A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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terça-feira, 14 de setembro de 2010

O 1º CINQUENTENÁRIO DOS ‘BEATLES’

DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO

A 17 de Agosto de 1960, os ‘BEATLES’, o grupo musical mais famoso do mundo, dava o seu primeiro concerto mundial com este nome, não na cidade inglesa que os viu nascer – Liverpool -, mas, na Alemanha, em Hamburgo, num pequeno clube nocturno – o ‘Indra’ - onde conseguira o seu contrato inicial.

Antes desta designação universalmente conhecida, os ‘BEATLES’ tiveram diversos nomes. Começaram por se chamar ‘Quarrymen’, nome que derivava da designação ‘Quarry Bank’, o antigo liceu de Liverpool, frequentado por John Lennon. Este, Paul McCartney e George Harrison formavam então a banda, que não tinha baterista.

Por esta época, tocavam as canções dos músicos mais conhecidos – Elvis Presley, Chuck Berry, Buddy Holly, Bo Diddley e Lonnie Donegan. Um pouco mais tarde, mudaram de nome, passando a designar-se por ‘Johnny and the Moondogs’. Mas esta alteração foi de pouca duração, pois quando conseguiram tocar no ‘Jacaranda’, um clube onde todas as noites actuava o grupo de Liverpool ‘Rory Storm and the Hurricanes’, cujo baterista era Ringo Starr, os três amigos – John, Paul e George – alteraram de novo o nome da banda, desta vez, para ‘Silver Beatles’.

A ideia desta transformação onomástica partiu de John que, gostava destas designações que tinham por base insectos, como a banda de Buddy Holly, os ‘Crickets’, e assim chegaram a ‘Beetles’ (escaravelhos), porém, Lennon propôs que alterassem o segundo e para a, uma vez que, por um lado, sonhou que a palavra com a teria imenso êxito, por outro, a palavra lida com as sílabas ao contrário soava a francês: ‘Les Beat’.

Entretanto, juntaram-se ao grupo Stuart Sutcliffe e Pete Best, o último era o baterista que há tanto esperavam. Estes dois, juntamente com os já mencionados John, Paul e George, reduziram o nome da banda para ‘THE BEATLES’, designação que, tal como John previra, teve um êxito mundial e nunca visto. Foi, pois, com este nome e com esta formação, que a banda mais conceituada do mundo se estreou em Hamburgo, a 17 de Agosto de 1960, fazem agora cinquenta anos.

De regresso a Liverpool, o grupo com uma nova formação, pois Sutcliffe ficou a viver em Hamburgo e, na bateria, Pete Best foi substituído por Ringo Starr, começou a tocar num acanhado clube chamado ‘Cavern’, porém, os ‘Beatles’ continuaram a serem desconhecidos, até ao dia em que três pessoas entraram na loja de venda de discos de Brian Epstein e manifestaram o desejo de comprar um single do grupo. Epstein desconhecia-os, mas, como bom empresário, informou-se sobre quem eram e onde actuavam. Deslocou-se então à ‘Cavern’ e ficou maravilhado com o que viu. Propôs-se ser o ‘manager’ dos ‘BEATLES’ e, em breve, lhes arranjou um contrato para gravarem o primeiro disco, intitulado ‘Love Me Do’, que saiu em finais de Setembro de 1962 e atingiu o décimo sétimo lugar na tabela de vendas inglesa.

A partir daqui, foi sempre a subir. A 16 de Fevereiro de 1963, o segundo disco dos ‘BEATLES’, ‘Please Please Me’ atingiu o primeiro lugar na tabela de vendas inglesa e, desde este momento, todos os discos do grupo entraram de imediato para o ‘Top One’, o que não é de estranhar, pois, notemos como exemplo, o facto do sexto ‘single’, ‘Can’t Buy Me Love’, antes de ser lançado ter já encomendas de três milhões de exemplares, o que lhe valeu a entrada para o número um de vendas, tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos.

Porém, como tudo o que é humano tem um fim e, assim, a 10 de Abril de 1970, Paul McCartney anunciava aos órgãos de comunicação o fim dos ‘BEATLES’. Uma década de vida bastara para transformar e elevar a música popular ao mais alto nível

segunda-feira, 22 de março de 2010

Revista Portuguesa de Musicologia - nºs 14-15

A MÚSICA DA IDADE MÉDIA
E DO RENASCIMENTO

Director: Manuel Carlos de Brito
Directora-Adjunta: Teresa Cascudo
Director-Adjunto: João Soeiro de Carvalho

Nesta edição colaboraram vários autores oriundos não só de Portugal, mas também de França, Inglaterra, Estados-Unidos da América e Austrália, incluindo nomes consagrados como Michel Huglo, bem como jovens licenciandos em Ciências Musicais.

Partindo da notação musical do séc. XII, os temas estão organizados de forma cronológica até ao séc. XVII. Dá-se especialmente importância à indagação de fontes de música manuscritas (fragmentos de Zamora, Elvas e Leiria, processional português de Chicago) mas também à antiga teoria musical (Anónimo de Évora, Mateus de Aranda). De sublinhar a importância da identificação e publicação de uma fonte de polifonia e de uma fonte teórica inéditas, ambas do século XV. Para além dos artigos, encontra-se uma secção de notícias e recensões, com informações bibliográficas de relevo.

Associação Portuguesa de Ciências Musicais

Colaboradores:
Kathleen E. Nelson, Gil Miranda, Michel Huglo, Manuel Pedro Ferreira, Bernadette Nelson, Harvey L. Sharrer, Owen Rees, David Cranmer, Rui M. Pinto, Luís M. Santos, José Sacramento, Jean-Paul Olive, Júlia-Miguel Bernardes, Adriana Latino, J. P. D’ Alvarenga

www.zefiro.pt

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Um nome: Eduardo Ramos

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Eduardo Ramos é cantor e toca Alaúde árabe e outros instrumentos árabes,portugueses e africanos.
Músico autodidacta começou a sua carreira a tocar Música Tradicional Portuguesa e algum Rock-Jazz, assim como música Africana. Participou em inúmeros espectáculos em Angola onde viveu alguns anos, Espanha, Bélgica e Alemanha onde participou num concerto internacional transmitido pela rádio e televisão da Baviera e no Festival der Kulturen em Augsburg.
Actualmente Eduardo Ramos dedica-se ao estudo e à interpretação da música Medieval Ibérica do sec.XIII, assim como da Música Árabe e dos Judeus Sefarditas do Ocidente e Oriente, sendo um dos percussores da divulgação desta música em Portugal.
Eduardo Ramos tem tocado por todo o país em concertos que se realizaram em Igrejas, Museus, bibliotecas, Centro Cultural de Belém, Mosteiro Dos Jerónimos para a Associação Portugal - Egipto com a presença dos embaixadores de Marrocos e Argélia e igualmente para a senhora embaixatriz do Egipto. Actua também em feiras medievais e outros eventos dedicados a noites árabes.
Participou em alguns programas da televisão portuguesa como “Jaquitá”, “O Passeio dos Alegres”, “A Festa Continua”, “A Outra Face da Lua”, “Portugal no Coração” e foi entrevistado para a rádio, jornais e revistas.
Tem seis álbuns gravados, sendo os três últimos dedicados à música Medieval, Sefardita e Árabe.
Formou o grupo musical “Ensemble Moçarabe”, com o qual tem dado concertos por todo o país. Tem tocado com grandes músicos como Rão kyao, Raimundo Engelhartdt, Pedro Jóia, Paulo e Joaquim Galvão, João Pedro Cunha, Bruna Mélia, Tuniko Goulart, Vilma Keutcharian, Baltazar Molina. Em 2008 deu um concerto para o príncipe Aga Kahn, durante a sua visita a Portugal.

http://www.myspace.com/eduardoramosmocarabe

domingo, 6 de setembro de 2009

A todos os músicos e amantes da música

"Quando com concentrada atenção se escutam os amplos sons das cordas ou de outros instrumentos musicais, identificamo-nos então com a realidade suprema (para-vyoman)"

- Vijñana Bhairava, 41 (texto sagrado do Shivaísmo de Cachemira).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

NOITES MESTIÇAS 2009 na DI-Box em Arruda dos Vinhos

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Este ano a Zoomusica em parceria e com o alto patrocínio da Divulgar Iniciativas tem o prazer de apresentar as Noites Mestiças versão de 2009 que vão decorrer no espaço da DI-BOX em Arruda dos Vinhos integrado nas semanas de gastronomia lusófona que mensalmente e até ao fim do ano ocorrerão neste espaço. Os concertos das Noites Mestiças decorrerão uma vez por mês entre os meses de Junho e Novembro.
Para além da música apresentaremos mensalmente artistas plásticos que valorizarão o fantástico espaço da DI-BOX. Neste mês de JUNHO mostramos ao público na galeria da DI-BOX uma Exposição de FOTOGRAFIA "Um passeio de objectiva" da autoria de FLAVIANO MINDELA representando a GUINÉ BISSAU.

Teremos na música GUTO PIRES a 26 de Junho de 2009 na DI-Box em Arruda dos Vinhos.
Este Cantor nasceu na Guiné Bissau em 1964 e desde criança sempre sonhou ser cantor. Chegado a Portugal nos anos 70, criou e participou em diversos projectos musicais, entre os quais avulta o grupo ISSABARY, de que foi co-fundador em 1983. O grande objectivo do seu empenhamento nestes projectos foi sempre o de divulgar a música tradicional e popular da Guiné-Bissau.

Firmino Pascoal
http://festivaldasnoitesmesticas.blogspot.com
http://zoomusicaartwork.blogspot.com

sábado, 30 de maio de 2009

Cioran: Música, êxtase e saudade

"S.J.: Em resumo, a música confronta-nos com este paradoxo: a eternidade entrevista no tempo.
C.: É com efeito o absoluto captado no tempo, mas incapaz de aí permanecer, um contacto simultaneamente supremo e fugitivo. Para que permanecesse, seria necessária uma emoção musical ininterrupta. A fragilidade do êxtase místico é idêntica. Nos dois casos o mesmo sentimento de incompletude, acompanhado por uma mágoa dilacerante, por uma nostalgia sem limites.

S.J.: Esta nostalgia é precisamente o fundamento da vossa visão do mundo. Como a definiríeis?
C.: Este sentimento liga-se em parte às minhas origens romenas. Ele impregna ali toda a poesia popular. É uma dilaceração indefinível que se diz em romeno dor, próxima da Sehnsucht dos Alemães, mas sobretudo da Saudade dos Portugueses”

- Cioran, Entretien avec Sylvie Jaudeau, Entretiens, Paris, Gallimard, 1999, p.230.

sábado, 2 de maio de 2009

Mostrai-Vos



«Giras sobre a tua própria luz, decantas as chamas sobre as silvas, no paúl. Vivo, me espanto que alvoreças entre os lençóis, nadas pelos sílexes, no cimo dos solários. Os reflexos da piscina ensombram o céu, o sol lima os toldos, no relvado. A sarça dos estores rasga a manhã, entre o ventre e o espasmo. Cíclame de fogo, acorre ao meu resgate, prata marinha tutela o meu abrigo, e vós, mostrai-me em sonhos o zagal, o zarcão.»
António Ferreira, O Comboio de Lúcifer

sábado, 18 de abril de 2009

Pela Nau da Palavra, a Terra da Alma

Falamos com o corpo, não com palavras. Não existem palavras, apenas sons do silêncio chamados palavras.
As letras são sons mortos - mudos; as palavras escritas estão paradas, tomando apenas movimento através de quem as lê.
A Palavra permite que o corpo se mova, mantendo-se parado, que viaje: que Voe, devolvendo, assim, a Alma a Si mesma, ao seu movimento perpétuo e infinito. O Homem é, com isso, a síntese mais completa da Alma Universal, da sua Mãe-Terra: o Sol. Pois também o Sol se move estando parado, sendo através da Terra.
A Palavra gira em torno da Alma, tal como a Terra em torno do Sol. Pelo Silêncio, a Palavra regressa ao interior da Alma, a Terra ao do Sol, é Noite. E é permanecendo em Silêncio que a Eternidade inteiramente se revela...
Ah como será ver raiar o Dia dentro da Alma?
Entre Movimento e Som existe uma relação íntima, que os faz ser um só: é pelo Movimento que o Som se produz, e vice-versa - o Verbo representa os Dois. Porém, o Primeiro Movimento é sempre a base do Som, ou seja, para que haja o Som-Palavra, tem de haver sempre o Primeiro, o Verbo que criou e cria esse Som, o que faz mover: o Coração.

«(...) D. Fernando está para Camilo [Castelo Branco], como D. Sebastião para Camões. Tudo acaba na Literatura. Onde existe o Império Romano? Na Eneida. E Portugal existe nos Lusíadas. A arte é a última flecha dum templo, a conclusão da Natureza.»
Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

Tudo acaba onde começa: o Verbo expresso em Movimento pelo Corpo-Terra na Palavra do Homem, a Palavra do Homem na Sua Alma-Sol.

«O som só se pode propagar através da matéria: gases, como o ar; líquidos e sólidos. A luz também se pode propagar no vácuo.»
Site
«Na química, o vácuo é a ausência de matéria»
Wikipédia
... é a morte. A luz move-se através da Morte - da matéria.

O Corpo é como Mãe: criando a Alma que será o seu Filho, que nascerá, não a partir da mera separação da Mãe-Matéria, porque esse não é o verdadeiro nascer, mas a partir da sua morte, ao nascer para a Ser, em forma de Sentimento e Voz Unidos: de Luz.

«O mesmo sol que abre os céus
É um mytho brilhante e mudo -
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo»
Fernando Pessoa, Mensagem



«A lei tenho de Aquele a cujo império
Obedece o visíbil e ínvisíbil,
Aquele que criou todo o Hemisfério,
Tudo o que sente e todo o insensíbil;
Que padeceu desonra e vitupério,
Sofrendo morte injusta e insofríbil,
E que do Céu à Terra, enfim, desceu,
Por subir os mortais da Terra ao Céu.

Deste Deus-Homem, alto e infinito,
Os livros que tu pedes não trazia,
Que bem posso escusar trazer escrito
Em papel o que na alma andar devia
.»
Luís de Camões, Os Lusíadas, Canto I, 65-66

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Terra do Sempre

A Morte e o Amor, os dois lados de uma só face: a Nossa;
a Ausência e a Ausência da Ausência, a Presença.
Ahh!, o Possível é, pois, o Impossível do Impossível...
ou o extremo do Impossível.
Como não Desejar alcançar a Terra do Nunca?,
se aqui, onde vivemos, é já a Terra do Nunca do Nunca,
e só por isso nela andamos.
Mas não, eu só quero a Terra do Sempre. Sem-pré.
É lá que mora o meu Coração Independente da Morte: de Si.
Eterno vagabundo, vag(ue)ando pelas ondas do Amor sem fim.

O Amor Real é o que se sente imortal, pois só assim se pode unir à Morte (que o precede): existir.
Só a Morte pode ser Amada, só assim o amador se transforma na amada.
O Amor Ama, a Morte é Amada. A Morte Ama o Amor, matando-O...
O Amor, espelho da Morte, mata a Morte: torna-a Imortal.
É Amando para lá do Amor - em Amor Absoluto, que a Morte é Amada para lá da Morte: que a Morte mata sem matar.

À falta de um Amor de(a) Morte que nos ligue, restou-nos nas mãos esta morte do Amor...

«Nas praças, nos templos e olivais
um grito de louvor à Terra, dançai!

Vim sem o esplendor da aurora, mendiga,
não como as musas de outrora, dadivosas Diotimas,
vim mendigar o que há muito vos ofertei, Poetas:
sopro-vos à garganta dilatada, vossos olhos ceguei
para que o fundo olhar se liberte. Sibila em agonia,
há tanto silenciada, falarei por vossas bocas,
em vossos versos arquejará minha voz embriagada, rouca -
sustos e soluços, gritos, silvos, neblinas de esgares,
mares de canto e pranto. No tempo além do tempo
meus lábios murmuram por ti e perto dos templos derruidos,
a respiração do velho Mar, seus haustos e gemidos.

Mostra-me o silêncio o lacre escarlate, verbo indigente
dos mitos que sempre me uniram às setas de Apolo.
Há tanto minha palavra foi calada, os deuses recuavam...
Mas os poetas mantiveram-me viva. O mais ínfimo
deu-me de beber e em sua hídria refresquei meu rosto.
Sensíveis a meu sopro, os maiores coroaram-me de folhas verdes.
O nascimento do Poema é o silvo que Apolo harmoniza e Orfeu faz cantar.
Rompendo as cisternas escuras eu vim, raiz coleante
por entre as pedras e a secura. Dilacerada, arquejante,
acolhe-me Apolo em seus braços de névoa.
Gemidos rasgam mil caminhos na gruta: Ai, ai, oh...
A Sibila arrasta-se no pó, soluça, seus lábios deliram,
traça no ar os gestos incertos dos agonizantes, colhe flores
na neblina. Ai, ai, oh... Foram-se os deuses da Grécia,
só espelhos reflectem espelhos, o eterno assim se dá e esconde.

Onde Afrodite, a de róseos tornozelos, ungida de óleo incorruptível,
com seus perfumes, colares e pulseiras cintilantes?
Onde Ártemis, a de doçura selvagem? Foram-se as ninfas
e hamadríades! Nunca mais a vida estuante dos bosques,
suas flores e clareiras, onde Zeus e Hera adormeciam ao calor do dia.

Ai, ai, neblina, o que enlaçarão agora nossos braços?
Não mais que névoa e vento. Apolo, assim te afastas, e me deixas presa
à teia indecifrável destes sons selvagens? Aaa Oooo...
Em teu ombro dourado me apoiava, inventando poemas que ditavas
a meu secreto entendimento. Infeliz de mim! Agora
só posso tocar névoa e memória. Dissiparam-se Mundo e Palavra.

A Sibila chorou.

Nesse momento as coisas cessam, silenciosas,
atemorizadas. Os ventos param de soprar,
nas árvores as folhas não se movem.
Os rios adormecem e o gigantesco Mar
é liso e sem ondas. Paira sobre tudo um
SANTO SACRO SILÊNCIO

Perde-se na neblina a medida do Tempo,
tudo se abisma no silêncio, à espera
do alto Deus, meta dos séculos.

A Sibila abre os grandes olhos
e vê o Deus que nasce.

A Mãe, junto ao Menino, parece uma vinha
e enquanto a Lua surge, clara, ela adora
o Filho em seus braços. De ouro vivo é a Criança
e em resplendores toda a gruta se ilumina.
Luz nascida como o orvalho descendo do Céu à Terra
e em torno, suavíssimo aroma.
Anjos perpassam, alígeras borboletas
e cantam: Amém.

A Sibila sorri.

Um cântico novo brota em seus lábios, mas não é seu,
o infinito o modulou:

O aroma de teus perfumes é delicado
e teu nome, óleo que se derrama.
Serás novo júbilo e alegria...
Não repares em minha tez morena, que o sol queimou.
Irados, meus irmãos fizeram-me guardar as vinhas,
eu, esquecida da Vinha!

Ouço a voz do meu Amado batendo à porta
Lentos são meus pés e ao abrir a porta
o Amado já se foi. Corre minha alma
e o busca por toda a parte. Não respondes, Amor,
ao meu chamado?

Eu vos suplico, filhas de Jerusalém,
se o encontrardes
dizei-lhe que estou doente de amor.

O que tem ele - elas perguntam -
o que tem o teu Amado mais do que os outros
para que assim o busques, quase morta?

Meu Amado é róseo e brilhante,
meu Amado vermelho. Sua cabeça é de ouro puro,
seus cachos, negro-azulados.
Seus olhos são duas rolas
perto de um lento riacho.
Destila mirra
o lírio de seus lábios.
Sei que habita um jardim,
companheiros ouvem sua voz...
Oh, faze que eu também te escute!

Quem é essa que vem do deserto
como um cântaro apoiado a um peito amoroso?
Ele é um selo sobre seu coração,
sobre seu braço moreno,
pois o Amor é forte como a Morte,
seus centelhas são de fogo:
uma chama divina!

Dissipa-se na névoa um rosto efêmero,
mas a face do Amado permanece.»
Dora Ferreira da Silva, Poesia Reunida

Portugal está Vivo!...
Pois É a - Vera - Vida!




«Só na reflexão do espelho da água, ou do tempo que passa, se duplica e vem mostrar a eternidade: o céu se reflecte na terra.»
Dalila Pereira da Costa, Introdução à Saudade

domingo, 22 de março de 2009

Nada se deve dizer uma só vez. Nem nada. Onde está a luz?

De Platão a Marx tem-se reflectido sobre quem deve estar à frente do presente e do futuro de um povo, de uma nação: se os melhores ou o melhor dos melhores, mas nunca os outros...

O conhecimento da história, que não tem significado aprendizagem, tão-só conhecimento, pois a natureza humana vive em conflito e na intemporal condição da conquista e do recuo, é, todavia, importante se analisado criticamente e não passivamente. Importa saber ler e não somente ler.

Rosseau dizia que "o homem é naturalmente bom". Esqueceu-se de dizer que também é naturalmente ridículo, pois o homem do progresso também é o homem do atavismo; o homem da solidariedade como única forma de dignidade humana, como dizia Kafka, é também o homem do relativismo inconsequente (e não me refiro a Kant ou ao criticismo).

De facto, a arte, os poetas e os filósofos nunca estiveram convenientemente à frente, segurando os cornos da corrente decisória, ressalvando algumas épocas em que o saber, como o defendo, foi um oceano influente e sem costa.

Compreendo que por vezes os poetas e os filósofos não saibam para onde vão. Contudo, sabem por onde não devem ir, sendo este porventura também uma premissa pascoalina: da importância do princípio.

Na utopia do lugar do impossível, isto porque assim como todo o homem é um excepção, também todos os povos são uma excepção, um corpo de vontades, prevejo sem impaciência o futuro, tendo saudades dele, como dizia Pessoa.

Assim, sempre digo sobre o meu pessimismo no presente: que seja um redondo erro e uma plena frustração futura.

Há uma música dos Flaming Lips que diz "Where is the light that you have shining all around you?"

P.S. O que queria Miguel de Cervantes dizer, na parte 1, capítulo 20 do Dom Quixote... com "Só há duas famílias no mundo, como a minha avó costumava dizer: os que têm e os que não têm."?

Têm o quê? Só se for as suas "almas desertas e grandes", como disse Pessoa - condição de cada um, mas também de todos, pois "o mundo inteiro é uma só alma, todos fazemos parte dela", regista um poema ameríndeo.

É óbvio que tudo tem a ver com tudo e que são caros os estados de entorpecimento e dramáticos os registos dos incautos.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Concerto de Comemoração do 400.º Aniversário de Nascimento do Padre António Vieira


6 de Fevereiro de 2009, às 21h30
Local – Aula Magna
Organização REITORIA – Divisão de Actividades Culturais e Imagem da DSRE Universidade Católica Portuguesa Província Portuguesa da Companhia de Jesus
Entrada Livre


Este concerto insere-se no âmbito das comemorações dos quatrocentos anos sobre o nascimento do Padre António Vieira.

Actuação da Orquestra Metropolitana de Lisboa
Direcção César Viana

Barítono João Merino

Programa

Sousa Carvalho (1745-1799) - Abertura do em Te Deum
Lourenço Rebelo (1610-1661 - Dixit Dominus (orq. César Viana)
Rameau (1683-1764) - Suites Les Indes Galantes

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

sábado, 15 de novembro de 2008

Cinema: Kuduro, fado e música tradicional portuguesa este mês na Fonoteca

Lisboa, 15 Nov (Lusa) - O crescente interesse pela música africana, sobretudo pela que é feita em Angola, está representado em quatro dos doze documentários que a Fonoteca exibe a partir de terça-feira em Lisboa.

A quarta edição da Mostra "Imagens sobre música" arranca no dia 18 com a exibição de "Mãe Ju", filme de Inês Gonçalves e Kiluanje Liberdade sobre os diferentes estilos de música que se praticam actualmente nos bairros populares de Luanda.

Até ao dia 22, serão exibidos ainda três outros documentários, da produção recente portuguesa, que incidem sobre música nascida em África.

Destaque para a exibição no dia 20 de "Kuduro, fogo no musseke", de Jorge António, documentário que procura as origens deste género musical e de dança e que faz parte de uma trilogia daquele realizador sobre a música angolana.

Ainda sobre África será exibido no dia 19 o filme independente "É dreda ser angolano", do colectivo Fazuma, rodado em Luanda a partir da audição do disco "Ngonguenhação", do Conjunto Ngonguenha.

A mostra organizada pela Fonoteca, que se destina a revelar os mais recentes documentários portugueses sobre música, inclui ainda "Arritmia" e "Manda adiante", duas obras de Tiago Pereira, realizador que há pelo menos dez anos se tem dedicado à recolha etnográfica de música e dança tradicionais e populares portuguesa.

"Arritmia", que passa na Fonoteca no dia 21, é sobre o festival Andanças, de São Pedro do Sul, enquanto que "Manda adiante", a exibir no dia 22, se centra nos tocadores e bailadores de uma localidade da Serra de Grândola.

"Brava Dança", de Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro, sobre os Heróis do Mar, e "Fados", de Carlos Saura, são outros filmes incluídos nesta mostra, que acontecerá sempre ao final do dia e com entrada gratuita.

SS.


FONTE: http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=373067&visual=26&tema=5

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

The Cure - Pictures Of You

Dedicado a Klatuu Niktos, Lord Of Erewhon

No Dia da Música, fora todos os outros...

"Eu tenho uma espécie de dever, dever de sonhar, de sonhar sempre,
pois sendo mais do que um espetáculo de mim mesmo,
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E, assim, me construo a ouro e sedas, em salas
supostas, invento palco, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis."
Fernando Pessoa

"Sonho Impossível

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão"
J. Darion, Maria Bethânia