A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
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José Afonso - Ao Vivo no Coliseu (29 de Janeiro de 1983)
Olha enfia a carapuça
mas não compres o velho fato de ananás
o estilo não se empresta e nada tem sentido
A tua falta, meu papuça
se podes ou não podes tanto faz
Experimenta sair um pouco está bom tempo
na Arrábida para os ninhos meu rapaz
Amanhã é feriado em Paio Pires aguça
o teu ouvido rouco-mouco em aguarrás
A multidão na rua
É Zé!
ouve-se a banda tocando o M. F. A.
Vai o Borges o Pina o Xaimite e a Bibas balouçando
A revolução é pra já
A bota trocada o canta na varanda
De rota batida para Luanda
Só menos um furo no cinto apertado
É já Primavera Amar não é pecado
Na fímbria da saia a lagartixa verde
E um dia alegre à nossa espera, bebe
Estamos na seca a paz é pouca
dorme uma soneca a tia louca
Limpa os sovacos com esse spray
amanhã é dia de dancing day
Põe nessa boca uma chupeta
amanhã é dia de Dona Xepa
«ó gente humana, nascida para voar ao Paraíso, porque deixar-se abater por um ténue sopro de vento*? [Anjo no Purgatório: *desejo de glória (i)mundana]
(...) os bem-aventurados, contemplam todos Deus, que é o Espelho, em que se revela o teu pensamento ainda antes de o conceber.
Nos bem-aventurados o sentimento e a inteligência são de igual valor (...) pois que Deus iluminou com a luz da sua sapiência e com o calor do seu amor, nada é comparável a esta igualdade.» Dante, Divina Comédia
«Pela Lembrança conhecemos o que fomos e pelo Desejo pressentimos o Futuro.» Teixeira de Pascoaes
Saudade, Ponte entre Passado e Futuro: Presente de Deus, a Fonte.
«Vemos a imagem reflectida, mas não o espelho que a reflecte.» Teixeira de Pascoaes, O Bailado
Vemos a Ponte mas não a Fonte... pois a Ponte é já a Fonte, que para Si mesma caminha.
«Dois espelhos se confrontam mudos: entre eles nós dois nos interpomos. Alguém sabe quem somos? Simples nomes ou reflexos falantes de um espelho?
Vem vindo oh vem vindo a estrela d'alva olhando serena o espelho que se acalma.
a pomba vem e desata o saber genuíno do coração.
Ama por amar» Dora Ferreira da Silva, Poemas da Estrangeira
«A Saudade, que nos mostra a Ausência dolorosa, cria a Presença radiosa... Mostra-nos o vácuo infinito, para o povoar de infinitas almas.» Teixeira de Pascoaes
O Homem é Filho de sua Filha Ideia. Para que haja o Filho é necessário que haja o Pai, mas para que haja o Pai é necessário outro Pai: que o Pai seja Filho de seu Filho. Que todo o Homem seja Pai e Filho em simultâneo, pelo Espírito Santo, pelo Espelho da Alma do Amor, pela Estrela d'Alva do Sol.
«Porque nesse tempo antigo da Grécia, se teria jugulado lentamente o mito, - até à sua exaustão, pelos romanos. E aqui [em Portugal], ele renasceria de novo, vivo, noutra vida, então agora unido à razão.
Aqui na Península [Ibérica], o Oriente e o Ocidente, a pré-história e a história, o mito e a razão, como coincidência de coordenadas de espaço, tempo e pensamento, no homem e na terra, se unirão no exacto ponto e momento de 1500. No ano de Pedro Álvares Cabral: esse será o sentido dessa falha ou união entre dois séculos; a descoberta do Brasil foi o fechar do círculo, conclusão do novo mar.
E só unindo saber e terra se pode compreender a forma de conhecimento que nasceu nesta civilização e por ela foi ofertada ao mundo e com ele partilhada. Porque tudo se fez, pelos homens, em união com a Terra. E agora, um meio milénio passado, num mar agora ultrapassado, transfigurado, o do espírito, ou pelo espírito, ou mar interior, novo feito de novos argonautas, se avizinhará, urgirá avizinhar-se: como penetração e desvendamento e desenho nesse outro mar de suas costas e limites e baías as mais profundas e vaus e linhas de orientação: como repetição do primeiro passo de toda a iniciação, e retomar do apelo de Sócrates, ou de mais atrás, do deus da luz, o que estava escrito ao alto no seu templo de Delfos: «Conhece-te a ti mesmo.» De novo trazendo para as costas atlânticas o princípio regenerador do humanismo mediterrâneo. Será este o feito futuro, renovado, da nova descoberta. Para novo ciclo histórico da pátria lusíada e do Ocidente.
Vês agora a união da saudade com a água? Com a água e com a morte. Bernardim Ribeiro sabia. Era esse o segredo cantado no canto do rouxinol sobre a corrente.
(...) baptismo na água.
Mas agora outra vinda dos Descobrimentos se fará para os homens e para a Terra num homem e numa terra transcendentes, transfigurados, porque na vinda, baptismo no fogo, do Espírito Santo. O espaço agora a conquistar será o transcendente interior, seu. E agora pelo homem pelo Cristo novo, na sua Segunda Vinda, tudo passará de terrestre ao cósmico, transcendente. Para a nova eleição e serviço duma nação, urge pela primeira vez atentar na sua posição no espaço da terra, por uma geografia sagrada. E na sua vinda no tempo, por uma história que nela também se veja de sentido sagrado. Ver aí a sua eleição e serviço, na intercepção do tempo e do espaço. Porque tudo se fará por uma nova visão de tudo que está dada mostrada já. Seis séculos após, a verdade dos Descobrimentos se abrirá, se libertará. Como seis décadas após, Portugal se libertou do jugo castelhano. E após outras seis décadas, o anúncio da verdade pela Renascença Portuguesa, virá por fim à luz. Como germinações e eclosões de sementes escondidas. E também então se revelará a verdade da saudade.
Saudade é a polpa do eu eterno.
Porque a saudade não é conclusa em si, mas seu sentido está no seu ultrapassar. Saudade é tempo de gestação.
E a terra finalmente como Virgem, subirá em Assunção ao céu.
E ver que união, como fusão final de fogo e água, se teria dado aqui nestas margens peninsulares: pelo afundamento do disco rubro do Sol, nas águas de Posídon, como fusão do deus dos povos da velha Atlântida e de Apolo o deus dos povos da Grécia (...).
A terra finalmente unida ao céu, ou Apolo a Gaia, ou a Serpente ao Sol, em enlace último, como promessa dum novo mundo, a nascer.
O ser saudoso é o ser livre na necessidade, o ser da eternidade no tempo. O que traz para a lei da terra a lei do céu. Ou a eternidade para o devir.
Porque a poesia terá a mesma origem que a profecia: as Musas são filhas da Memória.
E assim ao discurso se substituirá essa supra-razão e a unidade do paraíso de novo será atingida.
(...) só, aí, na brancura cintilante e doce (a tal inefável), do seu seio último. Semente do fruto. Trono do mundo. Coração do homem.
A saudade é o segredo de Apolo.» Dalila Pereira da Costa, A Nova Atlântida
«(...) a força da Saudade, criando vida e afogando o sol nas suas lágrimas (...)» Teixeira de Pascoaes
(Maria Bethânia e Gal Costa)
«Roubam-me Deus Outros o diabo Quem cantarei
Roubam-me a Pátria e a humanidade outros ma roubam Quem cantarei
(...) E de mim mesmo Todos me roubam
Quem cantarei Quem cantarei
Roubam-me a voz quando me calo ou o silêncio mesmo se falo