EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
Mostrar mensagens com a etiqueta Estado Novo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estado Novo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

"Quando se fala da ditadura em Portugal..."

"Quando se fala da ditadura em Portugal, a ditadura que houve em Portugal foi uma revolução também. Porque a primeira República era um regime em que não se procurava fazer avançar o país, pôr-se em dia com o país, não havia maneira. Então houve uma revolução, foi uma revolução conservadora, digamos, foi uma revolução de direita, mas foi uma revolução, porque a primeira República não preparou as coisas para não haver a revolução. Os políticos esta­vam na sua comodidade e não naquilo que havia a fazer no país. Ou temos pelo lado da Rússia ou do lado de outros países que tiveram revoluções digamos de esquerda, revoluções comunistas, a mesma coisa. Também o regime anterior não preparava para o futuro, então a explosão deu-se. Mas em Portugal, depois, a revolução conservadora durou quase cinquenta anos, meu caro Amigo, e não foi brincadeira. Muito menos violenta, claro, que outras ditaduras que tinha havido noutros lugares, menos violenta, mas houve violência e houve dureza nessa revolução. Simplesmente, foi uma revolução que montou uma situação que não tinha grande futuro, acabou por se desfazer por si e não estava inserida no tempo histórico geral. Conservou o problema das colónias, poderia ter-se resolvido já na República, não se resolveu. Não é abandonar esses países como no fim se abandonaram, deixando-os em situações extremamente difíceis, mas era ir fazendo com que esses países, rapidamente, o mais rapidamente possivel, aprendessem a viver como nações independentes. Não havia razão nenhuma para Angola ser inteiramente independente ou para Portugal ser inteiramente independente de Angola."

Agostinho da Silva, inédito

Consulte outros textos on-line em:
www.agostinhodasilva.pt

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Da América a Portugal

"a América não me fez impressão absolutamente nenhuma, é uma coisa de supermercados muito bem organizados, inclusive as universidades. São supermercados excelentes, ali as pessoas estão, têm todos os recursos que querem, podem desenvolver o que quiserem, mas suponho que não se fez aquilo que seria mais importante - uma filosofia de vida humana -, que não se faz ali nenhuma descoberta sensacional. Mas que de facto lá nas várias técnicas sabem muito, todas aquelas coisas, são muito eruditos, têm tudo ao seu dispor, mas não parece seja uma coisa realmente muito interessante"

"Nessa altura já Salazar estava doente, morreu acho que um ano depois de eu estar em Portugal e aparecer por aí. Já estava governando, ou já estava go­vernando ou tinha tomado uma parte do governo ou qualquer coisa assim, Marcello Caetano, com quem eu tinha tido um encontro pouco amistoso na Universidade da Bahia, e um amigo aqui ficou muito aflito e foi perguntar se não havia inconveniente em eu vir até Portugal e ele deu a resposta inteligente e certa - "Vocês julgam que eu sou algum selvagem?". E eu vim, não houve atrapalhação nenhuma, a não ser, a não ser... Eu ignorava uma coisa qualquer da lei portuguesa que obriga a dar o endereço da pessoa, a que se chega a Portugal do estrangeiro. Então, como eu não tinha dado o endereço, veio a polícia política, não, foi a outra, mas percebia-se que fosse a polícia política porque era ela que estava encarregada do serviço de fronteiras, de maneira que ela veio à minha procura como polícia de fronteiras e não polícia política. Bem, fui dar a explicação, realmente tinha-me esquecido, não sabia, mas ficou a coisa perfeitamente elucidada e me deixaram quieto e tranquilo a assistir a todas aquelas mudanças."



Agostinho da Silva, inédito

Consulte outros textos on-line em:
www.agostinhodasilva.pt

domingo, 30 de novembro de 2008

Os "estados novos" - Portugal


Em Portugal, depois do golpe de estado de 1926, Gomes da Costa, implantou uma ditadura que há muito vinha a ser pedida pela burguesia mais radical Sidonista, cujo líder tinha sido morto em 14 de Dezembro de 1918.
O jornal "A Dictadura" tinha veementemente exigido essa ditadura anos a fio e aí estava ela.
A verdade é que a primeira república tinha sido um fracasso, como revolução burguesa de carácter maçónico, apenas pretendeu substituir uma classe no poder por outra, ou seja substituir a nobreza pela burguesia.
Mesmo na época monárquica já os burgueses compravam os títulos nobiliárquicos, por isso a mudança não foi quase nenhuma, houve sim uma inversão dos símbolos e dos ícones.
O anticlericalismo criou o endeusamento da figura da república, chegando-se a fazer procissões em que a e imagens dos Santos eram substituídas pela imagem da santa república.
O próprio espaço das Igrejas Católicas foi reutilizado, como em Alhos Vedros onde a Igreja Matriz foi usada como garagem para os Bombeiros da Moita. Outras igrejas foram destruídas e também alguns mosteiros. As ordens monásticas foram ilegalizadas e todo esse dinheiro saqueado a saqueadores, foi para onde?

Não foi seguramente para o Povo, pois não havia uma política de segurança social ou de defesa da classe dos trabalhadores por parte do estado.

A entrada de Portugal na I guerra foi um despesismo mais na depauperada economia e também o destroçar de uma geração.
A primeira república nada melhorou para 99% dos Portugueses em relação à monarquia...
Aliás havia muito mais liberdade no final da monarquia do que na I república, basta lembrar o grande Bordallo e as revistas que fez, em sucessão libertária, pois assim que o governo encerrava uma, ele criava outra, essa liberdade só tem paralelo agora na blogosfera, bem hajam os blogues por isso.

Com o golpe de 28 de Maio de 1926, veio depois o estado novo português, que foi beber aos sacramentos do fascismo Italiano, mas, ao invés deste, que era de natureza urbana, e revolucionário o estado novo tinha características rurais e era anti-revolucionário e conservador, acabou por isso com os nacional-sindicalistas de Rolão Preto, esses sim revolucionários e verdadeiramente pró-fascistas.
O que sobrou da direita conservadora Sidonista republicana e antigos monárquicos do Integralismo Lusitano, foi integrada na grande União-Nacional corporativa e conservadora com forte pendor clerical.

O estado novo português teve 2 épocas, a primeira até ao começo da II guerra mundial, a outra após o final da II guerra.

Na minha opinião esta primeira fase conseguiu organizar minimamente o caos, pensou pequeno, tendo um vasto império colonial, ainda.
Estabilizou a economia por baixo, tornando os pobrezinhos asseados e felizinhos, dando-lhes entretenimentos vários que se tornaram muito populares, especialmente os filmes portugueses dessa época, mas também a rádio, os jornais de histórias em quadrinhos, o Futebol, Fátima e o Fado.
Foi, uma época feliz e o sistema corporativo escolhia as empresas a dedo, quase não existindo sistema de mercado, as empresas eram sectoriais, havia a empresa das cervejas, a empresa das massas alimentícias, dos vinhos de mesa e assim sucessivamente...era o tempo do mono, em tudo, até nas cores dos edifícios públicos, tudo era monocolor, era um Portugal a preto e branco.
Apesar do colorido artístico dado pela exposição do Mundo Português...
...se não fossem os artistas.

Esta fase teria de ser aproveitada para redimensionar toda a política colonial, implementando a colonização do interior de Angola e Moçambique, investindo em infra-estruturas, na educação dos povos e na misceginização das populações, assim como deveria ter investido na auto-gestão dos seus habitantes em todos os termos, inclusive políticos, dando autonomia gradual às colónias até que se criasse uma federação de estados lusófonos em que a capital tanto pudesse ser na Europa como em África.

A segunda fase estado novo, passou do preto e branco, para a gama de cinzas, tudo ficou cinzento e triste, a PIDE endureceu, o inimigo ficou bem explícito, porque também tudo ficou mais linear, dum lado o mal, simbolizado pelo PCP, mero bode expiatório que o Salazar pretendeu diabolizar para poder continuar no poder sem nada de relevante ser feito para desenvolver Portugal, do outro o bem simbolizado pela União Nacional, e os pseudo bons costumes e virtudes públicas, cheias de vícios privados.
Enfim um paraíso de servilismo sem criminalidade, a não ser a que estava no poder, à beira-mar plantado, onde realmente era muito bom pertencer à classe dominante que vivia em Lisboa com possibilidade de ir ver as paisagens de vez em quando no resto do país.
A emigração foi reconstruir a Alemanha e França, em vez de ir construir o interior de Angola e Moçambique, só em 1961, depois do ataque da UPA, Salazar esboçou estas ideias, mas aí já era tarde.
A estagnação continuou, até que Portugal entrou em guerra nas três frentes africanas, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, com a Europa, os EUA e a URSS a apoiarem os movimentos (in)dependentistas e Portugal orgulhosamente só a fazer frente ao mundo inteiro. De louvar as forças armadas que conseguiram fazer frente tantos anos a esses movimentos, mas de lamentar que tenha sido necessário a eclosão desses movimentos para Salazar finalmente ter reparado que existiam essas colónias.
Com a guerra perdida na Guiné-Bissau, aliado a uma oposição interna anti-guerra colonial e a diáspora dos portugueses pelo mundo, mesmo com possibilidades de vencer os movimentos nas colónias de Angola e Moçambique mas num futuro distante e num cenário de um Portugal decadente e extenuado e completamente isolado, as forças armadas saturadas de tanta guerra sem fim à vista, fizeram o golpe de estado de 25 de Abril de 1974, trazendo Portugal para o seu cantinho europeu e adiando 30 anos a restauração da nossa missão atlântica e mundial que antes com o regime Salazarista já tinha perdido quase 50 anos de desenvolvimento.

Ainda anteriormente, a possibilidade de se formarem novos Brasis em Angola e Moçambique no final do século XIX, apenas colonizadas então em alguns portos de mar, investindo na colonização dos seus interiores nessa altura, foi uma opção logo destruída pela ideia insensata de expansão territorial com a ligação destas duas colónias.
A quantidade ao invés da qualidade foi o apanágio dessa época de imperialismos que estavam na moda e Portugal foi ficando adiado, depois veio a república e adiou-se mais uns anos, com o Salazarismo idem, agora com esta pseudo-democracia, mais 30 anos de adiamento...mas o que é isso para uma nação como Portugal que tem 1000 anos de história !

Nada nos resta senão o futuro e esse começou agora, o MIL pode ser a pedrada no charco deste adiamento consecutivo da missão de Portugal e da missão do Mundo Lusófono em que nos inserimos.
Luís Cruz Guerreiro

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Para uma visão não maniqueísta do Estado Novo: nove breves notas

.
1. Nunca gostei do Salazar ou do Estado Novo. Sobretudo, por duas razões:
- pela censura e pela perseguição política (a que sou radicalmente avesso: sou contra a criminalização de qualquer opinião política)
- pelo conservadorismo social e beatismo religioso (como também já devem ter percebido…).

2. Dito isto, a lenga-lenga maniqueísta que, em geral, o PC (Politicamente Correcto) produz sobre o Estado Novo é algo que me irrita, desde logo pela ignorância histórica que denota…

3. Assim, antes de mais, importa situar o regime no seu quadro histórico: a instauração da Ditadura Militar, a que se seguiu o Estado Novo, foi uma resposta aos caos (político e financeiro) a que nos levou a I República. Resposta, de resto, saudada por grande parte da população, bem como por grande parte dos intelectuais da época, incluindo o Pessoa…

4. Mesmo os aspectos mais negativos do regime (acima referidos) eram relativamente comuns na época. E não falo apenas dos regimes fascistas (que o Estado Novo não foi), nem dos regimes ditos “democráticos de leste”. Falo, igualmente, dos regimes “democráticos ocidentais”, ainda que em menor escala: o conservadorismo social, por exemplo, era mais ou menos igual em todo o lado…

5. No final da década de quarenta, com o final da Guerra, as coisas, de facto, começaram a mudar. E aí o regime beneficiou da clivagem gerada pela Guerra Fria…

6. No início da década de sessenta começou a guerra colonial. E isso, numa primeira fase, fortaleceu o regime: houve até bastantes republicanos da velha guarda que calaram as suas críticas ao regime em nome da defesa do Império (para quem não saiba, o regime republicano era fortemente “colonialista”).

7. A guerra, contudo, jamais poderia ser ganha militarmente, como se verificou no terreno. Mas a situação era muito delicada, como depois se demonstrou com a descolonização: em (quase) todos os locais, ocorreram guerras civis, particulamente sangrentas…

8. A “tragédia”, que eu acho que o Marcello Caetano intimamente sentia, era essa: qualquer que fosse o caminho, o resultado seria mau… Para além do peso de quinhentos anos de Império que ele sentia sobre os seus ombros (é favor não se rirem…).

9. E isso bloqueou tudo, inclusive uma transição democrática por via pacífica, como aconteceu em Espanha…