Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.
- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.
- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.
- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.
- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.
- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"
- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.
- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.
- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.
- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.
- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).
- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).
- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).
- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.
- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).
- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.
Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24
As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.
Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).
Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!
Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.
A Direcção da NOVA ÁGUIA
Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.
NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274
Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:
https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
segunda-feira, 9 de outubro de 2017
quinta-feira, 20 de março de 2014
terça-feira, 25 de agosto de 2009
sábado, 16 de maio de 2009
Catedral II - Rosa
Muitos dela não se apercebem já, nem têm a vantagem de o construírem agora no seu íntimo, com pilares e estátuas, maior!
Cada insensível rotação do mundo tem destes deserdados a quem não pertence nem o que foi, nem o que há-de seguir-se. Pois o que há-de seguir-se é longínquo para os homens. A nós isto não nos deve perturbar; antes nos dê a força de guardar a forma ainda reconhecível. Isto que outrora estava entre os homens, no seio do destino, desse destruidor, estava no não-saber-para-onde-ir, como ser sendo, e vergava para si as estrelas de céus firmes. Ó Anjo, a ti o mostro ainda, ali! no teu olhar, fique por fim a salvo, finalmente erguido, agora. Colunas, pilones, a Esfinge, esse erguer-se em anelo, na soturna cor de cidades em estertor ou de estranhas cidades, da catedral.
Estas coisas que vivem do declínio compreendem que tu as louves; efémeras, confiam-se-nos como coisas salvando-se, a nós os mais efémeros. Querem que as transformemos por completo no coração invisível, em - oh, infinitamente - em nós! Sejamos nós quem formos, afinal.
Terra, não é isto o que tu queres: surgir invisível em nós? Não é o teu sonho seres um dia invisível?
Se a transformação não é a tua missão imperiosa, então qual será?
Terra, ó minha querida, eu quero. Oh, acredita, não seriam mais necessárias as tuas Primaveras para me conquistar para ti -, só uma, ai! uma única e já demasiada para o sangue.
Inominadamente, por ti me decidi, já de longe.
Sempre tinhas razão e a tua sacra ideia é a discreta morte.»
Rilke, O Livro das Horas, As Elegias de Duíno
Lima de Freitas, O Milagre das Rosas«Rosa, ó contradição pura, volúpia
de ser o sono de ninguém sob tantas pálpebras.»
Rilke, Poemas - 1926
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Lima de Freitas: "Portugal como reino independente é filho espiritual de S. Bernardo, confundindo-se a primeira parte da nossa História com a da Ordem

A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como o prova a obra do Padre António Vieira na "História do Futuro".
Lima de Freitas; "Porto do Graal"; Ésquilo
Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um "reino templário", um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do "Quinto Império" que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é essa a nossa convicção, assim como um dos temas do MIL: Movimento Internacional Lusófono: Um novo tipo de organização social e política universalista, fraterna e verdadeira humana.
sábado, 27 de dezembro de 2008
Lima de Freitas: "somos mais civilizados do que os outros povos na medida em que respeitamos o estrangeiro, o outro, abrimos-lhe os braços...

Donde, Portugal não tem razão para se envergonhar perante as restantes nações da Europa. Pelo contrário, temos muito para ensinar-lhes, para dar-lhes.
Isso é um pouco o Império do Espírito Santo."
"Porto do Graal", Lima de Freitas, Ésquilo.
Esta especial característica da portugalidade, presente também nas matrizes culturais de outras nações lusófonas é aquela generosidade que nos marca e que torna os portugueses especialmente solidários e da qual a grandeza da mobilização por Timor foi especial exemplo. Esta hospitalidade a que alude Lima de Freitas, que por vezes pode ser injustamente confundida com subserviência é, afinal, marca da diferença de temperamento e de mentalidade entre o português e o germânico. Se o último prioritiza critérios de eficiência e de geometria, o português prefere a convivialidade, a confraria e a humanidade. É a fraternidade humana e a universalidade que marcam toda a História de Portugal e que esteve por detrás do impulso do movimento dos Descobrimentos e Expansão. Neste contexto, a sanha canina da Inquisição e os desvios da Escravatura correspondem a uma doença mental de que sofreu a portugalidade e que resultou da infeção pelos princípios mercantilistas e desumanos importados a partir do norte da Europa.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
O destino de Portugal e a visão profética de Joaquim de Flora

- (Joaquim de Flora)
Joaquim de Flora (1135-1202) dividiu em três partes a História do Homem, decalcando-as das três pessoas divinas: Idade do Pai, Idade do Filho e Idade do Espírito Santo. Foi precisamente a convicção do abade cisterciense de que a última Idade ainda não tinha chegado que o tornou herético aos olhos da Igreja. Esta acreditava que após a vinda do tempo da "Lei", que se interpretava como sendo a Idade do Pai, a Idade do Filho, a época da presença de Cristo entre os Homens e a Era atual, o "tempo da Graça" regido pela Santa Igreja. Flora previa que o ano de 1260 fosse o ano do fim da Idade do Filho, começando a Idade do Espírito Santo imediatamente a seguir.
A inspiração do abade provinha diretamente do Antigo Testamento, nomeadamente de Isaías e na leitura que Daniel fez do sonho do rei Nabucodonossor, sobre a visão da estátua, composta por quatro metais diferentes, em níveis diferentes e representando cada um deles um diferente império mundial. A estátua seria destruída pela "pedra", entendida aqui com um... "Quinto Império", origem primeira do termo, aliás. Seria este o império que "nunca seria destruído e cuja soberania jamais passará para outro povo, pois submeterá e aniquilará todos os outros, e subsistirá eternamente" (Daniel, II, 44).
A leitura literal da profecia é anacrónica, pelo que a devemos colocar em contexto, naturalmente. Ou seja, se Daniel as encarava como sendo uma antecipação na vitória de Israel sobre os Estados vizinhos, e se depois Flora a interpretou como uma consagração da vitória do Cristianismo sobre os não-crentes. Depois dele, António Vieira buscaria aqui talvez inspiração para os seus impulsos milenaristas e, certamente - porque o claramente disse e escreveu várias vezes - também Agostinho da Silva encontraria em Flora o fundamento para o movimento religioso, social e até político que surgiu em Portugal no reinado de Dom Dinis, cruzando influências joaquimitas, com o legado trazido de Aragão pela rainha Isabel com um fundo local de fraternidade e humanidade que estava ainda muito vivo no interior português e que em última instância era até mais antigo em Portugal que o próprio Cristianismo.
A segunda parte, que começa com D. Dinis, é a História do mito do Quinto Império, enquanto a História dos Descobrimentos é, em boa medida, a história da Demanda do Preste João; nos tempos recentes, a História da nossa Restauração é a História do reavivar do mito sebástico e do mito do Quinto Império, como a prova a obra do Padre António Vieira na "História do Futuro".
Portugal confundir-se-ia assim com os propósitos que levaram Bernardo de Claraval a criar a Ordem do Templo. E assim, os destinos, caminhos e objetivos de Portugal e da Ordem do Templo confundir-se-iam. Portugal seria uma criação para a Ordem do Templo, um "reino templário", um conceito bem compatível com a defesa insistente feita em Portugal contra o mandato papal que exigia a extinção da Ordem. O projeto templário confundia-se com o projeto português e o grande motor da portugalidade que foi o processo dos Descobrimentos e da Expansão portuguesa. O mito do "Quinto Império" que hoje ainda sobrevive com tanta energia na cultura lusófona é uma persistência desse perdido projeto templário, que se tentou concretizar em Portugal e na sua Expansão e que ainda verá a luz do dia, é nossa convicção e crença firmes.
Fonte:
Lima de Freitas; "Porto do Graal"; Ésquilo
Lima de Freitas: os dois mitemas fundamentais à Cultura portuguesa e lusófona em geral

O mestre Lima de Freitas identifica no "Porto do Graal" os dois mitemas essenciais que impulsionaram o processo dos Descobrimentos portugueses no século XIV e XVI:
1. Demanda do Preste João, que incorpora a Demanda do Graal, da procura pelo Paraíso terreal, enfim, da procura do "centro do mundo" evoliano que reponha o Homem em comunicação com o Divino.
2. O mitema da unificação do mundo, sob a forma do estabelecimento físico e mental do "reino do Espirito Santo" ou "Quinto Império", enfim, todos os temas oriundos do mesmo fundo milenarista de raiz judaica de onde brotou a vinda do Paracleto, o retorno de Dom Sebastião, assim como a "Ilha dos Amores" de Camões e a espera pela "nova Terra e novos céus" dos profetas do Antigo Testamento.
Compreender esta dualidade, é compreender o essencial da missão portuguesa no mundo. É esta dualidade que esta na base de toda a criação literária, mental, erudita e popular verdadeiramente "portuguesa" e isenta de estrangeirismos. É a busca pelo Graal que forma a base da fundação da Nacionalidade, exposta pela importância que esse mitema tinha no sistema mental templário. Após esta fundação, o movimento para o retorno a um mundo perdido, mais justo e humano é retomado em força, a partir de Dom Dinis, com a generalização do culto do Espírito Santo. O Graal era o motor da busca, o Reino o local.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
COLÓQUIO INTERNACIONAL Lima de Freitas - A Emergência do Imaginal
17h00 – Recepção dos oradores na Quinta da Regaleira
17h30 – Visita guiada à exposição antológica sobre Lima de Freitas
19h30 – Jantar de confraternização
21h30 – Regresso ao hotel
25 DE OUTUBRO (SÁBADO)
09h30 – Inscrições / recepção de participantes
10h00 - Abertura Oficial
10h15 – 1ª Sessão.
Remi Boyer : L F, Traditions et Avant- Gardes
Celina Silva : Leituras de Almada por L F
11h15 – Coffee-break
11h30 - 2ª Sessão.
José Tiago de Oliveira: A Palavra Perdida em L F
Roxana Eminescu: O NúmeRO do Pai; Hipótese
Psicanalítica do Mestre
12h30 – Debate
13h00 – Almoço
15h00 – 3ª Sessão.
Linda Bringel: O Labirinto
Fernando A. Baptista Pereira: Os heterónimos em
Lima de Freitas, Pintura , Literatura, Ilustração.
16h00 – Intervalo
16h30 – 4ª Sessão
Lígia Rocha : Imagens, Mitos e Símbolos
Preponderantes na Obra de Lima de Freitas
Jacqueline Kelen : La Femme en ses voiles et
apparitions.
17h30 – Debate
18h00 – Encerramento
26 DE OUTUBRO (DOMINGO)
10H00 – 1ª Sessão.
Rita Maia e Moura: O pensador da imagem:
A ilustração na obra de Lima de Freitas.
11h00 – Coffee-break
11h30 - 2ª Sessão.
António Morgado Ribeiro: O 515 e a Cultura
Portuguesa
Maria Luísa Martins da Cunha: O lugar do
Espelho.
12h30 – Debate
13h00 – Almoço
15h00 – 3ª Sessão.
Paulo Borges - Até ao fim do mundo ou da Saudade como potência de Ressurreição. O mitema de Pedro e Inês em Lima de Freitas
António Coelho Teixeira:A Amêndoa Mística
ou Mandorla – uma Mandala Segundo L F
António Araújo de Brito: O Traçado Imaginal
do Escudo Português: Diálogos com o Mestre.
16h00 – Intervalo
16h30 – 4ª Sessão
Víctor Rodrigues: Uma Abordagem
Transpessoal das Paisagens Visionárias
André Coyné: L. F. et le 515 de Dante
Michel Maffesoli: Tema a anunciar
17h30 – Debate
18h00 – Encerramento
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
terça-feira, 14 de outubro de 2008
LIMA DE FREITAS - A EMERGÊNCIA DO IMAGINAL
EXPOSIÇÃO ANTOLÓGICA
4 DE OUTUBRO (sábado)
16h00 – Recepção dos convidados
16h30 – Abertura oficial
16h45 – Visita guiada à exposição - Doutor Fernando António Baptista Pereira
17h30 – Comunicação do Professor Basarab Nicolescu, presidente do CIRET:
Lima de Freitas et le Grand Jeu de la Transdisciplinarité
18h15 – Cocktail
19h30 – Encerramento
CICLO DE DEBATES
11 DE OUTUBRO (sábado)
15h00 – Abertura do Ciclo
15h15 - Visionamento de vídeo - entrevista com o Professor Gilbert Durand
16h00 – 1ª Sessão: Jorge Listopad
Manuel Gandra
17h00 – Coffee break
17h20 – 2ª Sessão: Felippa Lobato
Carlos Barahona Possolo
Brian Franklin Head
18h30 – Debate
19h00 – Encerramento
18 DE OUTUBRO (sábado)
15h00 – 1ª Sessão: José Hartvig de Freitas
António Braz Teixeira
Mª Luísa Possolo
16h15 – Coffee break
16h45 – 2ª Sessão: Maria João Fernandes
Paulo Loução
18h00 - Debate
18h30 – Encerramento
12 E 19 DE OUTUBRO (domingo)
11h00/13h00: Visitas aos painéis de azulejo da Estação do Rossio
COLÓQUIO INTERNACIONAL
Lima de Feitas – A Emergência do Imaginal
24 DE OUTUBRO (6ª FEIRA)
17h00 – Recepção dos oradores na Quinta da Regaleira
17h30 – Visita guiada à exposição antológica sobre Lima de Freitas
19h30 – Jantar de confraternização
21h30 – Regresso ao hotel
25 DE OUTUBRO (SÁBADO)
09h30 – Inscrições / recepção de participantes
10h00 - Abertura Oficial
10h15 – 1ª Sessão. Remi Boyer : L F, Traditions et Avant- Gardes
Celina Silva : Leituras de Almada por L F
11h15 – Coffee-break
11h30 - 2ª Sessão. José Tiago de Oliveira: A Palavra Perdida em L F
Roxana Eminescu: O NúmeRO do Pai; Hipótese
Psicanalítica do Mestre12h30 – Debate
13h00 – Almoço
15h00 – 3ª Sessão. Linda Bringel: O Labirinto
Fernando A. Baptista Pereira: Os heterónimos em
Lima de Freitas, Pintura ,Literatura, Ilustração.
16h00 – Intervalo
16h30 – 4ª Sessão Lígia Rocha : Imagens, Mitos e Símbolos
Preponderantes na Obra de Lima de Freitas
Jacqueline Kelen : La Femme en ses voiles et
apparitions.
17h30 – Debate
.
18h00 – Encerramento
26 DE OUTUBRO (DOMINGO)
10H00 – 1ª Sessão. Rita Maia e Moura: O pensador da imagem:
A ilustração na obra de Lima de Freitas.
Paulo Borges: Até ao fim do mundo ou da
Saudade como potência de ressurreição: O
mitema de Pedro e Inês em Lima de Freitas
11h00 – Coffee-break
11h30 - 2ª Sessão. António Morgado Ribeiro: O 515 e a Cultura
Portuguesa
Maria Luísa Martins da Cunha: O lugar do
Espelho.
12h30 – Debate
13h00 – Almoço
15h00 – 3ª Sessão. António Coelho Teixeira:A Amêndoa Mística
ou Mandorla – uma Mandala Segundo L F
António Araújo de Brito: O Traçado Imaginal
do Escudo Português: Diálogos com o Mestre.
16h00 – Intervalo
16h30 – 4ª Sessão Víctor Rodrigues: Uma Abordagem
Transpessoal das Paisagens Visionárias
André Coyné: L. F. et le 515 de Dante
Michel Maffesoli: Tema a anunciar
17h30 – Debate
18h00 – Encerramento
19h30 – Jantar de encerramento do Colóquio
sábado, 30 de agosto de 2008
Fragmento (II)

Se Portugal é caminho e antevisão de Império, então a mais alta escolha dos portugueses é permitir à alma ser lugar da realização de Portugal, serviço nocturno do seu Rei Encoberto; mas, desses, nos que se saibam chamados pelo Rei à Gesta e ao Gesto, naqueles a quem não bastem a contemplação do labirinto ou os melancólicos cantos da derrota, o mais alto serviço é o que clandestinamente vise o cumprimento da Estratégia Imperial.
Mistério da Espada, que só é força bruta se não souber elevar-se a Nau.
Em tudo, deixa-te guiar pela Noite: ela sabe que as luzes são a última protecção da Treva. E a tua espada fará o Sol.
[fotografia: "Condestável", de Lima de Freitas]
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Fragmento

Essencial é entender a imensa diferença (a abissal diferença) entre buscar a resposta às questões suscitadas por Portugal – ou, como agora se diz, pela portugalidade – e buscar a Pergunta a que Portugal é a resposta.
Podia também falar da diferença que há entre a espada e a barca, ou da que há entre a Armadura e a Carne; chamar a atenção para a diferença entre o Nada de que tudo brota e o Nada em que tudo se engolfa. Mas antes quero que medites na inimizade que há entre a Noite e a Treva.
Em todas as coisas, mistério da Elevação. A todo o tempo, o Pórtico.
[fotografia: O Encoberto, de Lima de Freitas]



