A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Mostrar mensagens com a etiqueta Lisboa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lisboa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 27 de dezembro de 2009

Passeando a pé pela Lisboa velha...





Passeando a pé pela Lisboa velha, encontrei a antiga igreja de S. Crispim e S. Crispiniano, os primeiros santos padroeiros da cidade (a par de S. Vicente, e depois destronados pelo Santo António agora 'popular'). Havia muita gente à porta: reparei num letreiro onde consegui ler 'igreja ortodoxa romena'. Entrei: corria uma cerimónia litúrgica, que a princípio me pareceu um baptismo. Um padre de vestes douradas e longas barbas cantava uma oração, acompanhado de homens e mulheres (os homens à direita, as mulheres à esquerda). A minha xenofobia instintiva fez-me pensar que os homens tinham um ar ameaçador, cabelos curtos, casacos negros. Havia crianças com a pele dourada dos ciganos, crianças ruivas e loiras de rosto eslavo e de rosto germânico; a lingua era aquela coisa estranha que parece um russo em que de vez em quando percebemos uma palavra; as mulheres usavam lenços na cabeça, saias compridas; ao contrário das missas católicas, as pessoas falavam umas com as outras, sorriam, reconheciam-se: uma criança desenhava no chão com canetas de cores em papel de embrulho. Ícones dourados em material barato, o Cristo senhor do Mundo. Romenos no meu país, imigrantes na Mouraria de Lisboa.

Dois rapazitos, um de cabelo asa-de-corvo e outro ruivo como um irlandês das lendas celtas, cumprimentaram-se. Teriam uns seis ou sete anos. Notei, com estranheza primeiro, que falavam em português. Havia naquilo tudo uma estranha ausência: demorei a perceber que era a ausência da 'cultura' ianque. Não havia bonés de baseball nem t-shirts de publicidade nem cosmética de 'sedução' nem o ar simultaneamente esfomeado e barrigudo a que nos habituou o 'Ocidente'. Estava em Portugal e estava na Roménia e estava na Europa e estava num mundo que reconheço como meu, mesmo que não reconheça a língua e os gestos - o sinal da cruz faz-se da direita para a esquerda, como uma vez aprendi em Atenas.

Pensei em várias coisas ao sair da igreja ortodoxa dos romenos: na Mouraria e em Lisboa e no meu país do Minho e Galiza e em Portugal e no mundo. No que é uma comunidade e no que é ser emigrante. Nesta coisa estranha chamada Europa e nos homens silenciosos de negro. No vazio a que os convidamos.

Casimiro Ceivães

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/12/segunda-nota-pessoalissima-sobre.html#comments

sábado, 6 de junho de 2009

De Ulisses a Junot...

.
O Centro de História da Universidade de Lisboa e a Câmara Municipal de Lisboa, na sequência da assinatura de um protocolo de colaboração científica no passado dia 26 de Março, organizam este ano o I Curso de Verão de História de Lisboa, intitulado De Ulisses a Junot, e que se realizará entre 6 e 10 de Julho de 2009, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. O Curso consta de dez módulos de duas horas cada (dois módulos por dia, a funcionar entre as 14h00 e as 16h00 e as 16h00 e as 18h00), leccionados por investigadores da Câmara Municipal de Lisboa e docentes da Faculdade de Letras de Lisboa, bem como de duas visitas de estudo, a realizar nas manhãs dos dias 7 e 9 de Julho.

A inscrição importa no valor de EUR 250, sendo de EUR 200 para os alunos da Faculdade de Letras, bem como para os funcionários das duas instituições envolvidas, podendo ser efectuadas pelo envio da ficha de inscrição por correio para a morada indicada (acompanhada de cheque à ordem de Fundação da Universidade de Lisboa), ou presencialmente, junto do Secretariado do Curso (Drs. André Oliveira Leitão e Filipa Santos), nas instalações do Centro de História.

sábado, 25 de abril de 2009

A Hora da Lisboa

Para os Loucos da Lisboa:

«AÇORES, ILHA S. MIGUEL, PONTA DELGADA, 23/06/2003; 21:26h
Os Lusos, Filhos da Luz, Guerreiros da Luz, são o expoente de uma "Raça de Titãs do Espírito", nascidos da "Estrela", constituíram no passado uma expressão de povo-raça que agora se mantém nos arquétipos da memória, que une todo um povo onde arde a Chama divina, Luso-Ibérico, da "terra dos gentios", dos Gálicos ou Galos, do ramo da Tuata de Gaedil, que deram origem aos galileus, onde viveu Maria, José e Jesus. Esse povo, era saído dos Galos da Galaécia, Galácia ou Galécia.
Inicialmente este povo vivia a norte da península Ibérica e era Celta. Tinha em si as sementes dos Atlantes e por isso esteve destinado a explorar e a percorrer os mares, precursores de toda a navegação. Estiveram unidos na epopeia das descobertas marítimas Portugal e Espanha.
Os Lusos que viveram na Península estavam ocupando o centro de Portugal e estendiam-se a terras Ibéricas sendo a sua capital Mérida.
O povo do sul de Portugal era designado de povo Real e descendiam directamente da Atlântida.
Esta semente é mantida nestes actuais Reis do Espírito, Filhos do Sacerdócio Real, Supremo, portadores da Iluminação, Membros da Ordem de MELKITZEDEK, na actual difusão das Chamas, de acordo com o Plano Divino, pelos Guerreiros da Luz, que habitam a "Galileia dos Gentios", portanto a tocha de Iluminação para o Mundo, desde a Sagrada Nação de LYS, desvelando a MÃE, a Hierarca do Espírito Santo, o Novo Império para todo o Planeta, são eles de pura linhagem lusa e com puro sangue Galo e da Ibéria – cumpre-se LYS na Luso-Ibéria, farol do espírito para o Mundo.
A Mãe sai de terras de Santa Maria e se dará ao Mundo, como Nova Aurora, Nova Chama da Caridade – Compaixão – Oportunidade, um Novo Estilo de Vida, Uma Nova Raça que inaugurará o Novo Milénio.
Estes Lusos de agora, Portadores da Luz, são Arautos da eternidade, Sacerdotes Supremos que conduzirão a BOA LYS (Boa-Lei) pelos portais da Eternidade, cumprindo-se o Graal na LUSITERNIDADE.
"É a hora."
Myriam»
Fonte

sábado, 11 de abril de 2009

Para o Pedro Santana Lopes

Sei que tens muitas razões de queixa, mas nem por isso deixas de ser um tipo com muita sorte…

É verdade que qualquer actuação ou declaração tua menos feliz é logo explorada até à exaustão pelos “media”. É também verdade que se tivesses no lugar do Sócrates – com o caso “Freeport” e todos os outros – há muito que terias sido demitido…

Ainda assim, acho que não te podes queixar da sorte. Tiveste a oportunidade única de ser Primeiro-Ministro e falhaste estrondosamente. E a grande responsabilidade disso é tua. De mais ninguém…

Daqui a uns meses, serás de novo Presidente da Câmara de Lisboa. De novo, sem qualquer mérito especial. Apenas por sorte. Pela sorte de ires defrontar uma Esquerda mais do que dividida pelos sectarismos do costume…

Leio no jornal que na segunda será lançada uma Petição (pelo José Saramago e pelo Jorge Sampaio, entre outros) a apelar a uma união da Esquerda em Lisboa. E já se vê que esta é uma Petição condenada ao fracasso…

Dizia o Miterrand que a Direita francesa era a mais estúpida do mundo. Se ele fosse português, diria, provavelmente, o mesmo da nossa Esquerda…

Essa é a tua sorte. E não pequena…

Saudações alfacinhas

sábado, 18 de outubro de 2008

Ulisses e Atena

"(...) a associação do nome latino da cidade de Lisboa com o do herói grego Ulisses tem uma longa tradição: erudita em André de Resende, literária em Luís de Camões, criativa em Fernando Pessoa. (...) André de Resende tenta evitar recriminações formuladas um século antes por Lorenzo Valla; simultaneamente, assenta argumentos de glória para a cidade do Tejo que, ao tempo, se agiganta perante a Europa com o comércio desencadeado pelos feitos marítimos dos homens que dela partiam para o mundo inteiro (...). Não bastava que os novos feitos superassem os dos antigos (...) tornava-se necessário que a glória dos antigos se prolongasse nos novos heróis e assim se garantisse glória definitiva – que o seria tanto mais quanto se pudesse provar que nada era fruto do acaso, mas tudo se integrava em projecto de uma divindade que zela pelo Mundo com sabedoria harmoniosa. Tal factor de engrandecimento sobreleva em Camões, com a particularidade de avinculação com a antiguidade permitir integração que assegura facúndia épica por parte de uma divindade tutelar, Palas Atena, cuja protecção foi decisiva para o herói primitivo sair vencedor de todos os perigos; o testemunho dessa protecção, aliás, estaria concretizado pelo altar votivo que o herói ao chegar a Olisipo não teria deixado de aí erguer. Em F. Pessoa, o nome do fundador alarga-se, só por si, em mito – um «nada que é tudo», porque, mesmo que lhe falte fundamentação histórica, fornece o impulso necessário para o projecto (...) de uma nação inteira em tempo de plenitude que cumpre a utopia e «conquista a Distância / Do mar ou outra». (...) A forma envolve complexidade poética, pois o processo contempla projecção especular de modo a transferir para a cidade do extremo ocidente a glória que a preservação da cidade do oriente, onde o herói lutara, teria mantido pelos tempos fora. Olisipo é a nova Tróia; o mito recupera, em projecção especular, e amplia para o futuro o que fora negado no ponto de partida à infaustosa cidade que não foi poupada ao incêndio e à destruição. Efectivamente, Lisboa contrapõe-se a Tróia na figuração de Camões e de Pessoa; não é apenas o legado de um herói de passagem que lhe confere atributos, mas sim a imagem recuperada que a relança no futuro. (...) Por seu lado, o herói não se define pelo que destrói, mas pelo que resgata e repõe na harmonia do universo, alguma vez violada. Lugar antigo tinha de ser Lisboa; os títulos de glória que os tempos recentes, no séc. XVI, lhe traziam, tinham de advir de um fundador, mais que de um conquistador, por muito insigne que ele fosse, pois a sua acção buscara legitimidade na reintegração do lugar naquilo de que andara afastado; se há transposição, ela é obra de um fundador: como tal, cabem ao novo local as prerrogativas do antigo. Lugar extremo é também Lisboa: local longínquo (no fim do mundo – ponta da Europa), serve para erguer ao máximo o esforço do herói; local dos confins ocidentais é lugar propício para contraponto com cidade de partida (Tróia); é, por isso mesmo a Nova Roma e o seu herói não será o de um vencido, mas o de um triunfador da História (ardiloso para encontrar os estratagemas da vitória) e de um vencedor da Natureza (superando as adversidades da viagem pelo mar). Lugar distante, Lisboa é mais que lugar de passagem Lisboa (ainda que também o seja), porque é lugar de radicação – traço significativo são as relações familiares que tornam o local propício para transmissão hereditária. É por isso lugar de retorno: como regresso e como recuperação; lugar de regresso, porque o herói das aventuras por mar só no centro, em Ítaca (ou na Ilha dos Amores, em Camões), poderá concluir as suas façanhas e obter o canto que imortalize o herói e lhe confirme ter atingido a Sabedoria (...); lugar de recuperação se tornará quando o exercício da memória integrar os que ficaram a tomar conta do Finisterra. Neste processo cultural, mais do que qualquer elemento material que pudesse certificar a passagem do herói por um lugar, é nobilitante que tenha ficado nome ou descendente – se ele levantou um templo, este só podia ser caduco e deixar para os vindouros testemunho em ruínas (tanto mais que outro culto havia surgido, entretanto). O nome, aliás, é tudo, porque só ele cabe na memória (e no mito) dos homens, aberto ao canto (ode que é logos) do poeta; o descendente instaura laços de sangue e de poder continuado.
(...)
Mesmo que a crítica histórica obrigue a reconhecer que as origens não são certas e que o mito transborda para fora do quadro geográfico e histórico primitivo, havemos de reconhecer que em Olisipo / Ulixbona se constitui uma comunidade de homens que a si mesmos se reconhecem no suposto epónimo da sua cidade e lhe dão continuidade de viajantes – que ostentam a marca de descobridores até aos confins do mundo, de onde sempre pretendem regressar. Ultrapassam eles a personagem mítica, que nunca pretendeu descobrir nada nem recolher nada e na distância escondeu o nome próprio, que apenas desejou regressar ao seio da família tradicional e recupera a própria identidade no canto do aedo no palácio de Alcíno. A esta memória passiva contrapõe-se uma memória activa – de reconhecimento de novos horizontes na recuperação do passado. Na audácia dos novos cometimentos, aqueles que evocam o fundador soltam amarras sobre um Novo Mundo e nessa atitude mostram a diferença: o protagonista de 'Os Lusíadas' será o primeiro a contar a história do seu país e a reivindicar uma missão de descoberta – «Os Portugueses somos do Ocidente / imos buscando as terras do Oriente». O Mediterrâneo deixa de ser um Mare Clausum para se prolongar num Mare Infinitum (...). Às aventuras do mar sucede, não o mistério, mas o deslumbramento. O horizonte não é já apenas o mar sem fim, tenebroso e tremendo, mas um Mundo Novo em que os homens espalhados pelo orbe inteiro passam a estar ligados pelo mar oceano, em vontade de novo convívio e com a possibilidade de acolher as experiências dos povos mais longínquos, em admiração mútua e em confiança recíproca. A Europa ganha nova dimensão, o mundo assume também nova espessura e o Homem assegura novas capacidades: a maior delas será a de admiração frente aos outros, depois de se ter convencido da dignidade própria. A Europa regressa a si mesma, no dramatismo de reconhecer as suas próprias limitações, mas algo mais segura de que o mundo não termina no Finisterra euro-asiático. Na Utopia que se lhe abre (e que lhe traça Tomás Moro, mas Fernando Pessoa caracteriza), «os olhos com que vê são gregos»; «o rosto com que fita é Portugal». (...)
Em texto poético e na explicação que lhe anexa, Resende junta elementos dispersos e forja toda a lenda com traços fabulosos: o herói, em viagem pelo Oceano, impelido pelos ventos, que lhe alteram o rumo, interna-se pelo golfo do Tejo, descobre a fertilidade dos campos; sente-se reconfortado com o facto de se entender com os indígenas na própria língua (na base de que eram descendentes de Luso, filho de Dioniso); a conselho de Palas Atena, constrói uma pequena muralha e levanta um templo à deusa. (...)
Um território de fim do mundo: o Elysium. (...) A. Resende sublinha a amenidade da região onde Ulisses funda a nova cidade. (...). Segundo Estrabão, a cidade de Odysseia situava-se na região que Proteu havia descrito a Menelau como sendo o Elýsion Pedíon, nos confins da Terra, «onde reina o ruivo Radamante, onde os humanos gozam uma vida feliz, livres da neve, do gelo e da chuva, e onde, no seio do Oceano, se levanta a brisa suave e fagueirado Zéfiro». Este passo da Odisseia, é comentado pelo geógrafo da seguinte maneira: «A pureza do ar e a suave influência do zéfiro são efectivamente características próprias da Ibéria depois de dada a volta completa para o lado do Ocidente; possui ali um clima verdadeiramente temperado e, além disso, está situada nos últimos confins da terra habitada, isto é, nos lugares extremos, onde o mito, como dissemos, colocou o Hades, pois a menção de Radamante nos versos citados implica a proximidade de Minos e, como é sabido, diz Homero: "Ali vi a Minos, o nobre filho de Zeus, que, com o seu ceptro de ouro na mão, administrava a justiça aos mortos"». Na zona ocidental da Ibéria, frente ao Atlântico, segundo o geógrafo, havia uma região de felicidade, de que as Ilhas dos Bem-aventurados, que lhe ficavam na vizinhança, não seriam mais que um prolongamento.
É largo o percurso do mito das Ilhas Afortunadas (...). Vários são os prolongamentos medievais. Recordemos apenas alguns: no mapa da dispersão apostólica incluído nos Beatos uma cartela explicita a sua localização frente à desembocadura mediterrânica no grande mar do Atlântico; (...) cuja tradição mais antiga está em testemunhos de origem hispânica, conduz o protagonista com os seus monges ao encontro de uma ilha a ocidente, onde avistam o paraíso; (...) situa a ocidente uma pequena ilha onde a experiência celestial cumula de felicidade um eremita que ali se aventura a partir até ela, depois de a avistar numa subida à Torre de Hércules; numa ilha afortunada, a Ocidente, (...).
O nome de Elysium concorre com essa designação e acaba por se cruzar com o de Lisboa."
Aires Nascimento

"Quando a filosofia pinta cinza sobre o grisalho,
uma forma de vida já envelheceu e, com o cinza
sobre cinza não se pode rejuvenescer, apenas reconhecer;
A coruja de Minerva (Atena) alça seu vôo
somente com o início do crepúsculo."
Hegel (1770-1830), "Filosofia do Direito"

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Querem ser melhor retratados?






fontedagua disse (e eu concordo)

Querem ser melhor retratados? Lembrem-se desta reportagem quando estiverem a trabalhar, a estudar/investigar, a desenvolver os vossos negócios e projectos, quando estiverem a acolher os bem-vindos imigrantes, quando estiverem a falar com a vossa família e os vossos amigos, quando estiverem a educar os vossos filhos, na hora de declarar os vossos rendimentos, no momento de exigir o recibo quando fazem um pagamento, na hora de assumirem o papel de cidadãos da república com todos os deveres e direitos.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

APONTAMENTOS: UMA SERPENTE NO TEJO

Nuno Benavente, In Utero, 2002


O comboio desliza sobre o Tejo, tão próximo, numa distância cortante.
Os meus olhos cansados repousam nas águas, olhos atentos às estrelas artesanais, dependuradas em mastros de ferrugem temporal, colocados em cada margem, para sinalizar o fim do sonho.
O Tejo, também destinado a ser espelho de dois abismos nas trevas do mundo, faz destas estrelas ilusórias, dançarinas divinas, no baile silencioso do seu reino nocturno.
O Tejo… o Tejo é saudade de partidas lacrimosas e chegadas honrosas de velha glória.
O Tejo é amor, melancolia de novelos de água em entrançados de lua salgada.
Na noite, tudo é Uno. O rio e o céu são um só, como um espelho... como um ovo.

sábado, 12 de julho de 2008

Salvem o Largo do Rato...


Foi dada agora luz verde aos projectos de especialidade pela autarquia lisboeta deste enorme edifício entre o Largo do Rato, Rua Alexandre Herculano e Rua do Salitre. Composto por 7 pisos acima do solo, com fachadas de 22 metros, com 10.000 metros quadrados em gaveto, trata-se de uma construção que pela volumetria rebenta totalmente com a escala existente.O projecto a construir prepara-se para descaracterizar definitivamente esta zona lisboeta.Para servir tais propósitos o novo prédio obrigará à demolição de alguns imóveis, nomeadamente a centenária Associação Escolar de São Mamede e todo o belíssimo centenário conjunto artístico, Palácio Palmela - Procuradoria Geral da República, chafariz e muro de pedra), que rodeia quase todo o terreno.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

ANIREM A LISBOA


.Pôr-do-Sol na Basílica da Estrela, Miguel Costa, 2003


Anirem a Lisboa
Pujarem al tramvia número 28
Passejarem pels carrers costeruts de l’Alfama
Caminarem vora el Teix fins a la Torre de Betlem
Visitarem el cenotafi de Pessoa
Ens prendrem un cafè a La Brasileira
Escoltarem fados al Faia
Contemplarem la posta des del mirador del Castell
Ens perdrem quan la nit esdevingui més fosca

Et cardaré pertot arreu
Et faré forats nous
Et beuràs a glopades la meva lleterada
Et deixaré senyals als indrets més secrets
Et xuclaré fins l’últim resquitx de l’ànima

Ens estimarem esbojarradament,
incomprensiblement,
irreversiblement
L’Amor se’n farà creus, de la nostra disbauxa
Escriurem els versos més eterns

Anirem a Lisboa
I mai més no tornarem



PARTIREMOS PARA LISBOA

Partiremos para Lisboa
No eléctrico número 28
Passearemos, pelas ruas íngremes de Alfama
Caminhadas à beira Tejo junto à Torre de Belém
Visitas ao túmulo de Pessoa
Um café n'A Brasileira
Fados no Faia escutaremos
A contemplação do poente no miradouro do Castelo
Perdidos, onde a noite se torna mais escura

Amar-te-ei por todos os lados
Te farei furos novos
Beberás o meu sumo em grandes hautos
Deixarei marcas nos teus recantos mais secretos
Sorver-te-ei ao mais ínfimo pedaço de alma

Nos amaremos como doidos
Incompreensivelmente
Irreversivelmente
O amor não se fará rogado do nosso deboche
Escreveremos os versos mais eternos

Partiremos para Lisboa
E não mais voltaremos


Antoni Ibañez Ros
Tradução de Lord of Erewhon

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Dangerous to me


Atravessou, devagar, mesas intermináveis arrombadas de livros. Não parou junto dos poetas, ignorou a subtileza de Borges e a crua violência de Philip Roth, não lhe mereceram os historiadores o mais simples olhar. Passou a outra sala: de um lado a encíclica do Papa, do outro o Seja Feliz Agora! e talvez um manual para druidas. Andou sempre, como se soubesse aonde havia de ir, como se à volta não houvesse mais nada. Tão longe.

No último mostrador, quase escondida sob um arco de pedra, abriu devagar um álbum, enormes fotografias da Finlândia. Tinha o livro pousado, talvez não quisesse sujar os glaciares e os lagos com as suas mãos de rua e chão. De vez em quando virava uma página, voltou atrás para rever não sei que rio, não sei que terra. Mas passou depressa um grupo de crianças loiras.

Se eu pudesse fugir, pensei, é nisso que ela está a pensar, se eu pudesse um dia chegar aqui. Não saí de onde estava, porque quase de certeza não tinha reparado em mim, não podia saber que do meu canto podia reconhecer as cores; fiquei quieto e quis pousar os livros que tinha escolhido mas não fui capaz, inúteis os Novos Estudos de História Medieval, subitamente inútil o Perspectives on the new Russia. E não sei porquê lembrei-me dos Pink Floyd,

Hush now baby, baby don't you cry
Mama's gonna check out all your girl friends for you
Mama won't let anyone dirty get through

Tenho-a encontrado na Baixa, mulher de olhos adolescentes embrulhada num enorme capote cinzento a arrastar dois sacos quase do seu tamanho onde talvez haja o cobertor de dormir. Tenho-a encontrado e da primeira vez (era a noite no Bairro Alto) pareceu-me uma hippie um pouco deslocada, só depois percebi, sem-abrigo (Mother do you think she's dangerous to me) Tantas vezes a encontrei e tantas penso que se não tivesse os olhos cinzentos, se fosse um homem baixo e barrigudo talvez os meus olhos tivessem demorado menos (Mother do you think she's good enough for me). E nunca lhe soube falar, precisas de quê, exactamente agora? (Mother do you think they'll like the song)

E quando, Mestre, é que te vimos com fome e não te demos de comer. Ah, mas a mulher está parada na livraria a olhar os lagos da Finlândia mesmo que o Mestre seja uma história de adormecer, mesmo que eu tenha voz para lhe falar; e se eu pousar os livros que ia comprar e lhe disser toma o livro e os lagos da Finlândia, poderás vê-los quando a pedra te não quiser deixar dormir. Mas que adianta um livro a quem não tem onde o pousar, que adianta um mundo (Mother will she tear your little boy apart, mother will she break my heart)

Talvez ela não veja, sim, talvez não queira os lagos da Finlândia, talvez ela seja louca e mais vale não lhe falar ainda havia um escândalo. Alguém devia fazer alguma coisa. E assim eu posso ler o Perspectives, mostrar-te a pureza das águas.

Mother do you think they'll drop the bomb

Se eu pudesse um dia chegar aqui.


[a fotografia é de um lago da Finlândia, de que desconheço o autor; usei excertos de Mother, de Pink Floyd]

A LINHAGEM DOS SILVA


Chega-lhe a cidreira no serviço a uso, branco com orla dourada, pelas mãos da Henriqueta, criada de fora, rapariga da sua leva. Tinham brincado juntas, uma ornada de rendas e laçarotes, outra de chita desmaiada e fome escondida. O tempo trouxe a distância que a posição exigia, agora é «Senhora», a outra responde por «Queta».
Nem o chá aquieta o burburinho que lhe vai no peito. Levanta-se, compõe um livro na estante, ajeita o monóculo ao franzir do sobrolho por aquelas desgraçadas almas que desconhecem o lugar de cada coisa. Encomendou-os de Lisboa, os melhores que por lá havia, não fizessem conta a gastos, haveria de ter a biblioteca mais catita das redondezas. Foi um doutor que lhos arranjou, alguns escritos em língua estrangeira, aos outros também não os entendia, eram muito arrevesados na escrita, desculpava-se para consigo. Mas certo era que visita que por lá parasse a encontrava embrenhada na leitura, o seu maior passatempo, como se desculpava pela momentânea desatenção.
Ora não querem lá ver, não há gato pintado que não tenha linhagem. Será o doutor, esse mesmo, pois concerteza, haverá de me desencantar um qualquer trisavô que dê história aos Silva.


Excerto de «Senhoras de Braga e Morcelas Alentejanas», obra que o Google desconhece por ainda não ter sido escrita.

O PIRATA

No Cais do Tejo (o Aterro em 1881), Alfredo Keil, 1881



Longe, onde o rio encontra o mar,
Sentei-me hoje, sob o sol poente,
Com um sorriso infantil e crente,
A ouvir lendas de um lobo do mar.

Mais do que os quadros emocionantes
Que com as suas palavras descrevia,
Eram outras, mil histórias que eu ouvia
Nas suas rugas e nos olhos cintilantes...

Agora está velho. Os barcos partem sem ele.
Mas mantém dignamente o ar altivo e forte,
Duma proa a desafiar as águas, a sorte.

E quando, alto, as vagas se fizeram ouvir,
Foi entre soluços que conseguiu falar:
«Ouves o mar? Está a chamar-me...»

sábado, 21 de junho de 2008

DOIS POEMAS – UMA HOMENAGEM *


Painel de azulejos do Palácio Galveias (Câmara Municipal de Lisboa)



QUE TEM GOA, QUE MAGOA


Que tem Goa, que magoa
meu coração português?...
(– Índia sonhada em Lisboa,
diz-me segredos de Goa,
diz-mos baixinho de vez...)

Que tem Goa, que destoa
do mundo que à volta sei?...
(– Índia das noites à toa,
canta-me a voz do Pessoa,
conta-me a volta do Rei...)

Que tem Goa, qu'inda ecoa
nas águas mortas do mar?
(– Índia, vem... moro em Lisboa...
deixei meus barcos em Goa,
preciso de navegar...)



MARINHEIRO DO MAR MORTO


– Marinheiro do mar morto,
porque andas a navegar?
– Nasci num barco sem porto,
quero só morrer no mar.

– Marinheiro do mar alto,
fazes-me falta no mar...
– Já não sou eu que te falto,
falta-te só embarcar.

– Marinheiro do mar fundo,
ensina-me a ser assim...
– Quando a morte for teu mundo
é que hás-de chegar a mim.


Casimiro Ceivães (1912-1931)



* Em homenagem ao nosso Confrade, Casimiro Ceivães, dois poemas do seu tio-avô.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

SENTIDOS



O Verão fazia-se anunciar em dias como aquele, dias que pediam passeios longos pelas calçadas de Lisboa, um almoço leve e uma tarde numa qualquer esplanada com vista para o rio.
Escolhera Santa Catarina pelas memórias que guardava na serenidade do tempo e pelo misto de culturas que ali atracavam. Ainda que com um ar tosco, a esplanada despertava outros sonhos, sonhos que enfrentavam o medo do desconhecido feito de pedra.
Rapidamente se deixou consumir pelo que os sentidos lhe ofereciam. O calor anestesiante, o odor do pecado, o azul do rio e o branco das velas, a contemporaneidade das flautas e dos tambores. E tudo isto o envolvia para além do espaço e do tempo, como uma dança de culturas.
Já não queria produzir um discurso articulado em resposta à voz humana. Queria-se alheio ao mundo e deixar-se contagiar até a luz do dia se extinguir, abrindo as portas para uma noite adormecida.

terça-feira, 17 de junho de 2008

A SÍNDROMA DE ALCÁCER-QUIBIR




O malfadado costume dos Portugueses se deixarem derrotar por vencidos… só pode ser uma predisposição emocional à tragédia. Deste a fundação da nossa Pátria que recusamos a mansidão – e optamos por uma realidade que nos sangre!
Somos Portugueses, um Povo de povos, em excelência nobre e altivo. As épocas de inércia, o quase, o previsível, sempre nos roubaram o ânimo; no mais fundo de nós nos recolhemos, no que nos resta de puro, de sagrado, de espírito e força, para nos erguermos – como o velame fustigado e valente de uma caravela! – e inventarmos um Novo Mundo. Assim temos fintado as leis da História e construímos a singularidade do nosso carácter colectivo e esta nação atípica.

O que a ânsia do neófito sonha que regresse em carne, nunca nos abandonou em Presença, companhia do Amigo, Mar de Levante para o audaz, Luz dentro de todos os nevoeiros, do mundo, dos homens e do tempo.


Bem hajam, todos os que são o meu sustento, que o meu coração ofertado ao Sacrifício entendem e sabem que a minha alma Serve e em nada a devora a soberba. Somente a Civilização Portuguesa é o meu Fogo íntimo – a Fraternidade de todos os lusófonos e uma Casa de Alegria para todos os que imploram a justiça, o respeito, a igualdade e o pão.

Um nome nada importa – se os lábios dizem: «Portugal».


Klatuu Niktos

quarta-feira, 11 de junho de 2008

LISBOA MADRUGADA

Carlos Botelho, «Lisboa e o Tejo, Domingo»


Ser lisboeta é vestir a calçada de negro negrume, amar as ruas de Lisboa como quem ama a Morte, acreditar nelas como em profecias impossíveis, saboreando o cheiro das horas perenes.
Os turistas, os mendigos e os outros que correm, num reboliço necessário à vida: a cidade vai vivendo, julgando-se viva, numa ilusão de liberdade.
Caminho para tudo pisando o chão que não me leva a lado algum, e nas matutinas manhãs como esta, quando as ruas ainda se espreguiçam sonolentas entre os prédios, Lisboa faz-me lembrar uma morgue cheia de corpos a chegar.
As minhas mãos são janelas abertas por onde a minha alma vai espreitando timidamente. O vento é um espectro de épicos cantos, que perdido me abraça.
Sorrio aos mendigos, mas não os sinto porque os sou e sendo, vejo apenas os que correm à minha volta sem ver.
Lisboa dos palcos alegres e tristes, cantando melancolicamente mais uma madrugada de saudade, és o meu pátio palco de cantigas de infância campo e cidade-cidade, a minha nudez de moça, transbordante de beatas por apagar.
Percorrendo-te, a minha sombra lembra-me sempre que existo e a minha existência em carne de pés, movimento, lembra-a sempre que não quer ser lembrada.
Entrego-te os meus dedos persianas, de janelas mãos em prédios altivos de rotos, entrego-tos, entrego-tos, para que os mergulhes na terra, calçada poluída, tornando-se raízes de uma possível árvore de mim, se me for justo dizê-lo, egoísmo-flor, de dizer ser-me de mim própria.
Lisboa, és o Corvo que observa as gentes do alto das estátuas, que as protege nas suas asas, aguardando o pulsar da noite.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

ASSIS





ASSISI


Umbrische Nacht.
Umbrische Nacht mit dem Silber von Glocke und Ölblatt.
Umbrische Nacht mit dem Stein, den du hertrugst.
Umbrische Nacht mit dem Stein.


Stumm, was ins Leben stieg, stumm.
Füll die Krüge um.


Irdener Krug.
Irdener Krug, dran die Töpferhand festwuchs.
Irdener Krug, den die Hand eines Schattens für immer verschloß.
Irdener Krug mit dem Siegel des Schattens.


Stein, wo du hinsiehst, Stein.
Laß das Grautier ein.


Trottendes Tier.
Trottendes Tier im Schnee, den die nackteste Hand streut.
Trottendes Tier vor dem Wort, das ins Schloß fiel.
Trottendes Tier, das den Schlaf aus der Hand frißt.


Glanz, der nicht trösten will, Glanz.
Die Toten - sie betteln noch, Franz.




ASSIS


Noite úmbrica
Noite úmbrica com a prata de sino e folha de oliveira.
Noite úmbrica com a pedra que para aqui trouxeste.
Noite úmbrica com a pedra.


Mudo, mudo o que entrou na vida.
Esvazia e enche os jarros.


Jarro de terra.
Jarro de terra que traz em si a mão do oleiro.
Jarro de terra que a mão de uma sombra para sempre fechou.


Jarro de terra com o selo da sombra.


Pedra, pedra para onde quer que olhes.
Deixa entrar o burrico.


Animal a trote.
Animal a trote na neve espalhada pela mais nua mão.
Animal a trote adiante da palavra que se fechou.
Animal a trote que vem comer o sono à mão.


Brilho, brilho que não quer consolar.
Os mortos, Francisco, ainda pedem esmola.


Paul Celan

Tradução de João Barrento
in As Escadas não têm Degraus, 3, livros Cotovia, Lisboa, Março de 1990, pp. 156-157.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

ALERTA




«Morrer, sim, mas devagar!»

El Rey Dom Sebastião em Alcácer-Quibir. Palavras ouvidas por Dom António Prior do Crato, Dom Francisco de Mascarenhas, Dom João de Portugal e Dom Cristovão Távora.