Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
domingo, 15 de março de 2009
Adaptação ou razão?
partilho convosco esta nobre causa que recebi por e-mail do Movimento Cívico de que também faço parte, ainda que considere que o bom senso deve imperar.
Abraços,
António José Borges
"Caros amigos,
A Linha do Tua vai ser apresentada em Paris, a todos os curiosos e interessados nesta causa, através do olhar de mais um amigo, o fotógrafo José Miguel Ferreira. De 17 a 26 de Março de 2009.
Agradecemos a vossa colaboração na divulgação desta iniciativa que promove a Linha do Tua além-fronteiras, bem como o crime cultural e patrimonial que o Governo português pretende levar adiante, a qualquer custo, numa zona classificada pela Unesco.
Caso não visualize correctamente esta mensagem, poderá obter toda a informação na página do MCLT (http://www.linhadotua.net/) e na página do José Miguel Ferreira (http://www.jmferreira.net/), onde além de outros trabalhos, encontrará também as versões francesa e inglesa do texto que acompanha as fotografias, para uma mais ampla divulgação.
Muito obrigada e até breve!
Movimento Cívico pela Linha do Tua
http://www.linhadotua.net/
EXPOSIÇÃO COLECTIVA DE 17 A 26 MARÇO 2009
INAUGURAÇÃO SEXTA-FEIRA 20 MARÇO 2009 DAS 18:00 ÀS 20:30
Rápido no Tua, 2008 - José Miguel Ferreirafotografia platina / paládio, 35 x 28 cm, 2008
12 FOTOGRAFIAS EM PLATINA / PALÁDIO
JOSÉ MIGUEL FERREIRA
A LINHA DO TUAUma linha ferroviária centenária ameaçada É na região do Alto Douro Vinhateiro, zona classificada pela Unesco como Património da Humanidade, entre afronteira Hispano-Portuguesa e o Oceano Atlântico, quese encontra o vale do Tua. Recolhido e selvagem,este vale é percorrido por uma magnífica e históricalinha de caminho de ferro: a Linha do Tua.
Sendo anteriormente uma das mais importantes vias do Alto Douro, a Linha do Tua caminha ao lado de cerca de 50 km do rio Tua. Impressionante obra de engenharia, foi dinamitando queos engenheiros do final do século XIX fizeram estepercurso através da rocha. Na estação da pitoresca aldeia de Foz-Tua, junta-se a uma outra linha que atravessa o Norte de Portugal, a Linha do Douro.
O rio Tua, ponteado com rochas e desfiladeiros estreitos, oferece magníficas perspectivas com rápidos ainda não domesticados; segundo alguns, este é um dos últimos rios selvagens da Europa.
O vale do Tua, cuja fauna e flora, estão em grande parte, ainda intactos, está, no entanto, ameaçado pela construção de uma barragem na foz do Rio Tua, apoiada pelo Governo Português. Um projecto que irá afogar e condenar a Linha do Tua, uma das mais belas ferrovias da Europa. A sociedade civil mobiliza-se para preservar este património histórico e natural, mas a mobilização local não será suficiente".
AGORA EM FRANCÊS:
"EXPOSITION COLLECTIVE DU 17 AU 26 MARS 2009
VERNISSAGE LE VENDREDI 20 MARS 2009 DE 18:00 À 20:30
Rápido no Tua, 2008 - José Miguel Ferreiratirage platine / palladium, 35 x 28 cm, 2008
12 PHOTOGRAPHIES AU PLATINE / PALLADIUM
JOSÉ MIGUEL FERREIRA
LA LIGNE DU TUAUn chemin de fer centenaire menacé C'est dans le Haut-Douro portugais, région viticole classée par l'UNESCO désormais reconnue Patrimoine Mondial de l'humanité, à mi chemin entre la frontière Hispano-Portugaise et l'océan Atlantique, que se trouve la vallée du Tua. Très encaissée et sauvage, cette vallée est surplombée par une magnifique ligne de chemin de fer historique: La Ligne du Tua.
Autrefois, l'une des plus importantes du Haut-Douro, cette voie ferrée étroite longe sur environ 50 kilomètres la rivière Tua. Impressionnante oeuvre de génie civil, c'est à la dynamite que les ingénieurs de la fin du 19ème siècle lui ont frayé un chemin à travers les rochers escarpés. C'est à la gare du pittoresque village de Foz-Tua que la Ligne du Tua rejoint une autre ligne de chemin de fer qui traverse le Nord du Portugal, la Ligne du Douro.
La rivière Tua, parsemée de rochers et de gorges étroites, offre de splendides perspectives sur des rapides encore indomptés; d'aucuns disent qu'il s'agit de l'une des dernières rivières encore entièrement sauvage en Europe.
La vallée du Tua, dont la faune et la flore sont d'ailleurs encore largement intactes, est cependant menacée par un projet de barrage hydroélectrique soutenu par le gouvernement portugais. Un projet qui noierait la Ligne du Tua et condamnerait ainsi l'une des plus belles lignes de chemin de fer d'Europe.La société civile se mobilise pour défendre ce patrimoine naturel, mais la seule mobilisation local ne suffira pas."
Para ver fotos, ir a: http://www.jmferreira.net/expo-tua-jmferreira-fr.htm
domingo, 15 de junho de 2008
O VELHO
“...pode dizer-se que um lavrador do nosso Douro ou Trás-os-Montes tem mais saber implícito na sua linguagem que qualquer indivíduo mais ou menos literalizante...”
Leonardo Coimbra*
Com as mãos calejadas e já acentuadamente deformadas pela artrite e pelos anos, o Velho manuseia habilmente a tesoura. A poda já está no fim, e de vez em quando ele olha para trás, contemplando o vinhedo que antes de ser seu foi de seu Pai, e antes deste, de seu Avô. Longe vão os tempos de fome trazida pelo míldio e o oídio, ou pela filoxera. Hoje o vinhedo estende-se, cheio de saúde, garantindo todos os anos boas vindimas. Paciente, o Velho continua a sua tarefa. Cada cana é por ele examinada com atenção para escolher o local exacto onde é desferido o golpe. Atrás de si, as borracheiras, nome dado às canas podadas, alinham-se como um exército vegetal em repouso retemperador de forças para o novo combate que se avizinha. Ano após ano, o ritual é executado com os mesmos gestos. Nem o Velho sabe como faz para determinar quais as canas a serem cortadas, e onde as corta. Aprendeu era ainda um gaiato, assim que trocou os bancos da Escola pelos corredores de terra ladeados pelas parras e cachos perfumados. Aprendeu vendo fazer. Aprendeu porque queria fazer, imitar o seu Pai. Seguia-o enquanto podava, em silêncio, que o seu pai era Homem de poucas falas. Mas absorvia tudo o que via. E assim que a sua mão atingiu o tamanho que lhe permitiu segurar firmemente na tesoura, começou a ajudar. Desde então, não houve um ano que não o fizesse. Agora, tantos anos depois, é com uma mágoa serena que observa estes socalcos. Atrás de si, nunca teve quem andasse. Ninguém aprendeu consigo os gestos, ninguém ao aprender os gestos se apaixonou como ele pela terra. Nem filhos, nem netos irão, um dia, percorrer estes socalcos, cana por cana. Quando a Morte o levar (e, sabe-o bem, não tardará muito, sente-o nos ossos e na alma), o seu amado vinhedo será vendido. Não mais o seu sangue avidará neste chão. Encolhe os ombros e diz, de si para si: “Paciência”. A vinha perdurará. Não sabe bem porquê, mas nesse momento, só isso lhe parece importante.
"O Doiro sublimado. O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta."
* excerto de “Em louvor das maiorias”, in A Tribuna de 13 de Maio de 1920
** in Diário XII
Foto retirada daqui.