Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
quarta-feira, 31 de março de 2010
8º ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES DE FILOSOFIA
CONVITE À PROPOSTA DE COMUNICAÇÕES
A Sociedade Portuguesa de Filosofia, em parceria com a Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, organiza este ano a 8ª edição dos Encontros Nacionais de Professores de Filosofia, nos dia 10 e 11 de Setembro 2010, em Portimão. Neste âmbito, está aberto o prazo de candidaturas para a apresentação de comunicações em língua portuguesa sobre quaisquer tópicos considerados relevantes para o ensino da Filosofia. As comunicações não devem exceder os 30 minutos, de modo a reservar pelo menos 20 minutos à discussão.
Os candidatos deverão enviar para o endereço spfil@spfil.pt, até 30 de Abril, o título da sua comunicação e um resumo da mesma, que não exceda as 500 palavras e que inclua um esboço do argumento proposto. Na rubrica “Assunto” deverão inscrever “8ENPF RESUMO”. O resumo deverá ser anexado em formato Word ou pdf e não deverá conter nenhuma referência que permita identificar o autor ou instituições a que este esteja ligado. O mesmo será apreciado sob anonimato, sendo aceites no máximo duas comunicações. A decisão do júri será comunicada aos autores por correio electrónico até 1 de Maio.
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
domingo, 28 de março de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 28 de Março...

Foi mais uma grande sessão em Sesimbra, ontem. Após uma breve apresentação do conteúdo do último número da NOVA ÁGUIA, António Carlos Carvalho, Pedro Martins e António Telmo centraram-se na “situação cultural de hoje”, a partir dos textos que cada um deles escreveu para este número. Três perspectivas diversas, mas convergentes no diagnóstico. A “situação cultural de hoje” está muito longe de ser fecunda. Mas também foi para alterar isso que a NOVA ÁGUIA nasceu…
Agora haverá uma pausa. Depois da Páscoa, outras sessões estão já agendadas…
Fernando Nobre: serei então de “esquerda” ou de “direita”?
Três ideias fortes de uma entrevista ao Doutor Fernando Nobre1. Portugal deve ser pensado não apenas no espaço europeu mas também no espaço lusófono, que de resto extravasa o espaço da CPLP. Há em todo esse espaço um potencial cultural – mas também social, económico e político – ainda por cumprir. Nessa reorientação estratégica de Portugal está a chave da resolução da grave crise estrutural em que vivemos.
2. A regeneração da democracia em Portugal passa por dar mais poder à sociedade civil – e daí, também, a importância desta candidatura. Só um candidato não dependente e por isso não refém da partidocracia tem condições efectivas para dar mais poder à sociedade civil.
3. A antinomia “esquerda-direita” confunde mais do que esclarece – perguntou o próprio Doutor Fernando Nobre: na medida em que me assumo como “patriota” e “lusófono”, tenderei a ser considerado como “de direita”; enquanto pessoa que sempre teve “preocupações sociais”, tenderei a ser considerado como “de esquerda”. Serei então de “esquerda” ou de “direita”?
Também publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/03/fernando-nobre-serei-entao-de-esquerda.html
Prémios Culturais 2010
Exmos Senhores,
A Sociedade Histórica da Independência de Portugal (SHIP) atribui anualmente vários prémios culturais. Este ano irão ser contempladas as categorias de “Imprensa Regional”, “Monografia” e “Livro”.
O Prémio Imprensa Regional pretende galardoar artigos publicados na imprensa, no ano anterior à sua atribuição, que salientem fundamentalmente os valores que contribuam para a definição da Independência de Portugal e da Identidade do País.
O Prémio Monografia, que procura destacar uma efeméride de grande dimensão nacional, visa este ano premiar um trabalho sobre o poeta, jornalista, político, romancista e historiador “Alexandre Herculano”, no âmbito das comemorações dos 200 anos do seu nascimento.
O Prémio Livro pretende galardoar um livro publicado nos cinco anos anteriores à data do lançamento do Prémio, que tenha como referência fundamental a identidade de Portugal e/ou os valores históricos e culturais que contribuem para definir Portugal como país livre e independente.
A data limite para entrega dos trabalhos é 31 de Março de 2010.
Com os votos de um excelente ano de 2010, e gratos pela divulgação que o assunto possa merecer, apresentamos os nossos cordiais e cumprimentos,
José Ângelo Lobo do Amaral
Director da SHIP
Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Palácio da Independência
Largo de São Domingos, n.º 11 (ao Rossio)
1150-320 LISBOA
Tel. 21 3241470
ship.actividadesculturais@ship.pt
sábado, 27 de março de 2010
Hoje: 175º lançamento da NOVA ÁGUIA
27.03.10 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
Com a presença de António Carlos Carvalho, António Telmo, Pedro Martins e Renato Epifânio
sexta-feira, 26 de março de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 26 de Março...

Ontem, conforme o anunciado, a NOVA ÁGUIA voltou ao Algarve. Primeira paragem: Olhão. Já lá havíamos estado, na Sociedade Recreativa Olhanense. Ontem, na Biblioteca Municipal. Com os amigos que estiveram presentes da outra vez, mais alguns que se juntaram. Há sempre alguém que se junta…
Depois, na Livraria Pátio das Letras, em Faro. Também aqui pela primeira vez: não em Faro, mas na Livraria, um espaço muito agradável, onde, segundo a proprietária, a NOVA ÁGUIA tem estado presente desde o primeiro número…
Por fim, Tavira: este sim um local novo do MAPIÁGUIO. Nunca lá havíamos ido. Foi uma sessão muito participada, presidida pelo Presidente da Câmara, que se prolongou até bem tarde…
Em Abril, novos locais do Algarve juntar-se-ão ao MAPIÁGUIO. Graças, sobretudo, ao notável empenho da Maria Luísa Francisco. Que, em sinal do nosso reconhecimento, faz entretanto parte do nosso Conselho Editorial…
(Presidente da Câmara de Tavira, na abertura da sessão)
(Proprietária da Livraria Pátio das Letras, dirigindo-se aos presentes)
(parte da assistência, em Olhão)
6 de Abril, na Corunha
O dia 6 de Abril, terça (martes), participará dentro do ciclo “Língua, Literatura e Naçom” o jornalista e ensaísta, José Luís Gómez Gómez. A sua palestra versará sobre “Imprensa periódica e Língua Galega”
José Luís Gómez Gómez é fundador do diário de papel e de Xornal.com. Trabalhou como redactor, chefe de secçom, redactor-chefe e director do diário A Voz de Galícia entre 1982 e 1999. Foi director de Coordenaçom de Publicaçons e de Comunicaçom de Grupo Zeta, até 2003 onde se tinha incorporado, em 1999, como director editorial da Divisom de Imprensa Diária. Foi chefe da Secçom de Economia e coordenador do suplemento Economia e Finanças da Voz de Galícia, entre 1987 e 1995. Nos anos 98 e 99 exerceu como director editorial do Grupo Voz, ao que entom pertenciam quatro jornais e a emissora Radiovoz. Foi conselheiro da Voz de Galícia, A Voz de Baleares, Atlas Galícia e Xornal Galinet
No plano académico, dirigiu um curso da UIMP (1998) sobre o sector da comunicaçom e foi professor do Master em Jornalismo da Universidade da Corunha, assim como membro da Comissom de Meios de Comunicaçom da Fundaçom de Ajuda contra a Drogadiçom (2002-03). Também é autor dos livros dos quais sublinhamos: A vueltas con España, Galícia ante la CEE, Economía de las Comunidades Autónomas. Galicia
Dia: 6 de Abril 2010 - Hora: 8 do serám
Local: Fundaçom Caixa Galiza
Cantom Grande – Corunha
Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano
No âmbito das Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano (1810-2010), a Câmara Municipal de Lisboa organizará, no próximo dia 28 de Março (dia do nascimento de Alexandre Herculano e Dia Nacional dos Centros Históricos), pelas 17.30h, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, uma palestra intitulada “Alexandre Herculano, Patrono do Municipalismo e dos Centros Históricos Portugueses”, proferida pelo Prof. Doutor Pedro Gomes Barbosa (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Instituto Alexandre Herculano de Estudos Regionais e do Municipalismo).
Programa (28 Março 2010 Sala do Arquivo dos Paços do Concelho):
> Apresentação do Programa Municipal para as Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano (1810-2010)
> Palestra “Alexandre Herculano, Patrono do Municipalismo e dos Centros Históricos Portugueses”, pelo Prof. Doutor Pedro Gomes Barbosa (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa – Instituto Alexandre Herculano de Estudos Regionais e do Municipalismo)
> Visita guiada à exposição LISBOA REPUBLICANA – roteiro patrimonial (Galeria de Exposições dos Paços do Concelho)
Agradecemos a divulgação desta iniciativa. Para mais informação ou outros esclarecimentos contactar: Maura Pessoa – tel. (geral) 213 246 290/8
E-mail: maura.pessoa@cm-lisboa.pt
Amanhã: 175º lançamento da NOVA ÁGUIA
27.03.10 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
Com intervenções de António Carlos Carvalho, António Telmo, Pedro Martins e Renato Epifânio
Da morte como única novidade radical para muita gente
- Walter Benjamin
quinta-feira, 25 de março de 2010
Hoje, a NOVA ÁGUIA regressa ao Algarve...
25.03.10 - 17h00: Biblioteca Municipal de Olhão
25.03.10 - 18h30: Livraria Pátio das Letras (Faro)
25.03.10 - 21h30: Biblioteca Municipal de Tavira
quarta-feira, 24 de março de 2010
Prémio Internacional Fernando Gil
A criação do Prémio Internacional Fernando Gil em Filosofia da Ciência foi anunciada pelo Governo português na ocasião do seu falecimento, no intuito de homenagear o seu trabalho e memória (1937-2006).
O Prémio é anunciado como uma iniciativa conjunta do Governo português, representado pela FCT, Fundação para a Ciência e a Tecnologia (Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), e a FCG, Fundação Calouste Gulbenkian.
O Prémio Internacional Fernando Gil será doado todos os anos em Lisboa.
O Prémio tem como intenção reconhecer um trabalho de particular excelência, no domínio da Filosofia da Ciência, produzido por um investigador de qualquer nacionalidade ou afiliação profissional, publicado nos três anos transactos.
É solicitado ao recipiente do Prémio que profira uma palestra original pública que será publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian e que conduza um seminário especializado para estudantes e investigadores em Lisboa na ocasião da cerimónia de entrega do Prémio.
A quantia a ser paga ao laureado será 125.000 €.
Júri
O Júri do Prémio Internacional Fernando Gil 2010 inclui os seguintes membros:
Henri Atlan
Hadassah University Hospital, Jerusalem & École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris.
Per Aage Brandt
Case Western Reserve University.
Marcelo Dascal
Tel Aviv University.
Vincent Descombes
École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris.
Donald Gillies
University College, London.
Giulio Giorello
Università degli Studi di Milano.
Eberhard Knobloch
Institut für Philosophie, Technische Universität Berlin.
Maria Filomena Molder
Departamento de Filosofia, Universidade Nova de Lisboa.
Frédéric Nef
École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris.
Jean Petitot
École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris.
Massimo Piattelli–Palmarini
University of Arizona, Tucson & MIT.
Bertrand Saint–Sernin
Institut de France.
Manuel Silvério Marques
Centro de Filosofia, Universidade de Lisboa.
Nomeações
Nomeações para o Prémio Internacional Fernando Gil 2010 deverão incluir uma pequena descrição do trabalho nomeado e uma justificação da sua relevância em Filosofia da Ciência. Devem ser recebidas, entre 19 de Março e 30 de Junho de 2010, às 12h00 UTC, no seguinte endereço:
premio–filosofia@fernando–gil.org.pt
Nomeações pelos próprios não podem ser consideradas.
http://alfa.fct.mctes.pt/apoios/premios/fernando_gil/
Colóquio Internacional «Prisciliano, os Priscilianismos e o Cristianismo Primitivo na Península Ibérica»
A Licenciatura em Ciência das Religiões da Universidade Lusófona do Porto e a Associação Agostinho da Silva, organizadores do Colóquio supra citado, abrem um período para apresentação de propostas de comunicação.
Colóquio:
Local: Universidade Lusófona do Porto
Sala: Capela
Datas: 14 e 15 de Maio de 2010
Propostas de Comunicação:
Cada apresentação terá a duração de 20 minutos.
As propostas deverão ser acompanhadas dos seguintes elementos:
1) título da apresentação,
2) resumo (‘Abstract’) da apresentação, em inglês ou português (não mais do que 3000 caracteres)
3) breve curriculum vitae do proponente
As propostas deverão ser remetidas, até ao dia 28 de Fevereiro de 2010, para o seguinte endereço electrónico: pmpgeral@gmail.com
A aceitação da proposta será comunicada até ao dia 15 de Março de 2010.
Inscrição:
Taxa de inscrição para os conferencistas, a ser regularizada no momento da aceitação da comunicação:
50,00 €
Viagem e Estadia:
Os participantes encarregam-se das suas viagens e estada.
terça-feira, 23 de março de 2010
Debate "A Tauromaquia é cultura?"
http://ww1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=23283&e_id=&c_id=1&dif=tv
segunda-feira, 22 de março de 2010
Revista Portuguesa de Musicologia - nºs 14-15

Director: Manuel Carlos de Brito
Directora-Adjunta: Teresa Cascudo
Director-Adjunto: João Soeiro de Carvalho
Nesta edição colaboraram vários autores oriundos não só de Portugal, mas também de França, Inglaterra, Estados-Unidos da América e Austrália, incluindo nomes consagrados como Michel Huglo, bem como jovens licenciandos em Ciências Musicais.
Partindo da notação musical do séc. XII, os temas estão organizados de forma cronológica até ao séc. XVII. Dá-se especialmente importância à indagação de fontes de música manuscritas (fragmentos de Zamora, Elvas e Leiria, processional português de Chicago) mas também à antiga teoria musical (Anónimo de Évora, Mateus de Aranda). De sublinhar a importância da identificação e publicação de uma fonte de polifonia e de uma fonte teórica inéditas, ambas do século XV. Para além dos artigos, encontra-se uma secção de notícias e recensões, com informações bibliográficas de relevo.
Associação Portuguesa de Ciências Musicais
Colaboradores: |
Tauromaquia é cultura?
A petição está quase nas 7500 assinaturaas e será entregue em breve para discussão obrigatória em Plenário da Assembleia da República.
http://www.peticaopublica.com/PeticaoListaSignatarios.aspx?pi=PETPPA
Assinem e divulguem. Pela cultura contra a tortura!
“Cadernos” de literatura divulgam autores açorianos
PROJECTO DOS “COLÓQUIOS DA LUSOFONIA”
Está já em marcha o projecto “Cadernos açorianos”, uma revista de estudos de literatura, sob a coordenação de Chrys Chrystello, Trata-se da concretização de uma ideia lançada no “4º Encontro Açoriano da Lusofonia”, realizado na Lagoa, em Março do ano passado, que se propõe dar a conhecer os textos e autores de matriz açoriana que os Colóquios mais apreciam. “Não serão exaustivos nem completos, limitar-se-ão a abrir uma janela sobre a escrita destes autores”, pode ler-se na edição número zero, explicativa do projecto. Os “Cadernos” querem chegar àqueles que não conhecem literatura açoriana, sendo que os primeiros quatro números trazem excertos de obras de Cristóvão de Aguiar, Daniel de Sá, Dias de Melo, e Vasco Pereira da Costa. A partir de agora sairão trimestralmente incluindo outros autores como Álamo de Oliveira, Eduino de Jesus, Onésimo de Almeida, Eduardo Bettencourt Pinto e tantos outros.
“Vamos tentar chegar a leitores nunca imaginados”, lê-se na nota introdutória do coordenador Chrys Chrystello. Os Colóquios estabeleceram, ainda, parceria com a Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina, Brasil) para ministrar à distância uma nova cadeira de Estudos Açorianos, bem como um protocolo com a Universidade do Minho para a criação da disciplina Açorianidade(s) e Insularidade(s) e estes CADERNOS servirão de material de apoio aos CURSOS.
Uma extensa bibliografia está já disponível na página dos colóquios
Acaba de sair o CADERNO Nº 4 dedicado a VASCO PEREIRA DA COSTA
o n.º 3 dedicado a Dias de Melo
o nº 2 dedicado a Daniel de Sá
o n.º 1 dedicado a Cristóvão de Aguiar
o n.º 0 INTRODUÇÃO aos cadernos e à literatura de matriz açoriana
CONSULTE OS CADERNOS NAS PÁGINAS DOS COLÓQUIOS EM
http://www.lusofonias.net/estudos%20e%20cadernos%20a%C3%A7orianos/index.htm
domingo, 21 de março de 2010
Dos poderes presidenciais

Foi hoje manchete nalguns órgãos de comunicação social a seguinte declaração do actual Ministro da Presidência: "Não cabe a um Presidente da República ter um programa alternativo de governação".
Passando por cima do contexto, que não é aqui o mais relevante, registe-se a intenção deste Governo de, à partida, diminuir a importância das próximas eleições presidenciais. O que até se compreende: no nosso regime, os poderes do Governo e do Presidente são tendencialmente conflituantes*.
De resto, essa é uma discussão que, volta e meia, reemerge: daí, por exemplo, a proposta para que o Presidente da República passe a ser eleito apenas pelos deputados. Mais do que qualquer outra mudança constitucional, nada mais diminuiria a legitimidade do Presidente e, nessa medida, o seu Poder.
Eleito directamente pelo Povo, numa eleição em que tem que ter sempre maioria absoluta (daí a importância da 2º volta), qualquer Presidente tem sempre – ou quase sempre – mais legitimidade democrática do que qualquer Primeiro-Ministro. Nomeadamente, do que o actual – veja-se a percentagem das pessoas que nele votaram, mesmo já tirando a abstenção.
É certo que não lhe cabe determinar um “programa de governação”. Mas isso é, em grande medida, um sofisma. Enquanto Chefe de Estado, nenhum Governo pode executar um programa de governação com o qual, em geral, o Chefe de Estado realmente discorde. Se isso acontecer, só lhe resta uma solução: demitir o Governo.
É, de resto, nesse recurso que reside o grande poder presidencial. Até porque, ao poder demitir o Governo, o Presidente é sempre, por acção ou por omissão, co-responsável por ele. Mais exactamente, pelo tal “programa de governação”.
É certo que a maior parte dos Presidentes que temos tido não têm exercido o seu poder. Mas isso não é porque não o tenham. Apenas porque, em geral, querem evitar o desgaste que sempre o exercício de poder envolve. É sempre mais fácil dizer: “isso é da inteira responsabilidade do Governo”. E ficar de braços cruzados, a assistir, tranquilamente, ao naufrágio, como se não estivéssemos todos no mesmo barco, Presidente incluído.
Algo que, estamos certos, o Doutor Fernando Nobre, caso venha a ser eleito, não fará.
* O nosso sistema político, na sua aparente esquizofrenia bicéfala, tem, contudo, uma virtualidade, ainda não, de todo, explorada. Em vez de termos um Primeiro-Ministro e um Presidente que passam a vida a vigiar-se mutuamente, para gáudio dos media mas para cada vez maior indiferença da população, deveríamos ter um Primeiro-Ministro que se ocupasse sobretudo com o curto-médio prazo, ou seja, com a gestão económico-financeira do país, e um Presidente que, liberto dessas questões mais imediatas, olhasse mais longe, mais alto, promovendo uma visão estratégica para o país. Que cada vez mais dela carece.
Também publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/03/dos-poderes-presidenciais.html
Congresso Internacional sobre Representações da República
Caros colegas,
No âmbito das Comemorações do Centenário da República, o Centro de História da Cultura da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa vai realizar um Congresso Internacional sobre Representações da República de 22 a 24 de Abril do corrente. As intervenções cobrem várias áreas, da Filosofia à Literatura, da História à Educação, o que permite antever um efectivo diálogo interdisciplinar. Estando, neste momento, a decorrer o período de inscrições (até 31 de Março, sem qualquer acréscimo de valor), venho solicitar a melhor divulgação do evento. Todas as informações adicionais, incluindo o formulário de inscrição, podem ser obtidas no site do Congresso: http://www4.fcsh.unl.pt/~crr/. Permito-me só salientar que foi pedida acreditação (1 crédito) como formação adequada para os grupos 400 e 410 e geral para o 300.
Com os meus melhores cumprimentos,
Luís Manuel Bernardo.
Seminário Permanente de Filosofia e Direito
SOCIEDADE PORTUGUESA DE FILOSOFIA
Avenida da República, 45, 3º Esq., Lisboa
Seminário Permanente de Filosofia e Direito
Coordenadores: João Lopes Alves e José de Sousa e Brito
Sessões em 2010
As sessões terão lugar no Instituto de Filosofia da Linguagem, FCSH, Av. de Berna 28, 4º andar, sala 4.02. (antigo edificio do DRM).
27 de Março
10h00 André Santos Campos: “A Filosofia do Direito de Espinosa”
Comentário: (a indicar posteriormente)
11h30 José Lamego: “Kelsen e a teoria kantiana da analiticidade
Comentário: António Marques
18 de Abril
10h00 Francisco Sarsfield Cabral: “Sobre ‘The Idea of Justice’ de Amartya Sen”
Comentário: José de Sousa e Brito
11h30 João Lopes Alves: “A teoria do Direito de Kant e de Hegel”
Comentário: Zaza Caneiro de Moura
29 de Maio
10h00 Pedro Múrias: “Por exemplo”
Comentário: José António Veloso
11h30 João Tiago Proença: “César e ditador”
Comentário: Miguel Morgado
26 de Junho
10h00 Manuel Duarte de Oliveira: “A lei no judaísmo”
Comentário: (a indicar posteriormente)
11h30 João Esteves da Silva: “Bernard Stiegler ou o regresso do pensamento”
Comentário: Joaquim Sabino Rogério
30 de Outubro
10h00 Zaza Carneiro de Moura: Esperança e paideia”
Comentário: (a indicar posteriormente)
11h30 António Fragoso Fernandes: “Neo-modernismo, Freud, Foucault e o direito”
Presença de Yvonne Jean
por Bruno Borges
“A mulher que escreve sente demais tais transes e presságios! Como se bicicletas e crianças e ilhas não bastassem;
como se carpideiras e faladeiras e legumes não bastassem nunca.
Ela julga que pode alertar estrelas.
Uma escritora é essencialmente uma espiã”.
(Anne Sexton, A magia negra)
A luta pelos direitos da mulher no Brasil, especialmente em Brasília, não pode deixar passar em branco a presença da eminente jornalista belga Yvonne Jean. É urgente lembrar de Yvonne Jean. Lembrá-la como pioneira, como exímia jornalista da coluna “O ensino dia a dia”, entre tantas outras. Mas é preciso, também, lembrá-la como curadora, como professora universitária da Universidade que, após o Golpe Militar, referir-se-ia como sendo a “ex-UnB”. Intelectual de várias faces, Yvonne Jean desenvolveu inúmeras atividades em Brasília e no Brasil, atividades que tentaremos reavivar.
É fundamental lembrar de sua luta pela mulher, pela mulher escritora, pela Arte e pela vida cultural em Brasília. Por essas e outras ainda vale a pena comemorar a história dessa cidade, das suas mulheres, em uma época em que apodrecem na vergonha nacional as festividades do cinqüentenário da capital.
Algumas pesquisas indicam que Jean foi gestora de uma das primeiras galerias de Arte de Brasília, fundada no início da década de 1960 . É de se cogitar a modernidade das obras que agenciara àquela altura. Boa parte dos artistas que integram a atual coleção da Caixa Econômica Federal — coleção composta na época da Constituinte de 1988 — foram difundidos e vendidos por Yvonne Jean no final da década de 1950 e início de 1960. Em inúmeras cartas a intelectuais e artistas brasileiros da época, a também tradutora e intérprete denunciava que: na nova capital, as pessoas que tinham dinheiro não entendiam de Arte ou, quando entendiam, não tinham dinheiro para investir. As coisas não mudaram muito 50 anos depois.
É de Yvonne Jean, por exemplo, a brilhante e inédita iniciativa de reunir em algo semelhante a uma cooperativa, o máximo da produção de artesãs. Produção não apenas da recém criada capital, como também ao seu redor, proporcionando encontros, em Brasília, de artistas locais e regionais. Foi uma das primeiras a propor e praticar o deslocamento da produção artística do eixo Rio-São Paulo, cumprindo a meta de se voltar para dentro do Brasil. Olhar para dentro e dar, ao menos um pouco, as costas ao litoral monopolista da época. Yvonne Jean foi também uma das primeiras, se não a primeira, a dar visibilidade a Goiás Velho, Pirenópolis, entre outras regiões do Cerrado que até então nunca haviam sido seriamente vistas como “patrimônio”. Ainda hoje o Cerrado é bioma pormenorizado pela Constituição Federal.
É de se estudar que as próprias noções de patrimônio material e imaterial mereçam ter em Yvonne Jean, em suas propostas, nas coisas que realizou, uma referência imprescindível, referência hoje fundamental para a História dos Museus e da Arte no Brasil. Para tais pesquisas, abundam manuscritos inéditos, por ela deixados e doados por seu filho João Luis ao Arquivo Público do Distrito Federal.
Com relação à cultura popular, podemos encontrar no Fundo Yvonne Jean diversos cursos sobre o assunto, pois este era tema do seu maior interesse, assunto ao qual se dedicou diariamente. Cultura popular: eis uma discussão frequente em suas reportagens, artigos e ensaios. Vale destacar a atenção que deu, há meio século, a manifestações como o boi-de-mamão catarinense, o bumba-meu-boi do Maranhão, bem como seus inúmeros apontamentos sobre tecelagens manuais, renda de bilros e outras artes tradicionais.
Autora de quatro livros de literatura infantil, Jean estabeleceu relações com figuras muito importantes da cena cultural, tanto nacional quanto internacional. Esteve próxima a diplomatas e poetas, tanto os consagrados pelas elites, quanto os populares, ditos “menores”. Foi a primeira a valorizar, junto a Agostinho da Silva (homem pelo qual tinha profunda admiração, tendo sido responsável pelas principais e primeiras documentações a respeito do nascimento do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses, o CBEP) Teodoro Freire como pioneiro bastião da cultura maranhense na nova capital. Após cerimônias de matança do boi, quando muitas vezes se organizava uma parelha para fazer-se um tambor de crioula, Yvonne Jean e Agostinho, entre tantos outros coreiros, repitiam a inesquecível toada:
“eu vou levantar bandeira
eu vou levantar bandeira
da cultura maranhense
na capital brasileira.”
Isso há 50 anos. Dispensa comentários o seu célebre artigo intitulado “A Capoeira Angola de Mestre Pastinha na Ladeira do Pelourinho”.
Trata-se de uma guerreira que aportou no Brasil ainda na década de 1940, mulher que, em diversos jornais impressos e revistas, bem como nos programas de rádio que realizou, defendeu e afirmou a identidade feminina nas suas mais plurais maneiras de ser. Porque o Ser só pode ser no plural . Belga de nascimento e, talvez por isso, extremamente cosmopolita no espírito — assim como Brasília — Jean analisou de maneira singular e pioneira o Código Civil Brasileiro em uma época em que a mulher casada era algo análogo a loucos, selvagens, e crianças .
Na mídia impressa, entre 1940 e 1970, Jean assinou colunas em inúmeros jornais como, por exemplo, “Você quer escolher uma profissão?” e “Mulher e a profissão” , “Presença da Mulher” , “Mulher e a política” . A jornalista protagonizou a luta por diversas causas da mulher, sendo digna de nota a série de reportagens que fez em defesa de tratamentos dignos nas prisões femininas . Cabe lembrar que Clarice Lispector também escrevia e militava pelas mulheres em jornais comuns aos que Jean escrevia.
Como afirma Alves Oliveira , Yvonne Jean “(...) ao ocupar o espaço público o fazia da forma mais temida e indesejada possível: sendo uma mulher comunista, intelectual, escritora, jornalista, promotora cultural, professora. Conseguiu reunir em si todos os perseguidos pela ditadura militar.”
Demitida da Universidade de Brasília e detida em 1964, Yvonne Jean foi presa duas vezes durante a década de 1970 devido às suas relações com o comunismo. Faleceu no início da década de 1980 por causa de complicações, entre outros fatores, motivadas por uma artrite violenta.
Fica aqui a nossa homenagem a esta refinada mulher: guerreira, erudita, simples, rica e militante. Inesquecível e crucial para a cena artística e intelectual do Brasil e de sua filha — Brasília — que completa, agora, meio século de vida.
É chegada a hora de resgatar o mel da terra!
Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/03/presenca-de-yvonne-jean.html
sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Próxima segunda...

C O N V I T E
As Edições Colibri convidam V.ª Ex.ª para a
sessão de lançamento do livro
Angola e África
na Rota de Portugal
Manuel Ennes Ferreira
Prefácio de Nicolau Santos
(Director-Adjunto do Expresso)
A obra será apresentada pelo
Embaixador António Monteiro
e
Nicolau Santos
Dia 22 de Março às 18,30 horas, no Salão Nobre
ISEG – Instituto Superior de Economia e Gestão
Rua do Quelhas, 6 – 1200‑781 Lisboa
11, 17 e 25 de Março, no Porto...

O grupo de investigação Raízes e Horizontes da Filosofia e da Cultura em Portugal do Instituto de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto promove, durante o mês de Março, o ciclo de conferências "A Ritmanálise: Lúcio Pinheiro dos Santos e Gaston Bachelard", que será apresentado por Pedro Baptista.
A primeira conferência, intitulada "Ritmanálise e La dialectique de la durée", terá lugar no dia 11 de Março de 2010, às 17h00, na FLUP (sala a anunciar).
A segunda conferência, denominada "Ensaio de Explicitude aos Textos de 1943, de Lúcio Pinheiro dos Santos", irá decorrer no dia 17 de Março de 2010, às 17h30, na FLUP (sala a anunciar).
A última conferência, intitulada "Saudosismo e o novo espírito científico no final da segunda guerra mundial: Lúcio Pinheiro dos Santos", será apresentada no dia 25 de Março de 2010, às 17h30, na FLUP (sala a anunciar).
[Entrada livre]
Para ler o resto, vai ter que esperar pelo nº 6 da NOVA ÁGUIA...
Giambattista e Vico e Europa: Ciência da Lira e das Nações
RODRIGO SOBRAL CUNHA
Começamos por tomar emprestada ao autor da Scienza Nuova a imagem com que, na sua Vita, designa os Pensées de Pascal, lumi sparsi, que serão aqui uns tantos pontos de vista de alguns ilustres leitores europeus do platónico partenopeu, demasiadas vezes denominado obscuro.
Esse “homem misterioso” (como o designa Antero de Quental, em 1866), que teve, entre outros, o dom da profecia retrospectiva, não poderia talvez imaginar até que ponto o mal-entendido perseguiria a sua obra ao longo de mais de dois séculos e meio, ainda que não pouco da obscuridade desta, deliberada, tivesse em vista reproduzir o eco e os reflexos, entrecortados no claro-escuro do tempo, das cisões que as idades do homem assinalam sobre a terra.
Assim, era natural que fossem os philosophes iluministas a dicionarizá-lo como o “ilegível” e “confuso” professor de eloquência da Universidade de Nápoles, primeiro doutrinador anti-cartesiano, ao que então mais parecia importar, estranho inimigo da rationalité, autor ainda de uma teoria dos ciclos históricos, quando não o “fundador da filosofia da história”, que anteciparia em parte algumas “teorias” do romantismo, em parte outras do fundador do positivismo. E a pouco mais do que isto se resumem, da primeira metade do século XVIII a esta parte ainda, a generalidade dos verbetes sobre o filósofo italiano. Isto no tocante à superfície.
Todavia, ainda em 1841, o viajado Visconde de Sernancelhe José da Gama e Castro, colocava estas considerações aos pés de O Novo Príncipe:
“Entre os mais recomendáveis publicistas que escreveram pelos princípios do século de setecentos, há um quase de todo desconhecido, ainda entre os seus, porque a muita originalidade com que escreve o torna obscuro, e exige, para cabalmente compreendê-lo meditação e estudo. Chama-se João Baptista Vico. De todos os escritores de que até agora me tem chegado notícia, nenhum me parece haver tratado com tanto conhecimento de causa da origem das línguas, da formação das nações, e de muitos outros objectos não menos curiosos que interessantes.”
É à terceira leitura que, segundo Vico, se entra na Scienza Nuova, ainda que, por outro lado, o número de pontos de vista patentes nessa obra seja quase inexaurível. Jules Michelet, que desde 1824 apresentou o pensamento de Vico à Europa do século XIX, escreveu:
“No vasto sistema do fundador da metafísica da história, existe já, pelo menos em germe, todo o trabalho da moderna sabedoria. Como Wolf, disse ele que a Ilíada era o trabalho de um povo, seu trabalho erudito e última expressão, depois de muitos séculos de inspirada poesia. Como Creuzer e Görres, interpretou as figuras heróicas e divinas da história primitiva como ideias e símbolos. Antes de Montesquieu e Gans, mostrou como o direito surge dos costumes de um povo e representa fielmente cada etapa da sua história. O que Niebuhr encontraria após vastas pesquisas, foi adivinhado por Vico; ele restaurou a Roma dos patrícios e fez viver de novo as suas curiae e suas gentes. Certamente, se Pitágoras recordaria ter lutado sob as muralhas de Tróia numa vida anterior, esses ilustres germanos podiam ter lembrado haverem todos eles vivido anteriormente em Vico. Todos os gigantes do criticismo estão já contidos e sobra lugar, no pequeno pandemónio da Ciência Nova.”
Um dos jovens discípulos de Michelet, entre os muitos que por aqui encontrou o mestre humanista francês, Oliveira Martins, escreveria em 1872:
“Presidindo à descoberta da psicologia metafísica, feita pela filosofia alemã, presidindo à teoria da economia social, feita pela raça anglo-saxónica, presidindo à escola histórica, Vico aparece aos olhos do historiador como um destes espíritos gigantes e precursores que, pela própria força e liberdade, determinam e descobrem, indicam e registam, os caminhos diferentes que a humanidade tem de seguir dentro do ciclo que uma concepção determinada do todo ilumina.”
A apresentação de Vico ao século XX, coube ao admirável esforço do seu conterrâneo Benedetto Croce, promotor, desde 1904, dos studi vichiani, movendo o filósofo idealista italiano a ideia de se encontrar no pensamento de Vico o século XIX em gérmen.
Michelet escrevera: “A palavra da Scienza Nuova é esta: a humanidade é a sua própria obra.” E é talvez este mote do romantismo liberal do historiador da Revolução que define todo um ciclo hermenêutico, mais aparente, da obra do luminar napolitano e que, passando por Croce, vem até aos nossos dias.
Um juízo do autor da Teoria do Ser e da Verdade, juízo relativo ao Sistema dos Mitos Religiosos de Oliveira Martins, vale todavia para o referido ciclo hermenêutico:
“Não vê que os mitos assinalam, entre brumas, três idades: a divina, a cósmica, a simplesmente humana.”
Um século depois daquelas palavras de Oliveira Martins, atrás citadas, escrevia o filósofo lusitano:
“Se os portugueses tivessem sido atentos ao que ocorreu na Itália, após o profundo e pletórico Renascimento, particularmente com o pensamento de Vico e a meditação do tempo e da história, do mito e da simbólica na Scienza Nuova, os nossos próprios caminhos ter-se-iam esclarecido. Mas não é impossível hoje regressar ao ponto de meditação que dizemos crucial.”
Reiteradamente afirmou Vico que uma das principais descobertas da Scienza Nuova e aquela que precisamente a converte em ciência, é a de uma história ideal eterna percorrida no tempo pelas nações. Segundo ele, o “curso” efectuado por estas, de que Roma é caso paradigmático, compreende três diferentes tipos de tempo, como de naturezas, três espécies de costumes, como de direito natural, três Estados civis ou Repúblicas, três tipos de jurisprudência assistida por três diferentes espécies de autoridade, três tipos de razões e juízos e três diferentes formas de linguagem. De da idade histórica, a dos homens, é próprio o pensamento discursivo, estruturado por géneros inteligíveis ou abstractos, manifestos na racionalidade da filosofia e da ciência, já as outras duas idades fundamentam-se nos universais imaginativos ou fantásticos, que a lógica poética da Scienza Nuova, adunando-se à sapienza poetica, deixará entrever como o próprio do mito e da fábula. A arqueologia do génio partenopeu procurará demonstrar, com efeito, como à fábula, posterior ao mito, corresponde, de acordo com a remota tradição, a vera narratio, a fala de outrora, característica das formas primevas do ser e do saber, em cujo centro luz a sapiência poética. Esta, segundo Vico, é a chiave maestra da Scienza Nuova.
A Scienza Nuova de Giambattista Vico, que meditou “sobre os mistérios que as tríades de longe procuram significar e até exprimir” (Álvaro Ribeiro) , é assim obra de tripla dimensão hermenêutica, correspondente aos três níveis de leitura para que esse livro, a nosso ver, aponta. São estes, em primeiro lugar e para a época em que foi Vico chamado a viver, decerto ainda a nossa, o de uma antropologia humanista, o de uma ontologia nobiliárquica e o de uma teologia providencialista; esta, princípio e fim de toda a verdadeira scientia .
A alta concepção do modo como a vera tradição humanista – isto é: a scientia de rerum divinarum et humanarum – culmina na Scienza Nuova, para ser justamente atendida, deve ser identificada com o tipo de acção prudencial entregue às mentes heróicas, cuja vigilância procura cumprir os desígnios da providência, salvaguardando o sensus communis, ou sentido comunitário, para bem da humanitas, de acordo com a vis veri da heroica sapientia.
(...)
Cultura ENTRE Culturas: uma revista diferenTre (a sair em Abril)


Cultura ENTRE Culturas - Apresentação
Cultura ENTRE Culturas é uma revista semestral dedicada ao diálogo intercultural e a estabelecer pontes e mediações entre todas as disciplinas, saberes e tradições. Publica ensaio, poesia e fotografia e elege-se pelos seguintes propósitos:
1. Contribuir para o desenvolvimento de uma consciência-experiência integrais, multidimensionais, inter e trans-disciplinares do real e do que possa haver além-aquém do que como tal se designa, enriquecendo criativamente a vida e a existência mediante a compreensiva realização das suas supremas possibilidades.
2. Explorar antigas e novas possibilidades espirituais, mentais, éticas, artísticas, científicas, educativas, ecológicas, comunicacionais, sociais, políticas e económicas, alternativas à crise e declínio do paradigma civilizacional ainda dominante e que obedeçam ao soberano critério do melhor possível para todos os seres sencientes, humanos e não-humanos.
3. Promover o conhecimento e diálogo entre culturas, civilizações, religiões e espiritualidades, bem como entre estas, o ateísmo e o agnosticismo, no espírito da mais ampla imparcialidade e universalismo.
4. Contribuir para a harmonia e a não-violência na relação do homem consigo, com a natureza e com todos os seres sencientes, ou seja, capazes de sentir dor, prazer e emoções.
5. Despertar e orientar para estes fins a cultura e a sociedade portuguesas, bem como a comunidade lusófona, valorizando e promovendo as tendências nelas latentes que mais apontem neste sentido.
A revista Cultura ENTRE Culturas tem na Comissão de Honra alguns dos pensadores mais influentes e representativos do diálogo intercultural, integra no Conselho de Direcção destacadas figuras públicas e da academia portuguesa e internacional e conta no Conselho Editorial com alguns dos mais jovens valores da cultura portuguesa e não só.
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Próxima quarta, na Corunha
O dia 24 de Março, quarta-feira (mércores), participará dentro do ciclo “Língua, Literatura e Naçom” o professor e ensaísta, Maurício Castro Lopes. A sua palestra versará sobre “Paralelos: Puerto Rico/Galiza”
Maurício Castro Lopes é licenciado pola Universidade de Santiago de Compostela (USC) em Filologia Galego-Portuguesa, exercendo na actualidade a docência de português na Escola Oficial de Idiomas de Ferrol, após ter leccionado nas escolas oficiais de Badajoz (Estremadura), da Corunha e noutros pontos da Galiza durante a última década.
É co-fundador do Centro Social Artábria do Ferrol. No ano 2007, foi eleito membro da Comissom Lingüística da AGAL (Associaçom Galega da Língua), da qual continua a fazer parte. Assim mesmo tem participado em diferentes projectos de auto-organizaçom em defesa dos direitos lingüísticos do povo galego. Também é autor ou co-autor de diversas obras, trabalhos e artigos, relacionados com a cultura e a realidade galega dende um compromisso com a Naçom Galega. Entre os seus trabalhos de história, crítica literária e sociolingüística cabem destacar História da Galiza em banda desenhada, Manual de Iniciaçom à Língua Galega, Galiza Vencerá! (2009).
Dia: 24 de Março 2010 - Hora: 8 do serám
Local: Fundaçom Caixa Galiza
Cantom Grande – Corunha
quinta-feira, 18 de março de 2010
Giambattista Vico e a Filosofia da História Portuguesa
DALILA PEREIRA DA COSTA
As linhas de força do pensamento deste filósofo italiano de Seiscentos, expostas na sua grande obra Scienza Nuova, como filosofia da história, se mostrarão de grande fecundidade para uma sua possível aplicação e abordagem hermenêutica na história de Portugal: e agora, mais do que nunca, nestes nossos dias actuais, de urgente consciência da identidade nacional. Pois, misteriosamente, essas linhas de pensamento de Vico, estarão em sintonia perfeita com as que estruturam nossa história, – desde os arcanos que as criaram, primigénios.
Releve-se, entre outras, a do Providencialismo, como nossa mais peculiar e fecundante, da filosofia da história, criada na Alta Idade Média, precisamente no século V, pelo galaico Paulo Orósio, e ainda herdada de seu mestre, Santo Agostinho. Providencialismo ao qual se poderá ligar a própria afirmação do próprio Vico: que o homem não é essencialmente o autor da História, mas sim, desde o transcendente, o “Senhor da história”, Deus. Autor assim da história comandando-a e dela independente. Uma muito visível abertura informa seu humanismo, construído para além dos limites do imanente, definidos pela visão antropocêntrica do humanismo renascentista.
Aqui e ainda, a figura soberana de D. Afonso Henriques, surgindo como exemplo desses fundadores carismáticos das pátrias, de que nos fala Vico; e na realidade portuguesa, marcada ainda pela mão dessa providentia, como agente sobre a terra da vontade do “Senhor da história”. Na Nação portuguesa, seu Fundador recebendo em Ourique um mandato pelo próprio Cristo Crucificado, que iria no futuro, por si, sua descendência e seu povo, tecer, organizar e justificar toda a história dessa Nação, à medida universal: como missionária sobre a terra inteira, unindo toda a humanidade sob uma só fé.
Se atentarmos ainda na eleição que o filósofo napolitano concedeu à poesia, como via privilegiada do conhecimento, nesta sua função, ela aclarará em muito o conhecimento da história pelos humanos: veremos assim um dos vectores que teceram este conhecimento em relação a nossa história pátria: e muito em especial posto em relevo e usado por dois de seus maiores historiadores; Garcia de Rezende e Oliveira Martins.
Na grande actualidade da filosofia da história de Vico, haverá como um especial convite, agora premente, aos portugueses, na sua função noética: formulado há três séculos, e agora tão actual, nestes nossos dias de fins de tempos e começos de outros novos, nos quais a humanidade surge em queda livre, de ritmo acelerado, levando a uma sua possível animalidade. Queda, tal como Vico poderia dizer: na sua inconsciência se sobrepondo à consciência da humanidade e tendo como fim o fim das histórias.
Será notável exemplo, justamente neste século de Descartes e seu racionalismo extreme, conquistando em toda a força o pensamento ocidental (e até nossos dia), que, contemporaneamente, surja Vico, com seu pensamento tão aberto e aceitante de funções gnoseológicas ultra-racionais; valorizando assim a imaginação, a intuição, o sentimento. E se atentarmos, que todo o pensamento e vivência dos portugueses trabalhou em preponderância por essas vias primevas e na forma fenomenológica peculiar, tal como já apontada pelo nosso rei filósofo, D. Duarte e por ele usada: tal afinidade entre o pensamento de Vico e dos portugueses, partilhando uma mesma axiologia no campo noético e existencial, deverá agora ser tema de meditação para nós: utilizando o ensino de Vico para um nosso auto-conhecimento.
Atentemos que foram essas vias ultra ou transracionais, que os portugueses utilizaram no seu conhecer e sua acção, do mundo e no mundo; e que a razão iria desenvolver conjuntamente, explicitando e organizando; vias próprias que Vico designou e esperou como aquelas do homem fantástico do futuro. E teria já sido esse homem, que, a partir da imaginação foi primeiro em busca das ilhas paradisíacas na rota do ocidente: iniciando assim sua obra universal da Descoberta: e para a humanidade, iniciando seu novo ciclo histórico, como Idade Moderna.
Nesta escolha de vias gnoseológicas por Vico, elas tão dissemelhantes às do racionalismo então reinante nesse seu século, teremos para nós, portugueses, um enfoque útil a usar agora para nossa filosofia da história. Serão as luzes de sua modernidade, como dum percursor de tantos valores da actual teoria do conhecimento, que agora nós devemos usar para vários enfoques novos de nossa história, levando-nos a vislumbrar e construir o que o próprio Vico chamaria por si, a história ideal eterna de Portugal.
E será ainda esta história, construída entre poesia e teologia, a que o Conde de Barcelos, D. Pedro e Frei Bernardo de Brito, concederam à sua pátria.
Numa dimensão desde as descendências bíblicas, passando pela Grécia, Roma e Idade Média: através de vários ciclos históricos, em nascimentos e mortes sucessivas, como fins das histórias e das nações, até seus ressurgimentos: no dizer do próprio Vico.
Ainda nesta amplitude da história, se virá inserir por Vico, porque fiel discípulo de Platão, a valorização do mito, como em si contendo as verdades essenciais e fecundantes da história.
Portugal, surgindo através de seus tempos criado em tessitura unida e inseparável de mito e história (ou a história como criação do mito) – tudo agora e ainda, se afigurará aos portugueses vital no ensino de Vico; como repto para decifrarem as raízes de sua própria história. E finalmente não valorizarem como só possível aquela história vista e descrita nos moldes unicamente historicistas. Mas sim, história fazendo-se no tempo, mas ao tempo transcendendo, na sua origem e fim: que nela, foi sempre teleológico. Manifestando-se no tempo da terra mas a ele subindo desde as raízes secretas do mito preexistindo na eternidade.
Aqui e agora, porque tudo nestes nossos dias se ligando ao perigo iminente dum fim da humanidade, haverá a atentar na afirmação suprema de Vico: que os homens enlouquecem ao desaparecer em si a substância espiritual, sustentáculo de sua vida em comum. Ao elanguescimento e frenético ser do homem actual, urgirá pôr fim; e urgentemente, in extremis, dar-lhe a força espiritual que contrabalance e se una à força material: hoje desencadeada e usada imprudentemente em toda sua violência, pelo orgulho do homem actual, na sua imaturidade. Perfazendo-se assim o necessário equilíbrio humano e cosmológico, hoje ameaçado de morte; se o homem não quiser precipitar-se de vez numa catástrofe apocalíptica, tal como essas do seu longínquo passado, marcando o fim duma era. Será para evitar esta possível catástrofe e para o evento dum tempo novo, para o qual o ensino de Vico nos pode conduzir.
HOJE, 171º LANÇAMENTO DA NOVA ÁGUIA
18.03.10 - 15h30: Agrupamento de Escolas do Bairro Pe. Cruz (Carnide)
quarta-feira, 17 de março de 2010
Açorianópolis
Caros Amigos
Já está disponível a página local do Açorianópolis, evento que acontecerá em Florianópolis, de 5 a 9 de abril, no teatro Pedro Ivo.
www.acorianopolis.com.br
Agradeço a divulgação para suas listas de contatos.
terça-feira, 16 de março de 2010
Uma Visão Armilar do Mundo - Auditório da Biblioteca Nacional (Campo Grande), hoje, 16, 18.30

Car@s Amig@s
Tenho o prazer de vos convidar para o lançamento do meu último livro, Uma Visão Armilar do Mundo. A vocação universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (Lisboa, Verbo, 2010), que será apresentado pelo escritor e ensaísta Miguel Real.
Segue uma breve apresentação da obra.
Conto com a vossa presença e a extensão deste convite a todos: amigos, indiferentes e inimigos! A Vida é Festa para a qual todos são convidados.
Saudações cordiais
Paulo Borges
..........................
Este livro é uma reflexão acerca da vocação universal de Portugal, em diálogo com alguns dos seus maiores poetas, profetas e pensadores: Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
Este Portugal e esta vocação designam, num sentido, a predisposição para uma convivência planetária, mediadora de um novo ciclo cultural e civilizacional, sob o signo de uma globalização ético-espiritual, contrastante com a económico-tecnológica. Noutro sentido, esta visão de Portugal assume-o como símbolo do próprio homem em busca de se realizar plenamente.
A isto se chama Uma Visão Armilar do Mundo, conforme o símbolo que tremula na nossa bandeira: a perfeição, plenitude e totalidade da esfera e, nas suas armilas, a interconexão de todos os seres e coisas, tradições e culturas, artes e saberes. Muito antes de ser o emblema de D. Manuel I, é essa a maior fecundidade simbólica da Spera Mundi, Esfera e/ou Esperança do Mundo: ao invés do nacionalismo ou patriotismo comuns, a cultura portuguesa e lusófona tenderia a converter muros em pontes, fronteiras em mediações, limites em limiares, numa abertura ao planeta e ao universo, a todos os povos, nações e seres, a todas as línguas, culturas, religiões e irreligiões. Uma visão armilar do mundo é uma visão-experiência integral e holística do mundo, sem cisões, exclusões ou parcialidades.
Numa era celebrada como multicultural, mas ainda tão cega para o entre-ser universal, aqui se invoca a Esfera Armilar como actual paradigma da reinvenção de Portugal como nação de todo o mundo, que vise o melhor para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, que não separe o bem da espécie humana da preservação da natureza e do bem-estar de todas as formas de vida senciente.
Paulo Borges
Palestra: "A Gnose de Sampaio Bruno" amanhã (dia 17) em Lisboa por Abdul Cadre & Renato Epifânio
Equinócio da Primavera
Caros amigos e curiosos,
Estou a organizar uma celebração no cromeleque dos Almendres no próximo equinócio da Primavera (madrugada de 21, domingo de Março).
Todos quantos queiram partilhar do evento, usufruindo da logística de que disponho, deverão inscrever-se previamente, via e-mail ou telefone(963075514).
O preço unitário da inscrição é 40 euros, incluindo transporte em autocarro, documentação e surpresas.
O autocarro partirá de Lisboa pelas 2 horas da madrugada de dia 21.
Cerca das 10 horas da manhã de domingo, guiarei uma visita à Sé de Évora.
O regresso à capital está previsto para cerca das 15 horas.
Só considerarei válidas as inscrições, após pagamento, mediante transferência bancária: NIB: 003504260002353590096
Em caso de dúvida, ou sendo necessário qualquer esclarecimento, fico ao dispor.
Abraço a todos
Manuel J. Gandra
segunda-feira, 15 de março de 2010
PRÉMIO DE ENSAIO FILOSÓFICO SPF 2009
O concurso para a edição de 2009 do Prémio de Ensaio Filosófico lançado a público pela Sociedade Portuguesa de Filosofia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, versou a questão seguinte: Podem as razões subjacentes a uma acção ser as causas (eficientes) dessa acção?
Concluído o concurso, a Sociedade Portuguesa de Filosofia anuncia que o júri decidiu atribuir o Prémio SPF 2009, no valor de 3.500 euros, ao ensaio intitulado «Podem as razões subjacentes a uma acção ser as causas (eficientes) dessa acção? O labirinto do descontínuo: Gramática, fenomenologia e ontologia da acção», da autoria de Paulo Renato de Jesus.
A composição do júri foi a seguinte: Ricardo Santos (Presidente da SPF e Professor Auxiliar da Universidade de Évora), Sofia Miguens (Professora Associada da Universidade do Porto), António Zilhão (Professor Auxiliar da Universidade de Lisboa) e Paulo Tunhas (Professor Auxiliar Convidado da Universidade do Porto).
Os documentos que fundamentam a decisão do júri ficam depositados na sede da SPF e estarão disponíveis para consulta pública.
De acordo com o protocolo celebrado com a Revista Portuguesa de Filosofia, o ensaio de Paulo Renato de Jesus deverá ser publicado num dos próximos números desta revista.
Paulo Renato de Jesus, nascido em Leiria em 1974, é licenciado em Psicologia pela Universidade de Coimbra e doutorado em Filosofia e Ciências Sociais pela Ecole des hautes études en sciences sociales (EHESS, Paris), sob orientação do Professor Fernando Gil, com uma dissertação sobre a unidade e identidade da consciência (sobretudo a partir da análise da doutrina kantiana da apercepção empírica e transcendental). Da investigação de doutoramento resultou a obra "Poétique de l'ipse: étude sur le 'Je pense' kantien" (Peter Lang, 2008). Entre os diversos artigos, destacam-se dois ensaios: um sobre os operadores de verdade em Leibniz e Kant (Kant Studien, 2010) e outro sobre a fenomenologia da intersubjectividade (Revue philosophique de Louvain, 2009). Beneficiou de bolsas de Doutoramento e de Pós-Doutoramento da FCT, tendo sido Visiting Scholar nas Universidades de Columbia e de Nova Iorque. Pertence, desde 2006, ao corpo de investigadores do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, grupo de Filosofia Moderna. Foi co-organizador (com Soraya Nour e Nuno Proença) de um seminário bi-anual sobre a "construção da verdade" em Kant e Freud, no Collège international de philosophie (Paris) e "Maître de conférences invité" na EHESS para colaborar no Seminário "Temporalité et expérience" da Professora Sabina Loriga. Lecciona actualmente no Departamento de Psicologia da Universidade Lusófona do Porto. Desenvolve ainda alguma actividade literária, salientando-se o "Prémio Daniel Faria" com a publicação de "Órbitas primitivas" (Quasi, 2007).
domingo, 14 de março de 2010
Diário da NOVA ÁGUIA: 14 de Março...

Ontem, a NOVA ÁGUIA regressou a Vila Viçosa. Já lá havíamos estado em Junho de 2008, para apresentar o primeiro número. Ontem, regressámos para apresentar o quinto, mais o último título da nossa Colecção de Livros: “Cartas de Noé para Nayma”. No salão nobre da Câmara Municipal, numa sessão presidida pelo Presidente da Câmara Municipal, Luís Roma, que contou com a presença de Carlos Aurélio, autor da obra, e de Joaquim Domingues, que a apresentou, perante uma assistência repleta…
Depois, a NOVA ÁGUIA regressou de novo a Évora, ao espaço Intensidez, onde temos estado por ocasião de cada novo número. Sempre acompanhados pelo António Cândido Franco…
O dia terminou em Montargil, outro dos locais de eleição do nosso Mapiáguio. Uma vez mais a convite de Manuel Ferreira Patrício, apresentámos este novo número que ainda há poucos dias saiu da gráfica. Um arranque em grande, o desta primeira série de lançamentos da NOVA ÁGUIA 5…
Obviamente, o MIL esteve presente...

Algumas frases do discurso de Fernando Nobre no Encontro de Voluntários do sul de Portugal de 13 de março de 2010
Cidadão suprapartidário que eu sou, o que não quer dizer que não faço política, faço política há mais de 30 anos.
Eu não sou contra nenhum partido político ou contra os políticos
Tenho amigos em todos os quadrantes da vida política portuguesa. Falei com um amigo de cada partido depois de ter tomado a minha decisão
A democracia não se esgota nos partidos políticos, a democracia vai muito para além dos partidos e a cidadania é um pilar essencial de qualquer estrutura humana.
A minha candidatura não vai contra nenhuma pessoa em particular ou contra os partidos políticos ou contra os políticos.
É uma candidatura de Justiça Social.
É preciso um projeto de mobilização da sociedade portuguesa.
Eu que sou pai de 4 filhos estou particularmente preocupado com a nossa juventude. Já ouvi alguém dizer que faz parte de uma "geração traída" e sinto a minha responsabilidade como se alguma forma eu tivesse também traído essa geração.
Fico particularmente triste quando me apercebo que mais de cem licenciados por dia deixam o nosso país sem ideia de retorno.
Eu acredito em Portugal por isso é que o lema da minha candidatura é "Acreditar em Portugal". Porque acreditamos que o nosso país pode ter um futuro.
O pilar do Estado a que me candidato tem funções importantíssimas e insubstituíveis.
O pilar da Economia que todos queremos que seja mais cidadã e que nos coloque como seres humanos.
Eu nunca vivi da política mas acredito que tenho os atributos necessárias e suficiente onde poderei criar os pontos de união.
Estar em Portugal é estar no mundo, não só o retângulo que temos com as ilhas dos Açores e a Madeira, mas também com os PALOPs e um mundo que corro há mais de 30 anos.
Eu não vou para Belém para viajar, para descansar, vou para mobilizar. Tenho força anímica suficiente para mobilizar Portugal.
Ao contrário dos comentadores e carpideiras eu tenho dignificado o nosso país.
Não aceito a ideia de nunca ter tido uma ideia política. Até dita por pessoas que dizem que lêem livros. Que leiam os livros que tenho escrito sobre Portugal.
A decisão a concorrer à Presidência da República é uma decisão unipessoal. É um cidadão que se candidata por imperativo de consciência e porque sinceramente acredito em Portugal.
Não podemos continuar a viver numa sociedade em que temos tantos idosos a viver tão mal. Em Portugal há mais de 300 mil idosos com reformas inferiores a 200 euros. Neste país onde a nossa juventude já não acredita que num pais com desigualdades tão profundas.
Não venham com flechas inúteis, de ser isto ou anti aquilo. O meu objetivo é unir os portugueses. Só quem não me conhece é que pode pensar que haja qualquer força que possa empurrar-me para um sítio onde eu não quero ir, serei Presidente da República porque eu quero ir e convosco será possível.
É uma candidatura que nasce da cidadania verdadeira, de vocês, de nenhum apoio partidário.
Quero ver se os portugueses são - como dizem - um povo de carneiros e se se vai bater e acreditar no seu futuro.
Vamos trabalhar para demonstrar que Portugal merece estar nos lugares cimeiros da humanidade, sendo um dos povos ímpares que marcou a humanidade.
O que interessa é mobilizar o país, dinamizar a nossa juventude, olhar para o mundo, na Lusofonia global.
Veja também o vídeo no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/03/videos-da-intervencao-do-dr-fernando.html
Uma Visão Armilar do Mundo - Auditório da Biblioteca Nacional (Campo Grande), 3ª feira, 16, 18.30

Car@s Amig@s
Tenho o prazer de vos convidar para o lançamento do meu último livro, Uma Visão Armilar do Mundo. A vocação universal de Portugal em Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva (Lisboa, Verbo, 2010), que será apresentado pelo escritor e ensaísta Miguel Real.
Além de ensaios sobre o tema e os autores referidos no título, o livro inclui alguns dos textos mais interventivos que tenho ultimamente produzido, nomeadamente o Manifesto "Refundar Portugal", que deu origem ao Movimento Outro Portugal, um movimento informal de reflexão e acção cívica e cultural que visa reinventar um Portugal melhor para todos e mais conforme aos grandes desafios do século XXI: o pleno desenvolvimento humano, um novo e melhor paradigma educativo, social, económico e político, o diálogo intercultural e inter-religioso, a harmonia ecológica e o bem de todos os seres sencientes. Desde Novembro de 2009 o MOP conta com mais de 1300 adesões.
Segue uma breve apresentação da obra.
Conto com a vossa presença e a extensão deste convite a todos: amigos, indiferentes e inimigos! A Vida é Festa para a qual todos são convidados.
Saudações cordiais
Paulo Borges
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Este livro é uma reflexão acerca da vocação universal de Portugal, em diálogo com alguns dos seus maiores poetas, profetas e pensadores: Luís de Camões, Padre António Vieira, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
Este Portugal e esta vocação designam, num sentido, a predisposição para uma convivência planetária, mediadora de um novo ciclo cultural e civilizacional, sob o signo de uma globalização ético-espiritual, contrastante com a económico-tecnológica. Noutro sentido, esta visão de Portugal assume-o como símbolo do próprio homem em busca de se realizar plenamente.
A isto se chama Uma Visão Armilar do Mundo, conforme o símbolo que tremula na nossa bandeira: a perfeição, plenitude e totalidade da esfera e, nas suas armilas, a interconexão de todos os seres e coisas, tradições e culturas, artes e saberes. Muito antes de ser o emblema de D. Manuel I, é essa a maior fecundidade simbólica da Spera Mundi, Esfera e/ou Esperança do Mundo: ao invés do nacionalismo ou patriotismo comuns, a cultura portuguesa e lusófona tenderia a converter muros em pontes, fronteiras em mediações, limites em limiares, numa abertura ao planeta e ao universo, a todos os povos, nações e seres, a todas as línguas, culturas, religiões e irreligiões. Uma visão armilar do mundo é uma visão-experiência integral e holística do mundo, sem cisões, exclusões ou parcialidades.
Numa era celebrada como multicultural, mas ainda tão cega para o entre-ser universal, aqui se invoca a Esfera Armilar como actual paradigma da reinvenção de Portugal como nação de todo o mundo, que vise o melhor para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, que não separe o bem da espécie humana da preservação da natureza e do bem-estar de todas as formas de vida senciente.
Paulo Borges
umoutroportugal.blogspot.com
jornaloutro.blogspot.com





















