EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Para um dos próximos volumes da Colecção NOVA ÁGUIA...

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A ESCOLA FILOSÓFICA DE LOVAINA E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL
Paulo Moacir Godoy Pozzebon - Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Busca-se compreender, neste trabalho, as diferentes etapas de desenvolvimento da Filosofia praticada na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e, principalmente de que maneiras e em que medida esta Filosofia influenciou os filósofos brasileiros, bem como quanto desta influência ainda perdura.
1- A primeira etapa da Escola de Lovaina – o predomínio tomista – e sua importância para o Brasil
Desde sua fundação, o Institut Supérieur de Philosophie da Université Catholique de Louvain tem manifestado vocação de centro filosófico de importância mundial. Fundado a partir de um curso de filosofia tomista que surgira em 1882, aos poucos, sob a liderança de Désiré Joseph Mercier (1851-1926), nele formou-se o grupo que seria conhecido como Escola de Lovaina. A trajetória desta conheceu duas etapas distintas.
A primeira etapa vai da fundação até os anos quarenta do século XX, período em que Lovaina afirmou-se como a principal escola filosófica neo-escolástica de linha tomista. Sua importância histórica reside no fato de ter sido o primeiro movimento organizado importante e influente no chamado Renascimento Tomista. Produziu uma revista que há décadas tem importância mundial, a Révue Philosophique de Louvain (anteriormente denominada Révue Néoscolastique de Philosphie), à qual se anexou o não menos importante Répertoire Bibliographique de la Philosophie. Dentre as publicações da escola, destacam-se os doze volumes do Cours de Philosophie, várias vezes reeditados, obra de Mercier, De Wulf, e De Nys, bem como, nos anos quarenta, o moderno curso de Filosofia escrito por De Rayemaeker, Van Steenberghen, F. Renoirte e I. Dopp.
A importância filosófica da Escola de Lovaina reside em seu programa (traçado já por Mercier), de valorização e defesa do pensamento filosófico da Escolástica, vivificado e completado pelas contribuições da ciência moderna. Para tanto, a Escola intentou formar pesquisadores que desenvolvessem a Filosofia e as ciências sem preocupações apologéticas, e confrontassem as teses neo-escolásticas com as aquisições das ciências modernas. Apesar da nítida preferência por S. Tomás de Aquino, o Instituto não se fechou a outras correntes de pesquisa. A produção dos filósofos de Lovaina apresentou muitas contribuições originais e alcançou grande repercussão nos meios filosóficos, especialmente os católicos.
Esta primeira etapa da Escola de Lovaina repercute no Brasil de modo pouco extenso, mas bastante intenso e de resultados duradouros. Inicia-se com D. Miguel Kruse (1864-1929), monge beneditino nascido na Alemanha, que chegou a São Paulo no ano de 1900. Já em 1901 desponta no cenário cultural brasileiro ao polemizar, através de jornais, com o pensador positivista Luís Pereira Barreto, a propósito da alegada inferioridade dos povos católicos.
Em 1907, D. Miguel Kruse torna-se abade do mosteiro paulista e, em 1908, visando combater o positivismo e o utilitarismo então disseminados , e após contatos com o Cardeal Mercier, funda a primeira faculdade de Filosofia do Brasil, então chamada Faculdade Livre de Filosofia e Letras de São Paulo, que foi mais tarde conhecida como “Faculdade de S. Bento”. Esta Faculdade, que foi reconhecida pelo governo brasileiro somente em 1940, agregou-se em 1911 à Universidade Católica de Lovaina, cuja orientação tomista seguia.
De Lovaina veio o primeiro professor de Filosofia desta Faculdade, Monsenhor Charles M. Hubert Sentroul (1876-1933), que nela lecionou de 1908 a 1917. Em São Paulo, Sentroul introduziu o tomismo renovado de Lovaina, marcado pela tentativa de desenvolver a filosofia de S. Tomás em harmonia com a ciência moderna, sem admitir deformação da Filosofia por interesses apologéticos. Exemplos desta postura estão presentes na aula inaugural de Sentroul em São Paulo:
No momento em que uma descoberta científica nova e segura pusesse em cheque uma tese filosófica partilhada por S. Tomás ou Aristóteles, nós abandonaríamos uma tal tese, sem sobra de pena. Na verdade uma só coisa importa, a verdade: “amicus Aristoteles, amicus Thomas, magis amica veritas... sola amica veritas” .
Adverte ainda, noutra passagem do mesmo texto:
Com que espírito devemos estudar, e quando for preciso, refutar os filósofos cuja doutrina não admitirmos? Com uma justiça serena e imparcial! Nada de servilismos para com nossos amigos, nada preconceitos com nossos adversários... Sim, encontram-se muitas vezes autores que têm sempre a palavra absurdo na boca ou no bico das penas, e aos quais se deve ensinar que Platão, Duns Scoto, Descartes, Hume, Kant, Comte, Lammenais, Darwin e tantos outros filósofos cujo sistema refutamos em bloco, têm no entretanto, de tempos em tempos, dito a verdade, e que estes pensadores, apesar de seus erros, não eram inteiramente ignorantes... Aplicar-nos-emos, portanto, estudando e refutando o erro, a ver de que lado está a verdade antes de demonstrar que é efetivamente absurdo .
Estudioso e crítico de Kant, sobre quem publicou uma tese premiada na Alemanha, Sentroul permanece na perspectiva metafísica, concebendo a Filosofia como “a ciência que completa a unidade do saber”, seja estabelecendo o valor do conhecimento, seja constituindo através da metafísica uma síntese superior do saber, seja ainda auxiliando com a metafísica às ciências particulares .
O mérito e a importância de Sentroul foram introduzir, no âmbito do pensamento católico brasileiro, os estudos sistemáticos de Filosofia pura, o que, sem dúvida, representava progresso num ambiente em que a Filosofia era em geral estudada como auxiliar de outras disciplinas e freqüentemente brandida como argumento político.
Entretanto, foi breve a permanência de Sentroul no Brasil. A propósito da guerra de 1914, em que a Alemanha violou a neutralidade da Bélgica e incendiou a biblioteca secular da Universidade de Lovaina, desentenderam-se crescentemente Monsenhor Sentroul e os monges de origem alemã do Mosteiro de S. Bento, até que, em 1917, retornou o filósofo à Bélgica e fechou-se a Faculdade .
Cinco anos depois, esta foi reaberta com a chegada do professor belga Leonardo van Acker (1896-1986), doutor em Filosofia e Letras por Lovaina, portador do que aqui se chamou “espírito de Lovaina”, isto é, um neotomismo que pretende renovar-se crescendo a partir de seus princípios interiores, dialogando com o pensamento moderno e contemporâneo e enriquecendo-se com o que ele tem de valioso e original. Nas palavras do próprio van Acker, o seu “tomismo aberto” pretende “repensar a Filosofia Aristotélico-tomista em contato com a Filosofia e a Ciência vigentes no ambiente” . O tomismo é concebido como uma corrente filosófica entre outras, mas detentor de “uma parte valiosa e resistente da ‘philosophia perennis’”, dotado de “um poder de síntese e de adaptação muito peculiares, que lhe possibilitam um reconhecimento e, até certo ponto, uma transposição, para sua própria perspectiva, dessas verdades [trazidas por outras correntes] [...]” . Por isso, afirma que “[...] longe de estar definitivamente ‘superado’ ou desvalorizado, o Tomismo encontra, atualmente, as mais inesperadas confirmações, que lhe fornecem as melhores garantias de que ele pode colaborar, positivamente, para o progresso da Filosofia Contemporânea” . O professor van Acker lecionou mais tarde na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e exerceu longa atividade filosófica nessa cidade, até falecer em 1986.
Um terceiro nome em cuja obra precisa ser avaliada a influência da filosofia de Lovaina é o professor Alexandre Correia (1891-1984), de menção obrigatória no que toca ao tomismo e às universidades paulistas. Alexandre Correia integrou a primeira turma da Faculdade de São Bento, nesta formando-se em Filosofia. Posteriormente doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina e em Direito pela Universidade de São Paulo, onde lecionou. Dentre suas obras destaca-se a tradução da Suma Teológica de São Tomás. Em seus trabalhos combatia o positivismo e o kantismo, procurando defender a possibilidade de um discurso metafísico de valor objetivo, fundamento necessário para o discurso ético-político de bases sólidas .
Carlos Lopes de Mattos (1910-1993) deve também ser lembrado como neotomista influenciado pela filosofia de Lovaina. Tendo pertencido por algum tempo à ordem beneditina, estudou Filosofia no Mosteiro de São Bento em São Paulo, doutorando-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina, no ano de 1940. Lecionou na Faculdade de São Bento, cuja revista dirigiu. Publicou numerosos trabalhos, dentre os quais se destacam os que abordam o pensamento de Farias Brito.
Em 1945, a Faculdade de São Bento foi agregada à Universidade Católica que se organizava em São Paulo. Na PUC-São Paulo marcaram importante presença os já mencionados Leonardo van Acker, Alexandre Correia (primeiro diretor da Faculdade Paulista de Direito) e os também lovainianos: a religiosa Laura Fraga de Almeida Sampaio (1926-), que doutorou-se em Lovaina com uma tese sobre Jacques Maritain, e o padre secular belga Michel Schooyans (1930-).
Doutor em Filosofia e Letras e bacharel em Letras Românicas pela Universidade de Lovaina, Michel Schooyans lecionou na PUC-São Paulo e publicou diversas obras de relevo – deve-se destacar especialmente seu famoso artigo Tarefas e vocação da Filosofia no Brasil, publicado pela Revista Brasileira de Filosofia em 1961. Schooyans repensa o tomismo numa linha historicista, procurando valorizar o contexto histórico e cultural em que é praticado e do qual chega mesmo a depender. Nos anos sessenta, Schooyans encaminhou numerosos estudantes brasileiros à Universidade de Lovaina.
2 A segunda etapa da Escola de Lovaina – predomínio fenomenológico – e sua influência no Brasil
Deve-se considerar também uma segunda etapa de desenvolvimento da Escola de Lovaina, cujos desdobramentos também se fizeram sentir no Brasil. Esta etapa, a partir dos anos cinqüenta, é marcada pelo florescimento e predomínio da corrente fenomenológica, em substituição ao anterior predomínio do neotomismo. A principal razão desta mudança foi a constituição do Arquivo Husserl na Universidade de Lovaina, obra do padre belga Hermann van Breda que, durante a Segunda Guerra Mundial, com grande esforço, retirara da Alemanha cerca de 45 mil páginas estenografadas de escritos inéditos do filósofo alemão Edmund Husserl. Deste material extraíram-se vários livros inéditos, como o conhecido A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental, publicado em 1950, mas escrito em 1935-1936 .
Lovaina tornou-se assim um dos principais centros mundial de filosofia fenomenológica; lá trabalharam filósofos importantes como Jean Ladrière; estudantes de todas as partes do mundo obtiveram lá sua formação filosófica. Outrora centro difusor do neotomismo, Lovaina tornou-se, apesar da constante abertura a outras correntes, centro difusor do pensamento fenomenológico e sua influência crescente se espalhou por muitos países.
Esta segunda etapa da Escola de Lovaina influenciou o pensamento brasileiro, nos anos sessenta, por meio de estudantes brasileiros que para lá se dirigiram a fim de realizar parte ou mesmo a totalidade de sua formação filosófica. Retornando ao Brasil, estes neofilósofos passaram a atuar em diversas universidades, tanto no magistério quanto na pesquisa, difundindo o pensamento fenomenológico nas diferentes áreas filosóficas e mesmo fora da Filosofia. Representaram também importante influência no envio de novos estudantes a Lovaina. Paralelamente ao prestígio de Lovaina e da fenomenologia, não devem ser descartadas, como razões para o envio de estudantes brasileiros a Lovaina, a formação de quadros para a Ação Católica e mesmo o resguardo da repressão política do regime militar brasileiro.
Foi este o impulso mais extenso que teve no Brasil a corrente fenomenológica, mesmo se comparado ao dos brasileiros que estudaram na França ou na Alemanha. Note-se que esta influência teve o efeito de contrabalançar a presença, tanto do decadente neotomismo, quanto do marxismo, então amplamente difundidos nas universidades brasileiras. Nas áreas científicas, este impulso da fenomenologia ajudou a atenuar a preponderância de um positivismo tecnocrático, então incentivado pelas políticas governamentais.
Os nomes mais destacados dentre os brasileiros que estudaram em Lovaina são: Alvino Moser, Antonio Joaquim Severino, Antonio Muniz de Rezende, Carmen Da Poian, Creusa Capalbo, Geraldo Tonaco, João Carlos Nogueira, José de Anchieta Correia, Newton Aquiles Von Zuben, Olinto Pegoraro, Salma Tannus Muchail, Tema Donzelle, Teresa Aulus Pompéia Cavalcante, Tiago Adão Lara, Ubiratan Borges de Macedo e Zeljko Loparic.
Com o passar de uma ou duas décadas, diminuiu sensivelmente o número de estudantes brasileiros que se dirigiam a Lovaina para completar seus estudos filosóficos. Mesmo alguns dos pensadores lá formados já se distanciaram da fenomenologia e das temáticas que haviam assumido por influência de Lovaina. Alguns deles direcionaram-se para o campo da Psicanálise. Resta ainda investigar sistematicamente em que medida perdura hoje a influência fenomenológica entusiasticamente trazida ao Brasil e, principalmente, quais foram os resultados dessa influência na construção do pensamento filosófico brasileiro.
3 Conclusões
O que aqui se pode fazer é apenas esboçar algumas conclusões, ressalvando seu caráter ainda hipotético.
Os filósofos brasileiros que estudaram em Lovaina foram, em geral, influenciados pela filosofia fenomenológica então lá predominante. Da fenomenologia lá praticada, trouxeram ao Brasil o método, temáticas, o espírito do pluralismo filosófico, interesses e preferências por certos autores então pouco conhecidos no Brasil, e mesmo obras, que mais tarde aqui seriam traduzidas e publicadas.
As influências trazidas perduram nítidas e intensas nas obras e temáticas destes filósofos durante cerca de uma década, após o que cedem lugar a novas temáticas e autores. Entretanto, após todo esse período de influência mais direta, os novos interesses certamente são conseqüência, senão mesmo seqüência, das pesquisas e atividades anteriores e dificilmente decorreriam de uma conversão filosófica. Este fenômeno pode ser observado em pensadores de diversas correntes: a mudança de temáticas e interesses é uma forma sutil de continuar o mesmo projeto filosófico-existencial. Estas hipóteses poderiam ser verificadas através de entrevistas com os brasileiros que estudaram em Lovaina, bem como através do exame de suas publicações.
A influência da Escola de Lovaina perdura ainda hoje de modo mais difuso, na medida em que a repercussão provocada pela publicação das obras dos pensadores de Lovaina (Ladrière, Dopp e outros) e dos brasileiros por eles influenciados, bem como o ensino desenvolvido por estes, influenciou, em grau muito variado, um número muito grande de estudantes brasileiros que não tiveram contato direto com a Universidade de Lovaina.
Em sua primeira etapa, a influência da Escola de Lovaina permitiu estruturar no Brasil um neotomismo rigoroso, atualizado e mais estritamente filosófico, diferindo significativamente do neotomismo de conotações políticas e apologéticas desenvolvido pelos pensadores do Centro Dom Vital ou ainda do tomismo do século XIX, que se limitava a repetir S. Tomás.
O pensamento fenomenológico trazido pela Escola de Lovaina trouxe a muitos filósofos brasileiros a via que permitiu a ruptura com correntes tradicionalmente fortes no Brasil, como um positivismo difuso e persistente, um neotomismo que então parecia esgotar-se, bem como o cientificismo marxista, de enorme presença nas universidades brasileiras. Se por um lado estas influências de Lovaina reforçam a tradição predominantemente francófona dos filósofos brasileiros, por outro lado o rigor da meditação lovainiana ajuda-os a superar algumas características da meditação brasileira, herdadas da maneira como historicamente foram assimiladas as correntes anteriores: traços de diletantismo filoneísta, certa despreocupação com o rigor da meditação e destinação apologética ou política dos esforços filosóficos.
Por tais razões, a Escola de Lovaina representou, para o pensamento brasileiro do século XX, uma de suas mais marcantes influências.