EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

RIMANCE DO CAVALEIRO DAS ESCÓCIAS (IV & V)



AQUELE QUE VAI MORRER


«A guerra é mãe e rainha de todas as coisas; a alguns transforma em deuses, a outros, em homens; de alguns faz escravos, de outros, homens livres.»

Heraclito


O exército parou a marcha e formou em frente à floresta. Esperaram, entre os relinchos das montarias e o calor intenso. Da floresta saiu um Cavaleiro, um só Cavaleiro, de armadura negra e cavalo negro, e parou. A sua posição e atitude no campo não deixavam incertezas, tinha vindo para o combate, para enfrentar aquele imenso exército.
Durante um segundo nada se moveu nas fileiras silentes, depois um quarto dos homens sorriu, um quarto riu alto e metade sentiu um medo inexplicável. Os capitães olharam para o Duque, e o Duque olhou para os capitães; depois os capitães olharam uns para os outros. Nem uma palavra foi proferida.
Para um observador externo a conclusão seria simples e rápida. O Cavaleiro de armadura negra, estático e extático, no seu cavalo estátua, bloco único de rocha da noite, não mais era que um lunático suicida e o destino da batalha estava decidido ainda antes de começar.
No entanto, é avisado acreditar que os instantes em que um homem eleva a matéria vil do mundo à grandeza que o transcende chamam sempre a atenção de observadores estranhos. Deus é esse observador. Superno às tristes criaturas, Ele somente não tem dúvidas que o milagre é uma espada que trespassa, sem dificuldade, a carne pútrida do mundo.





O REINO


Era uma vez um Cavaleiro que jurara lealdade a um Rei e uma Rainha, e um dia o Reino partiu-se e o Rei e a Rainha enviaram exércitos um contra o outro. Nesse dia o Cavaleiro fustigou a montada branca à ponta de um desfiladeiro e apeou-se na beira do precipício. Olhou os céus, olhou o rio de águas prateadas no fundo, muito fundo do abismo. Ficou ali, imóvel, enquanto o cavalo pastava, manhã e tarde, até que o cair do Sol lhe pintou a face de vermelho, e depois de negrume. Tinha feito uma jura, uma Jura de Cavaleiro e não poderia quebrá-la.
Voltou para comandar o exército do Rei e na sua armadura de prata conduziu a Cavalaria Real num movimento audaz, que forçou a retirada do exército da Rainha. Após a ceia recolheu à tenda e deixou ordens para não ser perturbado antes do claror da alba.
Quando tudo estava quieto, a coberto do escuro e com um manto negro, iludiu as sentinelas e caminhou para o centro da floresta densa, entrou numa antiga cabana de bruxa e de lá saiu um Cavaleiro de armadura mais de treva que a mais funérea das noites, que montou um cavalo preto, de longa crina. Qual espectro dos infernos, irrompeu pelo acampamento do exército do Rei e trucidou centenas de homens estremunhados e atónitos, uns que mal o enfrentavam, outros que fugiam em pânico, alguns que ajoelhavam e faziam o sinal da cruz.
Durante um lento e árduo ano, o exército do Rei progredia assim durasse a luz, chefiado pelo Cavaleiro de armadura de prata, mas assim a noite estendia o seu véu sobre o mundo eram duramente sangrados pela fúria do Cavaleiro Negro.
Nos exércitos em conflito militavam, cada um do seu lado, dois capitães que eram primos e que tinham estabelecido o pacto de, enquanto fossem vivos, se encontrar aos domingos numa capela, como amigos e família. Uma manhã, após terem rezado, confessaram as suspeitas que lhes devoravam o coração e escolheram uma noite para se reunir na floresta, cada um com um grupo de dez soldados valentes.
Era Lua cheia e viram nitidamente o Cavaleiro dirigir-se à cabana decrépita, que tinha um cavalo preto, de longa crina, com as rédeas atadas ao alpendre. Aguardaram que o Cavaleiro entrasse, fizeram cerco ao covil infecto e gritaram que se rendesse, uns em nome do Rei, outros em nome da Rainha.
Curta foi a espera, quando de lá saiu o Cavaleiro, equipado com partes de ambas as armaduras, que, ignorando o cavalo, se perfilou em frente da cabana, de escudo erguido e espada preparada, junto a uma lápide nua, sem qualquer inscrição. Os capitães de imediato deram sinal de ataque e um deles gritou «Traidor!», e o outro gritou também «Traidor!».
O combate durou uma interminável hora, o Cavaleiro foi ferido incontáveis vezes, nada parecia poder derrubá-lo e matou muitos, sem dizer palavra. Então, quando já só restavam seis dos soldados e os capitães, e desesperavam de poder vencer, a Rainha surgiu de dentro da noite a galope e atravessou o peito do Cavaleiro com uma flecha. O Cavaleiro deixou cair a espada e o escudo, foi golpeado pelos oito e tombou.
Sempre em silêncio, tentou arrastar-se para a lápide incógnita de pedra cega, mas uma lança pregou-o ao chão e nesse lugar morreu. Os capitães viraram o rosto e não viram a Rainha e nunca mais ninguém a viu e a paz voltou ao Reino.
Dizem os crédulos que quem passa no desfiladeiro, e se aproxima do precipício, ouve a Rainha chorar.


Lord of Erewhon

quarta-feira, 9 de julho de 2008

RIMANCE DO CAVALEIRO DAS ESCÓCIAS (II & III)

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FINISTERRA


«O meu cavalo é a minha pátria.»

Dito por um proto-ariano anónimo no princípio dos tempos

«Quando estiveres perdido na batalha, meu filho, solta os cães, mas não para muito longe de ti, porque os cães já foram um dia lobos, criaturas selvagens.»

Dito por um guerreiro Dácio ao seu filho durante a iniciação militar


O mar sem fim, a luz feroz, acesa alto e o semi-deserto, florido de todas as maravilhas terrenas. Ó terra, recebe-me como teu filho, porque eu fui escorraçado de todas as pátrias e muito caminhei e padeci para aqui chegar. Tanta luz e mar e horizonte são a tua coroa, mãe generosa e doce, gentes tão diversas e felizes são as tuas vestes, limpas e simples e os perfumes do ar, em que se mistura toda a imensa beleza destes campos sagrados, são o teu ceptro, justo e altivo. Recebe-me, terra, recebe-me, mãe, que eu sou um errante sem pátria e já só tu, Terra do Fim, Terra das Serpentes, és a minha derradeira esperança.
Ouvi no vento furioso que no teu ventre santo guardas um tesouro e um sonho, que unirás todos os povos do mundo no teu seio manso e belo e erguerás um Império de Luz Extrema, em que os homens, as feras e as aves cantarão juntos. Recebe-me como filho, ó mãe, que me fizeram órfão e me roubaram tudo, eu serei o guardião do teu tesouro e o soldado do teu sonho e por ti combaterei, eu e todos estes por quem ergo a voz, cavaleiros fulvos das Escócias, aprumados lanceiros das Arábias, valentes guerreiros Mandingas das Áfricas primordiais, archeiros clarividentes da Cidade de D*us e muitos outros que virão, os que vierem de além das estepes, os de além dos gelos, os que descerem das montanhas, vestidos de nuvem e luz e os que se levantarão do fundo negro dos mares, ainda que lhes digam que estão mortos.
Ó Terra do Fim, mãe generosa e doce, Senhora minha, Rainha minha, aceita-me por teu filho e a este exército apátrida; sem mãe, um homem não tem centro nem paz e à nossa a mataram diante dos nossos olhos. Recebe-nos mar sem fim, recebe-nos luz alta, recebe-nos deserto desprezado do Ocidente, eu serei o teu filho fiel, o teu jardineiro proficiente e o teu bardo vociferante, sangrento e sem temor, inflamando pelo canto todos os que aqui perfilam comigo, ajoelhados na areia da praia última, frente ao mar Oceano, irmãos do meu sangue e teus filhos, que seremos a carne do teu Trono e da tua Glória!
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OS QUE VÃO MORRER


O homem baixo de olhos altivos acercou-se da montada do gigante de longos e revoltos cabelos castanho-avermelhados.
– «Senhor, os meus estão prontos. Já rezámos e quero dizer-lhe que o meu D*us o receberá no Seu Paraíso.»
O Cavaleiro de aspecto feroz moveu o rosto e olhou.
– «De que falais?»
– «Senhor, eu sei que morreremos hoje, o inimigo é dez vezes os nossos! Face à morte nada mais pode separar os homens… Quero que saiba que é sangue do nosso sangue para sempre, merece mais do que passar a Eternidade numa taberna suja!»
O gigante de cabelos revoltos, como lume, moveu um pé do estribo para o dar ao homem baixo de olhos estranhos, estendeu-lhe o braço. O cavalo tremeu.
– «Subi! Olhai para o fim do nosso exército!»
– «Alguns fogem, Senhor…»
– «Fogem sempre alguns. Olhai mais fundo, para além do horizonte…»
– «Vejo sombras, fogos-fátuos, vultos…»
– «Olhai agora para a direita e para a esquerda… e olhai para cima!»
O rosto e a voz do Israelita de olhos estranhos alteraram-se de um modo indizível e disse.
– «Os mortos…»
– «Sim, os mortos!» – replicou o Cavaleiro das Escócias – «O nosso exército dos mortos é mil vezes superior… e cada vez que um de nós cair aqui… irá engrossar o número daqueles» – estendeu o braço e apontou para o céu – «ali! Preparai-vos!»
Um vento começou a soprar. O inimigo dava já mostras de querer atacar. O Cavaleiro de bárbaros couros vestido ergueu a espada.
– «A mim! A mim, bravos das Escócias! Gritai comigo! Que nem um homem fique a dormir nas highlands! Que os clãs despertem e saibam que ganharemos hoje, aqui, a glória!»
Um grande grito humano se ouviu, urro terrível e temerário. Depois, uma espécie de grito, ainda maior, e era como um cântico e homens gritavam e, entre eles, Anjos.
– «Shema Yisrael Adonai Eloheinu Adonai Ehad!!»
O Cavaleiro carregou e, de imediato, foi ultrapassado por cavalaria rápida.
– «Santiago!!»
– «São Jorge!!»
Cavaleiros ibéricos de rosto fechado e, no meio dos cavalos, tão lestos quanto estes, se moviam sombras letais, guerreiros negros emplumados, de tronco nu. O Cavaleiro das Escócias, de longo cabelo revolto irmão do vento, empinou a montada e gritou.
– «Portugal!» – e ouviu-se um eco vindo da terra e do céu – «Portugal!!»
Os homens gritavam, mas também Anjos, cavalos, deuses esquecidos, mastins de guerra e o clamor do vento, a luz cheia e o rugido do mar.
«PORTUGAL!!!»


Lord of Erewhon