A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Na NOVA ÁGUIA nº 27: Cartas de Dalila Pereira da Costa para António Telmo...

 

CARTAS PARA ANTÓNIO TELMO[1]

Dalila Pereira da Costa 

Publicam-se aqui as dezasseis cartas (nelas se incluindo alguns cartões) de Dalila Pereira da Costa para António Telmo que se guardam no espólio deste último. Uma dessas cartas – que ora surge sob o número III – havia já sido dada a lume em Cadernos de Filosofia Extravagante: António Telmo (Zéfiro, Sintra, 2011, Colecção NOVA ÁGUIA); as restantes são inéditas. O arco cronológico do epistolário define-se entre 1977 e 1994. Desconhecemos se outras cartas de Afonso Botelho para António Telmo existiam e se terão perdido.

Complementarmente, por se tratar de um título da bibliografia passiva de António Telmo que, até agora, havia passado despercebido e que, de modo manifesto, se articula com o teor das cartas VIII e IX, reproduz-se em anexo a recensão a Gramática Secreta da Língua Portuguesa, de António Telmo, que Dalila Pereira da Costa publicou na revista portuense Nova Renascença (Volume I, n.º 4, Verão de 1981, pp. 453-455).  

Não tendo sido possível, por ora, facultar ao leitor, na sua integralidade, o diálogo epistolar mantido entre os dois autores, será de esperar que, no futuro, o mesmo possa vir a ser reconstituído, com evidente benefício para a compreensão do que agora se publica. Foi, aliás, com semelhante propósito que procedemos, sempre que isso se mostrou necessário e possível, à anotação das cartas, restringindo-a quanto possível, mas sempre de modo a procurar esclarecer o seu teor a quantos se encontrem menos familiarizados com o universo intelectual dos correspondentes ou com alguns aspectos menos evidentes desse mesmo universo. A este respeito, queremos expressar a nossa profunda gratidão ao Dr. Paulo Samuel, amigo de António Telmo e de Dalila Pereira da Costa, estudioso das obras de ambos e ainda editor da escritora portuense, pelo seu valioso contributo na fixação do texto das cartas e pelos esclarecimentos e informações que a respeito do teor das mesmas nos prestou. 

A ortografia dos textos epistolares foi actualizada pela norma anterior à do Novo Acordo Ortográfico. As palavras de muito difícil leitura no original manuscrito e, por isso mesmo, de duvidosa compreensão, foram assinaladas com recurso ao sinal “[?]”. Meros lapsos manifestos foram objecto de correcção.  


[1] Transcrição, organização, introdução e notas de Pedro Martins e Risoleta C. Pinto Pedro.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Presença de Dalila na NOVA ÁGUIA



Se a NOVA ÁGUIA teve vários “padrinhos” – falamos das figuras maiores da Filosofia Portuguesa na altura vivas (em 2008, ano da génese deste projecto), como, nomeadamente, António Braz Teixeira, António Telmo, Manuel Ferreira Patrício e Pinharanda Gomes (e, destes quatro, António Telmo foi o único que entretanto partiu) –, Dalila Pereira da Costa foi para nós uma espécie de “madrinha”. Deu-se até a coincidência de o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA ter decorrido no Porto, na Fundação Escultor José Rodrigues (outro dos nossos “padrinhos”), a 19 de Maio de 2008, data em que decorreu o III Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, precisamente em Homenagem a Dalila Pereira da Costa, que contou com sua Presença.

Nesse primeiro número da NOVA ÁGUIA, que teve por tema “A Ideia de Pátria: sua actualidade”, Dalila Pereira da Costa esteve igualmente presente, com um fulgurante texto intitulado “União e Fuga à Pátria”. O mesmo, de resto, aconteceu nos dois números seguintes. No segundo número, lançado no segundo semestre de 2008, Dalila Pereira da Costa marcou a sua Presença com uma carta dirigida a João Teixeira da Motta, a propósito de um seu estudo intitulado “O Território e o Mapa”, conjuntamente com outras cartas de Agostinho da Silva, Cruzeiro Seixas e António Quadros. Já no terceiro número da NOVA ÁGUIA, lançado no primeiro semestre de 2009, Dalila Pereira da Costa presenteou-nos com mais um dos seus fulgurantes ensaios, intitulado “Religião Pré-Histórica”.

No sexto número da NOVA ÁGUIA, publicámos mais uma carta de Dalila, desta vez dirigida a Rodrigo Sobral Cunha, a propósito do seu estudo “Giambattista Vico e Europa”. Em 2012, como estamos ainda todos recordados, Dalila partiu. Nesse mesmo ano, no seu décimo número, a NOVA ÁGUIA publicou em série de textos em sua expressa Homenagem: de J. Pinharanda Gomes, Carlos H. do C. Silva, Carminda Proença, Cynthia Guimarães Taveira, José Leitão, Lúcia Helena Alves de Sá, Maria José Leal, Maurícia Teles da Silva, Paulo Ferreira da Cunha, Pedro Sinde, Pedro Teixeira da Mota, Rodrigo Sobral Cunha, Rui Martins e Teresa Bernardino; para além ainda de alguns poemas, de Fernando Henrique de Passos, de Eduardo Aroso e de nós próprios: “De Costa a Costa/ Ninguém tanto viu/ Tanto te viu, Portugal// Por Fora e por Dentro/ Viste que não existia/ Nem Dentro nem Fora// Nem Mar, nem Terra, nem Céu/ Nem Sul, nem Norte, nem Sorte/ Apenas um Destino por cumprir”.

Após a sua partida, Dalila Pereira da Costa foi sendo evocada na NOVA ÁGUIA – nomeadamente, no décimo segundo número (Maurícia Teles da Silva, “Dalila Pereira da Costa, d’A Ladainha de Setúbal à Ascese Arrábida”) e no décimo quinto (José Almeida, “No Labirinto do Espírito: Dalila Pereira da Costa e Fernando Pessoa”). Neste ano de 2018, em que celebram os seus 100 anos, Dalila Pereira da Costa volta a marcar a sua Presença na NOVA ÁGUIA. Assim, no seu vigésimo primeiro número, publica-se um inédito seu, devidamente anotado por Rui Lopo. No seu vigésimo segundo número, no segundo semestre de 2018, publicaremos mais uma série de textos sobre esta figura ímpar da cultura lusófona, textos a serem apresentados num Ciclo, co-organizado pelo MIL e pela NOVA ÁGUIA, a decorrer, durante todo o ano, no Porto, no Palacete dos Viscondes de Balsemão.



domingo, 4 de março de 2018

2018: Ano Dalila Pereira da Costa...

Ocorre, em 2018, o centenário do nascimento de Dalila Pereira da Costa, figura singular das letras e do pensamento. Para celebrar a efeméride, a Universidade Católica Portuguesa, em parceria com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a que se associam outras instituições, vai promover um Congresso Internacional nos próximos dias 4-6 de Março de 2018.
Para mais informações: http://www.iflb.webnode.com/marco-2018-congresso-dalila/

segunda-feira, 4 de março de 2013

Para a Dalila, no dia em que faria 95 anos...

De Costa a Costa
Ninguém tanto viu
Tanto te viu, Portugal

Por Fora e por Dentro
Viste que não existia
Nem Dentro nem Fora

Nem Mar, nem Terra, nem Céu
Nem Sul, nem Norte, nem Sorte
Apenas um Destino por cumprir

Publicado nº 10 da NOVA ÁGUIA

terça-feira, 20 de novembro de 2012

20 de Novembro, no Porto

O Centro Nacional de Cultura e a Associação de Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa convidam Vossa Excelência para uma sessão pública, a decorrer no Palacete dos Viscondes de Balsemão, às 18h, no dia 20 de Novembro do corrente ano.
Nesta sessão, far-se-á a apresentação da Associação de Filosofia e Culturas de Língua Portuguesa, pelo Presidente do Centro Nacional de Cultura, Professor Doutor Guilherme d’ Oliveira Martins.
Poucos meses após o falecimento de Dalila Pereira da Costa, o Professor Doutor Paulo Ferreira da Cunha fará ainda uma Homenagem a esta figura ímpar da cultura portuense e nacional.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Textos sobre Dalila: para a NOVA ÁGUIA nº 10


J. Pinharanda Gomes, BREVE SAUDADE PARA DALILA
Carlos H. do C. Silva, DALILA E O SEU TEMPO DA SAUDADE
Carminda Proença, UM FIO DE MEADA
Cynthia Guimarães Taveira, O CANTO E A ESCUTA
José Leitão, CLAVIS CYPRIANUS
Lúcia Helena Alves de Sá, A SABIÁ DO PORTO
Maria José Leal, A SÁBIA DE OPHIUSA
Maurícia Teles da Silva, DALILA PEREIRA DA COSTA, A FLOR DO VERBO
Paulo Ferreira da Cunha, DALILA, MESTRE ECLÉTICA
Pedro Sinde, DALILA: UMA CAPELA INCRUSTADA NUMA ANTA (EXCERTOS DE UM OPÚSCULO)
Pedro Teixeira da Mota, UMA ALMA BEM PORTUGUESA
Rodrigo Sobral Cunha, DALILA PEREIRA DA COSTA E O RITMO EXTÁTICO EM “A FORÇA DO MUNDO”
Rui Martins, A RESPEITO DE “A NAU E O GRAAL”
Teresa Bernardino, A PROPÓSITO DE “ORPHEU, PORTUGAL E O HOMEM DO FUTURO”

sábado, 4 de agosto de 2012

De Carlos H.C. Silva, sobre Dalila Pereira da Costa: no próximo nº da NOVA ÁGUIA

Houve alturas em que a nossa razão polemizou com esta intérprete do esoterismo de Pessoa e pensadora da Saudade e do Mito português (1). Porém, numa outra lectio colhida antes ao sabor feminino da inteligência cordial de outras obras de Dalila P. da Costa, acertou-se com aquela lucidez derivada e declinante como em hora crepuscular ou auroral de uma diversa e silenciosa concordância.

(excerto) 


[1] Cf. Carlos H. do C. SILVA, Recensão de «Dalila Pereira da COSTA, O Esoterismo de F. Pessoa, Porto, Lello 1971», in: Clássica, nº 4, Dez. (1978), pp. 97-101; Id., Recensão de «Dalila Pereira da COSTA, Duas Epopeias das Américas, Moby Dick e Grande Sertão: Veredas (ou o Problema do Mal), Porto, Lello & Ir., 1974», in: Didaskalia, vol. IX, 1 (1979), pp. 237-239; e Id., Recensão de «Dalila Pereira da COSTA e Pinharanda GOMES, Introdução à Saudade (Antologia), Porto, Lello & Ir., 1976», in: Didaskalia, vol. IX, 1 (1979), pp. 239-241.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

De Maurícia Teles da Silva, sobre Dalila Pereira da Costa: para o próximo nº da NOVA ÁGUIA


Pensadora veiculando a intuição e o sentir como gnose, hermeneuta da cultura e história portuguesas, Dalila gravou a vida em áureas palavras no conhecimento de ancestrais raízes nacionais, desocultando a memória num profundo entender a génese ontológica do arquétipo português. A tradição como fons vitae, na visão do futuro anunciado pelo Anjo de Portugal, ascensão na Casa do Espírito

(excerto)

De Pedro Teixeira da Mota: sobre Dalila Pereira da Costa, para o próximo nº da NOVA ÁGUIA

"Na verdade, Dalila, imbuída do sentido de missão individual e nacional que cumpria metódica e sagradamente, foi sempre uma estimuladora das vocações e dos trabalhos dos seus amigos, interrogando como iam pois tanta falta faziam ao ambiente anímico português, para ela visto como numa fase última de decadência ou mesmo podridão, donde se estaria a renascer ou mesmo a despertar unificantemente. Era pois, Dalila, uma mulher ou uma mãe muito estimuladora dos veios próprios de cada um e sempre norteada pelo seu amor à Pátria e ao Divino (...)."
(excerto)

terça-feira, 31 de julho de 2012

De Paulo Ferreira da Cunha, sobre Dalila Pereira da Costa - para o próximo nr. da NOVA ÁGUIA

Há pessoas que, como Camões, parece morrerem com a Pátria. Mas apenas morrem com uma das suas modalidades. Dalila Lello Pereira da Costa deixou-nos no passado 2 de março, dois dias antes do seu aniversário, num tempo que só não é sentido como apocalíptico porque Portugal anda certamente anestesiado para não sofrer tanto. Até que possa ressurgir. Numa época (aliás generalizada, e não só nacional) de total descrença e abatimento moral e filosófico, de um lado, e de pretensas verdades absolutas e inevitabilidades por outro (até políticas: como se a política não fosse um reino de enorme liberdade da ação humana), o perspetivismo, de uma banda, e o ecletismo, de outra, parece serem bens a acarinhar no mundo das ideias e da ação. Ignoro se alguém já o terá observado o que aqui digo em teoria, mas, como fiz para este artigo o compromisso para mim mesmo de falar apenas de uma Dalila oral, nas minhas memórias dela, não ficaria também correto vir vasculhar e convocar bibliografias segundas. Nem as obras escritas da autora revisitei, para a empresa de hoje. Apenas fiado na memória, relembro a Mestre.

(excerto)

sábado, 9 de junho de 2012

CONVITE PARA PARTICIPAÇÃO NO Nº 10 DA NOVA ÁGUIA



Dando o devido destaque aos Temas e Autores maiores da nossa tradição filosófico-cultural, a NOVA ÁGUIA homenageará no seu próximo número (2º Semestre de 2012) Dalila Pereira da Costa, no ano do seu falecimento.
A sua colaboração deve ser enviada por e-mail (novaaguia@gmail.com) até ao final do mês de Junho.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Sobre a Dalila: para o próximo nº da NOVA ÁGUIA


O CANTO E A ESCUTA 

Escrevo este texto à beira de uma tese. Daquelas teses de Universidade. Daquelas que se querem muito depuradas, explicadas, argumentadas, arguidas perante júris. Mas o verdadeiro júri não é esse. O verdadeiro júri será a preservação da memória de Dalila.

Escrevo este texto à beira das Lágrimas. Que és, Dalila? O que foste para mim? O que resta de ti senão esses textos de uma contenção explosiva, de um amor louco pelo céu? De um amor louco pela terra? Que me fica senão reler-te, e reler-te uma vez mais? Que me fica senão o desespero de nunca te conhecer plenamente?
Teu Verbo é a Luz que espalhaste pelo mundo.  Por um mundo que ainda não te conhece, como preço a pagar de teres conhecido tão bem o Outro Mundo.
Que efeitos tem a memória em nós e que efeitos têm os teus textos na nossa memória e que efeitos tem a tua Experiência na experiência dos outros? Como é possível transformar, como transformaste, as letras em experiências?  Acaso o misticismo se pega como uma doença? Colar-se-á ele a nós à medida que as tuas palavras ecoam no espaço silencioso do nosso Ser?
Só é possível ler-te no silêncio que vive dentro do silêncio. Um silêncio duplo.
Almada Negreiros disse que toda a arte é uma estratégia para a Poesia, mas tu, Dalila, foste ainda mais longe nessas voltas espiraladas da criação. Porque nasceste já em Poesia, porque vivias em Poesia, porque  já eras Poesia simplesmente por existires, só te sobrava ir mais além e, como o disseste. “Viver na caça ao sobrenatural”[1].
Que se passou contigo que já não vias simplesmente com os olhos mas vias com todo o corpo? Que diálogos ousaste com os anjos? Com que cores te era desvendado o mundo?
Não, não há teses a fazer sobre ti, apenas cores novas acabadas de nascer a cada página virada.
A tua obra é a revelação da revelação.
Sim, poderia falar dos teus ensaios e da graça com que num golpe de asa aniquilaste o tradicional Ensaio. O ensaio histórico, literário, antropológico não mais foram os mesmos depois de ti. Ousaste recusar o pragmatismo do Verbo enquanto percorrias esses temas, pousando os olhos da alma na História, na Literatura, na Antropologia. O Ensaio, contigo, deixou de ser um discurso para se tornar numa experiência. Que outra coisa poderia ser se as palavras para ti eram chamas vivas? Portugal deixou de ser objecto, objectivo na análise, distância segura e controlada para irromper por nós adentro. Para se tornar parte do nosso Ser. Portugal passou a ser Amor.
Escrevo este texto à beira da Alegria, afinal. Como o resultado da tua obra é a Alegria vivida na liberdade da vida. Falo em ousadia quando falo de ti. Mas é uma ousadia antiga, uma ousadia que vem do fundo dos tempos, uma ousadia que é toda escuta. Uma ousadia que caminha pelas ruas das cidade e a transmuta livremente em algo mais.
Mas essa transmutação não mais era do que um Regresso: “E todo o acto de conhecimento poético, sua transmissão, é um acto paradisíaco repetido”2.
Não há o isolamento místico in extremis. Não há carmelitas descalças, nem montes Athos, nem Cartuxos. Não há um muro entre ti o mundo. Há um abraço fundo nele. Não há desvios nem elevadores de renúncia numa qualquer auto-estrada rápida para o céu. Há os passos que se dão na terra, as viagens por ela, a contemplação dela, o silêncio que nela reside. Não há mosteiros de retiro de pedra a cal, há um Templo interior que se ergue como espelho da tua alma. Há um Templo que abarca a terra toda. Há uma volta diferente no fim da cornucópia desta abundância de totalidade. Há um retirar o excesso do mundo e devolvê-lo intacto, no seu centro numa bandeja de ouro vivo.
Há dádiva mais do que desejo. Há desejo mais do que exigência. Há exigência mais do que missão. Há missão mais do que função. Há entrega mais do que renúncia. Há renúncia mais do que desejo.
Sim, viajaria assim indefinidamente por estes paradoxos excessivos só para te tentar definir.
Há uma sombra que se adivinha e que remetes para o território do mal. E insistes que o mal é uma ilusão. Os espinhos não fazem a rosa. Apenas as suas pétalas são a razão do seu perfume. E o que fica é o perfume da manhã fresca que foi a tua vida.
A tua obra tem o encantamento vibratório da música. Só que ainda mais potente. Como se a tua vida tivesse o dom de ecoar nas vidas dos leitores que te escutam. Ler-te é escutar e nessa escuta intuir, num primeiro tempo, os vários mundos, num segundo tempo, descobri-los, num terceiro tempo, deixar que eles se manifestem como campainhas coloridas ecoando nos momentos de pausa que são sempre recordações das tuas palavras. Essas campainhas ecoam num jardim quando uma ave pousa, e é mais do que uma ave, é um movimento esvoaçado do cosmos; ecoam num olhar de uma criança que esconde e revela a presença de um anjo; ecoam à entrada de uma Igreja que é afinal o portal para a fusão com o sagrado. Essas campainhas, almas-fadas das tuas letras, são sempre experiências, tão seguras, tão verdadeiras como um mergulho nas águas quentes que percorrem o corpo. Têm uma presença tão real como o sabor de um fruto e, por isso, transcendem a música no que esta tem de etéreo.
O teu misticismo é carnal devido ao excesso de presença do Outro Mundo. Ele torna-se manifestação mais do que transcendência. Farias Platão pensar, repensar de novo… o teu platonismo não é platónico pois possuí a força da terra e o trovejar do sagrado.
A fluidez das tuas palavras é igual ao rigor com que as escolhes. E lamentas que não haja  palavras que digam o Absoluto que viveste.
“Não forçar nem intervir. Esperar e escutar. O melhor é não fazermos nada por nós: abandonarmos tudo a essa força, deixarmo-nos trabalhar por ela.
Estar só atentamente.
E quando ela nos atira o peixe, quando ele salta ao ar das águas matinais do mar, das águas então acordadas, cintilantes à primeira luz do sol, rápido, lançar-lhe o arpão.”3
Sim, entre a quietude e a acção total, arrebatada, entre a poesia e a razão, percorrendo a trave que segura o pratos da balança, assim se nos podemos situar se quisermos compreender-te. Porque renunciando não renuncias e aprisionando não aprisionas, só assim é possível “investigar o absoluto”4.
Escrevo à beira do Amor, como se estivesse sempre à beira de te encontrar, numa espécie de angústia serena que adivinha a profunda paz. À beira deste mar imenso que é o mistério da vida. Escrevo para que te lembrem. Para que te leiam. Para que te escutem. Para que te experimentem numa chamada de atenção urgente. Neste momento sou um pássaro que te canta, nos outros tempos um pássaro que te tenta escutar.  Cantar-te é sagrar-te, conseguir escutar-te é já Ser.


[1] Pereira da Costa, Dalila, Os Jardins da Alvorada, Lello & Irmão Editores, 1981, pág. 40
2 Op. Cit. pág. 78
3 Op. cit. pág. 95
4  Op. cit.  pág. 90

Cynthia Guimarães Taveira

sábado, 24 de março de 2012

24 de Março, na Sede do MIL


15h30: Assembleia Geral
1. Apreciação e votação do Relatório e Contas e do Parecer do Conselho Fiscal referentes a 2011.
2. Ratificação da nova constituição do Conselho Consultivo do MIL
3. Ratificação dos novos Sócios Honorários do MIL.

16h00: Evocação de Dalila Pereira da Costa
Por Pinharanda Gomes

17h00: Apresentação de "O Segredo de Grão Vasco" e do nº 9 da NOVA ÁGUIA
Por Luís Paixão, Pedro Martins e Renato Epifânio

18h00: Debate "Ainda vivemos em Democracia?"
Com Manuel Villaverde Cabral e Miguel Serras Pereira