EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas





O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Retrato de Mulher: "Mulher é pai"

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Quando há um ano, na atribuição do Doutoramento Honoris Causa da Doutora Graça Machel, se encarou a possibilidade da apresentação da obra do artista na Universidade de Évora, pensámos que esta poderia ter como título simplesmente a palavra Mulher. Contudo, este viria a ser posteriormente convertido num outro título - Malangatana - 50 anos de Pintura nos 450 Anos da Universidade.

No percurso artístico deste mestre, a Mulher assume papel central. Trabalhar este assunto seria, na nossa perspectiva, o juntar de dois elementos: a arte do mestre, que pode ser admirada nas obras que aqui agora expõe, aliada à investigação que se nos impunha sobre o seu conceito da mulher real, no seu quotidiano, excluindo da nossa parte a pretensão de uma interpretação de carácter artístico.

Oportunamente, numa das conversas que mantivemos com o artista no seu atelier, em Lisboa, divagámos sobre a questão. Ou seja, divagámos, pois toda a nossa relação se tem estabelecido de um modo informal, como informal se nos apresentou sempre este Homem em quem, desde a primeira ocasião, percebemos a vontade de nos dar a conhecer o seu percurso de vida, por sinal, nem sempre fácil.

Fruto da História que uniu e une Portugal e Moçambique, pensámos encontrar em Malangatana um homem ressentido com o passado colonial. Mas, pelo contrário, a sua vivência e a sua memória, fá-lo sustentar que os portugueses não se podem demitir da cooperação com África. Por isso, não hesitou em falar-nos sobre o processo de paz, nomeadamente os Acordos de Roma, lamentando o distanciamento que Portugal manteve em relação às negociações. É sua opinião que Portugal deveria ter assumido a liderança deste processo: "Portugal fez a Guerra" e, embora o tenha colonizado, conhece a História do país sua ex-colónia, portanto "pelo seu passado estaria mais preparado para as negociações entre a FRELIMO e a RENAMO".

Olhando o tema da Mulher, quisemos saber o que pensa sobre o assunto um homem de raça negra, um grande artista, que vive entre o mundo ocidental e um outro mundo - não ocidental - e que constantemente reflecte a Mulher na sua arte. Que cogitará ele a este respeito? Embora nascido numa sociedade preponderantemente patriarcal, começou por nos dizer que vê a mulher como o pilar da sociedade moçambicana, onde assume o papel de mãe e de pai. Por isso, quando lhe pedimos para definir Mulher, respondeu-nos: "A mulher é pai".

Pareceu-nos não fazer parte central das suas preocupações intelectuais a questão do feminismo. Contudo, está atento ao novo papel que a Mulher assume actualmente e reconhece que a mulher moderna "embora mais esclarecida e mais dinâmica fora do lar, começa a desagradar ao homem, pois a sua capacidade de gestão começa a criar complexos ao mesmo". Quando indagado sobre eventuais mudanças que poderiam resultar de um governo feminino em África, replica: "Talvez (algo) mudasse, mas elas ficariam sob uma ratoeira invisível (...) que seria o homem à espera da sua queda."

Sobre a polémica da atribuição de "cotas femininas" em alguns países, afirma que, no que concerne a Moçambique, este país tem muitas mulheres na política que se afirmaram pelas suas capacidades. Discorda desta politica de atribuição de cotas, pois em seu entender "inferioriza a mulher", e compara-a " à questão das cotas para negros nos USA e no Brasil". Lembra que hoje em dia muitas mulheres residentes em aldeias são dirigentes responsáveis pela manutenção da tradição, da política, fazem parte dos tribunais tradicionais... "Isto não era uma prática habitual, não fazia parte da tradição. A mulher assumiu esta dianteira depois da descolonização. Quando os homens não conseguem discutir os problemas devido à sua incapacidade, ao consumo do alcool ou devido à emigração, a mulher passa a assumir a liderança". Acrescenta que uma das principais diferenças entre a mulher portuguesa e a moçambicana se centra sobretudo numa questão de escolaridade: " Se fosse escolarizada, não haveria grandes diferenças e até estaria em primeiro lugar. Em Moçambique, talvez haja mais homens nas universidades, mas a situação está a inverter-se. Podem entrar mais homens mas são menos os que terminam os cursos. A maior parte da docência está entregue a mulheres, mesmo no ensino superior".

A aproximação que se sente, no domínio da escolaridade e do emprego, entre a mulher moçambicana e a portuguesa, parece não ter apagado alguns costumes ancestrais nesta sociedade africana, ainda que, oficialmente, estes não sejam permitidos. É o caso da poligamia. O nosso artista parece não discordar em absoluto da mesma e diz-nos a este respeito: "É uma prática ainda existente mas clandestina, no entanto, aceite pela sociedade." Não nota "que a mulher moçambicana se queixe da prática" e argumenta que "há razões psicológicas que a justificam". Concretiza: "A viúva pode não encontrar um marido e passa a viver infeliz. São poucas as mulheres que se queixam da prática." No entanto, também não condena o recurso a uma ligação extraconjugal da parte da mulher, caso o marido não tenha vida viril.

Se, por um lado, é defensor da tradição, por outro, sustenta a extinção de algumas práticas ligadas à mesma, como se verifica no caso da excisão feminina. Embora, no seu todo, rejeite "uma ocidentalização da mulher", no sentido da "imitação da mulher europeia", no que diz respeito à formação/educação, aceita o modelo ocidental, pois "só assim (a mulher) tem capacidade para aceitar ou rejeitar as coisas".

O binómio tradição/modernidade - submissão/insubmissão, reflecte-se, igualmente, quanto a nós, nas mulheres que elegeu, entre outras, como marcos da História Mundial: Miriam Makeba: "consciente da sua força"; Rainha Ginga: "heroína africana"; Joana D'Arc: "uma incompreendida"; Catarina Eufémia e Florbela Espanca: porque "desafiam a sociedade".

Divagando sobre a paixão por mulheres brancas, negras ou mulatas e fazendo jus às leis da física, diz: "A atracção é maior quando se cruzam duas raças contrárias ou duas cores contrárias. Mas a maior atracção assenta na simpatia, na doçura e não na cor. O coração não tem cor e a cor não o move". Sente-se atraído pela maneira como a mulher se organiza, se bambaleia e anda. Na pintura encanta-o "pintar sempre a mulher nua, mas não penso no corpo nu como se a estivesse a despir mas vivo o interior da mulher....Gosto de representar sobretudo os seios (...) Sinto respeito pela mulher.... O meu fetiche pelo erotismo significa respeito e valorização da mulher".

Indagado sobre o amor lésbico, respondeu-nos lendo um poema de sua autoria, que fala do amor entre duas mulheres e diz-nos: "este poema traduz um desenho. Com ele, pretendo homenagear as mulheres que no mundo querem afirmar publicamente o amor lésbico. Mas (confessa) a dada altura tive uma certa cobardia que foi fazer o poema como se se tratasse do amor dum homem por uma mulher. Escrevi surpeendidos em vez de surpreendidas. Não quis contrariar a natureza. Não sei porque o fiz, não quis fugir dessa parte que quer aceitar a homossexualidade mas há algo dentro de mim que não está bem limpo a respeito da homossexualidade".

Em fase conclusiva e ponderando a velha ideia de que todos os grandes Homens têm uma musa inspiradora, quisemos saber qual o seu ideal de Mulher. Disse-nos que "o primeiro olhar é físico, embora o belo nem sempre seja uma cara bonita." Mas fugiu sempre à nossa curiosidade sobre quem foram ou são as mulheres da sua vida. Como resposta, uma gargalhada. E acabou por nos confessar que "o coração tem compartimentos para guardar os segredos", assegurando: "Sou muito jovem ainda para dizer qual foi (...) e não estou desiludido com a mulher com quem casei. Ela é superior a mim". Palavras de um grande artista e declarado humanista a quem muito agradecemos a gentileza de nos ter dado o privilégio de com ele conversar. Esperamos tê-lo compreendido.


Évora, 12 de Janeiro de 2010


Maria de Deus Beites Manso Departamento de História