A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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segunda-feira, 7 de julho de 2008

INTRODUÇÃO A «O IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS» DE C. R. BOXER, POR J. H. PLUMB




O Império Português é um dos maiores enigmas da História. Por volta de 1480, os Portugueses tinham atingido o extremo sul da costa africana, e, ao mesmo tempo, atravessado a imensidão do Atlântico para colonizarem os Açores; é provável que, nessa altura, os seus intrépidos pescadores, juntamente com Bascos e Bretões, estivessem já instalados nos mares cheios de rochas e de peixe da Terra Nova. A Índia e a América pareciam destinadas a pertencer-lhes; na verdade, se os Portugueses tivessem dado ouvidos a Colombo, teriam tido domínio sobre os três continentes antes de qualquer outra nação da Europa. Colombo e a Espanha negaram-lhes o que a sorte parecia ter-lhes destinado; mesmo assim, em meados do século XVI, os Portugueses dominavam uma porção do Mundo e do comércio superior a qualquer outro país. A África, com as cadeias de postos comerciais e de fortes que chegavam ao Oriente e, para Sul, às costas ocidentais, o domínio de grandes portos em Ormuz e Goa deu-lhes o controlo do valioso comércio do golfo Pérsico e do oceano Índico. Feitorias em Ceilão e na Indonésia colocaram o comércio das especiarias nas suas mãos. Firmemente estabelecidos na China e no Japão, traziam para a metrópole navios carregados com as sumptuosidades do Oriente – sedas, porcelana, laca. O sonho que obcecara os homens no tempo do Príncipe Henrique, o Navegador, tinha-se tornado uma realidade. Esses primeiros exploradores hesitantes, assaltados pelo perigo e perseguidos pela morte, marcaram as grandes rotas comerciais com barcos cada vez maiores, a abarrotar de gente e de géneros, que, através de tempestades e de calmarias, seguiam imponentemente o seu caminho até aos impérios orientais.

[…]

De facto, o Império Português põe uma série de questões embaraçosas ao historiador. Por que razão esta nação pequena, bastante pobre e culturalmente atrasada, situada na costa sudoeste da Europa foi tão dramaticamente bem sucedida nesse grande século de empreendimentos que começou por volta de 1440? E por que razão se tornou este êxito uma pálida sombra de si mesmo no curto espaço de cinquenta anos? E, o que é ainda mais estranho, porque é que a posse deste império não actuou como um catalizador para Portugal? Na Holanda, na Inglaterra, em Espanha e em França a posse de um império actuou como um fermento, não só na vida económica e política da nação, mas também na sua vida cultural, na sua literatura, na ciência e na arte. Em Portugal, Lisboa aumentou e Camões escreveu Os Lusíadas. É evidente que houve maior prosperidade do que a que teria havido se Portugal continuasse apenas dependente dos vinhos e da pesca. Mas, além de Camões, há muito poucos escritores, arquitectos, pintores ou cientistas cujos nomes sejam conhecidos, a não ser por especialistas. O impacto cultural do Império Português, se bem que não possa ser ignorado, é estranhamente superficial. E, à medida que uma pessoa lê a História arrebatadora dos Descobrimentos Portugueses, exposta com brilhantismo pelo prof. Boxer, estes porquês insistentes avolumam-se cada vez mais.
Na realidade, Portugal tinha algumas vantagens naturais. Durante toda a sua existência, havia vivido à custa do mar. A sua costa rochosa, batida pelo Atlântico, aonde vão desaguar os rios que nascem no interior montanhoso, tinha, desde sempre, sido a porta aberta para um mundo mais vasto, criando uma dura e hábil raça de marinheiros, que não se deixava atemorizar pelas tempestades do Oceano.


J. H. Plumb




In O Império Colonial Português, C. R. Boxer, Edições 70, Lisboa, 1977, pp. 13, 14, 15.

NOTA
Existe edição portuguesa mais recente, com o título «O Império Marítimo Português»; entretanto tivemos uma revolução, ergueu-se um determinado modelo de democracia, com uma imensa habilidade para mudar o nome às coisas. Ou melhor dito, temos a mania de traduzir como nos convém. O título original é «O Império Português Transportado no Mar» (The Portuguese Seaborne Empire 1415-1825).

sábado, 5 de julho de 2008

COMENTÁRIO AO TEXTO DE RENATO EPIFÂNIO «Resumo de um texto a fazer…»


Muito honestamente, penso que a trave fundamental do Grupo da Filosofia Portuguesa é um recurso; mas não se pode ignorar que sobre o chão de uma mitosofia se ergueu sabedoria válida. Além de que o recurso não é de lunático: é um postulado.

Esse postulado, que sempre questionou e incomodou o pensamento mais europeísta por cá, também sempre me questionou, mais do que me incomodar. Transformar atrasos em virtudes, pouco me diz; principalmente porque Álvaro Ribeiro (e também Marinho, embora com maior amplidão) se reportou em demasia a um diagnóstico do presente (a primeira metade do século XX); Portugal não foi sempre atrasado em relação à Europa.

Hoje este postulado tem que ser reformulado, receber novo vigor. Não continuemos a fundamentar a nossa especificidade na evocada virtude de um atraso. O caminho é outro:

o da atipicidade da História do nosso País.

Esta ideia começou a assaltar-me não na leitura dos filósofos mas na dos historiadores (a História é a minha leitura mais recorrente; nela se funde todos os que sou). Charles Boxer permitiu-me reler os nossos historiadores do passado e a História de Portugal num novo rumo:

Portugal não tem funcionado pelos mesmo vectores genéricos da demais Europa Ocidental.

Ora toma a dianteira, ora se retarda. Alguma semelhança encontro na pátria de Boxer: o Reino Unido, mas Portugal é ainda mais atípico.

Portugal é um ilhéu dentro da ilha Ibérica. Esta insularidade do extremo, com o oceano sem fim ao lado, determinou a Alma desta Pátria, o seu destino e o carácter genérico dos Portugueses. As nossas virtudes, falências e singularidade.


P. S. Eu quero um Verney, um António Sérgio, etc. Se aqui não há polémica é porque os nossos opositores sempre estiveram mal representados!

P. P. S. Até já pensei encarnar um... agora com esta coisa da heteronímia anónima! Este carrasco pensa pra caraças dentro do carapuço... (-_-)


NOTA
Concebi dois novos conceitos – de poeta, claro, mas não isentos de sapiência:

(1) o de Império Último – que substitui o V Império; trata-se genericamente da Terceira Reconquista, encerrada a Segunda, as Descobertas, e o retorno à Primeira (interrompida pela Segunda, que a pretendeu continuar além fronteiras) e à valentia de recuperar o território da Primeira Dinastia;

(2) o de Arca de Chão (no sentido duplo de baú de tesouro e arca de navegar e também guardar); conceito que transforma o postulado de Álvaro Ribeiro numa Finisterra mágica, suspensa num tempo que namora a eternidade, que todos os homens, povos e credos procuram desde o início da Civilização Mediterrânica, por terra, como os Cavaleiros que procuram o Cálice, por mar, desde o que Avieno repõe de um passado que apenas escutou.



Klatuu Niktos