A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Texto que nos chegou...





A CRUZ QUEBRADA

Em Todos os Tempos


J. Jorge Peralta



Sempre me impressionou a visão de uma grande cruz quebrada, em Salvador, Bahia.

Uma grande cruz de granito, quebrada artisticamente, apoiada sobre um pilar, também de granito.

Como está no alto da cidade, ao vê-la, parece que ela se projeta nas águas da Bahia de Todos os Santos, lançando raios de uma luz invisíveis por todo o país.

Marca o lugar do altar-mor da primeira Catedral da Primeira Capital do Brasil.

Foi também a Primeira Igreja Catedral do Brasil – (1549).

Provisoriamente, tivemos a Catedral de Palha, na Igreja Nossa Senhora da Ajuda, bem perto dali, até que se terminasse a construção definitiva.


Consta que era muito, muito bonita a nossa primeira Catedral. Tinha muita história.

Os seus despojos estão no Museu de Arte Sacra, instalado no antigo Convento de Santa Teresa de Ávila, dos Padres Carmelitas.

Ali há muito suor do grande estrategista e missionário sábio, o Padre Manuel da Nóbrega, que também foi fundador de São Paulo.

Aí pregou o Magno Orador Sacro, Pe. Antônio Vieira.

A Catedral foi derrubada, no século XX, para dar passagem aos equipamentos do mundo moderno.

Foi derrubada por um motivo banal: Para dar passagem a uma Avenida.


Ali é o Centro Cívico e Político da Cidade.

Belíssima cidade! Salvador é a cidade sorriso do Brasil.

A cidade das 366 igrejas, como dizia o grande aviador, Gago Coutinho.


Retornemos à Cruz Quebrada.

Um dia de junho de 2007, ao anoitecer, passei ali e fiquei extasiado com o que vi:

O sol começava a se pôr no horizonte, do ouro lado da Baía de Todos os Santos.

Ia se pondo, bem atrás da Cruz Quebrada, deixando nela uma auréola de luz belíssima, quase divina. Parecia que os raios de luz se espargiam da cruz, deixando um grande rasto de luz, nas águas calmas da Baía, e iam se alojar no sol, para iluminar outros mundos, até voltar no dia seguinte, na aurora de novo dia.

Registrei essa minha visão, com minha máquina fotográfica. Fiquei contente pelo achado.


Compartilho essas belas imagens com meus amigos, em Plena Quinta-Feira Santa, pensando no dia de Páscoa e em todos os Tempos.

Não sei se a arte imita a vida ou se a vida imita a arte. Por isso talvez possa dizer que, efetivamente, o trocadilho que fiz acima: Sol-Cruz-Sol, talvez seja real. Apenas ascendendo a outra dimensão. Sonhar é só sonhar? Ou há algo mais?


A Cruz Quebrada, com todo o esplendor que lhe deu o sol, ao anoitecer, dá-nos a verdadeira simbologia da cruz: no meio de tanta ganância, de tanta arrogância, de tanta ignorância, de tanta estupidez, de tanta falcatrua, de tanta crueldade, de tanta injustiça, ainda há esperança, ainda há luz.

Foi-se a Catedral, mas ficou a CRUZ. Quebrada, mas ficou.


O cristianismo trouxe-nos luz, vida, alegria serena e estímulo à ousadia, num mundo tumultuado.

Não vejo porque o cristianismo possa ser olhado como uma filosofia triste. Triste são as bandalheiras que as pessoas gananciosas fazem. Tristes são os que se arrogam donos da fé e das almas que querem subjugar e não libertar. Temos o Caminho.

Mas quem são os guias?! Quem vai apagando as luzes do Caminho?! Quem são os pastores?

Aquela cruz lembra-nos todos os valores humanísticos que o cristianismo tentou implantar no Brasil e pelos quais lutaram tantos heróis.


Amigo,

Haja o que houver, na tempestade ou na bonança, mantenha as mãos ao leme.

Não se descuide. Vá à luta.

Se você não cuidar do seu jardim, nele só crescerá capim.

Cuide das plantas de seu jardim e elas lhe darão belas flores.

Falo do Cristianismo sem jaça, sem interpolações, sem entulho que nela alguns deixaram.

Fiquemos com um pequeno texto de nosso poeta Gonçalves Dias:

“A vida é luta renhida,

viver é lutar.

A vida é combate

que os fracos abate,

que os fortes, os bravos,

só pode exaltar”

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Texto que nos chegou...

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Eros Volúsia


A Lua encontrou-se com o Sol em um perfeito alinhamento. Mas antes do primeiro encontro, nada era como seria depois. Lá nos primórdios do Universo, os dois começaram a cultivar um amor, intenso e belo como o crepúsculo. Durante existências, a Lua guardou apenas para si a fagulha de um sentimento inexplicável pelo Sol, o astro dos astros e o mais belo deles em sua concepção de mero corpo celeste infimamente menor que a grande estrela amada. A admiração pelo Sol alardeou desejos e fagulhas arredondadas da Lua.
Amantes enamoraram-se sem jamais poderem se encontrar. Mas eles sabiam que o grande encontro estava por vir. A Lua só conseguia sentir os raios vibrantes do Sol. Se ela pudesse ir contra a força que a impulsionava a executar o mecânico trabalho de rotação e sair rodopiando tangencialmente, viraria o Universo de cabeça para baixo apenas para estar junto de seu amado. A vontade que o Sol tinha era de se expandir cada vez mais até que fosse possível envolver totalmente sua amada em seus raios ardentes do fogo de Eros.
Era a paixão de seres que pela lei da natureza nunca poderiam estar juntos para sempre, mas que irão coexistir antagonicamente. Mas, quando a noite for o dia e o dia for a noite, nada mais será como antes. Os dois pareciam correr juntos com o tempo, transpondo a barreira do espaço, mas apenas a Lua movimentava-se em sua órbita constante ao redor da Terra. Algum dia teriam, inevitavelmente, de se encontrar. Algum dia dentro da sensação de um tempo de volúpia... longo gozo de tão absoluta longevidade. Inquietante.
Por muito tempo, os dois combinaram o desejado encontro, fizeram conjecturas de como seria o célebre momento. Tanto combinaram que decidiram que o encontro deveria ter repercussão universal.
A expectativa estabelecia-se como o motor mais frenético entre os dois astros. Um amor que, realmente, só cabe ao Universo e que estava fora da compreensão tão insignificante, minúscula e imperfeita dos seres humanos, pois, o amor só pode ser sentido pelo mais virginal e límpido ser repleto da matéria cósmica mais primitiva.
Passado um milênio completo, no momento em que a face visível da Lua voltada para a Terra não estava sendo iluminada e um fenômeno de alinhamento estava prestes a acontecer, a Lua sorriu para seu amado, avisando que estava a caminho. Os dois puseram-se a se contemplar mais de perto e cada vez mais perto. A Lua lançou-se indiscretamente para cima de seu venerado amor chamejante.
Estavam prontos para o beijo cósmico mais fascinante do Universo. Inesquecível triscar de energia. Enquanto o calor do Sol era sentido unicamente pela Lua, a Terra teve sua temperatura diminuída. Pouco tempo depois, o espetáculo amoroso entre os dois astros se intensificaria. Os dois dirigiam-se para o início de um abraço, de um juntar de corpos perfeito.
A felicidade do Sol e da Lua foi percebida da Terra pela consumação do amor entre os dois. Uma consumação que deixou perceptível o anel de diamante que circundava a borda da Lua. O beijo cósmico chegou ao seu ápice quando a Terra foi atingida pela sombra da Lua. O céu tornou-se escuro, propício para o amor sem limites do Sol e da Lua. Puderam-se ver os planetas e as estrelas mais brilhantes celebrando a união. Finalmente, a coroa solar apareceu evidenciando o encontro total de dois únicos bacantes. Encontro memorável. O mais intenso e forte delírio lunático e o mais exaltado e entusiasmado eclipse solar.



Lúcia Helena Alves de Sá

domingo, 27 de dezembro de 2009

Passeando a pé pela Lisboa velha...





Passeando a pé pela Lisboa velha, encontrei a antiga igreja de S. Crispim e S. Crispiniano, os primeiros santos padroeiros da cidade (a par de S. Vicente, e depois destronados pelo Santo António agora 'popular'). Havia muita gente à porta: reparei num letreiro onde consegui ler 'igreja ortodoxa romena'. Entrei: corria uma cerimónia litúrgica, que a princípio me pareceu um baptismo. Um padre de vestes douradas e longas barbas cantava uma oração, acompanhado de homens e mulheres (os homens à direita, as mulheres à esquerda). A minha xenofobia instintiva fez-me pensar que os homens tinham um ar ameaçador, cabelos curtos, casacos negros. Havia crianças com a pele dourada dos ciganos, crianças ruivas e loiras de rosto eslavo e de rosto germânico; a lingua era aquela coisa estranha que parece um russo em que de vez em quando percebemos uma palavra; as mulheres usavam lenços na cabeça, saias compridas; ao contrário das missas católicas, as pessoas falavam umas com as outras, sorriam, reconheciam-se: uma criança desenhava no chão com canetas de cores em papel de embrulho. Ícones dourados em material barato, o Cristo senhor do Mundo. Romenos no meu país, imigrantes na Mouraria de Lisboa.

Dois rapazitos, um de cabelo asa-de-corvo e outro ruivo como um irlandês das lendas celtas, cumprimentaram-se. Teriam uns seis ou sete anos. Notei, com estranheza primeiro, que falavam em português. Havia naquilo tudo uma estranha ausência: demorei a perceber que era a ausência da 'cultura' ianque. Não havia bonés de baseball nem t-shirts de publicidade nem cosmética de 'sedução' nem o ar simultaneamente esfomeado e barrigudo a que nos habituou o 'Ocidente'. Estava em Portugal e estava na Roménia e estava na Europa e estava num mundo que reconheço como meu, mesmo que não reconheça a língua e os gestos - o sinal da cruz faz-se da direita para a esquerda, como uma vez aprendi em Atenas.

Pensei em várias coisas ao sair da igreja ortodoxa dos romenos: na Mouraria e em Lisboa e no meu país do Minho e Galiza e em Portugal e no mundo. No que é uma comunidade e no que é ser emigrante. Nesta coisa estranha chamada Europa e nos homens silenciosos de negro. No vazio a que os convidamos.

Casimiro Ceivães

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/12/segunda-nota-pessoalissima-sobre.html#comments

domingo, 20 de setembro de 2009

Texto que nos chegou...

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De amor e desamor
(e outros indícios)

Era uma vez um jovem que ansiava aprender a arte da transformação do metal em ouro. Foi então ter com um afamado alquimista da região e pediu-lhe para ser o seu discípulo, mas o mestre, depois de interrogá-lo acerca da sinceridade da sua intenção, pô-lo a trabalhar na oficina da forja das espadas. Aí devia permanecer um tempo –como lição inicial. Decorreu um ano, e o discípulo, ansioso, perguntou ao mestre quando é que começaria a aprender os segredos da elaboração do ouro, mas o mestre apenas lhe indicou que devia passar ainda mais tempo na forja das espadas. O jovem crescia e tornava-se dia a dia um forjador mais destro e, apesar de que de vez em quando tornava a perguntar ao alquimista pelo anelado início das aulas áureas, o mestre continuava a negar-lhe aquela lição.

Mas um dia, depois de já vários anos, em que o discípulo se encontrava a trabalhar numa belíssima espada, o velho mestre indicou que era chegado o momento de encetar a tarefa dourada: e o discípulo, quase sem retirar o olhar concentrado no gládio que nascia, disse ao mestre “deixa-me, por favor, ó mestre, agora estou ocupado a forjar esta espada”. Como esta história é a minha, contar-vo-la-ei: de outra maneira.

Com o título da dupla antologia de poesia publicada em 1984 e 1985, que encabeça este texto, queria aludir a uma constelação de poetas, não restrita aos membros daquele colectivo corunhês, cuja sensibilidade, cujo coração, a alguns de nós iniciou de certo modo a um mundo maior, no que diz respeito aos impactos procedentes da própria Galiza. Os posteriores poetas daquele fim de século, daquele fim do mundo, largamente imersos como estávamos na actividade criativa, na navegação às escuras que implica, no meu caso talvez desde que Celso Emílio Ferreiro enviou às mãos sua energia de palavras nocturnas, de longas noites, encetávamos a forja das espadas na época em que se publicava De Amor e Desamor. Por mim passara antes a palavra popular de Bernardino Graña, com a sua infantil e sublime imantação, que me ensinou a recitar em inglês aquele trecho inelutável do Hamlet, num bar da adolescência ferrolana, para embalar-nos logo com o miar do gato da tasca marinheira; talvez perto dos areais de Cangas, por onde caminhava a Maria Solinha, vítima da Inquisição que Celso Emílio ressuscitara.

Percorridos os caminhos para além do rio, do rio da desmemória, achada palavra comum, e conhecida –pelo acaso daquela exumação dos anos 80– a escrita desse senhor obscuro, volátil e certo, de máscara ou Pessoa retirada, intercambiável. E com este passeando por Lisboa até, surpreendentemente, os dias de hoje. Conhecemos alguns dos seus parceiros, nessa infindável partida de xadrez, alheia a tudo, omnicompreensiva: de olhos fechos fomos conduzidos aos lugares secretos do Álvaro de Campos, o Alberto Caeiro e ao mundo pagão do Ricardo Reis, aonde ficámos um tempo –um tempo que em mim permanece.

E como o tempo não existe, conhecemos ao seu tempo Manuel António e Guerra Junqueiro, sua Oração ao Pão; aqueles doces indóceis anarquistas.

Xosé Maria Álvarez Cáccamo, em Vigo, cercado pelas ondas e envolvido no atro crime de devolver a poesia do noroeste para o sagrado. E antes, o cantor de Cáli e Noia, que é como dizer da morte e a ressurreição, Antón Avilés de Taramancos, e o também ressuscitado, após morte pressentida, Eusébio Lorenzo Baleirón. Junto com eles, vagabundo reticente, Dom Ricardo Carvalho Calero, cavaleiro da triste desmemória.

E depois, por volta dos vinte anos, após uma breve viagem pela lírica de Ramos Rosa, de Ruy Belo, aparece um referente fulcral, sob o nome de Herberto Helder, mas com a substância que, para além da própria, se depreende dos seus heterónimos carnais: os poetas da antologia Edoy Lelia Doura –de indispensável navegação.

Vieram logo os poetas do interno, eterno Oriente, na sua insubornável mesura. Por traduzir de alguma maneira o ideal adab, a verdadeira cortesia ou a íntima consideração, como já traduziram os nossos trovadores há mil anos, a quem aqueles poetas persas me levaram de regresso, agora talvez com pulso renovado. E escutei-os ao som daquela nova música antiga, ao som desse adab, que também significa literatura, como muadib –aquele que é perito na boa vida– significa literato. E como tarabi –trovador: que cai no tarab, no arrebato do amor, alheio a outra razão.

O ofício sonoro esforçadamente martelado, aquele anelo dourado, tornou-se indício do silêncio, frágua do anonimato. Agora fico por aqui, a relembrar a viagem de retorno. E deixo ainda a gratidão para todos aqueles que nos precederam na arte de tecer e destecer, com sombra e luz, como se o amor e o desamor só fossem uno.

Pedro Casteleiro

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Irrelevante

[ http://www.diariodeguarulhos.com.br/jornal/dgnews/jornal/materia.jsp?id=7618&ca=47 ]

Foi uma grata surpresa a modesta passeata de estudantes da região do Pimentas, realizada durante o desfile do Dia da independência, na segunda-feira, na Avenida Paulo Faccini.

Eram alunos de dois cursos preparatórios para vestibulares, e defendiam a abertura de uma faculdade de medicina no campus da Unifesp de Guarulhos.

Melhor dizendo: queriam trazer para a unidade local a mesma excelência nas áreas de medicina, farmácia e biologia que notabilizou a Unifesp paulistana como uma das melhores universidades públicas do Brasil e a primeira colocada no Índice Geral de Cursos do Ministério da Educação.

Enfim, surge uma manifestação estudantil na cidade disposta a reivindicar algo de inteligente, substantivo e de claro interesse público!

A passeata não poderia ser mais oportuna. Especialmente neste momento em que o movimento estudantil brasileiro, quase que sem exceção, deixou-se corromper de forma abjeta pelas verbas oficiais e pela adesão pelega aos propósitos propagandísticos do governo federal e dos partidos que o apoiam.

Os estudantes do Pimentas estão cobertos de razão, pois tocam na ferida aberta desde quando o presidente Lula inaugurou o campus da primeira universidade federal de Guarulhos, no auge da campanha eleitoral de 2006.

Como justificar (num debate intelectual honesto) que o campus tenha sido inaugurado com os seus irrelevantes cursos de filosofia, ciências sociais, história e pedagogia, sem oferecer nenhuma opção na área de biomédica, na qual é imbatível?

Como explicar que o primeiro investimento federal em educação superior em Guarulhos tenha ignorado solenemente o fato de o município ser um polo nacional na produção de fármacos e medicamentos, mas não dispor de um único curso de medicina, ou mesmo de química?

A resposta está no oportunismo das autoridades educacionais. Elas inauguraram o campus Pimentas da Unifesp orientados pela mesma visão estreita que tanto dizem deplorar nas universidades privadas.

A lógica é similar: apostar em cursos baratos, de baixa qualificação acadêmica e distantes da realidade sócio-econômica de Guarulhos. Num caso, visava-se o lucro fácil; noutro, os votos fáceis...

Felizmente, nem todos os estudantes se deixaram levar pelo auto-engano.

terça-feira, 16 de junho de 2009

SENTIR

Ao fechar os olhos, ao deitar-me pela noite já avançada, não dormi de imediato como pensei dormiria, devido o cansaço mental e físico; nem sonhei como desejei sonhar paisagens mais agradáveis, que aquelas que sempre povoam os meus pensamentos.

Não sonhei nem dormi, apesar de cansado e farto de estar de olhos abertos a ver o nada, com os olhos mentais, de portas fechadas. Levantei-me de pronto, quando me vi ainda deitado sobre a cama; e sem entender a razão daquilo, pensei em voltar; mas algo me puxou para longe dali; foi quando me dei conta que havia atravessado a montanha e me encontrava dentro da rocha bruta, que aquela altura era tênue como as nuvens e transparente como o vidro.

Sem sentir medo nem sentimento algum, deixei-me ir até o outro lado e voei pelos campos verdejantes, em manhã calma, quando ainda agora era noite avançada em meu leito de dormir, cansado e com o sono físico e mental ausentes.

Mas despertei e senti-me outra vez pesado e preso a um corpo pegajoso sem qualquer atrativo, a não ser o fato de através de ele sentir; mas de que vale sentir se o que sinto não guarda qualquer relação com o sentimento agradável!

Mas também sonhar fugindo sem peso e sem corpo de que vale se não confere qualquer experiência, palpável?

Quando era criança, passei por semelhante aventura, através de processo febril chamado “delirium tremens”, que antecedia um indescritível mal estar. Não resta dúvida de que se tratava de uma extraordinária experiência, principalmente sendo eu ainda criança e entrava irresistivelmente num túnel luminoso, fantástico, como se fosse um prêmio pela angustia e o paladar horrível, na boca, que antecedia aquela viagem...

Mas hoje diante das viagens que se apresentam, prefiro quedar-me a um canto de meu pensamento; ou num canto do meu cárcere de carne, mesmo que muitas vezes sonhe com a desagradável mudança de casa, ainda que não tenha casa de onde possa ser despejado, para daí me mudar.

Todavia a grande e derradeira viagem que hei de fazer e ninguém pode determinar nem decidir, impedir ou saber quando se dará, será feita como a grande maioria das viagens que fiz ao longo do tempo; tanto de caráter mental quanto terrestre, sempre sozinho. Águia solitária diria que já me senti, mas hoje só um pequeno pássaro sem asas, se ainda valer a metáfora das asas e de voar, para quem já não voa.

De algum modo, os espaços por onde poderia voar preenchi-os durante esses anos todos de pensamentos; e como creio ter ultrapassado as barreiras físicas, estou presente nesses espaços metafísicos, numa dimensão de consciência.

Mas dói ainda assim o pé dói ainda assim a alma. Pena doa-me vez ou outra a região física do coração, e isto não é um bom sinal, nesta altura de meus dilatados anos carnívoros, e outras gorduras mais...

sábado, 13 de junho de 2009

CIDADE PERDIDA

Na distante cidade inacabada onde gastei meus últimos raios de luz com os quais poderia terminar a demarcação do terreno e fincada no chão a minha cruz,
Foi onde dei inicio, mas não terminei a cidade, mesmo que se trate de uma obra com principio, meio e fim e que deveras será útil, e de elevada finalidade.
A cidade que mal edifiquei e ficou sem luz logo no começo, assim mesmo tem ela já o inicio, e, por isso, ao contrário de antes, já tem hoje real endereço.
Apesar de fracas as suas fundações, porque fossem os materiais modestos, dotei-a das mais modernas instalações e com propósitos muito honestos.
Nunca pensei, apesar de refinado sonhador fazê-la de sonho, pois que o sonhar virou pesadelo; nem quero nenhum convidado levando aí um susto medonho,
Que não quero minha cidade a cidade do sonho, do espanto, embora nela colocasse algum mistério e segredo: mesmo não a tendo acabado e não sendo um encanto,
É a minha inacabada cidade feita de tempo, sem luxo, mas com certo enlevo. E só quero para quem nela entrar muita paz, e que jamais aí sinta medo.
É a minha cidade a cidade inacabada, é a minha cidade destinada à paz: apesar de não estar terminada, grande homenagem à vida compraz e traz coroada...
E é com pouco, que o muito não há, mas é, contudo, o que a vida nos dá; e apesar de miúda, apesar e, sobretudo não há quem à vida aí não desfrute e à vida não vá aí consagrar.
A minha cidade é caiada de branco, cortada por um rio e muitos regatos; mas ainda nela não se instalou nenhum banco, nem financeira que explore o trabalho;
Apesar de pequena tem grande floresta e muito rica fauna; e ao homem triste que por ali passa um sorriso lhe presta, aos feridos socorre e, aos tristes, consola.
A minha cidade: é a minha cidade! A minha cidade não é uma cidade; apesar de inacabada tem já certo tempo! Ah, se dela me afasto, quanto infausto e dano!
E quanta perda de tempo, pois é este o meu pessoal projeto que herdei do Eterno e hoje externamente da pátria a extensão, onde assisto chorando perder-se em mentiras e desmando!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

O Ego e o Eu... E muitos outros eus estratégicos.

Tenho mesmo ou sou, vários eus? Mas sou eu, só!

Embora este ou aquele se manifeste um pouco mais suave, ou mais agressivo, ou até mesmo arredio, mas passado o momento visceral o amoroso renasce e toma conta da situação conflituosa.

Bem, mas ao contrário dos famosos que tecem teses metafísicas para justificarem seus delírios intelectuais, quando descrevem a si mesmo como alguém misterioso, eu digo e reafirmo que sou eu mesmo só eu e assim. Simples a assim.

Simples e despojado, quanto mais consciente estiver de que não sei nada.

Todavia consciente de que tenho todos os direitos e deveres como qualquer um, e então com tanta gente falando e defendendo regras e direitos, eu por não defender nada disso reclamo para mim apenas o direito da lusa palavra, até por não conhecer outra.

Mas esta me basta, e embora às vezes até pareça arrogante, será por defesa, unicamente.

Ou sobrevivência, que seria o termo mais certo.

Não só sobrevivência física, que até às vezes nem é o caso, devido o nível da interação, mas como resolvesse subir ao alto de mim num pequeno morro ou outeiro definitivamente meu!
É onde numa prateleira virtual guardo minhas imagens mentais, com as minhas idéias pintadas, e as defendo inclusive com pedradas, se for preciso, caso as queiram desvirtuar.

Bem, para terminar esta prosa breve diria que sobreviver é mera linguagem de retórica, caso se pense em dolo material, onde algo fosse furtado ou mesmo danificado formalmente.

Mas como nem só de pão vive o homem, deixai ao homem que viva em todos os mundo e esferas de existência como lhe convier, ou for possível.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

RITMO

Distanciei-me de tudo correndo, mas não cheguei a lugar algum, porque me atrasasse perdido entre umas nuvens que haviam descido bem rentes à terra.

E não era nevoeiro que envolvia os vales nem a serra, mas nuvens espessas de fumo que se desprendiam da boca dos canhões que faziam guerra.

Guerra do fogo contra os paus, guerra do ferro e da pólvora, guerra de todas as formas e de todos os preços, que em salvas tremendas estouravam os nossos nervos e atingiam nossos corações.

Depois destas cenas terríveis acordei e vi outra guerra.

E da mesma forma, porque me atrasasse enquanto dormia sobressaltado com os pesadelos das feras, de repente “reacordei”.

Vi então a guerra lá fora, na rua, e vi que minha cabeça estava completamente aturdida e a minha alma absolutamente nua; apenas meu coração ferido estava vestido de corpo.

Mas batia muito forte de incerteza e de pavor. De modo que em guerra tanto quanto em vigília ou mesmo a sonhar é meu destino ver o mundo ir à guerra a guerrear.

É meu castigo ver os dois mundos guerrearem. E se nem durante a noite quando durmo cessa a luta no astral, o que dizer deste lado da moeda onde brigam pelo bem, mesmo quando é mal?

Por quimeras em nome do suposto meio bem, que é meio mal?

Outros contra o inteiro bem brigam pelo inteiro mal; mas de todos os quebrados fazem arte, e todos dizem oferecer de si a melhor parte.

E se pelo que mais farte se faz guerra no céu, na terra, na rua, no mar e em toda parte há guerra... eternamente há guerra.

Não poderia mesmo sonhar com outra coisa, em ambos os mundos?
Se os profundos seios tanto do céu quanto da terra estão sendo por feras bombas, bombardeados...

Mas nem por isso posso justificar o meu atraso, e este meu caminho incerto, desconhecido e confuso.

Pois ao meu caminho sempre pensei percorrer depressa; todavia com o que trago e vou me arrastando por aí sigo lento e sempre tardo.

Ah se não houvesse tantas nuvens e escombros!

E a fumaça tantas curvas não fizesse que me atrasassem!

Mas pior que guerras são as quimeras...Ainda que pelo tempo se desfaçam!

Não talvez pior que as guerras, mas igualmente ferozes são as pedras que em nosso telhado jogam em tempos de paz como ofertas em nome do bem que gritam ao preço do dia!

Tão eloqüentes vozes eletrônicas concorrem entre si para ver quem mais alto ronca nos dias de pagamento nesta tão infeliz guerra, permitida, que chamam tempo de "Paz"!

sábado, 6 de junho de 2009

TUDO POR CAUSA DE GOVERNOS CORRUPTOS... HÁ FOME, MENTIRA, HÁ IRA E O SANGUE EM VEZ DE NAS VEIAS CORRE NO CHÃO.

Por tudo que pensei que tinha e não era nada, depois que fiquei profundamente triste e vi que estava só, foi que eu compreendi que só sempre estive e nunca qualquer coisa tive.

E o que pensava ter e ostentava, mesmo que só para mim o exibisse não é já agora mesmo nada.

Tudo se apaga de repente, e o que desejo neste instante é só uma fresta no tempo ou no raio que os parta ou no inferno do juízo final, para ver o que sobrou da grande batalha cósmica, que destruiu todos os deuses de barro, falsos ídolos e os homens que sabem de tudo.

Pena sejam essas destruições só no meu desassossego!

Se bem que esses trastes sempre viveram de fantasia e de acordo com a crença de uns, e a burrice de outros.

Mas quando se deixa de ser “burro”, e isto é trágico, não se é mais nada.

Eu não posso dizer que sou “burro”, neste momento, mas também não sou mais nada do que pensava ser, quanto alimentava lembranças e alegrias de contentamentos de momentos passados.

Mas se por um lado sinto que não sou mesmo “burro”, por outro sei que não sou também nenhuma qualquer coisa, e nem até gente, apenas gente numa pessoa representada com identidade cidadã e até duvido que o esteja em condições de ir lá para fora interagir com outras pessoas.

Não sou nada.

E por não ser nada tanto faz ter ou não ter o que pendure ao pescoço para ostentar aos outros, se para mim tanto faz haver coisas ou não-coisas.

Mas eu sei que isto passa, e daqui a pouco, porque seja um ser psíquico, algo se faz em temperatura amena e de ânimo novo cumpre uma leve brisa.

Conquanto seja isso também parte do problema, pois estou cansado desse joguinho idiota de ser, saber, conhecer o que ninguém saiba o quê nessa ordem é, sabe, conhece e vai “novo debaixo do sol”.

Está aí uma coisa boa de lembrar, e esta frase (nada de novo debaixo do sol) de repente me veio á memória e Kunaton. E pelo que fez é alguém que valeu a pena ter existido.

Naturalmente que Ele não é o único! Ainda bem!

Bem, parece que estou saindo do processo “do projeto fundo do poço”.

Mas não tenho saudade de respirar com vontade.

E olhem que Respirar e um Eixo foi tudo quando busquei a vida inteira.

Respirar com arte e exercitar o Eixo de acordo com o sábio chinês que afirmava ser o verdadeiro Eixo a pena do ovo e a terceira pata da galinha.

E embora não tenha encontrado a galinha de três patas nem o ovo com penas sei que o eixo real aí se encontra.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Depois de ser alvo no mínimo das oitos direções do mundo, resultou rebelar-se.

Cresce a diferença entre um nada e o outro?

Mais um dia correndo, e cada dia mais depressa vão terminando sem nada construir.

Mas quem corre e constrói coisas, no fim também são nadas essas coisas construídas.

Na medida maior e no conceito de maia tudo passa e deixa de ser.

E em não sendo as casas, em não sendo coisas concretas, que ao deixar de fazê-las não se faça nada, não faz diferença fazer ou deixar de fazer...

Mas quem faz arte, qualquer arte e essa arte sejam coisas, também estas coisas passam, mas enquanto não passam alguém se encanta, ou não, mas quem olhar ouvir ou ler terá emoções ou pensamentos, e nisto se fundamenta a arte.

Tudo então passa, e também se é verdade que ninguém a ninguém nem mesmo Deus a outrem revelará o seu eu, quem tiver a medida da ciência do bem e do mal e souber já não ser capaz de agredir a vida “nos três mundos” pode ser livre sem reverenciar a ninguém nem deixar tutelar-se por nenhum Anjo Arcanjo Rei ou Deus.

Mas reverenciar sempre a todos, ainda que todos na sua medida sejam de algum modo uns nadas, respeitando o tempo de cada coisa nesses nadas, e a sua expressão no mundo.

De algum modo um cavaleiro por nas camadas mais densas e mais leves cavalgar... mas naturalmente um cavaleiro sempre servirá um Rei.

Em condições muito especiais portará um cálice.

Uma espada, pois ainda que em último caso se de uma espada precisar e outra não a tiver, puxe-a de sua coluna vertebral, que é a sua verdadeira espada... de reserva natural.

Mas a rebeldia celeste quando se instala, provoca grandes tremores.

Não, de nada valerá serem grandes, tutores, mestres, doutores, sábios que não mais obrigam...

Não mais submetem nem tutelam.

Mas a rebeldia celeste é justa e um cavaleiro segue a sua trilha, solitário e livre.

Adeus castelos, instituições, templos, sacrários e bentas fontes.

O horizonte é só uma referência e um clarão aos olhos refaz-se por dentro e nada mais há a perder nem a ganhar.

Rebeldia celeste sem nada temer por nada a perder haver nem a cobrar um dever...

Rebeldia celeste...

Gotas de Cristal Orvalhadas



Pusera-me certa feita a olhar as gotículas de orvalho a penderem das frescas folhas de uns arbustos quaisquer, mas sem os distinguir; mas verdes, porém; a gotinha sim, lembro-me perfeitamente da forma e da fórmula – líquida – límpida e cristalina e chamou-me a atenção o fato de um oceano inteiro estar composto imenso manso bravo e ondulante de semelhantes gotas cheio. Quantas não haverão de ser naquela imensidão do mar? Embora salgadas!
Também meu corpo está na maior parte composto delas e talvez também a minha alma destas gotículas salgadas ande chorosa e nelas afogada! Não assim tão puras, porque as mágoas as tolheram de à luz do sol refletindo purificarem-se; ou porque não as veja, por ser noite já em meu viver...
Aquela imensidão noturna e sem estrelas por onde vagam com destino certo astros invisíveis, vejo-a apenas em minha imaginação azul, sem luz. Concebo-a em meu pensamento maculado de tristeza, porque minha alma fechara as asas e não quer voar para onde eu gostaria de ir, mesmo que em sonho, àquela imensidão. Pelo menos em sonho! Já que à felicidade não ouse tanto assim ousar, sonhar, pelo menos gostaria muito de sonhar.
Hoje? Ah este momento em que não há onde o pé seguro pise! Momento triste, semelhante àquele em que daquela feita pusera-me a olhar as gotas que pendiam dos arbustos!
Só ao mar levando minhas mágoas, que em gotas em meu corpo jazem, para dissolvê-las livres na imensidão daquelas outras, salgadas! É certo que ao mar levá-las-ei um dia, e com elas hei de me afogar, pois que afogadas em mim já andam e muito querem às vezes a mim próprio mergulhar!
Mas não creio na morte que me mataria a vida, pois a creio infinda e muito mais eterna é, de atrevida, só de atrevida.

sábado, 30 de maio de 2009

META-FIXA AB...

AB

... A vida que se esperava fértil e de grandes realizações, chega ao final sem grandes recordações... Termina melancólica e triste, a esvaziar-se pelos poros da pele do velho corpo já decrépto, cujos passos incertos vagarosamente o vão parando, parando e a morte furta finalmente ao viver a velha forma.

Mas não morre ali a vida por não estar sujeita à existência efêmera da velha capa de carne e osso; prossegue sua infinita caminhada em outra esfera de existência, onde sempre existirá como unidade absoluta.

Mergulha por alguns instantes aqui ou ali uma pequena raiz, constitui-se neste ou naquele corpo, mas em seguida o abandona em seu reino, para que volte ao “pó” de origem. Porém a vida prosseguirá sua eterna caminhada levando em seu ventre aqueles minúsculos pontos de energia marcados a testemunhar de que por instantes se prendera às formas.

E assim em breves experiências colhidas através de infinitos corpos, em milhões sem fim de etapas, cumpre seu papel de animar e colher deste ânimo apenas as experiências das formas passageiras.

Ainda que o ser passageiro seja absolutamente oposto à sua natureza universal de unidade.

E é também por esta razão que vai sempre, segue e se chama na língua Sânscrita o Jiva Universal!... Ou Onda de Vida Inseparável e Única, mas capaz de se fazer Indivíduo...Jiva...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Ao Poeta, ao Homem sem limites de Horizonte onde esquerda, direita ou qualquer lado já não prenda...

“Minha alma amanheceu amarga, do fel da noite astral nela vertido,
tal colibri caído ao solo, morto, por mel veneno ter bebido”

Mas não é assim que ao mundo desejo vá este meu sentimento, que a ninguém desejo tal sabor.

Pois que, olhando sem pesar o mundo amanhecendo claro e o sol a colorir a paisagem ao frio manso esquente, a mim à minha alma aquece, adoçando um novo sentir, brasileiro, de raiz mais longe e sabor experimentado na lida.

Mais longe e mais profundo que a cara do terreno deste agora momentaneamente feio pelo feito desastroso da massa acéfala dirigente.

Gente na aparência, sim gente na aparência, mas na distância e opostamente ao conselho do grande Pitágoras. quando disse: (Homem, se não poderes recorrer aos Deuses para vos Legislar (Governar) recorrei pelo menos ao Sábios!).

Gente na aparência e "Apedeutas" opostamente aos éticos sem saberem o que a ética seja, amorais sem competência de a si mesmos mínimo juízo fazerem.

Pobres de espírito são o que são os Flageladores da Pátria, que em nome do populismo alimentam apenas o corpo dos miseráveis, com algo semelhante a alimento que o mantém de pé, enquanto o restante pelas vias da excreção polui o meio ambiente, embora expandindo a prole.

Este povo que ainda ontem cantava “são noventa milhões em ação pra frente Brasil, salve a seleção”, hoje num salto fenomenal quase duzentos milhões, e de quem é a culpa?

Dos Descobridores, no dizer desses senhores que fraudam até o café da manhã, com as mentiras do presimente, ou da oposição, que esses Apedeutas governistas acusam?

Gastam fortunas, para alardear os feitos majestosos do senhor da silva, inclusive pelas esmolas que distribui de 30 reais, ou pouco mais a um miserável, mas que ainda assim o fazendo sem a mínima responsabilidade, quase a metade vai para aqueles disdípulos do petismo que até carro próprio têm, boas casas e salários.

Mas isto, em contrapartida mata á vida na mesma medida em que à saúde pública arruinou...

Logo depois que o Senhor José Serra, quando Ministro da Saúde implantava o embrião de uma saúde mais justa e para todos, o senhor da silva tão logo assumisse mataria, pois a verba a ela destinada, em propagando do tipo nazista, em corrupções sem medida e programas “massificantes” de compra de votos e sacralização do ignóbil carrasco que ri consomem.

Mas raízes vão profundamente nesses quase 200.000.000 dos quais 120.000.000 são luso-descendentes, e isso não se apaga, pois está felizmente no sangue.

E o sangue não é esgoto, ao qual até como esgoto se polua.

Este país teve melhoras ao longo do tempo, reais, mas as que dizem ter havido nos últimos quase oito anos são falsas conquista.

Ao contrário, o Brasil caiu em riqueza na sua alma nacional.

Poi na mesma medida em que mata a fome, que jamais será aplacada, diga-se, mata nas filas da saúde como matou no Pará da senhora governadora petista Júlia Carepa, quando dezenas morreram em apenas uma semana, só para dar um exemplo do que ocorre todos os dias no Brasil.

E a escola? Que vergonha! A UNESCO, ciente do papel do Brasil no mundo, obrigou-se a mudar algum critério de avaliação, para não ficar de fora da lista, e ainda assim só o Haiti perderia para nós.

E as mortes pela violência no transito, nas ruas, no tráfico, causado por esse estado de espírito onde ninguém é de ninguém, e a ruptura do valor moral, que se foi?

Houve conquista grandiosas da nação como um todo, sim, mas não neste período ao qual querem atribuir com essa mentira da propaganda nazista, desse senhor da silva.

Não, ao contrário não se pode atribuir valor ao desgoverno de um governo paralelo do crime organizado.

Só porque ele fala asneiras, é engraçado e se diz sem saber o que seja direita ou esquerda e esquerda se diga, como ser esquerda fosse grande coisa, e gostar do Hugo Chaves, o imbecil da Venezuela?

Imbecil será todo o homem que não tiver a medida de sua envergadura e da pequenez achar-se mais que qualquer ser mortal da terra.

Achar que tem a varinha mágica e seguir rompendo o equilíbrio entre a liberdade individual e o estado...
estado seu, e Estado real onde o povo é o senhor e não esses imbecis ditadores, que emergindo dos esgotos se “transvestem” de gente e seguem impondo a sua raiva e ódio absolutista à nação?

Claro que isto é passageiro e não serve de ponte para nada, exceto a quebra e a ruptura dos valores morais que estão indo esgoyo abaixo, como idealizado pela corrente do "socialismo cultural", que de cultural não tem nada, até com vistas a seus gurus da turma de Gramsci e aquele um francês que seria uma das primeiras vítimas da AIDS ou Sida, graças à sua promiscuidade sexual, enquanto gay, e ao uso das drogas...

Que gurus? Deus nos defenda dessas pragas!

Cumprem seus papéis insanos, pois talvez a insanidade seja a forma de os proletários no final do ciclo quebrar as estruturas.

Tudo bem que façam seu trabalho, mas deixem a quem vem reconstruir a tarefa de reconstruir.

Tirem as patas daí!

Pois esta reconstrução passa pela Ordem do Saber e do Amor, coisas que essa gente absolutamente desconhece.

domingo, 24 de maio de 2009

Eu, desses poetas, embora não sendo um sei, entretanto quem eles são.
E não são muitos.

Aliás, melhor dizendo são mesmo poucos, dentre muitos poetas.

E eu vindo como tenho vindo por aí aos tropeços com as palavras, com as pernas e até com os pés, a tropeçar tem sido meu caminhar “no tempo”.

Felizmente, mesmo muito tropeçando, caí poucas vezes.

Felizmente.

Mas se não caí muito, também por outro lado não trouxe grandes “coisas” que de pé sem deixá-las cair trouxesse, nem sequer dos muitos tropeços foi algum para segurar as minhas “coisas”.

Conquanto apascentado e já no pouco que possuo assentado, sigo ainda assim a caminhar em plenos 67 anos de pesos, quilômetros, de vida e viscerais atropelos e tropeçadas em órgãos...

E pesam já muito as pernas cansadas 67 anos no tempo...

E assim, pesada, seria a poesia, se a trouxesse, pois seria afinal poeta!

Ainda bem que o não sou!

Mas vendo-os passar e reconhecer o seu canto nos lembra que mesmo não sendo poetas, poderemos exercitar a poesia, até marginal.

E foi no meu pessoal caso assim que mais tropecei nas palavras, mas se também não tivesse tropeçado nos formões não teria aprendido a esculpir madeira, lhe dando uma forma, também marginal, sim, e daí?

Marginal, marginal assim no sentido pejorativo do termo, devido os “governos” não é, pois, não é assim marginal, de à margem da lei seguir promovendo a morte e a mentir dar vida às esmolas.

Não é marginal o meu trabalho artístico, no sentido desses marginais que andam voando por aí, torrando a saúde do povo, a sua educação, a sua segurança, e por fim o suor, que no que contém aí de sal é o seu salário e eles torram também sem dó.

Se o homem sensato aprende o caminho seguindo o caminho inverso do ganancioso e supremo
mandante que se julga insubstituível, enquanto este homem sensato ri de alegria, o prepotente presidente ri de ignorância e imbecilidade.

Quem sabe até o estado alterado e sem siso devido o etílico destilado?

Ou não, se o houver sólido, que há momentos em que a euforia se não contenta mais com álcool...

Quem poderia discorrer sobre o assunto com propriedade
seria até um “eis-presidente” que dizem cheirava e fumava... inclusive charutos e qualquer coisa que o deixasse incitado!

É o que dizem as más línguas, do povo.

Embora dessas más línguas também digam serem a voz de Deus.


Mas eu não acredito e até mesmo sei que a voz de Deus se fala pelo homem fala como sábio santo e honrado...

E como dizia lá muito atrás aquele meu antigo eu metido a poeta: “Quando a primavera se faz desabrocham as rosas e as flores, e toda se colore a natureza em festa”.

Um presidente tolo, ou um tolo presidente tanto faz, seja de um time do futebol, ou de uma república americana... ou talvez africana...

Que não importa a língua que fale, nem o continente a que pertença esse tolo presidente, ou presidente tolo, mas o mal que vier a causar arrastar-se-á por muitos anos na frente...

E se esse mal for a corrupção em níveis insuportáveis...

O Brasil será pioneiro no desenvolvimento desse vírus, infinitamente mais grave e longevo que o vírus Suíno Mexicano...

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Isto não é piada...

Mas o que é muito interessante nesse senhor da silva, do Brasil, é a facilidade em contar histórias.
Como não tem compromisso com a verdade, nenhuma verdade, pois que também justiça seja feita ninguém tem,
Não tendo também compromisso com a palavra, com o peso da palvra, sentido, e regência na expressão do som...
Transita nessa faixa e fala produzindo som, "apenasmente" como diria "Odorico Paraguaçu".

Por Deus ou por Lúcifer juro por Deus que não é nem a “antimúsica” que suportaria ouvir! "Juro por Deus".

Mas esse som produzido por ele em palavras diz “coisas”, e essas coisas têm por trás uma medida, um valor, uma fronteira, ocupam uma dimensão e um espaço, até, e nesse episódio “turco”

O mais grave não é certamente o desconhecimento dos números, mas quiçá não saiba o que são fronteiras!

Essa hipótese é a que realmente me preocupa, por ter vindo demonstrando desconhecê-las entre o público e o seu privado. Entre o seu e o do outro, simples e assim com o Guido
Pois até no mais recente roubo monumental da PeTrobras cuja equivalência do socorro externo esse chinês de dez bilhões de dólares, os dois bilhõrs da CEF (Caixa Econômica Federal) os bilhões, da outra manobra de seu presidente petista, e a fraude causada aos cofres públicos pelos bilhões de impostos que magicamente numa manobra deixou de pagar, mas o senhor quer porque quer barrar a CPI.

Senhor da silva: com essas provas, com esses fatos que nenhuma mágica apagará, embora disfarce com artifícios temporariamente, com essas farras de seus amigos comprando tudo que acham pela frente, para comprar, com o Banqueiro Dantas ameaçando com umas contas suas em "paraísos fiscais", “Mensaleiros”, “Quadrilha” assim denominada na denúncia pelo Ministério Público, a quem o senhor pretende enganar?

Quererá provar certamente quando nada mais tiver para repetir foneticamente que descobriu o Brasil, mas desde já e daqui o alerto:

Não descobriu o Brasil!

Haverá quem acredite em si e passe a espalhar ao modo petista de ser e agir que realmente foi o senhor que descobriu o Brasil, e essa novela até se espalhe em milhões de risonhos esmoleres, mas não foi o senhor que o descobriu, nem tem 17 milhões de quilômetros de fronteiras.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Conversa fiada, mas bem que poderia ser adquirida à vista ou a dinheiro em qualquer esquina...

Enquanto egos se defrontavam numa batalha fragorosa, seus espíritos sequer os observavam.
Em seu alheamento mantinham estratégico distanciamento.

Em sua dimensão, alheios, pairavam os eus...

De repente cessam a luta os egos exacerbados e ao repararem uns nos outros vêem que são gêmeos.
Mas logo retomam a luta, pois gêmeos ou não são antes egos e não podem interromper a luta nem se fundir uns com outros egos.

Unir-se em fraterno congraçamento até que sim, podem unir-se e devem mesmo em tempo oportuno homem e mulher amarem-se e gerar seus filhos.

Por desejo carnal e instintivamente em coitos animais gerar filhos não é aconselhável.

Mas parece haver neste consorcio de egos um caminho que, além de inevitável e único, é deveras interessante...

- Mas, afinal, em que um ego é diferente do homem? Que raio é isso?

Causando um pequeno hiato à luta, perguntava o ego macho ao ego fêmea, que por ali passando assistia à luta dos egos, promovida numa contenda entre o político e o eleitor, travada no interior do velho convento de cidade histórica de Porto Nacional.

E o ego, fêmea, ao notar o silêncio causado pela pergunta feita pelo macho aos egos, em luta, meio espantada e mais do modo sentido do que sabido, respondia: - ego é um ser capacitado a amar, a manter a vida, promover conforto e o calor amigo do sangue à sua família, entre outras obrigações de mães e pais da prole.

Isso é ser um raio de um ego? Indaga irônico o ego macho, e prosseguindo acrescentava: então deve também ser capacitado a comandar o rumo, pois a vida além de mantida deve ser provida do caminhar, de preferência num ritmo constante, sim, deve sim manter o elo familiar e amigo, também... Pai ou mãe igualmente sim, mas preferencialmente sem vínculos mais profundos e responsabilidades eternas...

E o queres dizer sem vínculos profundos nem responsabilidades? Perguntava o ego fêmea, sem, todavia obter resposta por romper-se o hiato entre a luta e desta feita o político se revela ego macho, e o eleitor ego fêmea.

E o enredo seguido em pleno fragor da batalha não pode em palavras ser traduzido, nem carece entrar nesse mérito. Mas ressalve-se que dois egos opostos em luta representam a luta da humanidade em duas frentes globais, todavia de nuances incontáveis diferentes, e destas refregas uns saem mais lustrados, e outros têm até seus corpos ceifados...

Mas que “porra” de egos são esses? Perguntava provocando outro hiato um bêbado, que também assistia a luta...

Quando de repente cala o ego macho, e igualmente se calando o ego fêmea e os três em silêncio se olhando, o bêbado meneando a cabeça freneticamente mostra a língua para o ego macho em sinal de deboche, e se afasta de pressa soltando uma gargalhada de medo.

Gargalhada satânica, aterrorizante frente ao ego macho, que era um gigante, forte, jovem vigoroso e de olhar naquele instante furioso.

E furioso no embalo da cólera prossegue a luta o ego macho, político, agora quase esmagando de raiva o ego fêmea “eleitor”.

Mês de Maio e das Mães singela homenagem às mulheres

14/05/1952
. . . Uma citação sobre a DIVINA-MÃE do Livro de Fra-Diavolo, intitulado: A DIVINA ESSÊNCIA:
14/05/1952
. . . Uma citação sobre a DIVINA-MÃE do Livro de Fra-Diavolo, intitulado:
A DIVINA ESSÊNCIA:
“A Divina Essência é a mesma Mãe Divina ou Maya–Shakti,do Oriente
a Shekinah dos cabalistas eminentes, ou seja,
Aquela que além de coordenar os fatos e coisas
de acordo com a Evolução da Mônada, por isso mesmo,
demonstra que é a coexistente formação da Matéria primordial,
envolta com a, por sua vez, essência espiritual daquele a quem,
com muita propriedade, bem poucos, talvez, denominam de VERBO ISOLADO.
Por isso que, toma o nome de “aspecto feminino da Divindade . . .
Nas mesmas escrituras orientais, também chamada de LAKSHIMI ou SHAKTI do próprio Bodhisattva.
Do mesmo modo que, “Luz de Chaitanya”,
Ela mesma com o duplo sentido de LUZ e FOGO,
a tudo e a todos velando e penetrando, transformando e libertando.
No Ocidente deram-lhe o nome de MARIA, em verdade,
MARIATH ou MIRIAM-HETH,
com significado comprovativo de “aquisidora de FOGO e Luz (Kundalini e Fohat)
Maria e Maya-Shakti também possuem apreciáveis reproduções
nos nomes de todas as Mães dos Avataras grandes e pequenos,
pois com justa razão, todos Eles procedem da Maya Universal,
que é o Véu cabalístico do AINSUPH, mas em verdade,
o ASPECTO FEMININO da Divindade, como foi dito anteriormente.
Seu aspecto masculino é o IOD ou JOD.
E a combinação entre os dois polos,
na razão do Pai-Mãe das eternidades, é o VAU, o Amoroso,
o Centralizador de todas as verdades,
mas também das hipóteses terrenas e divinas, segundo a compreensão,
maior ou menor, dos que ousam penetrar o Umbral dos Grandes Arcanos.
Chamar-se de SENHOR DAS DUAS FACES, segundo suas chaves cabalistas,
é definir, antes de tudo, essa feição dual que lhe vem do seu próprio Lugar,
que é . . . o SEGUNDO LOGOS,
ou aquele que une e desune um mundo de outro,
mas onde a Matéria Primordial se funde com a essência espiritual,
confundindo uma com a outra.
Dali lhe vem o justo nome de “MAYA como ilusão dos sentidos”.

sábado, 16 de maio de 2009

A Propósito do tempo...

E então, aos pares desta nave – Nova Águia – ninho, da lusofonia, e quem diria! Ás vezes com atritos e outras vezes com afagos, mas a constância e a presença além dos senhores fundadores e outros mais próximos, a Ariana Lusitana é uma voz presente e sem ela a casa perderia uma Militante...

Não importa a sua linha política, seu humor, seu jeito de ser e de existir, cumpre-se.

E este é mesmo um tempo de interações e trocas e quanto mais prosa em vez de atritos mais veloz se realiza o que aqui viemos fazer e seguimos fazendo.

Às vezes querendo, apenas querendo e muito tempo revendo o passado a vasculhar nas prateleiras os velhos livros, ou em nosso arquivo mental...

É que havia um entusiasmo, um tempo de prosperidade no mundo e até quem não era próspero nem sábio, mas herdara um paraíso como país e então seguiu dando preferência à noite das paixões e ao dia com cinismo as mentiras...

Mas o mundo próspero, em boa parte próspero de bugigangas pras festas chinesas com balões e bolhas coloridos fabricados com mão de obra escrava, e outras práticas “contrabandescas” que os tornavam baratos na mesma medida do efêmero valor e supérflua utilidade, estourou.

Estourou a bolha da prosperidade.

E por um tempo a onda de ar deslocado manteve o discurso travado entre capitalistas e socialistas dentro e fora do governo, mas desfrutado fartamente por um estado proletário instalado no governo, o rico capital às montanhas arrecadado do povo, em nome do povo toma para si o maior e o menor, a migalha, a esmola ao povo rindo e soltando fogos distribui.

Pobre povo!

É mesmo tempo de tudo que no fim é mesmo um nada.
É um tempo de um todo estragado, em boa parte.

Momento em que à vida se cuida como se a vida fosse a morte.

È tempo de muitos tolos com muito dinheiro viajarem...

Mas, sem saírem do lugar.

Por mais velozes e para longe voem
Por mais alto sigam a altura da cachaça,

Ou no mais baixo ventre da inteligência

Não dá a certos senhores...

Por mais breves vão de um lugar para outro
Mais que não saírem do mesmo lugar.

É este mesmo um tempo real
Por não existir de verdade

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pegadas na areia (Diálogo com as sombras)

“Olhando para trás, o que vedes além das próprias pegadas?
Já agora, pouco importa se houvera espinhos!
Mas olhai bem, com presteza certificai-vos de que não há sangue em vossas pegadas. Se não há, porque então chorar, se a dor já passou?”
Em seguida cala-se a voz que a estas coisas de supetão dizia, e alguém do meio da rua intervindo, perguntou:
- Quem se atreve a falar do esconderijo, sem coragem de mostrar a sua cara? Reproduzem tuas palavras os meus mais secretos pensamentos, e em razão do que disseste, perguntar-te-ei eu então: - quem a tanto se atreveria?
Falar-me de uma dimensão tão profunda aonde eu próprio quase nunca vou, e sem identificar-se?
Quem é afinal que de aí me falas onde temo ir e aí me perder?
“Olhai bem! Olhai bem em vosso espelho, e aí vereis claramente quem vos fala. Poderei parecer-vos um fantasma, no primeiro momento,
mas quem já não foi fantasma de si mesmo, um dia?
Olhai mais fixamente nesse teu espelho e tão logo se dissipe a fumaça escura das incertezas vereis vossa própria e luminosa face de alegria!

E rirás achando muita graça das lágrimas de outrora!
Parecer-vos-á, também, no primeiro momento, independente de vós esse que ri.
Mas imediatamente recobrareis o eixo e fundir-se-ão todos os eus em um único eu,
que é o que sois, um único ser...
Todos “esses outros eus” periféricos e passageiros são filhos da ilusão e hão de se apagar com o fim dos relâmpagos que os dissimulam breves, para em seguida os deformar em imagens difusas e nervosas.
Antes, porém olhai bem vossas pegadas e as vossas marcas, que a chuva sequer as molhou.”

- Gostaria tanto de acreditar no que dizes!
Ouço-te com grande alívio, mas acreditar em ti ainda não é possível.
Onde poderia altas horas da noite e ao abandono do tempo encontrar um espelho?
Não. Ainda não possuo um espelho!
Sequer eu próprio tenho um lugar certo e sabido onde pudesse ser encontrado!
Desvalido pela sorte e deserdado, órfão do mundo é o que eu sou.
Órfão do mundo.
E tu afirmas que eu encontrarei meu eixo, quando sequer tenho duas hipóteses de qualquer coisa?
Não creio num eixo que não seja firmado em dois pólos, base inicial
e embrionária de qualquer coisa.
Só as minhas próprias pegadas sou capaz de reconhecer, e ainda assim por andar descalço e deixar as marcas das feridas na areia.
Mas também vou descalço de alma e de espírito e isto é uma sagrada conquista para quem entenda o descalçar da alma e do espírito.
E ainda ao meu coração mantenho fiel à lembrança do leite materno,
cuja quentura na memória é única e real herança de um carinho de amor verdadeiro.
Bendito o leite de minha mãe, bendito o dia em que ela olhou sorrindo e aos beijos afagou gentil meu rosto!
Houvera já um espelho, nele haveria de querer revê-la e a ninguém mais!

“Serena então, filho do temor”! Serena que o infortúnio não abalará o gene do amor vosso! Dele nascerá o filho das dores; e, por justiça vosso pai, que sois tu e não aquele que está no céu, salvo o céu seja o da vossa alma, pois que outro céu não há! Ou também o mais precioso céu que reproduz a voz em tua boca!
Em breve, altíssimas temperaturas farão do cadinho um inferno... O ouro do reino será preservado, porque não o extinguirá a chama. E então haverá o teu espelho, onde se refletirá o teu riso para que serva de bálsamo e refrigério ao mundo e reconforto aos peregrinos.

- Útil, a alguma coisa, o meu riso, o meu quê? Isso é loucura! Não o sou nem para mim mesmo!
Vou por aí despido de qualquer prestígio depois que despi os pés, a alma e até a roupa!
Se algo existe em mim protegido do vento gelado, só a lembrança do leite quente e honesto da minha mãe.
Mas há ainda um hálito que de vez em quando soa em gargalhada satânica... Quanto a tudo mais me parece inútil alimentar esperança de que ante o espelho, se tivesse um, revelar-se-me-ia alguma coisa séria!
Sequer sou senhor de uma pobre parede, onde o pendure! Sigo velho e já cansado de espírito e corpo, mantendo dentro de mim apenas a lembrança de uma alma criança que deseja libertar-se...
Mas que nem ouso brincar com ela enquanto não lhe puder apresentar o projeto de uma porta ou mesmo uma janela por onde saia ou olhe lá fora.

“E porque não brincais com a tua alma criança? Brinca com ela, pois o menino deus nasce em todas as manhãs e em todas as crianças, enquanto os adultos estão ocupados ou dormem; quando acordarem ou desocupados as olharem crianças, não mais serão infantes, nem os infantes deuses neles meninos”.