Exposição de Pintura 'Do oceano ao rio lusitano' de Elisabete da'silva.Patente até ao final da semana numa das lojas mais antigas e tradicionais do Porto - Papelaria Araújo e Sobrinho, Largo de S. Domingos, 50, 1.º andar (zona da Ribeira, atrás do Mercado Ferreira Borges)."Faço da cidade a minha casa e pinto as paredes com histórias por contar. Os meus pincéis escrevem o horizonte em cada janela aberta para um novo olhar"Susana Fonseca
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
terça-feira, 7 de julho de 2009
Exposição de Pintura
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Convite
Estendo-te as folhas para te cobriresde emoção.
Exposição 'Tonalidade Poética', pintora Elisabete da' Silva, no Campo de Golfe de Amarante, até 8 de Fevereiro
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
EXÍLIO
Para o Casimiro Ceivães

Cabeça, Guilherme de Santa-Rita, 1910
De O MEDO DE SATAN PELA NOITE
II
Desce a Noite pelos montes.
Escuto. Sinto-lhe os passos.
Vai beber Saudade às fontes
E anda co’a Morte nos braços.
As minhas mãos arrefecem,
E se as ponho sobre os lírios,
Meus dedos tornam-se círios
Como se os lírios morressem.
E quando num jardim passo,
Brinco co’as rosas e corro
Atrás das sombras que faço.
Sou no Silêncio um recorte.
E por saber que não morro
Eu tenho medo da Morte.
Pedro de Menezes
De VIA SACRA
III
TERCEIRA ESTAÇÃO
Sonham comigo tuas mãos esguias,
As tuas mãos esguias no regaço…
Minhas saudades são as pedrarias
Estrelas dos teus dedos no espaço.
Sonham comigo tuas mãos esguias
Num gesto de abandono e de cansaço,
E o mesmo gesto unge as horas frias
Que a Distância vem pôr no teu regaço.
Teus dedos longos são as naus partidas
Por noites sem luar e sem estrelas
A paragens remotas, esquecidas.
E tua alma fica sempre em vão
Olhando dos teus olhos nas janelas
O mar sem naus e apenas solidão.
Côrtes-Rodrigues
In revista Exílio, nº 1 (e único), Abril de 1916.
sábado, 30 de agosto de 2008
Fragmento (II)

Se Portugal é caminho e antevisão de Império, então a mais alta escolha dos portugueses é permitir à alma ser lugar da realização de Portugal, serviço nocturno do seu Rei Encoberto; mas, desses, nos que se saibam chamados pelo Rei à Gesta e ao Gesto, naqueles a quem não bastem a contemplação do labirinto ou os melancólicos cantos da derrota, o mais alto serviço é o que clandestinamente vise o cumprimento da Estratégia Imperial.
Mistério da Espada, que só é força bruta se não souber elevar-se a Nau.
Em tudo, deixa-te guiar pela Noite: ela sabe que as luzes são a última protecção da Treva. E a tua espada fará o Sol.
[fotografia: "Condestável", de Lima de Freitas]
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Fragmento

Essencial é entender a imensa diferença (a abissal diferença) entre buscar a resposta às questões suscitadas por Portugal – ou, como agora se diz, pela portugalidade – e buscar a Pergunta a que Portugal é a resposta.
Podia também falar da diferença que há entre a espada e a barca, ou da que há entre a Armadura e a Carne; chamar a atenção para a diferença entre o Nada de que tudo brota e o Nada em que tudo se engolfa. Mas antes quero que medites na inimizade que há entre a Noite e a Treva.
Em todas as coisas, mistério da Elevação. A todo o tempo, o Pórtico.
[fotografia: O Encoberto, de Lima de Freitas]
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
UMA TARDE NA LUSITÂNIA, II

Mulher da Água, Henrique Pousão, 1883
As paredes brancas das casas campestres, com as suas saias amarelo sol e os chapéus de telhas, terra e sangue são corpos habitados por criaturas alheias às leis do mundo.
Este espectáculo de verde, amarelo campestre, mãos velhas, fluxos e refluxos de auto-estradas, caminhos percorridos, sangue coagulado de sentir e calos transpirados em lágrimas, imprimem na minha pele a dialéctica do Homem de Barro, o desconforto de se ir sendo, na simplicidade das horas calejadas.
Ao fim do dia, quando o sol morre para o cálice da geada, gargalhadas infantis rebentam do ventre destas casas meninas, cujos olhos quadrangulares, dançam labaredas impermeáveis à humidade de histórias milenares, que vão sobrevivendo pelo quente, doce toque da palavra destilada.
Com um maternal sopro, que é um beijo ensolarado na intempestiva impertinência do breu, de nuvens que são mundos inimagináveis pelas imaginações de quem não sonha, vêm os sonhos com a agitada calmaria do campestre anoitecer.
Adormecem os meninos de galhos entrançados nos cabelos, mãos sujas de terra e terraços por preencher eternamente.
Do outro lado do trigo, a emergência urbana e política de acompanhamento supersónico, as vestes deliberadas de um desejo mórbido de conquista da liberdade multifacetada, da livre liberdade espontânea por trás da persona entusiástica, de um outro caminho para a pureza – num embalo futurista demasiado acelerado em comparação com a aceleração do último modelo cerebral lançado no mercado humano – ainda guarda em si as crianças das bicicletas pelas ruas afuniladas, dos prédios altos enfeitados de lençóis e peúgas.
Estas mesmas crianças correm já com o vento do Norte, num grito que é um explodir de incontáveis repressões, recalcadas no medo de séculos de calçada esmagada em passos apressados.
Amanhã poderão ser guerreiros intemporais, os das infâncias urbanas, prédios altos, juntar-se-ão aos meninos de galhos no cabelo e mãos sujas de terra, mútuos, irmãos, marionetas dançantes no mesmo compasso de vida e morte, vítimas do nojo humano, com o peito transbordante de amor pela terra de onde emergiram, pelos vales que embalaram as correrias utópicas das infâncias eternas, ou pela silenciosa paisagem citadina de estrelas artesanais, com um inquietante desejo de paz, que não cala no cano de uma espingarda, nem na trovoada de mil canhões, nem no horror de um quadro escarlate de corpos carbonizados, porque o que importa é conquistar o palpitante cântico das árvores, do vento, o cheiro da terra molhada, a interminável Lusitânia com os seus incontáveis cheiros e sabores – pórticos de Pedra e Sal –, o eléctrico que passa sempre à mesma hora, as eternas meninas a saltar à corda e os rapazes que lhes levantam as saias, entre o riso quente das gentes.
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
SAGRES
mural pintado no tecto do Museu Militar de Lisboa),
José Malhoa, 1907
As primeiras chuvas: uma proa
Que fica na maré – limos mortos, tábuas:
A solidão dos últimos pomos
Madurando ao sol. Nadas.
Do peso da luz. Os príncipes concordaram
Que a vida é insubstante – esta
História é mais antiga que o tempo.
Nada existe ainda; a não ser o terror.
A linha de água, as aves rasas,
Tudo espera ainda o dia
Dos Portugueses. O extremo ou o nada.
O tempo é breve como duas ondas,
Gemebundo entre as rochas, os faróis
Derruídos. Aqui perdura: proa.
Ainda que passe.
Sagres: umbigo do mundo. O barco
Contra a luz. O pescador tira as redes.
É um ermo em forma de cabo,
De breu e sal. A faina de uma pura
Lenda; uma faina de separar abismos.
O homem é maior que a vida. As
Primeiras cinzas do crepúsculo
Rasgam a fraga agónica.
São os mortos que regressam.
Lord of Erewhon
segunda-feira, 23 de junho de 2008
O PIRATA
Longe, onde o rio encontra o mar,
Sentei-me hoje, sob o sol poente,
Com um sorriso infantil e crente,
A ouvir lendas de um lobo do mar.
Mais do que os quadros emocionantes
Que com as suas palavras descrevia,
Eram outras, mil histórias que eu ouvia
Nas suas rugas e nos olhos cintilantes...
Agora está velho. Os barcos partem sem ele.
Mas mantém dignamente o ar altivo e forte,
Duma proa a desafiar as águas, a sorte.
E quando, alto, as vagas se fizeram ouvir,
Foi entre soluços que conseguiu falar:
«Ouves o mar? Está a chamar-me...»



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