Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.
- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.
- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.
- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.
- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.
- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"
- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.
- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.
- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.
- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.
- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).
- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).
- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).
- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.
- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).
- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.
Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24
As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.
Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).
Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!
Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.
A Direcção da NOVA ÁGUIA
Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.
NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:
https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
terça-feira, 7 de fevereiro de 2017
8 Fevereiro | PASCOAES: DO SOLAR DE GATÃO AO UNIVERSO...
quinta-feira, 23 de junho de 2016
quarta-feira, 20 de maio de 2015
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
sexta-feira, 4 de abril de 2014
quarta-feira, 1 de maio de 2013
terça-feira, 9 de outubro de 2012
De António Carlos Carvalho, sobre a «Arte de Ser Português», de Teixeira de Pascoaes, e a «História Secreta de Portugal», de António Telmo
Ambas as obras [a «Arte de Ser Português», de Teixeira de Pascoaes, e a «História Secreta de Portugal», de António Telmo] foram publicadas em momentos decisivos da nossa História: a primeira em 1915, cinco anos depois de implantada a República, com tudo o que esta tinha significado de tentativa de re-fundação do País; a segunda em 1977, três anos depois de uma suposta revolução que prometia concretizar todas as esperanças e dar nova vida a um país totalmente mergulhado na decadência e à deriva no mar da História. António Telmo salientava então: «Fala-se ainda de Pátria, mas já ninguém sabe o que ela é»
Excerto do prefácio à reedição de «História Secreta de Portugal», de António Telmo
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Sobre Pascoaes, nos 100 anos de "O Saudosismo": de António Cândido Franco, para o próximo nº da NOVA ÁGUIA...
sábado, 28 de abril de 2012
28 de Abril: “TEIXEIRA DE PASCOAES –VICENTE RISCO: DO SAUDOSISMO AO ATLANTISMO”

ACTOS INAUGURACIÓN EXPOSICIÓN
“TEIXEIRA DE PASCOAES –VICENTE RISCO: DO SAUDOSISMO AO ATLANTISMO”
A exposición que baixo o título “TEIXEIRA DE PASCOAES –VICENTE RISCO: DO SAUDOSISMO AO ATLANTISMO”, pretende achegar ao público, especialmente estudantado galego, a relación intelectual e persoal entre Vicente Risco e os intelectuais portugueses ao longo da década do 1920. Partindo da correspondencia e das dedicatorias do libros, faremos unha aproximación aos movementos culturais portugueses (nomeadamente Renasceça Portuguesa e o seu órganos e expresión A Äguia, así como a Seara Nova)
Faremos fincapé no saudosismo e a súa incidencia na construción do pensamento risquián respecto do atlantismo.
A inauguración da exposición terá lugar o sábado 28 de abril na sede da Fundación Vicente Risco, e se complementará cos seguintes actos.
19:00 horas. Ofrenda Floral ao P. Feijoo na alameda de Allariz. Recitadod e poemas de Teixeira de Pascoaes.
19:45 horas. Inauguración da exposición na sede da Fundación Vicente Risco e conferencia A simpatía, do padre Feijoo a Teixeira, a cargo da Profª. Drª Luísa Malato Facultade de Letras da Universidade de Porto.
20:30 horas. Presentación da revista "Nova Águia".
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
quinta-feira, 9 de junho de 2011
quarta-feira, 6 de abril de 2011
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Amanhã: lançamento da NOVA ÁGUIA nº 6 na terra de Pascoaes
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Teixeira de Pascoaes, Escritor Português do Mundo, fala a "Lisbon Courier"
Não se pode ir lá de avião. Não há aeródromos nas imediações; é na serra, perto do Marão, que o poeta cantou em Versos imortais, a umas poucas milhas de Amarante. Vai-se por um caminho ladeado de sobreiros já antigos e frondosos que é mais caminho de carro de cavalos do que de automóveis, até a um pequeno terreiro onde há laranjeiras plenas de frutos ainda verdes. Do terreiro, por um largo portão brazonado, entra-se no pátio da casa onde vive o poeta. É uma casa solarenga, do século XVI ou XVII, remodelada depois, que guarda ainda o seu ar vetusto de velha casa senhorial e a nobreza clássica das suas linhas simples, austeras.
Nesse pátio já talvez um autogiro ou um helicóptero pudessem descer. Mas não aconselho o leitor - mesmo que ele tenha sido companheiro de La Cierva - a que tente a arriscada aventura.
Teixeira de Pascoaes ouviu o ruído do carro em que fomos e veio receber-nos à porta. É um homem baixo e magro, um pouco curvado, com uma cabeça já grisalha, revolta, a face angulosa e uns olhos profundos, penetrantes, cheios de riqueza e de vida. A sua austeridade é a de um monge , como é de monge a sua simplicidade e o encanto com que nos recebe na bela casa da sua família, mais velha ainda porventura do que esta, e onde vive como num convento que nos mostra tal como um bom frade desligado dos prazeres e interesses deste mundo.
Tentar apresentar a leitores, sejam eles portugueses ou estrangeiros, este homem, poderá quási parecer uma liberdade de que usa o jornalista, para, através do escritor, se apresentar ele próprio.
É que Teixeira de Pascoaes é bem o Patriarca da literatura portuguesa contemporânea - um patriarca amado dos fiéis e sobre cuja dignidade não há discussões. Os seus livros estão traduzidos para francês, alemão, espanhol, holandês, húngaro, tcheco, italiano.
O "Grande de Espanha" D.Miguel de Unamuno contou-o no número dos seus grandes amigos e o pensador russo, universalmente conhecido, Nicolau Berdiaeff considerou-o um dos mais notáveis autores do nosso tempo.
Isto é bastante, não é verdade, leitor?... Por isso mesmo o entrevistador se esconde sob um pseudónimo.
Nicolau Berdiaeff classificou um dia Pascoaes de "Poeta místico com temática religiosa"... Ora eu venho fazer-lhe uma entrevista sobre aviação... É pois natural que hesite antes de atacar o tema principal da nossa conversa.
Fala-se primeiro de poesia. Depois do que Unamuno chamou "o sentimento trágico da vida". Depois da morte e do existencialismo". Não! - Decididamente é perigoso ouvir este homem encantador falar do que lhe interessa; temo que a ouvi-lo, me esqueça do tema da entrevista, e depois que seja já impossível sair do beco onde estamos. Beco, está claro, porque não vejo a saída para o campo da aviação.
Por isso pergunto de chofre:
— Que pensa da Aviação?
Pascoaes sorri e responde:
— Penso que outrora os homens criavam os anjos e hoje.... os macaqueiam.
Há um silêncio. Não vou, evidentemente, perguntar a este homem se ele voou. Há em toda a sua obra uma altura que nenhum avião do mundo jamais atingirá. Mas insisto:
— Crê que a conquista do ar pela moderna aviação poderá trazer algo de novo a "visão do mundo" dos poetas ?...
A expressão de Pascoaes tornou-se agora vagamente irónica:
— Penso que a visão do mundo depende da altura a que se está."Nos aviões modernos, como se voa muito, muito alto, a "visão do mundo"...deve tornar-se tão vaga, tão imprecisa,que me arrisco a dizer que desaparece...
Uma criada trouxe-nos café e os maravilhosos doces de ovos de Amarante. Pascoaes, sorrindo, explica:
— Nunca percebi como Vergílio foi capaz de escrever a "Eneida", sem ter tomado uma chícara de café e sem fumar um cigarro.
Há neste homem profundamente triste, por mais paradoxal que isto pareça, um bom humor sadio. Um bom humor sem amargura ou ironia – que tem frescura e juventude.
O bom humor com que responde, já a finalizar a entrevista, quando lhe pergunto o que pensa do papel a desempenhar pela aviação no futuro:
— Não penso nada, ou melhor, não digo o que penso. Ainda não consegui limar a vaidade até o ponto de me não importar com o que pensarão de mim os que me lerem daqui a alguns anos - isto, bem entendido, se daqui a alguns anos ainda alguém me ler. Ora eu não quero que me aconteça o mesmo que aconteceu a Thiers quando, num momento de muito fraca inspiração, se lembrou de dizer do "caminho de ferro" que era uma invenção absurda e irritante que apenas servia a meia dúzia de loucos possuídos da mania das velocidades...
Publicado em:
http://retrovisor.blogs.sapo.pt/43760.html
domingo, 11 de abril de 2010
Ânsia de martírio
José António Barreiros
No apontamento que publicou no número da Nova Águia dedicado a Teixeira de Pascoaes, um advogado que procurou asilo na escrita, Jesué Pinharanda Gomes diz, a propósito da Ordem dos Frades Menores, vulgo Franciscanos: que depois de se terem instalado em Portugal em 1217, em Alenquer e Guimarães e dois anos depois em Lisboa e Coimbra, «os frades apostados na missionação em Marrocos, onde foram martirizados (1220) este martírio prestigiando a Ordem».
Ficou-me esta expressão «este martírio prestigiando a Ordem».
Se atentarmos bens, quer nas pessoas colectivas, quer nas individuais, a ânsia de martírio é amiúde uma forma mascarada do desejo de apreço, uma forma de realização da honra. Assim como há quem não suporte ser amado há quem não conviva consigo sem sentir-se detestado.
Nasce daí aquela forma inamistosa de ser, em solilóquio de catacumba ou em vociferante guerrear.
O dia da imolação é o dia da exaltação!
Publicado em:
http://revoltadaspalavras.blogspot.com/2010/04/ansia-de-martirio.html
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Para ler o resto, vai ter que esperar pelo nº 5 da NOVA ÁGUIA...
Luís de Araújo
SÍNTESE INTERPRETATIVA E CRÍTICA DO SAUDOSISMO
(...)
Teixeira de Pascoaes divulgou o seu ideário saudosista, fundamentalmente, em algumas conferências realizadas no Norte de Portugal, entre 1912 e 1915 (são as seguintes: “O espírito lusitano e o Saudosismo”, “O génio português na sua expressão filosófica, poética e religiosa” e “A era lusíada” (duas conferências) e, também, num pequeno manual cívico intitulado “A arte de ser português”. Toda esta campanha em prol da restauração da “alma portuguesa” encontrou na “Saudade” a sua primordial intuição e foi divulgada nas páginas de “A Águia” – a revista do movimento da Renascença Portuguesa, animado por Pascoaes.
Mistura de recordação e ideal ou projecto, a “Saudade” definiria não apenas a verdadeira essência do pensar e sentir portugueses, mas significa, por outro lado, como que uma ideia-sentimento que tenta explicar o ser humano como resultante da queda de uma alma, cuja origem seria divina e que agora aspirasse incessantemente ao Absoluto, aceitando-se que Deus e o Mundo se interligavam na consciência humana. Tratar-se-ia, como Pascoaes sugere, de um “misticismo naturalista, idealismo saudoso”. Por consequência, é evidente toda uma mundividência de carácter panteísta em que o Poeta, através da sua intuição, como que revela ou pretende revelar a alma da Natureza, buscando descobrir hipotéticos significados escondidos nas coisas e nos seres. Entre o homem e a natureza estabelece-se uma amorosa simpatia que nada tem a ver com a atitude dedutiva e científica. Assim, é toda uma gnoseologia assente na “simpatia”, origi¬nária de uma posição de cariz sentimental que, por vezes, acabará por ocasionar uma sequência de sínteses mais ou menos arbitrárias e caprichosas – destino, afinal, de todas aquelas filosofias originadas em intuições, quase sempre, imaginárias.
Importa realçar ou abordar o “Saudosismo” como doutrina social, com ideário político para o ressurgimento nacional. Em 1914, na conferência intitulada “A era lusíada”, Pascoaes afirmou categoricamente que, desde 1820, a alma lusitana “emudecera” e toda a sua teoria da decadência resulta da constatação de um excesso de es¬trangeirismo vigente na vida portuguesa. Por um lado, o clero sempre obediente a Roma, por outro, os políticos sempre fiéis a Paris e, também, a influência da crítica, que considera anti-nacional, da chamada Geração de 70, têm sido “os obreiros da nossa desnacionalização, os inimigos do nosso espírito e, por isso, da nossa independência” (Alexandre Herculano e Antero de Quental são, para ele, símbolos do desânimo; os Positivistas são “gente lastimosa” – tal como afirmou na Póvoa de Varzim, “a nossa pretensa elite intelectual, composta, na sua maior parte, de estreitas cabeças endurecida sob a pressão de duas ou três ideias sem alcance, tem cortado as asas às tendências mais nobres e sublimes da raça portuguesa – essa águia de outrora, reduzida a misérrima ave doméstica, rastejante, esquecida de voar... Esta gente lastimosa tem a obsessão da Realidade, a qual, segundo o seu critério quase culinário, vai muito pouco além da¬quilo que se come (...) ora, nós estamos fartos da palavra cientifico” ; por outro lado, Pascoaes manifesta-se violentamente contra o que ele considerou a educação estrangeirada que já vinha do Constitucionalismo Monárquico e, em 1913, exaltar-se-á, a dado momento de uma conferência, louvando “o feliz isolamento em que o povo do campo tem vivido, longe dos grandes centros onde tudo se adultera: o pão do corpo e o pão d espírito” , e afirmaria adiante que “se a instrução que para aí se dá nas cidades, houvesse atingido o povo dos campos, nada restaria já de Portugal, além das suas paisagens” .
Paisagem, Tradição e Esperança – eis no que se resume toda uma campanha que procurava, em última análise, uma plataforma de convivência harmónica entre Tradição e Revolução.
Teixeira de Pascoaes sublinhará constantemente o amor da Pátria, porém não numa perspectiva de simples aceitação de uma concepção de vida, mas sim numa exaltação poética, por vezes quase irreal, como que cego pela ideia absurda de que certas formas gerais de pensar e de sentir de uma época são maneiras absolutas a imporem sujeição para o futuro. Preconizou algumas reformas para revitalizar a alma portuguesa e logo em 1912, na sua primeira conferência sobre o tema que nos ocupa, afirmou o desacordo profundo que existiria entre o Constitucionalismo e o espírito português – as leis não passavam de imitações estrangeiradas e os governantes são “bacharéis desnacionalizados” e impunha-se a criação de uma Igreja Lusitana, unida e dirigida pelo Estado, mas separada de Roma, já que, na opinião de Pascoaes, o alto clero também não passava de uma casta desnacionalizada, “nódoa estrangeira na nossa Pátria”, como escreveu em dado momento. E, para o renascer da autêntica portugalidade, defenderá a organização municipalista e o regresso às tradições camponesas, agrárias, e definiria o que deveria ser a República, ou seja, pelas suas próprias palavras, “uma democracia religiosa e rural” .
Nas suas outras conferências, o doutrinador amarantino sublinha constantemente a originalidade da visão panteísta e saudosista da alma lusitana, afirmar-se-á visceralmente anti-cosmopolita, considerando, por exemplo, o progresso técnico como a “forma burguesa da Civilização” , o seu entranhado tradicionalismo irá ao ponto de profetizar o regresso do Encoberto – “religião” anterior ao Bandarra e a certos comentários de Vieira, mas que passa pela Renascença Portuguesa e, em certa medida, a encontramos em alguns pensadores do movimento auto-proclamado de “Filosofia Portuguesa”. A profunda insatisfação de Pascoaes levá-lo-á a anunciar aos portugueses que há-de vir alguém realizar a grande obra necessária ao nosso ressurgimento . Neste sentido, ele apontará as finalidades do movimento da Renascença Portuguesa, basicamente dirigidas para uma intensa educação nacional que preparasse aquilo a que ele chamou o “advento da Era Lusíada” . Reuniu as linhas de rumo do seu pensamento saudosista numa pequena obra que considerou dever ser estudada nas aulas oficiais de Literatura e de História – refiro-me à “Arte de ser português”, publicada em Junho de 1915, curiosamente no momento em que aparecia a revista que iniciou o movimento modernista em Portugal – a “Orfeu”. Naquele pequeno livrinho, Pascoaes esclareceu um pouco melhor o sentido de toda a sua campanha, mormente no que respeita à organização municipalista, defendendo claramente que os municípios deveriam ser o elemento de contacto entre as Famílias e a Pátria e, deste modo, o Estado resultaria directamente da organização municipalista, “sem serem precisos”, como escreveu, “os terríveis intermediários que têm o nome de partidos” . O país seria, assim, uma espécie de confederação de municípios com autonomia, semelhante ao que Alexandre Herculano preconizara, cujos presidentes constituiriam as Cortes e teriam por função, entre outras, a de eleger o Governo.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Ainda sobre Pascoaes
José da Costa Macedo
A DOR HUMANA NA REVISTA A ÁGUIA SEGUNDO TEIXEIRA DE PASCOAES
O luar e a consciência representam movimentos reflexos, que bateram de encontro a qualquer barreira indestrutível e ao voltar para trás, nos mostram então o perfil macerado sangrando luz...
Várias considerações se poderão tecer acerca deste parágrafo.
1 - A equiparação do surgimento da consciência ao de um fenómeno físico como o luar.
2 - A interpretação trágica da causa próxima de ambos: Um impedimento intransponível a uma realidade dinâmica anterior que sem esse obstáculo seguiria o seu curso.
3 - As marcas dessa tragédia naquilo que a seguir surgiu.
4 - Passando agora para a consciência, ela é neste caso indesligável da dor e porventura da tristeza.
Daí podemos concluir que tudo quanto tenha a marca superior da consciência será igualmente conotado com a dor radical que lhe é inerente: a arte, a religião, a filosofia, as vivências profundas daqueles que sendo homens se adentram mais que os outros no seu intimo e finalmente até um grupo que viva intensamente a natureza da consciência. Nas poesias que foi publicando em A Águia, este carácter matricial da dor surge que se poderia concluir do texto citado. "... a tudo à terra e ao céu me sinto preso. Vejo que a dor é o laço que me prende. Por isso a dor é a única alegria" e em seguida o âmbito daquilo que se deve à dor alarga-se para todas as coisas: "a dor é a virgem mãe que criou tudo" já antes no soneto "os meus olhos dolorosos" o poeta refere-se "à virgem da agonia, a mãe piedosa e triste da alegria". Essa mãe piedosa e triste é chamada antes "tristeza criadora". Há nestes dois poemas duas afirmações acerca da relação dor/alegria: A dor é alegria. A tristeza é mãe da alegria. Tristeza aqui como criadora pode considerar-se igualmente a dor aplicada ao sentimento principal do poeta. Predomínio da dor nos dois casos. Com efeito, verifique-se o motivo por que o poeta-filósofo, diz que a dor é a "única alegria": não é porque o afaste das coisas mas porque o prende a elas, tornando-se assim como a expansiva alegria incompatível com o isolamento. Predomínio da dor, portanto mesmo segundo aquele juízo aparentemente identificativo onde não seria possível a inversão simples. Portanto, mesmo quando mais tarde formular duma forma mais complexa a ideia de saudade em que uma das sínteses é a da dor com a alegria, não se trata de dois elementos iguais ou ao mesmo nível, trata-se de criador a dor com a criada alegria. Predomínio da dor portanto mas encarado também por aquilo que dela derivou. Síntese de dois elementos espirituais, se bem que derivados um do outro, ao contrário do que acontece em todas as outras sínteses com que se define a saudade.
Com efeito, a dor humana é espiritual e espiritualizante: Amor carnal, espiritualizado pela dor, contraposto a creio que também em síntese, com amor espiritual materializado pelo desejo . O mesmo deve-se observar-se quando se trata de comparar o mesmo binómio com espírito-matéria, desejo-lembrança, treva-luz, vidamorte . A diferença entre dor e alegria não é mesma nem é promocional com as outras. Se de todas se pode dizer que se digladiam, este verbo tem sentidos muitos diferentes, admitindo que a lembrança seja espiritual perante o desejo como material. A dor aparece assim valorativamente como aquilo que para alem das sequelas dolorosas se sintetiza com a não dor à qual deu origem. Se assim não for, a dor acarreta o pesadelo de si mesma como eternidade, como se declara num dos mais profundos artigos escritos na revista A Águia: “O Tempo” . Assim a dor parece dilatar o pontual presente vivido por cada homem. Mas mesmo naquele presente que a dor não dilata o homem sente-se ligado à sua dor ou então "faz-se notar" pelo próprio nada de que é feito. Teixeira de Pascoaes silencia aqui aqueles casos em que o prazer intenso faz esquecer o tempo. Será porque o inclui no nada que morre ou porque nesse caso o tempo desaparece, passando-se só do termo da vivência a ter consciência da duração passada? A consciência do presente é usualmente conjugada com a dor. Mas também neste caso se descobre segundo o que é, segundo a estreiteza e a dureza do que é. Só a seguir isso que foi presente duro, ao tornar-se passado se transforma em imagem libertadora de cada um. Por isso diz T
Pascoaes, o homem sonha libertar-se do que é ligando-se ao que foi ou ao que à de ser: Dolorosa incompatibilidade entre o homem e o tempo e que o leva a fugir do tempo para o tempo: ao passado pela lembrança que Pascoaes considerou espiritual, o futuro pelo desejo que Pascoaes considerou corporal material. E a desagregação daquela síntese desejada por Pascoaes para definir a saudade. Notar-se que ele não diz que o desejo de um homem é libertar-se rumo ao passado e ao futuro mas sim é isso o seu sonho, como se a dinâmica do sonho leva-se à sua realização sem passar pelo desejo. Pascoaes acaba por conotar esta libertação do presente temporal com a libertação do corpo. Libertar-se do corpo e libertar-se do tempo? De facto, matar o presente ficando com passado e futuro é procurar no tempo o não tempo. É ou ficar entalado entre a eternidade e o possível ou sobrevoá-los. Tudo isto para evitar a simbiose do momento presente e da dor, ou melhor da vivência presente como vivência do presente rumo à vivência do passado e do futuro a partir de um presente que não se quer vivenciar como tal. Tudo isto não mergulhar na dor como tal. Daí a necessidade de a emparceirar ou de considera-la como um sentir matricial, segundo a sua própria essência e quando isso for possível. Poderia perguntar-se se este texto sobre o tempo que afinal é sobre dor e tempo não seria um outro filão para chegar ao afloramento do que é a saudade na sua dimensão trágica que parece esquecida nas grandes definições - descrições que da mesma são dadas em artigos anteriores. Dor ínsita à profundidade da consciência perante a sua temporalidade de que não consegue libertar-se. Dor que mesmo no âmbito do tempo, cria pesadelos de eternidade.
Conotando-se com isto e com este desejo de fuga trágica pode referir-se à recusa total de uma dor eterna. Com efeito há uma outra hipotética dor que é recusada quando isolada de qualquer outro elemento positivo, a dor infernal em que certas igrejas cristãs acreditam. Recusar que ao mesmo tempo pode considerar-se uma das manifestações de anticatolicismo radical outras vezes afirmado no decorrer das intervenções do autor n’ A Águia. Trata-se da interpretação daquilo que sucedeu após a morte de Jean Valjean segundo a narrativa de Victor Hugo na sua obra "Os miseráveis". Após aquela morte contra o romance que sobre Paris apareceu um anjo enorme de asas abertas. Segundo a interpretação de Pascoaes seria "O próprio Satã redimido e levado do Inferno da sua revolta à beatitude, à pacificação da sua vitória"... "Satã novamente eleito e consagrado pelo esforço e pela sua dor.” . Como base desta visão da dor, encontram-se perspectivas antropológicas, cosmológicas e até metafísicas. Há com efeito um dualismo no homem que não pode deixar de ser motivo de sofrimento. É o espírito e a matéria, o espiritual e o corporal, se bem que ambos com a mesma origem cosmológica. A matéria e o Espírito. Esta relação é conflituosa. "A origem do corpo ensombra a Alma" . "O homem pode sonhar como espírito mas só pode agir como animal" . Desgarramento trágico na própria constituição do homem: "Corporalmente estamos muito longe da origem, espiritualmente a distância é pequeníssima" . Trata-se da longínqua origem miticamente expressa (Da sombra da origem). Mas a origem próxima, várias vezes Pascoaes aponta-a como sendo a matéria. "Carne, sonho, pedra, flor, pertencem a reinos diferentes. São a mesma matéria mas em diversos graus de evolução cósmica" . "Matéria e pensamento são a mesma energia em diversos graus de evolução" . Há nisto um caminho do menos para o mais. "Creio que o espírito é a esperança atingida da matéria onde ela se organiza e completa em suprema harmonia que a si mesma se ouve e se compreende" .
Uma origem ainda mais próxima do que a matéria cria no homem a vivência de um drama. "A caricatura é o riso amarelo da alma perante a sua origem e destino: o macaco e a morte" . E agora passemos para a mais anterior origem metafísica relacionada com a passagem do uno ao múltiplo. "Foi Deus que a inventou [a caricatura] a fim de quebrar a infinita monotonia da identidade originária, o Mesmo, esse deserto sem limites. Quando os outros pulularam do mesmo..." criou-se aquilo que ele chamou "sorriso de ironia" dos constitutivos do universo numa espécie perspectiva pessimista da pluralidade. Mas é essa pluralidade na sua relação com a origem metafísica apontada que explica a desarmonia do homem, a dor sem esquecer nunca que esta é espiritual. Tal multiplicidade originou a dualidade dos elementos "que desenham um íntimo perfil contraditório" .
O próprio Deus diz Teixeira de Pascoaes, deveria arrepender-se de ter originado a pluralidade constituída por indivíduos diferentes entre si. A individualidade implica a dor, a individualidade ou mesmo a individuação posterior a um estado prévio em que os homens viveram (misteriosamente) sem individuação. Ou seja há dor porque há multiplicidade e individualidade. Nós viveríamos com efeito felizes e libertos nesse estado em que "a alma se tornou a nossa alma" . É a isso que Pascoaes chamou "perder o paraíso". Àquela quebra da unidade total como raiz primeira metafísica da dor, sucede dir-se-ia que como seu reflexo a falta de unificação ou exclusão dos elementos principais da totalidade: trata-se do pensamento. O pensamento acerca do universo cientificamente considerado faz parte desse mesmo universo, ignorá-lo conduz à tragédia como afirma acerca de Manuel Laranjeira: ele
caiu (e foi a sua desventura) numa terrível ilusão de recente origem cientifica. Contemplou o universo e a vida como isolados do seu pensamento... porque o pensamento humano é que contempla o universo... é a última forma superior da sua evolução. ...a tragédia humana, uma forma de dizer a dor humana, leva à invenção de Deus. "O indivíduo contemplando as suas fraquezas e misérias cria espiritualmente um indivíduo liberto dessas fraquezas e misérias, isto é, um Deus. "E a sua vida fica a ser "uma tendência constante para esse mundo superior que ele criou". O mesmo se dá com as sociedades . Assim relativamente à dor (ligada à imperfeição humana) não só Deus é referido como criação do homem ou quando é tratado como se existisse, é apontado como ligado especialmente à dor humana como se viu naquela referencia à quebra da unidade. Nunca Deus é referido como aquele ser que pode valer ao homem na sua dor. Se se quiser tomar como tratando realidade, as afirmações de Deus como origem sobrepor-se-iam sem a negar à referência à matéria como origem física de todas as realidades mesmo humanas.
Mas a referencia a Deus sempre que aparece também pode ser perspectivada como mito referencial explicativo à maneira de Platão. "Se Deus existisse, duvidaria perpetuamente da sua divindade." Diz referindo-se à humildade de Tolstoi . É perceptível aqui uma atitude agnóstica ou ateia.
Da dor colectiva
É a propósito da atribuição da primeira grande guerra a Guilherme II que diz:
1. A guerra tem uma origem superior ao homem: a espécie.
2. Atribui-la apenas à vontade do Kaiser deriva da falta de visão.
3. Mas logo a seguir lembra outras entidades inventadas pelo homem para lhes atribuir a causa da guerra.
4. É aí que afirma: tudo isto é a dor humana a iludir-se, a pintar de branco a sua noite... "Este poder que tem o homem de dourar a sua miséria foi-lhe dado pela natureza como o golpe de Graça a um condenado."
5. No contexto parece que a atribuição da guerra ao Kaiser é mais um caso desta dor humana a iludir-se, como se iludiu antes atribuindo tal desgraça às feiticeiras e à sibila. Assim, a dor inerente ao homem mas agora como parte de uma colectividade parece vinda de algo invencível: com efeito, a espécie é dita irmã gémea do destino pois que não é apontada uma solução ou uma superação . Lembra-se a seguir a subordinação necessária dos homens a grandes ideais como condição de enfrentar a dor e a morte. Mas esta subordinação a altos ideais geradores de heroísmo tanto existe na guerra ofensiva como na guerra defensiva. Tal como nas tragédias Gregas a dor humana é superada apenas pela dignidade do próprio sofrimento. Existe aqui mais uma indicação de uma nova fonte da dor humana diferente daquelas que foram anteriormente indicadas mas subordinada às mesmas ou melhor com origem nas mesmas. Apesar disso é a que mais pessimismo acarreta.
Outra é a dor derivada de certo ambiente cultural denunciado para poder ser superado. "Se auscultarmos o estado actual da alma humana, logo se percebe que ela sofre e é triste no meio duma civilização indiferente" . Mas essa tristeza é susceptível de ser superada quer a nível nacional quer a nível internacional. Pascoaes aponta o êxito das conferências de Bergson em Paris, pensando na transformação espiritual que tais conferências produziriam. Mas há uma dor colectiva comunitária humana que pode ser considerada estrutural ou quase estrutural. É o caso da "dor russa que é um dos maiores impérios da dor humana" . E muito mais estrutural parece o que se refere ao "Génio Lusitano", se conotarmos a dor com a tristeza. "...Génio Lusitano, esse templo de tristeza erguido nos ermos, com a saudade lá dentro, a orar a um Deus menino” . Já não se trata daquela tristeza antes referida e lamentada, trata-se da tristeza integrada. Sempre que se diz que a humanidade sofre que as nações sofrem, trata-se do sofrimento de cada um dos seus componentes, de cada homem. Teixeira de Pascoaes teve o cuidado de o dizer para que não se pensasse que a colectividade sofre, que ela sente, como se o todo fosse uma super pessoa constituída por pessoas: "o homem de carne e osso é o único homem que verdadeiramente sofre sobre a terra conforme disse na sua extraordinária obra Miguel de Unamuno . É cada homem que sofre atingido no íntimo de si mesmo na sua individualidade e naquilo que define semelhantemente aos outros homens. Ora, o ser humano é definido por Pascoaes mais como um ser que sonha do que pela racionalidade . Definido assim, vemo-lo mais exposto à dor. Esta afirmação do sonho como constitutivo do homem tinha sido precedida por outra que não pode deixar de ser considerada de nuance pessimista. O homem é um ser que mente. Desilusão portanto com a definição clássica de animal racional . No decorrer no que foi escrevendo na revista A Águia, Teixeira de Pascoaes nunca se referiu à maneira de harmonizar as duas definições. De qualquer maneira, há nestas definições o desfasamento entre si e a realidade: negar conscientemente a realidade ou viver do que ainda não é realidade: nos dois casos está o sofrimento. Há outras modalidades de dor que naturalmente derivam de forma muito mediada daquelas raízes apontadas, e que se diriam dramáticas mas não trágicas. Toda a dor que derive de carências mas que podem ser preenchidas. Distingui-las assim não significa desprezo por elas mas simpatia e esperança. Embora não seja um poema expresso em A Águia poderá ser aqui citado. Trata-se da dor "que muda em prazer um bocado de pão... dor que um cobertor pode bem destruir. Dor de quem almoça e janta muito mal.” . Este predomínio da dor desta mensagem de Pascoaes que percorre A Águia significa antes de tudo um apelo à profundidade, numa recusa de uma visão puramente fenoménica. Dor a superar mas a apagar, é ter presente para além de ela própria sem nela se sumir como única
estesia ou como resignação que esqueça a tentativa de a superar agregando-a. É o elemento espiritual que não pode ser isolado. Como diz no comentário ao livro de Job, ela pode tornar-se na luta da criação espiritual contra o criador material , o Poema da dor torna-se transfiguração permitindo a acção do espírito que por seu lado teve a mesma origem do corpo. Estamos longe do que poderíamos chamar uma visão dolorista. Dor individual, dor colectiva que em ultima analise é individual inserem-se afinal no estatuto do homem que fazendo parte de um todo é uma excepção nos constituintes desse todo. Parecendo realidade acabada, a natureza é constituída por elementos inacabados que nunca chegam individualmente ao acabamento de si mesmos. Na natureza diz o pensador "Tudo é esboço”. Ora, o esboço-homem graças ao seu poder espiritual criador passa a existência a ver se consegue concluir, completar a sua pessoa .
Declarou Teixeira de Pascoaes em disputa com António Sérgio que apreciava mais afirmar do que raciocinar. Apesar disso sabemos que a meditação também lhe orientou o pensamento e que este embora surgido da reflexão sobre certos casos imediatamente ligados ao universal formam um todo dinâmico, um pensamento criativo e em borbotões onde é possível encontrar a coerência.
Ter-se-á notado nesta exposição aqui feita fez-se recurso a escritos em prosa e em poesia. É que estes não podem ser separados daqueles apesar da diferença de exposição.











