EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23
27 de Abril, na Associação Caboverdeana de Lisboa (para ver o vídeo, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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sábado, 28 de janeiro de 2012

Passam hoje 88 anos...


A 28 de Janeiro de 1924, morre, em Lisboa, Joaquim Teófilo Fernandes Braga, político, escritor e ensaísta português. Completou o mandato de Manuel de Arriaga como Presidente da 1ª República, entre 29 de Maio e 4 de Agosto de 1915.
___________
Em suma, para os dois mais insignes hermeneutas da Filosofia Portuguesa, Teófilo Braga é um autor a valorizar – não apenas na primeira dita “fase romântica”, em que por influência de Michelet, Vico e Hegel, entre outros, se dedicou mais expressamente às tradições nacionais (1), mas inclusivamente na sua posterior dita “fase positivista”, dado que, mesmo aí, recordando as palavras de Álvaro Ribeiro, aspirou à “formação, dentro do positivismo, de uma escola tipicamente portuguesa”.



(1) Sobre esta fase, ver em particular o artigo “Teófilo o jovem”, de Rodrigo Sobral Cunha, publicado na NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI (nº 6, 2º Semestre de 2010).

terça-feira, 13 de setembro de 2011

16 nomes para o nº 8 da NOVA ÁGUIA (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro



Adriano Moreira
António Braz Teixeira
António Cândido Franco
António Carlos Carvalho
António José de Brito
António Quadros
António Telmo
Carlos Aurélio
João Bigotte Chorão
Joaquim Domingues
José Augusto Seabra
José da Costa Macedo
Manuel Ferreira Patrício
Manuel Gandra
Orlando Vitorino
Pinharanda Gomes

sábado, 3 de setembro de 2011

Carta de Álvaro Ribeiro a António Quadros, no próximo nº da NOVA ÁGUIA...



"Tomar consciência de que a religião nos governa pode ser efeito de razão ou de intuição, mas é talvez o que mais importa para interpretar a nossa liberdade. Em plano mais largo vemos, e com ver sofremos, a crise religiosa a explicar a difusão do mal no mundo moderno. Estou cada vez mais longe de pensar que a crise religiosa se resolve pela politização, pois sempre me pareceu erróneo o caminho proposto à Igreja de imitar o Estado ou de formar partido. A solução da crise está em dar aos actos religiosos, desde a simples prece à mais complexa liturgia, a interpretação filosófica do nosso tempo. Não vejo que seja essa a opção preferida em Portugal. Fala-se de mais em justiça, e de menos em Verdade. A Igreja transigiu perigosamente com hipóteses que abalam a fé, ou que se proclamam contrárias aos artigos da fé. O espectáculo público do Natal, neste ano de Cristo, é bem triste para quem tome consciência da vida religiosa que os Anjos mais significam que os Animais. (…)"

excerto

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

2011: mais 2 números da NOVA ÁGUIA

- Sétimo número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- Oitavo número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

Para o oitavo número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

sábado, 16 de janeiro de 2010

[Álvaro Ribeiro e Teófilo Braga]




“O Estado Português ainda não pagou a gratidão devida a Teófilo Braga. Dizemos o Estado, para que o substantivo maiusculado seja também concreto, e portanto, vulnerável à crítica mais penetrante da inteligência definida. Não dizemos a Pátria, porque já morreram os pais dessa realidade conceitual a que os imaginários atribuíram a perfeita, mas última, acepção de República.
Sim, a verdade é que foi Teófilo Braga um dos últimos «pais da Pátria». Toda a actividade espiritual desse homem obscuro, modesto, malsinado se resume, sem receio de erro, numa série de livros que representam cinco decénios de pensamento actual e actuante, manifestado em lições, conferências e discursos. Ao proceder como historiador das principais expressões da alma nacional, Teófilo Braga teve em mão milhares de documentos sobre os quais exerceu o seu juízo analítico e reflexivo, para explicar em termos fáceis de narrativa imaginosa a luta do nosso pensamento pátrio e varonil contra as sucessivas invasões das legiões estrangeiras.
Foi certamente Teófilo Braga o último romântico, não só na acepção dada pelos literatos em contraste com o termo clássico, mas na exactidão histórica de quem defendeu o princípio cultural das nacionalidades, inspirado na tradição do medievalismo. A sua posição retardatária, irreverente, fora de moda, conferiu às páginas dos seus melhores livros uma característica que poderemos dizer anacrónica, e que por seu tanto afasta os leitores menos pacientes e menos diligentes. Dir-se-á que Teófilo Braga pertenceu muito mais à família espiritual de Alexandre Herculano e de Almeida Garrett, do que à de Antero de Quental, Oliveira Martins e Eça de Queirós.
Um homem que dedicou a sua vida a demonstrar a liberdade, a autonomia e a independência do pensamento português merece uma posição de relevo na história da nossa filosofia. Foi Teófilo Braga um filósofo romântico, mas, disciplinado pelo racionalismo de Augusto Comte, resistiu, como «homem de um só livro», aos ataques petulantes dos literatos seus contemporâneos. A feição historicista que imprimiu aos seus escritos de arte – produto da vontade, do sentimento e da memória – não turvou nem obscureceu a inteligência poderosa de um génio atraído pela estética do sublime, a ética do amor, a ideia do infinito.”


Álvaro Ribeiro

(excerto retirado de “O Último Romântico (1843-1924)”, originalmente publicado em Escola Formal, n.º 2, Julho de 1977, e posteriormente em Dispersos e Inéditos, III (1961-1981), INCM, 2005)

Publicado em:

http://filosofia-extravagante.blogspot.com/2010/01/palavras-que-fazem-ver-16.html

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Faz hoje 28 anos...

Álvaro Ribeiro, já aqui por várias vezes evocado, faleceu no dia 9 de Outubro de 1981, faz hoje 28 anos.

sábado, 2 de maio de 2009

Arte de Filosofar

"A arte de filosofar não consiste em escrever livros, em proferir conferências, em minutar lições que, ostensivamente, efectuem transmissão de ensino público. Todas as manifestações da filosofia, que os bibliógrafos registam e os biógrafos explicam, combinando a bibliografia com a biografia, resultam de uma actividade inaudível e invisível a que se dá o nome secreto de pensamento. Maior é o número dos filósofos que cogitam, meditam e especulam, sem que os seus contemporâneos sequer suspeitem, do que o número daqueles que pretendem tornar-se célebres com exibir erudição aprendida em arquivos, bibliotecas ou museus.
Cumprindo os ritos religiosos, políticos e morais que são a praxe no círculo social em que preferiu viver e conviver, o pensador sincero fica mais livre para na solidão reflectir sobre os problemas humanos, os segredos naturais e os mistérios divinos. A cada alma esclarecida no cultivo da ciência e inflamada pelo amor da verdade obsidia sempre um só problema, segredo ou mistério, a que atribui primado na ordenação de todas as interrogações que estimulam o pensamento até à hora da iluminação suprema"

- Álvaro Ribeiro, A Arte de Filosofar, Lisboa, Portugália, 1955, p.9.

sábado, 5 de julho de 2008

COMENTÁRIO AO TEXTO DE RENATO EPIFÂNIO «Resumo de um texto a fazer…»


Muito honestamente, penso que a trave fundamental do Grupo da Filosofia Portuguesa é um recurso; mas não se pode ignorar que sobre o chão de uma mitosofia se ergueu sabedoria válida. Além de que o recurso não é de lunático: é um postulado.

Esse postulado, que sempre questionou e incomodou o pensamento mais europeísta por cá, também sempre me questionou, mais do que me incomodar. Transformar atrasos em virtudes, pouco me diz; principalmente porque Álvaro Ribeiro (e também Marinho, embora com maior amplidão) se reportou em demasia a um diagnóstico do presente (a primeira metade do século XX); Portugal não foi sempre atrasado em relação à Europa.

Hoje este postulado tem que ser reformulado, receber novo vigor. Não continuemos a fundamentar a nossa especificidade na evocada virtude de um atraso. O caminho é outro:

o da atipicidade da História do nosso País.

Esta ideia começou a assaltar-me não na leitura dos filósofos mas na dos historiadores (a História é a minha leitura mais recorrente; nela se funde todos os que sou). Charles Boxer permitiu-me reler os nossos historiadores do passado e a História de Portugal num novo rumo:

Portugal não tem funcionado pelos mesmo vectores genéricos da demais Europa Ocidental.

Ora toma a dianteira, ora se retarda. Alguma semelhança encontro na pátria de Boxer: o Reino Unido, mas Portugal é ainda mais atípico.

Portugal é um ilhéu dentro da ilha Ibérica. Esta insularidade do extremo, com o oceano sem fim ao lado, determinou a Alma desta Pátria, o seu destino e o carácter genérico dos Portugueses. As nossas virtudes, falências e singularidade.


P. S. Eu quero um Verney, um António Sérgio, etc. Se aqui não há polémica é porque os nossos opositores sempre estiveram mal representados!

P. P. S. Até já pensei encarnar um... agora com esta coisa da heteronímia anónima! Este carrasco pensa pra caraças dentro do carapuço... (-_-)


NOTA
Concebi dois novos conceitos – de poeta, claro, mas não isentos de sapiência:

(1) o de Império Último – que substitui o V Império; trata-se genericamente da Terceira Reconquista, encerrada a Segunda, as Descobertas, e o retorno à Primeira (interrompida pela Segunda, que a pretendeu continuar além fronteiras) e à valentia de recuperar o território da Primeira Dinastia;

(2) o de Arca de Chão (no sentido duplo de baú de tesouro e arca de navegar e também guardar); conceito que transforma o postulado de Álvaro Ribeiro numa Finisterra mágica, suspensa num tempo que namora a eternidade, que todos os homens, povos e credos procuram desde o início da Civilização Mediterrânica, por terra, como os Cavaleiros que procuram o Cálice, por mar, desde o que Avieno repõe de um passado que apenas escutou.



Klatuu Niktos

sábado, 1 de março de 2008

Vidas Portuguesas: Álvaro Ribeiro (1905-1981)


“Tudo depende não de aclimatar, não de continuar, mas de recomeçar uma tradição; tudo depende da eleição de um ponto de partida e da acção de um escol que venha a revelar em actual expressão ontológica o pensamento implícito nos documentos teológicos, políticos e literários que assinalam os decisivos passos da vida do nosso povo, e que venha a formular em sistema ou sistemas a filosofia própria da fisionomia nacional”.
Álvaro Ribeiro, O Problema da Filosofia Portuguesa

“Porque não é de filosofia em Portugal mas de filosofia portuguesa que a nossa cultura verdadeiramente carece”.
Álvaro Ribeiro, O Problema da Filosofia Portuguesa

Apontamento Biográfico
Álvaro Ribeiro nasceu, na cidade do Porto, no dia 1 de Março de 1905.
Estudou na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde foi aluno de Leonardo Coimbra (1883-1936), e licenciou-se, na mesma instituição, em 1931.
Iniciou-se, desde muito cedo, na arte de filosofar. Julgava até que se aprimorara em tal arte no convívio da Renascença Portuguesa e nas tertúlias filosófico-literárias que pululavam pelos cafés portuenses. Expressões tão vivas e fiéis do verdadeiro indagar filosófico, desprendidas das relações formais e académicas que, na concepção alvarina, não coincidem com o vero interesse pela Filosofia.
É considerado o fundador do mui polémico grupo da Filosofia Portuguesa. Do qual fazem parte, entre outros, António Quadros (1923-1993), Afonso Botelho (1919-1996), Orlando Vitorino (1922-2003), Pinharanda Gomes (1939), António Telmo (1927) e António Braz Teixeira (1936).
Deixou uma vasta obra dedicada, essencialmente, à Filosofia e à Cultura e Literatura Portuguesa.
Morreu, em Lisboa, no dia 9 de Outubro de 1981.

Apontamento Crítico
Ao lado de José Marinho (1904-1975), Álvaro Ribeiro é um dos maiores discípulos de Leonardo Coimbra. Poder-se-á dizer que deste recebeu o estímulo para a reflexão filosófica e para o culto da filosofia em lato senso, sem ser necessária a frequência de escolas ou universidades. Assim como o seu colega da Faculdade de Letras do Porto - José Marinho – e como Teixeira de Pascoaes (1877-1952), Álvaro Ribeiro é um defensor acérrimo da singularidade da cultura e do pensamento português. Considera-o uma questão situada, concreta e objectiva. Crê até que o carácter filosófico do nosso pensamento se revela, sobretudo, na literatura e na poesia.
Avesso ao espírito moderno, ao academismo, ao positivismo e ao racionalismo de um ponto de vista genérico, o pensador portuense defende, ao invés, uma linha de orientação filosófica que se sustenta no romantismo, na perpetuação da tradição portuguesa, na reflexão detida da fisionomia filosófico-antropológica do povo lusitano que, na sua óptica, é tão peculiar e tão enigmática. Tal fisionomia dever-se-á perscrutar através da palavra, da linguagem – instrumento sagrado. No fundo, o primeiro passo do filósofo é tornar-se filólogo, ou seja, atentar para a cifra misteriosa que está subjacente à nossa fala, à nossa imaginação e ao nosso pensamento. A filosofia será, então, no seu ponto de vista, a arte da palavra. A qual, em tempos remotos, era apenas acessível aos sacerdotes. Também por isso é que, na obra de Álvaro Ribeiro, a filosofia tem uma estreita ligação com a teologia, com a religião e com a simbólica. Ao filósofo cabe, assim, pela análise da palavra ou da linguagem (que é mais do que uma simples lógica linguística e formal), revelar o que está velado; desocultar o que está oculto até aceder à ideia de Deus, ao conceito de Absoluto. Afinal de contas, Álvaro era assumidamente teísta e esotérico, considerava até o ateísmo como uma espécie de analfabetismo.
A antropologia constitui-se, assim, como a primeira das disciplinas filosóficas, na medida em que é a ciência que se debruça sobre o pensamento humano, sobre a razão animada. Neste aspecto, e apesar de propor uma nova interpretação de Aristóteles, distancia-se da máxima aristotélica “o homem é um animal racional” que, devido a Charles Darwin (1809-1882), foi exponencialmente tratada e reformulada. Álvaro Ribeiro, por sua vez, acentua o carácter espiritual e animado da razão humana. No fundo, o pensamento alvarino centra-se na apologia da filosofia como maiêutica, como propedêutica pedagógica e como orientação ético-moral. Não nos esqueçamos que, tanto em Estudos Gerais como n’ A Razão Animada – Sumário de Antropologia, concebe um programa para os estudantes de filosofia, no qual esquematiza e apresenta as disciplinas fundamentais do método filosófico.
Numa das suas obras mais emblemáticas – O Problema da Filosofia Portuguesa -, Álvaro Ribeiro pretende questionar os obstáculos que se colocam à reflexão especulativa e filosófica dos portugueses, bem como a análise da situação da filosofia em Portugal. Na sua perspectiva, os pensadores portugueses da contemporaneidade não conseguem descodificar o problema da cisão entre a filosofia moderna e a filosofia clássica. Portugal, ao deixar-se guiar pelas influências estrangeiras, desdenhou a antiguidade e abraçou as luzes. Portugal afastara-se, assim, do pensamento clássico e das raízes do próprio processo filosófico. Para inverter tal situação, Álvaro Ribeiro propõe uma reaproximação a Aristóteles, uma hermenêutica cuidada e militante deste filósofo grego.

Bibliografia Indicativa
O Problema da Filosofia Portuguesa (1943)
Leonardo Coimbra (1945)
Sampaio Bruno (1947)
Os positivistas (1951)
Apologia e Filosofia (1953)
A Arte de Filosofar (1955)
A Razão Animada (1957)
Escola Formal (1959)
Estudos Gerais (1961)
Liceu Aristotélico (1962)
Escritores Doutrinados (1965)
A Literatura de José Régio (1969)
Uma Coisa que Pensa (1975)
Memórias de Letrado (1977-1980, 3 volumes)