dia 22, quinta-feira, pelas 15 e 30, no Anf. 1 da FLUP, a conferência "Joaquim Nabuco, um diplomata da Língua Portuguesa", que versará sobre as fortes relações de Joaquim Nabuco com a cultura portuguesa.
Humberto França é escritor, poeta, conferencista, articulista pernambucano, Chefe de projectos especiais da Fundação Joaquim Nabuco e Coordenador-geral do Movimento Festlatino; Festival Internacional de Línguas e Literaturas Neolatinas.
Por ocasião do Centenário de Joaquim Nabuco, Humberto França proferirá no dia 22, quinta-feira, pelas 15 e 30, no Anf. 1 da FLUP, a conferência "Joaquim Nabuco, um diplomata da Língua Portuguesa", que versará sobre as fortes relações de Joaquim Nabuco com a cultura portuguesa.
Humberto França é escritor, poeta, conferencista, articulista pernambucano, Chefe de projectos especiais da Fundação Joaquim Nabuco e Coordenador-geral do Movimento Festlatino; Festival Internacional de Línguas e Literaturas Neolatinas.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Ciclo de Cinema Italiano, no Porto
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Nascido de uma troca de ideias entre a Reitoria da Universidade do Porto, o Consulado Honorário de Itália no Porto (já parceiros institucionais na apresentação da exposição sobre a Capela degli Scrovegni de Giotto), o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa e a Associação Socio-Culturale Italiana del Portogallo, o ciclo de projecções de filmes italianos que apresentamos nos meses de Abril e Maio de 2010, destina-se a oferecer um panorama de trabalhos recentes de realizadores italianos, já afirmados ou estreantes que até à presente data nunca estiveram integrados em programações culturais da cidade do Porto.
O ciclo com o título "As Tardes Italianas" representa mais uma oportunidade para reforçar a colaboração, já profícua, entre as entidades acima referidas contribuindo assim para afirmar um intercâmbio de actividades culturais mais intenso entre as instituições: com efeito, na sessão de abertura, vai ser assinado um Protocolo de colaboração para que os públicos da Comunidade Académica da Universidade do Porto e da Comunidade Italiana se possam cruzar nas iniciativas promovidas em conjunto.
Programa:
20 de Abril -17h30
"La Rabbia di Pasolini"
Giuseppe Bertolucci
Pier Paolo Pasolini
27 de Abril - 18h30
"Apnea"
Roberto Dordit
29 de Abril - 18h30
"La seconda notte di Nozze"
Pupi Avati
4 de Maio - 18h30
"La Febbre"
Alessandro D´Alatri
11 de Maio - 18h30
"I demoni di San Pietroburgo"
Giuliano Montaldo
13 de Maio - 18h30
"Il maestro Degli Errori"
Pietro Maria Benfatti
18 de Maio
"Il vento fa il suo giro"
Giorgio Diritti
20 de Maio
"L´Abbuffata"
Mimmo Calopresti
25 de Maio
"La Masseria Delle Allodole"
Paolo e Vittorio Taviani
27 de Maio
"Centochiodi"
Ermanno Olmi
Local - Auditório Gomes Teixeira (Reitoria da Universidade do Porto)
Entrada livre
Informações: rrodrigues@reit.up.pt
Nascido de uma troca de ideias entre a Reitoria da Universidade do Porto, o Consulado Honorário de Itália no Porto (já parceiros institucionais na apresentação da exposição sobre a Capela degli Scrovegni de Giotto), o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa e a Associação Socio-Culturale Italiana del Portogallo, o ciclo de projecções de filmes italianos que apresentamos nos meses de Abril e Maio de 2010, destina-se a oferecer um panorama de trabalhos recentes de realizadores italianos, já afirmados ou estreantes que até à presente data nunca estiveram integrados em programações culturais da cidade do Porto.
O ciclo com o título "As Tardes Italianas" representa mais uma oportunidade para reforçar a colaboração, já profícua, entre as entidades acima referidas contribuindo assim para afirmar um intercâmbio de actividades culturais mais intenso entre as instituições: com efeito, na sessão de abertura, vai ser assinado um Protocolo de colaboração para que os públicos da Comunidade Académica da Universidade do Porto e da Comunidade Italiana se possam cruzar nas iniciativas promovidas em conjunto.
Programa:
20 de Abril -17h30
"La Rabbia di Pasolini"
Giuseppe Bertolucci
Pier Paolo Pasolini
27 de Abril - 18h30
"Apnea"
Roberto Dordit
29 de Abril - 18h30
"La seconda notte di Nozze"
Pupi Avati
4 de Maio - 18h30
"La Febbre"
Alessandro D´Alatri
11 de Maio - 18h30
"I demoni di San Pietroburgo"
Giuliano Montaldo
13 de Maio - 18h30
"Il maestro Degli Errori"
Pietro Maria Benfatti
18 de Maio
"Il vento fa il suo giro"
Giorgio Diritti
20 de Maio
"L´Abbuffata"
Mimmo Calopresti
25 de Maio
"La Masseria Delle Allodole"
Paolo e Vittorio Taviani
27 de Maio
"Centochiodi"
Ermanno Olmi
Local - Auditório Gomes Teixeira (Reitoria da Universidade do Porto)
Entrada livre
Informações: rrodrigues@reit.up.pt
Colóquio Internacional "Do diabólico ao simbólico: a filosofia de Vilém Flusser"
Colóquio Internacional
Do Diabólico ao Simbólico:
A Filosofia de Vilém Flusser
Anfiteatro IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Segunda-Feira, 3 de Maio
14:30 ABERTURA
15:00 - 15:30 Gustavo Bernardo Krause. - “MEU BEM, VOCÊ NÃO ENTENDEU NADA.” A DUVIDA DE VILÉM FLUSSER.
15:30 – 16:00 Joaquim Domingues. - O MUNDO NOVO DA LÍNGUA - HOMENAGEM A VILÉM FLUSSER,
16: 00 – 16:30 Jorge Leandro Rosa. - A RELAÇÃO COM O INARTICULÁVEL. LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E ONTOLOGIA EM VILÉM FLUSSER.
16:30 – 17:00 – Debate
17:00 – 17: 15 - Intervalo
17:15 – 17:45 José Bragança de Miranda. - A NOÇÃO DE APARATO EM VILÉM FLUSSER
17:45 – 18:15 Jorge Rivera. - SUPERFÍCIES, LINHAS, NÓS: AS OPERAÇÕES DA IMAGINAÇÃO E O PENSAMENTO DE VILÉM FLUSSER.
18:15 – 18:45 Louis Bec. - LE VAMPYROTEUTHIS INFERNALIS: UNE PREUVE D’AMITIÉ (PROJECTION, IMAGES ET VIDÉOS)
18:45 – 19:15 – Debate e encerramento.
Terça-Feira, 4 de Maio
11:00 – 11:30 Rui Lopo. - A FILOSOFIA DA LINGUAGEM DE VILÉM FLUSSER
11:30 - 12:00 Dirk-Michael Hennrich. - A “COISA”, EM VILÉM FLUSSER E EUDORO DE SOUZA
12:00 - 12:30 Rainer Guldin. - ACHERONTA MOVEBO: DO MEFISTOTÉLICO NA OBRA DE VILÉM FLUSSER
12:30-13:00 – Debate e Intervalo para almoço
15:00 – 15:30 – Jacinto Godinho. - O ESPECTADOR DE FLUSSER
15:30 – 16:00 - Paulo Borges. - O DIABÓLICO EM VILÉM FLUSSER
16:00 – 16:30 António Braz Teixeira. - O SAGRADO E A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM VILÉM FLUSSER
16:30 – 17:00 - Debate
17:00 – 17:15 – Intervalo
17:15 – 17:45 - Apresentação da revista Cultura ENTRE Culturas, com um inédito de Vilém Flusser. Encerramento.
18:30 Louis Bec – ARTAXONOMIQUE ET HYPOZOOLOGIE (na Livraria do Instituto Franco-Português)
Do Diabólico ao Simbólico:
A Filosofia de Vilém Flusser
Anfiteatro IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
Segunda-Feira, 3 de Maio
14:30 ABERTURA
15:00 - 15:30 Gustavo Bernardo Krause. - “MEU BEM, VOCÊ NÃO ENTENDEU NADA.” A DUVIDA DE VILÉM FLUSSER.
15:30 – 16:00 Joaquim Domingues. - O MUNDO NOVO DA LÍNGUA - HOMENAGEM A VILÉM FLUSSER,
16: 00 – 16:30 Jorge Leandro Rosa. - A RELAÇÃO COM O INARTICULÁVEL. LINGUAGEM, COMUNICAÇÃO E ONTOLOGIA EM VILÉM FLUSSER.
16:30 – 17:00 – Debate
17:00 – 17: 15 - Intervalo
17:15 – 17:45 José Bragança de Miranda. - A NOÇÃO DE APARATO EM VILÉM FLUSSER
17:45 – 18:15 Jorge Rivera. - SUPERFÍCIES, LINHAS, NÓS: AS OPERAÇÕES DA IMAGINAÇÃO E O PENSAMENTO DE VILÉM FLUSSER.
18:15 – 18:45 Louis Bec. - LE VAMPYROTEUTHIS INFERNALIS: UNE PREUVE D’AMITIÉ (PROJECTION, IMAGES ET VIDÉOS)
18:45 – 19:15 – Debate e encerramento.
Terça-Feira, 4 de Maio
11:00 – 11:30 Rui Lopo. - A FILOSOFIA DA LINGUAGEM DE VILÉM FLUSSER
11:30 - 12:00 Dirk-Michael Hennrich. - A “COISA”, EM VILÉM FLUSSER E EUDORO DE SOUZA
12:00 - 12:30 Rainer Guldin. - ACHERONTA MOVEBO: DO MEFISTOTÉLICO NA OBRA DE VILÉM FLUSSER
12:30-13:00 – Debate e Intervalo para almoço
15:00 – 15:30 – Jacinto Godinho. - O ESPECTADOR DE FLUSSER
15:30 – 16:00 - Paulo Borges. - O DIABÓLICO EM VILÉM FLUSSER
16:00 – 16:30 António Braz Teixeira. - O SAGRADO E A EXPERIÊNCIA RELIGIOSA EM VILÉM FLUSSER
16:30 – 17:00 - Debate
17:00 – 17:15 – Intervalo
17:15 – 17:45 - Apresentação da revista Cultura ENTRE Culturas, com um inédito de Vilém Flusser. Encerramento.
18:30 Louis Bec – ARTAXONOMIQUE ET HYPOZOOLOGIE (na Livraria do Instituto Franco-Português)
13 de Maio
.
O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, em colaboração com o Instituto Franco-Português, têm o prazer de lhe dar a conhecer a publicação do livro
Promenades Philosophiques/ Passeios Filosóficos
de Jean-Yves Mercury
«A presente colectânea pretende ser uma introdução ao pensamento filosófico e é destinada àquelas e aqueles que não estudaram filosofia de «forma académica». Nós tomámos assumidamente o partido da divulgação para romper com esta tecnicidade conceptual que habita a filosofia «universitária» e que, obviamente, lhe é objectivamente necessária, senão mesmo consubstancial, mas constitui um obstáculo real à entrada na filosofia. Esperamos ter conseguido, sabendo bem que esta primeira abordagem deveria entreabrir os múltiplos caminhos filosóficos, o quiasma das questões. Todavia, cabe a cada um tentar a aventura, porque o pensamento não é o privilégio de alguns, mesmo se alguns vão «mais longe» que outros. Desejámos, igualmente, para não dizer quisemos, que esta obra fosse bilingue, de modo a ser um «companheiro» de viagem para os estudantes que são «os meus» aqui em Lisboa. Devia-lhes isto».
A obra será apresentada no Instituto Franco-Português no dia 13 de Maio de 2010.
O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, em colaboração com o Instituto Franco-Português, têm o prazer de lhe dar a conhecer a publicação do livro
Promenades Philosophiques/ Passeios Filosóficos
de Jean-Yves Mercury
«A presente colectânea pretende ser uma introdução ao pensamento filosófico e é destinada àquelas e aqueles que não estudaram filosofia de «forma académica». Nós tomámos assumidamente o partido da divulgação para romper com esta tecnicidade conceptual que habita a filosofia «universitária» e que, obviamente, lhe é objectivamente necessária, senão mesmo consubstancial, mas constitui um obstáculo real à entrada na filosofia. Esperamos ter conseguido, sabendo bem que esta primeira abordagem deveria entreabrir os múltiplos caminhos filosóficos, o quiasma das questões. Todavia, cabe a cada um tentar a aventura, porque o pensamento não é o privilégio de alguns, mesmo se alguns vão «mais longe» que outros. Desejámos, igualmente, para não dizer quisemos, que esta obra fosse bilingue, de modo a ser um «companheiro» de viagem para os estudantes que são «os meus» aqui em Lisboa. Devia-lhes isto».
A obra será apresentada no Instituto Franco-Português no dia 13 de Maio de 2010.
domingo, 18 de abril de 2010
Dia 20
Caros Colegas e Amigos,
Tenho o gosto de vos convidar para o Workshop "Medicina, Cultura e Humanidades no século XVI", em cujo âmbito será lançado o livro "Problemas", de António Luís, médico e humanista português da primeira metade do século XVI. A sessão decorrerá no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, no dia 20, terça-feira, pelas 17.30, e integra o programa científico que acompanha a exposição "Arte Médica e Imagem do
Corpo". Intervenções de: Jorge Couto (Director da BNP), Leonel Ribeiro dos Santos, Pedro Calafate, Manuel Silvério Marques e Adelino Cardoso((Investigadores do projecto "Filosofia, Medicina e Sociedade").
As mais cordiais saudações,
Adelino Cardoso
Tenho o gosto de vos convidar para o Workshop "Medicina, Cultura e Humanidades no século XVI", em cujo âmbito será lançado o livro "Problemas", de António Luís, médico e humanista português da primeira metade do século XVI. A sessão decorrerá no auditório da Biblioteca Nacional de Portugal, no dia 20, terça-feira, pelas 17.30, e integra o programa científico que acompanha a exposição "Arte Médica e Imagem do
Corpo". Intervenções de: Jorge Couto (Director da BNP), Leonel Ribeiro dos Santos, Pedro Calafate, Manuel Silvério Marques e Adelino Cardoso((Investigadores do projecto "Filosofia, Medicina e Sociedade").
As mais cordiais saudações,
Adelino Cardoso
Uma Visão Armilar do Mundo

Reúno aqui um conjunto de estudos e ensaios dispersos, bem como um extenso texto inédito, que versam sobre um dos rumos maiores da minha actividade enquanto investigador e docente, a reflexão acerca de Portugal e do seu sentido no diálogo hermenêutico com alguns dos seus mais destacados poetas, profetas e pensadores: Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
Em todos eles o leitor encontrará um nítido fio condutor: por vias diversas, estes cinco autores vislumbram e assumem em Portugal, na sua dimensão simultaneamente real e simbólica, uma vocação para a universalidade. Este Portugal e esta vocação, naturalmente pensados a partir da experiência histórico-cultural dos Descobrimentos e da diáspora planetária ainda em curso, assumem duas vertentes, simultâneas e inseparáveis: 1 - designam, por um lado, a predisposição e o impulso do povo, da nação e da sua cultura para uma aventura e convivência planetárias, que nos intérpretes aqui estudados se converte na assunção de Portugal como mediador ou inaugurador de um novo ciclo cultural e civilizacional, sob o signo de uma globalização ético-espiritual, em tudo contrastante com aquela, de teor económico-tecnológico, que hoje se impõe, com todos os problemas e riscos inerentes; 2 – por outro lado, Portugal e a sua vocação para a universalidade são assumidos, pelos mesmos autores, como símbolos de algo que interpretamos como o próprio homem ou a própria consciência, em busca de uma visão-experiência mais plena do real e na aspiração a realizar integralmente as suas supremas possibilidades. Desta interpenetração de dois registos do que se designa como Portugal, o real e o simbólico, e que se prolonga na leitura feita de algumas das suas mais paradigmáticas figuras, mitos e símbolos histórico-culturais, decorre uma complexa ambiguidade, que exige um rigoroso discernimento hermenêutico e crítico. É isso que procuramos fazer ao longo deste livro, num diálogo com os autores que procura pensar com e a partir deles e dos seus temas, problematizando as suas leituras, sem deixar de lhes aproveitar as sugestões especulativas.
Seja como for, encontro nestes cinco poetas, profetas e pensadores de Portugal, do seu sentido e destino, aquilo a que chamo Uma Visão Armilar do Mundo. O que designo como tal é uma visão-experiência do mundo sob o signo de tudo o que no símbolo da esfera armilar se implica: perfeição, plenitude, totalidade e infinidade. Tudo se passa como se nestes cinco autores o sentido último de Portugal, e/ou do que como tal se simboliza, não deixasse de ser o divino globo do mundo, ou a sua divina visão, revelada por Tétis a Vasco da Gama na camoniana Ilha dos Amores. Directa descendente da Esfera do Ser em Parménides, da Esfera do Amor em Empédocles e da Esfera camoniana, além de todas as tradições que figuram o divino e o incondicionado como uma Esfera infinita e omniabrangente, a Esfera Armilar acresce a essas, no entrecruzamento das suas múltiplas armilas, o símbolo da interconexão dinâmica de todos os seres e coisas, de todas as tradições e culturas, de todas as artes e saberes.
Muito antes de se tornar a divisa de D. Manuel I, conectada com o domínio imperial e territorial do mundo, é essa a maior fecundidade simbólica da Spera Mundi – Esfera e/ou Esperança do Mundo, conforme foi interpretada – que tremula na nossa bandeira, como marca disso que Camões, Vieira, Pascoaes, Pessoa e Agostinho da Silva divisam na nossa cultura: ao contrário da atitude do nacionalismo ou patriotismo comum, luso ou lusófono, sempre tendentes a resguardar-se (agressivamente) atrás de supostos e estáticos perfis identitários e a privilegiar o mesmo em relação ao outro, a cultura portuguesa e lusófona primaria pelo impulso de converter muros em pontes, fronteiras em mediações e lugares de passagem, limites em limiares, num descentramento e abertura incircunscritos ao mundo e ao universo, a todos os povos e seres, a todas as línguas, culturas, religiões e irreligiões, a todas as formas de alteridade. Como se acentua em Pessoa e Agostinho da Silva, Portugal e a Lusofonia seriam mesmo movidos por um ímpeto de ser tudo de todas as maneiras e nisso sacrificar, esquecer e perder a própria identidade, transfigurando-a divina e cosmicamente, tal um sujeito místico que só se realiza plenamente, sendo tudo quanto pode ser, quando já não é isto ou aquilo, quando não existe, quando não é nada.
Decerto que nesta visão haverá uma boa parte de idealização optimista, que projecta na nação as próprias e supremas aspirações dos autores, pois o Portugal e a comunidade lusófona que, noutras perspectivas, surgem como reais, parecem ter sido e ser bem diferentes, para o melhor e o pior. Tudo depende, como sempre, da perspectiva que condiciona e dá forma à percepção do que chamamos real. Contudo, para além de toda a deconstrução psicológica e psicanalítica possível, permanecerá qualquer coisa por esclarecer, que é o fundo obscuro que torna esta visão reiteradamente presente nalguns dos nomes mais representativos e geniais da nossa cultura. Independentemente de esta visão armilar do mundo corresponder a uma missão, vocação, potencialidade ou aspiração, creio que ela é, indubitavelmente, a visão mais fecunda que do mundo se pode ter, sobretudo se for assumida não como mera forma de autogratificação intelectual, cultural e/ou supostamente “patriótica”, como algo de já garantido e possuído de uma vez por todas, mas antes como projecto individual e colectivo a desenvolver, dádiva, tarefa e serviço a prestar a si, à nação, ao planeta e ao universo. Porque uma visão armilar do mundo é, como vimos, uma visão-experiência do mundo sob o signo da perfeição, plenitude, totalidade e infinidade, real ou possível, convidando à abertura da mente e do coração ao entrecruzamento, intersecção e interacção armilares de todos os seres e coisas – que na verdade não são, mas entre-são, como disse Pessoa - , ela não pode senão conduzir a um Abraço solidário à natureza e a todos os entes, que seja a busca de realização do seu Bem, a todos os níveis, do espiritual e cultural ao ecológico, social, económico e político, sem discriminação de raça, sexo, religião, nacionalidade ou espécie. Uma visão armilar do mundo é uma visão-experiência integral do mundo, sem cisões, exclusões ou parcialidades.
É sob a influência deste potente símbolo, a Esfera Armilar, e em busca de uma filosofia armilar como cumprimento da vocação de toda a filosofia, antes modo de vida do que mera teoria, que inicio com este livro um novo ciclo da minha produção filosófica e literária, numa natural metamorfose daquele antes iniciado sob o signo do Finisterra e do Atlântico [1], já antecipada num livro e na ficção sobre Agostinho da Silva [2] e emergente nas obras publicadas mais recentemente [3]. É também sob o signo da Esfera Armilar que publico aqui os três últimos ensaios, de carácter mais pessoal, onde os dois últimos apontam rumos concretos de acção e intervenção pública, inspirados no que designo como patriotismo trans-patriótico e universalista e consubstanciados no projecto Refundar Portugal/Outro Portugal.
E é o símbolo holístico da Esfera Armilar que - numa era celebrada como multicultural, mas ainda tão falha de uma visão real da interdependência ou do entre-ser universal de todos os seres, povos, nações, saberes e culturas - invoco como paradigma plenamente actual e contemporâneo de um destino por cumprir, de um potencial em aberto, de um chamamento urgente, vindo do mais fundo sem fundo de cada um de nós e do qual depende hoje a própria sobrevivência humana, a biodiversidade e o equilíbrio do planeta: ver e experimentar o mundo divinamente, ou seja, integralmente, sem cisões, exclusões ou parcialidades.
[1] Cf. Paulo Borges, Do Finistérreo Pensar, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001; Pensamento Atlântico. Estudos e ensaios de pensamento luso-brasileiro, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002.
[2] Id., Tempos de Ser Deus. A espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva, Lisboa, Âncora Editora, 2006; Línguas de Fogo. Paixão, Morte e Iluminação de Agostinho da Silva, Lisboa, Ésquilo, 2006.
[3] Id., Princípio e Manifestação. Metafísica e Teologia da Origem em Teixeira de Pascoaes, 2 volumes, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008; A cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido (aforismos), Lisboa, Zéfiro, 2008; Da Saudade como Via de Libertação, Lisboa, Quidnovi, 2008; A Pedra, a Estátua e a Montanha. O Quinto Império no Padre António Vieira, Lisboa, Portugália Editora, 2008; O Jogo do Mundo. Ensaios sobre Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, Lisboa, Portugália Editora, 2008.
[1] Cf. Paulo Borges, Do Finistérreo Pensar, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001; Pensamento Atlântico. Estudos e ensaios de pensamento luso-brasileiro, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2002.
[2] Id., Tempos de Ser Deus. A espiritualidade ecuménica de Agostinho da Silva, Lisboa, Âncora Editora, 2006; Línguas de Fogo. Paixão, Morte e Iluminação de Agostinho da Silva, Lisboa, Ésquilo, 2006.
[3] Id., Princípio e Manifestação. Metafísica e Teologia da Origem em Teixeira de Pascoaes, 2 volumes, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2008; A cada instante estamos a tempo de nunca haver nascido (aforismos), Lisboa, Zéfiro, 2008; Da Saudade como Via de Libertação, Lisboa, Quidnovi, 2008; A Pedra, a Estátua e a Montanha. O Quinto Império no Padre António Vieira, Lisboa, Portugália Editora, 2008; O Jogo do Mundo. Ensaios sobre Teixeira de Pascoaes e Fernando Pessoa, Lisboa, Portugália Editora, 2008.
Prefácio de Paulo Borges, Uma Visão Armilar do Mundo, Lisboa, Verbo, 2010.
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