A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

São Tomé e Príncipe: PCD diz que arquipélago está mergulhado em «crise profunda»

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O presidente do Partido de Convergência Democrática (PCD), Albertino Bragança, uma das três formações políticas no actual governo de coligação, chefiado pelo MLSTP/PSD, disse que o seu país ainda continua "mergulhado numa crise social e económica profunda".

"São fenómenos que requerem a nossa atenção e que não podem prolongar-se indefinidamente no tempo sem solução", sublinhou Albertino Bragança numa mensagem que assinala o 19º aniversário da criação do PCD.

O político sustentou que o povo são-tomense continua à espera da concretização das aspirações legítimas que então se produziram, as quais se traduzem no desejo de uma vida melhor para todos na perspectiva de desenvolvimento", referiu.

Bragança afirmou que a situação do país se deteriorou e a pobreza se generalizou, levando uma parte considerável da população a viver em situação de pobreza extrema.

O líder do PCD criticou a política dos sucessivos governos a nível do sector agrícola, que "não tem produzido os efeitos desejáveis" no sentido travar o êxodo das populações do campo para a cidade, uma situação que fez disparar o desemprego e aumentar a pobreza.

O sector da justiça não foi poupado na mensagem do PCD, que acusa os tribunais de tomarem "decisões desconcertadas, incoerentes e absolutamente dúbias" e pede uma reforma "profunda e urgente" neste sector, devido ao papel que assume enquanto pilar do regime democrático.

A ausência de coesão social, solidariedade, crise de valores éticos e morais "proporcionam pouca confiança na classe política", situação que o PCD, considera "preocupante para o desenvolvimento".

Mesmo assim, o líder do PCD elogiou "alguns progressos" económicos registados pelo actual governo de coligação, liderado por Rafael Branco, e assumiu-se como alternativa para tirar o país da crise.

Bragança anunciou, a propósito, o reforço de acções com vista a ganhar as próximas eleições legislativas previstas para 2010, e instou os militantes e simpatizantes do partido a lutarem pela vitória, a exemplo do que se passou no início de 1990, quando o PCD ganhou com a maioria absoluta.

O PCD manifestou-se aberto ao diálogo com outras forças partidárias, mas não no sentido de uma coligação pré-eleitoral.

Fonte: http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=24460&catogory=S%20Tomé%20e%20Príncipe

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eis o ovo de Colombo...

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País deixa luta contra a pobreza e investe na «luta pela riqueza»

O arquipélago de São Tomé e Príncipe aposta na luta pela riqueza através do trabalho, informou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidade, Carlos Tiny.

Carlos Tiny fez o anúncio no Palácio dos Congressos durante a cerimónia que marcou os 54 anos de existência das Nações Unidas. «Na semana passada o Presidente Fradique de Menezes defendeu este ponto de vista, que não gosta de ouvir falar da luta contra pobreza e eu também não gosto porque temos que ter ambição», precisou.

Segundo o responsável pela política externa, São Tomé e Príncipe tem que ultrapassar a fase da luta contra a pobreza «visualizando estratégias de desenvolvimento e pensar em ser um país rico com uma plataforma de negócios e prestação de serviço na região, para que seja uma região mais rica de África. É este desafio que se impõe à comunidade e às Nações Unidas nesta terra», adiantou o chefe da diplomacia santomense.
Carlos Tiny, que foi representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) durante vários anos em Cabo Verde e Moçambique, assim como na sua delegação em Brazzaville, no Congo, não hesitou em falar claramente sobre o novo desafio do sistema para o arquipélago santomense.

«Será que as estratégias e os planos desenhados até agora chegam? Será que teremos que repensar, redesenhar? Penso que é necessário um maior diálogo com as autoridades santomenses. Esta mensagem serve para transmitir que o Governo santomense conta com a ONU como parceiro», acrescentou o chefe da diplomacia.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, em nome do Governo, apelou a uma parceria mais estreita, através de uma nova maneira de estar, que ajude os santomenses a saírem de um ciclo vicioso de miséria e pobreza, para dar entrada numa área de bem-estar social efectivo.

O coordenador residente das Nações Unidas em São Tomé e Príncipe e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Gana Fofang (na foto), disse aos presentes que a ONU tem estado a trabalhar para reduzir a pobreza no Mundo, promovendo a paz, o acesso à Educação e defesa dos direitos humanos. «Esperamos conseguir acabar com a proliferação de armas e a propagação de doenças mortais, assim como proteger as famílias de vítima de desastres», afirmou Fofang.

O representante PNUD, manifestou a esperança de se celebrar na próxima Cimeira de Copenhaga um acordo global justo e ambicioso sobre as alterações climáticas, no sentido de uma economia mais ecologista e sustentável. Sublinhou que, para além de se debaterem as alterações climáticas nesta cimeira marcada para Dezembro, vai também discutir-se a crise alimentar, a crise financeira, os combustíveis e a gripe A.

O PNUD vai apresentar em São Tomé esta quarta-feira, dia 4 de Novembro às 9h00, o relatório de Desenvolvimento Humano, no Instituto Superior Politécnico, para os Deputados, membros do Governo, quadros políticos e técnicos, grandes responsáveis da Administração Central do Estado e sociedade civil.

Fonte: Jornal Digital

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

São Tomé e Príncipe vai assinar um contrato com a empresa petrolífera angola Sonangol para a exploração das suas reservas petrolíferas oceânicas

http://www.geographicguide.net
http://www.geographicguide.net

São Tomé e Príncipe vai assinar um contrato com a empresa petrolífera angola Sonangol para a exploração das suas reservas petrolíferas oceânicas. O acordo foi anunciado pelo Primeiro Ministro São Tomense, Joaquim Rafael Branco.

Atualmente, as exportações de São Tomé são essencialmente cacau. Mas a descoberta de petróleo pode vir alterar esta situação assim como o desenvolvimento do pequeno arquipélago. A experiência comprovada da Sonangol em Angola, a história e o património cultural lusófono comuns criaram as condições para este contrato e irão aproximar e criar novos laços entre duas nações africanas de cultura lusófona e alavancar o desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. O contrato vai também aumentar a integração da economia dos dois países da CPLP, cumprindo assim mais um passo na direção de uma União lusófona por nós defendida em múltiplos fóruns.

Fonte:

http://af.reuters.com/article/investingNews/idAFJOE5950IK20091006

domingo, 18 de outubro de 2009

A Caixa Mágica está a desenvolver o “STP Office”, um Office especialmente criado para São Tomé e Príncipe

A conhecida distro de Linux portuguesa Caixa Mágica está a colaborar com o governo de São Tomé e Príncipe numa adaptação da suite de Office de código livre OpenOffice especialmente concebida para a Administração Pública desse país lusófono.

O projeto tem o título “STP Office” e está a ser desenvolvido em Portugal numa parceria entre o instituto de tecnologias de São Tomé e Príncipe e a Caixa Mágica e foi lançado em 2 de outubro em São Tomé e Príncipe com o apoio do governo deste país lusófono.

Um projeto como o do “STP Office” irá libertar o país africano das pesadas fees e custos associados aos produtos do gigante norte-americano Microsoft. Ao manter locais os recursos de desenvolvimento, potencia também a erupção e manutenção de uma camada de informáticos em Portugal e São Tomé, em vez de alimentar programadores nos EUA ou na Índia tendo sempre em direta conta as especificas necessidades da Administração Pública São Tomense. Um exemplo que já foi também seguido pelo governo brasileiro, mas onde Portugal se deixou ficar para trás, a troco de fúteis anúncios públicos em que os nossos governantes (Sócrates e Pinho, o Inefável) se rebaixaram e com eles, todo o país, na assinatura pública de protocolos inúteis com a multinacional norte-americana.

Fonte:
http://tek.sapo.pt/noticias/computadores/sao_tome_e_principe_adapta_openoffice_1019542.html

domingo, 4 de outubro de 2009

São Tomé e Príncipe: FMI reconhece desempenho positivo da economia no primeiro semestre

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Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou positivo o desempenho da economia de São Tomé e Príncipe no primeiro semestre de 2009.

A ligação da moeda santomense ao euro e a baixa do preço do petróleo foram dois dos factores identificados como Análise do FMI estando a reduzir a inflação no arquipélago, pela missão do FMI que durante duas semanas avaliou o desempenho macroeconómico de São Tomé e Príncipe

«A situação está a recuperar com vários projectos, nomeadamente com o projecto do porto (de águas profundas) que conta com o apoio externo. Portanto, consideramos que a partir de 2010, vamos ver essa tendência de melhor crescimento e mais desenvolvimento», disse o chefe da missão do FMI, Tsidi Tsikata.

Dos indicadores avaliados pelos peritos do FMI, a cobrança de receitas é o sector onde o Governo enfrenta maiores dificuldades. O «abrandamento» no crescimento económico do arquipélago foi justificado com a falta de entradas de ajudas financeiras extremas.

Fonte: http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=23966&catogory=S%20Tomé%20e%20Príncipe

domingo, 20 de setembro de 2009

Angola vai ajudar a construir um novo país: São Tomé e Príncipe

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O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe convidou esta semana Estados e empresas privadas a apoiarem a transformação do país numa plataforma de prestação de serviços, de negócios e de turismo para a subregião do Golfo da Guiné.

À margem do VI Encontro das Fundações da CPLP, que decorreu na quarta-feira e ontem na capital são-tomenses, Joaquim Rafael Branco disse que o “ciclo do cacau terminou”, o que levou o governo a procurar “uma nova visão” para ultrapassar “as grandes dificuldades” actuais e “iniciar um novo ciclo económico”.

Desenhando o perfil de São Tomé e Príncipe como uma economia que dependeu da produção e exportação de cacau e café nos últimos séculos, o chefe do governo defendeu que se aproveitem as mais-valias do arquipélago em termos de posição geoestratégica e sistema político consolidado, que tem “uma população amável e uma natureza generosa”.

Por outro lado, o país, que partilha a exploração de petróleo nas águas conjuntas com a Nigéria, terá em breve o estatuto de zona franca “offshore”.

Para trilhar esse caminho, onde se “perfilam todas as expectativas, das mais felizes e das que preocupam mais”, o governo de Rafael Branco conta com o apoio de parceiros essenciais – Angola e Portugal.

“São duas parcerias estratégicas que estabelecemos: com Angola em África e com Portugal na Europa, sem minimizar a importância dos países vizinhos e das relações que temos com os mais variados países do mundo”, disse.

“A relação estratégica com Angola e Portugal é fundamental, porque se baseia nos laços de história, de cultura e de identidade, aliados a uma vontade política de participar no desenvolvimento de São Tomé e Príncipe”, salientou o governante.

A mudança de ciclo económico depende também da captação de investimento privado, estrangeiro e nacional, já que prevê a construção de um porto de águas profundas, a renovação do aeroporto, investimentos para melhorar o fornecimento de energia, as telecomunicações, as infra-estruturas turísticas e na formação dos recursos humanos nacionais.

“Nos projectos principais desta nova visão para o país há lugar para os Estados e para empresas privadas”, disse, acrescentando que, ao nível institucional, Portugal apoia São Tomé e Príncipe no ensino, e das empresas, a Sonangol é “parceira importante em vários desses projectos”.

“Mas há lugar para todos os outros.

Estamos convencidos que vai haver oportunidades para empresas portuguesas, angolanas e são-tomenses na construção desse novo país, desse novo ciclo que queremos para São Tomé e Príncipe”, realçou o chefe do governo, exemplificando que vai ser uma empresa francesa a construir o porto de águas profundas.

Em São Tomé e Príncipe, um país arquipelágico de cerca de 1.000 quilómetros quadrados e com 160 mil habitantes, há empresas angolanas ou de capital misto a operar na área da banca, combustíveis, imobiliário e de transportes aéreos.

Fonte: O País

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Presidente da Assembleia Nacional diz que Portugal é um parceiro estratégico

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O Presidente da Assembleia Nacional (AN) de São Tomé e Príncipe, Francisco Silva, apontou hoje Portugal como um parceiro estratégico com que aquele país africano conta para ter \"um futuro diferente\".

\"Portugal sem qualquer dúvida é um parceiro estratégico com que São Tomé e Príncipe conta para ter um futuro diferente, um futuro onde os dirigentes centrem o seu pensamento fundamentalmente no Homem\", afirmou Francisco Silva, em declarações aos jornalistas à saída de uma audiência com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém.

Francisco Silva, que se deslocou a Belém enquanto Presidente da Assembleia Parlamentar da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa -- CPLP, adiantou que no encontro com Cavaco Silva a \"cooperação especial, estratégica e exemplar\" entre Portugal e São Tomé e Príncipe foi um dos temas abordados.

\"Portugal e São Tomé têm uma cooperação especial, estratégica, exemplar e sempre que temos ocasião de nos encontrar é tema de conversa falarmos da nossa cooperação\", afirmou.

Relativamente à Assembleia Parlamentar da CPLP, que foi constituída em Abril em São Tomé e Príncipe, Francisco Silva assegurou existir total disponibilidade para trabalhar em conjunto com Portugal.

\"Viemos manifestar a nossa total disponibilidade para, de mãos dadas, trabalharmos em conjunto tendo em vista darmos cada vez mais substância e mais conteúdo à CPLP\", revelou.

Fonte: http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=23821&catogory=S%20Tomé%20e%20Príncipe

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Para memória futura...

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Depois do 25 de Abril, foi mandado em missão para São Tomé e Príncipe. Tentou travar a descolonização?
Não. Nem ia com esse propósito. O objectivo era que houvesse uma transição pacífica. Eles tentaram roubar armas, etc., mas eu troquei-lhes as voltas.
Foi uma descolonização diferente das outras?
Foi a possível. Quando cheguei, estavam absolutamente embriagados com a ideia da independência. Há uns dois anos, falei com um dos líderes guerrilheiros, Filinto Costa Alegre. Contei-lhe: "Sabe que eu pensei, na altura, falar convosco e propor que ficassem com uma situação idêntica à da Madeira e dos Açores, uma região autónoma de Portugal. Mas não cheguei a dizer nada, porque pensariam que eu era um neocolonialista." Sabe o que ele me respondeu? "Senhor general, e não seria possível fazer isso agora?"

Excerto de uma entrevista a Pires Veloso, in Público, 08.12.08

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

NOTÍCIAS DO METROPOLITANO


São Tomé quer o euro como moeda nacional

«O primeiro-ministro são-tomense, Rafael Branco, ontem disse à Lusa que pretende discutir com Portugal a perspectiva de o seu país utilizar o euro como moeda nacional. Rafael Branco falava no final de uma audiência de 45 minutos com o Presidente Cavaco Silva, e mostrou-se esperançado no sucesso das negociações.»

Fonte: Global, terça feira, 16 de Setembro de 2008.


Em nosso redor avança um mundo, quer o aceitemos ou não, esse movimento é decidido por muitos agentes e factores. A vontade de São Tomé e Príncipe e Cabo Verde voltarem a Portugal é cada vez mais parte da sua agenda. O colonialismo parece estar esquecido e a posição frágil destas duas pequenas nações no contexto da África lusófona leva-as a querer estabelecer uma aliança mais forte. Neste contexto Portugal aparece como uma porta de entrada ao fundo da qual é a Europa Comunitária a ser procurada.
São questões como esta que, no meu entender, devem levar o MIL à reflexão.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

FESTA AMERICANA


Uma festa é sempre uma festa; mas quando é de ocasião, no Hotel mais chique da cidade e é uma tripulação de um navio de guerra americano a fazer as honras da casa, passa a ser um acontecimento, para mais uma oportunidade para se privar assim de perto com os americanos-donos-do-mundo aparece uma vez na vida do comum dos mortais.
Na verdade, tomei conhecimento da festa uma hora antes, e não percebi também muito bem qual a ligação entre os americanos e a escola onde estou a trabalhar, e através da qual recebi o convite (depois descobriria que a Directora tem um namorado americano, e portanto que este tinha sido the right guy in the right place).
O navio de guerra era mais precisamente uma fragata que tem estado fundeada ao largo de S Tomé desde há alguns dias. Os tripulantes pareciam ter-se fartado da vida monótona de barco-polícia-do-mundo e decidiram organizar uma festança no Hotel Miramar, como se disse o de mais nomeada em São Tomé. Houve jantar, música (trouxeram aparelhagem de som e um grupo deles passou quase a festa toda a cantar hip-hop e outros sons afro-americanos, como não podia deixar de ser), enfim, muita bebida e comida a correr às custas de Mr. Bush, I presume. Ainda para mais, um deles fazia anos, um tipo altíssimo, devia ter uns 2.10m. Chamava-se David, aquele americano típico com o ar e a cor desbotada de quem come flocos de aveia todos os dias e que se notava queria era diversão. E depois havia elementos femininos na tripulação também, claro, também não enganavam ninguém sobre a sua origem (só lhes faltavam os pompons e armar a coreografia). Mas isso foi só a seguir ao jantar-volante, com animação q.b., distribuição de lugares dentro mas também fora da sala de refeições e de um são-tomense esganiçando hits do Bob Marley ter tentado em vão que alguém o acompanhasse.
Tudo melhorou de facto com a entrada “em palco” do grupo dos kaméricas músicos (“kaméricas” é um termo encontrado nos livros do Pepetela, o seu a seu dono) e, puxando a brasa à minha sardinha, também às libações do vinho alentejano que tinha regado o jantar. Logo ali se improvisou uma pista de dança em frente ao bar, e entre nós já se comentava que estávamos todos a correr perigo, se eles voltassem ao barco completamente drunks – o que tudo fazia crer que sim, já que a maior parte tinha entretanto tomado de assalto o bar do hotel –, podiam carregar sem querer no botão que acordaria os mísseis e mandar a ilha pelos ares. Não foi no entanto preciso chegar a esse ponto, já que a páginas tantas o comandante da fragata salta para o palco, tira o microfone ao rapper e anuncia que a festa tinha terminado, que já se tinha bebido mais do que o suficiente e que tinha de ir tudo para o barco. Houve algum burburinho, o David, ao lado do mandante, pronunciou um silencioso fuck e lá começou tudo a dispersar da pista, a pegar nas mochilas e a sair. Nesta altura, diga-se em nome da verdade dos acontecimentos realmente passados, já os americanos se tinham metido com as portuguesas e já havia algumas na pista. O certo é que também nós fomos levados, não para o barco, mas a dar por encerrada a festança. Já no exterior do hotel, o insólito passou à frente dos nossos olhos (se fosse o ex-famoso jornalista da praça Artur Albarrã, diria «O horror», «O drama»): um americano tombado, ou tinha havido uma baixa, para utilizar terminologia militar, e logo se pôs a questão: como é que o exército mais poderoso do mundo pode ter sofrido baixas em S Tomé, quando é certo e sabido que as forças militares locais não tinham arsenal suficiente nem mesmo para resgatar o Ilhéu das Cabras se o mesmo fosse invadido por tropas inimigas? Do dito americano se fez rapidamente o diagnóstico, bastou a observação para perceber que era bebedeira, de qual bebida não sabemos dizer, mas era improvável que fosse de aguardente da terra, cacharamba como é chamada, que bebidas destas não entram em hotéis do Pestana como é este Miramar. Foi assim que tudo terminou, pensámos os americanos regressaram ao barco e nós vamos beber mais um copo a um bar da cidade (aliás, ao bar da cidade, não há outro). Enganámo-nos mais uma vez, pois quando chegámos ao Tropicana, estava lá um grupo de americanos escapulidos. Não por muito tempo, na contagem de cabeças faltavam aquelas que só ali poderiam estar, deve ter pensado o comandante, pois pouco depois estava a entrar no bar com o mesmo ar imperturbábel que tinha posto ao microfone do rapper quando anunciara o fim de festa, e nem foi preciso dizer nada, entrou mudo e mudo saiu do bar, como de resto o grupo desertor que saía atrás de si, afinal de contas estamos a falar do poderoso e temível exército do Tio Sam.

Outubro 2007
João Paulo Pereira – Professor em STP


Nota: Vários barcos de guerra norte-americanos vêm fundeando com regularidade ao largo de São Tomé e Príncipe, no quadro da sua política militarista que parece ter tomado o mundo de assalto. Esta crónica reporta-se a uma dessas ocasiões em que os embarcadiços do Tio Sam, aproveitando para folgar da vida embarcada, acabaram emborcando a rodos na festa que os mesmos prepararam no então hotel mais conceituado da cidade.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

LUSOFONIA NA TELEVISÃO


“SAL NA LÍNGUA” VIAJA PELOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

"Aproximar as culturas lusófonas" é o objectivo do programa, diz José Fragoso

"É uma viagem saborosa à descoberta de nós, os falantes da língua portuguesa", explicou o santomense João Carlos Silva, autor de Sal na Língua, o novo programa que a RTP vai estrear no dia 29, às 22.30, e que ontem foi apresentado no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa.

"A gastronomia é o pretexto" para um percurso através do património, das paisagens, das artes e das pessoas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com início em São Tomé e Príncipe, arquipélago onde o autor gravou o primeiro de 40 episódios, de cerca de 27 minutos cada.

"Como estão os afectos? E de que esperanças falam os artistas?" São estas algumas das perguntas para as quais João Carlos Silva vai à procura de respostas. Gravado no Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Timor-Leste e Portugal, o programa apresenta testemunhos e reflexões de personalidades de vários sectores das artes e da cultura dos vários países da CPLP. Conversas que o autor combina com outros ingredientes, na confecção de pratos típicos, sempre preparados com a ajuda de um convidado local.

Mas porque é necessário Sal na Língua? O título do programa, inspirado num poema de Eugénio de Andrade, traduz a necessidade que o autor sente de dotar a língua portuguesa de sal q.b. (quanto baste). Porque está "insossa", afirma João Carlos Silva. "Está insossa no olhar que temos para as comunidades de língua portuguesa", e "na assunção que devíamos ter em relação a esta comunidade de afectos", onde falta "o diálogo e o intercâmbio". E está insossa "porque uma boa parte das criações artísticas que se fazem nesses países são desconhecidas", e "porque há gente com muita esperança nessas latitudes e, normalmente, o que se mostra, inclusive na comunicação social portuguesa, é a desesperança e as tragédias", desabafa João Carlos Silva.

Na opinião do director de Programas da estação de serviço público, José Fragoso, Sal na Língua pretende "aproximar as várias culturas lusófonas", e é a prova de que é possível "fazer televisão com poucos recursos mas com muita imaginação".

Recursos que tiveram o patrocínio da Sociedade Central de Cervejas (SCC). "Quando se fala em lusofonia, as marcas de cerveja tinham de estar presentes", afirmou, durante a apresentação de ontem, Nuno Pinto de Magalhães, em representação da SCC.

Construir a felicidade

"Façam o favor de ser felizes" era a frase com que João Carlos Silva costumava terminar os episódios de Na Roça com os Tachos. Agora, em Sal na Língua, o autor despede-se de outra forma, parecida, mas um pouco diferente. "Façam o favor de construir a vossa felicidade", pede agora aos telespectadores, porque, diz, "é um exercício" que tem de se fazer todos os dias.

A primeira série de 13 episódios tem estreia marcada para dia 29, às 22.30, e terá transmissão pela RTP1, RTP África e RTP Internacional.

Filipe Feio in DN


sexta-feira, 25 de abril de 2008

S Tomé e Príncipe: Um arquipélago em busca de uma rota

Os governos caem ao ritmo de um por ano e a ilusão por conta das receitas do petróleo só veio agravar a errância actual.
A demissão do primeiro-ministro são-tomense Damião Vaz D'Almeida foi o último abalo numa cadeia de instabilidade caracterizada por obscuras quezílias pessoais e frequentes guerrilhas institucionais. Com aquele abandono, formalizado na quinta-feira da semana passada, o balanço é já de 14 primeiros-ministros em 14 anos de multipartidarismo, nenhuma legislatura concluída, dois efémeros golpes militares e uma descrença dos governados na classe política.
Os políticos afirmam que a causa da constante instabilidade é a ambiguidade do texto constitucional relativamente às competências do Governo e do Presidente da República. Quem percorrer a história do arquipélago perguntará, contudo, se os conflitos e rivalidades não serão antes um traço morfológico da micropolítica local.
O alemão Gerhard Seibert, que investigou os padrões sociopolíticos locais, situa nos primórdios da colonização as profundas tensões políticas de uma sociedade heterogénea, híbrida e esparsa, sem um centro forte e sem as regras institucionais de autoridade continentais.

Fonte : http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2008/04/um-arquiplago-e.html