http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/holocausto-breves-consideracoes.html
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Morrer como um touro, por Paulo Varela Gomes. Petição a caminho das 7000 assinaturas!
Há um momento nas touradas em que o touro, muito ferido já pelas bandarilhas, o sangue a escorrer, cansado pelos cavalos e as capas, titubeia e parece ir desistir. Afasta-se para as tábuas. Cheira o céu. Vêm os homens e incitam-no. A multidão agita-se e delira com o sangue. O touro sabe que vai morrer. Só os imbecis podem pensar que os animais não sabem. Os empregados dos matadouros, profissionais da sensibilidade embaciada, conhecem o momento em que os animais “cheiram” a morte iminente. Por desespero, coragem ou raiva (não é o mesmo?), o touro arremete pela última vez. Em Espanha morre. Aqui, neste país de maricas, é levado lá para fora para, como é que se diz? ah sim: ser abatido. A multidão retira-se humanamente, portuguesmente, de barriga cheia de cultura portuguesa, na tradição milenar à qual nenhuma piedade chegou
Os toureiros têm pose que se fartam (e com a qual fartam toda a gente). Pose de hombre, pose de macho. Mas os riscos que de facto correm são infinitamente menores que a sorte que inevitavelmente espera os touros, que o sofrimento e a desorientação que infligem aos touros para o seu próprio prazer e o da multidão. Dá vontade de dizer que quem se porta assim, quem mostra orgulho de se portar assim, tem entre as pernas, e não apenas literalmente, órgãos bem mais pequenos que aqueles que os touros exibem. Os toureiros são corajosos mas entram na arena sabendo que haverá sempre quem os safe, senão à primeira colhida, então à segunda. Às vezes aleijam-se a sério e às vezes morrem, o que talvez prove que os deuses da Antiguidade são justos, vingativos e amigos de todos os animais por igual. Os touros, esses, não têm ninguém que os vá safar em situação de risco, estão absolutamente sós perante a morte. Querem os toureiros ser hombres até ao fim? Experimentem ser tão homens como eram os homens e os animais na Antiguidade: se ficarem no chão, fiquem no chão. Morram na arena. É cultura. A senhora ministra da Cultura certamente compensará tão antigo costume.
Também era da tradição, em Portugal por exemplo, executar em público os condenados, bater nas mulheres, escravizar pessoas. Foi assim durante milénios. Ninguém via mal nenhum nisso a não ser, confusamente, com dúvidas, as próprias vítimas. Até que a piedade, na sua interpretação moderna e laica, acabou com tão veneráveis tradições.
Que será preciso para acabar com a tradição da tourada? Que sobressalto do coração será necessário para despertar em nós a piedade pelos animais?
- Paulo Varela Gomes (Historiador), “Cartas do Interior”, Público, 27.02.2010, P2, p.3.
Se é inteligente e sensível e não quer que os seus impostos paguem a barbárie, assine a Petição contra a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura. A caminho das 7000 assinaturas em pouco mais de três semanas.
www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=PETPPA
José Mindlin
O bibliógrafo José Mindlin, 95 anos, morreu na manhã deste domingo, em São Paulo. Ele estava internado há cerca de um mês no hospital Albert Einstein. O corpo está sendo velado no hospital e o enterro está marcado para as 15h no Cemitério Israelita.
Advogado, jornalista e empresário, Mindlin foi dono de uma das mais importantes bibliotecas privadas do país, que começou a formar aos 13 anos e, no ano passado, doou cerca de 45 mil volumes, entre coleções e folhetos, para a Brasiliana USP, no campus da universidade, em São Paulo.
veja , verdadeiras relíquias
http://www.brasiliana.usp.br/
Em 2006, Mindlin entrou para a Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira número 29, antes pertencente ao historiador e escritor Josué Montello.
Língua portuguesa conquista jovens urbanos
O projeto resulta de dois protocolos assinados, no último ano, entre o Instituto Camões, a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Universidade Pedagógica de Moçambique, disse à Lusa o responsável pelo Instituto Camões em Maputo, António Braga.
Falando sobre o estado da língua portuguesa em Moçambique, país que logo após a independência, em 1975, adotou o português como língua oficial da administração pública e da educação, António Braga qualificou de "positivo" o crescimento do português no país e apontou alguns projetos de expansão.
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/we-love-lusophony.html
sábado, 27 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Ramos-Horta - a vergonha de um Nobel da Paz

Quando os interesses estratégicos ultrapassam a ética de responsabilidade internacional implicada pelo respeito dos Direitos Humanos, perde-se a consideração pelos que assumem esta postura ou, no mínimo, é legítima a dúvida sobre a sua autenticidade e honestidade motivacional em eventuais momentos em que os mesmos protagonistas possam ter apelado a causas desta dignidade.
É o caso de Ramos-Horta que, na qualidade de Presidente de Timor-Leste, afirmou, em declarações à Lusa, reconhecer "legitimidade à soberania chinesa em relação ao Tibete" apesar, disse, de admirar o Dalai-Lama por condenar actos de violência no território tibetano. As declarações de Ramos-Horta merecem o repúdio de todos os pacifistas do mundo, por várias razões: a) decorrerem de interesses estratégicos de natureza económica e comercial; b) serem proferidas por um homem que foi agraciado com o Prémio Nobel da Paz; c) denotarem a hipocrisia na avaliação de situações em que se está ou não, pessoalmente envolvido... porque, até por evidentes razões históricas, Timor não merecia mais a independência do que a merece o Tibete.
A este propósito, relembro, por um lado, que a ONU, em 3 Resoluções datadas, respectivamente, de 1959, 1961 e 1965, reconheceu os tibetanos como "privados do seu direito à auto-determinação" e que, por outro lado, a impossibilidade de, até hoje, o Tibete ser internacionalmente reconhecido como nação soberana, se deve, exclusivamente, à correlação de forças e interesses dos vários países em relação à China... apesar de toda a violência a que o seu povo tem sido sujeito pelas autoridades chinesas! Para ostensiva violação dos Direitos Humanos já bastava... escusava Ramos-Horta de vir fazer o favor ao Governo Chinês de, como Presidente de um país, se prestar a fazer declarações deste inqualificável teor, apenas e só para, a troco de algumas vantagens económicas a preço de saldo, os chineses exibirem a relativização do apoio de Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, à causa tibetana.
Publicado por Ana Paula Fitas em:
anapaulafitas.blogspot.com
José Manuel Capêlo - 1946-2010
Para ler o resto, vai ter que esperar pelo nº 6 da NOVA ÁGUIA...
ALGUNS TÓPICOS SOBRE
EDUCAÇÃO E CULTURA, HOJE
António Carlos Cortez
1. REVISÃO
Celebramos este ano os cem anos da república. Celebramo-la com tudo o que ela contém, com seus aspectos negativos e positivos, até porque, ao celebrá-la, evocamos, de algum modo, os homens que contribuiram para que a noção de “república” se fosse efectivando na nossa memória colectiva actual. Mas, para que tal facto não redunde em festas de ocasião, em elogios mútuos que se reduzem à vazia consideração de que, nesta história da república, todos ficam bem no retrato (conquanto alguns fiquem um pouco mais a negro ou na sombra e outros em primeiro plano...), necessário se torna constatar que, no exacto momento em que estas linhas se escrevem, Portugal vive um momento de decisão histórica.
País com mais de oitocentos anos de história; território cujas fronteiras há mais tempo se estabeleceram no Velho Continente, mantendo-se praticamente inalteradas desde a sua fundação; Portugal, esse país dito “de brandos costumes”, tem sido, depois da “glória” de ter tido um império, assolado por crises cíclicas, todas elas relacionadas, directa ou indirectamente, com o processo de implantação do Liberalismo. Processo iniciado, em rigor, com Pombal (de que a reforma da Universidade de Coimbra, em 1772 e em 1761 da fundação do Colégio dos Nobres, em Lisboa, são os sinais mais visíveis, para além de ter sido com Pombal que o magistério do ensino jesuítico cessa formalmente), mas levado a cabo por homens tão distantes, no temperamento e na acção, no projecto e na ciência, como Garrett, Mouzinho da Silveira, Herculano ou Passos Manuel, o nosso liberalismo, de modelo francês, não logrou estabelecer-se de forma real num país estruturalmente conservador. Só trinta e um anos depois tivémos a nossa revolução liberal, o que é já uma importação a destempo e, pese embora, a matriz francesa do nosso pensamento burguês, o domínio efectivo dum pensamento liberal na educação não se defeniu senão a espaços, consoante os governos e os ministros que a tutelaram.
Assim, ao revermos o século XIX, e para compreendermos (co-apreendermos) de que assunto falamos quanto falamos de educação – que o mesmo é dizer “cultura” - tenham-se em conta certos eventos históricos que legitimaram (e legitimam) que a educação seja em Portugal um programa, uma declaração de boas intenções. Tantas vezes adiadas ou, por outra, adiadas. Na consciência desses factos, os esforços ideológicos de Luís António de Verney, Ribeiro Sanches, no século XVIII e, antes deles, de Manuel Severim de Faria ou de Luís Mendes de Vasconcelos ou de Duarte Ribeiro de Macedo, no século XVII, embateram sempre em políticas económicas que não podiam suportar as inovações pedagógicas que estes “estrangeirados” preconizavam. Como o esforço finaceiro a fazer para que um país se eduque é moroso e amplo, requer um interesse supra-partidário e supra-classista, veja-se que a justificação do statu quo foi, mesmo com Pombal, clara: uma pedagogia centrada na pessoa do aluno, universal e com vista à formação do indivíduo era vista como não sendo “adequada” à mentalidade portuguesa (em particular o ensino experimental).
Por isso, o século XIX, não obstante a implantação do liberalismo, é ainda um tempo senhorial, na expressão feliz de Joel Serrão. Segundo o historiador, é após a tomada de consciência do que significava o Brasil e as consequências dessa colónia – o seu papel exial – na economia portuguesa, no seu peso verídico e no seu significado simbólico, que encontramos também a anquilose da nossa educação, precisamente, senhorial. Uma educação e uma cultura de terra-tenentes, feira pela costa brasílica e só no século XVIII verdadeiramente empenhada em não deixar fugir esse território vasto para mãos holandesas ou inglesas. O século XIX, na verdade, concita o termo “decadência”, o qual faz parte també, por exemplo, do léxico usado por algtuns estudiosos do fenómeno da educação da actualidade, como Carlos Ceia, o qual, em artigo de 2008 fala na “decadência” da formação de professores de português e do ensino desta disciplina nos dias de hoje.
Com efeito, realizando-se um brevíssimo conspecto do que se passou, eis o século XIX – e a análise destes factos, correalcionados, explicaria bem as razões da nossa decadente educação -: das invasões frandesas (1807) ao domínio inglês com Beresford; do desmantelamento do comércio colonial após a independência do Brasil (1822) à Monarquia Constitucional formada em 1820 e a subsequente Guerra Civil entre miguelistas e liberais (1832-34), passando pela legislação de Mouzinho da Silveira até à “Regeneração” fontista, o breve período de fomento nas décadas de setenta e oitenta (quando o combóio da Europa há mais de cinquenta anos tinha acelarado); tudo somado e o que temos é o veredicto de Antero: “A nossa fatalidade é a nossa história”. E falando-se de “Decadência”, logo se nos torna lícito falar de “regeneração”, conceito que se aplica tanto aos vintistas, como aos que, de Passos Manuel a Fontes Pereira de Melo levaram a cabo a transformação da arcaica estrutura sócio-económica nacional.
Ainda assim, o termo “Regeneração”, se aplicado à educação, acaba por coincidir com a preocupação que anima os homens da Geração de 70 – que quiseram educar, modernizando, um país que consideravam ser necessário farpear, como um touro (veja-se as Farpas ou Os Maias e o que, alegoricamente, representam Afonso, Pedro e Carlos da Maia, todos eles alegorias do país, historicamente lido segundo os factores da decadência, de Taine) – e segundo os quais, em finais do século XIX imperava ainda, desde os bancos das Universidades à governação, a mais sórdida e cristalizada mentalidade. Por isso, na “Causa da Decadência dios Povos Peninsulares” (1871), Antero apresenta as razões do nosso fracasso cultural e educativo: uma primeira, histórica, relacionada com o fim das liberdades municipais no século XV e a respectiva centralização num poder absoluto; uma segunda causa, de ordem económico-religiosa, que encontra no Concílio de Trento a sua explicação (o catolicismo de Trnto cerceou a liberdade finaceira e bloqueou o livre trânsito de produtos e de saberes, agravada essa situação pelo estabelecimento da Inquisição no reinado de D. João III) e, finalmente, uma terceira e última causa da nossa decadência, a Expansão (não as Decobertas) que, à luz de Antero, teria proporcionado a corrupção das elites, já pelo luxo, já pela preguiça ou pelo atavismo.
(...)
Jornal OUTRO - um outro olhar sobre quem somos

http://jornaloutro.blogspot.com/
Missão: Os autores de Outro dão prioridade às notícias que podem influenciar as decisões tomadas hoje, agora e que podem resultar numa sociedade melhor.
O futuro da humanidade depende de encontrarmos respostas para as grandes questões que no início do século XXI se nos depararam: melhorar o sistema de educação, encontrar formas alternativas de energia, desenvolver um sistema económico mais humano e assente em princípios que não meramente o lucro, iniciar a utilização responsável dos recursos da Terra, repensar toda a ética, incluindo a ética ambiental e animal, voltar a colocar o sistema político na vida dos cidadãos, encontrar forma de libertar a ciência e as artes de interesses económicos egoístas.
Terminar todas as guerras, iniciar um diálogo construtivo entre todos os povos, limpar os cursos de água e os mares, recuperar as terras para uma nova agricultura, mais saudável, arquitectar cidades mais naturais e que abracem jardins e luz... uma utopia? Talvez.
Mas se analisarmos criteriosamente o que se passa no mundo, para além das tragédias, como as guerras, a fome, as doenças, a corrupção, que fazem as primeiras páginas de todos os jornais, encontramos pessoas, empresas, universidades, associações, institutos, que estão a trabalhar para concretizar essa visão.
E são essas notícias que recolhemos para si. Não as produzimos, embora possamos comentá-las, por vezes. Seleccionamos o melhor do que é Ser Humano. O mundo pode ser, de facto, um lugar melhor.
Basta que o Outro, em nós, desperte.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 25 de Fevereiro...

Foram os últimos três lançamentos da NOVA ÁGUIA 4. Ontem, Vila Real de Santo António e Lagoa entraram para o Mapiáguio. A sessão em Lagoa, à noite, foi particularmente animada, com um debate que se prolongou até bem tarde…
Hoje, estivemos numa Escola Secundária em Carnide, para dar a conhecer este projecto a algumas dezenas de jovens…
Entretanto, a NOVA ÁGUIA 5 aí está, pronta a voar. No dizer de quem já a espreitou, Jorge Telles de Menezes, será um número “fortíssimo”. Os primeiros lançamentos já estão marcados…

(na Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António: Renato Epifânio e Maria Luísa Francisco)

(hoje, no Agrupamento de Escolas do Bairro Padre Cruz, EB 2,3)
9 de Março, na Corunha...
O vindouro dia 9 de Março, terça-feira (martes), o Doutor e historiador, Justo Beramendi González falará sobre “ O nacionalismo galego nos finais do franquismo” dentro do ciclo, Economia, História e C.C. Sociais organizado pola nossa Agrupaçom.
O Doutor J. Beramendi é catedrático de Historia Contemporânea na U.S.C. Realizou estudos de Ingeriria Industrial em Madrid e de traduçom em Barcelona, para logo se doutorar em História na universidade de Santiago. Actualmente é um dos grandes especialistas europeus na história das ideologias e dos nacionalismos.
Autor de umha interessantíssima e amplia obra, tanto em artigos como em livros. Destes últimos sublinhamos: De província a nación. História do galeguismo político, Vicente Risco no nacionalismo galego. Los nacionalismos en la España de la II República Obra política de Ramón Vilar Ponte, Nationalism in Europe. Past and present, La historia política. Algunos conceptos básicos, Memoria e Identidade.
Assim mesmo é co-fundador do Museu do Povo Galego e também da Fundaçom Castelao. Participou na criaçom das revistas Negaciones, A Trabe de Ouro, e Tempos Novos.
Dia: 09 de Março do 2010 - Hora: 8 do serám
Local: Médico Rodríguez nº 2, esquina Juan Flórez
Caixa Galicia - Corunha
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
PPA exige revogação da criação da secção de tauromaquia no CNC e demissão da ministra Gabriela Canavilhas

Foi publicado na edição da passada Segunda-feira do Diário da República o despacho da ministra da Cultura Gabriela Canavilhas que oficializa a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura. O Partido Pelos Animais vem por este meio manifestar o seu veemente repúdio por tal decisão, informando ainda que está neste momento activa uma petição contra a criação dessa secção (www.partidopelosanimais.com/peticaocontratauromaquia), que já angariou quase 4000 assinaturas em menos de duas semanas e através da qual pretendemos levar o tema a plenário na Assembleia da República, fomentando a sua discussão - que, tratando-se de uma questão, no mínimo, polémica, deveria ter sido previamente promovida pelo próprio Ministério da Cultura - e, esperamos, a reversão deste vergonhoso passo no sentido contrário ao do progresso ético e civilizacional que desejamos para o nosso país.
Porque é o abandono de tradições retrógradas e inadequadas que caracteriza a evolução das sociedades, a persistência de actividades tauromáquicas em Portugal embaraça-nos enquanto povo e o seu sancionamento como cultura ao mais alto nível indigna-nos enquanto seres humanos. Torturar animais, seres cientificamente reconhecidos como capazes de sentir dor, não é nem nunca poderá ser visto como uma manifestação de cultura.
A maioria silenciosa da população portuguesa concorda com a afirmação anterior e a celeridade e discrição com que se avançou para o estabelecimento desta nova secção do CNC indicia que a ministra da Cultura tem conhecimento desta realidade. Ainda assim, optou por uma decisão que não serve a cultura nem os cidadãos de Portugal, mas apenas os interesses eticamente condenáveis de uma minoria organizada da qual é sobejamente conhecido que a própria ministra faz parte.
O PPA considera que, num país onde 1/5 da população vive em situação de pobreza e mais de 10% da população activa está desempregada, direccionar dinheiros públicos para a tourada é uma afronta a todos os cidadãos. E num país onde as mais diversas áreas culturais sofrem de graves carências, onde significativa parte do património arquitectónico se encontra em ruínas, num país de onde jovens artistas se vêem forçados a sair em busca de locais onde se sintam reconhecidos e valorizados, a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura é um insulto especialmente a todos aqueles que, enfrentando dificuldades quotidianas, dedicam a sua vida à cultura em Portugal. Trata-se de uma decisão obscena cujas únicas consequências são o fomento da violência e a canalização dos impostos dos portugueses para os bolsos de um restrito grupo de criadores e promotores cuja fortuna se baseia na inflição pública de sofrimento a animais.
Pelo exposto, o Partido Pelos Animais exige a imediata revogação do despacho de criação da secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura, bem como a demissão da ministra Gabriela Canavilhas, em nome da verdadeira cultura, do progresso e do bem-estar de todos os seres vivos.
Partido Pelos Animais
www.partidopelosanimais.com
Hoje, a NOVA ÁGUIA regressa ao Algarve
24.02.10 - 17h00: B. M. de Vila Real de Santo António
24.02.10 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa
CARTA ABERTA AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA “IBÉRIA”

Excelentíssimos Senhores:
1. Como devem saber, as empresas de aviação civil que operam em Portugal são obrigadas a cumprir a legislação nacional e a respeitarem a cultura e a língua nacionais. Para poderem realizar as suas operações entre nós, recebem um alvará, emitido pela ANA e é a ASAE que é responsável pelo estrito cumprimento da lei nas suas operações. Daí, por exemplo, uma recente queixa à ASAE relativa à “Easyjet”, dado que a empresa britânica recusava as reclamações de perda de bagagens que não usassem a língua espanhola ou inglesa, conforme foi amplamente noticiado nos meios de comunicação social.
2. Embora opere em Portugal e tenha que cumprir a legislação portuguesa, a Ibéria mantém no nosso país apenas um escritório de vendas. Fazem reservas de segunda-feira a Domingo, mas, ainda que estejam a vender em Portugal e a portugueses, não se dignam a falar em português fora deste período conforme se constata na sua página web:
"Portugal
Reservas
707 200 000 (Português) De 09:00 a 20:00 horas locais de Segunda a Domingo.
(Inglês e Espanhol) 24 horas de Segunda-Feira a Domingo."
3. Mas isto não é o mais grave: se um cliente português quiser apresentar uma reclamação pelo mau serviço prestado, o escritório da Ibéria em Portugal não o aceita. Nem aceita um correio eletrónico, nem um fax nem uma carta. Obriga os clientes portugueses, que compram e pagam os seus bilhetes em Portugal a uma empresa certificada para operar em Portugal, a enviarem uma carta em inglês ou em castelhano.
4. Nessa medida, o MIL, enquanto entidade que, sem complexos, defende, de forma coerente e consequente, a Lusofonia, irá apresentar uma reclamação junto do Instituto do Consumidor, da ANA e da ASAE:
i) Porque a Ibéria não cumpre a lei do consumidor em vigor e recusa a apresentação de reclamações em língua portuguesa;
ii) Porque a Ibéria mantém um serviço de venda (reservas) em língua não portuguesa, em Portugal (o número verde é de uma operadora nacional);
iii) Porque ainda que sejam portugueses uma parcela muito significativa dos seus clientes, a empresa não mantém a língua portuguesa no seu serviço de comunicações. Algo que, de resto, seria muito fácil, tendo em conta que na própria Espanha há já 3 milhões de falantes do Português da Galiza (língua galega).
Muito cordialmente
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO
www.movimentolusofono.org
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(blogue: www.mil-hafre.blogspot.com)
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O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de dois milhares adesões, de todos os países da CPLP.
Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.
MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Luísa Timóteo (Malaca), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Publicado em:
serpenteemplumada.blogspot.com
Granja, uma nova moeda local
Artigo do Jornal de Notícias
A mercearia solidária inaugurada ontem, sábado, na Granja do Ulmeiro, Soure, pretende criar um novo sistema financeiro, no qual pessoas que não tenham acesso a bens os possam ter por troca com outros produtos. As trocas são mediadas por uma moeda social.
"Muitas senhoras daqui alguma vez pensaram ir à cabeleireira ou fazer uma limpeza de pele? Nunca, até porque são pessoas sem grandes meios que vivem da agricultura", explica Teresa Cunha, presidente da Acção para a Justiça e Paz (entidade promotora da iniciativa). No entanto, prossegue, "este sistema dá acesso a isso, e em contrapartida, dentro do mercado, essas senhoras arranjam produtos hortícolas, ou rendas, por exemplo".
Os produtos cedidos à mercearia solidária são mediados por uma moedas social, as "granjas", atribuídas a cada objecto. À entrada é possível ver a tabela de valores: um blusão custa 10 granjas, umas calças cinco, vinagre, sal, chá ou cereais duas. "Cada coisa que a pessoa põe ao serviço da comunidade é traduzido num valor de moeda. E com esse valor vai comprar outra coisa que tenha necessidade", afirma Teresa Cunha. A troca pode também ser feita em serviços, como cuidados médicos básicos ou até mesmo companhia.
Moradoras gostam
Julieta Rente e Amélia Castanheira são domésticas e vivem na Granja do Ulmeiro. Ontem, na inauguração da mercearia solidária, levaram sacos de laranjas e limões, sem precisarem a quantidade. "Era o que tínhamos e trouxemos", contam. O dia de ontem foi passado a ver o que havia no espaço (na sede da Acção para a Justiça e Paz). "Vamos ver o que é que há aqui e o que podemos trocar", explica Julieta Rente, satisfeita com a ideia. "É inovadora e esperemos que dê resultado".
Noutra sala, ao lado do espaço da mercearia, encontra-se Piombina Aleixo, reformada de 72 anos. "Hoje ainda não trouxe nada, foi só para conhecer. Mas tenho lá em casa bens alimentícios, uns feitos por mim e outros vindos da agricultura, que conto trazer", assegura. O que procura ainda não sabe, mas o que já tem na sede da instituição não tem valor nem em moeda social. "Companhia e amizade. Comprado já não é muito bom", graceja. Piombina considera o projecto da mercearia solidária "belíssimo" e um bom motivo para sair de casa.
Projecto pioneiro
A mercearia solidária da Granja do Ulmeiro é, segundo as responsáveis da Acção pela Justiça e Paz, a primeira do género em Portugal. "Há outro tipo de comércio social no país, mas nestes moldes é o primeiro", explica Teresa Cunha. A instituição tem também colaborado com iniciativas semelhantes, como em São Brás de Alportel, no Algarve. "Há muitas iniciativas de mercado solidário abaixo do Tejo, normalmente em zonas mais rurais, e em que a população tem menos recursos financeiros", justifica.
A iniciativa é apoiada por alguns parceiros locais, como a Junta de Freguesia da Granja do Ulmeiro e a Câmara Municipal de Soure, e por entidades privadas, como a Fundação EDP e os supermercados Lidl e Pingo Doce. O presidente da Junta de Freguesia da Granja do Ulmeiro, António César Gomes, mostra-se esperançado no sucesso do projecto. "Podem contar connosco para estas iniciativas, no que pudermos fazer", revela.
Notícia do Jornal de Notícias - 21 Fevereiro 2010 - link
Secção: País - Coimbra - Soure
Autor: JOÃO PEDRO CAMPOS
Publicado por João Carlos Aguiar em:
http://umoutroportugal@blogspot.com
Próxima semana...
O Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, tem o prazer de o/a convidar para o lançamento das Actas do Colóquio Internacional "Longos dias têm cem anos. Vieira da Silva: um olhar contemporâneo". O lançamento decorrerá no dia 5 de Março de 2010, pelas 17h 45, no Anfiteatro III da FLUL.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Esta quarta
A Sociedade da Língua Portuguesa vai realizar no dia 24 de Fevereiro, quarta-feira, às 18.30 horas, na Rua Mouzinho da Silveira, 23 em Lisboa, uma conferência integrada no Ciclo “Língua e Literatura no espaço lusófono”: A Língua Portuguesa e o quimbundo na obra de Luandino Vieira, que será proferida pela Profa. Dra. Inocência Mata.
A Recepção do Budismo na Cultura Europeia Oitocentista
- Paul-Élie Ranson, "Christ et le Bouddha" (c.1880)
No próximo dia 25 de Fevereiro, pelas 17h, Rui Lopo, investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, dará uma prelecção subordinada ao tema: "A Recepção do Budismo na Cultura Europeia Oitocentista" (Anf.IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa)
Paul-Élie Ranson, "Christ et le Bouddha" (c.1880)
Assim se mente lusofonamente: que vergonha, Ramos-Horta!
Ontem por Timor, hoje pelo Tibete!
....
"O presidente de Timor-Leste e Nobel da Paz José Ramos-Horta disse hoje que a principal virtude de Dalai Lama é ser contra qualquer ato de violência no Tibete, mas que a admiração por ele não retira a legitimidade da soberania chinesa.
Nas vésperas da passagem dos 70 anos sobre a entronização do Dalai Lama, Ramos-Horta recusa qualquer comparação da situação no Tibete com o seu país, afirmando que “quer a questão do Tibete, quer a questão de Taiwan, são territórios chineses sobre os quais a China sempre teve soberania histórica ao longo de séculos”.
“Factos internos que hoje ocorrem nas províncias chinesas do Tibete ou de Taiwan, que têm a ver com reivindicações de um grupo ou outro, não podem afetar a soberania da China nessas duas províncias”, comenta.
Afirmando que “a admiração que muitos milhões de pessoas pelo mundo nutrem pelo Dalai Lama, enquanto líder espiritual budista, não retira legitimidade à soberania chinesa em relação ao Tibete, tal como a Taiwan”, o Presidente timorense vinca que a posição de Timor-Leste como Estado é “absolutamente clara” nas duas questões.
“Timor-Leste prossegue a política de uma China indivisível com o governo em Pequim. A China é um mosaico de grupos étnicos e o facto de num país existir um grupo com uma cultura distinta não quer dizer que por isso tenha de ser independente”, diz.
O Presidente de Timor-Leste sustenta que nem a independência do Tibete é uma pretensão do Dalai Lama: “Ele não quer a independência do Tibete. Defende apenas alguma autonomia limitada no plano cultural e religioso”.
“Essas reivindicações devem ser discutidas com as autoridades chinesas e tem havido enviados especiais do Dalai Lama a Pequim, por diversas vezes, para tentar encontrar um acordo que possa satisfazer as aspirações do Dalai Lama, no tocante a essa questão restrita que é a autonomia cultural e religiosa, dentro da República Popular da China”, refere.
Sobre a personalidade do líder espiritual tibetano, Ramos-Horta diz ser “uma pessoa extremamente simpática, que nutre pela China uma enorme admiração e afeição”.
“Creio que a grande virtude do Dalai Lama, reconhecida pela comunidade internacional e que a própria China reconhece, será o facto de que ele se opõe à separação do Tibete da China e a todo e qualquer ato de violência no Tibete. Ele quer a vivência totalmente pacífica entre a minoria tibetana e a maioria de todos os outros grupos que vivem no Tibete”, conclui".
Publicado em:
umoutroportugal.blogspot.com
ICONOGRAFIA BIZANTINA

CURSO de ICONOGRAFIA GREGA E RUSSA
Coordenação: Helena Langrouva
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CENTRO NACIONAL DE CULTURA, R. António Maria Cardoso,68,Lisboa
23 de FEVEREIRO a 25 de MARÇO, 3ªs e 5ªs FEIRAS, 17h30m - 19h30m
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Mais informações em http://www.cnc.pt/
Inscrições: Telefone: 213466722 ou info@cnc.pt
domingo, 21 de fevereiro de 2010
"um acto de política maior"
Enquanto membro do MIL, saúdo a decisão de apoiar a Candidatura de Fernando Nobre, pelas razões que passo a esclarecer:
1. O MIL é um movimento cívico, cultural, filosófico e político que se reivindica a) do legado de Agostinho da Silva e Gilberto Freyre (os nossos contemporâneos que mais desbravaram o caminho do que idealmente a lusofonia poderá ser), e b) também do legado da Renascença Portuguesa, onde se destacam, entre muitos outros, os nomes de Teixeira de Pascoaes, Leonardo Coimbra, António Sérgio e Fernando Pessoa (homens que tentaram indicar rumos a Portugal, aos Portugueses e aos políticos numa altura de crise do regime republicano).
1. 1. Esta dupla filiação espiritual do MIL marca a abrangência do Movimento Internacional Lusófono: por um lado, fazer da lusofonia uma realidade civilizacional para além da mera política e das divisões nacionais; por outro, erguer Portugal a exemplo modelar de justiça social, de democracia, de liberdade e de cumprimento da Carta dos Direitos Humanos. Este ideário, para que se cumpra no espaço lusófono, requer alterações políticas cruciais, porque somente realizaremos a lusofonia: se cada um dos países lusófonos concretizar a nível interno as sementes deste ideal de civilização comum.
2. O MIL é um movimento apartidário, que tem tentado convocar esforços e alertar consciências para uma nova forma de entender a política e a lusofonia. Ao ser apartidário, conserva o MIL a sua equidistância em relação a ideologias e grupos de interesse, e é essa equidistância que tem constituído a grande abertura que lhe vem sendo reconhecida, e que tem permitido a conjugação no seu seio de pessoas das mais diversas convicções ideológicas e religiosas; no MIL estão pessoas de Esquerda e de Direita, de diferentes religiosidades e sem nenhuma (ateus, agnósticos), e ainda com diferentes concepções de sociedade e regime, (republicanos, monárquicos, anarquistas); enfim, mundos... na constelação de boas intenções, reflexão e iniciativas que o MIL já é.
2. 1. Ao ser o MIL apartidário não significa que é apolítico ou contra os partidos – o livre exercício político é um direito da cidadania democrática e os partidos o garante da própria democracia. Não obstante, a vida política e a cidadania, no sentido essencial e filosófico profundo, não se esgotam nos partidos e na historicamente precária e socialmente fracturante e parcial visão das ideologias... e no início deste novo século, em que estamos, imensos são já os sinais do estertor das ideologias que herdámos do século XX; a deriva política de partidos que se afastam do seu próprio património ideológico; práticas governativas corruptas e pactuantes com um sistema económico global responsável pelas assimetrias na distribuição da riqueza, numa promiscuidade intolerável entre políticos (eleitos pelos povos) e os agentes económicos (que nenhum povo elege e que perseguem interesses egoístas e individuais, quase nunca preocupados com o bem estar colectivo e sem outra pátria, que não o dinheiro); a redução da democracia a partidocracia, transformando eleições livres numa mera caça ao voto por parte de quadrilhas políticas, que tudo prometem com débeis intenções de cumprir, fazendo do voto democrático uma espécie de mal necessário que permite o acesso a cargos públicos. Tudo isto é uma perversão da própria democracia, e uma perda de legitimidade da política partidária, que alastra pela maioria dos regimes democráticos, com o crescimento da abstenção a números preocupantes e a que os políticos têm feito vistas grossas.
3. O MIL tem um ideal de civilização lusófona, de sociedade, de civismo e de prática política que não aceita pactuar com o actual estado de baixa política, de injustiça social e de incumprimento da Carta dos Direitos Humanos, seja em Portugal, seja em qualquer das nações lusófonas... e bem sabemos da gravidade de muito que se passa no espaço lusófono e de como está por cumprir esse ideal e da luta que temos, e teremos, pela frente.
3. 1. É neste âmbito que, no meu entender, o apoio do MIL à Candidatura do cidadão Fernando Nobre à Presidência da República Portuguesa, que se apresentou aos Portugueses sem requerer o apoio expresso de nenhuma força partidária e com claro ideário lusófono, realiza os valores espirituais, civilizacionais e de justiça que são a alma do Movimento Internacional Lusófono. A personalidade humanista do candidato e o seu valor dispensam elogios, porém o modo superiormente ético de abraçar o acto político de se propor ao mais elevado cargo da nação como um simples cidadão – são um exemplo de política e cidadania, cada vez mais raro, que pode anunciar uma nova época para Portugal, motivadora de todos os países lusófonos, por onde a democracia também anda enferma.
Este apoio em nada partidariza o MIL, ou o encerra adentro de fronteiras – muito pelo contrário, é um acto de política maior, e de humanismo universalista, que só nos pode inspirar a todos.
Um abraço a todos os lusófonos.
Queluz, 21 de Fevereiro de 2010,
Jesus Carlos
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/enquanto-membro-do-mil-saudo-decisao-de.html
Terence McKenna: Culture is not your friend
Publicado por Mandrake em:
umoutroportugal.blogspot.com
COMUNICADO MIL SOBRE A CATÁSTROFE OCORRIDA NA REGIÃO AUTÓNOMA DA MADEIRA
1. O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO exprime a toda a população da Madeira e em especial às pessoas e às famílias mais atingidas pela catástrofe natural ocorrida ontem, as suas mais profundas condolências, apelando à comunidade lusófona e aos responsáveis políticos nacionais e regionais para que dêem uma resposta à altura da situação.2. Este tipo de catástrofes naturais têm efeitos incontroláveis, mas não são toleráveis os sistemas político-económicos nem as estruturas de poder que se mostram impotentes para as prevenir na direta razão da sua permanente subordinação a interesses mesquinhos fundados na especulação irresponsável e a políticas incompetentes, pouco claras ou inconfessáveis de gestão do espaço público, das solidariedades sociais e do património ecológico a todos os níveis. Nessa medida, o MIL chama a atenção dos responsáveis políticos, e de todas as pessoas preocupadas com o bem-estar e o desenvolvimento equilibrado das comunidades, regiões e nações do espaço lusófono, para a urgência em repensar, fora dos momentos de tragédia e de luto, o caminho sem regresso a que têm conduzido e inevitavelmente conduzirão as políticas de desordenação urbanística, de permissividade diante da especulação imobiliária, de passividade diante da terciarização não-produtiva da economia e de desconsideração perante os princípios mais elementares da autonomia local e da solidariedade global.
3. O MIL encontra nas tradições de liberdade, de solidariedade e de responsabilidade que a cultura e a história dos portugueses propuseram ao mundo e colheram dele, e no pensamento e na ação de Agostinho da Silva, a sua maior inspiração. Mas a construção partilhada da lusofonia como projeto alternativo de cultura e de civilização não pode deixar de ser acompanhada pela defesa, a nível local e como tarefa de todos, do património, da segurança das populações, da ordenação ecológica do território, da qualidade de vida dos cidadãos; e para isso torna-se urgente a recriação de uma economia que não mais seja a passiva ‘presa dos mercados’ de uma cultura social que não mais seja a da mediocridade e da impunidade, de uma capacidade de atuação técnica e política que não mais seja a do curto prazo e do resultado aparente. Por isso, no contexto e em consonância com a sua Declaração de Princípios e Objetivos, o MIL recorda que a desordenação urbanística patente na Ilha da Madeira resulta do primado da especulação imobiliária sobre o urbanismo, do falhanço de um modelo esgotado de Regionalismo e de um domínio da terciarização da Economia em prol dos setores produtivos. A construção desregrada em leitos fluviais, a multiplicação selvagem de unidades hoteleiras junto a antigas ribeiras e a destruição de uma economia de produção em favor de uma economia orientada para o Turismo e Hotelaria criou o caos urbanístico que agora potenciou a multiplicação da escala desta catástrofe natural.
4. O MIL recorda que a forma de Regionalização estabelecida na Madeira contribuiu também, em muito, para a presente situação de caos urbanístico e desrespeito dos mais básicos princípios de construção e urbanismo. E que uma regionalização municipalista não permitiria o estabelecimento do tipo de regime regional que contribuiu para esta tercialização selvagem da economia madeirense assim como para uma doentia e insustentável dependência entre a Economia local e o Estado. Nessa medida, importa "recuperar a tradição municipalista portuguesa, promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos de prevenção e controlo dos caciquismos locais", conforme consta da nossa Declaração de Princípios e Objetivos.
5. Por fim, o MIL apela a que, como resposta a uma Globalização cujas consequências nefastas ficaram tão evidentes aos olhos de todos após a eclosão da mais grave recessão global desde 1929, seja dada prioridade ao recentramento para o domínio local e comunitário das economias e das estratégias de desenvolvimento, conforme consta igualmente da nossa Declaração de Princípios e Objetivos: "Promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias locais e respeitando a harmonia ambiental". Em vez de economias orientadas para a captação de turistas e onde as estratégias governativas escolhem o Turismo Global como prioridade e assim justificam todos os abusos ao meio ambiente, que estiveram na base de uma parcela significativa desta catástrofe na Madeira, o MIL apela a um recentramento para o Local da Economia madeirense, da portuguesa e da de todos os demais países lusófonos.
MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO (http://www.movimentolusofono.org/)
(blogue: http://www.mil-hafre.blogspot.com/)
(facebook: http://www.facebook.com/group.php?gid=2391543356)
O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de 2 MIL adesões, de todos os países da CPLP.Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.org
Indicar: nome, e-mail e área de residência.
MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
MIL-CONSELHO CONSULTIVO:Alexandre Banhos Campo (Galiza), Amândio Silva (Portugal), Amorim Pinto (Goa), Artur Alonso Novelhe (Galiza), Carlos Frederico Costa Leite (Brasil), Carlos Vargas (Portugal), Fernando Sacramento (Portugal), Francisco José Fadul (Guiné-Bissau), Jorge Ferrão (Moçambique), Jorge da Paz Rodrigues (Portugal), José António Sequeira Carvalho (Portugal), José Jorge Peralta (Brasil), José Luís Hopffer Almada (Cabo Verde), José Manuel Barbosa (Galiza), Lúcia Helena Alves de Sá (Brasil), Luís Costa (Timor), Luísa Timóteo (Malaca), Manuel Duarte de Sousa (Angola), Miguel Real (Portugal), Miriam de Sales Oliveira (Brasil), Nuno Rebocho (Portugal), Octávio dos Santos (Portugal), Paulo Daio (São Tomé e Príncipe), Paulo Pereira (Brasil) e Vitório Rosário Cardoso (Macau).
Próximo Domingo...
Exactamente um ano depois de ter começado, o ciclo de simpósios sobre os 12 Teoremas do 57 - Actualidade dos Teoremas do Movimento de Cultura Portuguesa vai chegar ao seu termo, no próximo dia 28 de Fevereiro, domingo, pelas 15:00, com a realização do quarto e último dos encontros definidos, na Livraria Fonte de Letras, em Montemor-O-Novo, que tem apoiado esta iniciativa dos Cadernos de Filosofia Extravagante. Desta vez, os apresentadores e os teoremas serão os seguintes:
Roque Braz de Oliveira e a Propriedade
Carlos Aurélio e o Indivíduo
Pedro Sinde e a Liberdade
Cada interlocutor convidado apresentará durante dez minutos um teorema.
Finda a apresentação iniciar-se-á o debate alargado a todos os convivas do simpósio.
Publicado em:
http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/02/teoremas-do-57-ultimo-simposio-no-dia.html
Próxima terça...
Para assinalar o pré-lançamento da edição portuguesa da obra chave de Lanza del Vasto, Peregrinação às Fontes, por favor associe-se ao debate «Não Violência, Guerra e Paz». Traga os seus amigos.
Se de todo não puder juntar-se a nós, poderá colaborar neste pré-lançamento seguindo as indicações do anexo, que também encontra em www.sempreempe.pt/peregrinacao
Na terça 23 de Fevereiro, às 18:00, no Centro Nacional de Cultura, na Rua António Maria Cardoso, 68 – 1249-101 Lisboa, ao Chiado, t. 21 346
67 22 fax 21 342 82 50, info@cnc.pt
(ver localização em http://www.cnc.pt/Artigo.aspx?ID=484)
Participarão na sessão Frei Bento Domingues, Jorge Leandro Rosa, Luís Lopes, António Cândido Franco, Mário Cruz, e diversas pessoas ligadas à problemática da não violência e aos Amigos da Arca, comunidade fundada em França por Lanza del Vasto, e que em Portugal ficou conhecida também pelas referências a ela feitas, e ao seu fundador, por António Alçada Baptista.
Este debate e este pré-lançamento inserem-se na sequência da acção de Manuela Bio Lourenço, dos Amigos da Arca e da ALOOC - Associação Livre de Objectoras e Objectores de Consciência desde os anos 1970-80. Recorde-se que Lanza del Vasto esteve em Portugal em Abril
de 1978, em Lisboa, Porto, Coimbra e Évora, onde proferiu conferências que despertaram grande afluência e interesse, tendo voltado ao nosso país no ano seguinte.
A sessão será moderada por José Carlos Costa Marques, responsável pela edição portuguesa (www.sempreempe.pt), estando a tradução a cargo de Helena Langrouva.
Próxima terça...
Estimados Amigos,
Venho informar que a minha prova de doutoramento em Sociologia da Cultura, cuja tese se intitula "Cristianismo e Heterodoxias", será no próximo dia 23 do corrente mês de Fevereiro, terça-feira, às 14,30h, no Auditório 1 (Torre B, 1.º piso), da FCSH - Univ. Nova de Lisboa (Av. de Berna, 26-C / Lisboa).
Abraços cordiais
António de Macedo
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Partidos Pelos Animais em todo o mundo

A par do Partido Pelos Animais que estamos neste momento a estabelecer em Portugal, há diversas outras forças políticas dedicadas à defesa dos animais por todo o planeta. A mais proeminente é sem dúvida o Partij voor de Dieren, o Partido Pelos Animais holandês (que já conseguiu eleger dois deputados e um senador, bem como 17 representantes a nível regional e local), mas há vários outros partidos criados para dar voz à causa animal na esfera política dos seus países.
Em Espanha, o PACMA - Partido Antitaurino contra el Maltrato Animal já ultrapassou a barreira dos 40.000 votos e está muito próximo de conquistar um assento parlamentar. Na Itália foi criado o Partito Animalista Italiano, na Áustria e na Alemanha existem os respectivos Tierrechtspartei (Partido pelos Direitos dos Animais), no Canadá o Animal Alliance Environment Voters Party of Canada (Aliança Animal Eleitores pelo Ambiente) e em Israel o Latet Lihyot (Deixa Viver).
Apesar de já terem alcançado algum sucesso, trata-se de partidos muito jovens e com uma enorme margem de progressão. O seu surgimento é mais uma prova da crescente valorização dos animais na nossa sociedade e mais uma indicação de que estamos no caminho certo. O futuro será de harmonia e respeito pelos animais e pela Natureza - basta que nos disponhamos a lutar por isso. Registamos aqui o nosso agradecimento e apoio a todos os partidos pelos animais que estão connosco nessa luta, por todo o Mundo.
Mas dirigimos uma palavra especial àqueles que hoje se encontram onde nos encontrávamos há pouco mais de seis meses. Àqueles que lançam agora a primeira pedra de um projecto arrojado mas absolutamente fundamental. Falamos especificamente do Partido Pelos Animais - Brasil, do Parti Pour Les Animaux, da França, e do Animal Justice Party, da Austrália. Desejamos que tenham a força necessária para enfrentar os obstáculos com que se depararão e esperamos que, tal como nós, encontrem na população dos seus respectivos países o apoio essencial à consecução dos seus objectivos.
Parabéns a todos pela coragem e determinação. Vamos em frente. Por Partidos Inteiros, ao serviço do bem de todos, animais humanos e não humanos!
www.partidopelosanimais.com
"O problema dos políticos é o de mudarem o governo: o meu é o de mudar o Estado"
– Agostinho da Silva, "Cortina 1" (inédito).
O MIL APOIA O DOUTOR FERNANDO NOBRE NAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 2011

2. Fizemo-lo porque, tal como disse o próprio Doutor Fernando Nobre na Apresentação da sua Candidatura, “Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo”. Recordamos que o MIL tem assumido uma posição radicalmente crítica da Partidocracia que tanto tem desgovernado este país e que tanto se tem governado à conta dele, tendo inclusivamente já defendido a possibilidade de candidaturas independentes à Assembleia da República.
3. Tão ou mais importante do que isso, o Doutor Fernando Nobre assume-se, sem complexos, como um “patriota”, como alguém que tem “orgulho de ser português” e que compreende bem a importância estratégica da “lusofonia”, da “lusofonia à dimensão do mundo”. Se vier a ser eleito, estamos convictos que o Doutor Fernando Nobre tudo fará para reforçar os laços entre os países lusófonos – não só no plano cultural, mas também social, económico e político, tendo em vista a criação de uma verdadeira Comunidade Lusófona, no aprofundamento da CPLP. Porque esse é também o objectivo maior do MIL, apoiamos, sem reservas, a Candidatura Presidencial do Doutor Fernando Nobre.
4. Sendo esta a posição institucional do MIL, e porque valorizamos em máxima medida a Liberdade – ao contrário, precisamente, dos Partidos, sempre prontos a declarar a “disciplina de voto” –, respeitaremos quem, no âmbito do nosso movimento cultural e cívico, não nos acompanhar nesta posição.
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O MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO é um movimento cultural e cívico que conta já com mais de 2 MIL adesões, de todos os países da CPLP.Se quiser aderir ao MIL, basta enviar um e-mail: adesao@movimentolusofono.orgIndicar: nome, e-mail e área de residência.
MIL-COMISSÃO EXECUTIVA:António José Borges, Casimiro Ceivães, Eurico Ribeiro, José Pires F., Renato Epifânio (porta-voz) e Rui Martins.
Começaram os ataques: bom sinal...

"À primeira vista Fernando Nobre, talvez desiludido pelo que viu (ou conhece) dos partidos que por aí andam, parece convertido ao mito da ligação 'directa' de um indivíduo à massa anónima do país, com quem quer, segundo declarou, estabelecer um 'contrato'. Com certeza não percebe quanto essa ideia, manifestamente inspirada na experiência da AMI, leva, na essência, a um populismo reaccionário e ditatorial".
Vasco Pulido Valente, in Público, 20.02.10
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/comecaram-os-ataques-bom-sinal.html
Próxima terça, na Corunha
O vindouro 23 de Fevereiro, o doutor e professor da U.S.C., Carlos Quiroga Díaz falará dentro do Ciclo, Literatura e Naçom. A sua charla versará sobre: Encontros e desencontros da Literatura Galega com as Lusófonas.
Carlos Quiroga Díaz, é Doutor europeu com uma tese sobre Fernando Pessoa, com prémio extraordinário, exerce como Professor de Literatura Portuguesa na Universidade de Santiago de Compostela. Também forma parte da Associaçom Galega da Língua (AGAL).
Como escritor, ganhou duas vezes o prémio Carvalho Calero de narrativa. A sua obra está publicada tanto na Galiza como fora da mesma ( Itália, Brasil, Portugal, etc.). Entre os seus títulos podemos salientar:
G.O.N.G. - Mais de vinte poemas globais e um prefácio esperançado, Periferias ( prémio C. Calero), A Espera Crepuscular. O Castelo da Lagoa de Antela (Prémio de teatro infantil na Mostra de Ferrol-Terra), Inxalá ( prémio C. Calero).
Dia: 23 de Fevereiro 2010 - Hora: 8 do serám
Local: Fundaçom Caixa Galiza
Cantom Grande 21-24 – A Corunha
Obviamente, o MIL esteve lá…

Foi uma cerimónia sóbria e exaltante, simultaneamente – a do anúncio público da Candidatura Presidencial do Doutor Fernando Nobre.
Apenas com a bandeira nacional por trás de si, num tom pausado mas assertivo, o Doutor Fernando Nobre explicou porque ali estava: porque não estava nem nunca esteve vinculado a nenhum partido, sendo por isso um genuíno candidato da sociedade civil. Um de nós, em suma. Contra a partidocracia, que tanto tem desgovernado este país, e que tanto se tem governado à conta dele, resumiu tudo numa palavra: “Justiça”.
Sem complexos, assumiu-se como um “patriota” e assumiu o seu “orgulho” em Portugal, na nossa História. Sem complexos, falou por várias vezes de “Lusofonia”, de “Comunidade Lusófona”, e da sua importância estratégica…
Não por acaso, mas de forma espontânea, acabou tudo a cantar o Hino. Já só se canta o Hino nos estádios de futebol? Ora, ora. E a campanha só agora começou…
Se dúvidas existissem sobre a justeza do apoio do MIL à Candidatura Presidencial do Doutor Fernando Nobre, elas teriam ficado inteiramente dissipadas. Em frente!
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/obviamente-o-mil-esteve-la.html
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Retrato de Mulher: "Mulher é pai"
Quando há um ano, na atribuição do Doutoramento Honoris Causa da Doutora Graça Machel, se encarou a possibilidade da apresentação da obra do artista na Universidade de Évora, pensámos que esta poderia ter como título simplesmente a palavra Mulher. Contudo, este viria a ser posteriormente convertido num outro título - Malangatana - 50 anos de Pintura nos 450 Anos da Universidade.
No percurso artístico deste mestre, a Mulher assume papel central. Trabalhar este assunto seria, na nossa perspectiva, o juntar de dois elementos: a arte do mestre, que pode ser admirada nas obras que aqui agora expõe, aliada à investigação que se nos impunha sobre o seu conceito da mulher real, no seu quotidiano, excluindo da nossa parte a pretensão de uma interpretação de carácter artístico.
Oportunamente, numa das conversas que mantivemos com o artista no seu atelier, em Lisboa, divagámos sobre a questão. Ou seja, divagámos, pois toda a nossa relação se tem estabelecido de um modo informal, como informal se nos apresentou sempre este Homem em quem, desde a primeira ocasião, percebemos a vontade de nos dar a conhecer o seu percurso de vida, por sinal, nem sempre fácil.
Fruto da História que uniu e une Portugal e Moçambique, pensámos encontrar em Malangatana um homem ressentido com o passado colonial. Mas, pelo contrário, a sua vivência e a sua memória, fá-lo sustentar que os portugueses não se podem demitir da cooperação com África. Por isso, não hesitou em falar-nos sobre o processo de paz, nomeadamente os Acordos de Roma, lamentando o distanciamento que Portugal manteve em relação às negociações. É sua opinião que Portugal deveria ter assumido a liderança deste processo: "Portugal fez a Guerra" e, embora o tenha colonizado, conhece a História do país sua ex-colónia, portanto "pelo seu passado estaria mais preparado para as negociações entre a FRELIMO e a RENAMO".
Olhando o tema da Mulher, quisemos saber o que pensa sobre o assunto um homem de raça negra, um grande artista, que vive entre o mundo ocidental e um outro mundo - não ocidental - e que constantemente reflecte a Mulher na sua arte. Que cogitará ele a este respeito? Embora nascido numa sociedade preponderantemente patriarcal, começou por nos dizer que vê a mulher como o pilar da sociedade moçambicana, onde assume o papel de mãe e de pai. Por isso, quando lhe pedimos para definir Mulher, respondeu-nos: "A mulher é pai".
Pareceu-nos não fazer parte central das suas preocupações intelectuais a questão do feminismo. Contudo, está atento ao novo papel que a Mulher assume actualmente e reconhece que a mulher moderna "embora mais esclarecida e mais dinâmica fora do lar, começa a desagradar ao homem, pois a sua capacidade de gestão começa a criar complexos ao mesmo". Quando indagado sobre eventuais mudanças que poderiam resultar de um governo feminino em África, replica: "Talvez (algo) mudasse, mas elas ficariam sob uma ratoeira invisível (...) que seria o homem à espera da sua queda."
Sobre a polémica da atribuição de "cotas femininas" em alguns países, afirma que, no que concerne a Moçambique, este país tem muitas mulheres na política que se afirmaram pelas suas capacidades. Discorda desta politica de atribuição de cotas, pois em seu entender "inferioriza a mulher", e compara-a " à questão das cotas para negros nos USA e no Brasil". Lembra que hoje em dia muitas mulheres residentes em aldeias são dirigentes responsáveis pela manutenção da tradição, da política, fazem parte dos tribunais tradicionais... "Isto não era uma prática habitual, não fazia parte da tradição. A mulher assumiu esta dianteira depois da descolonização. Quando os homens não conseguem discutir os problemas devido à sua incapacidade, ao consumo do alcool ou devido à emigração, a mulher passa a assumir a liderança". Acrescenta que uma das principais diferenças entre a mulher portuguesa e a moçambicana se centra sobretudo numa questão de escolaridade: " Se fosse escolarizada, não haveria grandes diferenças e até estaria em primeiro lugar. Em Moçambique, talvez haja mais homens nas universidades, mas a situação está a inverter-se. Podem entrar mais homens mas são menos os que terminam os cursos. A maior parte da docência está entregue a mulheres, mesmo no ensino superior".
A aproximação que se sente, no domínio da escolaridade e do emprego, entre a mulher moçambicana e a portuguesa, parece não ter apagado alguns costumes ancestrais nesta sociedade africana, ainda que, oficialmente, estes não sejam permitidos. É o caso da poligamia. O nosso artista parece não discordar em absoluto da mesma e diz-nos a este respeito: "É uma prática ainda existente mas clandestina, no entanto, aceite pela sociedade." Não nota "que a mulher moçambicana se queixe da prática" e argumenta que "há razões psicológicas que a justificam". Concretiza: "A viúva pode não encontrar um marido e passa a viver infeliz. São poucas as mulheres que se queixam da prática." No entanto, também não condena o recurso a uma ligação extraconjugal da parte da mulher, caso o marido não tenha vida viril.
Se, por um lado, é defensor da tradição, por outro, sustenta a extinção de algumas práticas ligadas à mesma, como se verifica no caso da excisão feminina. Embora, no seu todo, rejeite "uma ocidentalização da mulher", no sentido da "imitação da mulher europeia", no que diz respeito à formação/educação, aceita o modelo ocidental, pois "só assim (a mulher) tem capacidade para aceitar ou rejeitar as coisas".
O binómio tradição/modernidade - submissão/insubmissão, reflecte-se, igualmente, quanto a nós, nas mulheres que elegeu, entre outras, como marcos da História Mundial: Miriam Makeba: "consciente da sua força"; Rainha Ginga: "heroína africana"; Joana D'Arc: "uma incompreendida"; Catarina Eufémia e Florbela Espanca: porque "desafiam a sociedade".
Divagando sobre a paixão por mulheres brancas, negras ou mulatas e fazendo jus às leis da física, diz: "A atracção é maior quando se cruzam duas raças contrárias ou duas cores contrárias. Mas a maior atracção assenta na simpatia, na doçura e não na cor. O coração não tem cor e a cor não o move". Sente-se atraído pela maneira como a mulher se organiza, se bambaleia e anda. Na pintura encanta-o "pintar sempre a mulher nua, mas não penso no corpo nu como se a estivesse a despir mas vivo o interior da mulher....Gosto de representar sobretudo os seios (...) Sinto respeito pela mulher.... O meu fetiche pelo erotismo significa respeito e valorização da mulher".
Indagado sobre o amor lésbico, respondeu-nos lendo um poema de sua autoria, que fala do amor entre duas mulheres e diz-nos: "este poema traduz um desenho. Com ele, pretendo homenagear as mulheres que no mundo querem afirmar publicamente o amor lésbico. Mas (confessa) a dada altura tive uma certa cobardia que foi fazer o poema como se se tratasse do amor dum homem por uma mulher. Escrevi surpeendidos em vez de surpreendidas. Não quis contrariar a natureza. Não sei porque o fiz, não quis fugir dessa parte que quer aceitar a homossexualidade mas há algo dentro de mim que não está bem limpo a respeito da homossexualidade".
Em fase conclusiva e ponderando a velha ideia de que todos os grandes Homens têm uma musa inspiradora, quisemos saber qual o seu ideal de Mulher. Disse-nos que "o primeiro olhar é físico, embora o belo nem sempre seja uma cara bonita." Mas fugiu sempre à nossa curiosidade sobre quem foram ou são as mulheres da sua vida. Como resposta, uma gargalhada. E acabou por nos confessar que "o coração tem compartimentos para guardar os segredos", assegurando: "Sou muito jovem ainda para dizer qual foi (...) e não estou desiludido com a mulher com quem casei. Ela é superior a mim". Palavras de um grande artista e declarado humanista a quem muito agradecemos a gentileza de nos ter dado o privilégio de com ele conversar. Esperamos tê-lo compreendido.
Évora, 12 de Janeiro de 2010
Maria de Deus Beites Manso Departamento de História
Português, Língua Oficial da Guiné Equatorial
A Guiné-Equatorial é um país da África Ocidental, dividido em três territórios descontínuos: um continental e os restantes insulares. A norte, no Golfo da Guiné, a ilha de Bioko é o território mais importante e alberga a capital do país, Malabo.
O país vizinho mais próximo é os Camarões, a nordeste, seguindo-se a Nigéria, a noroeste, Mbini, a sueste, e São Tomé e Príncipe, a sudoeste. O segundo território é a parte continental do país, Mbini, encravado entre os Camarões, a norte, o Gabão, a leste e sul, e o Golfo da Guiné, a oeste. Partes deste território estão mais próximas de São Tomé e Príncipe do que de Bioko.
Finalmente, a sudoeste, a pequena ilha de Pagalu completa o país, tendo como vizinhos mais próximos São Tomé e Príncipe, a nordeste, e o Gabão a leste.
O presidente da Guiné-Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, decretou que o português seria uma das línguas oficiais, ao lado do espanhol e do francês, condição prévia para poder entrar na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
O país deseja ainda o apoio dos oito países membros (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) para difundir o ensino da língua portuguesa no país, para formação profissional e acolhimento dos seus estudantes pelos países da comunidade lusófona.
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/portugues-lingua-oficial-da-guine.html
"A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio"

"A primeira condição para libertar os outros é libertar-se a si próprio; quem apareça manchado de superstição ou de fanatismo ou incapaz de separar e distinguir ou dominado por sentimentos e impulsos, não o tomarei eu como guia do povo; antes de tudo uma clara inteligência, eternamente crítica, senhora do mundo e destruidora das esfinges; […]
Hei-de vê-lo depois despido de egoísmos, atento somente aos motivos gerais; o seu bem será sempre o bem alheio; terá como inferior o que se deleita na alegria pessoal e não põe sobre tudo o serviço dos outros; à sua felicidade nada falta senão a felicidade de todos; esquecido de si, batalhará, enquanto lhe restar um alento, para destruir a ignorância e a miséria que impedem seus irmãos de percorrer a ampla estrada em que ele marcha.
Nenhuma vontade de domínio; mandar é do mundo de aparências, tornar melhor de um sólido universo de verdades; […]
Será grato aos contrários, mesmo aos que vêm armados da calúnia e da injúria; compassivo da inferioridade que demonstram fará tudo que puder para que melhorem e se elevem; responderá à mentira com a verdade e ao ódio com o bem; tenazmente se recusará a entrar nos caminhos tortuosos; se o conseguirem abater, tocará com humildade a terra a que o lançaram, descobrirá sempre que do seu lado esteve o erro e de novo terá forças para a luta; e se o aplaudirem pense logo que houve um erro também"
- Agostinho da Silva, “Quanto aos noviços”, Considerações [1944], in Textos e Ensaios Filosóficos I, pp. 119-120.
Últimos 3 lançamentos da NOVA ÁGUIA 4
24.02.10 - 17h00: B. M. de Vila Real de Santo António
24.02.10 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa
25.02.10 - 10h30: Escola do Bairro Padre Cruz, EB 2,3
Emudecimento e acção

"O meu conceito de um estilo e de uma escrita sóbrios e ao mesmo tempo altamente políticos é o seguinte: conduzir até aquilo que é negado à palavra; somente onde essa esfera do averbal se abrir numa potência indizivelmente pura, poderá a centelha mágica passar da palavra à acção movente, onde a unidade das duas for igualmente efectiva. Somente o intenso direccionamento das palavras para o interior do núcleo do mais íntimo emudecimento alcança o verdadeiro efeito"
- Walter Benjamin, Briefe, I, p.127.
MENSAGENS DE APOIO AO APOIO DO MIL À CANDIDATURA PRESIDENCIAL DO DOUTOR FERNANDO NOBRE

«De facto, está na hora de renascermos enquanto país...Não podemos continuar amorfos e ausentes de algo que pode influenciar o nosso futuro e o dos “outros. O exemplo tem, inevitavelmente, que vir de cima, mas este não será nunca, motivo suficiente para a tão esperada mudança. Cada um de nós terá uma função importantíssima na nossa sociedade...Teremos de ser nós a por esta máquina enferrujada a funcionar, num verdadeiro trabalho de equipa onde a compaixão, o altruísmo, a fraternidade e amor estejam de facto presentes.»
«A candidatura do nosso Amigo Fernando Nobre é absolutamente necessária, num país que se encontra perdido de si mesmo. Este, aliás é um dos motivos pelo qual estou preocupado com ele....Confiante, mas preocupado.»
«Sinto que não serão tempos fáceis mas acredito que a motivação e o exemplo dado por este homem, ao longo de uma vida inteira ao serviço dos “outros”, fará toda a diferença.»
«É preciso dar uma pedrada no charco, mostrar que Portugal NÃO É uma "classe política" canalha, e que o País tem, na sua sociedade civil, respostas para varrer a lixeira para onde essa gentalha o atirou. Aplausos»
«O Fernando Nobre merece o nosso apoio»
«Estou com os valores da Lusofonia e pela grande causa que nos move»
«Esperemos que pelo menos suscite uma grande mobilização popular, pois o actual sistema político-partidário não está à altura da grave situação em que o país se encontra.»











