A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Ainda sobre a Pátria: duas citações...

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Uma Pátria é uma escolha ou é um escolho.
Casimiro Ceivães

Para a grande maioria dos homens, se apresenta a pátria apenas como um acidente ou um acaso físico: são de onde nascem, e, a pouco e pouco, a convivência dos pais, de seus conterrâneos, mais tarde a escola e o Estado, os dois grandes organismos encarregados essencialmente de não deixar esca­par ninguém das malhas do exército social, os vão gradual e real­mente convencendo de que não poderiam ter nascido noutro lugar e de que uma escolha futura que livremente pudessem fazer represen­taria sempre e de qualquer modo uma diminuição ou uma traição. A outros, no entanto, e porque são amados dos deuses, se apresenta o caso de modo diferente: a vida, mostrando à superfície, como circunstância, o que é meditado e deliberado propósito de quem rege a História, os encaminha à escolha que decidirá de seus destinos: o de resplandecer num véu de glória, que é quase sempre, visto por dentro, um véu de lágrimas, ou o de ser jogado fora como um vaso de oleiro que mentiu, pela má qualidade do bairro, à diligente regulari­dade da roda e à inventiva agilidade do gesto. Quem pode, em raro jogo, escolher o seu país, por aí mesmo está escolhendo a sua vida: uma vida que dele mesmo se vai alimentar.
Agostinho da Silva

sábado, 21 de junho de 2008

DOIS POEMAS – UMA HOMENAGEM *


Painel de azulejos do Palácio Galveias (Câmara Municipal de Lisboa)



QUE TEM GOA, QUE MAGOA


Que tem Goa, que magoa
meu coração português?...
(– Índia sonhada em Lisboa,
diz-me segredos de Goa,
diz-mos baixinho de vez...)

Que tem Goa, que destoa
do mundo que à volta sei?...
(– Índia das noites à toa,
canta-me a voz do Pessoa,
conta-me a volta do Rei...)

Que tem Goa, qu'inda ecoa
nas águas mortas do mar?
(– Índia, vem... moro em Lisboa...
deixei meus barcos em Goa,
preciso de navegar...)



MARINHEIRO DO MAR MORTO


– Marinheiro do mar morto,
porque andas a navegar?
– Nasci num barco sem porto,
quero só morrer no mar.

– Marinheiro do mar alto,
fazes-me falta no mar...
– Já não sou eu que te falto,
falta-te só embarcar.

– Marinheiro do mar fundo,
ensina-me a ser assim...
– Quando a morte for teu mundo
é que hás-de chegar a mim.


Casimiro Ceivães (1912-1931)



* Em homenagem ao nosso Confrade, Casimiro Ceivães, dois poemas do seu tio-avô.