EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Para um dos próximos volumes da Colecção NOVA ÁGUIA...

.
A ESCOLA FILOSÓFICA DE LOVAINA E SUA INFLUÊNCIA NO BRASIL
Paulo Moacir Godoy Pozzebon - Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Busca-se compreender, neste trabalho, as diferentes etapas de desenvolvimento da Filosofia praticada na Universidade Católica de Lovaina (Bélgica) e, principalmente de que maneiras e em que medida esta Filosofia influenciou os filósofos brasileiros, bem como quanto desta influência ainda perdura.
1- A primeira etapa da Escola de Lovaina – o predomínio tomista – e sua importância para o Brasil
Desde sua fundação, o Institut Supérieur de Philosophie da Université Catholique de Louvain tem manifestado vocação de centro filosófico de importância mundial. Fundado a partir de um curso de filosofia tomista que surgira em 1882, aos poucos, sob a liderança de Désiré Joseph Mercier (1851-1926), nele formou-se o grupo que seria conhecido como Escola de Lovaina. A trajetória desta conheceu duas etapas distintas.
A primeira etapa vai da fundação até os anos quarenta do século XX, período em que Lovaina afirmou-se como a principal escola filosófica neo-escolástica de linha tomista. Sua importância histórica reside no fato de ter sido o primeiro movimento organizado importante e influente no chamado Renascimento Tomista. Produziu uma revista que há décadas tem importância mundial, a Révue Philosophique de Louvain (anteriormente denominada Révue Néoscolastique de Philosphie), à qual se anexou o não menos importante Répertoire Bibliographique de la Philosophie. Dentre as publicações da escola, destacam-se os doze volumes do Cours de Philosophie, várias vezes reeditados, obra de Mercier, De Wulf, e De Nys, bem como, nos anos quarenta, o moderno curso de Filosofia escrito por De Rayemaeker, Van Steenberghen, F. Renoirte e I. Dopp.
A importância filosófica da Escola de Lovaina reside em seu programa (traçado já por Mercier), de valorização e defesa do pensamento filosófico da Escolástica, vivificado e completado pelas contribuições da ciência moderna. Para tanto, a Escola intentou formar pesquisadores que desenvolvessem a Filosofia e as ciências sem preocupações apologéticas, e confrontassem as teses neo-escolásticas com as aquisições das ciências modernas. Apesar da nítida preferência por S. Tomás de Aquino, o Instituto não se fechou a outras correntes de pesquisa. A produção dos filósofos de Lovaina apresentou muitas contribuições originais e alcançou grande repercussão nos meios filosóficos, especialmente os católicos.
Esta primeira etapa da Escola de Lovaina repercute no Brasil de modo pouco extenso, mas bastante intenso e de resultados duradouros. Inicia-se com D. Miguel Kruse (1864-1929), monge beneditino nascido na Alemanha, que chegou a São Paulo no ano de 1900. Já em 1901 desponta no cenário cultural brasileiro ao polemizar, através de jornais, com o pensador positivista Luís Pereira Barreto, a propósito da alegada inferioridade dos povos católicos.
Em 1907, D. Miguel Kruse torna-se abade do mosteiro paulista e, em 1908, visando combater o positivismo e o utilitarismo então disseminados , e após contatos com o Cardeal Mercier, funda a primeira faculdade de Filosofia do Brasil, então chamada Faculdade Livre de Filosofia e Letras de São Paulo, que foi mais tarde conhecida como “Faculdade de S. Bento”. Esta Faculdade, que foi reconhecida pelo governo brasileiro somente em 1940, agregou-se em 1911 à Universidade Católica de Lovaina, cuja orientação tomista seguia.
De Lovaina veio o primeiro professor de Filosofia desta Faculdade, Monsenhor Charles M. Hubert Sentroul (1876-1933), que nela lecionou de 1908 a 1917. Em São Paulo, Sentroul introduziu o tomismo renovado de Lovaina, marcado pela tentativa de desenvolver a filosofia de S. Tomás em harmonia com a ciência moderna, sem admitir deformação da Filosofia por interesses apologéticos. Exemplos desta postura estão presentes na aula inaugural de Sentroul em São Paulo:
No momento em que uma descoberta científica nova e segura pusesse em cheque uma tese filosófica partilhada por S. Tomás ou Aristóteles, nós abandonaríamos uma tal tese, sem sobra de pena. Na verdade uma só coisa importa, a verdade: “amicus Aristoteles, amicus Thomas, magis amica veritas... sola amica veritas” .
Adverte ainda, noutra passagem do mesmo texto:
Com que espírito devemos estudar, e quando for preciso, refutar os filósofos cuja doutrina não admitirmos? Com uma justiça serena e imparcial! Nada de servilismos para com nossos amigos, nada preconceitos com nossos adversários... Sim, encontram-se muitas vezes autores que têm sempre a palavra absurdo na boca ou no bico das penas, e aos quais se deve ensinar que Platão, Duns Scoto, Descartes, Hume, Kant, Comte, Lammenais, Darwin e tantos outros filósofos cujo sistema refutamos em bloco, têm no entretanto, de tempos em tempos, dito a verdade, e que estes pensadores, apesar de seus erros, não eram inteiramente ignorantes... Aplicar-nos-emos, portanto, estudando e refutando o erro, a ver de que lado está a verdade antes de demonstrar que é efetivamente absurdo .
Estudioso e crítico de Kant, sobre quem publicou uma tese premiada na Alemanha, Sentroul permanece na perspectiva metafísica, concebendo a Filosofia como “a ciência que completa a unidade do saber”, seja estabelecendo o valor do conhecimento, seja constituindo através da metafísica uma síntese superior do saber, seja ainda auxiliando com a metafísica às ciências particulares .
O mérito e a importância de Sentroul foram introduzir, no âmbito do pensamento católico brasileiro, os estudos sistemáticos de Filosofia pura, o que, sem dúvida, representava progresso num ambiente em que a Filosofia era em geral estudada como auxiliar de outras disciplinas e freqüentemente brandida como argumento político.
Entretanto, foi breve a permanência de Sentroul no Brasil. A propósito da guerra de 1914, em que a Alemanha violou a neutralidade da Bélgica e incendiou a biblioteca secular da Universidade de Lovaina, desentenderam-se crescentemente Monsenhor Sentroul e os monges de origem alemã do Mosteiro de S. Bento, até que, em 1917, retornou o filósofo à Bélgica e fechou-se a Faculdade .
Cinco anos depois, esta foi reaberta com a chegada do professor belga Leonardo van Acker (1896-1986), doutor em Filosofia e Letras por Lovaina, portador do que aqui se chamou “espírito de Lovaina”, isto é, um neotomismo que pretende renovar-se crescendo a partir de seus princípios interiores, dialogando com o pensamento moderno e contemporâneo e enriquecendo-se com o que ele tem de valioso e original. Nas palavras do próprio van Acker, o seu “tomismo aberto” pretende “repensar a Filosofia Aristotélico-tomista em contato com a Filosofia e a Ciência vigentes no ambiente” . O tomismo é concebido como uma corrente filosófica entre outras, mas detentor de “uma parte valiosa e resistente da ‘philosophia perennis’”, dotado de “um poder de síntese e de adaptação muito peculiares, que lhe possibilitam um reconhecimento e, até certo ponto, uma transposição, para sua própria perspectiva, dessas verdades [trazidas por outras correntes] [...]” . Por isso, afirma que “[...] longe de estar definitivamente ‘superado’ ou desvalorizado, o Tomismo encontra, atualmente, as mais inesperadas confirmações, que lhe fornecem as melhores garantias de que ele pode colaborar, positivamente, para o progresso da Filosofia Contemporânea” . O professor van Acker lecionou mais tarde na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e exerceu longa atividade filosófica nessa cidade, até falecer em 1986.
Um terceiro nome em cuja obra precisa ser avaliada a influência da filosofia de Lovaina é o professor Alexandre Correia (1891-1984), de menção obrigatória no que toca ao tomismo e às universidades paulistas. Alexandre Correia integrou a primeira turma da Faculdade de São Bento, nesta formando-se em Filosofia. Posteriormente doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina e em Direito pela Universidade de São Paulo, onde lecionou. Dentre suas obras destaca-se a tradução da Suma Teológica de São Tomás. Em seus trabalhos combatia o positivismo e o kantismo, procurando defender a possibilidade de um discurso metafísico de valor objetivo, fundamento necessário para o discurso ético-político de bases sólidas .
Carlos Lopes de Mattos (1910-1993) deve também ser lembrado como neotomista influenciado pela filosofia de Lovaina. Tendo pertencido por algum tempo à ordem beneditina, estudou Filosofia no Mosteiro de São Bento em São Paulo, doutorando-se em Filosofia pela Universidade de Lovaina, no ano de 1940. Lecionou na Faculdade de São Bento, cuja revista dirigiu. Publicou numerosos trabalhos, dentre os quais se destacam os que abordam o pensamento de Farias Brito.
Em 1945, a Faculdade de São Bento foi agregada à Universidade Católica que se organizava em São Paulo. Na PUC-São Paulo marcaram importante presença os já mencionados Leonardo van Acker, Alexandre Correia (primeiro diretor da Faculdade Paulista de Direito) e os também lovainianos: a religiosa Laura Fraga de Almeida Sampaio (1926-), que doutorou-se em Lovaina com uma tese sobre Jacques Maritain, e o padre secular belga Michel Schooyans (1930-).
Doutor em Filosofia e Letras e bacharel em Letras Românicas pela Universidade de Lovaina, Michel Schooyans lecionou na PUC-São Paulo e publicou diversas obras de relevo – deve-se destacar especialmente seu famoso artigo Tarefas e vocação da Filosofia no Brasil, publicado pela Revista Brasileira de Filosofia em 1961. Schooyans repensa o tomismo numa linha historicista, procurando valorizar o contexto histórico e cultural em que é praticado e do qual chega mesmo a depender. Nos anos sessenta, Schooyans encaminhou numerosos estudantes brasileiros à Universidade de Lovaina.
2 A segunda etapa da Escola de Lovaina – predomínio fenomenológico – e sua influência no Brasil
Deve-se considerar também uma segunda etapa de desenvolvimento da Escola de Lovaina, cujos desdobramentos também se fizeram sentir no Brasil. Esta etapa, a partir dos anos cinqüenta, é marcada pelo florescimento e predomínio da corrente fenomenológica, em substituição ao anterior predomínio do neotomismo. A principal razão desta mudança foi a constituição do Arquivo Husserl na Universidade de Lovaina, obra do padre belga Hermann van Breda que, durante a Segunda Guerra Mundial, com grande esforço, retirara da Alemanha cerca de 45 mil páginas estenografadas de escritos inéditos do filósofo alemão Edmund Husserl. Deste material extraíram-se vários livros inéditos, como o conhecido A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental, publicado em 1950, mas escrito em 1935-1936 .
Lovaina tornou-se assim um dos principais centros mundial de filosofia fenomenológica; lá trabalharam filósofos importantes como Jean Ladrière; estudantes de todas as partes do mundo obtiveram lá sua formação filosófica. Outrora centro difusor do neotomismo, Lovaina tornou-se, apesar da constante abertura a outras correntes, centro difusor do pensamento fenomenológico e sua influência crescente se espalhou por muitos países.
Esta segunda etapa da Escola de Lovaina influenciou o pensamento brasileiro, nos anos sessenta, por meio de estudantes brasileiros que para lá se dirigiram a fim de realizar parte ou mesmo a totalidade de sua formação filosófica. Retornando ao Brasil, estes neofilósofos passaram a atuar em diversas universidades, tanto no magistério quanto na pesquisa, difundindo o pensamento fenomenológico nas diferentes áreas filosóficas e mesmo fora da Filosofia. Representaram também importante influência no envio de novos estudantes a Lovaina. Paralelamente ao prestígio de Lovaina e da fenomenologia, não devem ser descartadas, como razões para o envio de estudantes brasileiros a Lovaina, a formação de quadros para a Ação Católica e mesmo o resguardo da repressão política do regime militar brasileiro.
Foi este o impulso mais extenso que teve no Brasil a corrente fenomenológica, mesmo se comparado ao dos brasileiros que estudaram na França ou na Alemanha. Note-se que esta influência teve o efeito de contrabalançar a presença, tanto do decadente neotomismo, quanto do marxismo, então amplamente difundidos nas universidades brasileiras. Nas áreas científicas, este impulso da fenomenologia ajudou a atenuar a preponderância de um positivismo tecnocrático, então incentivado pelas políticas governamentais.
Os nomes mais destacados dentre os brasileiros que estudaram em Lovaina são: Alvino Moser, Antonio Joaquim Severino, Antonio Muniz de Rezende, Carmen Da Poian, Creusa Capalbo, Geraldo Tonaco, João Carlos Nogueira, José de Anchieta Correia, Newton Aquiles Von Zuben, Olinto Pegoraro, Salma Tannus Muchail, Tema Donzelle, Teresa Aulus Pompéia Cavalcante, Tiago Adão Lara, Ubiratan Borges de Macedo e Zeljko Loparic.
Com o passar de uma ou duas décadas, diminuiu sensivelmente o número de estudantes brasileiros que se dirigiam a Lovaina para completar seus estudos filosóficos. Mesmo alguns dos pensadores lá formados já se distanciaram da fenomenologia e das temáticas que haviam assumido por influência de Lovaina. Alguns deles direcionaram-se para o campo da Psicanálise. Resta ainda investigar sistematicamente em que medida perdura hoje a influência fenomenológica entusiasticamente trazida ao Brasil e, principalmente, quais foram os resultados dessa influência na construção do pensamento filosófico brasileiro.
3 Conclusões
O que aqui se pode fazer é apenas esboçar algumas conclusões, ressalvando seu caráter ainda hipotético.
Os filósofos brasileiros que estudaram em Lovaina foram, em geral, influenciados pela filosofia fenomenológica então lá predominante. Da fenomenologia lá praticada, trouxeram ao Brasil o método, temáticas, o espírito do pluralismo filosófico, interesses e preferências por certos autores então pouco conhecidos no Brasil, e mesmo obras, que mais tarde aqui seriam traduzidas e publicadas.
As influências trazidas perduram nítidas e intensas nas obras e temáticas destes filósofos durante cerca de uma década, após o que cedem lugar a novas temáticas e autores. Entretanto, após todo esse período de influência mais direta, os novos interesses certamente são conseqüência, senão mesmo seqüência, das pesquisas e atividades anteriores e dificilmente decorreriam de uma conversão filosófica. Este fenômeno pode ser observado em pensadores de diversas correntes: a mudança de temáticas e interesses é uma forma sutil de continuar o mesmo projeto filosófico-existencial. Estas hipóteses poderiam ser verificadas através de entrevistas com os brasileiros que estudaram em Lovaina, bem como através do exame de suas publicações.
A influência da Escola de Lovaina perdura ainda hoje de modo mais difuso, na medida em que a repercussão provocada pela publicação das obras dos pensadores de Lovaina (Ladrière, Dopp e outros) e dos brasileiros por eles influenciados, bem como o ensino desenvolvido por estes, influenciou, em grau muito variado, um número muito grande de estudantes brasileiros que não tiveram contato direto com a Universidade de Lovaina.
Em sua primeira etapa, a influência da Escola de Lovaina permitiu estruturar no Brasil um neotomismo rigoroso, atualizado e mais estritamente filosófico, diferindo significativamente do neotomismo de conotações políticas e apologéticas desenvolvido pelos pensadores do Centro Dom Vital ou ainda do tomismo do século XIX, que se limitava a repetir S. Tomás.
O pensamento fenomenológico trazido pela Escola de Lovaina trouxe a muitos filósofos brasileiros a via que permitiu a ruptura com correntes tradicionalmente fortes no Brasil, como um positivismo difuso e persistente, um neotomismo que então parecia esgotar-se, bem como o cientificismo marxista, de enorme presença nas universidades brasileiras. Se por um lado estas influências de Lovaina reforçam a tradição predominantemente francófona dos filósofos brasileiros, por outro lado o rigor da meditação lovainiana ajuda-os a superar algumas características da meditação brasileira, herdadas da maneira como historicamente foram assimiladas as correntes anteriores: traços de diletantismo filoneísta, certa despreocupação com o rigor da meditação e destinação apologética ou política dos esforços filosóficos.
Por tais razões, a Escola de Lovaina representou, para o pensamento brasileiro do século XX, uma de suas mais marcantes influências.