A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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sexta-feira, 26 de junho de 2009

"A mais poderosa inclinação, e o maior apetite do homem, é desejar ser. Bem nos conhecia este natural o demónio, quando esta foi a primeira pedra que fundou a ruína a nossos primeiros pais. A primeira coisa que lhes disse, e que lhes prometeu, foi que seriam: Eritis (Genesis. 3:5), e este Eritis, este Sereis, foi o que destruiu o mundo."

P.e António Vieira, Sermão de todos os Santos pregado em Lisboa
no Convento de Odivelas, no ano de 1643.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Amália



«Altas, altas asas, recolhidas,
um dúbio sorriso, uma expressão
de alegria serena, talvez de ironia,
talvez ainda de êxtase ou paixão
(...)
Olhamos-te, nós, os impacientes
olhamos-te, os saudosos, os furiosos,
porque tarda a hora de o sonho se cumprir
(...)
espíritos carecentes
de alegria criadora,
de entusiasmo, de amor,
Dom Sebastião a morrer dentro de mim
dentro de mim que somos todos,
nas nossas cruéis batalhas interiores
entre a visão radiante do futuro
e a realidade pesada e envolvente
do presente.
(...)
as grandes asas vão abrir-se porventura
(...) o corpo da pátria, leve, leve,
é ser das alturas que perdura,
(...) a sonhada harmonia
dos seus poetas,
dos seus profetas,
(...)
o quinto império do amor,
o quinto império do espírito universal,
senhor
da fraternidade enfim,
da justiça e liberdade
fundadas na verdade
que a razão inquieta demanda,
como nau de descoberta rumando ao horizonte
na aliança do leme e do mistério.
Ninguém morre na saudade e na memória,
(...)
A beleza do Anjo de Coimbra
é o que resta
da gesta.
A sua paz, o seu sorriso,
é o ser português, inteiro e puro
voltado para o futuro.

Ó Portugal,
teu ser no mundo é divisão,
teu ser em Deus é união,
mas o enigma do teu mito em acto
descobre-se no anjo que é o teu retrato.»
António Quadros

domingo, 10 de maio de 2009

Unamuno

«(...) Miguel de Unamuno, a mais pura glória da Península. Lede este soneto dedicado a Portugal:

Del atlantico mar en las orillas,
desgreñada y descalza una matrona
se sienta al pie de sierra a que corona
triste pinar. Apoya en las rodillas
los codos y en las manos las mejillas;
e clava anciosos ojos de leona
en la puesta del sol. El mar entona
su tragico cantar de maravillas.
Dice de luengas tierras y de azares,
mientras ella sus pies en las espumas
bañando sueña en el fatal imperio
que se le hundió en los tenebrosos mares;
y mira como entre agoreras brumas
se alza don Sebastian, rey del misterio.

O grande estatuário do verso abriu, em castelhano mármore sonoro, o alto relevo mais perfeito e fiel da Pátria portuguesa: a sua paisagem de montes coroados de pinhais, a sua alma saudosa cravando ansiosos olhos de leoa no pôr do sol, e ao longe, entre agoureiras brumas, o corpo sebastianista do seu Sonho.
(...) o autor (...) é o mais profundo e comovido intérprete da Ibéria. (...) Na alma de Unamuno, todas as almas da Península se casaram.»
Teixeira de Pascoaes, Os Poetas Lusíadas

«(...) o espírito, que é palavra, que é verbo, que é tradição oral, vivifica; mas a letra, que é o livro, mata. (...) a alma respira com palavras.
(...) Só aquele que vive na história é que quer viver também na carne, é que quer enraizar a imortalidade da alma na ressurreição da carne.
Miguel de Unamuno, A Agonia do Cristianismo

sábado, 9 de maio de 2009

Queda do Império - Vitorino



Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja Luanda
Sempre em flor

O Poeta do Amazonas

(Google - Rio Amazonas)

«Mas dito seja, de uma vez por todas,
que nada faço por literatura,
que nada tenho a ver com a história,
mesmo concisa, das letras brasileiras.
Meu compromisso é com a vida do homem,
a quem trato de servir
com a arte do poema. (...)
Não basta ser bom de ofício.
Sem amor não se faz arte.

Trabalho que nem um mouro,
estou sempre começando.
Tudo dou, de ombros e braços,
e muito de coração,
na sombra da antemanhã,
empurrando o batelão
para o destino das águas.


A couraça das palavras
protege o nosso silêncio
e esconde aquilo que somos.

Que importa falarmos tanto?
Apenas [nos] repetiremos.

Ademais, nem são palavras.
Sons vazios de mensagem,
são como a fria mortalha
do cotidiano morto. (...)

Muitos verões se sucedem:
o tempo madura os frutos,
branqueia nossos cabelos.
Mas o homem noturno espera
a aurora da nossa boca.

Se mãos estranhas romperem
a veste que nos esconde,
acharão uma verdade
em forma não revelável.
(E os homens têm olhos sujos,
não podem ver através.)

Mas um dia chegará
em que a oferenda dos deuses,
dada em forma de silêncio,
em palavra transformaremos.

E se porventura a dermos
ao mundo, tal como a flor
que se oferta - humilde e pura - ,
teremos então cumprido
a missão que é dada ao poeta.
E como são onda e mar,
seremos palavra e homem.»
Thiago de Mello

sexta-feira, 8 de maio de 2009

A Inte(r)ligência

«Como o homem psíquico, tendo a sua base na emoção, que é a substância [in]consciente do seu espírito, tem, para chegar à vontade que é o contorno do seu corpo psíquico e o fim da sua pessoa mental, que passar pela inteligência; (...)
Assim a humanidade, tendo a sua base no indivíduo, que é a substância socialmente inconsciente do seu todo, tem para chegar à civilização, que (...) passar pela nação, que é o órgão da civilização, a Inteligência e consciência da humanidade.
(...)
Todas as profecias têm três realizações, e isto é simbolizado pela tripeça, que tem três pés.
(...)
A chave está dada, clara e obscuramente, na primeira quadra do Terceiro Corpo das Profecias do Bandarra (...).
A quadra é assim:

Em vós que haveis de ser Quinto
Depois de morto o Segundo,
Minhas profecias fundo
Nestas letras que VOS/AQUI Pinto.


(...)
Se as letras são as da palavra VOS, indicam, como se mandou que se soubesse, Vis, Otium, Scientia. E se as letras são as da palavra AQUI, indicam, segundo a mesma ordem, Arma, Quies, Intellectus, que logo se vê serem termos sinónimos dos outros.
Temos pois que a Nação Portuguesa percorre, em seu caminho imperial, três tempos - o primeiro caracterizado pela Força (Vis) ou as Armas (Arma), o segundo pelo Ócio (Otium) ou o Sossego (Quies), e o terceiro pela Ciência (Scientia) ou a Inteligência (Intellectus).
(...)
No primeiro tempo - a Força ou Armas - trata-se de el-rei D. Manuel o Primeiro, que é o quinto rei da dinastia de Avis, e sucede a D. João o Segundo, depois deste morto. Foi então o auge do nosso período de Força ou Armas, isto é, de poder temporal.
No segundo tempo - Ócio ou Sossego - trata-se de el-rei D. João o Quinto, que sucede a D. Pedro o Segundo, depois de este morto. Foi então o auge do nosso período de esterilidade rica, do nosso repouso do poder - o ócio ou sossego da profecia.
No terceiro tempo - Ciência ou Inteligência - trata-se do Quinto Império, que sucederá ao Segundo, que é o de Roma, depois de este morto.
Quanto ao que quer dizer esta Roma, a cujo fim ou morte se seguirá o Império Português, ou Quinto Império, ou o que seja a Ciência ou Inteligência que definirá a este - não direi se o sei ou o não sei, se o presumo ou o não presumo. Saber seria de mais; presumir seria de menos. Quem puder compreender que compreenda.»
Fernando Pessoa, Sobre Portugal

«(...) o amor não se poderá separar do conhecimento, como forças entre si unidas e que através da contemplação, levarão a essa usufruição última e desejada de Deus: a força do conhecimento sempre aumentando a força do amor, e reciprocamente. (...) como ordem de amor e pelo amor. E nessa união derradeira, que é sono espiritual da alma, se realizará a perfeição desse amor.»
Dalila Pereira da Costa, Místicos Portugueses do Século XVI

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Humanidade é Humildade

«Ouço-os de todo o lado.
Eu é que sou assim,
Eu é que sou assado,
Eu é que sou o anjo revoltado,
Eu é que não tenho santidade...

Quando, afinal, ninguém
Põe nos ombros a capa da humildade,
E vem.»
Miguel Torga, Diário I

Humano - aceitação das fraquezas, amor ao próximo
Húmido - que tem a natureza da água
Humilde (de humus, filhos da terra) - virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza

«A musa da indignação arrasta Camões pelos cabelos, e, vendo o mundo inteiro perdido, apela para a sua pátria, pedindo-lhe o esforço heróico da redenção de Cristo:

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida Eterna dilatais:
Assim do Céu deitadas são as sortes,
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade,
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade
!

À geração dos lusos «que tão pequena parte sois no mundo», é a ela que cumpre remir o Santo Sepulcro e terminar a epopeia das Cruzadas, enjeitada pelo «Galo indigno» [Francisco I] e esquecida pela Itália: a ela e por isso mesmo que se mostrou capaz do maior feito da época - a descoberta da Índia, que grande golpe de montante descarregado em cheio na força da Turquia.
Eis aí o pensamento político dos Lusíadas, expresso claramente nos mesmos termos da boca do velho do Restelo. O pensamento religioso é o catecismo de Trento. A ideia de governo é o imperialismo, em cujo berço nascera o sol da Renascença e em cujo regaço poluído ele se afundava agora. O império fazia-se tirania; o racionalismo piedoso transformava-se em lamismo papista. Assim as ideias se corrompem em contacto com a realidade.
O imperialismo camoneano é, porém, tão lídimo ainda como a sua religião. Se nas turbas não vê mais do que «o soberbo povo duro», isto é, um elemento ou um material para a construção artística do Estado; se a vontade dos reis, que são a chave da abóbada social, há-de ser absoluta, nem «pode ser por outrem derrogada»; se eles são supremos senhores dos seus súbditos; se os vassalos são membros de um corpo de que o rei é cabeça: a verdade, porém, é que tudo isso pressupõe no rei qualidades eminentes.
É que ao poeta diz a história pátria, porque em Portugal

o Reino, de altivo e costumado
A senhores em tudo soberanos,
A Rei não obedece nem consente
Que não for mais que todos excelente
.


Monarquia e religião, pois, tudo se depura no cadinho da poesia à chama intensa de Camões, em que a luz do heroísmo nacional vem reflectir-se, fundindo-se como numa lente, despede o raio e incendeia Portugal na ambição última da sua existência. Felizes são os povos que morrem como o sol, despedindo clarões!»
Oliveira Martins, Camões

terça-feira, 5 de maio de 2009

Ave Poética

«Somos um povo de apaixonados. Enamoramo-nos dum autor, ou odiamos pessoalmente um outro, e a nossa actividade crítica cessa. Do primeiro fazemos um génio; do segundo, um animal. Esta simples coisa de gostar simultaneamente da obra de dois escritores, é impossível aqui. A paixão duma exclui a da outra. (...)
Sofre de grandes vícios a vida mental portuguesa (...). Não há pregação que nos dê fantasia, finura, leveza e, sobretudo, o dom de argamassar as fendas da construção com o betume duma inteligência que não cesse de se desdobrar. Mas um dos mais feios e lamentáveis é esse da parcialidade e do exclusivismo. Está bem, ou compreende-se, que num campo de futebol cada qual berre apenas pelo seu grupo. Embora em absoluto devêssemos aplaudir também as jogadas do adversário, tratando-se dum desafio é preciso incitar os nossos. Em arte, porém, não há combate nem adversários. Há o esforço de cada criador para trazer ao mundo a consciência e a beleza que pode, e ninguém deveria ignorar esse esforço e deixar de o louvar, se ele valesse a pena.

Lavro aqui mais uma vez o meu protesto contra toda esta filosofia do pessimismo que nos sufoca, e esta literatura do absurdo que nos liquida. Nenhum argumento nem nenhum sortilégio podem apagar no espírito do homem a luz de ilusão que ali bruxuleia. O erro grosseiro dos ironistas e dos derrotistas é não verem que eles próprios desmentem o visco e as profecias, porque, se lutam, é porque confiam. Sobretudo, parece-me uma limitação querer fotografar para a eternidade a face monstruosa dum momento. A Europa pode estar cansada, falida, contaminada por vícios incuráveis; mas a Europa não é o mundo, e ela própria tem ainda pedaços do corpo sem gangrena. Quando todos os analfabetos e famintos que lhe restam tiverem voz e pão, e falem de náusea, quando a herança da história, os bens do espírito, forem repartidos igualmente por todos os seus filhos, e o clamor colectivo seja de teimosa renúncia, então sim, soou a sua hora. Mas antes disso, não!
Um equívoco lamentável fez com que se tomassem as palavras literárias que morriam na capa das brochuras por sentimentos reais que agonizavam. E se é verdade que nos livros a tinta dos vocábulos descorou, dentro de cada um de nós o coração continuou a pulsar.
O homem é não só o instante em que se contempla num espelho, mas também a saudade doutras imagens passadas de que se recorda, e a certeza doutras imagens futuras que adivinha. E lá porque vê presentemente reflectida no ribeiro, onde mais uma vez faz de Narciso, não para se namorar, mas para se conhecer, uma face macerada, coberta dos suores da cobardia, nem por isso afoga na corrente os seus olhos. Embora triste e mortificado, continua a viver. E isto é sinal de confiança. Uma prova de que o mal tem remédio.
Se mais não houvesse a esperar da nossa condição, bastava-nos a má-consciência com que nos debatemos depois de cada perfídia. Pedimos ou não pedimos à lei que nos socorra, mesmo quando a queremos negar? Ou deixou algum tirano de lavar apressada e secretamente as mãos sujas do sangue inocente que verteu?
Há ainda uma poda que é necessário fazer: eliminar da actual angústia que nos atormenta o cinismo que a macula e o parasitismo que a explora. A verdadeira razão e o verdadeiro instinto mandam curar as feridas. Só os mendigos profissionais deitam sal nas chagas para as avivar.
Alienação humana! Quem é que autorizou meia dúzia de intelectuais impotentes a falar deste modo em nome da humanidade? A chapinhar na lama deles, e a proclamar que é na lama dos outros? Que o testemunho da nossa aventura na terra é um rosário de traições e de injustiças, ninguém o nega; que é preciso que se diga isso de todas as maneiras, é evidente; mas nem tudo o que fizemos foi mau, e estamos a começar ainda.
Não! Há-de haver uma salvação possível neste mar de naufrágios, e vão sendo horas de erguer a voz contra os derrotistas da jangada. Aterrados pelas suas fúnebres ladainhas, temo-nos esquecido de reparar nos acenos do horizonte, onde amanhece sempre uma ilha à nossa espera. Não a ilha solitária de Robinson, que seria o recomeçar inútil duma vida de egoísmo e de esterilidade, mas o húmus generoso dum novo mundo onde se possa semear a esperança.

Não tenho nada mais senão as asas.
Quando subo os degraus do firmamento,
É com elas que subo e que sustento
O peso bruto desta incarnação.
Asas de penas que me vão nascendo,
E que voam depois, desconhecendo
Que fúria azul as levantou do chão.

(...) não há palavra que se escreva sem esperança.»
Miguel Torga, Diário V

Pois, «(...) é sempre alegre o gesto criador, a palavra inicial.»
Dora Ferreira da Silva, Poemas em Fuga

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pátria, o Céu

«Na era gloriosa que se abre a Portugal com a dinastia de Avis, idade da nossa grandeza, período áureo da nossa força e glória, não há pátria mais aberta, nem sociedade mais cosmopolita do que esta. Quando o infante D. Henrique institui a escola de Sagres, ninho de onde partem, no seu voo através dos mares, as armadas portuguesas, as praias desse promontório que outra vez merece o nome de sagrado, porque outra vez é sacrário da nossa alma céltica, abrem-se todas as nações (...)
É que o foro português, à semelhança do romano, não era o atestado de uma ascendência consanguínea, mas sim o baptismo em uma fé que não distinguia nacionalidades, nem origens naturais de raça, ou de religião. Português era todo aquele que ardia na chama crepitante do entusiasmo descobridor (...)
Tão permanente, tão íntimo, tão constante aparece em Portugal, como em Roma, consideradas as diferenças dos tempos. Porque, para o romano, o seu foro era uma lei seca, feita só de direito, inspirada apenas pelo civismo; ao passo que para o português, homem moderno que atravessara as fornalhas esbraseadas da transcendência medieval, o seu foro, se era uma lei e um patriotismo cívico, era também uma fé, em que, sob uma inspiração profética, as almas não distinguiam, nos voos da sua ambição ideal, entre a Pátria e o Céu.

Tal é a pátria ideal de Camões, que se distingue da outra como uma flor se distingue de um astro (...) essa pátria existe debaixo de todos os meridianos, em todas as latitudes e partes do mundo, tanto na Europa, como na África e na Ásia, como na América e nos confins remotos do mundo perdido para além das Molucas. Essa pátria está onde estiver um peito português: está em terra e está nos mares flutuante à sombra da bandeira das quinas, dentro das naus que de asas abertas a levam de um extremo a outro do mundo.
Tanta é a diferença que distingue o amor pátrio natural da abstracção ideal sobre que os portugueses construíram o templo sagrado do seu império. Dos laços de coesão capazes de agremiar os homens, dando-lhes uma vontade colectiva, o mais alto e sublime que até hoje a história descobre é este, por ser o que realiza de um modo mais completo essa liberdade para que nós aspiramos, como as aves quando tentam as asas nos ensaios de voo à borda dos ninhos.
Todos os amores que florescem enraizados na terra têm o travo próprio das coisas que vêm do solo: um egoísmo exclusivo inerente à sua afirmação. Esta aldeia, esta província, este povo, tem a sua excelência que provoca o nosso amor, fundada em quê? Na superioridade suposta ou verdadeira, sobre todos os outros. O sentimento dessa superioridade sanciona o egoísmo, que é sem dúvida uma expressão rudimentar de liberdade.»
Oliveira Martins, Camões

«De Babel sobre os rios nos sentámos,
De nossa pátria desterrados,
As mãos na face, os olhos derribados,
Com saudades de ti, Sião, chorámos.

Não é logo a saudade
Das terras onde nasceu
A carne, mas é do Céu
Daquela santa Cidade
Donde est'alma descendeu.»
Camões

domingo, 26 de abril de 2009

Poema em Uníssono... com a Música do V Império

«Detonem a palavra - poetas -
poetas é outro nome de guerreiros e amorosos
do ser. Venham com seus amores transfigurados
com sua energia nuclear. A destruição pela
palavra é um redemoinho no ar
para novas configurações do imaginário,
de um novo fabulário que liberte Andrômeda
de seus grilhões e torne o monstro
digestível. Tirem a palavra de sua bainha,
o coração, sem hesitar. A palavra
- sopro cosmogônico -
nossa arma de predileção,
nossa bomba amorosa de efeito retardado
mas seguro. O mundo que se desmunda aí está
à espera de aragem sagrada de vossas bocas (...)
buscai o ponto de união de tantos cacos
dispersos; dizei o verso que vem aos trancos
e barrancos dependendo de vossa ousadia
e alegria, pois é sempre alegre
o gesto criador, a palavra inicial
.

Máquina de explorar o tempo
para frente e para trás
enquanto persistem as quatro dimensões.
Depois - nomes figuras sentimentos pensamentos
pressentimentos e uma tremenda fascinação,
graça do imaginado. E algo sem princípio nem fim:
para as crianças todos estão sempre em casa
para os velhos não há más notícias
para os moços trabalhar não é preciso
só navegar e ter um ninho para melhor repousar
de cansaço algum. Não ouvimos música,
somos a música
. Dançar é ser mais leve
que o ar, o amor é um lago fundo
e todos sabem nadar. (...)
O tempo é bom
por maior que seja a chuvarada
as leis já foram revogadas por desnecessárias
Cristo sorriu e se afastou rumo a outras
constelações. Depois da grande crise a terra
está salva com ar de paraíso e nada mais falta
do que ser em uníssono com todas as canções.»
Dora Ferreira da Silva, Poemas em Fuga

sábado, 25 de abril de 2009

A Hora da Lisboa

Para os Loucos da Lisboa:

«AÇORES, ILHA S. MIGUEL, PONTA DELGADA, 23/06/2003; 21:26h
Os Lusos, Filhos da Luz, Guerreiros da Luz, são o expoente de uma "Raça de Titãs do Espírito", nascidos da "Estrela", constituíram no passado uma expressão de povo-raça que agora se mantém nos arquétipos da memória, que une todo um povo onde arde a Chama divina, Luso-Ibérico, da "terra dos gentios", dos Gálicos ou Galos, do ramo da Tuata de Gaedil, que deram origem aos galileus, onde viveu Maria, José e Jesus. Esse povo, era saído dos Galos da Galaécia, Galácia ou Galécia.
Inicialmente este povo vivia a norte da península Ibérica e era Celta. Tinha em si as sementes dos Atlantes e por isso esteve destinado a explorar e a percorrer os mares, precursores de toda a navegação. Estiveram unidos na epopeia das descobertas marítimas Portugal e Espanha.
Os Lusos que viveram na Península estavam ocupando o centro de Portugal e estendiam-se a terras Ibéricas sendo a sua capital Mérida.
O povo do sul de Portugal era designado de povo Real e descendiam directamente da Atlântida.
Esta semente é mantida nestes actuais Reis do Espírito, Filhos do Sacerdócio Real, Supremo, portadores da Iluminação, Membros da Ordem de MELKITZEDEK, na actual difusão das Chamas, de acordo com o Plano Divino, pelos Guerreiros da Luz, que habitam a "Galileia dos Gentios", portanto a tocha de Iluminação para o Mundo, desde a Sagrada Nação de LYS, desvelando a MÃE, a Hierarca do Espírito Santo, o Novo Império para todo o Planeta, são eles de pura linhagem lusa e com puro sangue Galo e da Ibéria – cumpre-se LYS na Luso-Ibéria, farol do espírito para o Mundo.
A Mãe sai de terras de Santa Maria e se dará ao Mundo, como Nova Aurora, Nova Chama da Caridade – Compaixão – Oportunidade, um Novo Estilo de Vida, Uma Nova Raça que inaugurará o Novo Milénio.
Estes Lusos de agora, Portadores da Luz, são Arautos da eternidade, Sacerdotes Supremos que conduzirão a BOA LYS (Boa-Lei) pelos portais da Eternidade, cumprindo-se o Graal na LUSITERNIDADE.
"É a hora."
Myriam»
Fonte

sábado, 18 de abril de 2009

Pela Nau da Palavra, a Terra da Alma II

As palavras servem pa-ra-lavrar a dura terra muda, para abrir sulcos... para navegar através do tenebroso mar de silêncio da vida. A Palavra é a nau, e como a Palavra é criada pelo silencioso corpo: a nau é o próprio mar.

Pois, «há só o mar» [Fernando Pessoa, Mensagem].
E «(...) todos nós somos ceguinhos a cantar o que não vemos.»
Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

O Homem não vê palavras, porque Ver é Amar, e as palavras não podem ser Amadas senão encarnadas - na Vida.
A função principal da Leitura é recordar ao Homem a Beleza de ouvir com o olhar, de escutar a Vida: de Ver.

«Ver é ouvir em luz»
Teixeira de Pascoaes, O Homem Universal

«Cantar não basta:
é preciso plantar
a voz nas raízes,
levantar a liberdade.

Onde o Brasil?

Alguma ave oculta
em suas penas
de escuridão?

Há um Brasil
que às vezes calo
junto ao peito represado.

Um outro
que jamais digo
e às vezes não
distingo
do que falo.

O Brasil vai acordando
com a luz.

Tudo é futuro.»
Carlos Nejar, Vozes do Brasil

(Música Açoreana no Dia de Antero)

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Terra do Sempre II

Porque ficou a faltar isto:

Terra do Sempre

A Morte e o Amor, os dois lados de uma só face: a Nossa;
a Ausência e a Ausência da Ausência, a Presença.
Ahh!, o Possível é, pois, o Impossível do Impossível...
ou o extremo do Impossível.
Como não Desejar alcançar a Terra do Nunca?,
se aqui, onde vivemos, é já a Terra do Nunca do Nunca,
e só por isso nela andamos.
Mas não, eu só quero a Terra do Sempre. Sem-pré.
É lá que mora o meu Coração Independente da Morte: de Si.
Eterno vagabundo, vag(ue)ando pelas ondas do Amor sem fim.

O Amor Real é o que se sente imortal, pois só assim se pode unir à Morte (que o precede): existir.
Só a Morte pode ser Amada, só assim o amador se transforma na amada.
O Amor Ama, a Morte é Amada. A Morte Ama o Amor, matando-O...
O Amor, espelho da Morte, mata a Morte: torna-a Imortal.
É Amando para lá do Amor - em Amor Absoluto, que a Morte é Amada para lá da Morte: que a Morte mata sem matar.

À falta de um Amor de(a) Morte que nos ligue, restou-nos nas mãos esta morte do Amor...

«Nas praças, nos templos e olivais
um grito de louvor à Terra, dançai!

Vim sem o esplendor da aurora, mendiga,
não como as musas de outrora, dadivosas Diotimas,
vim mendigar o que há muito vos ofertei, Poetas:
sopro-vos à garganta dilatada, vossos olhos ceguei
para que o fundo olhar se liberte. Sibila em agonia,
há tanto silenciada, falarei por vossas bocas,
em vossos versos arquejará minha voz embriagada, rouca -
sustos e soluços, gritos, silvos, neblinas de esgares,
mares de canto e pranto. No tempo além do tempo
meus lábios murmuram por ti e perto dos templos derruidos,
a respiração do velho Mar, seus haustos e gemidos.

Mostra-me o silêncio o lacre escarlate, verbo indigente
dos mitos que sempre me uniram às setas de Apolo.
Há tanto minha palavra foi calada, os deuses recuavam...
Mas os poetas mantiveram-me viva. O mais ínfimo
deu-me de beber e em sua hídria refresquei meu rosto.
Sensíveis a meu sopro, os maiores coroaram-me de folhas verdes.
O nascimento do Poema é o silvo que Apolo harmoniza e Orfeu faz cantar.
Rompendo as cisternas escuras eu vim, raiz coleante
por entre as pedras e a secura. Dilacerada, arquejante,
acolhe-me Apolo em seus braços de névoa.
Gemidos rasgam mil caminhos na gruta: Ai, ai, oh...
A Sibila arrasta-se no pó, soluça, seus lábios deliram,
traça no ar os gestos incertos dos agonizantes, colhe flores
na neblina. Ai, ai, oh... Foram-se os deuses da Grécia,
só espelhos reflectem espelhos, o eterno assim se dá e esconde.

Onde Afrodite, a de róseos tornozelos, ungida de óleo incorruptível,
com seus perfumes, colares e pulseiras cintilantes?
Onde Ártemis, a de doçura selvagem? Foram-se as ninfas
e hamadríades! Nunca mais a vida estuante dos bosques,
suas flores e clareiras, onde Zeus e Hera adormeciam ao calor do dia.

Ai, ai, neblina, o que enlaçarão agora nossos braços?
Não mais que névoa e vento. Apolo, assim te afastas, e me deixas presa
à teia indecifrável destes sons selvagens? Aaa Oooo...
Em teu ombro dourado me apoiava, inventando poemas que ditavas
a meu secreto entendimento. Infeliz de mim! Agora
só posso tocar névoa e memória. Dissiparam-se Mundo e Palavra.

A Sibila chorou.

Nesse momento as coisas cessam, silenciosas,
atemorizadas. Os ventos param de soprar,
nas árvores as folhas não se movem.
Os rios adormecem e o gigantesco Mar
é liso e sem ondas. Paira sobre tudo um
SANTO SACRO SILÊNCIO

Perde-se na neblina a medida do Tempo,
tudo se abisma no silêncio, à espera
do alto Deus, meta dos séculos.

A Sibila abre os grandes olhos
e vê o Deus que nasce.

A Mãe, junto ao Menino, parece uma vinha
e enquanto a Lua surge, clara, ela adora
o Filho em seus braços. De ouro vivo é a Criança
e em resplendores toda a gruta se ilumina.
Luz nascida como o orvalho descendo do Céu à Terra
e em torno, suavíssimo aroma.
Anjos perpassam, alígeras borboletas
e cantam: Amém.

A Sibila sorri.

Um cântico novo brota em seus lábios, mas não é seu,
o infinito o modulou:

O aroma de teus perfumes é delicado
e teu nome, óleo que se derrama.
Serás novo júbilo e alegria...
Não repares em minha tez morena, que o sol queimou.
Irados, meus irmãos fizeram-me guardar as vinhas,
eu, esquecida da Vinha!

Ouço a voz do meu Amado batendo à porta
Lentos são meus pés e ao abrir a porta
o Amado já se foi. Corre minha alma
e o busca por toda a parte. Não respondes, Amor,
ao meu chamado?

Eu vos suplico, filhas de Jerusalém,
se o encontrardes
dizei-lhe que estou doente de amor.

O que tem ele - elas perguntam -
o que tem o teu Amado mais do que os outros
para que assim o busques, quase morta?

Meu Amado é róseo e brilhante,
meu Amado vermelho. Sua cabeça é de ouro puro,
seus cachos, negro-azulados.
Seus olhos são duas rolas
perto de um lento riacho.
Destila mirra
o lírio de seus lábios.
Sei que habita um jardim,
companheiros ouvem sua voz...
Oh, faze que eu também te escute!

Quem é essa que vem do deserto
como um cântaro apoiado a um peito amoroso?
Ele é um selo sobre seu coração,
sobre seu braço moreno,
pois o Amor é forte como a Morte,
seus centelhas são de fogo:
uma chama divina!

Dissipa-se na névoa um rosto efêmero,
mas a face do Amado permanece.»
Dora Ferreira da Silva, Poesia Reunida

Portugal está Vivo!...
Pois É a - Vera - Vida!




«Só na reflexão do espelho da água, ou do tempo que passa, se duplica e vem mostrar a eternidade: o céu se reflecte na terra.»
Dalila Pereira da Costa, Introdução à Saudade

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A Terra de Deus Cristo: do Amor

(Google)

O Símbolo de Uma Nação... Lusitânia - Portugal.

«(...) a Cruz de Cristo, dos Templários, representando o símbolo do «Homem Universal». Como o intermediário entre a Essência e a Substância, ou o Céu e a Terra: propriamente como síntese integral, entre este dois pólos, da manifestação. Representando assim uma forma perfeita da Tríade: Céu, Terra, Homem. Nela, o homem será o Filho do Céu e da Terra, o ponto de união entre ambos. E aí estará ainda, tal como no símbolo do Sol e da Lua, a perfeição da complementaridade, na união do masculino e do feminino, ou do activo e passivo, na linha vertical e horizontal. Ou como na esfera armilar, pela representação do Céu e da Terra. Porque tudo nesses três símbolos lusíadas falará da unidade primeira. E aqui este da cruz de braços iguais, será o símbolo do ser que realizou a sua natureza humana e divina totalmente, no equilíbrio do acto e da potência. (...) O ser que atingiu o centro, como homem primordial (...)
Olhemos esses três símbolos, a esfera armilar, o escudo e a Cruz de Cristo, (...) como união do céu e da terra, pelo homem.»
Dalila Pereira da Costa, A Nau e o Graal

«(...) Este foi o Mundo passado, e este é o Mundo presente, e este será o Mundo futuro; e destes três mundos unidos se formará (que assim o formou Deus) um Mundo inteiro. Este é o sujeito da nossa História, e este o império que prometemos do Mundo. Tudo o que abraça o mar, tudo o que alumia o Sol, tudo o que cobre e rodeia o Sol, será sujeito a este Quinto Império; não por nome ou título fantástico, como todos os que até agora se chamaram impérios do Mundo, senão por domínio e sujeição verdadeira. Todos os reinos se unirão em um ceptro, todas as cabeças obedecerão a uma suprema cabeça, todas as coroas se rematarão em uma só diadema, e esta será a peanha da cruz de Cristo.

Todos os que na matéria de Portugal se governaram pelo discurso, erraram e se perderam
António Vieira, História do Futuro

«(...) o Reino de Portugal não foi fundado para se estender por Castela, senão para dilatar a fé de Cristo e o reino de Deus pelo mundo
Clavis Prophetarum

«E assim como o mundo se chama mundo, porque é imundo, e a morte se chama Parca, porque a ninguém perdoa, assim a nossa terra se pode chamar Lusitânia, porque a ninguém deixa luzirSermões (VII, 85)

Até quando, Povo-Portugal, deixaremos nós roubar a única Cruz que em Nós vive?
A do Amor. A do Amor que é Pai e Filho em Nós. O nosso Ser?
Que nos importará verdadeiramente o resto? Enquanto vivermos a angustiante Ausência do nosso sumo Ser: do Sol em Nós?
Enquanto não formos Nós, de Novo, o Mudo-Amor: o Amor-Mundo!

terça-feira, 24 de março de 2009

Não sei que diga

Não sei que diga. Pertenço à raça dos navegadores e criadores de impérios. Se falar como sou, não serei entendido, porque não tenho Portugueses que me escutem. Não falamos, eu e os que são meus compatriotas, uma linguagem comum. Calo. Falar seria não me compreenderem. Prefiro a incompreensão pelo silêncio

- Fernando Pessoa, Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal, Lisboa, Assírio & Alvim, 2003, p.199.

Para prevenir sustos, recordo que Pessoa advogava um Império cultural e espiritual, o Quinto, síntese do melhor de cada ciclo civilizacional passado - Grécia, Roma, Cristandade, Europa - , com o acréscimo do que ainda falta integrar das culturas planetárias, do qual o império português histórico e terreno tinha sido apenas o "carnal ante-arremedo".

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Lima de Freitas: "Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem

(http://www.esquilo.com)
(http://www.esquilo.com)
"Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem do Templo.
A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como o prova a obra do Padre António Vieira na "História do Futuro".

Lima de Freitas; "Porto do Graal"; Ésquilo

Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um "reino templário", um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do "Quinto Império" que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é essa a nossa convicção, assim como um dos temas do MIL: Movimento Internacional Lusófono: Um novo tipo de organização social e política universalista, fraterna e verdadeira humana.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Problemática da Lusofonia

Tradicionalmente reflectimos sobre a lusofonia sob um velho paradigma: exportação cultural portuguesa. A epopeia da Diáspora Lusitana, não quisemos encerrar esse período na história nacional e trouxemos-lo, através do ensino (primeiro durante o Estado Novo e agora na não revisão da temática) até à ilusão dos dias de hoje. Continuamos presos à ideia de uma lusofonia feita de Portugal para o mundo. Para quando uma lusofonia feita de uma identidade multicultural? Estaremos dispostos a abrir mão da Lusofonia, um termo que não pode, nem de facto é, propriedade nacional. A verdadeira lusofonia é aquela que é feita de equidade e democrático diálogo cultural conjugado.

[JFD]