A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Quando se fala da ditadura em Portugal..."

"Quando se fala da ditadura em Portugal, a ditadura que houve em Portugal foi uma revolução também. Porque a primeira República era um regime em que não se procurava fazer avançar o país, pôr-se em dia com o país, não havia maneira. Então houve uma revolução, foi uma revolução conservadora, digamos, foi uma revolução de direita, mas foi uma revolução, porque a primeira República não preparou as coisas para não haver a revolução. Os políticos esta­vam na sua comodidade e não naquilo que havia a fazer no país. Ou temos pelo lado da Rússia ou do lado de outros países que tiveram revoluções digamos de esquerda, revoluções comunistas, a mesma coisa. Também o regime anterior não preparava para o futuro, então a explosão deu-se. Mas em Portugal, depois, a revolução conservadora durou quase cinquenta anos, meu caro Amigo, e não foi brincadeira. Muito menos violenta, claro, que outras ditaduras que tinha havido noutros lugares, menos violenta, mas houve violência e houve dureza nessa revolução. Simplesmente, foi uma revolução que montou uma situação que não tinha grande futuro, acabou por se desfazer por si e não estava inserida no tempo histórico geral. Conservou o problema das colónias, poderia ter-se resolvido já na República, não se resolveu. Não é abandonar esses países como no fim se abandonaram, deixando-os em situações extremamente difíceis, mas era ir fazendo com que esses países, rapidamente, o mais rapidamente possivel, aprendessem a viver como nações independentes. Não havia razão nenhuma para Angola ser inteiramente independente ou para Portugal ser inteiramente independente de Angola."

Agostinho da Silva, inédito

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Da América a Portugal

"a América não me fez impressão absolutamente nenhuma, é uma coisa de supermercados muito bem organizados, inclusive as universidades. São supermercados excelentes, ali as pessoas estão, têm todos os recursos que querem, podem desenvolver o que quiserem, mas suponho que não se fez aquilo que seria mais importante - uma filosofia de vida humana -, que não se faz ali nenhuma descoberta sensacional. Mas que de facto lá nas várias técnicas sabem muito, todas aquelas coisas, são muito eruditos, têm tudo ao seu dispor, mas não parece seja uma coisa realmente muito interessante"

"Nessa altura já Salazar estava doente, morreu acho que um ano depois de eu estar em Portugal e aparecer por aí. Já estava governando, ou já estava go­vernando ou tinha tomado uma parte do governo ou qualquer coisa assim, Marcello Caetano, com quem eu tinha tido um encontro pouco amistoso na Universidade da Bahia, e um amigo aqui ficou muito aflito e foi perguntar se não havia inconveniente em eu vir até Portugal e ele deu a resposta inteligente e certa - "Vocês julgam que eu sou algum selvagem?". E eu vim, não houve atrapalhação nenhuma, a não ser, a não ser... Eu ignorava uma coisa qualquer da lei portuguesa que obriga a dar o endereço da pessoa, a que se chega a Portugal do estrangeiro. Então, como eu não tinha dado o endereço, veio a polícia política, não, foi a outra, mas percebia-se que fosse a polícia política porque era ela que estava encarregada do serviço de fronteiras, de maneira que ela veio à minha procura como polícia de fronteiras e não polícia política. Bem, fui dar a explicação, realmente tinha-me esquecido, não sabia, mas ficou a coisa perfeitamente elucidada e me deixaram quieto e tranquilo a assistir a todas aquelas mudanças."



Agostinho da Silva, inédito

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domingo, 30 de novembro de 2008

Os "estados novos" - Portugal


Em Portugal, depois do golpe de estado de 1926, Gomes da Costa, implantou uma ditadura que há muito vinha a ser pedida pela burguesia mais radical Sidonista, cujo líder tinha sido morto em 14 de Dezembro de 1918.
O jornal "A Dictadura" tinha veementemente exigido essa ditadura anos a fio e aí estava ela.
A verdade é que a primeira república tinha sido um fracasso, como revolução burguesa de carácter maçónico, apenas pretendeu substituir uma classe no poder por outra, ou seja substituir a nobreza pela burguesia.
Mesmo na época monárquica já os burgueses compravam os títulos nobiliárquicos, por isso a mudança não foi quase nenhuma, houve sim uma inversão dos símbolos e dos ícones.
O anticlericalismo criou o endeusamento da figura da república, chegando-se a fazer procissões em que a e imagens dos Santos eram substituídas pela imagem da santa república.
O próprio espaço das Igrejas Católicas foi reutilizado, como em Alhos Vedros onde a Igreja Matriz foi usada como garagem para os Bombeiros da Moita. Outras igrejas foram destruídas e também alguns mosteiros. As ordens monásticas foram ilegalizadas e todo esse dinheiro saqueado a saqueadores, foi para onde?

Não foi seguramente para o Povo, pois não havia uma política de segurança social ou de defesa da classe dos trabalhadores por parte do estado.

A entrada de Portugal na I guerra foi um despesismo mais na depauperada economia e também o destroçar de uma geração.
A primeira república nada melhorou para 99% dos Portugueses em relação à monarquia...
Aliás havia muito mais liberdade no final da monarquia do que na I república, basta lembrar o grande Bordallo e as revistas que fez, em sucessão libertária, pois assim que o governo encerrava uma, ele criava outra, essa liberdade só tem paralelo agora na blogosfera, bem hajam os blogues por isso.

Com o golpe de 28 de Maio de 1926, veio depois o estado novo português, que foi beber aos sacramentos do fascismo Italiano, mas, ao invés deste, que era de natureza urbana, e revolucionário o estado novo tinha características rurais e era anti-revolucionário e conservador, acabou por isso com os nacional-sindicalistas de Rolão Preto, esses sim revolucionários e verdadeiramente pró-fascistas.
O que sobrou da direita conservadora Sidonista republicana e antigos monárquicos do Integralismo Lusitano, foi integrada na grande União-Nacional corporativa e conservadora com forte pendor clerical.

O estado novo português teve 2 épocas, a primeira até ao começo da II guerra mundial, a outra após o final da II guerra.

Na minha opinião esta primeira fase conseguiu organizar minimamente o caos, pensou pequeno, tendo um vasto império colonial, ainda.
Estabilizou a economia por baixo, tornando os pobrezinhos asseados e felizinhos, dando-lhes entretenimentos vários que se tornaram muito populares, especialmente os filmes portugueses dessa época, mas também a rádio, os jornais de histórias em quadrinhos, o Futebol, Fátima e o Fado.
Foi, uma época feliz e o sistema corporativo escolhia as empresas a dedo, quase não existindo sistema de mercado, as empresas eram sectoriais, havia a empresa das cervejas, a empresa das massas alimentícias, dos vinhos de mesa e assim sucessivamente...era o tempo do mono, em tudo, até nas cores dos edifícios públicos, tudo era monocolor, era um Portugal a preto e branco.
Apesar do colorido artístico dado pela exposição do Mundo Português...
...se não fossem os artistas.

Esta fase teria de ser aproveitada para redimensionar toda a política colonial, implementando a colonização do interior de Angola e Moçambique, investindo em infra-estruturas, na educação dos povos e na misceginização das populações, assim como deveria ter investido na auto-gestão dos seus habitantes em todos os termos, inclusive políticos, dando autonomia gradual às colónias até que se criasse uma federação de estados lusófonos em que a capital tanto pudesse ser na Europa como em África.

A segunda fase estado novo, passou do preto e branco, para a gama de cinzas, tudo ficou cinzento e triste, a PIDE endureceu, o inimigo ficou bem explícito, porque também tudo ficou mais linear, dum lado o mal, simbolizado pelo PCP, mero bode expiatório que o Salazar pretendeu diabolizar para poder continuar no poder sem nada de relevante ser feito para desenvolver Portugal, do outro o bem simbolizado pela União Nacional, e os pseudo bons costumes e virtudes públicas, cheias de vícios privados.
Enfim um paraíso de servilismo sem criminalidade, a não ser a que estava no poder, à beira-mar plantado, onde realmente era muito bom pertencer à classe dominante que vivia em Lisboa com possibilidade de ir ver as paisagens de vez em quando no resto do país.
A emigração foi reconstruir a Alemanha e França, em vez de ir construir o interior de Angola e Moçambique, só em 1961, depois do ataque da UPA, Salazar esboçou estas ideias, mas aí já era tarde.
A estagnação continuou, até que Portugal entrou em guerra nas três frentes africanas, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, com a Europa, os EUA e a URSS a apoiarem os movimentos (in)dependentistas e Portugal orgulhosamente só a fazer frente ao mundo inteiro. De louvar as forças armadas que conseguiram fazer frente tantos anos a esses movimentos, mas de lamentar que tenha sido necessário a eclosão desses movimentos para Salazar finalmente ter reparado que existiam essas colónias.
Com a guerra perdida na Guiné-Bissau, aliado a uma oposição interna anti-guerra colonial e a diáspora dos portugueses pelo mundo, mesmo com possibilidades de vencer os movimentos nas colónias de Angola e Moçambique mas num futuro distante e num cenário de um Portugal decadente e extenuado e completamente isolado, as forças armadas saturadas de tanta guerra sem fim à vista, fizeram o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, trazendo Portugal para o seu cantinho europeu e adiando 30 anos a restauração da nossa missão atlântica e mundial que antes com o regime Salazarista já tinha perdido quase 50 anos de desenvolvimento.

Ainda anteriormente, a possibilidade de se formarem novos Brasis em Angola e Moçambique no final do século XIX, apenas colonizadas então em alguns portos de mar, investindo na colonização dos seus interiores nessa altura, foi uma opção logo destruída pela ideia insensata de expansão territorial com a ligação destas duas colónias.
A quantidade ao invés da qualidade foi o apanágio dessa época de imperialismos que estavam na moda e Portugal foi ficando adiado, depois veio a república e adiou-se mais uns anos, com o Salazarismo idem, agora com esta pseudo-democracia, mais 30 anos de adiamento...mas o que é isso para uma nação como Portugal que tem 1000 anos de história !

Nada nos resta senão o futuro e esse começou agora, o MIL pode ser a pedrada no charco deste adiamento consecutivo da missão de Portugal e da missão do Mundo Lusófono em que nos inserimos.
Luís Cruz Guerreiro

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Para uma visão não maniqueísta do Estado Novo: nove breves notas

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1. Nunca gostei do Salazar ou do Estado Novo. Sobretudo, por duas razões:
- pela censura e pela perseguição política (a que sou radicalmente avesso: sou contra a criminalização de qualquer opinião política)
- pelo conservadorismo social e beatismo religioso (como também já devem ter percebido…).

2. Dito isto, a lenga-lenga maniqueísta que, em geral, o PC (Politicamente Correcto) produz sobre o Estado Novo é algo que me irrita, desde logo pela ignorância histórica que denota…

3. Assim, antes de mais, importa situar o regime no seu quadro histórico: a instauração da Ditadura Militar, a que se seguiu o Estado Novo, foi uma resposta aos caos (político e financeiro) a que nos levou a I República. Resposta, de resto, saudada por grande parte da população, bem como por grande parte dos intelectuais da época, incluindo o Pessoa…

4. Mesmo os aspectos mais negativos do regime (acima referidos) eram relativamente comuns na época. E não falo apenas dos regimes fascistas (que o Estado Novo não foi), nem dos regimes ditos “democráticos de leste”. Falo, igualmente, dos regimes “democráticos ocidentais”, ainda que em menor escala: o conservadorismo social, por exemplo, era mais ou menos igual em todo o lado…

5. No final da década de quarenta, com o final da Guerra, as coisas, de facto, começaram a mudar. E aí o regime beneficiou da clivagem gerada pela Guerra Fria…

6. No início da década de sessenta começou a guerra colonial. E isso, numa primeira fase, fortaleceu o regime: houve até bastantes republicanos da velha guarda que calaram as suas críticas ao regime em nome da defesa do Império (para quem não saiba, o regime republicano era fortemente “colonialista”).

7. A guerra, contudo, jamais poderia ser ganha militarmente, como se verificou no terreno. Mas a situação era muito delicada, como depois se demonstrou com a descolonização: em (quase) todos os locais, ocorreram guerras civis, particulamente sangrentas…

8. A “tragédia”, que eu acho que o Marcello Caetano intimamente sentia, era essa: qualquer que fosse o caminho, o resultado seria mau… Para além do peso de quinhentos anos de Império que ele sentia sobre os seus ombros (é favor não se rirem…).

9. E isso bloqueou tudo, inclusive uma transição democrática por via pacífica, como aconteceu em Espanha…