"a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português. Em tempos de globalização, esta qualidade – a de evidenciar o pensamento nacional – deve ser exaltada"
A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso Manifesto.
Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:
- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.
- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.
- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.
- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.
- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.
- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.
- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).
- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.
- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?
- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra - Razão e Espiritualidade: nos 100 anos de "O Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico)".
Para o 10º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.
Morada: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais,
Apartado 21, 2711-953 Sintra, Portugal.
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
EDITORIAL
Em muitos casos mais referida do que propriamente lida, a obra de Álvaro Ribeiro tornou-se numa espécie de bandeira do que em geral se designa por “Filosofia Portuguesa” – quer para os que a defendem, quer, contrapolarmente, para aqueles que contestam, ainda hoje, a sua existência. Desde logo por isso, o próprio Álvaro Ribeiro acabou por se tornar no autor mais emblemático da dita “Filosofia Portuguesa”.
Por essa mesma razão, a sua figura ainda hoje desperta reacções assaz apaixonadas, num e noutro sentido, o que, se por um lado, lhe tem preservado, trinta anos após a sua morte, uma apreciável notoriedade, por outro, tem impedido, pelo menos nalguns casos, por evidente preconceito, um estudo mais aprofundado da sua obra. Neste número, procurámos colmatar essa falha, convocando os maiores especialistas na obra de Álvaro Ribeiro, dando, ao mesmo tempo, voz àqueles que ainda hoje contestam a existência de “filosofias nacionais”.
Isto apesar de, com este número, não termos querido ressuscitar qualquer polémica em torno da existência de “filosofias nacionais” – polémica que, a nosso ver, está por inteiro ultrapassada, pelo menos nos termos em que emergiu, após a publicação, em 1943, da obra O Problema da Filosofia Portuguesa. Álvaro Ribeiro continua a ser para nós um autor actual pela simples mas suficiente razão de que todo o pensamento filosófico é sempre já – e nunca deixa de o ser, por mais inconsciente que esteja disso – um pensamento radicado, situado: numa Língua, numa História, numa Cultura…
*
Uma vez mais, a NOVA ÁGUIA prova, pois, a sua abertura. Fundando-se numa determinada Visão de Portugal e do Mundo, devidamente expressa no nosso Manifesto, publicado no primeiro número da Revista, a NOVA ÁGUIA nunca foi nem nunca será um “órgão de propaganda”, mas, ao invés, um “órgão plural”, que, dando destaque a algumas figuras – àquelas que, como é óbvio, a nosso ver o merecem –, o faz, porém, de forma crítica, convocando não apenas os hermeneutas que, à partida, lhes são mais próximos, como, igualmente, alguns dos que lhes são mais distantes.
Como sempre, também este número da NOVA ÁGUIA não se debruça apenas sobre um autor. Assim, para além de Álvaro Ribeiro, neste número evocamos ainda José Marinho – autor que, a par de Álvaro Ribeiro, mais chamou a atenção, entre nós, para a importância que a Filosofia deve reconhecer à Língua, à História e à Cultura (daí o seu conceito de “filosofia situada”) –, Álvaro Cunqueiro – no centenário do seu nascimento –, Joaquim Nabuco – no centenário da sua morte – e Domingos Gonçalves de Magalhães – no bicentenário do seu nascimento. Para além disso, temos ainda textos sobre Fernando Pessoa, bem como sobre os 15 anos da CPLP, data que assinalámos no sétimo número da NOVA ÁGUIA.
Como tem acontecido desde o primeiro número, a Revista termina com a referência aos locais onde tem sido apresentada – numa série, iniciada a 19 de Maio de 2008 na Fundação José Rodrigues, que excede já as duas centenas e meia de sessões, em todo o espaço lusófono –, bem como à Colecção de Livros “Nova Águia”, que já vai em mais de duas dezenas e meia de títulos. Na contra-capa, como igualmente tem sido regra, antecipamos o tema do próximo número: “Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?”. Prova, bem cabal, do nosso optimismo: não só acreditamos que Portugal ainda hoje existe, como existirá daqui a 100 anos…
ÍNDICE
NOS 30 ANOS DA MORTE DE ÁLVARO RIBEIRO
Álvaro Ribeiro, CARTA A ANTÓNIO QUADROS…8
Azinhal Abelho, Orlando Vitorino, António Quadros, António Cândido Franco, Pinharanda Gomes, Miguel Real, António Braz Teixeira, António Telmo, André Veríssimo e José Augusto Seabra, ÁLVARO RIBEIRO EM 10 INSTANTÂNEOS…9
António Cândido Franco, ÁLVARO RIBEIRO NUM RELANCE DE LUZ…13
António Carlos Carvalho, EXILADO DO MUNDO…14
Artur Manso, O QUE É A ESCOLA FORMAL…15
Carlos Aurélio, UMA FILOSOFIA DO MODO…25
Cynthia Taveira, A ACTIVIDADE DE DEUS…32
Elísio Gala, ÁLVARO RIBEIRO E A FILOSOFIA POLÍTICA…35
Filipe Delfim Santos, UM COLÓQUIO AGORA MAIS ÚTIL & CARTA INÉDITA DE ÁLVARO RIBEIRO À VIÚVA DE DELFIM SANTOS…39
Joaquim Domingues, ERUDIÇÃO FILOSÓFICA…45
José da Costa Macedo, FILOSOFIA E SITUAÇÃO…49
Manuel Ferreira Patrício, A LÍNGUA PORTUGUESA E O DESTINO DE PORTUGAL…58
Maria Leonor L.O. Xavier, A QUESTÃO DA UNIVERSALIDADE DA FILOSOFIA…60
Maria Luísa de Castro Soares, CONCEITO E CONTROVÉRSIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA: O APOSTOLADO DE ÁLVARO RIBEIRO…66
Paulo Jorge Brito e Abreu, FILOSOFIA PORTUGUESA EM ÁLVARO RIBEIRO…71
Pedro Martins, PÁTRIA, HISTÓRIA E EPOPEIA: ÁLVARO RIBEIRO, JAIME CORTESÃO E A RENASCENÇA PORTUGUESA…75
Pedro Sinde, ÁLVARO RIBEIRO, FILOSOFIA OPERATIVA E ORAÇÃO MENTAL…88
Rodrigo Sobral Cunha, A RAZÃO RÍTMICA (NO PENSAMENTO DE ÁLVARO RIBEIRO)…97
Pinharanda Gomes, ÁLVARO RIBEIRO (1905-1981): A FILOSOFIA COMO ARTE & ADITAMENTO BIBLIOGRÁFICO…105
SOBRE JOSÉ MARINHO: NOS 50 ANOS DA TEORIA DO SER E DA VERDADE
Renato Epifânio, JOSÉ MARINHO, UM FILÓSOFO METAFÍSICO E, POR ISSO, SITUADO…116
Pinharanda Gomes, A TERTÚLIA DE ÁLVARO RIBEIRO E DE JOSÉ MARINHO…117
Manuela Brito Martins, A FILOSOFIA DA HISTÓRIA EM OLIVEIRA MARTINS A PARTIR DE UMA LEITURA DE JOSÉ MARINHO…126
SOBRE ÁLVARO CUNQUEIRO, JOAQUIM NABUCO E DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES
Maria Seoane Dovigo, ÁLVARO CUNQUEIRO, CEM ANOS DEPOIS…132
João Bigotte Chorão, JOAQUIM NABUCO: UM BRASILEIRO EUROPEU…134
António Braz Teixeira, NOS DUZENTOS ANOS DE DOMINGOS GONÇALVES DE MAGALHÃES…140
AINDA SOBRE FERNANDO PESSOA
Giancarlo de Aguiar, TRANSPERSONAS NA ESFINGE DE FERNANDO PESSOA…144
Ruben David Azevedo, PESSOA: UMA SINGULAR PLURALIDADE…151
Samuel Dimas, FERNANDO PESSOA E A ESTÉTICA DA RENASCENÇA PORTUGUESA: D’A ÁGUIA À ORPHEU…152
António Cândido Franco, FERNANDO PESSOA SOB O SIGNO DA PÁTRIA DA LÍNGUA…155
Maria Clara Tavares, PASCOAES E PESSOA…159
Luís Tavares, PESSOA: A ESCRITA E A TERRA DE NINGUÉM…161
Kazufumi Watanabe, PESSOA NO JAPÃO…163
AINDA NOS 15 ANOS DA CPLP: TRAJECTOS LUSÓFONOS
Adriano Moreira, AS CULTURAS DOS POVOS DO MEDITERRÂNEO…166
António José Borges, RUMAR PORTUGAL, CONSIDERAR A EUROPA, PENSAR A LUSOFONIA…169
Delmar Maia Gonçalves, DEAMBULAÇÕES LITERÁRIAS…178
Dirk Hennrich, PORTUGAL, A EUROPA E AS MARGENS DA FILOSOFIA (COM CARTA DE JOAQUIM DOMINGUES)…181
João Pereira de Matos, 17 GEDANKENEXPERIMENTE…187
Joaquim Miguel Patrício, PRESENTE E FUTURO DA LÍNGUA PORTUGUESA NUM QUADRO ESTRATÉGICO GLOBAL…189
Lúcia Helena Alves de Sá, A FILOGONIA DO PENSAMENTO DA CULTURA DE LÍNGUA PORTUGUESA…199
Miguel Real, O FUTURO DA LUSOFONIA…200
Nelson Goulart, LÍNGUA MÃE LÍNGUA FILHA…203
Nuno Sotto Mayor Ferrão, A DINÂMICA HISTÓRICA DO CONCEITO DE LUSOFONIA (1653-2011)…204
Rui Martins, VIAGEM À GUINÉ-BISSAU…209
Sam Cyrous, DO CORAÇÃO DA COOPERAÇÃO À AVALIAÇÃO DA AÇÃO: CPLP ONTEM, HOJE E AMANHÃ…219
Simion Doru Cristea, A ENERGUEIA DAS LÍNGUAS AFRICANAS…221
Ximenes Belo, DISCURSO DA ACADEMIA…226
RUBRICAS
ENTRECAMPOS, de J. Pinharanda Gomes…230
AS IDEIAS PORTUGUESAS DE GEORGE TILL, de Jorge Telles de Menezes…233
DO ESPÍRITO DOS LUGARES, de Manuel J. Gandra…234
LITERATURA ORAL E TRADICIONAL, de Ana Paula Guimarães…239
BIBLIÁGUIO
DIÁLOGOS DE AMOR, DE LEÃO HEBREU, por Celeste Natário…244
MEMORIAL DO CONVENTO, DE JOSÉ SARAMAGO, por Gabriela Lança…245
LEVANTE, 1487 – A VÃ GLÓRIA DE JOÃO ÁLVARES, DE JOSÉ MARIA PIMENTEL…248
ÚLTIMAS OBRAS DA COLECÇÃO NOVA ÁGUIA, por Renato Epifânio…249
EXTRAVOO
António José de Brito, APONTAMENTO QUÁSI SUPERFICIAL SOBRE ÉTICA…252
António Monteiro, ARISTIPO DE CIRENE: UM FILÓSOFO NAS MARGENS DA HISTÓRIA…254
POEMÁGUIO
Eduardo Aroso, ÁLVARO RIBEIRO; UM VELHO PROFETA…7
António José Queiroz, VIAGEM…131
Teresa Dugos, CÁLICE; DA TERRA; MAUSOLÉU…142
Manuel Neto dos Santos, DA PANACEIA…165
Maurícia Teles da Silva, SETE PREMISSAS PARA A LIBERDADE…242
António José Borges, RESILIÊNCIA…242
Maria Luísa Francisco, FOSSE O DIA JÁ NOITE…243
Fernando Esteves Pinto, IDENTIDADE E CONFLITO…250
MAPIÁGUIO…259
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…260
ASSINATURAS…261
NOVA ÁGUIA 8: LANÇAMENTOS
12.10.11 - 18h30: Faculdade de Letras da Universidade do Porto
15.10.11 - 16h00: Sociedade da Língua Portuguesa (Lisboa)
15.10.11 - 18h00: Casa Bocage (Setúbal)
21.10.11 - 18h00: Centro Cultural Luso Moçambicano
29.10.11 - 15h00: Biblioteca Municipal de Sesimbra
04.11.11 - 21h30: Espaço Poesis (Porto)
05.11.11 - 17h00: Biblioteca Albano Sardoeira (Amarante)
12.11.11 - 19h00: Auditório da Escola Básica Integrada de Montargil
23.11.11 - 18h30: Livraria FNAC Vasco da Gama (Lisboa)
03.11.11 - 15h00: Casa do Fauno (Sintra)
06.12.11 - 16h00: Palácio da Independência (Lisboa)
09.12.11 - 17h00: Faculdade de Filosofia (Braga)
15.12.11 - 21h30: Art Gallery / Café dos Artistas (Lisboa)
15.01.12 - 16h00: Castelo de Leiria (Sede da ACRENARMO)
27.01.12 - 21h30: Biblioteca Municipal da Lagoa
Em breve, anunciaremos o primeiro lançamento da NOVA ÁGUIA 9
Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.
MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Almada, Amadora, Amarante, Arraiolos, Aveiro, Bairro Português de Malaca, Barcelos, Batalha, Belo Horizonte, Bissau, Braga, Bragança, Brasília, Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Carnide, Campinas, Cascais, Castro Marim, Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Fortaleza, João Pessoa, Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loures, Luanda, Mem Martins, Messines, Mindelo, Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque, Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense, Ovar, Pangim (Goa), Pisa, Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife, Redondo, Régua, Rio de Janeiro, Sacavém, Santiago de Compostela, São João da Madeira, São João d’El Rei, São Paulo, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.
Público
E em muitas dezenas de blogues...
FAÇA PARTE DESTE PROJECTO. ASSINE A NOVA ÁGUIA: http://www.zefiro.pt/novaaguia.
À venda nas melhores livrarias do país.
E ainda no Brasil: Espaço Cultural É-Realizações, Rua França Pinto, 498 - Vila Mariana - São Paulo; Livraria Hildebrando (Universidade de Brasília); Via Livros (contacto - Alexandre Santos: alexandresantos@br.inter.net).
E ainda na Galiza: Livraria Couceiro (Praça de Cervantes, 6, Santiago de Compostela/ Enrique Dequit, 12, Corunha; Livraria Torga (Ourense, Rua da Paz, 12); Livraria Andel (Vigo, Rua Pintor Lugrís, 10). E ainda em Cabo Verde: Livraria Semente (Mindelo).
O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"
Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2010
Um Hino do Natal Universal
Um Hino do Natal Universal
José J. Peralta
Adeste Fideles é um dos hinos de Natal mais cantados, nos grandes templos cristãos e católicos do mundo inteiro.
Até um passado recente, desde o século XVII, este hino era conhecido, na Inglaterra e nos Estados Unidos, como “Hino Português” “The Portuguese Hymn”.
Adeste Fideles era um dos hinos favoritos, regularmente cantados no Natal da Capela da Embaixada Portuguesa, em Londres, nos séculos XVII e XVIII, no tempo da intolerante repressão protestante.
Os livros, são quase unânimes em registrar o Adeste Fideles como Hino Português.
A autoria é atribuída, por alguns, ao Rei Português D. João IV, o rei músico, cuja Capela do Palácio Ducal de Vila Viçosa era um grande e célebre reduto de arte musical, no século XVII.
Entre as composições muito conhecidas de D. João IV contam-se a “Crux Fidelis”, que pode ser conferida no
http://www.youtube.com/watch?v=7XZ3DLz8zEY
A Embaixada Portuguesa, em Londres, também ficou célebre “pela excelência das músicas usadas nas cerimônias litúrgicas”
O Adeste Fideles tornou-se popular também nas Igrejas Anglicanas, onde se tornou conhecido também como “The Portuguese Hymn”, apontando a sua origem.
A autoria da melodia, jamais será conhecida com certeza. Mas não há dúvida de sua origem portuguesa.
De modo geral, até recentemente, era registrado como canto popular português.
Esta é, certamente, a única maneira correta de registrar a origem de tão bela quão célebre melodia e letra.
Por questões políticas e hegemônicas, hoje muitos registram Adeste Fideles, como sendo de autoria anônima, simplesmente, tentando desviar a atenção da autoria portuguesa, até porque não há outra alternativa possível. Anônima, sim, mas não apátrida.
O ritmo de Adeste Fideles é claramente de origem portuguesa.
Pela delicadeza e leveza da melodia, assemelha-se ao ritmo popular da ciranda, além de outras modalidades populares de Portugal, hoje tradicionais, em todos os Povos Lusófonos.
Concluindo, podemos dizer que, com tão leve e sugestiva melodia, Portugal ofereceu ao mundo o Hino Universal do Natal.
É um belo troféu de que os portugueses, podem se honrar, e é um estímulo para a sua reconhecida criatividade para aprenderem que seus patrícios são capazes de produzir grandes e belas obras, ainda em nossos dias.
O Adeste Fideles canta um Natal compartilhado e Universal. É um convite a todos (Vinde, correi) para a confraternização Universal do Natal, sem discriminação de raça, credo ou posição social. Tal como ocorre no bodo do Divino, nos Açores.
Adeste Fideles canta os genuínos valores do Natal cristão, com toda a simplicidade, como convém à mais bela celebração da cristandade, talvez da humanidade, para quem sabe sentir a força que dela irradia. Canta a simplicidade, a confraternização popular, a alegria compartilhada, o sentido imanente do Divino, a superação dos antagonismos de classes sociais, aqui solidárias.
O Espírito do Natal perpassa a vida social, no Adeste Fideles. O destaque dado hoje à Celebração do Natal foi sendo imposto pela tradição popular, que aos poucos se impôs à hierarquia. O Natal foi conquista popular. Nasceu do povo. Daí o ritmo do canto popular de roda, de ciranda, simples, alegre e movimentado que caracteriza o Adeste Fideles. Por isto pode ser acompanhado por instrumentos simples. O Adeste Fidelis dá realce ao espírito do Natal, integrando-se na Comunidade.
ADESTE FIDELES
Canto Popular Português
Adeste Fideles, laeti triunphantes.
Venite, venite in Bethlehem.
Natum Videte, Regem Angelorum
Venite, adoremus; venite adoremus.
Venite, adoremus Dominum.
ADESTE FIDELES
[Correi ó Fiéis]
Correi, ó fiéis, correi,
Ágeis, Exultantes!
Oh! Vinde, vamos até Belém.
Vede o Menino, em palhas deitado.
Oh! Vinde ,adoremos! Oh! Vinde, adoremos!
Oh! Vinde, adoremos o Senhor!
(Tradução: JPeralta)
Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
Sexta-feira, 24 de Dezembro de 2010
Quinta-feira, 23 de Dezembro de 2010
Domingo, 19 de Dezembro de 2010
Texto que nos chegou...
CAMINHOS PARA A ESPERANÇA
Armando Carlos Alves
O sopro cada vez mais forte dos ventos da mudança cultural e civilizacional em curso induz esforço para preservar o eixo, mantendo a roda a girar em torno de valores duradouros. A sociedade portuguesa está pressionada por graves crises internas e internacionais, “Portugal necessita de um grande desafio colectivo”, tornando-se urgente repensar identidade, individualidade e cultura.
Desde muito longe no tempo, o homem tende para atribuir origem mágica ou religiosa aos fenómenos que não consegue entender e explicar racionalmente. Daqui terá aberto caminho a convicção sobre a existência do espírito para além da matéria, originando a concepção da transcendência espiritual, de uma alma imaterial agregada ao corpo humano.
A busca de ideias sobre segurança em liberdade e o seu exercício organizado - num mundo em que pesa o lado subjectivo do sentimento de seguridade suportado por valores - coloca questões a explorar: Haverá alguma influência espiritual na procura humana da condição de segurança? Será a espiritualidade uma característica usual dos portugueses? Existem alguns sinais de espiritualidade na organização e força de segurança nacional de referência?
(excerto)
Diário da NOVA ÁGUIA: 19 de Dezembro...

Foi mais uma semana em grande da NOVA ÁGUIA. Depois de uma sessão em Telheiras, que motivou um muito animado debate, ontem rumámos até um dos locais de eleição do Mapiáguio: Montargil. Aí assistimos a mais actuação do coro local, dirigido pelo Professor Manuel Ferreira Patrício, que muito inspirou a sessão que se seguiu…
Agora haverá a pausa do Natal. Em 2011 outros voos estão já agendados…
NOVOS CURSOS NA SEDE DO MIL

(PARA LER, CLICAR SOBRE A IMAGEM)CICLO "PROBLEMÁTICAS EM ESTUDOS PORTUGUESES" (1)
(Da 2ª metade do séc. XIX ao início do séc. XXI)
1. Cesário Verde: Tradição; Tendência artística; A temática da oposição;
Influências literárias
2. Fernando Pessoa/Alberto Caeiro:
A poética da não-filosofia reflexiva ou da filosofia não-reflexiva
3. João de Araújo Correia: A arte de Contar a vida
4. José Saramago: A ficção/O fantástico na intervenção cívica romanceada
António José Borges
4 sessões, a partir de 12 de Janeiro (até 2 de Fevereiro), às quartas (18h30-20h00)
V
FINANCIAMENTO DE PROJECTOS CULTURAIS ATRAVÉS DE PATROCÍNIO E MECENATO
Objectivo:
Conhecer as metodologias e os processos necessários à angariação de financiamento através de Patrocínio e Mecenato Cultural.
Destinatários:
Organizações culturais públicas ou privadas: associações, cooperativas, fundações, estudantes, artistas e todas as pessoas interessadas em obter informação sobre Financiamento de Projectos Culturais através de Patrocínio e Mecenato.
Metodologia:
As sessões serão maioritariamente divididas em períodos expositivos e de debate, com recurso a "casos de estudo" e exercícios, Encoranjando-se os formandos a desenvolverem uma proposta/dossier de patrocínio ou mecenato ao longo do curso bem como à sua discussão/apresentação.
Materiais Pedagógicos e certificado:
Será entregue um Manual completo do curso, bem como declaração de participação no curso. É igualmente disponibilizado o acesso online a documentação em formato digital sobre Marketing da Cultura e Patrocínio/Mecenato.
Rui Matoso
15 horas (5 sessões de 3 horas),
Segundas e Sextas-feiras, das 18h30 às 21h30. Início: 10 Janeiro Fim: 24 Janeiro
VI
LER NAS PEDRAS
... E se fosse possível aprender a ler não apenas as letras do alfabeto mas também os elementos de leitura das nossas capelas, igrejas, mosteiros, conventos, monumentos de pedra -que os seus constru tores, há tantos séculos, con ceberam como autênticos livros de pedra?
Durante quatro sessões, sem sairmos daqui, mas vendo imagens e reflectindo sobre elas, vamos viajar no tempo e no espaço deste Portugal que tão mal conhecemos, tentando decifrar as mensagens escritas nas pedras dos monumentos da chamada Pré-História e das arquitecturas Românica, Gótica e Manuelina – correspondentes a três fases fundamentais da nossa História.
E talvez seja possível acabar por descobrir que nem tudo vem nos livros das nossas bibliotecas, esses outros livros feitos de pa pel e letras de tinta…
As letras das pedras contam-nos outras histórias, feitas de imaginação e de sonhos ainda não concretizados.
Primeira Sessão: Relação entre os monumentos megalíticos e os monumentos das artes consideradas históricas. Arte Românica em Portugal.
Segunda Sessão A arte Românica em Portugal e a sua linguagem própria, surpreendente de imaginação, em relação com os Bestiários medievais e com as influências orientais.
Terceira Sessão A arte Gótica, a luz e o movimento das pedras para os céus.
Quarta Sessão Síntese da arte Manuelina num momento de refundação do país.
As sessões serão ilustradas mediante a projecção de imagens dos monumentos, que fazem parte da colecção particular do formador. Assim, sem sairmos do mesmo lugar, viajaremos no tempo e no espaço...
Objectivos: Chamar a atenção para o nosso património construído an tigo – capelas, igrejas, conventos, mosteiros, com exemplos no Norte, no Centro e no Sul -, geralmente mal conhecido, e cujas pedras têm inscritas mensagens importantes para todos nós, sejamos ou não religiosos. A intenção deste curso breve é ensinar «a ler as pedras» desses monumentos.
Destinatários: Todos aqueles, sem limite de idade, que sintam curiosidade em tentar perceber o que esses monumentos representam, sobretudo o que significam aqueles portais, aquelas escul turas, aquelas estranhas gárgulas, os desenhos daquelas ar quitecturas, os homens que os construíram de tal modo que ainda hoje estão de pé, tantos séculos depois. A linguagem deles.
António Carlos Carvalho
4 sessões, a partir de 11 de Janeiro (até 1 de Fevereiro), às terças (19h00-20h30)
VII
CONTOS QUE CURAM
Como utilizar os contos como ferramenta de mudança
Comum às diversas culturas, as histórias e a sabedoria popular oferecem informações sobre regras e conceitos e ilustram a fantasia milenar dos povos, permitindo o desenvolvimento de conceitos, valores e habilidades na resolução prática de conflitos.
Mediante as histórias, preconceitos, ressentimentos e mesmo as resistências são reduzidos, promovendo a mudança educativa das pessoas, em contexto terapêutico, escolar laboral ou mesmo familiar.
Como mediadores entre as pessoas (terapeutas e pacientes, líderes e equipe, docentes e discentes, membros da mesma família e/ou casal), permitem que o ouvinte se identifique, e, assim, fale de si, das suas dificuldades e dos seus conflitos, e dos seus desejos, pois o conto não “ataca” diretamente – nem a ele nem aos seus conceitos ou à sua auto-estima.
Essa mudança de posição ajuda à reinterpretação de conceitos e, sobretudo, ampliá-los, numa relação com os outros.
Conteúdo programático
1. Apresentação:
a. Levantamento de conhecimentos prévios dos participantes;
b. Apresentação e consulta conjunta do programa de formação;
c. Partilha de bibliografia, histórias e autores conhecidos.
2. Introdução à teoria das histórias:
a. Alguns modelos explicativos sobre as histórias;
b. Padrões interculturais nas diversas histórias;
c. As funções das histórias.
3. As histórias na prática:
a. Que história pode ser utilizada em que contexto;
b. As histórias na educação;
c. As histórias nas organizações;
d. As histórias na psicoterapia;
4. Avaliação final:
a. Avaliação dos formandos, através da seleção de um contexto ou um caso, real ou fictício, utilizando uma determinada história, justificando a escolha;
b. Avaliação da atividade formativa, através do preenchimento de ficha escrita de avaliação do curso, dos conteúdos, dos módulos e do facilitador pelos demais participantes;
c. Debate final sobre a atividade formativa, aspectos a melhorar e temas a aprofundar.
Objectivos do curso
No final do curso, os participantes irão estar munidos com um depósito superior de histórias que deverão ser capazes de utilizar em contextos diversos (educativo, organizacional e/ou psicoterapêutico), no momento oportuno.
Destinatários
Profissionais e estudantes e das áreas de diversas áreas, num número mínimo de 10 participantes inscritos no curso.
Sam Cyrous
4 sessões, a partir de 13 de Janeiro (até 3 de Fevereiro), às quintas (16h00-20h00)
Sábado, 18 de Dezembro de 2010
Sexta-feira, 17 de Dezembro de 2010
PORTUGUÊS, LENGUA DE LA GLOBALIZACION!
Nasci na cidade de São Paulo (Brasil) neto de espanhol e italiano, nunca tive dificuldade em compreender estas duas línguas. Cresci falando e escrevendo em português, do Brasil. Já adulto, percebi que o privilégio de entender o espanhol, também é dos mais de 220 milhões de pessoas que se comunicam em português, situados nas terras mais ricas e estrategicamente localizadas no planeta, e, isto é um facto! Alem de, ser o português uma língua de cultura aberta e que dá acesso a outras literaturas e civilizações originais e variadas, nos quatro cantos do mundo.
Foi em 1214 que surgiu o primeiro documento oficial na língua portuguesa, o testamento de D. Afonso II, que até então era o galaico-português, uma solidariedade natural entre duas línguas irmãs. No século XVI, a língua portuguesa começou a se espalhar e enriquecer-se, tomando dos outros povos não só expressões linguísticas novas como também formas de estar e pensar, dando inicio ao multiculturalismo Era o início da Globalização, via Comunicação, e não como é hoje, somente pela via política-económica.
Como se sabe, entre as línguas românicas, o português e o espanhol são as que mantém maior afinidade entre si. Tidas como irmãs da mesma família linguística, possuem um tronco comum, o latim, e uma história evolutiva paralela, a da popularização diaspórica do idioma latino na península ibérica e de lá para a América, África e Ásia. Entretanto, é bom salientar que é mais fácil para um “lusófono” comunicar-se em “Portunhol” do que para um hispânico comunicar-se em “Hispanês”.
A razão para este facto é que há algo muito especial na língua portuguesa, o elemento descodificador do espanhol, do italiano e do francês. A nossa língua possui um sistema fonético vocálico de 12 entidades, composto de sete fonemas orais e cinco nasais. O espanhol tem apenas cinco fonemas orais o AEIOU. Eis o porquê de entre as cinco línguas latinas, o português ser o “Ferrari” deste comboio linguístico.
É importante divulgar o quanto se pode ganhar com a aprendizagem da língua portuguesa. Por exemplo: - Grande promoção da Língua Portuguesa, pague uma, leve duas e meia! - Dado que ganhamos 90% do espanhol e 50% do italiano, e até, uns 20% do francês. É um valor acrescentado que a nossa língua possui e que nunca foi publicitado. Daí a importância de uma aliança entre os países Iberófonos, que tire partido do facto de conseguirem se entender nas suas línguas maternas. Lembrando que, o Brasil equivale a metade da população e território da América Latina, sendo que, neste século, o centro de gravidade do desenvolvimento económico mundial será transferido para a China, Rússia, Índia e Brasil, ao invés da América do Norte e Europa.
Visto que, os países de língua portuguesa e espanhola somam 700 milhões de pessoas em metade do mundo, geograficamente falando, e que não possuem problemas de comunicação entre si, deve-se com urgência, elaborar um plano de marketing estratégico para a língua portuguesa! Diante dos FACTOS já descritos, propõe-se promover a auto-estima pela língua e a cultura nos 30 países que compõem a Comunidade Iberófona através de variadas acções concertadas, por exemplo, nas áreas da Educação, Saúde e Segurança, além de fomentar o português como 2ª língua nos países hispânicos e também nos seguintes países, geo-estratégicos, por acréscimo:
França, onde há cerca de um milhão de “lusófonos”, sendo o português a segunda língua mais falada, alem de que, poderá ser usada como arremesso ao bilinguismo;
Itália, pelo facto de entendermos 50% do italiano e por ser o Brasil a maior colónia de italianos do mundo, sendo, após o espanhol, a língua italiana a mais próxima da nossa;
EUA, onde há cerca de 50 milhões de Iberófonos e por factores geo-politico, económico e estratégico. A ALCA (Aliança de Livre Comércio das Américas), por exemplo, é inviável sem o Brasil e caso os EUA adoptem o português como 2ª língua, o poder de comunicação de um cidadão Anglo-Iberófono alargar-se-á para 1 bilhão de pessoas. (... é a “Super ALCA”, trabalhando pela via do diálogo na língua do cliente)
China, pelo facto do Mandarim estar restrito ao próprio país e, se cada chinês tiver o português como 2ª língua, serão 2.300.000 milhões de Sino-Anglo-Iberófonos, e ainda pela sua aproximação ao Brasil, que em conjunto com a Rússia e a Índia, representam, no aspecto comercial, científico e geopolítico, a nova «Ordem Mundial»;
Índia, onde há 23 línguas correntes e 1.000 dialectos, a maior industria de audiovisual e informática do mundo. Os Hindi-Sino-Anglo-Iberófonos serão 3.400.000 milhões;
Indonésia, por razões semelhantes às referidas para a China e para a Índia, pelo facto de fazer fronteira com Timor-Leste, e pela promoção de uma verdadeira, saudável e frutífera democracia de cultos e religiões, através do DIALOGO que assim se estabeleceria entre o maior país muçulmano do mundo e o mundo católico.
Sendo os Sino-Hindi-Anglo-Iberófonos, bilingues, (mantendo a sua língua materna, mais o português como 2ª língua) a comunicação entre os mesmos exclui o monolíngüismo.
Visto que, o “lusófono” é naturalmente bilingue (característica única no mundo) e sendo o português a 2ª língua para os hispânicos, a comunicação entre os mesmos exclui o monolíngüismo. Portanto deveremos promover este “Segredo” guardado desde o ano 1214. É o Portugraal. É o “Quinto Império”, da espiritualidade e comunicação. É o GEO-Código! (… antes de Da Vinci, ter existido)
Outro facto é: no âmbito da política linguistica do Mercosul, os países hispânicos já estão assumindo o português como 2ª língua, visto que o Brasil já oficializou o espanhol como segunda língua, praticando a reciprocidade e fortalecendo a Iberofonia. Recentemente, num Colóquio realizado em Paris – «Três Espaços Linguísticos Perante os Desafios da Mundialização» - o Sr. Boutros Ghali, demonstrou-se totalmente favorável à Franco-Iberofonia.
Língua oficial de oito estados em quatro continentes, o Português é também língua de comunicação de doze organizações internacionais, nomeadamente na União Europeia, UNESCO, MERCOSUL, Organização dos Estados Americanos (OEA), União Latina, Aliança Latino-Americana de Comércio Livre (ALALC), Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), Organização de Unidade Africana (OUA), União Económica e Monetária da África Ocidental, idioma obrigatório nos países do Mercosul e língua oficial da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), organização que integra a maioria dos países africanos do hemisfério sul.
A língua portuguesa é como o software Linux, pois pode ser usada e praticada a custo zero, basta assistir a uma telenovela brasileira na sua língua original. É fiável, visto não ser uma língua artificial e sim natural, existe a 800 anos. É uma língua que não depende da moda e não se impõe à força, com praticas etnolinguísticas, psicológicas e financeiras. Está disponível, pela sua presença alargada no mundo e o seu desempenho é confirmado cientificamente por linguistas que endossam a mais valia na aquisição desta língua/software e, que corre em qualquer sistema e hardware !!!!
Lembremos que, por exemplo, actualmente a TV Globo é a maior produtora de programas próprios de televisão do mundo. O seu acervo de telenovelas e mini-séries é distribuído em diversos idiomas, levando hoje a cultura “lusófona” a espectadores de cerca de 130 países em todos os continentes.
Aproveitando-se dos altos índices de audiências, que uma telenovela possui, poderá se promover a aprendizagem do português como segunda língua de comunicação e como justificativa teórica e pratica, divulgar a importância de se aprender a língua que une 700 milhões de pessoas. É a Globalização Democrática, 1 cidadão 2 línguas! É a única língua candidata a ser a preferida da Globalização e que preenche os cinco pré-requisitos necessários para que tal aconteça:
O aspecto Quantitativo, Qualitativo, Geopolítico, Geoeconómico e o quinto é o facto desta língua entender uma outra língua. Ora, o Brasil preenche todos estes cinco requisitos, além de, possuir 30% da água renovável do planeta, a matéria prima para a industria química e farmacêutica, (graças ao Amazonas e a sua biodiversidade), o petróleo e energias alternativas, a agricultura e, os seus 190 milhões de habitantes não possuem problema de comunicação - matéria-prima da informação.
Actualmente, a Fundação Geolingua está a organizar um novo tratado, simbólico e de promoção de auto-estima, o “Tratado de Tordesilhas II”, cujo objectivo é ressuscitar a maior e mais antiga comunidade dos últimos 500 anos, a CPLP+E – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa & Espanhola.
São os iberófonos a unir-se, lembrando a importância que já tiveram, têm, e continuarão a ter, estes dois idiomas. Não esquecendo que a Península Ibérica, os Países Africanos Iberófonos e a América Latina (99% Iberófona) ficam “separados” e claramente identificados da outra metade do mundo por uma linha imaginária. A America Latina e a Comunidade Ibero-Americana não deverão, portanto, deixar de fora os países africanos de expressão portuguesa e espanhola, mais Timor-Leste. Que se crie, portanto, uma GEO-Comunidade Iberófona, onde a base passe a ser a língua, a maior ponte para o diálogo de todos os tempos.
A título de exemplo pode-se citar que o Banco Santander demonstrou-se plenamente favorável ao conceito da Iberofonia ao anunciar publicamente que a língua portuguesa passa a ser, em paralelo com o espanhol, a língua oficial nos 42 países onde o banco se encontra presente.
E, para o xeque-mate final, além de tudo o que aqui já foi dito para se aprender a língua portuguesa, o maior de todos os motivos é, sem duvida:
O FACTO DE A LÍNGUA PORTUGUESA ENTENDER O ESPANHOL
Um mercado de 700 milhões de pessoas presentes na metade do mundo!
A PARTIR DESTE SÁBADO
De Filomena Oliveira e Miguel Real
TEATRO no Museu Nacional do Teatro (Lisboa, Lumiar)
18/12/2010 (SÁB), às 16h
· RESERVAS: 911 906 778 / 917 069 965
· Preço: 9€ público em geral, 7.5€ p/aluno (escolas)
· 3º Sábado de cada mês às 16h sessões para público em geral
· Sessões para escolas: Terças-feiras às 11h e às 15h
FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA
Texto: Miguel Real e Filomena Oliveira; Música original e orgânica sonora: David Martins; Interpretação: António Mortágua, João Brás, Pedro Mendes ou Filipe Araújo; Figurinos: Ana Bruno e MNT; Desenho de Luz: Paulo Cunha; Operação: Bruno Oliveira ou Paulo Cunha: Video-Montagem: AnaF; Fotografia: André Rabaça; Ilustração: Luís Lázaro; Encenação: Filomena Oliveira; Produção: Éter; Frente de Sala: Tito Ribeiro; Co-produção: ÉTER – Produção Cultural e Museu Nacional do Teatro
Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2010
CÉLINE – UM PERCURSO CONTROVERSO
DA MEMÓRIA… JOSÉ LANÇA-COELHO
CÉLINE nasceu em Coubervoie, a 27 de Maio de 1894, e faleceu a 1 de Julho de 1961.
Médico e escritor, anti-semita. Quando cai o regime de Vichy, foge com Pétain para Sigmaringen, na Alemanha. Depois, quando o regime nazi cai, foge para a Dinamarca. É julgado à revelia em Paris, e condenado a um ano de cadeia, e considerado uma ‘vergonha pública’. Amnistiado, volta a França em 1951. Morre 10 anos depois.
A partir de 1957, devido ao seu relato autobiográfico ‘sui generis’ torna-se um símbolo da ‘beat generation’.
Quando se encontrava em Sigmaringen com a sua mulher Lucette, o seu amigo La Vigue e o seu gato Bébert, entre os colaboracionistas e os outros fugitivos, num caos de refugiados de todas as nacionalidades, Céline fora já definido por Rádio Londres como «um inimigo do homem»; para toda a opinião pública do mundo livre já não era o grande escritor popular dos seus primeiros livros, que haviam denunciado o embrutecimento existencial e social, mas um traidor infame, o cúmplice dos nazis, o anti-semita dos panfletos contra os Judeus, agora encurralado e reduzido à escória do mundo como os carrascos nazis.
O seu absoluto torna-se distorção e ele acaba por pôr no mesmo plano todos os actores de alguma maneira relevantes da história, Hitler (1889-1945) e Léon Blum (Paris, 1872-1950; foi um politico socialista francês, judeu, que ocupou pela primeira vez o cargo de primeiro-ministro) na medida em que todos lhe surgem como igual expressão da vontade de poder, beneficiários do favor das massas e por isso detentores da força.
Como um messias dorido e culpado, identifica-se com os algozes nazis, porque os vê na derrota.
Num dos seus relâmpagos de grandeza, Céline reconhece por outro lado a futilidade de qualquer exibição de vitalismo pessoal: «Ma vie est finit, Lucie, je ne débute pas, je termine dans la littérature».
Sabe ter uma piedade pungente pelo indivíduo isolado, como pelos meninos com trissomia 21 (vulgo mongolóides), de que se ocupou durante a sua fuga através da Alemanha e em cujos olhos leu uma dignidade capaz de vencer o matadouro da história, mas não sabe reconhecer os seus próprios erros.
Nunca tem uma palavra de verdadeiro arrependimento após o extermínio dos Judeus, sendo incapaz de considerar a humanidade concreta de pessoas de quem não tenha tido um conhecimento directo, como o afirma o filósofo italiano Cláudio Magris, no seu livro Danúbio (pp. 43-44; 46).
Mais um título da Colecção NOVA ÁGUIA
Passam hoje 15 de Dezembro 125 anos do falecimento do rei D.Fernando...
Passam hoje 15 de Dezembro 125 anos do falecimento do rei D.Fernando,após uma queda à saída do teatro de S.Carlos na qual entrou em coma falecendo três horas depois.Foi D.Fernando II quiçá o primeiro grande defensor do património nacional.Desde obras profundas que mandou fazer no então arruinado Mosteiro da Batalha e em Alcobaça(onde chegou a pensar instalar uma escola de restauro),até ao Mosteiro dos Jerónimos,onde gastou do seu bolso 6.000.000 réis(foto abaixo)ao Paço dos Duques de Bragança,em Barcelos,em ruínas e consumido pelo fogo em 1852,ou ao Convento de Cristo em Tomar, o rei não só pugnava pelo restauro,como fazia ofertas do seu bolso e amiúde visitava as obras.
A ele se deve o restauro do tríptico Tentações de Santo Antão,de Jeronimus Bosch,que ele descobriu no Paço das Necessidades,ou a descoberta, na Casa da Moeda de Lisboa,á beira de ser fundida,da Custódia de Belém,de Gil Vicente.Ou a recuperação do Templo de Diana,em Évora,ocupado como talho e totalmente desprezado à época.
Este alemão foi como poucos um Grande Português.
D.Fernando Saxe Coburgo-Gotha,filho do Duque de Saxe Coburgo e da Princesa Kohary da Hungria foi o príncipe mecenas de Portugal,e de Sintra,tendo a Sintra trazido uma plêiade de artistas que moldaram o que ainda hoje é a sua paisagem e com marcas visíveis.
Entre eles,Friedrich Welwitsch,biólogo que em 1939 foi nomeado director do Jardim Botânico da Ajuda,Wenceslau Cifka,austríaco que arborizou a serra de Sintra da forma que ainda hoje conhecemos,ou o dr Kessler,médico do príncipe-rei,cujo filho construiu o elevador(ainda existente) da Nazaré.Mas também o músico Victor Hussla,compositor da "Suite Portuguesa",o pintor Katzenstein,e seu irmão,Emil Biel,que introduziu a fotografia em Portugal,a luz eléctrica,o primeiro gramofone,ou o primeiro automóvel,um Benz.Inclusive por essa altura vieram os pais de Alfredo Keil,o autor do hino nacional anos mais tarde.
De todos se destaca contudo o barão von Eschwege,que veio para Portugal como mineralogista em 1803,e que lutou enquadrado no exército português contra o exército napoleónico,até 1810,quando foi chamado ao Brasil por D.João VI,onde se manteve 11 anos,em trabalhos topográficos e levantamentos.Regressado a Portugal,foi promovido a general e nomeado Intendente Geral das Minas e Metais do Reino,e a quem D.Fernando confiou a elaboração do projecto de transformar o convento jerónimo da Pena num monumento neo-gótico que representasse o imaginário de Portugal em pedra.
Também estes estrangeiros,portugueses de coração, fizeram parte da história de Sintra.Cabe aos que cá estão guardar a Memória estudar-lhes o Legado e fazer crescer o Projecto.Sábado, num concerto em Monserrate com música os sintrenses vão recordá-lo, lá na Grande Floresta onde ainda o seu espírito vive eterno.
--
JR
Terça-feira, 14 de Dezembro de 2010
Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010
Domingo, 12 de Dezembro de 2010
Sábado, 11 de Dezembro de 2010
Este Sábado: a NOVA ÁGUIA regressa a Amarante...
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
15 de Dezembro
15 de Dezembro:
Programa de Actividades
No âmbito da organização do Dia do Bairro Alto, iniciativa conjunta entre a Câmara Municipal de Lisboa e a Associação de Comerciantes do Bairro Alto, o Serviço de Actividades Culturais e Educativas da Hemeroteca Municipal de Lisboa, colaborou neste desafio apresentando a seguinte programação de actividades para este dia:
Programa:
Mostra Bibliográfica:
O Bairro Alto no Fundo Histórico da Hemeroteca Municipal de Lisboa. Mostra com alguns jornais e revistas pertencentes ao fundo histórico da colecção da Hemeroteca Municipal de Lisboa. Reúne, portanto, publicações periódicas dos séculos XVII, XIX e início do século XX. Inauguração: 15 de Dez., 10H. Patente ao público até 31 de Dez. Local: Hemeroteca Municipal de Lisboa – Sala do Espelho.
PERCURSOS HISTÓRICOS:
“Bairro Alto – Capital do Jornalismo Português”
Passeio literário pelo Bairro Alto, enquanto antiga capital do jornalismo português. Inclui percurso pelas ruas das redacções de jornais e revistas já extintos, intercalado com pequenas histórias sobre a vida destes periódicos. O passeio tem início e termina no repositório da memória jornalística nacional, a Hemeroteca Municipal de Lisboa. Sujeito a inscrição prévia: 213 246 290. Data: 15 de Dez., 11H. Ponto de encontro: Hemeroteca Municipal de Lisboa. Público-alvo: geral.
“Ribeiro de Carvalho (1880-1942) – Da Escrita à Política”
Figura singular da I República, Ribeiro de Carvalho destacou-se sobretudo como político e jornalista. Carbonário, maçon, deputado às Constituintes, tradutor, poeta, foi ainda um “grande” director do jornal República, onde desenvolveu uma intensa actividade jornalística até 1941. Este roteiro propõe-se revisitar alguns dos espaços emblemáticos da cidade de Lisboa relacionados com a vida e obra de Ribeiro de Carvalho, num percurso cheio de surpresas, também no Bairro Alto. Sujeito a inscrição prévia: 213 246 290. Data: 15 de Dez., 15H. Ponto de encontro: Hemeroteca Municipal de Lisboa. Público-alvo: geral.
VISITA DE ESTUDO
“As Ruas têm nome – Ler a Toponímia”
Actividade desenvolvida no âmbito do Plano Nacional de Leitura, consiste numa visita guiada pelas ruas do Bairro Alto, bairro histórico da cidade de Lisboa, através da qual os participantes poderão ler a aprender a sua toponímia: o porquê do nome das ruas, a sua localização geográfica no bairro, o seu contexto histórico, entre outras curiosidades históricas. Sujeito a inscrição prévia: 213 246 290. Data: 15 de Dez., 15H. Ponto de encontro: Hemeroteca Municipal de Lisboa. Público-alvo: escolas do ensino básico (2.º/3.º ciclo) e do ensino secundário; professores.
“Ao Encontro da Hemeroteca de Lisboa”
Visita de estudo que tem por objectivo apresentar às escolas os serviços e os recursos informativos que os alunos e os professores poderão encontrar na Hemeroteca Municipal, localizada no Bairro Alto, e utilizar no âmbito do seu percurso/desenvolvimento escolar. Sujeito a inscrição prévia: 213 246 290. Data: 15 de Dez., 17H. Ponto de encontro: Hemeroteca Municipal de Lisboa. Público-alvo: escolas do ensino básico (2.º/3.º ciclo) e do ensino secundário; professores.
CONFERÊNCIAS
Bairro Alto: Capital do jornalismo na I República, por Álvaro Costa de Matos (Hemeroteca Municipal de Lisboa e Centro de Investigação Média & Jornalismo). Data: 15 de Dez., 18.30H. Local: Hemeroteca Municipal de Lisboa – Sala do Espelho. Inclui oferta-surpresa aos participantes na conferência.
8 OU 9, EIS A QUESTÃO

DA MEMÓRIA … JOSÉ LANÇA-COELHO
O homem fazia do número nove, o algarismo da sua vida.
Nascera no dia nove de um mês qualquer. Também a nove de outro mês conhecera a mulher da sua vida, ou pelo menos assim a classificara, enquanto vivera com ela. A nove dum outro mês nascera o seu primeiro filho. Ainda a nove de qualquer mês tivera o seu primeiro e grande êxito da sua vida profissional que, afirmando-se na música, também se relacionava com a poesia.
Ao longo da sua vida, preenchida com inúmeros êxitos, fizera do nove, um talismã em que acreditava piamente, o que o levou a escrever uma canção que se chamava precisamente “Número Nove”.
O seu êxito foi tão retumbante que, se tornou num dos homens mais conhecidos do universo. Em qualquer latitude da Terra, a sua cara era identificada pelo cidadão mais comesinho de qualquer país, inclusive, nas muitas ditaduras que grassavam no planeta, que, embora o tivessem banido, não conseguiam ofuscar-lhe o seu fulgor, apagar-lhe a sua imagem.
Houve até uma revista norte-americana que, nos idos anos sessenta do século XX, o considerou uma das três personalidades mundiais, ao lado de dois presidentes de nações.
O número nove era como a poção mágica em que Obélix caíra quando era criança, e lhe dera uma força sobrenatural para se opor aos Romanos.
Numa palavra, quando o nove estava envolvido em qualquer assunto, o homem acreditava que nada lhe podia acontecer, porque ele tinha a convicção da estreita relação, metafísica e mágica, existente entre os números e as pessoas, ou melhor dizendo, entre os algarismos e as almas dos mortais.
Todos os dias nove de cada mês, o homem comia e bebia tudo o que sabia que lhe podia fazer mal à saúde, metia-se no carro e acelerava que nem um louco, numa palavra, fazia tudo o que humanamente lhe era interdito, pois sabia que estava protegido pelo espírito do número em que se escudava.
O homem em questão era oriundo do velho mundo, da Europa, onde vivera os seus primeiros trinta anos, depois mudara-se para o novo mundo, a América dos sonhos dourados, não que precisasse de dinheiro, mas, porque Nova Iorque se tornava cada vez mais o umbigo do mundo moderno.
Após uma paragem de alguns anos, o músico e poeta voltara a gravar as canções que tão bem compunha e regressara à crista da onda. Estava, de novo, no auge. Amado pelos seus inúmeros fãs em todo o mundo.
Um dia, ao sair do seu apartamento nova-iorquino para gravar um novo disco, foi abordado por um fã que, lhe pediu um autógrafo. Deu-o e foi para o estúdio.
Ao princípio da noite, quando regressou a casa, deparou-se com o mesmo fã que o esperava, de novo, junto à porta do seu apartamento de luxo.
Instado para dar um novo autógrafo, preparou-se para o fazer, só que, desta vez, não o conseguiu, pois o fã disparou um revólver contra o seu peito.
Levado para o hospital, acabou por morrer.
Mas, era dia nove! Como é que o seu número da sorte falhara?
A explicação era bem simples. Na verdade, já era dia nove na Europa, onde ele nascera, só que na América era ainda a noite do dia oito.
O feitiço do nove só funcionava no continente onde o homem nascera, desde que ele lá estivesse…
Escrito a 8 de Dezembro de 2010, em homenagem a John Lennon, no trigéssimo aniversário do seu brutal assassínio.
Quinta-feira, 9 de Dezembro de 2010
Terça-feira, 7 de Dezembro de 2010
Uma “redescoberta” da literatura africana no Brasil
Adelto Gonçalves (*)
I
A Editora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) colocou no mercado uma nova coleção, Poetas de Moçambique, em que apresenta antologias dos maiores poetas modernos de língua portuguesa e origem moçambicana. Segundo a editora, os autores escolhidos estabeleceram freqüentemente diálogo com a literatura brasileira, especialmente com as obras de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), Cecília Meireles (1901-1964), Vinicius de Moraes (1913-1980) e Manuel Bandeira (1886-1968). Os primeiros volumes são dedicados a José Craveirinha (1922-2003) e Rui Knopfli (1932-1997).
Craveirinha, primeiro autor africano galardoado com o Prêmio Camões, em 1991, é um dos nomes fundamentais da literatura moçambicana. Filho de pai algarvio e mãe ronga, é dono de uma obra concisa, que cobre cinco livros publicados em vida e duas coletâneas póstumas, além de dezenas de poemas espalhados em periódicos e antologias. Este livro reúne os principais poemas do autor com nota biobibliográfica de Emílio Maciel.
Já Rui Knopfli produziu uma encorpada e original obra literária durante o período colonial. Seus poemas selecionados estabelecem diálogo com as principais tradições clássicas e modernas da poesia. O livro traz posfácio com texto crítico e nota biobibliográfica de Roberto Said.
Ao mesmo tempo, a Ateliê Editorial, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), acaba de lançar Portanto... Pepetela, organizado por Rita Chaves e Tania Macêdo, professoras de Literaturas Africanas de Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo (USP). O angolano Pepetela, nascido Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, ganhador do Prêmio Camões de 1997, é talvez o mais importante romancista de seu país. Com apresentação do moçambicano Mia Couto, o livro reúne 38 artigos e ensaios de estudiosos da obra de Pepetela.
Nada mais alvissareiro do que essa “redescoberta” da literatura africana de expressão portuguesa. Mas desses três autores, apenas José Craveirinha é resultado da mistura do sangue português com africano. O que se espera é que esse interesse não se restrinja apenas a autores lusodescendentes, mas seja aberto a todos os africanos que fazem literatura em Língua Portuguesa.
II
Nada contra Pepetela, Agualusa, Mia Couto ou Luandino Vieira, nomes hoje incontestáveis no panorama da literatura africana de expressão portuguesa. O que se estranha é por que só descendentes de portugueses que nasceram em terras africanas têm largo espaço nos veículos de comunicação de Portugal e nas universidades de Portugal e do Brasil.
Basta ver que o livro Portanto... Pepetela traz, ao final, uma lista de 56 teses de doutorado e dissertações de mestrado defendidas em universidades brasileiras sobre a obra de Pepetela. Um exagero, evidentemente, porque há muitos outros autores africanos de expressão portuguesa que poderiam ser estudados. E não o são. Não se quer acreditar que seja por racismo, pois o que se espera é que esse tipo de comportamento seja algo já superado, sem razão de existir neste começo de século XXI.
Talvez seja ainda a "saudade do império colonial perdido", como disse Patrick Chabal, professor de Estudos Africanos do King´s College, de Londres, para se citar aqui um nome isento destas questiúnculas lusófonas, que impeça os acadêmicos e editores portugueses de enxergar que a lusofonia é uma falácia – que não vai chegar a lugar nenhum – enquanto eles não aceitarem a verdadeira dimensão da língua portuguesa para além da Europa.
Em outras palavras: Pepetela, Agualusa, Mia Couto e Luandino Vieira fazem parte da última geração de lusodescendentes que, nascidos na África, praticam uma literatura com vivência africana. Dentro de 20 ou 30 anos, quando provavelmente já não estiverem mais neste mundo, quem irá representar a Literatura Africana de expressão portuguesa senão os autóctones ou um ou outro miscigenado?
Portanto, o futuro da Língua Portuguesa na África vai depender dos naturais desses países por onde os portugueses criaram raízes – e também daquelas regiões que, hoje, sofrem com a opressão de vizinhos que não falam português. É o caso da Casamansa, província do Sul do Senegal, que ainda aspira livrar-se da opressão de Dakar para se tornar um país independente e membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Será que em Casamansa não há um único poeta ou escritor que escreva em português? Ou somos nós que não queremos vê-los?
Como diz o escritor moçambicano João Craveirinha, por mais que se assumam "lusófonos", os escritores de tez escura serão sempre os "outros", os outsiders, os ex-colonizados. Entre esses, além de João Craveirinha, pode-se citar de uma enfiada Paulina Chiziane, Ungulani ba Ka Kossa, Nelson Saúte, Noémia de Sousa, Kalungano, Luís Bernardo Honwana e Suleimane Cassamo, de Moçambique; Adriano Mixinge, João Melo, Ondjaki, Victor Kajibanga, Uanhenga Xitu, Ana Paula Tavares, Luís Kandjimbo, de Angola; José Luís Hopffer Almada e Germano Almeida, de Cabo Verde; Abdulai Sila, Hélder Proença (?-2009) e Odete Semedo, da Guiné-Bissau; Alda do Espírito Santo e Tomás Medeiros, de São Tomé Príncipe. E muitos outros.
O que é preciso dizer – e quase ninguém o faz – é que persistir nessa visão preconceituosa é um erro, que equivale a dar um tiro no próprio pé, pois recusar-se a reconhecer que o futuro da Língua Portuguesa na África depende dos naturais daqueles países é condená-la ao desaparecimento. E olhem que quem escreve isto é um brasileiro de primeira geração, de pai português de Paços de Ferreira, Norte de Portugal, e de avós maternos açorianos.
III
Embora o desconhecimento no Brasil acerca dos assuntos africanos seja abissal, não se pode deixar de reconhecer que foi graças aos literatos brasileiros que a Língua Portuguesa continuou viva nas décadas de 1950, 60 e 70 na África de expressão portuguesa, especialmente entre aquela camada mais culta, que gostava de ler Jorge Amado (1912-2001), Érico Veríssimo (1905-1975), Guimarães Rosa (1908-1967) e outros tantos.
Rui Knopfli mesmo é um poeta fortemente influenciado pela literatura brasileira, além de suas grandes ligações com a poesia portuguesa moderna. De africano, só carrega o fato de ter nascido em Inhambane. Trata-se de um fino poeta, cuja poesia está entre o que de melhor se escreveu em Língua Portuguesa no século XX, mas que, ao contrário de Pepetela que permaneceu em Angola e lutou contra o colonialismo, deixou Moçambique tão logo o país se separou de Portugal. Jamais se assumiu "moçambicano" no anterior e muito menos no atual contexto africano e sociopolítico do pós-independência. Assumiu-se, sim, como um português de Moçambique agastado com os "pretos" da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) que queriam ser iguais aos "brancos".
A visão que Knopfli tinha da África era eurocêntrica, de um colono que pertencia a uma elite colonial intelectual que, provavelmente, sonhava com um Moçambique semelhante à Rodésia ou à África do Sul sem apartheid, mas com os chamados “brancos” a mandar nos "pretos", ou seja, “cada macaco no seu galho", para se repetir aqui uma expressão politicamente nada correta que se ouve ainda neste Brasil de racismo disfarçado. A lusitanidade européia de Knopfli sempre falou mais alto.
Quem conhece a vida moçambicana pré-independência sabe muito bem que Knopfli atacara a arte banta do escultor Alberto Chissano e do pintor Malangatana em termos depreciativos, como a dizer que eles nunca poderiam ascender a artistas plenos em razão de sua origem "primitiva", tal como os "bons selvagens" de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), que seriam congenitamente limitados. Isto está na Revista Tempo, de Lourenço Marques (hoje Maputo), dos anos 1970-1971. Quem duvidar que consulte na Biblioteca Nacional de Lisboa a coleção da revista. Mas é claro que isto ninguém gosta de lembrar.
Como se sabe, na África os conceitos não são os mesmos vigentes no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa em relação ao ser e estar africano. Até porque na África os "nativos" não foram exterminados como os ameríndios nas Américas. E, como continuam a sê-lo no Brasil em pleno século XXI. Para se ter um exemplo desse holocausto, basta ver que os traços indígenas hoje são pouco perceptíveis no brasileiro médio, exceto talvez no homem do Centro-Oeste e do Amazonas, ao contrário do que se pode constatar no Chile, no Paraguai, na Bolívia, no Equador e até na antigamente tão conservadora Argentina. Basta ver o que fazem, nos dias de hoje, certos fazendeiros e seus capangas com os caiowás, em Mato Grosso do Sul, sem que as autoridades tomem qualquer providência mais efetiva.
Na África, os autóctones continuam a ser maioria esmagadora e isso tem um peso enorme na consciência dos africanos, mesmo em meio a crises econômicas. Até mesmo porque eles estavam num estágio de desenvolvimento superior ao dos indígenas americanos, o que obrigou a chamada colonização portuguesa a restringir-se a vilas e destacamentos litorâneos. Até mesmo para “atravessar” o comércio da escravatura, os portugueses dependiam de nações africanas que traziam subjugados seus inimigos para comercializá-los nas praias. Com isso, a ocupação européia, de um modo geral, nunca conseguiu apagar no homem africano o grande sentimento de pertença ao legado banto.
Como tudo isso são águas e ressentimentos passados, o que importa hoje é preservar a Língua de Camões também na África. E essa preservação passa por um apoio mais decisivo em favor da divulgação e estudo da literatura de expressão portuguesa que é hoje praticada por africanos de todos os matizes de pele, indistintamente.
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PORTANTO... PEPETELA, de Rita Chaves e Tania Macêdo (organizadoras). São Paulo: Ateliê Editorial/Fapesp, 2009, 389 págs., R$ 47,00.
ANTOLOGIA POÉTICA, de José Craveirinha. Organizadora: Ana Mafalda Leite. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010, 198 págs., R$ 38,00.
ANTOLOGIA POÉTICA, de Rui Knopfli. Organizador: Eugénio Lisboa. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010, 206 págs., R$ 38,00.
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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage - o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: marilizadelto@uol.com.br























