Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
quinta-feira, 21 de maio de 2009
A leste, nada de novo...
"Trabalhos históricos que questionem a importância da União Soviética estalinista durante a Segunda Guerra serão investigados e podem vir a ser punidos com prisão".
in Público, 21.05.09, p. 21
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Um sinal dos tempos...
Estaline eleito o terceiro melhor russo de sempreAntigo ditador esteve em primeiro até o produtor do programa ter pedido para serem votados outros candidatos
Fonte: http://diario.iol.pt/internacional/estaline-russia-comunismo-ditador-programa-tv/1027485-4073.html
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Nova guerra fria ou nova ordem mundial?
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Dangerous to me

Atravessou, devagar, mesas intermináveis arrombadas de livros. Não parou junto dos poetas, ignorou a subtileza de Borges e a crua violência de Philip Roth, não lhe mereceram os historiadores o mais simples olhar. Passou a outra sala: de um lado a encíclica do Papa, do outro o Seja Feliz Agora! e talvez um manual para druidas. Andou sempre, como se soubesse aonde havia de ir, como se à volta não houvesse mais nada. Tão longe.
No último mostrador, quase escondida sob um arco de pedra, abriu devagar um álbum, enormes fotografias da Finlândia. Tinha o livro pousado, talvez não quisesse sujar os glaciares e os lagos com as suas mãos de rua e chão. De vez em quando virava uma página, voltou atrás para rever não sei que rio, não sei que terra. Mas passou depressa um grupo de crianças loiras.
Se eu pudesse fugir, pensei, é nisso que ela está a pensar, se eu pudesse um dia chegar aqui. Não saí de onde estava, porque quase de certeza não tinha reparado em mim, não podia saber que do meu canto podia reconhecer as cores; fiquei quieto e quis pousar os livros que tinha escolhido mas não fui capaz, inúteis os Novos Estudos de História Medieval, subitamente inútil o Perspectives on the new Russia. E não sei porquê lembrei-me dos Pink Floyd,
Hush now baby, baby don't you cry
Mama's gonna check out all your girl friends for you
Mama won't let anyone dirty get through
Tenho-a encontrado na Baixa, mulher de olhos adolescentes embrulhada num enorme capote cinzento a arrastar dois sacos quase do seu tamanho onde talvez haja o cobertor de dormir. Tenho-a encontrado e da primeira vez (era a noite no Bairro Alto) pareceu-me uma hippie um pouco deslocada, só depois percebi, sem-abrigo (Mother do you think she's dangerous to me) Tantas vezes a encontrei e tantas penso que se não tivesse os olhos cinzentos, se fosse um homem baixo e barrigudo talvez os meus olhos tivessem demorado menos (Mother do you think she's good enough for me). E nunca lhe soube falar, precisas de quê, exactamente agora? (Mother do you think they'll like the song)
E quando, Mestre, é que te vimos com fome e não te demos de comer. Ah, mas a mulher está parada na livraria a olhar os lagos da Finlândia mesmo que o Mestre seja uma história de adormecer, mesmo que eu tenha voz para lhe falar; e se eu pousar os livros que ia comprar e lhe disser toma o livro e os lagos da Finlândia, poderás vê-los quando a pedra te não quiser deixar dormir. Mas que adianta um livro a quem não tem onde o pousar, que adianta um mundo (Mother will she tear your little boy apart, mother will she break my heart)
Talvez ela não veja, sim, talvez não queira os lagos da Finlândia, talvez ela seja louca e mais vale não lhe falar ainda havia um escândalo. Alguém devia fazer alguma coisa. E assim eu posso ler o Perspectives, mostrar-te a pureza das águas.
Mother do you think they'll drop the bomb
Se eu pudesse um dia chegar aqui.
[a fotografia é de um lago da Finlândia, de que desconheço o autor; usei excertos de Mother, de Pink Floyd]
MÃE RÚSSIA

Sol Niger II, Gottfried Helnwein, 1987
Um certo dia, em Dresden, depois das barricadas e de uma grande seca do Wagner sobre espumantes franceses e patriotismo alemão, Bakunine foi dar uma volta nocturna pela cidade e encontrou três estudantes a espancar um idoso. Bakunine era um gajo forte e tresloucado. Deu um pontapé no cu do que estava mais a jeito e dois valentes chapadões nos restantes, levantou o velho e deixou-o ir à sua vida.
Os estudantes reconheceram-no.
– Sabe, nós também somos revolucionários e esse que deixou escapar o maldito de um aristocrata!
Bakunine olhou para ele muito sério.
– Que idade tens?
– Dezanove!
– Tu não és um revolucionário, és um Alemão estúpido a precisar de uma mãe Russa.
Klatuu Niktos